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quarta-feira, 2 de junho de 2010

A AGONIA DO CONVENTO DE SANTA IRIA

Foto 1 - Parte do telhado do antigo Convento de Santa Iria

Foto 2 - Telhado do torreão sul do ex-Convento de Santa Iria, na base do qual está situado o Pego do mesmo nome, local classificado de interesse público desde 1946.

Hotel Indigo, estabelecimento de charme, situado em Puerto Natales -Patagónia

Hotel de charme em Valparaíso (terra natal de Pablo Neruda) - Chile

Hotel de charme em San Gimignano, aldeia típica italiana, nos arredores de Siena

Esta cinco ilustrações para demonstrar (uma vez mais, que água mole em pedra dura...) que quando decidimos escrever sobre determinado assunto já fizemos antes o trabalho de casa, pelo que sabemos bem o que estamos a dizer.
A triste agonia do ex-Convento de Santa Iria atingiu um tal grau que agora resta praticamente fazer o mesmo que no ex-colégio CNA feminino - Deitar tudo abaixo, mantendo apenas as paredes mestras. Até pode ser que potenciais investidores estejam a aguardar isso mesmo para então apresentarem propostas, naturalmente muito abaixo do pretendido pela autarquia. Isto porque num país cujos empresários da construção foram praticamente todos feitos a martelo, como o vinho do Bombarral há uns anos atrás, ddeitar tudo abaixo e fazer de novo é que é bom. Qual património, qual carapuça! Cimento, areia, ferro, tijolo e pladur, dá muito mais rendimento. Em todos os sentidos.
A ideia camarária de um hotel de charme, de pelo menos 4 estrelas, com 60 quartos, mediante o prévio desembolso de milhão e meio de euros = 300 mil contos, sempre foi e é pura poesia, infelizmente sem a qualidade da de Manuel Alegre, por exemplo. Para que os tomarenses possam ter uma ideia mais precisa sobre o carácter fantasista de tal pretensão, apresenta-se um exemplo recente, noticiado na comunicação social.
Contactado pela Câmara de Peniche para instalar e gerir uma unidade hoteleira no Forte daquela cidade, o Grupo Pestana, que explora as Pousadas de Portugal e tem hotéis no Brasil e em África, indagou das condições. Informado de que a cedência do forte seria gratuita, por determinado período de tempo, cabendo ao grupo os custos da adaptação a unidade hoteleira, a qual deveria respeitar a parte em tempos usada como presídio político; seguindo-se depois a exploração, com uma renda anual + uma percentagem sobre os lucros eventuais para os cofres autárquicos, o potencial investidor mandou fazer um estudo de viabilidade. Entregues as conclusões a que chegaram os especialistas de uma empresa idónea, verificou-se que a referida exploração hoteleira só poderia ser rentável com um mínimo de 70 quartos. Apesar da cedência gratuita do Forte. E aqui em Tomar querem milhão e meio à cabeça e só autorizam 60 quartos? Há aqui qualquer coisa que não bate certo... Se calhar porque há autarcas que estão como os nobres franceses logo a seguir à revolução de 1789 -não aprenderam, nem esqueceram nada. Por estas bandas devem julgar que ainda estamos na época das vacas gordas...

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

A RÁBULA CONTINUA EM CENA

Neste mundo, neste país e nesta terra onde habitamos, pouco ou nada acontece por acaso. No jornalismo então, nem pensar. A notícia supra, extraída do PÚBLICO de hoje, com a devida vénia, mostra que é possível manter uma rábula, (mesmo de fraca qualidade), em cena durante vários meses. Anunciada no princípio deste ano, a venda do antigo Convento de Santa Iria foi sendo, em simultâneo, reanunciada e protelada várias vezes. A última até agora conhecida era Junho de 2009. Sem novas desde então, noticia agora o PÚBLICO, com os habituais detalhes (preço-base, tipo de hotel, nº de quartos) e imprecisões (há vários interessados, refere o jornalista. Quem, mais precisamente? Vão decerto aparecer mais, refere-se igualmente. Como é que sabem?) que "Tomar vende Convento de Santa Iria no final de Setembro". Não será precipitada tal afirmação? A actual maioria autárquica, responsável óbvia por tal notícia, não se terá dado conta de que está a vender caça antes de a ter abatido? Ou sabem coisas que os ignorantes cidadãos que somos não sabem nem devem saber?
E se a ideia for apenas manter em lume brando, até ao próximo e muito oportuno adiamento, (naturalmente tornado inevitável por inesperadas dificuldades de última hora), para meados ou finais de Outubro? É que vinha mesmo a calhar! Não vá dar-se o caso de o anunciado leilão ficar deserto, como aconteceu com o golfe de Marvão (ver Cuidado com as toupeiras).
As agências de comunicação são exclentes em "costura", mas cosem quase tudo o que fazem com linhas tão grossas que se topam mesmo de longe e de fora...

domingo, 2 de agosto de 2009

TURISMO DE QUALIDADE???

