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quarta-feira, 30 de junho de 2010

A PERSISTENTE E DOCE EUFORIA


O que mais me surpreendeu, ao retornar às margens do Nabão, foi a persistência de uma espécie de doce euforia, bem como a insistência em obras de tipo invertebrado e incongruente. Indo por partes.
Quando por essa Europa fora o clima económico é cada vez mais pesado, e a nível nacional o pessimismo dos cidadãos não cessa de crescer, aqui pela terra nabantina parece ir tudo bem, muito obrigado. Animação gratuita, festas para todos os gostos, cerimónias peculiares no municipal cine-teatro, espectáculos todos os fins de semana na Praça da República, até meados de Setembro, etc. etc. Quem está a ver mal, no fim de contas? Os pessimistas, que têm o péssimo hábito de olhar para o futuro, tendo em conta o passado? Ou os optimistas por conveniência pessoal, que insistem em gastar o que não têm, suputando que alguém há-de vir a pagar?
Nos idos do império romano, era norma entreter a população, dando-lhe pão e circo. Vinte séculos mais tarde, pelo menos em Tomar, estamos cada vez mais virados em exclusivo para o circo. Um circo onde ainda por cima todos os palhaços se julgam ricos, só porque administram parte dos impostos dos involuntários espectadores e financiadores.
Outra faceta curiosa são as obras esparsas adjudicadas pela autarquia, sem que alguém saiba de ciência certa porque foram decididas ou para que vão servir. Basta quedar-se um bocado ali pela Rotunda Alves Redol. Desde o 25 de Abril, já vamos na terceira série de emissários de esgoto, na quarta versão da rotunda e no terceiro arranjo à volta da Casa dos Cubos. E tudo indica que não vamos ficar por aqui. Pois se ainda se continua sem saber para que vai servir o já célebre paredão-mijatório, será preciso dizer mais?
Entretanto, foram adjudicadas as obras do arranjo exterior do Convento de Cristo, que para além de novas casas de banho, recepção e pavimentação do actual parque de estacionamento, não me parece que se possam recomendar. Desde logo porque não fazem parte de qualquer plano previamente elaborado, que defina a sua utilidade presente e futura. Além disso, falava-se, na primeira versão a que tive acesso, em + dez lugares para autocarros e + 32 lugares para ligeiros, o que já era bem acanhado, nos tempos que correm. Mas o pior ainda estava para acontecer. A versão que vai ser mesmo implementada apenas contempla 6 ou 7 lugares para autocarros e 21 lugares para ligeiros. Como estrutura de acolhimento de uma monumento Património da Humanidade, quem projectou e quem aprovou uma coisa assim está, (sem se dar conta?), a brincar com a realidade e a reinar com os eleitores.
Como se tudo isto não fosse já demasiada asneira junta, a presente maioria de circunstância continua a fazer finca-pé no Museu da Levada, um biscatezito para 9 milhões de euros, assim à primeira vista. O Museu da Cortiça da Fábrica do Inglês (ver ilustração supra), no Algarve, custou 12 milhões, teve uma média de 90 mil visitantes por ano, e mesmo assim faliu. Talvez não fosse má ideia estudar devidamente este caso, em vez de insistir em nova descoberta do caminho marítimo para a Índia... A história é sempre impiedosa para com os simplórios.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

MAIS TRÊS EPISÓDIOS DO PÂNTANO

Enquanto os senhores autarcas (alguns) vão dizendo que é maledicência, a triste realidade factual vai-se impondo. No semanário SOL de hoje, esta página permite comparações que não são mesmo nada favoráveis para o nosso concelho. Num distrito cuja taxa média de desemprego é de 9,4% (ver coluna da direita), fazemos parte do grupo "azul pálido", com uma taxa entre 10 e 14,9 %. Como companheiros de infortúnio apenas temos Abrantes, Sardoal e Chamusca. Torres Novas, Barquinha, Entroncamento, Constância Golegã, e até Ferreira do Zêzere, estão melhor, com menos de 9,9 % de desempregados. Deve ser por não terem tanta maledicência...

