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sexta-feira, 9 de julho de 2010

COMO SEMPRE DEMASIADO CRÉDULO...

Como sempre demasiado crédulo, na natural bondade, na honestidade e na sinceridade dos homens. Sobretudo quando se afirmam sinceros defensores da coisa pública e incansáveis trabalhadores em prol do progresso. Ou, visto de outro modo, mais uma viagem à senhora da asneira. Explicando.
Aqui há uns quatro ou cinco anos (como o tempo passa!), tendo lido e ouvido falar numa ida ao Convento através da antiga Cerca, de uma plêiade de tomarenses, liderados pelo então presidente António Paiva, embora não convidado, lá foi reconhecer o terreno na véspera. Pensei que para tão ilustre grupo tudo teria sido devidamente limpo e arranjado. Estava enganado. Arranhei-me todo, mas depois da visita, tendente a preparar a empreitada de requalificação do acesso pedonal ao Convento através da Mata, considerei-me ressarcido - posteriormente, não houve nenhum participante na aventura paivina que não me tenha dito o pior da iniciativa. Até fundadores do PSD local...





Passaram os anos, mudou a presidência, veio a crise que aí está, para medrar e durar. Começaram as obras da estranha empreitada da Mata que (há acasos curiosos!) foram adjudicadas por um duo de empresas: a Vedap, especialista em vedações e jardins, em parceria com a Aquino SA, cujo responsável operacional é... António Paiva, o anterior presidente da câmara de Tomar e "pai" do dito projecto.
O vereador da cultura e do turismo, Luís Ferreira, decidiu apadrinhar a comemoração do cerco ao Castelo, em 1190, cujo principal episódio (ao que se diz, mas carece de qualquer fundamento sério), ocorreu na Porta da Almedina, desde então popularmente designada por Porta do Sangue.
Pensei para comigo -Desta é que foi! Devem ter procedido à limpeza e ao alindamento de tudo aquilo, de forma a não desencorajar futuros passeios do mesmo tipo. E lá fui, cheio de esperança, convicto de que finalmente as coisas estavam mesmo a mudar.
Aquele agradável e longo túnel de arvoredo, antes tão carecido de limpeza e agora já como melhor aspecto, mesmo que sem grande qualidade nos detalhes, impeliu-me em direcção à Charolinha.
Fiquei encantado! Tinham finalmente cuidado daquela circular edícula renascença, única no país. Abençoados sejam! E zarpei alvoraçado, rumo à Porta da Almedina, que julgava eu, pobre ingénuo, iria rever finalmente como no tempo do jardineiro Matos, nos idos de 60 do século passado. Quando tanto os jardineiros como os guardas do convento auferiam mensalmente a soma fabulosa de 640 escudos = 3,20 euros.

Foi a completa desilusão! Continua tudo ao abandono, conforme documentam as fotografias. Muito pior do que nas savanas africanas, porque o raio das silvas arranham que se fartam. E não se consegue ver nada de jeito. Nem sequer a única cruz tutelar templária conhecida em Portugal.
De regresso a casa, tive de calcorrear o tapete de pó em que as obras (que estão paradas, vá-se lá saber porquê...) transformaram a antiga via de acesso à Almedina. Quando cheguei, disseram-me que mais parecia um peregrino do século XII, ao chegar a Santiago, com a parte inferior das calças, os sapatos e as meias, tudo cor da terra.
Aqui fica o aviso aos incautos. Se tencionam participar na brincadeira (com o devido respeito pelo Mestre Jana e por todos os que, de boa mente, apenas pretendem o melhor para Tomar), do próximo domingo, dia 11, a partir das 10 da manhã, já sabem: garrafinha de água, cajado ou bengala para afastar a vegetação, sandálias com meias espessas, calças resistentes e camisa de mangas compridas, por causa das arranhadelas. Muita pachorra e coragem para dizer a quem de direito que assim não. As coisas ou se fazem com qualidade, ou vale mais estar quieto. Fica mais barato e não desilude ninguém. Assim como assim, até já começamos a estar habituados.

António Rebelo

segunda-feira, 5 de julho de 2010

APANHA-SE MAIS DEPRESSA UM BRINCALHÃO......

