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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

FREGUESIAS: mudar qualquer coisinha

Ilustração O TEMPLÁRIO (modificada)

Viu bem o Giovani di Lampedusa, quando escreveu que tem de se ir mudando qualquer coisinha, para que tudo possa continuar na mesma. De alguma maneira, uma versão moderna do medieval "Chassez le naturel, il reviendra au galop". A anunciada reforma administrativa imposta pela troika ainda nem começou, e já vamos por esse caminho. Primeiro foi o ministro Relvas, afirmando que por agora câmaras não, contrariando assim o ditame do trio. Agora, que se anunciou a inevitável supressão de freguesias por fusão, só aqui em Tomar já apareceram publicamente três discordantes.
Luís Ferreira acha que se deve rever o critério dos mil habitantes, como mínimo para a manutenção das freguesias rurais, dado que, diz ele, por exemplo a Sabacheira, arrisca-se a desaparecer por uma diferença de 44 habitantes. Mais afoito por necessidade, o presidente da Pedreira, Gabriel Honrado, não foi de meias palavras  -O limite ideal mínimo seria, segundo disse, 500 habitantes, o que permitiria manter aquela freguesia. Nem lhe terá passado pela cabeça que, a manter-se a Pedreira, que por acaso é a mais pequena do concelho em termos populacionais, então não desapareceria nenhuma e continuaríamos com as 16... Ah ganda Lampedusa!
Até o mordomo da Festa Grande, como aqui antes referido, já foi deitando a sua pitadinha de sal. Se houver supressão de freguesias, isso vai prejudicar a festa, disse ele. Assim à vista desarmada não se vê bem como, tanto mais que os Tabuleiros estão como o resto -ou mudam ou morrem- mas o João Victal é bom rapaz e lá saberá o que diz e porque o diz. Quem sabe da tenda é o tendeiro.
Cá por mim, se me chamasse Miguel e tivesse por assim dizer a faca e o queijo na mão -sobretudo no caso tomarense- não estaria com meias medidas. Aproveitaria para mostrar ao país com que lenha se aquecem os herdeiros dos templários e dos cavaleiros de Cristo -cortaria a direito e cerce, tendo como critérios centrais a geografia, a história e ...quanto menos freguesias melhor, que mais barato fica!
Conforme mostra a ilustração, constituiria apenas duas freguesias, tendo como linha de separação o curso do rio. Teríamos assim, de um lado, Além da Ribeira, Alviobeira, Casais, Junceira, Olalhas, S. Pedro, Santa Maria e Serra; do outro, Asseiceira, Beselga, Carregueiros, Madalena, Paialvo, Pedreira, Sabacheira e S. João. Uma futura freguesia em cada margem do Nabão, com oito antigas nos dois casos e, respectivamente, 23.092 habitantes além-rio e 17.770 aquém-rio. Há no país freguesias com bastante mais população.
A não ser assim, entrar-se-á inevitavelmente em quezílias sem fim, com A a querer juntar-se a D e esta a preferir H, que por sua vez só aceita B, mas sem E... Um inferno nabantino.
Nomes para as novas entidades? Os da história local, meus senhores -Santa Maria dos Olivais para uma; Santa Maria do Castelo, para outra. Ou Santa Maria de Tomar, para os Olivais, e da Charola, para o castelo, dado que a igreja de Santa Maria do Castelo foi demolida.
Padroeira de Santa Maria dos Olivais ou de Tomar: a manuelina Virgem do Leite, que está no altar-mor de Santa Maria. Padroeira de Santa Maria do Castelo ou da Charola -a Virgem, que está no portal manuelino homónimo. A história tem sempre respostas. Para quem a saiba ler, como é evidente.