Como já referimos, num curto e corajoso comentário, o responsável do PS/Tomar e deputado municipal, Hugo Cristóvão, foi contundente e, quanto a nós, certeiro. Ousou dizer por escrito aquilo que somos muitos a pensar: Não temos uma câmara, mas uma cambada de 5 mais dois assistentes. Numa terra habituada ao marasmo e à paz podre dos pântanos, tais declarações proferidas por um responsável político e eleito municipal, soaram como um autêntico sacrilégio.
Percebe-se, porquanto cambada = bando de pessoas desprezíveis, de má nota; súcia, canalha, malta, rancho, pândega, patuscada. Percebe-se ainda melhor num meio social onde se ouve de tempos a tempos que "quem não se sente, não é filho de boa gente", ficando sempre por especificar o que é, nos dias que correm, "boa gente". O mesmo que "gente de bem"? "Meninos bem"? "Homens bons"? "Senhoras respeitáveis"? "gente de boas famílias"? Porquê boas? Como se constata, o assunto não é nada fácil.
Para complicar ainda mais, a natural e louvável liberdade de palavra da juventude de Hugo Cristóvão não teve em conta o conhecido paradoxo do escritor/orador. Dado que, por um lado, os factos são sagrados; mas que, por outro lado, a sua interpretação é livre; uma vez conhecida a mensagem, o seu emissor é sempre responsável por aquilo que dela resultar em termos de interpretação, não podendo contudo controlar esta. O discurso deixa, portanto, de pertencer ao seu autor" que não obstante continua como causador. É o caso do vocábulo "cambada" e, mormente, do texto onde está inserido. Alérgicos à crítica, sobretudo quando certeira, os senhores autarcas nabantinos costumam retorquir com termos tão elegantes como "apóstolos da desgraça", "má-língua", "pessimistas encartados", "iluminados", "doidos", "palhaços" e outros que tais. Só que agora não podem usar nenhum de tais epítetos, uma vez que o horrível prevaricador é um autarca eleito. Um dos deles! Coisa rara e nunca vista!
Pressionado no sentido de dar o dito por não dito, ou pelo menos de atenuar a alegada ofensa grave, Cristóvão foi corajoso. Confirmou e acentuou o que pretendera dizer na primeira mensagem: "Lamento que faça assim tanta confusão... ...mas doa a quem doer, a realidade enfrenta-se de caras. E este é mesmo o retrato da Câmara que temos. E mais que isso, sabemos que temos. Dito de outra forma, só tendo a noção da realidade se pode agir sobre ela. Ninguém pode viver permanentemente na ilusão, e quando o faz por tempo demasiado, acordar tende a ser um processo mais duro e mais abrupto." (H. Cristóvão, alguresaqui.blogspot.com 26/01/11).
Perante isto, resta-nos clamar: Força Cristóvão! O debate descambou, mas ainda bem! Acabe-se com a cambada, que o mesmo é dizer com a coligação! Quanto antes! Ontem já era tarde!
