terça-feira, 4 de setembro de 2012

DESISTO!

Durante meses e meses, contrariando a opinião da família, declarei-me pronto a assumir o meu dever de cidadania, disponível para na qualidade de cabeça de lista me submeter aos sufrágio dos meus concidadãos. Contava com a previsível alteração da lei eleitoral, que iria tornar possível aquilo que há muito se impõe -executivos homogéneos = corajosos e honrados, na minha humilde opinião. 
Como quase sempre neste país, falharam as negociações no seio da coligação, exclusivamente por excesso de partidarismo. Logo a seguir, também respeitando a tradição, o PS afirmou que tem pronto um projecto de  lei eleitoral mas que não o apresentará porque está de antemão derrotado. A irresistível atracção pelo abismo...
Em Tomar, esta minha amada terra que tanto está a sofrer, a situação é ainda mais trágico-cómica. Trágica, porque finalmente já todos perceberam -uns mais, outros menos- que nos estamos a afundar no pântano da incompetência, da improvisação saloia, da pusilanimidade e da irrelevância, sem contudo mexerem uma palha para alterar tão lamentável estado de coisas. Cómica, porquanto os três principais actores da farsa nabantina -PSD, PS e IpT, por esta ordem- andam por aí satisfeitos da vida, apregoando cada um a excelência da sua actuação e a manifesta incompetência dos outros dois. Parece uma comédia, mas infelizmente é a triste realidade. Ninguém assume que tem culpas no cartório.
Por estas e por outras, o ex-vereador socialista António Alexandre advogou na passada semana, num artigo em CIDADE DE TOMAR, a necessidade e a urgência de se constituir um executivo de salvação tomarense. Deverá saber contudo que, nas actuais circunstâncias, a sua ideia não passa de um voto piedoso, infelizmente sem consequências práticas. Digo isto porque, não se podendo contar, por razões óbvias, com a CDU e o BE e tendo em conta a também fraca implantação eleitoral do CDS, se apenas com PSD e PS um eventual bloco central pouco mais era já que uma miragem, (dado o passado recente), com mais um parceiro, o melhor é nem sequer tentar o TPT = Trio Político Tomarense. Isto para já não mencionar a conhecida amizade de estimação entre membros influentes do PSD, do PS e dos IpT.
Acresce que uma coligação política que se pretenda fecunda nunca deve ser um fim em si mesma, mas apenas o suporte de um projecto coerente, realista, vasto no espaço e escalonado no tempo. Coisa que, até prova em contrário, e apesar das eufóricas proclamações de alguns dos nossos políticos, nunca existiu nem existe em Tomar.  É pena, mas é o que temos. E não adianta continuar a iludirmo-nos, num canhestro exercício de mal disfarçada hipocrisia masoquista.
Nestas condições, que são o oposto das desejáveis e indispensáveis ao renascimento da defunta pujança tomarense, concluí que não adianta, antes cansa cada vez mais em termos psicológicos, porfiar remando contra a maré de conformismo de uma população que continua à espera de milagres, mesmo quando nem sequer reza ou frequenta a igreja.
Tudo devidamente ponderado, conquanto tenha presente a conhecida máxima "nunca digas nunca", DESISTO! Não contem comigo como candidato na próxima refrega eleitoral tomarense. Como é uso dizer em português popular, para que todos percebam: Não há condições, não há artista! Outros farão o espectáculo. Tudo indica que tão bom como até agora.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Empresários tomarenses pretendem comprar comboio turístico

Os empresários tomarenses Ivo Manuel Santos e José António Antunes acabam de apresentar à ACITOFEBA uma proposta de compra do comboio turístico pela soma de 25 mil euros, a liquidar no acto de entrega. No documento, a que Tomar a dianteira teve acesso, os dois proponentes garantem que o citado equipamento não será vendido ou de qualquer outro modo levado para fora de Tomar. Asseguram também que pretendem modernizar o comboio, mediante uma reparação geral, a substituição dos estofos e a instalação de ventilação adequada.
No caso de a sua proposta vir a ser aceite, propõem-se assegurar o funcionamento durante todo o ano, a manutenção do actual tarifário, com algumas promoções, a reformulação dos actuais circuitos, tudo em estreita articulação com a Câmara Municipal, o Turismo de Lisboa e Vale do Tejo e a ACITOFEBA, bem como celebrar protocolos com outras instituições privadas, tendo em vista o uso preferencial do equipamento.
A proposta nada diz sobre o futuro profissional do actual motorista/guia, já com alguns anos de experiência, decerto por se tratar de matéria da exclusiva competência da entidade vendedora. Tomar a dianteira já solicitou esclarecimentos sobre essa matéria a um dos intervenientes.
Segundo uma fonte geralmente fidedigna, haverá pelo menos uma outra proposta de compra, que implicaria a ida do comboio para Castelo Branco.
Recorde-se que não há muito tempo a actual direcção da ACITOFEBA deu a conhecer que a exploração do comboio turístico deixara de ser viável, apesar da compra antecipada pela autarquia de cerca de 12 mil bilhetes anuais , a um euro cada, posteriormente distribuídos pelas várias escolas do concelho.
O citado equipamento foi comprado pela ACITOFEBA, com a comparticipação da autarquia e da Comissão da Feira de Santa Iria.