Muito se tem falado ultimamente na incapacidade dos nossos autarcas para lerem e entenderem projectos, para perceberem a realidade envolvente, ou para elaborarem planos consequentes. Esta local, fotocopiada do CORREIO DA MANHÃ de hoje, demonstra que tais incapacidades são afinal comuns a mais habitantes da cidade. Aos assaltantes toxicodependentes, por exemplo. Que essa de fechar uma empregada na casa de banho, sem verificar antes a eventual existência de telemóvel, é cá de uma capacidade de planeamento que até arrepia.

"7-5-10

Tudo tem um limite!

António Rebelo, putativo candidato a candidato do PS à Presidência do Município, democraticamente derrotado para esse objectivo, não deixa desde então de procurar, através da perfídia, da maledicência mais torpe e do elitismo mais atroz, atacar-me de todas as formas que pode. Acontece que eu até muitas vezes tenho achado que o Sr. até terá as suas razões em relação a algumas das opiniões que tem, que tem todo o direito de não ter gostado de ser derrotado e que gostaria de ter sido candidato do PS, que tem todo o direito de se achar o melhor de todos os Tomarenses vivos, dos que viveram e dos que hão-de viver.
Disso tem todo o direito.
O que já não tem direito é de insinuar de que estou na política porque ganho mais do que na minha profissão e que em resultado disso é que mantenho a minha determinação no sucesso do acordo político alcançado entre o PS e o PSD, para evitar que de novo a autarquia de Tomar fosse "assaltada" pelos interesses "que resolvem".
É mesquinho, provinciano e de um dogmatismo atávico tal atitude.
Quem me conhece, quem sabe como eu vivo e ao que às questões "terrenas e financeiras" ligo, só se pode rir de tão baixo ataque político.
De facto o desespero deve ser muito grande.
Tais ataques não me desviarão um milímetro do trilho que o PS e eu próprio decidimos em tempo, colectiva e solidariamente, trilhar em nome de Tomar."

Luís Ferreira no seu blogue vamosporaqui. As cores são de Tomar a dianteira.

Está-se convencido de que os nossos direitos estão consignados e garantidos na Constituição da República, e afinal...
Está-se convencido de que os nossos autarcas devem respeitar a verdade, e afinal...
Está-se convencido de que qualquer político deve ter capacidade de encaixe, e afinal...
Francamente, a realidade política tomarense é cada vez mais peculiar.

sexta-feira, 12 de março de 2010

UM RETRATO DA NOSSA DESGRAÇA

O semanário O RIBATEJO publicou, na sua edição de hoje, página 36, este quadro com a relação das pessoas à procura de emprego nos 21 concelhos do distrito, que reproduzimos com a devida vénia e os nossos agradecimentos.

Os cidadãos usuais espectadores de televisão, ouvintes da rádio e/ou leitores de jornais e revistas, sabem concerteza, por lhes ser dito com alguma frequência, que os números, as percentagens, as estatísticas, não enganam. Todavia, aqueles que em devido tempo andaram a romper os fundilhos das calças nos bancos e cadeiras das escolas superiores de economia, sabem igualmente que números, percentagens ou outros elementos estatísticos, desde que devidamente trabalhados por gente do ofício, "dizem" quase tudo o que o seu utilizador pretender que digam.
No caso presente, assim à primeira vista, o desemprego no distrito até nem é nada de alarmante. Estará mais ou menos na média do país. Porém, quando comparado com os distritos costeiros, o caso muda de figura.
O mesmo acontece com os concelhos do distrito. Assim ad-hoc, ordenados simplesmente por ordem alfabética, torna-se uma tarefa muito laboriosa perceber qual ou quais são os mais atingidos pela falta de postos de trabalho. Contudo, uma vez ordenados por ordem decrescente do total de cidadãos à procura de emprego, numa coluna; e depois, noutra coluna, por ordem decrescente do número do total de eleitores inscritos, o panorama social torna-se muito mais interessante e de "leitura" bastante mais fácil.
Foi, por isso, o que resolvemos fazer, tendo igualmente em conta que os portugueses em geral gostam muito de "rankings" e outras tabelas classificativas. Se calhar por estarem convencidos de que a vida também é uma espécie de desporto...

