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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

E TEIMOSOS AINDA POR CIMA...

Do PÚBLICO de hoje, página 34, esta peça, assinada por Manuel Fernandes Vicente:
"TOMAR TERÁ UM MUSEU DE ARQUEOLOGIA INDUSTRIAL EM 2012

O início de 2o12 deve marcar na cidade de Tomar a abertura ao público do Museu de Arqueologia Industrial, um investimento de cerca de seis milhões de euros que irá recuperar e adaptar a funções culturais o espaço junto à ponte velha sobre o rio Nabão conhecido por Lagares d'el Rei. A candidatura para apoio do Quadro de Referência Estratégica Nacional já foi aprovada e o projecto está concluído, prevendo-se que até ao final de Outubro a Câmara de Tomar possa estar em condições para lançar o concurso para a execução das obras.

O investimento traduz-se na recuperação e readaptação das instalações que se situam no centro histórico de Tomar, entre o rio Nabão e uma levada de água construída pelos monges das ordens religiosas instaladas no Convento de Cristo que, para além de permitir o uso mais adequado da água do rio, possibilitou a criação de um desnível de 2,5 metros de altura entre o lado da levada e a parte do rio capaz da produção de energia aproveitável. A duração das obras deverá alongar-se ao longo de um período de 18 a 24 meses, pelo que o cenário mais provável é que o museu de arqueologia industrial só se torne uma realidade nos primeiros meses de 2012. E isso se os indispensáves trabalhos de acompanhamento arqueológico que vão acompanhar as obras de readaptação museológica não detectarem mais vestígios, como tem acontecido bastantes vezes, sempre que se escava o solo em Tomar.

"É uma obra essencial para Tomar e vai dar uma nova finalidade aos moínhos de épocas muito atrasadas, provavelmente do século XVI ou mesmo antes, recuperando-se também moagens mais recentes, da viragem do século XIX para o século XX, onde se preparava a farinha de trigo e retirava a casca do cereal", afirma Corvêlo de Sousa, presidente da câmara de Tomar, notando que a cidade foi uma das primeiras urbes portuguesas a dispor de energuia eléctrica para uso nas suas fábricas."

O comentário de "Tomar a dianteira"

Para além do português muito pessoal (ver negritos) usado pelo ilustre jornalista, há outras questões que será certamente útil colocar perante os eleitores tomarenses. Desde logo esta: O acordo de concessão da Estalagem de Santa ou caducou, ou está prestes a caducar, mas a actual maioria entendeu ser mais consensual (e entendeu bem, quanto a nós), deixar essa tarefa para a futura vereação, a saír das próximas eleições. Nestas condições, como se justifica um concurso de 6 milhões de euros a poucos meses do final do mandato? Se por acaso os vencedores das autárquicas de 11 de Outubro forem outros, e não concordarem com tal investimento, por considerarem que se trata de mais um elefante branco, poderão fazer o quê?

Há depois outra situação. Perante tudo isto, que andam a fazer os vereadores e deputados municipais da oposição? Como quem cala consente, e têm estado e andado calados, significa que concordam? Foi feito algum estudo de mercado, que permita avaliar se o previsto investimento e as subsequentes despesas de funcionamento e manutenção poderão vir a ser recuperadas, mesmo parcialmente? Tudo indica que a autarquia terá de arcar com pelo menos milhão e meio de euros, logo à cabeça. Dispõe desse montante? Vai fazer mais um empréstimo? O actual presidente da câmara afiança que "É uma obra essencial para Tomar". Baseia-se em que dados precisos? Que retornos efectivos se prevêem? Ouvem-se pela cidade os habituais zunzuns, mais frequentes em período eleitoral, que relacionam os concursos públicos e as obras, com as consideráveis despesas partidárias. Sem pretender lançar qualquer suspeita, até por falta de elementos palpáveis, serão só boatos, ou haverá mais qualquer coisa? A dualidade de critérios entre o caso da Estalagem e este dos museus da Levada permite algumas dúvidas, mas oxalá estejamos enganados. Mas uma vez que, a julgar por esta notícia, até a velha roda do Mouchão já foi promovida a moínho de água, tudo é possível... Eles andam aí !!!