Os contribuintes pagam tudo...


 Segunda-feira, logo pela manhã funcionários da autarquia desmontaram e levaram o palco instalado frente aos Paços do Concelho, local nobre por excelência. Ficou o lixo entretanto acumulado, a mostrar desleixo ou pelo menos falta de coordenação.


Horas depois lá veio então o técnico de salubridade urbana (ou será antes assistente operacional de limpeza?) limpar aquilo. Lá mais para a tarde, pela fresquinha devem vir  os funcionários encarregados de recolher e transportar os vasos para o viveiro municipal. Se fosse uma empresa privada, os mesmos empregados desmontavam o palco, limpavam o chão, recolhiam o lixo, carregavam o palco e os vasos e transportavam tudo. Mas, tratando-se da autarquia, para quê perder tempo a coordenar as coisas, de forma a conseguir-se alguma poupança e mais eficácia?
Os contribuintes pagam tudo. Que remédio!

Há outro caminho?

A nível nacional, haver há; há até vários. Nós é que não estamos em condições de os percorrer. Ou melhor, estar estamos; os nossos credores é que não consentiriam. O que se compreende; tal como todos nós, devem dizer de si para si "Ó Abreu! Olha o meu!". Convém portanto considerar a palavra de ordem do PS uma balela inoportuna e de mau gosto. Quanto mais não seja porque, com a Espanha, a Grécia, Chipre, a Itália, a França e a Inglaterra com elevadas dívidas públicas, em recessão e sujeitos a gravosas medidas de austeridade, faria algum sentido que nos armássemos em campeões de uma insurreição anti-troika? Os gregos bem tentaram ir por aí. Fizeram de conta que aplicavam as medidas, protestaram, lutaram, incendiaram, agrediram, degradaram, votaram e voltaram a votar. Com que resultado prático? Estão melhor agora? Não consta.
Deixemo-nos pois de sonhar com doces ilusões, que não passam afinal de rebuçados eleitorais. Que são terríveis para os diabéticos a viver à sombra do Estado
Já na área local a situação é bastante diferente. Sofremos como os outros as consequências das irresponsabilidades socratinas, mas temos de aguentar também com um executivo que nem coiso nem sai de cima. O problema é de tal modo grave que António Alexandre, um experiente ex-autarca socialista, já defende um executivo de salvação local. E parece-me que tem toda a razão, conquanto essa sua proposta tenha poucas ou nenhumas hipóteses de vingar, sendo a população local o que é.
Em todo o caso, valerá a pena tentar, pois desde 2009 que não estamos a percorrer nenhum caminho, bom ou mau. Estamos apenas e infelizmente em queda vertiginosa no abismo da irrelevância nacional e regional. Paulo Fonseca, o jovem e dinâmico presidente socialista da Câmara de Ourém, outrora um concelho meia hora para lá do sol posto, já veio a público reivindicar, no quadro da futura reforma da justiça, o tribunal de primeira instância do norte do distrito, alegando que Ourém tem mais processos, tem mais população e paga mais impostos do que Tomar. E limitou-se a dizer a incómoda verdade! Onde já chegámos!
Temos assim que por estas bandas não só há vários outros caminhos, como é urgente e indispensável que comecemos a percorrer um deles. Infelizmente, as próximas autárquicas são só daqui a 14 meses. E não é nada certo que delas saia um executivo que não nos envergonhe e seja capaz de pôr fim a esta autêntica calamidade que nos assola.

domingo, 2 de setembro de 2012

É só estragar!




Prosseguem as intermináveis obras da Envolvente ao Convento de Cristo, naquele típico ritmo trepidante do Vale do Nabão. Restabelecido o trânsito da Estrada do Convento, em condições piores do que anteriormente, pois agora os autocarros só podem subir, quando antes das obras subiam e desciam, os trabalhos desenvolvem-se nesta fase na futura cafetaria da Cerrada dos Cães, pomposamente designada no projecto como Terreiro D. Gualdim Pais...
A dita cafetaria comportará na cave as obrigatórias instalações sanitárias, que terão acesso tanto pelo interior do estabelecimento como pela Calçada dos Cavaleiros (dita de Santo André no projecto), faltando agora saber em que condições. As três fotos supra, obtidas esta manhã, mostram o futuro acesso exterior às instalações sanitárias, ao que tudo indica à prova de tremores de terra, por mais violentos que sejam. Basta atentar na imponente armação de heliaço, que levou mais de uma semana a montar. Coisas assim, só mesmo em obras públicas à trouxe-mouxe, que os particulares não têm recursos para tanto desperdício. Mais a mais em tempo de crise...
Resta aguardar a conclusão da obra, para então constatar que, muito provavelmente, tal como as anteriores, terá pelo menos uma lacuna grave. Vai uma aposta?

