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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

E os próximos alvos são...

Numa das problemáticas que mais preocupa os tomarenses, a da transferência e/ou encerramento de serviços públicos na cidade e no concelho, enquanto a autarquia se vai calando ou, pelo contrário, tomando decisões sem qualquer fundamentação, um autarca da região resolveu vir dar lições aos tomarenses. Em declarações à Rádio Hertz, António Rodrigues, presidente da Câmara de Torres Novas e da Comunidade do Médio Tejo, afirmou que a ideia de reduzir as urgências hospitalares partiu de Tomar. Disse igualmente que nessa matéria há gente a falar em excesso e que o melhor é manter um prudente silêncio sobre o assunto.
Estranha posição esta, de um autarca eleito e dirigente intermunicipal igualmente sufragado, que ousa vir para um concelho vizinho dar conselhos, ainda por cima no sentido de levar os cidadãos eleitores a não abrirem o bico. Como se estivéssemos ainda antes do 25 de Abril.
Por muito que custe ao senhor autarca, que não hesita em usar de práticas manhosas para não cumprir as leis em vigor, quando tal lhe não convém, há liberdade de expressão e direito à informação. O que permite dizer aos tomarenses quais são nesta altura as instituições públicas locais ameaçadas de encerramento a longo prazo e porquê.

  1. O Instituto Politécnico de Tomar, ou muda muito rapidamente, ou morre, conforme já aqui foi dito o ano passado. Nem sei mesmo se o tempo de mudar ainda existe. Lanterna vermelha na primeira fase de candidaturas, com floreados de circunstância no sentido de enfeitar a realidade, sem corpo docente que se recomende pelos graus académicos, recrutamento opaco de docentes, clima interno extremamente problemático e formações que não primam pelo trinómio originalidade/qualidade/empregabilidade, está praticamente condenado. Passará primeiro a ser um apêndice de Santarém ou de Leiria, para depois desaparecer, vítima das suas práticas, da modernidade e do ensino à distância.
  2. Hospital de Tomar: dada a sua atribulada história e a cada vez mais acentuada decadência económica e populacional de Tomar, já largamente ultrapassada por Ourém, irá perdendo valências até se transformar num local de cuidados paliativos e para a terceira idade. Falta agora determinar apenas para onde passarão a ser conduzidas as urgências do concelho de Tomar. Para já, Abrantes; depois, Santarém ou Leiria? Com a conclusão do IC9, a capital do Lis tem vantagem. Fica mais perto. As novas vias servem para trazer, mas também para levar gente...
  3. Regimento de Infantaria 15. Tomar já foi uma verdadeira cidade de guarnição, com comando de região militar e tudo. Após o 25 de Abril foram-se sucessivamente o quartel general, a banda de música, a fanfarra, a farmácia, o hospital militar, a messe de oficiais e a infantaria tradicional, substituída pelos paraquedistas, entretanto transferidos para o exército e rebaptizados como infantaria aerotransportada. Infantaria 15 é agora, em termos de efectivos, uma sombra daquilo que em tempos foi. Com a crise agravar-se, aumentam as medidas tendentes a reduzir despesas. Constatando que o quartel tem coberturas de amianto, material proibido na União Europeia desde o final dos anos oitenta, e não havendo dinheiro para substituir tudo aquilo, já se fala nos meios castrenses em fechá-lo, concentrando as tropas da zona no Campo Militar de Santa Margarida...
Claro que tudo isto é nefasto, doloroso e mal aceite pela população. Julgo, porém, que não é com silêncio,   paninhos quentes e paleio de circunstância que vamos conseguir recuperar de tais traumas. Sendo cada vez mais evidente que o futuro se parece cada vez menos com o passado, urge arejar mentalidades e não esperar que as coisas aconteçam, mas fazê-las acontecer. Como? Pois aí é que reside o problema. Todos conseguimos improvisar, mas só os realmente dotados é que logram triunfar improvisando. Os outros apenas vão deixando um rasto de esterco, embora lhes pareça o contrário. É como dizia o ex-primeiro-ministro Sócrates: "Se soubessem o trabalho que me deu preparar este improviso e ter sorte com ele..."

    domingo, 22 de novembro de 2009

    AOS ALUNOS DE JORGE FERREIRA NO POLITÉCNICO

    Relatam os jornais diários de hoje, (PÚBLICO e DIÁRIO DE NOTÍCIAS), que Jorge Ferreira enviou uma carta de despedida aos seus alunos do IPT. Para recordar a sua memória e o muito que procurou fazer por uma terra que não era a sua, designadamente através do blogue nabantia, pedimos que nos façam chegar o original ou uma reprodução da referida carta. Podem entrar em contacto connosco pelo email lidiarrebelo@gmail.com
    Aceitem os nossos antecipados agradecimentos.

