O vereador Luís Ferreira tem, como qualquer um de nós, qualidades e defeitos. Nas suas actuais funções de vereador topa-se isso mesmo. Procura informar os eleitores sobre o andamento dos assuntos autárquicos, designadamente na área financeira, o que é louvável, mas fica-se pelas meias informações, o que é condenável. Continua-se assim sem saber quanto cobrou a autarquia, em termos de receitas directas, durante o ano de 2010; continua-se assim sem saber qual a percentagem de redução das referidas receitas; continua-se assim sem saber quanto gastou a autarquia em telemóveis e outras comunicações...mas lá se conseguiu apurar, de forma inopinada, que os transportes locais, os TuT, custam ao orçamento municipal 500 mil euros anuais = 100 mil contos. Valerá a pena? Será mesmo indispensável? Haverá alguma racionalidade, tendo em conta que aumenta assustadoramente a obesidade e a marcha a pé ainda é um excelente remédio, tanto para o corpo como para o espírito?
Na conversa ontem mantida, na 17ª edição do programa À mesa do café, uma iniciativa conjunta Rádio Hertz/Tomar a dianteira, foi saliente tal dualidade -vontade de acção não seguida de efeito, informações incompletas, incongruências...
A grande surpresa foi, sem dúvida, a afirmação de que "Esta é a pior câmara desde o 25 deAbril...e sem a coligação, sem a acção dos eleitos socialistas, ainda seria pior". Uma pessoa ouve e fica espantada. Então numa autarquia em que a oposição potencial detém a maioria, um vereador desta lastima-se, mas nada faz para alterar a situação que denuncia?! A justificação apareceu pouco depois, mesmo sem ter sido solicitada, o que não deixa de ser significativo: "no actual figurino, quem manda realmente na câmara é o presidente; nem se percebe o que estão lá a fazer os representantes das outras forças políticas..." Por conseguinte, como sempre, a culpa é dos outros. Neste caso de quem fez a Lei eleitoral. E do presidente da câmara, claro!
"Tenho um excelente relacionamento pessoal com o presidente da câmara, mas em geral não concordo com para aí 80% das suas opções", disse noutra passagem. Como já antes lamentara que em Tomar se fale muito mas se implemente pouco, sendo raro que se vá até ao fim, fazendo o que ficou decidido, fica-se com a ideia de que há por ali uma série de contradições, a principal das quais parece residir na oposição entre as palavras e a actuação "no terreno". Com a notável excepção do "caso ParqT", que "passou" graças à inépcia dos IpT, em todos os outros tem vindo a verificar-se, de forma sistemática, aquilo que aqui foi previsto desde o início da mancebia política PSD/PS -o vago acordo de coligação atou os eleitos socialistas de pés e mãos. Falam, falam, falam, mas nos momentos fulcrais votam como tem de ser, de forma a manterem em vigor a estranha aliança e, sobretudo, as benesses que dela resultam. Tudo tem os seus custos. Apesar das aparências, não há almoços grátis
Uma outra incoerência no discurso político de Luís Ferreira é o evidente desfasamento entre aquilo que propugna para o concelho em termos de actividade económica e os meios para que seja implementado. Noutros termos e mais precisamente, o vereador socialista defende o turismo cultural e a cultura como vectores do renascimento económico local. É uma opção respeitável e com pernas para andar, desde que encarada à luz da envolvência interna e do contexto internacional. Infelizmente para o autarca e para todos nós, ressalta do seu discurso que deverá ser a autarquia a liderar o processo, avançando com os meios humanos e, sobretudo, materiais. Tendo em conta a situação económica a que já chegou o concelho e a penúria reinante no município, pretender ir por essa via, equivale a querer construir e explorar uma piscina em pelo deserto do Sara...
Uma nota final para o que aí vem, a médio prazo. Luís Ferreira aflorou a hipótese de poder vir a ser o futuro cabeça de lista do PS, nas autárquicas de 2013. Fê-lo "de pantufas", assim como quem não quer a coisa, só para ver a reacção. Ao ser-lhe dito que se falava na hipótese de uma candidatura socialista feminina, tudo dependendo ainda dos resultados de 5 de Junho, apressou-se a negar essa hipótese. Demasiado depressa, quanto a mim...