EL PAÍS de sábado, o1/08/09
MAIS UM TRISTE EXEMPLO
Em Portugal transformou-se num chavão corriqueiro, usado a torto a direito pelos políticos, com intuitos eleitoralistas, o conceito de turismo de qualidade, ou turismo cultural, como o melhor para cada concelho e para o país em geral. Quem assim pensa ou finge pensar, ignora ou faz de conta que ignora alguns aspectos da realidade, que é sempre conveniente ter em conta. Antes de mais, a circunstância de os turistas de qualidade, salvo raríssimas excepções, nunca serem os primeiros a visitar qualquer destino. Só o fazem depois de obtidas informações convergentes e convincentes, geralmente veiculadas pela imprensa, pelos guias especializados, pelos operadores, pelos vendedores das agências de viagens e pelos turístas mais afoitos e/ou menos exigentes, que vieram antes -os "routards" em francês, "trotamundos" em espanhol, "mochileiros" ou "caracóis" em português.
Significa o que antecede que, quem primeiramente estabelece o "padrão turístico" de determinado país, são os turistas mais modestos. O chamado "turismo de pé descalço", depois transformado em "turismo de massas". Ocorre até, paradoxalmente, que muitos "mochileiros" são gente muitíssimo bem instalada na vida, com excelentes ordenados e elevada formação académica que, enquanto são solteiros e/ou jovens, gostam de mudar de estilo durante as férias, o que torna as coisas ainda menos simples.
Todos estes turistas afoitos, ricos ou menos abonados, transmitem depois a amigos e conhecidos, directamente ou via internet, em fóruns especializados, as suas impressões de viagem. É com base em tais informações, caso sejam maioritariament favoráveis, que mais tarde virão os tão desejados turistas de qualidade, para o apregoado turismo cultural.
Infelizmente para todos nós, a imagem de Portugal, em termos de "padrão turístico", como país receptor, não é nada boa. É claro que os turistas estrangeiros, quando interrogados pelos jornais, rádios ou televisões, dizem sempre estar a gostar muito, que é tudo muito bonito e a comida excelente. São pessoas bem educadas e foi assim que lhes ensinaram. Há até um adágio francês segundo o qual "Nunca se deve falar de cordas em casa de enforcados." Porém, quando em conversa com outros turistas, sobretudo com compatriotas ou gente que usa a mesma língua materna, abrem-se: Não há grande qualidade nem boas maneiras, o trânsito é geralmente perigoso, há roubos, a comida é demasiado gorda e demasiado salgada, os empregados hoteleiros e os de mesa carecem em geral de formação adequada, a sinalização é geralmente má, os guias existentes são poucos, caros e de qualidade desigual, a limpeza urbana deixa muito a desejar, etc. etc. etc. Quanto a Tomar, convém ainda acrescentar o mau acolhimento e a manifesta falta de hospitalidade de alguns tomarenses, que parecem ter o rei na barriga, bem como a inexistência de parque de campismo capaz.
Perguntarão alguns leitores como é que conseguimos saber tudo isto. Sem trairmos as fontes, podemos dizer que em geral falamos com os visitantes, lemos publicações especializadas, compramos guias Routard e frequentamos ocasionalmente um ou outro fórum. Mas por vezes nem é necessário ter grande trabalho. O exemplo que encima este artigo foi retirado do periódico espanhol EL PAÍS, de ontem.
O jornalista especializado esteve na Pousada de Santa Isabel, em Estremoz, com quartos duplos a partir de 130 euros/noite, pequeno almoço e IVA incluídos. Não se pode dizer que seja barato, para uma pequena cidade de província, sem grandes atracções turísticas ou outras, num país europeu, mas da grande periferia. Ampliando a ilustração, constata-se que o visitante espanhol diz bem ou muito bem das instalações, dos móveis, da decoração e da paisagem circundante, mas nada sobre a comida. E quando se tratou de classificar, numa escala de um a dez, Arquitectura, Decoração, Conservação, Conforto, Casas de Banho, Ambiente, Pequeno almoço, Atendimento, Sossego e Instalações, atribuiu um máximo de dois 8, quatro 7, três 6 e um 3 para o pequeno almoço. Ter-lhe-ão servido bolotas? Pouco interessa. O importante é que, com tal nota, não voltará decerto àquela pousada. E dela afastará muitos potenciais clientes que terão lido a sua opinião crítica, ou que com ele falarão. É mais um triste exemplo do triste estado em que estamos. Mais grave ainda, porque a referida pousada é gerida por um grupo privado, o grupo Pestana. Oxalá tomem providências urgentes em termos de oferta alimentar, porque um 3 para classificar o pequeno almoço servido, é mau demais. E ainda houve a sorte de Fernando Gallardo, o autor da crítica, nada ter escrito sobre a comida em geral. Caso contrário...