O ditado não é bem assim, mas pareceu menos violento usar "brincalhão" em vez do termo mais conhecido. Temos por conseguinte um novo anexim: Apanha-se mais depressa um brincalhão do que um coxo. Mas vamos por partes. Cada coisa a seu tempo.
A ilustração supra mostra a Praça de S. Marcos, em Veneza, tal como a vê quem chega do aeroporto pelo barco rápido da carreira.
Veneza, como se sabe não tem automóveis, substituídos por barcos. Tem cerca de 90 mil habitantes + 210 mil em Mestre e na restante periferia. Recebe mais ou menos 50 milhões de turistas por ano, com picos de 50 mil diários nos sábados e domingos de Verão. Chegam pelo aeroporto internacional Marco Polo, a 12 quilómetros, pela Estação de Caminho de Ferro de Santa Lúcia, (com 30 TGV diários, para Florença, (2 horas), Roma (4 horas e 40), Nápoles (6horas), ou para Milão (hora e meia), Turim e norte da da Europa), ou nos barcos de cruzeiro e nas carreiras marítimas internacionais.

Um aspecto do Grande Canal, a principal via de comunicação de Veneza, numa foto bem matinal, quando ainda não havia vaporetos, nem lanchas-taxi, nem gôndolas.

A ponte do Rialto, sobre o Grande Canal, com a galeria comercial ao meio e uma larga via pedonal de cada lado. Para se ter uma ideia do nível de preços em Veneza, aqui vão três exemplos: Dormida + pequeno almoço para duas pessoas, num hotel de 3* muito próximo da Praça de S. Marcos, 220 euros por noite; 2 chás e 2 tartes de maçã numa esplanada da mesma praça, com música ao vivo, 52 euros; Almoço de prato único mais sobremesa e uma garrafa de água, num restaurante modesto, 35 euros por pessoa.
Munidos destas informações, façam o favor de ler pausadamente esta notícia do jornal I de hoje:

Já está lida e bem percebida? Então agora convém reparar neste mapa, que representa Veneza, a lagoa e a sua periferia:

O aeroporto Marco Polo, onde aterram os aviões Lisboa-Veneza, situa-se em cima, ao meio. A estação de caminho de ferro de Veneza-Santa Lúcia (60 euros por pessoa em TGV para Veneza-Florença), fica onde está a indicação SR11, em fundo azul. A Praça de S. Marcos fica exactamente por baixo das letras ne de Venezia. Aquela espécie de cobra a azul, que serpenteia entre Venezia e SR 11, é o Grande Canal. Finalmente, a tal Isola de Sant'Angelo, agora posta à venda pelo governo italiano, conforme informa a notícia, está assinalada a vermelho, no ângulo inferior esquerdo.
Temos assim que uma ilha com um panorama incomparável e a poucos quilómetros de Veneza, com as ruínas de um convento beneditino do século XII, a menos de meia hora do aeroporto internacional, dos TGV, dos barcos de cruzeiro e dos 50 milhões de visitantes anuais, "pode vir a ser vendida por 1,9 milhões de euros, caso seja permitido recuperar o mosteiro para construir uma casa grande." "Pode vir a...", é apenas uma hipótese, a verificar posteriormente.
Ao mesmo tempo, a câmara de uma pequena cidade provinciana, perdida a duas horas de comboio de Lisboa, sem aeroporto, nem porto, nem TGV, a mais de 2 mil quilómetros da Europa Central, e recebendo apenas cerca de 150 mil visitantes por ano, tantos como Veneza recebe em três domingos de Verão, pretende vender por 1,5 milhões de euros umas construções em ruínas, ainda por cima com a obrigação para o comprador de ali construir um hotel, de charme, com 60 quartos, e de pelo menos 4 estrelas. Só falta indicar os preços a praticar e a cor dos cortinados...
Mais um exemplo de que os nossos autarcas são cá uns brincalhões!
No fundo, são sempre as mesmas carências -falta de ideias, falta de realismo, falta de trabalho de casa, falta de honestidade intelectual, falta de coragem e falta de mundo.
Mas lá está: Apanha-se mais depressa um brincalhão do que um coxo. E com coisas sérias nunca se deve brincar. É o que costuma dizer o povo. E o povo é que escolhe.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

A AGONIA DO CONVENTO DE SANTA IRIA

Foto 1 - Parte do telhado do antigo Convento de Santa Iria

Foto 2 - Telhado do torreão sul do ex-Convento de Santa Iria, na base do qual está situado o Pego do mesmo nome, local classificado de interesse público desde 1946.