sábado, 20 de junho de 2009

ESTALAGEM DE SANTA IRIA: OS FACTOS


Na sequência do repto à oposição e aos jornalistas locais, aqui lançado em Março, foram endereçados ao presidente da câmara vários requerimentos, todos solicitando, ao abrigo do direito à informação, agora felizmente contemplado na legislação de forma adequada, a consulta de determinados processos. Um deles é o referente à Estalagem de Santa Iria, propriedade do Município, cuja situação nunca foi bem conhecida pelos tomarenses. Recorde-se que, já lá vão mais de vinte anos, aquando da mudança de concessionário, desapareceu sem deixar rasto todo o recheio daquele estabelecimento hoteleiro (móveis, roupas, talheres, quadros...), incluindo um piano que, como se sabe, é uma coisa pequena e leve, que se transporta com facilidade e sem dar nas vistas. Pois mesmo assim, ainda hoje "ninguém viu nem sabe de nada". Coisas.
Graças à boa vontade do sr. presidente da câmara, tivemos acesso livre ao processo em questão, do qual retirámos os elementos que a seguir publicamos, bem como outros que ficam a aguardar eventual ocasião mais propícia para a conveniência de todos os envolvidos.
A actual gerência da estalagem, Pensão Quádrio e Coelho, Lda. assinou com a autarquia um contrato de concessão, em Junho de 1991 (Presidente Pedro Marques). Essa concessão era por 15 anos, eventualmente renovável por períodos sucessivos de 5 anos, mediante acordo tácito de ambas as partes. A renda inicialmente fixada era de 350 contos mensais, a qual, mercê das sucessivas actualizações legais, deveria andar agora à roda dos três mil euros mensais.
No seu mais puro estilo de actuação, tipo carga de cavalaria e depois logo se vê, António Paiva mandou executar obras no Mouchão, que implicaram o encerramento da ponte pedo-rodoviária durante alguns meses. Em consequência disso, a sociedade concessionária, que ao que parece não tinha sido ouvida previamente, queixou-se dos prejuízos daí advenientes e accionou judicialmente o município de Tomar, exigido ser ressarcida em cerca de 100 mil euros (tudo incluído).
Citada a comparecer e contestar a acção, a Câmara preferiu celebrar um acordo amigável, cujos termos foram passados ao papel por um conhecido e respeitado causídico local, que no entanto parece não ter lido detalhadamente o contrato inicial de concessão. O referido acordo foi votado por unanimidade dos presentes (6 autarcas) na reunião de 22 de Maio de 2007. Nele se estipula que Pensão Quádrio e Coelho Lda desiste da queixa contra o Município de Tomar e, em contrapartida, continua a explorar normalmente a estalagem até 30 de Setembro de 2009, sem pagamento de qualquer renda mensal. O Município deixou assim, com esta deliberação antes aceite por ambas as partes, de receber cerca de 84 mil euros em 28 meses. Mas não é tudo.
Segundo conseguimos apurar, há neste momento contactos, no sentido do eventual prolongamento, por mais um ano, da actual situação (com pagamento de rendas?), pois a actual maioria não se sentiria legitimada para desencadear um novo processo de concessão, a escassos meses do fim do mandato. Ao que nos foi dado perceber, é muito provável que em breve venha
a ser apresentada ao executivo uma proposta nesse sentido, para discussão e eventual aprovação. Informações recolhidas por outra fonte, permitem-nos avançar que a concessionária está muito interessada nessa solução, alegando que os tempos são de crise, pelo que ainda não conseguiu recuperar todos os prejuízos sofridos por culpa exclusiva da autarquia.
São estes os factos publicáveis. Em tempo oportuno voltaremos a abordar o assunto. Unicamente preocupados com a informação cabal e os interesses da comunidade tomarense, à qual pertencemos desde sempre e que não renegamos.