O caso do concelho de Santarém deve ser examinado com toda a cautela, devido a duas excepções: 1) -É capital de distrito, com tudo o que daí resulta; 2) -Tem mais de 50 mil eleitores, o que o coloca, por assim dizer, noutra categoria. O concelho seguinte, o de Ourém, não chega sequer aos 45 mil eleitores.
Por conseguinte, o mais indicado será compará-lo com as outras capitais de distrito.

sábado, 6 de março de 2010

REDUÇÃO DE RENDIMENTOS, REMÉDIO AMARGO PARA A EUROPA

Manifestação de funcionários gregos contra as medidas de austeridade. O acrónimo "PIGS" (porcos) designa Portugal, Irlanda (ou Itália), Grécia e Espanha. Fedephoto. Le Monde

Grécia, Portugal e Irlanda decidem reduzir salários e pensões para restabelecer a competitividade e equilibrar o orçamento.

"Ontem, sexta-feira, a Grécia esteve quase totalmente paralisada por uma greve dos transportes urbanos e por greves parciais dos controladores aéreos. Na véspera, em Portugal muitos serviços públicos não funcionaram devido igualmente a uma greve da função pública.
Estas manifestações de descontentamento são provocadas pelas futuras reduções de rendimentos, previstas nos planos de estabilidade e redução do défice, nos países com grandes dificuldades. Na Grécia, anuncia-se uma redução de 30% no 13º mês, e de 60% no 14º mês, para todos os funcionários públicos. Em Portugal foram congelados os vencimentos e salários do sector público. Haverá igualmente cortes ainda não especificados nas pensões..
Já em 2009, os funcionários públicos irlandeses sofreram uma redução média de 7,5% dos respectivos vencimentos, enquanto os letões perderam quase 17%. Será este amargo remédio necessário ? E será o único eficaz ?
"Estes países sofrem de duas doenças, diz-nos a economista Agnès Benassy-Quéré. Acumularam défices incomportáveis e padecem de graves perdas de competitividade. Baixando a massa salarial da função pública, tratam dos dois problemas em simultâneo. Reduzem a despesa pública e acalmam o aumento dos preços ao consumidor."
Os dados disponíveis permitem explicar como os gregos, por exemplo, vivem acima dos seus recursos. "A evolução dos preços ao consumidor foi 10% mais elevada que a da zona euro, desde 2001 e até ao quarto trimestre de 2oo9, declarou-nos Claude Giorno, economista da OCDE. Impõe-se, por conseguinte a moderação salarial", acrescentou.
Por seu lado, PatrickArtus, director de pesquisa económica do banco Natixis, discorda da ideia segundo a qual os países agora em crise exageraram. "É verdade que em Espanha os custos salariais aumentaram 40% mais do que na Alemanha, desde 1999. Mas tal convergência nada tem de anormal, pois os custos salariais espanhóis representam apenas 80% dos custos alemães."
Em contrapartida, Artus manifesta a sua preocupação no que se refere a reduções salariais, que vão deformar a partilha de rendimentos a favor do lucro patronal. "Dado que estes lucros não são reinvestidos, vão gerar mais poupança, numa altura em que esta é excedentária e em que haveria necessidade de mais consumo."
Porque os planos de austeridade provocam inevitavelmente um arrefecimento económico, o qual se traduz em aumento do desemprego no sector privado, que arrasta consigo reduções salariais nas empresas. Para evitar demasiado esforço na área do poder de compra, numerosos especialistas aconselham reformas estruturais capazes de melhorar a competitividade. "A Grécia devia liberalizar diversas profissões, como por exemplo a de arquitecto, advoga Claude Giorno.."Devia igualmente simplificar o processo de criação de empresas, bem como rever o salário mínimo nacional de 727 €, que sendo baixo, provoca ainda assim um desemprego da ordem dos 27,8% entre os jovens."
Quanto a Olivier Blanchard, economista chefe do FMI, apoiado por Jacques Delpla, do conselho de análise económica do mesmo organismo, preconiza desde há vários anos uma outra forma de actuar nos diversos países da zona euro. Segundo ele, os chamados "países-cigarras" (por oposição aos países-formigas) que deixaram de poder desvalorizar a moeda, tendo em vista melhorar a sua competitividade, a partir do momento em que aderiram ao euro, "devem congelar simultaneamente os preços, as rendas e os salários, o que representará uma redução do poder de compra unicamente em termos de bens importados", diz-nos Jacques Delplas.
O problema, contrapõe Gilles Saint-Paul, professor na Escola de Economia de Toulouse, "é que se trata de uma quase-desvalorização, e dado que tais reduções se repercutem no PIB, ao mesmo tempo que a dívida externa não terá qualquer alteração, a relação dívida/PIB agravar-se-á."
"Um outro problema, acrescenta Bruno Cavalier, chefe economista da Oddo Securities, "é que não dará grande resultado, devido à excessiva resistência à redução, tanto dos salários como dos preços. E esperemos que a Alemanha não agrave a situação dos gregos e dos portugueses, prosseguindo os seus esforços de moderação salarial para reforçar a sua competitividade. O "sistema Blanchard", diz-nos a concluir, é bastante hábil, mas não funcionará porque esquece a urgência em que se encontram os países em crise e a"massa humana", que quase nunca se comporta em conformidade com as preconizações dos peritos.
Por conseguinte, voltamos à tradicional dieta forçada das famílias, que a consideram tanto mais insuportável quanto é certo que nunca tiveram consciência de viver acima dos seus recursos. Apenas pretendiam alcançar o mesmo nível de vida dos seus vizinhos europeus. Teremos então manifestações violentas ? "De acordo com analistas escandinavos, os sacrifícios são menos dolorosos quando são impostos a todos os cidadãos, sem qualquer excepção", afirma Benassy-Quéré. Qualquer plano de austeridade terá portanto de ser equitativo. Se não for..."

