O início de 2o12 deve marcar na cidade de Tomar a abertura ao público do Museu de Arqueologia Industrial, um investimento de cerca de seis milhões de euros que irá recuperar e adaptar a funções culturais o espaço junto à ponte velha sobre o rio Nabão conhecido por Lagares d'el Rei. A candidatura para apoio do Quadro de Referência Estratégica Nacional já foi aprovada e o projecto está concluído, prevendo-se que até ao final de Outubro a Câmara de Tomar possa estar em condições para lançar o concurso para a execução das obras.
O investimento traduz-se na recuperação e readaptação das instalações que se situam no centro histórico de Tomar, entre o rio Nabão e uma levada de água construída pelos monges das ordens religiosas instaladas no Convento de Cristo que, para além de permitir o uso mais adequado da água do rio, possibilitou a criação de um desnível de 2,5 metros de altura entre o lado da levada e a parte do rio capaz da produção de energia aproveitável. A duração das obras deverá alongar-se ao longo de um período de 18 a 24 meses, pelo que o cenário mais provável é que o museu de arqueologia industrial só se torne uma realidade nos primeiros meses de 2012. E isso se os indispensáves trabalhos de acompanhamento arqueológico que vão acompanhar as obras de readaptação museológica não detectarem mais vestígios, como tem acontecido bastantes vezes, sempre que se escava o solo em Tomar.
"É uma obra essencial para Tomar e vai dar uma nova finalidade aos moínhos de épocas muito atrasadas, provavelmente do século XVI ou mesmo antes, recuperando-se também moagens mais recentes, da viragem do século XIX para o século XX, onde se preparava a farinha de trigo e retirava a casca do cereal", afirma Corvêlo de Sousa, presidente da câmara de Tomar, notando que a cidade foi uma das primeiras urbes portuguesas a dispor de energuia eléctrica para uso nas suas fábricas."
O comentário de "Tomar a dianteira"
Para além do português muito pessoal (ver negritos) usado pelo ilustre jornalista, há outras questões que será certamente útil colocar perante os eleitores tomarenses. Desde logo esta: O acordo de concessão da Estalagem de Santa ou caducou, ou está prestes a caducar, mas a actual maioria entendeu ser mais consensual (e entendeu bem, quanto a nós), deixar essa tarefa para a futura vereação, a saír das próximas eleições. Nestas condições, como se justifica um concurso de 6 milhões de euros a poucos meses do final do mandato? Se por acaso os vencedores das autárquicas de 11 de Outubro forem outros, e não concordarem com tal investimento, por considerarem que se trata de mais um elefante branco, poderão fazer o quê?
Há depois outra situação. Perante tudo isto, que andam a fazer os vereadores e deputados municipais da oposição? Como quem cala consente, e têm estado e andado calados, significa que concordam? Foi feito algum estudo de mercado, que permita avaliar se o previsto investimento e as subsequentes despesas de funcionamento e manutenção poderão vir a ser recuperadas, mesmo parcialmente? Tudo indica que a autarquia terá de arcar com pelo menos milhão e meio de euros, logo à cabeça. Dispõe desse montante? Vai fazer mais um empréstimo? O actual presidente da câmara afiança que "É uma obra essencial para Tomar". Baseia-se em que dados precisos? Que retornos efectivos se prevêem? Ouvem-se pela cidade os habituais zunzuns, mais frequentes em período eleitoral, que relacionam os concursos públicos e as obras, com as consideráveis despesas partidárias. Sem pretender lançar qualquer suspeita, até por falta de elementos palpáveis, serão só boatos, ou haverá mais qualquer coisa? A dualidade de critérios entre o caso da Estalagem e este dos museus da Levada permite algumas dúvidas, mas oxalá estejamos enganados. Mas uma vez que, a julgar por esta notícia, até a velha roda do Mouchão já foi promovida a moínho de água, tudo é possível... Eles andam aí !!!