segunda-feira, 25 de maio de 2009

OCUPAÇÃO HOTELEIRA DE MONUMENTOS


O jornal PÚBLICO inseriu na sua edição de ontem, sob o ante-título "Polémica - Transformação de património público em espaços de turismo", um trabalho de duas páginas, assinado Alexandra Prado Coelho. Na página da esquerda, o título é interrogativo: "Há vida para lá dos hotéis de charme ou de luxo?" Segue-se um cabeçalho esclarecedor: "A transformação de monumentos e palacetes em hotéis de charme ou de luxo não é uma novidade. Mas ultimamente algumas propostas originaram polémicas".
Na página da direita, o ordenamento é diferente, com ante-título ("Walter Rossa, especialista em história da arquitectura") e título "Um hotel junto ao Convento de Cristo é "absolutamente inaceitável". Segue-se a peça que passamos a transcrever parcialmente, na parte que aborda a situação tomarense, com a devida vénia à autora e ao PÚBLICO.

"Criar hotéis mesmo que em áreas devolutas anexas ao Convento de Cristo, em Tomar, ou ao Mosteiro de Alcobaça, ambos monumentos classificados pela UNESCO como "Património da Humanidade" "é absolutamente inaceitável", indigna-se o arquitecto Walter Rossa, especialista em história da arquitectura e urbanismo. "Há edifícios que são símbolos nacionais e que o Estado tem que manter como símbolo. Imagine que um grupo rock queria comprar os direitos sobre o hino nacional para fazer uma versão diferente e rentabilizá-lo. Não vamos rentabilizar o hino nem a bandeira, tambédm não vamos rentabilizar o Convento de Cristo."
Elíseo Summavielle, director do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR) descreve o antigo hospital militar junto ao Convento de Cristo e o asilo ligado ao Mosteiro de Alcobaça como "espaços expectantes e não abertos ao público por não terem interesse arquitectónico que justifique a visita." Além disso, lembra, "já sofreram alterações à traça original". Porque é absolutamente necessária a preservação dos edifícios, "está a ser estudada uma reutilização, e a hotelaria é uma das várias hipóteses". Mas sublinha: "Um monumento nacional não pode nunca ser alienado, pode apenas ser concessionado." E cita bons exemplos (embora não sejam Património da Humanidade) como o Hotel do Bussaco ou o Tivoli Palácio de Seteais, que acaba de ser inteiramente restaurado pela cadeia que o explora.
Tomar e Alcobaça são dois casos diferentes, na perspectiva de Paulo Pereira, antigo vice-director do IPPAR (Instituto do Património Arquitectónico). No caso de Alcobaça, o antigo asilo é um espaço que "tem possibilidades de ser reutilizado e adaptado a diversas funções," embora "seja excessivamente grande para ser musealizável".
Já no caso do antigo hospital militar anexo ao Convento de Cristo, Paulo Pereira discorda absolutamente da sua reutilização. "Não tem condições. Teria que ser muito adaptado. A haver reutilização, devia ser apenas para áreas de serviço de apoio à vida do monumento."
A partir daqui a peça continua, mas já sem grande interesse para Tomar, pois aborda os casos do Tribunal da Boa Hora e da antiga sede da PIDE, na Rua António Maria Cardoso.

