O mais recente mordomo da Festa dos Tabuleiros é um cidadão honrado, probo e poupado, como de resto o foram e são outros cidadãos seus antecessores no cargo. Quanto aos Tabuleiros, são a Festa Grande de Tomar e está tudo dito. Não se trata portanto de escarnir seja em quem for ou no que for. Somos todos tomarenses e todos queremos o melhor para a nossa terra e para os nossos conterrâneos. É esse o espírito deste comentário.Procurar contribuir para a mudança, para o aperfeiçoamento e para mais honra e proveito para Tomar e os tomarenses, que são cada vez menos.Disse João Victal recentemente, conforme já aqui foi referido, que não concorda com entradas pagas para se ver o cortejo, por se tratar de uma festa religiosa, do espírito santo. Tendo razão, Victal está no nosso entender a encarar mal o problema. Estará na mesma posição do célebre Monsieur Jourdain (desconhecido em Portugal), que toda a vida escreveu prosa e morreu convencido que escrevia poesia...
Antes de mais, é indispensável referir que os organizadores da festa dos tabuleiros sempre se foram adaptando aos tempos. Já foi quando Deus queria, já foi de três em três anos, já foi festa das colheitas, já foi cortejo de oferendas, já foi festa dos imperadores, já teve lugar sem ruas populares ornamentadas, já se realizou sem jogos populares. O actual figurino é basicamente o das festas de 1950, igualmente conhecido como o "modelo João Simões".
É claro que se trata de uma celebração profana, que a igreja adoptou, pelo que é realmente, desde há séculos, uma festa religiosa. E aqui aparece o primeiro problema. Tratando-se de uma festa religiosa católica e sendo a autarquia obrigatoriamente laica, porque o Estado que a tutela também o é, a que título se envolve nos mais variados sectores da referida celebração, a começar pela Comissão Central, à qual preside enquanto tal ? Estando em causa a cada edição avultados fundos provenientes do erário público, não se perderia nada em esclarecer devidamente e de uma vez por todas esta questão. Antes que os não católicos comecem a queixar-se que os seus impostos...
Além disso, o facto de se tratar de uma celebração de índole religiosa não justifica nem obsta a que possa proporcionar no final um saldo transaccionável tão confortável quanto possível. Abundam os exemplos de actos religiosos católicos que proporcionam lucros. A Semana Santa em Sevilha, a Hospedaria dos Monges, no mosteiro de Guadalupe, Espanha, o tapete rolante do santuário de Guadalupe, México, o bingo no subsolo das igrejas católicas americanas e/ou canadianas... Pois, pois ! Entre os países mais desenvolvidos, o Estado só tem a mania que é rico aqui em Portugal. Nos outros não há dinheiro público para financiar festas ou outros devaneios. Por isso estamos como estamos e somos como somos.
Além disso, o facto de se tratar de uma celebração de índole religiosa não justifica nem obsta a que possa proporcionar no final um saldo transaccionável tão confortável quanto possível. Abundam os exemplos de actos religiosos católicos que proporcionam lucros. A Semana Santa em Sevilha, a Hospedaria dos Monges, no mosteiro de Guadalupe, Espanha, o tapete rolante do santuário de Guadalupe, México, o bingo no subsolo das igrejas católicas americanas e/ou canadianas... Pois, pois ! Entre os países mais desenvolvidos, o Estado só tem a mania que é rico aqui em Portugal. Nos outros não há dinheiro público para financiar festas ou outros devaneios. Por isso estamos como estamos e somos como somos.
Nesta conformidade, aqui em Tomar, se houver coragem e espírito aberto ao diálogo franco e fraterno, a nossa Festa Grande ainda poderá vir a constituir, a médio e longo prazo, um dos quatro pilares do nosso turismo e do nosso futuro. Que todos queremos mais risonho que o presente. Ou não ?
