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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

As reformas seguintes

1 - A polémica a propósito da reforma do CHMT praticamente cessou. Sem objectivos claros ou realistas, no estado actual das coisas não se vê o que dela possa resultar, qualquer que venha a ser a sua evolução. O que nasce torto, tarde ou nunca se endireita. No calor das concentrações, vários oradores de circunstância focaram um aspecto aparentemente consensual e irremediável: Edificar e equipar três hospitais a pouco mais de 20 quilómetros uns dos outros, foi uma asneira das grandes. Acontece que não foi. Apenas ocorreu o oposto do que se previa: a população e a economia, em vez de crescerem, como seria lógico, definharam e de que maneira. Claro que décadas mais tarde e em ambiente de desastre social, está-se mesmo a ver que FOI assim. O mesmo acontece com a crise em curso. Dentro de alguns anos, outros especialistas de café vão alcunhar-nos de asnos e coisas do mesmo tipo.
2 - Ainda que lateralmente, só um político local foi assaz ladino para pôr o dedo na ferida. Bruno Graça, do alto dos seus mais de 30 anos de actividade política, chamou a atenção para a saída de Tomar da ortopedia e da medicina interna, frisando que vão implicar a transferência de cerca de 100 funcionários qualificados e jovens. Tem toda a razão. De forma dissimulada é também isso que se está a procurar fazer, aproveitando a boleia da inevitável reestruturação justificada pelo enorme "buraco" de 160 milhões. Tenta-se compensar a perda de um em cada cinco habitantes de Abrantes, transferindo para lá postos de trabalho. O que todavia não implica taxativamente que os titulares desses empregos mudem a sua residência para a cidade à beira-Tejo. Há questões de recursos patrimoniais e paisagísticos, de qualidade de vida e de segurança, por exemplo. Em todo o caso, é óbvio que a evolução societal é cada vez mais rápida, pelo que mais ano menos ano, qualquer que venha a ser o resultado da reforma em curso, haverá novas alterações em termos de valências e portanto de postos de trabalho. Nenhuma administração responsável consentirá sustentar durante muito tempo situações em que os pacientes vivem numa zona e o hospital esteja noutra. Basta atentar nos preços do petróleo. E nesta conformidade, se Tomar conseguir dar a volta ao texto, aprendendo a gerir os seus ricos recursos...
3 - Assim ou assado, é óbvio que as próximas reformas vão ser a redução de freguesias, a racionalização das chefias nos municípios, a redução de funcionários e, já no segundo semestre, a supressão de pelo menos 60 municípios. Isto no âmbito nacional. E Tomar, como é costume, não tem opinião fundamentada sobre nenhum dos ditos processos. Depois queixam-se. 
A nível local os problemas são conhecidos, alguns até já ultrapassaram a idade do serviço militar. O mais premente neste momento será a cabimentação orçamental da indemnização de 6,5 milhões de euros à ParqT, obrigatória porque determinada judicialmente. Uma vez que nem PS nem IpT estão dispostos a suportar o ónus do voto ou da abstenção colaborante, parece-me que só um acordo de cavalheiros, que inclua uma saída airosa para o actual bloqueio político de facto, poderá solucionar o imbróglio. Esse acordo de cavalheiros deverá resultar no meu entender de uma de duas hipóteses: A - Uma efectiva partilha de poder, que o PSD já demonstrou sobejamente não estar disposto a aceitar; B - A renúncia em bloco de todos os eleitos e membros das listas para o executivo, seguida de eleições intercalares só para o referido órgão. Os dados estão lançados. Quanto mais tarde, pior maré... que a evolução não espera por nós. E cada comboio só passa uma vez em cada estação.