Há por aí umas almas sensíveis que se queixam privadamente da virulência, da injustiça, e até da grosseria de Tomar a dianteira. São autocratas encapotados, que se fazem passar por democratas e amantes da liberdade, não por opção livre, mas apenas por falta de coragem. Não é certamente por mero acaso que, dos 34 seguidores deste blogue, apenas dois ou três dão a cara...
São exactamente da mesma estirpe daqueles que vão lançando blogues e/ou sites, que depois não conseguem manter com um mínimo de utilidade cívica, por falta de conteúdos actualizados. Ou não será pelo menos curioso (para não dizer outra coisa) que nesta terra de quase 40 mil eleitores, além de Tomar a dianteira, apenas os sites d'O Templário e da Rádio Hertz tenham movimento digno de registo? Trabalham? Têm mais que fazer? Falta de tempo? Desculpas reles e de mau pagador. Não era assim já antes de se lançarem na aventura da comunicação social? Então porque se lançaram? A tal presunção, não é? Farroncar é fácil; gerar ideias e pô-las por escrito é que custa!
Para todos, apesar de tudo fraternalmente e com amizade, transcrevcemos a usual crónica de Vasco Pulido Valente no PÚBLICO, com a devia vénia e os nossos agradecimentos. Lembrando que Pulido Valente não é injusto, nem grosseiro, nem labrego. Doutorou-se em História Moderna e Contemporânea na Universidade de Oxford. Só.
"VIVA PORTUGAL!"
"Não vale a pena falar sobre o caderno de encargos que Sarkozy e Merkel impuseram a Portugal. Nem da caricata submissão e das contradições do primeiro-ministro. Para efeitos práticos, José Sócrates não existe. Como logo viu o Inimigo Público, [suplemento humorístico do Público, publicado semanalmente], ainda não lhe disseram que já deixou de governar. Está em S. Bento como estaria uma planta, à espera do momento próprio de ser removido. É uma espécie de delegado regional da "Europa" ou, se preferirem, um moço de recados, com um emprego temporário e, ainda por cima, vexatório. No meio dos triunfos do Benfica e da visita do Papa e, à parte uma frase melancólica, ou um adjectivo de passagem, ninguém reparou que o país sofreu a maior humilhação nacional desde o último século. O que mostra aonde chegou o país, mas também o que sempre foi a "Europa".
Poderia ser de outra maneira? Não parece. Como contar com a mais vaga "solidariedade" ou sequer delicadeza do sr. Sarkozy ou da sra. Merkel, que não nos conhecem ou têm qualquer motivo para gostar de nós? Para quem nos paga (e de certa maneira somos todos pagos) não passamos de um povo inferior e semibárbaro, que gasta prodigamente o dinheiro que não ganhou e que depois vem de mão estendida pedir esmola. Os ricos não respeitam mendigos; de maneira geral correm com eles. Sobretudo, correm com os mendigos que não percebem, ou fingem que não percebem, o seu lugar no mundo e tentam aldrabar o próximo e viver a crédito. Para a Alemanha e para a França, os portugueses, como os gregos, merecem uma boa lição e muita cautela, não os leve a natureza, como de costume, para maus caminhos.
Custa engolir isto aos fim de vinte anos de retratos de família e da imunda cegarrega da "união". Só que nunca houve"união". As grandes potências da Europa -a Alemanha, a Inglaterra e a França- não desapareceram e continuaram a desprezar por convicção e hábitos os semicafres do Mediterrâneo e do Leste, que se dignam proteger e, de quando em quando, explorar. As tribos do Báltico, ao menos, sendo louras, permitem um certo sentimento da afinidade. O resto, não: essa tropa fandanga miserável, eternamente envolvida em querelas de má morte, preguiçosa e suja, não faz parte da Europa por mais do que um desgraçado acidente geográfico. Por isso, o Sarkozy e a sra. Merkel não hesitaram em chamar o irresponsável sr. Sócrates, pregar uma descompostura ao referido sr Sócrates e mandar o homem para casa com o rabo entre as pernas. E, para cúmulo, com razão. Viva Portugal!"
Onde está "o país" ponha-se "Tomar"; e onde está "Sócrates" ponha-se "a actual maioria autárquica". A tragédia fica completa.
Só é pena ninguém chamar os senhores autarcas, pregar-lhes uma descompostura, e mandá-los para casa cabisbaixos. Bem mereciam! E os tomarenses agradeciam! Pelo menos todos aqueles que têm dois dedos de testa e ainda não perderam o hábito de pensar de modo independente.