Alain Faujas, Le Monde 06/03/10
Tradução e adaptação de António Rebelo

UM GRANDE EMPRESÁRIO PRIVADO CONFESSA-SE

(Clicar sobre a imagem para ampliar)

Com a devida vénia, resolvemos publicar parte da entrevista de Alexandre Soares dos Santos, 75 anos, presidente executivo do Grupo Jerónimo Martins, publicada na edição de hoje do suplemento Economia do semanário EXPRESSO. O Grupo Jerónimo Martins emprega milhares de pessoas, sobretudo em Portugal e na Polónia. Em 2009 obteve um lucro líquido de 200 milhões de euros, dos quais 60% vieram da Polónia, onde são proprietários de centenas de supermercados "Biedronka" (Joaninha).
No caso daqueles usuais tomarenses, cuja ignorância é tanta que nem dá para perceberem isso mesmo, perguntarem o que tem a referida entrevista "a haver" (é assim que escrevem e dizem, em vez de a ver com Tomar e com os tomarenses, desde já lhes respondemos. Nada ! Absolutamente nada ! A crise não chegou às margens nabantinas; temos uma sólida maioria na Câmara; essa maioria têm um projecto sólido, fecundo, bem estruturado, promissor e devidamente discutido e sufragado pela população; as empresas locais gozam todas de invejável folga financeira; desemprego praticamente não há; os candidatos a investidores são tão numerosos que são forçados a esperar em fila nas escadarias dos Paços do Concelho; os hotéis, restaurantes e outros meios de alojamento estão sempre cheios que até já recusam clientes; o turismo local aumenta a um ritmo desconhecido, não só no país como até no resto da Europa e quiçá no Mundo; a segurança nas ruas é total; há mais de não se sabe quanto tempo que não se regista um único assalto aqui em Tomar; a comunidade cigana está devidamente instalada e não causa problemas a ninguém; o relacionamento entre os eleitos e os eleitores é directo, fraterno, rápido e geralmente proveitoso; a Câmara tem uma situação financeira tão sólida que a actual maioria já encara a hipótese de o município investir nas petroleiras, etc. etc.
O contexto sócio-económico nabantino está de tal forma próspero, que, numa das suas últimas e frutuosas reuniões, após longo debate com a população e com os eleitos da oposição, (como aliás sempre faz), o executivo camarário votou por unanimidade a implementação de uma "carta de residência", que será obrigatória para os imensos candidatos à mudança para Tomar com armas e bagagens. Falta só a aguardada autorização da Assembleia da República, uma vez que se trata de algo não previso na actual constituição, que por isso terá de ser revista.
Pelo que fácil se torna concluir termos resolvido publicar parte das declarações do referido grande empresário para nos entretermos, bem como para mostrar como vivem os desgraçados portugueses que não têm a sorte de habitar e trabalhar em Tomar. Que sorte a nossa ! Do que Deus nos livrou ! Amen !