Hotel Indigo, estabelecimento de charme, situado em Puerto Natales -Patagónia

Hotel de charme em Valparaíso (terra natal de Pablo Neruda) - Chile

Hotel de charme em San Gimignano, aldeia típica italiana, nos arredores de Siena

Esta cinco ilustrações para demonstrar (uma vez mais, que água mole em pedra dura...) que quando decidimos escrever sobre determinado assunto já fizemos antes o trabalho de casa, pelo que sabemos bem o que estamos a dizer.
A triste agonia do ex-Convento de Santa Iria atingiu um tal grau que agora resta praticamente fazer o mesmo que no ex-colégio CNA feminino - Deitar tudo abaixo, mantendo apenas as paredes mestras. Até pode ser que potenciais investidores estejam a aguardar isso mesmo para então apresentarem propostas, naturalmente muito abaixo do pretendido pela autarquia. Isto porque num país cujos empresários da construção foram praticamente todos feitos a martelo, como o vinho do Bombarral há uns anos atrás, ddeitar tudo abaixo e fazer de novo é que é bom. Qual património, qual carapuça! Cimento, areia, ferro, tijolo e pladur, dá muito mais rendimento. Em todos os sentidos.
A ideia camarária de um hotel de charme, de pelo menos 4 estrelas, com 60 quartos, mediante o prévio desembolso de milhão e meio de euros = 300 mil contos, sempre foi e é pura poesia, infelizmente sem a qualidade da de Manuel Alegre, por exemplo. Para que os tomarenses possam ter uma ideia mais precisa sobre o carácter fantasista de tal pretensão, apresenta-se um exemplo recente, noticiado na comunicação social.
Contactado pela Câmara de Peniche para instalar e gerir uma unidade hoteleira no Forte daquela cidade, o Grupo Pestana, que explora as Pousadas de Portugal e tem hotéis no Brasil e em África, indagou das condições. Informado de que a cedência do forte seria gratuita, por determinado período de tempo, cabendo ao grupo os custos da adaptação a unidade hoteleira, a qual deveria respeitar a parte em tempos usada como presídio político; seguindo-se depois a exploração, com uma renda anual + uma percentagem sobre os lucros eventuais para os cofres autárquicos, o potencial investidor mandou fazer um estudo de viabilidade. Entregues as conclusões a que chegaram os especialistas de uma empresa idónea, verificou-se que a referida exploração hoteleira só poderia ser rentável com um mínimo de 70 quartos. Apesar da cedência gratuita do Forte. E aqui em Tomar querem milhão e meio à cabeça e só autorizam 60 quartos? Há aqui qualquer coisa que não bate certo... Se calhar porque há autarcas que estão como os nobres franceses logo a seguir à revolução de 1789 -não aprenderam, nem esqueceram nada. Por estas bandas devem julgar que ainda estamos na época das vacas gordas...

domingo, 30 de maio de 2010

POBRE PAÍS! POBRE TERRA! POBRE GENTE!





A antiga Cerca Conventual, agora pomposamente designada Mata Nacional dos Sete Montes, é um perfeito espelho do país e da cidade. Enquando do lado norte se fazem obras de 200 mil euros, em grande parte supérfluas, numa via praticamente inútil; do lado sul, a Charolinha, uma edícula renascença única no país, da segunda metade do século XVI, obra de Diogo de Torralva, está como as fotografias documentam. A ser comida pouco a pouco pela vegetação invasora.
Se a conservação desta preciosidade permitisse uma empreitada de pelo menos 100 mil euros + alcavalas diversas, já teria sido limpa e cuidada há muito tempo. Ai já! já! Agora assim, longe de Lisboa, longe do IGESPAR, longe do Convento, longe da cidade, há-de morrer aos poucos, vítima da indiferença dos homens e das inclemências do tempo. Parafraseando o vereador Luís Ferreira -Conservação do património?! É já a seguir!!!
Pobre país! Pobre terra! Pobre gente!

sexta-feira, 28 de maio de 2010

TURISMO E PATRIMÓNIO - QUATRO CASOS

Foto 1 - Palácio de Fontainebleau

Foto 2 - Palácio de Versailles

Foto 3 - Palácio de Chambord

Numa altura em que tanto se fala de turismo, e até de turismo cultural, publicamos 4 fichas sucintas, sobre outros tantos monumentos, para que os nossos leitores possam comparar. E pensar um bocadinho, se não estamos a pedir demasiado.

