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sábado, 21 de janeiro de 2012

O Pluto e os filhos da mulher do Pluto

Os amadores de banda desenhada conhecem bem as aventuras e desventuras do Pluto, da esposa e dos filhos dela. E dele, claro! Pois no meu tosco entender, a política nabantina tem cada vez mais parecenças com as ditas personagens. Assim, os independentes locais são filhos da determinação de Luís Ferreira que, ao cabo de uma laboriosa campanha, conseguiu enxotar Pedro Marques das listas socialistas. Desta vitória pírrica vieram a resultar até agora 14 anos bem agitados. Mas isso o audacioso e pertinaz socialista não o podia prever. Certo é que, a dada altura, o líder das hostes PSD deu de frosques, rumo a paragens mais rentáveis, deixando o poder local aos seus mainatos. Cujo actual chefe executivo vai demonstrando, a cada dia que passa, que não estava minimamente preparado para a função, ao invés daquilo que me foi dito meses antes e está gravado.
Entretanto, outro chefe se queimou já, na fogueira implacável do poder local, onde só cultura, sensibilidade e boas maneiras, não chegam nem levam longe. Tanto mais que a actual e relativa maioria de plutos é por assim dizer de ilegítimos detentores do poder. Na realidade, não fora a absconça candidatura dos plutos independentes, cujas diferenças programáticas em relação aos plutos socialistas ninguém conseguiu ainda enxergar, o PS teria ganho com maioria absoluta e os plutos laranja estariam desde Outubro de 2009 no conforto da oposição solitária.
Sabedor de como o resultado dos plutos IpT fora conseguido, ciente de que um pássaro na mão vale que outra coisa noutro sítio, o mentor de toda a operação apressou-se a engodar os plutos socialistas com substanciais mordomias, deixando os outros a chuchar no dedo. Estes por seu lado nada puderam fazer na área da retorsão, pois um pluto preso pela arreata não pode ir a lado algum.
A estranha mancebia durou dois anitos. Tempo para os plutos socialistas se convenceram de que a situação local estava cada vez mais levada de um filho da Pluta. Consumaram o divórcio da dita mancebia, que nunca havia sido realmente festejada na horizontal, e esperaram para ver. Foi então que os plutos independentes demonstraram uma vez mais que poderão ser tudo menos isso -independentes. Em vez de alinharem com os socialistas numa renúncia colectiva imediata, de forma a provocar intercalares, têm-se entretido a alambicar posições, num cinzentismo confrangedor, a beneficío dos laranjas instalados.
Seguro de que os auto-denominados plutos independentes não dispõem de autonomia para provocar intercalares, o pluto-presidente-provisório vai encadeando asneiras após asneiras. A mais grave foi aquela do hospital. Depois de ter reunido duas vezes com a administração, a quem deu os ámens necessários, nem sequer teve a franqueza de informar os outros plutos do executivo. O que lhe permitiu depois garantir aos manifestantes que estava do lado deles e dos interesses de Tomar. Incomodado e surpreso com tanta falta de lealdade, o pluto-administrador-hospitalar pôs a boca no trombone. Pouco depois o pluto chefe dos independentes foi taxativo: "Temos de saber quem está a mentir", disse ele. Maneira ardilosa de virar parcialmente o bico ao prego, descarregando metade da areia da camioneta presidencial para cima do pluto-administrador. Que afinal se limitou a dizer a verdade e só a verdade. O outro pluto é que foi dúplice.
Assim vai a cidade. Mais de um mês após o fim da mancebia PSD/PS, tudo como dantes, valências hospitalares de Tomar para Abrantes. Os plutos mainatos do Paiva continuam sentados nas cadeiras do poder local, mas já não mandam nada. São assim um aparente mini-império dos sentados.
Para a história local ficará que o corajoso e oneroso gesto dos plutos socialistas, ao romperem a mancebia, foi afinal em vão, pois os plutos ditos independentes continuam a proteger os seus benfeitores laranjas. E não adiantará virem com desculpas tardias de circunstância. "Em política o que parece é" e os factos estão à vista de todos. "Quem não quer ser lobo, não lhe veste a pele".