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

A CRISE DA IFM/PLATEX

Foto O Templário

Esclarecimento prévio:
Nunca fui, não sou, nem pretendo vir a ser economista profissional, gestor ou patrão, salvo de mim próprio. Fiquem portanto descansados os habituais especialistas de ideias gerais, bicas baixas e copos cheios . Não vou falar de cátedra e procurarei não ser arrogante. Dito isto, também não sou propriamente um analfabeto ou um palonço, e julgo ter uma cabeça que funciona satisfatoriamente, para as minhas necessidades. Assim sendo, não contem comigo para me armar em trôpego mental, só para evitar as eventuais picadas venenosas de alguns, menos dotados e sem poder de encaixe.
Falta acrescentar que, durante uma já longa vida bem vivida, conheci a miséria, a fome, o frio, a doença, o desemprego, a solidão, a guerra, a prisão, a angústia, a indiferença; mas também o carinho, a fraternidade, a amizade sincera, a camaradagem, o amor, a paixão e a alegria de viver. O que me leva a considerar que estou assaz artilhado, em termos de experiência, para tentar perceber os problemas alheios. Não me vanglorio, como também não me calo.

2AVC/IFM

O grande problema de todos os trabalhadores e patrões do sector privado, diga-se o que se disser, pode ser resumido na fórmula acima, que significa Alojamento+Alimentação+Vestuário+ Calçado/Incerteza do Final do Mês. Com estes elementos, convém a seguir ter sempre em conta que o funcionamento de qualquer empresa, sujeita às leis do mercado aberto, corresponde geralmente a um jogo de bilhar, em que a bola vermelha é o mercado, a preta o patrão, e a branca os trabalhadores.
Acontece que na longa crise da IFM/PLATEX já houve tantas carambolas imprevistas e por explicar, que o público em geral, presumo, deve estar mais ou menos como eu -não consigo perceber o que desencadeou o longo calvário, que ainda continua. De acordo com os jornais, a empresa deve 1 milhão há EDP, 6 meses de salários aos trabalhadores, não sei quantos milhões à banca e somas avultadas, por esclarecer, aos outros fornecedores. A uma dada altura, falou-se numa ajuda do Estado, da ordem dos 6 milhões de euros, para permitir recomeçar a laboração. Tudo indica que tal hipótese não foi concretizada, entre outros motivos por falta de garantias reais. Chegados aqui, será útil colocar a questão: Que se passou afinal, desde o início das dificuldades? Porque aí reside o problema.
Não adianta escamotear ou tentar maquilhar alguns aspectos menos agradáveis da realidade. Só conhecendo os reais sintomas se pode chegar ao diagnóstico da doença, condição prévia para prescrever uma terapêutica e tentar assim conseguir a cura. Neste momento, em termos de opinião pública, ninguém entende como se consentiu que as coisas chegassem ao ponto em que estão. Porém, dado a realidade nunca andar para trás, é com aquilo que temos que devemos tentar encontrar uma saída. Para aí chegar, muitas perguntas são indispensáveis. Estas, para começar: A empresa tinha e tem mercado ? Aquilo que produzia era e é competitivo em termos de preços e de qualidade ? Tanto no mercado interno como externo ? A tecnologia utilizada não está ultrapassada ? A gestão sempre foi honesta, eficaz, ágil e competente ? Os trabalhadores eram assíduos ? A produtividade era mais alta, mais baixa ou praticamente equivalente à das outras empresas do sector ? De todos estes aspectos, qual ou quais falharam sistematicamente ?
Escreveu-se que a empresa tinha bastantes clientes, que era praticamente a única no mercado e que exportava cerca de 60% da produção. A ser verdade tudo isto, algo falhou estrondosamente e durante algum tempo, sem que fossem tomadas as adequadas providências. Porque não cabe na cabeça de ninguém que uma empresa a produzir normalmente, com boa carteira de clientes e exportando mais de metade da sua produção, possa ter acumulado pela calada um tal rol de dívidas, que agora impelem os credores a provocar a sua falência. Em termos primários, só duas hipóteses são plausíveis -ou a produção era escoada a preços que não cobriam nem de perto nem de longe os respectivos custos; ou os gestores não foram suficientemente prudentes ao deixarem acumular débitos muito superiores ao "fôlego" da empresa.
Agora, tendo em conta o estado a que as coisas chegaram, torna-se mais necessário do que nunca apurar quais foram os erros cometidos, de forma a não os repetir no futuro. Ficar à espera de ajudas do Estado a fundo perdido, ou com juros bonificados, já deixou de ser solução. Urge encontrar alternativas. E isso só com ideias claras e operativas. O tempo das desculpas tautológicas já passou.
Não sabe o que são desculpas tautológicas ? Vou dar-lhe um exemplo. Uma senhora tinha uma filha, que a dada altura deixou de falar. Andou de médico em médico e melhoras nenhumas. Após aturados exames, não conseguiam saber o que se passava. Já algo desesperada, a pobre mãe levou a filha a um curandeiro. Este ouviu-a com muita atenção e no final disse-lhe -Já sei porque é que a sua filha não fala ! -Então porque é ? -Porque é muda. -Mas isso já eu sabia. -E é muda porquê ? - Ora, porque não fala, minha senhora !
Neste caso da IFM/PLATEX, assim à primeira vista, parece que estamos na mesma: - Porque é que estão em crise tão profunda que até o Estado vos recusou auxílio ? -Por causa das dívidas que são muito elevadas. E porque é que as dívidas atingiram tais níveis ? Por causa da crise.
Com raciocínios destes, que não andarão muito longe dos feitos pelos senhores autarcas nabantinos, em relação a outros assuntos, nunca mais vamos conseguir saír da cepa torta. E é pena, qua cidade é muito agradável. Não consegue é proporcionar condições de vida aos seus filhos, que vão sendo forçados a votar com os pés, pondo-se a andar para paragens mais acolhedoras e menos atraídas pelos bolsos dos contribuintes.

