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Diário Económico, 14/02/11, página 28
No micropalco político nabantino, o estranho caso ParqT continua a provocar agitação, como aliás era expectável. Alguns políticos (cujo passado é de todos conhecido) insistem em falar de perseguições, de questões pessoais e de amiguismos, onde afinal apenas existe saudável e fundamentada crítica. Tardam em perceber que o tempo em que era possível vender o Branca de Neve e os 7 anões, ou o Ali-Baba e os 40 ladrões, como se fossem o E tudo o vento Levou ou o Casablanca, já lá vai. E não volta. Quem bate com a cabeça na parede, não pode decentemente vir depois lastimar-se que o agrediram, ou que tem um "galo".
Enquanto isto, na dramática cena da economia real -a que gera riqueza liquida impostos e permite pagar aos políticos- em vez de delapidar os cada vez mais escassos dinheiros públicos, a situação não é nada porreira, pá! Pelo contrário. Aquele prédio novo, frente ao hospital velho, na Rua da Graça, é uma desgraça. Nem uma fracção vendida, apesar de estar concluído há meses e meses. É geral, dirão os mais conformistas. Nem tanto. O empreendimento de luxo edificado no local do Hotel Estoril-Sol, com apartamentos a mais de 2 milhões cada, já está todo vendido. Até o Mourinho lá comprou um. Depende portanto dos locais. É como em qualquer desporto -ganham os melhores.
Aqui pelas magníficas margens nabantinas, não há meio de atinarmos. Nem mesmo depois daquele governante chinês ter proclamado, há mais de 15 anos, "Não interessa nada a cor do gato, desde que cace ratos". Em linguagem ocidental: Pouco importa a cor política, o que conta são os resultados. Tudo leva a crer que os ex-maoistas da urbe preferem gozar pacificamente a sua reforma. Ou detestam mares encapelados. Também pode ser.
Entretanto, Sílvia e Margarida Marante, administradoras da Empresa Marante, o principal fornecedor local e regional de materiais de construção e de decoração, foram entrevistadas pelo Diário Económico. Disseram que o volume de negócios em 2009 teve uma variação negativa de quase 10% em relação a 2008. Explicaram que "Em 2010 o concelho de Tomar foi atingido pela crise, uma vez que pelo menos cinco empresas das maiores empregadoras do concelho entraram em processo de insolvência". Acrescentaram que "Esta situação provocará a curto prazo uma retracção no consumo. Os clientes profissionais da Marante, nomeadamente os construtores civis, têm sentido dificuldade em concretizar a venda de apartamentos, porque as pessoas deixaram de ter facilidade no aceso ao crédito bancário". Lastimaram-se que "Nos últimos três anos, os créditos incobráveis rondaram os 160 mil euros = 32 mil contos, em relação a apenas 12 clientes".
Ainda na economia real, mas já a nível nacional e na área das empresas públicas, rebentou finalmente a bomba! A REFER acaba de bater contra a parede. Apesar de contar com a garantia do Estado, não conseguiu concretizar um empréstimo de 500 milhões de euros. Péssimo sinal, a indicar que a torneira do cédito externo fechou, numa altura em que só as empresas tuteladas pelo Estado necessitam de colocar algo como 4,5 mil milhões de dívida.
Quando é que os políticos nabantinos que temos se vão finalmente dar conta do mundo em que vivemos, e agir em conformidade?