    António Rebelo

    domingo, 5 de julho de 2009

    ALGO NÃO BATE CERTO...

    A ilustração supra, copiada do EL PAÍS de ontem, veio alertar-nos para uma situação que consideramos muito estranha, reavivada pela edição desta semana do TEMPLÁRIO. Trata-se do recrutamento de docentes pelo Instituto Politécnico de Tomar. Conforme se constata, o IP de Leiria, uma instituição prestigiada, designadamente junto dos empregadores, sentiu a necessidade de tentar recrutar em Espanha Doutorados em Direito ou em Administração Pública. A própria iniciativa em si, já permite ter uma ideia, ainda que vaga, do estado presente do nosso ensino. Com milhares de licenciados em direito cada ano que passa, com dezenas de mestrados e de doutoramentos, em cada uma das Universidades, um Politécnico de referência parece não conseguir encontrar no mercado nacional ou simples candidatos, ou candidatos da qualidade julgada adequada por aquele centro de ensino superior.
    Inversamente, é do conhecimento geral que há poucos e cada vez menos estudantes em matemática, sobretudo a partir da licenciatura. É por isso muito estranho que o Instituto Politécnico de Tomar tenha recusado recentemente a candidatura do tomarense Pedro Antunes, doutorado pelo Instituto Supeior Técnico com a nota máxima, uma das grandes esperanças da nova geração de matemáticos, que acaba de ser galardoado com um prémio nacional, conforme noticiou o TEMPLÁRIO, na primeira página desta semana.
    Salvo melhor opinião, devidamente fundamentada, trata-se de uma situação que tem tanto de estranha como até de caricata. Num país com evidente falta de especialistas na área do cálculo, um tomarense que faz parte da nata da especialidade, é recusado num estabelecimento de ensino politécnico da sua terra. Que se passa afinal? Como foram recrutados todos aqueles que agora ocupam os lugares de topo do referido estabelecimento de ensino? Que habilitações têm realmente? Em que Universidades ou Institutos as obtiveram e quando? E os outros, a mão de obra barata, qual foi o método de selecção usado?
    De acordo com a pequena opinião pública local, há por lá de tudo. Sobretudo licenciados sem qualquer outra preparação pedagógica. Há até quem agora ocupe lugares de coordenação e nunca tenha conseguido dar uma aula de jeito no ensino básico. Há até quem nunca tenha conseguido fazer umas alegações finais em condições. Há até quem tenha terminado a licenciatura em História com 10 valores e agora ocupe um lugar de coordenação. Há até quem tenha uns diplomas que não se sabe ao certo a que grau correspondem.
    Há de tudo um pouco, como se vê. Só não há um lugar para um doutorado de alto gabarito, do melhor que existe neste país, que queria simplesmente ensinar e investigar na sua terra.
    Mais estranho ainda, tudo isto ocorre e ninguém vê nada de menos correcto ou menos corrente. Aqui, porém, há uma explicação. O grupo que domina o IPT é, ao que consta, muito débil em pedagogia e didática, mas extremamente hábil em tácticas manhosas. Os dois jornais e as duas rádios locais não levantam ondas, porque são dirigidos por gente que trabalha ou lecciona umas aulas naquela Escola Superior. A autarquia, idem, idem. Os partidos do condomínio do poder, neste caso acompanhados pelo PP, idem, idem. De forma que, não fale o de baixo, que a boca também não...
    Mas a realidade é cada vez mais volátil e as situações adquiridas cada vez mais frágeis. Já houve o abanão do governador civil, do qual nada resultou por enquanto, pois ninguém quer uma noiva feia, intelectualmente fraca, pouco organizada e gastadora. Há agora o terrível e perigoso período pré-eleitoral interno, para o qual se perfila já um movimento de cidadania, cujo objectivo principal pode muito bem não ser unicamente a autarquia. Fala-se em irregularidades e cumplicidades... Diz-se que tudo tem um fim... "Que c'est triste Venise au temps des amours mortes", cantava em tempos Charles Aznavour...

    Mas pode muito bem suceder que os actuais dirigentes do IPT digam aos tomarenses aquilo que, segundo esta caricatura do Berliner Zeitung, citado pelo Le Monde, Berlusconi diz aos italianos. Se for o caso, teremos: "O que é que querem? A população e os dirigentes tomarenses gostam de nós assim !!!"

    Redacção de Tomar a Dianteira

    Nota final: Os interessados devem clicar em cima do desenho para o ampliarem, pois só assim poderão ver em condições que se trata de um desenho da escola surrealista, uma tendência artística que vem tentando arranjar admiradores em Tomar. Sem grande sucesso, ao que se diz...