domingo, 26 de julho de 2009

É SÓ PARA LEMBRAR QUE AINDA HÁ CRISE...


Na sequência do que se tem ouvido das diferentes forças partidárias locais, sobretudo da CDU e dos IpT, pensar o futuro é propor equipamentos e/ou eventos basicamente custeados pelo erário público. Há até quem diga que aqui no blogue somos demasiado pessimistas, ou que estamos redondamente enganados quando afirmamos que o estado português não só não tem dinheiro para o essencial como está praticamente falido. Para todos esses, sem querer desempenhar o papel de arauto da desgraça, mas respeitando a realidade envolvente, aqui fica esta ilustração do EL PAÍS de ontem, só para lembrar que ainda há crise. E se calhar o pior pode muito bem ainda estar para vir.
Repare-se que, enquanto em Portugal a taxa de desemprego é neste momento de 9,6%, em Espanha, mesmo aqui ao lado, a média é de 17,92%, ou seja quase o dobro. Nas regiões que fazem fronteira com Portugal, a Galiza regista 12,93%, Castela e Leão 14,14%, Estremadura 20,9% e Andaluzia 25,41%.
Observe-se igualmente que na regiões turísticas do Mediterrâneo, só a Catalunha e Baleares estão abaixo dos 20% de desemprego.
Seria muito conveniente que os mentores das listas a apresentar em Outubro não esquecessem esta realidade, escancarada aqui à frente da nossa porta, na hora de redigir os respectivos e indispensáveis programas. Os sonhos são lindos, mas os pesadelos não são, em geral, nada agradáveis. E não adianta nada dispor de boa carne e de bons temperos, se não houver quem saiba fazer bons chouriços, de preferência com um toque pessoal, por causa da concorrência, pois cada vez há mais salsicharia e menos consumidores com dinheiro para comprar...