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sábado, 29 de agosto de 2009

O DIZER E O FAZER



Estas duas fotografias, ambas colhidas no Largo do Pelourinho, a menos de cem metros dos Paços do Concelho, ilustram bem a situação a que isto chegou, por falta de um quadro de pessoal, ao mesmo tempo equilibrado e dimensionado para as reais necessidades da cidade e do concelho. Em vez disso, temos excesso de chefias superiores e intermédias, mas grande carência de "tropa". A mesma situação que ocorreu nas forças armadas, por causa da guerra colonial. Havia demasiados oficiais subalternos e superiores e nítido excesso de sargentos, para tão pouca tropa. Apesar de milhares de passagens à reserva e/ou à reforma, ainda hoje temos excesso de generais, almirantes e etc. para a real dimensão das forças existentes.
Tudo isto ocorreu e ocorre em virtude de dois princípios -a carreira e as promoções automáticas, ao fim de x anos de serviço. No caso da autarquia, por exemplo, segundo foi divulgado, há 17 lugares de chefe de divisão, dos quais apenas 7 estão preenchidos. E já se fala em directores de departamento, acima portanto dos chefes de divisão. Tendo em conta que um chefe de divisão corresponde a um comandante de batalhão e que um regimento militar costuma ter quatro batalhões e mais ou menos dois mil homens, temos que a Câmara de Tomar, com cerca de 500 funcionários, dispõe de chefes de divisão para três mil e quinhentos funcionários. E um quadro de chefes de divisão (17), não totalmente preenchido, para quatro regimentos, ou 8 mil e 500 homens. Haja verbas que a autarquia terá sempre onde as gastar.
Ante semelhante situação e, ao que consta, com uma dívida de estarrecer, começam os diferentes candidatos a apresentar nos seus programas a necessidade de haver reorganização da autarquia, contenção e mesmo redução de despesas, bem como o progressivo abandono de todos os projectos sem retorno garantido, enquanto a situação económico-financeira não melhorar.
Já era tempo! Falta, porém, informar o eleitorado do mais importante, e de longe -como é que isso se faz? Numa terra e num país onde os cidadãos comungam, na sua esmagadora maioria, da chamada "ilusão da bolsa", de acordo com a qual é tudo sempre a subir -salários, vencimentos, preços, produção, bem-estar, dividendos, juros, lucros, produtividade, cotações- não vai ser nada fácil. Admitindo à partida (o que não é nada garantido) que haverá coragem para ir até ao fim, cortando a direito. Para isso é urgente começar por lembrar que "as árvores nunca cresceram nem crescem até ao céu". E que as comunidades humanas, incluindo a nossa, nascem, desenvolvem-se até certo ponto, definham pouco a pouco e morrem, tal como ocorre com todos os seres vivos. Aqui fica o aviso, para que ninguém se esqueça. Enquanto ainda é tempo, porque depois...