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segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

MAZELAS TOMARENSES - Sinalização


Enviar e receber
Como uma carta, um recado, um livro ou um filme, cada painel de trânsito, ou outro, é uma mensagem codificada. Não só o painel, como o respectivo enquadramento, que assume o papel de contexto. Significa isto, entre outras coisas, que, como ocorre com os outros tipos de mensagens, aquilo que os receptores (neste caso automobilistas/turistas) percebem pode não ser, e geralmente não é, exactamente aquilo que se pretendeu comunicar.
Os dois exemplos fotografados ilustram bem o que acaba de ser dito. No primeiro, para além da sua óbvia inutilidade, o enquadramento é fundamental. Encostado a um velho muro multicentenário (A velha cerca da Cerca do Convento, dos Frades ou do Conde, agora Mata Nacional dos 7 Montes), o painel desmente-se a si próprio. Aquilo ali não pode de modo algum ser Tomar, que por enquanto ainda é uma área urbana, no espírito dos seus visitantes e moradores. E realmente não é. Foi em tempos o arrabalde do arrabalde de S. Martinho. Desaparecido o dito vale, para a ampliação renascentista do Convento, é agora o Casal do Láparo. Que está ali a fazer o painel? Nada rigorosamente, em termos de informação rodoviária útil.Supérfluo como indicação de trânsito, o seu enquadramento deixa subentender a terra que somos: velha, desleixada e sem horizontes.
A outra indicação, a do Aqueduto de Pegões, reforça a mensagem subliminar do painel anterior. Nota-se que aquilo está assim há meses ou mesmo anos, porque os responsáveis consideram ser melhor deixar andar. Reparar para quê, se daqui a uns tempos voltará a estar na mesma? Ora é este desmazelo, esta evidente falta de empenhamento que, sem querer, comunicamos a quem nos visita, que nos vai prejudicando cada vez mais. Não tenhamos ilusões. Quem é mal recebido, abertamente ou de modo encoberto, dificilmente voltará ou fará com que outros nos visitem. Os erros mais graves são os que não vemos, mas vamos pagando cada vez mais caro.
Cão Tinhoso

domingo, 4 de janeiro de 2009

MAZELAS TOMARENSES - Sinalização



Sinalização inútil...ou quase

Há, aí pela cidade e arredores, imensas carências no domínio da sinalização rodoviária. Ainda recentemente, um semanário abordava este assunto, falando de sinalética. Ocorre que se trata de coisas diferentes. Sinalética permite identificar pessoas, sinalização indica coisas. Vai dar ao mesmo, dirão. Não vai, não! Considerem a frase "O tio dele tinha cágado no quintal." Agora retirem só o acento agudo e vejam lá se vai dar ao mesmo. Outro exemplo: "O tipo foi operado aos tomates" será o mesmo que "O tipo foi ao Prado aos tomates"? Dito isto, para não perderem o saudável hábito de pensar, vamos lá então aos sinais de trânsito.

Quem vá para o Convento, ou de lá venha e queira ir aos Pegões, terá tarefa complicada. A não ser que pergunte a algum morador, coisa rara por aquelas bandas. Conforme mostram as duas fotos, a sinalização está lá, mas é na verdade inútil, pois ninguém a vê. Só indo explorar a pé, e mesmo assim... Esta triste situação, que tal como muitas outras só nos envergonha, dura há vários anos, aparentemente sem incomodar quem quer que seja. Até quando?