sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Crescimento e redução

Dado vivermos num país de futebol, onde alguns duelos mais importantes até têm a honra de abrir o notíciário da RTP 1, talvez seja melhor começar assim: É dos livros do futebol que a melhor defesa é um bom ataque. Da mesma forma, na área económica, a melhor maneira de incrementar o crescimento consiste na implementação de medidas de redução. É básico que se entenda isto, numa altura em que, tanto a nível nacional como local, os porta-vozes da oposição não se cansam de apelar ao governo e à Europa, para que tomem medidas de crescimento. Fazem-no, claro está, guiados pela cartilha de Lord Keynes, que infelizmente na Europa já deu o que tinha a dar. Referem-se, por conseguinte, ao aumento do investimento público, dos fundos europeus, das PPP, bem como do emprego no Estado e nas autarquias. Compreende-se; o Estado é o maior empregador do país e em cada concelho, sendo que os funcionários são igualmente o essencial dos eleitores dos partidos todos, com destaque para a esquerda.
Sucede que, como mostra a experiência recente, designadamente na Europa do norte, as únicas medidas que realmente facilitam o crescimento, são paradoxalmente medidas de redução: redução de impostos, redução de taxas, redução de taxas de juro, mas também e sobretudo redução da burocracia, redução da despesa do Estado e das autarquias, redução de funcionários, redução de serviços, redução de prazos, redução de regulamentações absurdas, redução de eleitos, redução de dirigentes, redução de assessores, redução de fomalidades, redução de constrangimentos vários, redução de prosápia...
Talvez vá sendo tempo de os políticos que temos começarem a pensar no assunto a sério. Em vez de proporem a criação de novos serviços, não será melhor advogar a supressão de alguns já existentes? É impopular e rouba votos? Pois é! Mas conhecem alguma intervenção cirúrgica pesada que se possa fazer sem dor? Por enquanto, que se saiba, ainda não é possível lavar-se sem se molhar, haja ou não água aquecida.  Mas se preferem andar sujos...

2 comentários:

templario disse...

DE: "Cantoneiro da Borda da Estrada

O Dr. Rebelo começa pelo futebol e não referencia a gloriosa jornada europeia do Sport Liboa e Benfica, ontem, catorze de Fevereiro de dois mil e treze, na Alemanha, símbolo da nossa cultura e expressão maior da nosso alma Lusitana. Insensível à tragédia a que centenas de milhares de família estão condenadas por este governo de aventureiros e irresponsáveis, paladino das reduções, dos despedimentos, julga que dá a sua cota parte para esconder a realidade dos resultados desastrosos da camarilha mafiosa que nos governa. Qualquer português se ri. Como vamos pagar a tantos desempregados e alimentar os que já nada têm...? A política é a madre para gerir estas situações. Sempre a política. Tenho forte esperança de que será o nosso cambaleante sistema partidário que, através da política, nos vai salvar. De outro modo será a consumação de uma ditadura, que, pelos vistos, o Dr. Rebelo apoiaria, como muitos, vergando e capitulando, apoiaram a ditadura nascida em 1926. E foram as elites e parte das camadas mais cultas - salvo seja -, que a abraçaram.

Precisamos de políticos e políticas com o golpe de asa daquele soberbo e genial golo do Cardozo, que me encheu a alma!

Benfica é Portugal! Grandioso, arrojado, dramático, trágico - e glorioso, mas portador de uma chama imensa, que nos conduzirá ao derrube da canalha.

António Rebelo disse...

Quanto ao Benfica, parabéns e bom proveito. Sobre o restante, tardamos em sair do mesmo sítio teórico: Qual a política simultaneamente alternativa e realista, susceptível de substituir a que está a ser implementada por exigência dos credores? Golpes de asa não pagam dívidas, antes a criam!