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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

INICIATIVA CONJUNTA RÁDIO HERTZ/TOMAR A DIANTEIRA - PROGRAMA SEMANAL "À MESA DO CAFÉ"


A terceira edição do programa "À mesa do café" teve duas novidades - foi a primeira vez que ouvimos um político em part-time, e também a primeira vez que tivemos um convidado da nova geração, a daqueles que ainda não eram nascidos aquando do 25 de Abril. Foi por isso com satisfação que se constatou ser a idiossincrasia de Hugo Cristóvão algo diferente da dos seus antecessores. Basicamente, menos respeito pelo passado que não conheceu directamente e ausência de angústia existencial em relação ao futuro. Igualmente uma ausência de afirmação machista, bem como uma evidente predisposição para o diálogo e para o debate franco, no respeito pelas ideias do contraditor, embora delas continuando a discordar. Como sempre deveria ser, em suma.
Sobre a situação política local -afinal o principal motivo do programa- Hugo Cristóvao foi claro, já no final da emissão. Afirmou que se não houver da parte dos ocasionais parceiros políticos mudanças comportamentais de fundo, "então 2011 será o ano da ruptura da coligação". Referia-se, bem entendido, às relações entre as partes coligadas e às políticas a seguir por ambas. 
Dado que, por um lado, nem a maioria relativa PSD, nem os seus parceiros PS, têm por agora qualquer projecto coerente para Tomar, conforme de resto Cristóvão admitiu em relação aos socialistas, o que só lhe fica bem; e, por outro lado, que os dirigentes locais dos laranjas não apoiam o actual elenco autárquico, não se vislumbra de onde possam vir a surgir as tais mudanças referidas pelo dirigente local dos socialistas. 
O que nos pareceu bastante significativo e grave foi o facto de Hugo Cristóvão, logo após ter admitido que o PS não dispõe de qualquer projecto global para Tomar, ter acrescentado com ar convicto "Nem acredito que alguém tenha..." Noutras circunstância, ter-lhe-ia respondido imediatamente, desmentindo-o e tentando fazer-lhe ver que tal afirmação mais não será, no fundo, que uma manifestação de descrença nos seus concidadãos e de desesperança em relação ao devir colectivo. Tratando-se, porém, de um programa que se pretende seja de conversa amena, optou-se pelo silêncio, apesar de termos realmente o dito plano, pronto para o debate de aperfeiçoamento, nos locais e  com as pessoas adequadas. Tanto mais que as futuras eleições são só em 2013, apesar de poder haver intercalares antes.
Quanto aos restantes temas, o convidado praticamente nada acresentou ao que já antes era do domínio público. Os ciganos devem ser realojados separadamente, de forma a respeitar os clãs existentes; são contra a obras "a martelo" só para sacar fundos europeus; têm muitas dúvidas em relação ao futuro Elefante Branco da Levada, não concordam com o actual orçamento, nem com a nova estrutura funcional de 3 departamentos e 15 divisões; pensam que o actual mercado deve ser mantido, embora se possa discutir a questão da sua arquitectura. Resumindo: é mais aquilo em que discordam do que aquilo em que estão de acordo. Aqui chegado, o leitor perguntará para os seus botões: Mas então porque é que continuam coligados, com o PS a abster-se em vez de votar contra, sempre que está em causa a sobrevivência da actual maioria? A resposta é simples, caro conterrâneo: A vida é cada vez mais dura e custa a ganhar a todos, pelo que quem está a ser bem remunerado fará sempre tudo para não mudar, enquanto tal for possível. Afinal somos todos humanos, uns mais do que outros.