Mostrar mensagens com a etiqueta hospital estratégia política autarquia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta hospital estratégia política autarquia. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Dá Deus nozes...

Hesitei entre dois títulos, por ambos me parecerem muito adequados. O que prevaleceu (Dá Deus nozes a quem não tem dentes) e "A união dos contrários". Isto porque, por vezes, até dá vontade de chorar, desde que o actual governo tomou posse. Pela primeira vez desde o 25 de Abril, estamos como tomarenses muito bem posicionados em Lisboa. E sublinho "como tomarenses". Não individualmente. Podemos por conseguinte ser ouvidos e tidos em consideração, para tudo o que seja legítimo, legal e de interesse geral.
Infelizmente, a nível local sucede exactamente o oposto. A maioria relativa, que nos devia governar se soubesse, quisesse e conseguisse, é apenas isso mesmo: maioria relativa. Como se tal não bastasse, não dispondo de táctica nem de estratégia, nem de vontade ou capacidade para as vir a ter, podia ir navegando à vista. Pois nem isso. Encalharam. Desde o início do actual mandato, ainda não conseguiram resolver um único dos grandes problemas locais. Em termos de vitórias, ficaram-se pela reabertura do Parque de Campismo. O que sendo importante, também não será para deitar foguetes e mandar sair as bandas.
A oposição representada no executivo é o que se tem visto. Se exceptuarmos a corajosa e recente ruptura da estranha mancebia por parte dos vereadores PS, cansados de tanto desprezo dos parceiros de papel assinado, contentam-se em navegar placidamente nas inquinadas águas do charco político nabantino. Quanto às outras formações políticas, representadas unicamente no parlamento concelhio, terão conseguido agora a sua coroa de glória. Uniram-se em prol de Tomar -o que se saúda e louva. Contudo, factos convergentes indiciam que não terão escolhido o melhor tema. A questão da inevitável reforma do CHMT é extremamnente melindrosa e dela depende em grande parte a sobrevivência dos três hospitais que o compõem. Não nos podemos esquecer -entre muitos outros factos gravosos- que as horas extraordinárias dos enfermeiros aumentaram mais de 300% de um ano para o outro, de acordo com o relatório 913 da Inspecção Geral de Finanças. Ou que, de acordo com as melhores práticas homologadas a nível mundial, a maternidade de Abrantes (única do CHMT) não tem condições para continuar a funcionar, visto que não realiza 1.500 partos anuais, o mínimo indispensável para "não perder a mão", conforme o normativo europeu em vigor.
Nestas condições, caso a reforma estrutural em curso venha a falhar, vários indícios apontam, não para a privatização ou venda de hospitais, mas simplesmente para o seu encerramento. Isto porque se o Estado os não puder sustentar com o actual modelo, por evidente falta de recursos financeiros, também o não poderá fazer em regime de PPP, pois não consta que os privados sejam generosos filantropos. Se não vislumbrarem hipóteses de gerar riqueza, para desta extraírem lucros, nada feito. As coisas são o que são. Implacáveis e redibitórias. Os doentes da zona terão de passar a ir para Leiria, os mais a norte; ou para Santarém, os mais a sul. 
E nada adiantará vir com longas considerações de índole sociológica, política ou moral. Não havendo dinheiro, como é o caso, todas as outras hipóteses estarão condenadas à partida. Excepto uma: que as grandes organizações fliantrópicas mundiais, tipo Cruz Vermelha, Crescente Vermelho ou Fundação Bill Gates, tenham pena de nós e venham reabrir os hospitais, a título caritativo e provisório. Mas é pouco provável.
Pelo que, no meu tosco entendimento, a conseguida união política local (a que alguns mais maldosos já chamam o "soviete nabantino"), devia abandonar quanto antes a luta em prol do hospital -que é uma causa perdida desde o início-e dedicar-se à resolução dos milhentos problemas da autarquia. A começar pela actual situação de evidente bloqueio, apenas mascarada de forma transitória pela querela hospitalar.
É certo que faltam apenas 21 meses para as autárquicas de 2013. Mas em política e numa situação de gravérrima crise para todos, um mês já parece uma eternidade, quanto mais agora 23 meses! E depois, quem nos garante que após Outubro de 2013 ainda continuaremos a estar tão bem "amparados" em Lisboa?
Vá lá! Deixem-se de bizarrias e pensem um bocadinho. Enquanto  é tempo... Lá diz o ditado que "Antes da hora ainda não é  hora; após a hora, já não é hora. Há que arrancar a tempo."