Isto só mesmo em Tomar!

..."Sem termos a intenção de sermos irónicos, não podemos deixar de referir que, a única vez em que o piso sintético do estádio sofreu uma intervenção, foi para aumentar a sua degradação, tendo sido aparado como se de relva natural se tratasse."...

Vereadores IpT, em proposta entregue no executivo, noticia da Rádio Hertz.

Tinha concluído com um sintético "Sem comentários". Todavia, tudo devidamente ponderado, mudei de opinião. Acho que faz todo o sentido os jardineiros municipais terem aparado a relva de plástico, decerto à espera que ela voltasse a crescer. Afinal, na mesma linha de pensamento, os eleitores tomarenses também votaram nos autarcas que temos, decerto à espera que eles governassem como deve ser. E até os vereadores IpT, ao relançarem agora esta proposta de há dois anos -numa altura em que a autarquia está em demanda com o fornecedor da relva sintética- esperam certamente que no fim de contas sejam os contribuintes a pagar a sua substituição. O costume...


sábado, 1 de setembro de 2012

Desagradável, condenável, mas inevitável

Terá por ventura escapado a alguns leitores o significado profundo da reflexão do experiente Vital Moreira, ontem na Universidade de Verão do PS, em Évora. (Ver post anterior) No meu tosco entendimento,  caldeado pela vida política trepidante do Parlamento Europeu e de Bruxelas, mas também incomodado com a realidade portuguesa e algumas balelas que por aí circulam, o conhecido político encheu-se de coragem, esqueceu a cartilha partidária e admitiu o óbvio: ao contrário do que proclama o PS, não! Não há outro caminho! Não há atalho nem milagre que nos permita evitar uma longa, grave e dolorosa austeridade. Infelizmente!
A confirmar tudo isto, ainda ontem o ministro Gaspar, que não consta seja masoquista ou aprendiz de Salazar, veio à televisão avisar que vêm aí mais cortes, desta vez sob a forma de reduções de pessoal na educação, nas forças armadas e nas de segurança. Argumentação fundamental: há necessidade de reduzir ainda mais a despesa pública e temos mais professores, mais militares e mais polícias por mil habitantes do que na generalidade dos países da Europa do norte, com cujo nível de vida sonhamos, mas sem pagar os concomitantes impostos, ou cumprir as outras implícitas obrigações de cidadania. Somos assim e pronto!
Morto e enterrado assim o alibi do "Há outro caminho", impraticável por ser muito mais caro e demorado, logo irrealista, parece-me que, para mal dos nossos pecados, vem aí muito pior. Mais tarde ou mais cedo terá de chegar a vez das duas regiões autónomas (a Madeira tem uma dívida proporcionalmente muito maior que a Catalunha, a 2ª mais importante autonomia espanhola) e das autarquias, quase todas atascadas em dívidas até ao pescoço e com as respectivas economias locais em recessão. Dado que os eleitos -de qualquer partido ou coligação- nunca ousarão tomar as drásticas mas indispensáveis medidas de saneamento necessárias, pois seria o mesmo que cortar os ramos sobre os quais estão sentados, terá de ser o governo a providenciar soluções atempadas e eficazes.
O problema do endividamento excessivo é uma verdadeira chaga nos países da Europa do sul, cujos eleitos se convenceram que Bruxelas, a Europa, pagaria tudo. Que outra coisa esperar de políticos de carregar pela boca, em geral sem qualquer formação ou experiência prévia em economia ou  em gestão?
Que eu saiba, até à data, só o governo tecnocrático de Mário Monti ousou "pegar o toiro pelos cornos": tem respondido a cada solicitação de ajuda financeira com uma posição inapelável: "de acordo, mas só se, ao mesmo tempo, apresentar a sua demissão". Após o que o governo nomeia uma comissão administrativa, encarregada de implementar tudo aquilo que os eleitos não ousaram e jamais ousariam fazer: reduzir drasticamente as despesas, mediante a redução de pessoal, de subsídios vários, de encargos com edifícios ou transportes públicos... Por isso Manuela Ferreira Leite -conceituada economista- falou em tempos na hipótese de suspender a democracia por seis meses.
Vai uma aposta que, mais cedo do que se pensa, vamos ter comissões administrativas nas autarquias, encarregadas de fazer o trabalho desagradável, inconcebível para os eleitos?
Claro que não fico satisfeito com tão sombrio quanto previsível desfecho. Pelo contrário. Tal como nenhum paciente ou médico fica satisfeito por ter de cortar um braço ou uma perna. Mas que fazer, quando não há outra solução para salvar o doente?