Queixam-se comerciantes da Rua de Coimbra, junto à Praça de Toiros, contra alguns detalhes das obras agora praticamente concluídas. E a coisa até pode vir a dar tourada, que o que é demais parece mal, sendo que os senhores autarcas tomarenses parece que vivem noutro mundo, numa realidade paralela, tipo socratino.
A coisa começou mal logo na questão das prioridades. Tratando-se de arranjar os principais acessos à cidade, ainda ninguém percebeu o que terá levado a autarquia a começar pela ligação a Coimbra, justamente a que menos precisava e menos trânsito nacional tem, agora que já temos os periféricos IC 3/IC 9. Logo a seguir houve aquele contratempo das faixas de rodagem. Os senhores tecnocratas pretendiam uma avenida modernaça, tipo auto-estrada, de quatro faixas. Tiveram azar. Já havia viabilidade para aquele primeiro prédio, do lado direito de quem olha para nascente, bastante avançado no solo em relação aos seguintes. Pouco habituados a tal tipo de constrangimentos, em vez de manterem as quatro faixas, com um gargalo ao chegar a cada rotunda, como se costuma fazer quando necessário, não senhor. Optaram pelas três faixas; duas para sair da urbe e uma para entrar. E depois ainda são bem capazes de se queixar quando o primeiro-ministro implicitamente convidar a emigrar...
Frequentador assíduo do local, nos meus quotidianos passeios pedestres, tenho por ali ouvido alguns miados, a indicar que haverá vários "gatos". Vamos a eles.
1 - A primeira vítima das três faixas foi a tradicional paragem de autocarro, que desapareceu:
1 - A primeira vítima das três faixas foi a tradicional paragem de autocarro, que desapareceu:
2 - A mesma sorte tiveram os semáforos do cruzamento Rua José Tamagnini/Rua Carlos Perreira:
Embora sem qualquer sinalização vertical ou luminosa, pode-se seguir em frente, cortar à esquerda ou à direita, em todos os sentidos. Muito prático, não haja dúvidas. Sobretudo em ocasiões de trânsito intenso.
3 - Os citados semáforos emigraram para perto. Estão agora instalados no cruzamento com as ruas Manuel dos Santos, conhecido toureiro dos anos 50, e Antunes da Silva, advogado oposicionista que também teve algumas touradas com o regime salazarista, que sempre procurou bandarilhar o melhor que sabia:
Também aqui é possível virar à esquerda ou à direita, mesmo agora que os semáforos ainda não foram ligados. Mas não se pode inverter a marcha. Por isso os comerciantes da zona se queixam, com toda a razão de resto.
4 - Na bifurcação seguinte, a do Presídio Militar, é proibido virar à esquerda, eventualmente porque o projectista já estava a ficar rabujento:
Tudo ficaria bem mais prático com umas rotundas, como pretendem os comerciantes, sobretudo nos "gatos" 2 e 3, e até no 4.
5 - Em vez das ditas e enquanto não são feitas, temos direito a alguns pormenores picarescos. Um deles é esta sinalização horizontal, com pretensões a arte moderna:
Digam lá que não fica bonito, mesmo não sendo nada corrente ?!
6 - Outro detalhe caricato é o dos dois traços contínuos, delimitando a faixa de entrada na cidade durante todo o percurso:
Os condutores que tiverem o azar de circular atrás do TUT, farão o favor de aguardar enquanto houver passageiros a entrar e a sair. Se tentam ultrapassar passam por cima dos dois traços contínuos, o que pode bem custar-lhes quase um mês de ordenado. Cuidado!
7 - É claro que mal os projectistas oiçam falar de rotundas, vão logo ser categóricos: -Nem pensar! Não há espaço suficiente para cumprir as normas em vigor. Se assim acontecer e o leito ouvir, diga-lhes para meterem a viola no saco e irem dar música para outro lado:
Quem projectou e quem aprovou esta mini-rotunda da Várzea Pequena, quando há espaço para uma muito mais em conformidade com as tais normas, agora o melhor que tem a fazer é ir dar banho ao cão. De preferência num rio longe daqui...
