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domingo, 27 de fevereiro de 2011

SERÁ QUE TUDO ISTO VAI ACABAR BEM?

Acentuam-se as similitudes entre o país e a cidade, entre o governo e a autarquia, entre Sócrates e Corvêlo. Vejamos em detalhe, indo do macro para o micro. Portugal está para a Europa dos 27, assim como Tomar está para as restantes cidades do país. Em termos económicos, Portugal está cada vez mais atascado em dívidas, a cidade nabantina idem idem. O governo aumentou os impostos, a autarquia aumentou as taxas e os preços. O governo é minoritário, o executivo autárquico PSD também. O País tem excesso de funcionários, o município igualmente. Os portugueses emigram, os tomarenses migram.
Como se tudo isto não fosse já preocupante, temos ainda um modus operandi comum ao primeiro-ministro e ao presidente da câmara de Tomar. Ambos são cada vez mais considerados pelos eleitores respectivos como exímios ilusionistas políticos, excelentes no malabarismo verbal. Enquanto Sócrates vai criando pouco a pouco uma espécie de realidade paralela, com a sua continuada reivindicação de sucessos políticos e/ou económicos, Corvêlo consegue ir embalando os seus pares com sucessivos discursos cheios de boas intenções, plenos de optimismo, mas sem consequências práticas. Quando o primeiro-ministro menciona casos concretos, tipo energia eólica, Magalhães ou aumento das exportações, Corvêlo relembra as obras grandiosas erguidas durante os mandatos do PSD, ou ainda em curso. Que segundo afirma trazem ou trarão grandes benefícios para a cidade e para o concelho. O elefante branco da Levada, por exemplo, vai finalmente permitir o desenvolvimento do turismo local...
Chegados aqui, porém, os destinos de um e outro bifurcam. Convocado pela senhora Merkel, que nunca brinca em serviço, Sócrates vai a Berlim na quarta-feira. Segundo a imprensa portuguesa, para de lá trazer boas notícias. De acordo com a imprensa internacional, para ouvir uma rabecada das antigas e para ser intimado a implementar imediatamente medidas de austeridade comparáveis às de Espanha, da Irlanda ou da Grécia. Sob pena de "desligarem o país da máquina europeia". A bancarrota em menos de 24 horas, caso tal venha a acontecer. Exactamente o que pediram à chancelerina alemã quase 200 professores de economia alemães, numa tribuna publicada num dos principais diários daquele país.
Estou mais virado para a versão internacional do que para a do EXPRESSO (página 3), uma vez que para conceder um "satisfaz bem" à Espanha e felicitar o seu presidente do governo, Merkel não hesitou e  veio a Madrid há uma semana. Teria sido, portanto, uma excelente ocasião para um salto a Lisboa, caso se tratasse da mesma agradável incumbência. Assim, tudo parece indicar não ter qualquer fundamento a versão oficial portuguesa do convite, tratando-se antes de uma convocatária/intimação, daquelas que são usadas em relação aos subordinados relapsos. Aguardemos.
Nesta altura, os leitores mais por dentro destas coisas perguntarão: Mas afinal quais são essas medidas de austeridade em Espanha, na Grécia e na Irlanda, ainda não decretadas em Portugal? Apenas posso dar um exemplo. Enquanto em Portugal a administração pública substitui um de cada dois funcionários que se aposentam, (50%) em Espanha a proporção é de um para dez, (10%), salvo na saúde e no ensino, onde é de 3 para 10 (30%). Assim já podem fazer uma ideia do que aí vem...
Entretanto, a nível local não há Merkel que nos possa valer. Apesar de termos um executivo minoritário, especialista em arranjar despesa. Já em 2010, num contexto de evidentes  dificuldades de tesouraria, tratou de integrar nos quadros pelo menos uma boa dúzia de contratados a prazo. Mais recentemente, foi a conhecida reformulação das chefias, que redundou nas 15 divisões e nos 3 departamentos. Agora só falta saber onde irão arranjar autorização prévia, votação maioritária e banqueiros ousados para obterem os indispensáveis 8 milhões de euros, sem os quais...
Tendo em conta as actuais condições de mercado, caso consigam concluir o prévio calvário com êxito, o que parece estar longe de ser um dado adquirido, podem-se ir preparando para uma liquidação anual da ordem dos 400 mil euros, só em juros.  A tradicional megalomania tomarense, quando associada a uma ignorância crassa da economia, leva a confundir despesa com investimento e a precipitar o "estampanço" contra a parede. Aguentem-se. Pode ser que consigam pagar atempadamente a todos os funcionários até ao final do mandato. E até continuar com os subsídios, as cedências dos autocarros e os passeios comezaina+tintol+animação. Pode ser...