Este post, que reproduzimos do site da Rádio Hertz, com a devida vénia e os nossos agradecimentos, constitui um verdadeiro condensado do núcleo fulcral da tragicomédia tomarense, nas suas três vertentes: 1 - Quem diz; 2 - O que diz; 3 - A quem se refere.
1 - Quem diz
Como todos aqueles que são inteligentes e têm ideias próprias, o vereador Luís Ferreira tem o condão de irritar os seus concidadãos, porque a) - Não é originário das tais "boas famílias"; b) - é impetuoso, ousado e liderante; c) - tem o hábito (lamentável por estas paragens) de pensar pela sua cabeça; d) - tem algumas ideias muito aproveitáveis; e) - é um "conquistador" nato, com todas as vantagens e inconvenientes agregados.
Resultado de tudo isto, atacam-no, detestam-no, odeiam-no até. Não por aquilo que possa fazer ou dizer, que são apenas pretextos no microteatro tomarense. Por indisfarçavel inveja, por despeito, por videirismo, por atavismo, por recalcado ódio de classe.
2 - O que diz
O caso da Levada é mais um do longo rol de argoladas dos senhores autarcas, que apenas se preocupam realmente com a manutenção nos seus lugares respectivos, de forma a garantir os confortáveis finais de mês. O resto logo se vê. Agora, no estado a que as coisas chegaram, o vereador Ferreira vê-se forçado a pôr o dedo na ferida, por ter constatado que vamos ter mais 6 milhões atirados para um poço sem fundo, e que tudo aquilo vai ser um lamentável desastre, mais um, no seio da comunidade tomarense, que por tais caminhos já não tem quem lhe conceda qualquer crédito, tanto em sentido próprio como figurado
Apesar do respeitável vereador ter omitido (inadvertidamente?) o essencial: a) - Por um lado o município não tem recursos humanos qualificados para as previsíveis tarefas, nem onde os recrutar, pois também não existem no país em número suficiente. (Oportunista como quase sempre, o IPT resolveu lançar agora um mestrado em Direcção de Museus, no qual ninguém vai acreditar, para além dos organizadores, pois trata-se simplesmente de um penso mal posto, numa perna de pau carunchosa.)
b) - Ainda que existissem no país os referidos recursos humanos especializados, onde iria a autarquia arranjar os fundos necessários para lhes pagar, bem como aos seus séquitos, aos fornecedores de material, aos encarregados da manutenção, aos recepcionistas, bilhetistas, guias, vigilantes, guardas, conservadores, adjuntos, secretárias, conservadores, em resumo, toda a usual procissão de aboletados à mesa orçamental, como outrora à conventual?
3 - A quem se refere
Luís Ferreira critica asperamente e mais uma vez um executivo do qual faz parte e que contribui activamente para manter a governar. Demonstra assim que Miguel Relvas tem razão, ao afirmar que os socialistas estão na coligação às terças, quintas e sábados, sendo contra a mesma às segundas quartas e sextas. Dir-se-ia um daqueles casamentos à antiga, que já não funcionam de maneira nenhuma, mas onde cada um dos comparsas vai assegurando os serviços mínimos. Porque a verdade é esta: No dia em que os vereadores socialistas tiverem a coragem de agir em consonância com aquilo que dizem, votarão contra em vez de se absterem. Aí há duas hipóteses -Ou os IpT fazem o mesmo e o executivo desmorona-se a curto prazo; Ou substituem o PS e queimam-se, passando os socialistas a estar melhor posicionados para virem a constituir uma futura alternativa credível. Os dados são estes e estão lançados...
POST SCRIPTUM
Para Cantoneiro da Borda da Estrada
Vá tendo paciência. Posso garantir-lhe que há projecto. Sólido, meditado, articulado, coerente, adequado. Mas não milagroso. A exigir trabalho, coragem, perseverança, dedicação à causa pública, tomarensismo, honestidade e frugalidade. Dizem os meus amigos franceses, que asseguraram boa parte da minha educação, pelo que lhes estou muito grato, que "antes da hora, ainda não é a hora; depois da hora já não é a hora". Quando houver a certeza de que o referido plano poderá vir a ser implementado, terei todo o gosto em debatê-lo com quem esteja de boa fé. Até lá, mudo que nem uma carpa sobre tal matéria. Por mim não haverá mais uma flagrante oportunidade perdida a acrescentar ao longo rol tomarense. Nem que o projecto tenha de ir comigo para a cova. "Antes a morte que tal sorte!"