O comentário de Tomar a dianteira

Há no fragmento da peça que reproduzimos acima aspectos que, no nosso entendimento, seria pecado não realçar. O primeiro é, obviamente, a lamentável situação em que nos coloca, a nós tomarenses e aos alcobacenses. Não somos vistos nem achados no assunto. Distintos cavalheiros, lá longe, opinam em tom definitivo, mas ninguém cuida de saber as opiniões dos moradores, cidadãos com direitos porque pagadores de impostos. Aparentemente somos considerados, por essas sumidades, como uns bandos de gente ignara e geralmente taralhoca, incapaz de entender minimamente estas complexas questões do património. Uma espécie de indígenas atrasados, habitantes de colónias relutantemente administradas por Lisboa e pelos seus quadros esclarecidos.
Acontece, todavia, que estão redondamente enganados. Ambos os conjuntos em questão -Tomar e Alcobaça- foram criados e desenvolvidos por instituições locais, profundamente enraizadas, às quais, em ocasiões e de modos diferentes, a Coroa (hoje diríamos o Estado) deitou a mão, por pura ganância e sede de poder. Convém nunca esquecer este aspecto, que é fulcral para o cabal entendimento de toda a problemática, tanto histórica com actual.
Depois há a questão do real conhecimento dos monumentos mencionados. O próprio título da peça (Um hotel junto ao Convento de Cristo é "absolutamente inaceitável) só pode provocar sorrisos amarelos em todas aqueles, e são muitos, que conhecem bem a Casa Grande da Ordem.
Finalmente, para não alongar demasiado, que não por falta de argumentos, cabe lamentar as infelizes declarações do responsável máximo do IGESPAR. Afirmar que o antigo hospital militar, junto ao Convento de Cristo, não está aberto ao público "por não ter interesse arquitectónico que justifique a visita", constitui simultaneamente um insulto aos tomarenses e uma triste ignorância da realidade. Insulto aos tomarenses, porque é deles o monumento, porque ninguém cuida de saber a sua opinião. Triste ignorância da realidade, porquanto a magnífica Sala dos Cavaleiros, com tecto em madeira policromada do século XVII, é a melhor, ou pelo menos das melhores do País, pelo que sustentar que não tem interesse arquitectónico é pura miopia etnocêntrica. Triste ignorância da realidade, enfim porque o ex-hospital militar foi sempre, desde a sua construção, a enfermaria do Convento, do qual é parte integrante. Não está junto ao Convento de Cristo. É o Convento de Cristo.
Resta agora aguardar que a autarquia se encha de coragem e, através do executivo ou da Assembleia Municipal, ou de ambos, proteste contra semelhantes atentados ao bom senso por parte do dirigente máximo de um organismo do Estado.

(Os negritos são de Tomar a dianteira)

sexta-feira, 3 de abril de 2009

QUANDO A ESMOLA É GRANDE...

