Na véspera de abalar para Paris, onde ficarei até sábado, a tentar encontrar o La Fontaine, para termos uma conversa sobre "A cigarra e a Formiga" e "A lebre e a tartaruga", deparei-me com este respigo do Le Monde - Economie: "Apesar da amarga bebida servida aos cidadãos, o défice público de Portugal derrapou em 2010, fixando-se nos 8,6% do PIB, em vez dos 7,3% prometidos pelo governo. O Estado vê-se assim constrangido a pagar mais de 8% anuais pelas obrigações a cinco e a dez anos.
Só para conseguir estabilizar a dívida soberana no equivalente a 100% do PIB, o país terá de conseguir reunir a partir de 2013 três condições: um crescimento económico de 3%; um excedente orçamental (sem contar os juros) de 3%; pagar apenas 6% anuais pela dívida global..."
Dado que se prevê, quando muito, um crescimento inferior a 1%, um orçamento em défice e os juros estão como se sabe, a hipótese avançada é do domínio dos sonhos de uma noite de verão. O nosso primeiro-ministro afinal está-se a tornar um poeta, nesta etapa final da sua prestação. E nós é que vamos ter de pagar os seus devaneios líricos.
Entretanto, os banqueiros portugueses, com o garrote da liquidez cada vez mais apertado, resolveram suspender todos os créditos ao Estado, conforme declarações de Ricardo Salgado, do BES, em entrevista à TVI, no Jornal Nacional de hoje. Lá fica a maioria relativa do município de Tomar a falar sozinha no meio do deserto. O que significa, se não estou equivocado, que nos próximos 12 meses haverá vencimentos e outros abonos que não poderão ser liquidados nas datas previstas. É no que dá armar-se em rico com o dinheiro dos impostos dos outros. E lá se vão os adorados passeios comezaina/tintol/bailarico, à custa dos papalvos. Quem não tem dinheiro, não pode ter vícios...
Não se esqueçam de ouvir a 14ª edição do programa conjunto Rádio Hertz/Tomar a dianteira, no próximo sábado, das 11 ao meio-dia. O convidado é o Dr. Luis Pedrosa Graça, tomarense convicto, professor na Universidade Católica, ex-director do Convento de Cristo, ex-Governador Civil de Setúbal, inscrito no PSD e uma das consciências locais que vão continuando a resistir, contra ventos e marés. Voltarei ao vosso convívio no próximo domingo, pela manhã. Até lá!