O aforismo é conhecido -Quando a esmola é grande, o santo desconfia. Pois é isso mesmo que está a acontecer em Tomar. Num ano de eleições para o governo e para a autarquia, já foram anunciados um hotel de charme + um campo de golfe, para os Pegões; um hotel de charme de 4 estrelas para o antigo convento de Santa Iria e, esta semana, + um hotel de charme de 5 estrelas, + outro de 4 estrelas e 200 quartos, + um spa, + um parque temático, tudo na quinta da Granja. Estão igualmente anunciados um outro hotel entre a Av. Nun'Álvares e o acesso à Ponte do Flecheiro, bem como um outro, de charme pois claro!, no prédio das Mouzinhas, ali no Largo do Pelourinho. Convenhamos que é muita fruta ou, em linguagem de caridade, que a esmola é demasiado grande. E os tomarenses, já escaldados com a anterior história do parque temático, anunciado pelo PSD aquando das últimas autárquicas e que nunca mais se concretizou, já estão de pé atrás.
Desta vez até houve visita guiada para dirigentes do Turismo do Vale do Tejo e outros, técnicos de turismo não especificados, descrição dos investidores, técnicos e consultores, bem como manchete no Cidade de Tomar. Não foram, todavia, esclarecidos aspectos essenciais, nem respondidas perguntas implícitas fundamentais: Trata-se de investimentos privados sem participação estatal? Trata-se de investimentos largamente subsidiados quer pelo Estado, quer pela União Europeia? Foram feitos estudos de mercado credíveis? Há garantias de ocupação média anual de pelo menos 30%, para tanto quarto a construir? Sabe-se, pelo menos, que aquém desse valor médio de ocupação, ou há milagre ou há falência?
Tudo incógnitas para apostas demasiado importantes. Assim por alto, temos 60 quartos em Santa Iria + pelo menos outros 60 nos Pegões +60+200 na Quinta da Granja+30 pelo menos nas Mouzinhas+pelo menos 80 no Hotel dos Templários, ou seja um total mínimo de 290 quartos de 4/5 estrelas na primeira fase, logo seguidos dos outros 200 de 4 estrelas, anunciados para a Quinta da Granja, 500 quartos, números redondos. Conseguir-se-á a tal ocupação média anual de pelo menos 30% = 150 quartos de 4/5 estrelas ocupados todos os dias do ano, em média? Não haverá por aqui um pouco de megalomania?
A Pousada do Castelo do Bode encerrou, a Estalagem do Vale Manso, do outro lado da barragem, também fechou. No Algarve, os hoteleiros de 4/5 estrelas, confrontados com enorme falta de clientes, aproveitam para fazer obras e dar férias antecipadas ao pessoal, enquanto esperam que passe a crise. Entretanto, no Japão, a crise já dura há mais de 10 anos e ninguém consegue prever quando e se acabará. Entretanto Jacques Attali, um dos melhores e mais escutados especialistas em prospectiva, opina que "a ostentação já não está na moda, pelo que vamos entrando num longo período de preços de saldo em todos os sectores." Entretanto, bancos, seguradoras e outras grandes empresas, vão cortando nos prémios aos gestores, nas ajudas de custo, nos cartões de crédito, exactamente tudo aquilo que permitia a proliferação dos campos de golfe e dos hotéis de charme, pois as taxas de valor acrescentado já não permitem essas "loucuras".
Como se tudo isto não fosse já bem sombrio, aqui em Tomar subsiste um velho e crónico problema -a falta de qualidade e a carência de profissionais qualificados. A comitiva que visitou a Quinta dea Granja e outros locais, era composta fundamentalmente por funcionários, cujas competências em termos de turismo e de governação de negócios estão por demonstrar. Pior ainda: O único empresário hoteleiro da zona com algum sucesso, que ainda por cima é do PSD, não fazia parte do citado grupo. Porque terá sido? O facto é tanto mais estranho quanto é certo que o projecto previsto para o prédio das Mouzinhas será um empreendimento dele. Estamos a falar de José Cristóvão, dono do Hotel dos Templários, da Estalagem Lago Azul, do Barco S. Cristóvão e de um Hotel em Luanda. Terá sido simples esquecimento de quem convidou? Ou foi o jornal que se esqueceu de referenciar a sua presença?
Sem respostas às questões colocadas, resta-nos lembrar, uma vez mais, a quem possa interessar,
que nunca ninguém conseguiu plantar meloeiros e depois colher ananases. O que se compreende, pois afinal, alguém tendo vivido sempre no fundo de um poço, julgará que o mundo é apenas aquele pequeno círculo que ele vê cá em cima...

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Quando vires as barbas do vizinho a arder...


Sabe-se do reiterado interesse da autarquia tomarense em vender o antigo Convento de Santa Iria, incluindo as antigas instalações do Colégio Nun'Álvares feminino. Avançam, como base de licitação para aquele amontoado de ruínas, 1,5 milhões de euros, 300 mil contos em moeda antiga.
O presidente da autarquia afirmou recentemente que "já há interessados". Consideramos tal hipótese surpreendente, nas condições actuais, pelo que julgamos útil reproduzir uma "local" da Lusa, publicada no Público de hoje. Os sublinhados, sob forma de negrito, são nossos.
MOURA QUER CONVENTO REABILITADO COMO HOTEL
O município alentejano de Moura (Distrito de Beja), lançou um concurso público internacional para a concessão do antigo Convento do Carmo, com vista à reabilitação e exploração do monumento de interesse público como unidade hoteleira.
Segundo o vereador Santiago Macias, a Câmara decidiu lançar o concurso público internacional após ter contactado vários grupos hoteleiros nacionais, que "não se mostraram interessados" em adquirir a concessão, reabilitar e explorar o convento.
Se não aparecerem candidatos, garantiu o autarca, a Câmara "não vai desistir" e "retomará o processo para encontrar uma solução para a necessária reabilitação do convento", um monumento emblemático de Moura, "com uma notável qualidade arquitectónica" e classificado como Imóvel de Interesse Público.
O convento, cujas origens remontam à Idade Média, situa-se junto à Igreja de Nossa Senhora do Carmo, padroeira de Moura, e inclui um refeitório quinhentista, um claustro, várias alas circundantes e uma área de logradouro. Durante muitos anos funcionou como hospital, encontrando-se devoluto desde o início dos anos 90 do século XX, quando entrou em funcionamento o Centro de Saúde de Moura.