Palácio de Chambord (Foto 3) Designação oficial "Domaine national do château de Chambord". Director Jean d'Haussonville, diplomata. Vencimento situado entre 7 e 13 mil euros mensais. Alojamento gratuito no monumento. 9,5 euros cada entrada com audioguia, ou + 5 euros visita guiada ao vivo. Estacionamento pago. 3 euros motos, 5 euros automóveis e autocaravanas, 30 euros autocarros. 750 mil visitantes/ano, 50% estrangeiros. 145 funcionários para 1530 divisões e 114 hectares de mata. Orçamento anual 13 milhões de euros, dos quais 2 milhões para obras.

Palácio de Fontainebleau (Foto 1) Designação oficial "Domaine national du château de Fontainebleau". Director Jean-François Hébert, anteriormente secretário-geral do Ministério da Defesa. Vencimento entre 7 e 11 mil euros mensais. Alojamento gratuito no monumento. 8€ cada entrada com audioguia. 3 espaços visitáveis unicamente com guia ao vivo, a 6,5€ cada um. Estacionamento pago pelas tarifas urbanas. 350 mil visitantes/ano. 114 funcionários. Orçamento anual 6 milhões de euros.

Palácio de Versalhes (Foto 2) Designação oficial "Domaine national du Château de Versailles". Director Jean-Jacques Aillagon, ex-Ministro da Cultura. Vencimento entre 10 e 14 mil euros mensais. Alojamento gratuito, mobilado e equipado de 250 metros quadrados, no monumento. Cada entrada 18 euros, ou 25 euros quando os repuxos estão a funcionar, com audioguia em 10 idiomas. Estacionamento pago pelas tarifas urbanas. 6 milhões de visitantes/ano, dos quais 75% de estrangeiros. Orçamento anual 112 milhões de euros, com 60% de receitas próprias. 36 milhões de euros de doações mecenáticas nos últimos 3 anos. Cerca de mil funcionários para 272.500 metros quadrados construídos.

Convento de Cristo - Tomar Mesma designação oficial. Directora Iria Caetano, ex-directora do Panteão Nacional de Santa Engrácia. Vencimento inferior a 5 mil euros. Sem direito a alojamento. 6 euros cada entrada, sem audioguia nem visitas guiadas. 140 mil visitantes ano. Percentagem de estrangeiros não contabilizada. Estacionamento gratuito, mas sujeito a roubos frequentes, Orçamento anual desconhecido. Total de receitas próprias não comunicado. Algumas doações mecenáticas. 35 funcionários para uma superfície ainda por determinar na sua totalidade.

terça-feira, 11 de maio de 2010

SOMA E SEGUE...

Soube-se hoje, através dos sites d'O Templário e da Rádio Hertz -A câmara exerceu o direito de preferência e vai adquirir, por 350 mil euros = a 70 mil contos, o complexo desportivo da falida Cooperativa de Habitação Nabância. O conjunto inclui, designadamente, pavilhão desportivo, ginásio, bar, estabelecimento comercial...e a sede do semanário dirigido por José Gaio, num total de 2.215 metros quadrados construídos. Soube-se também mais tarde que a decisão foi tomada por unanimidade, embora ninguém nos tenha conseguido explicar até agora, para que quer a autarquia o conjunto edificado a adquirir. Tem planos? Que planos? Geridos ou gerir por quem?
De há anos a esta parte, o Município de Tomar, através do seu executivo, tem vindo a adquirir sucessivos bens imobiliários, para os quais nunca apresentou qualquer plano de gestão, razão pela qual, salvo uma ou outra excepção, são verdadeiras esponjas dos recursos municipais, com pouco ou nenhum proveito para os contribuintes. É o caso da moagem, da central eléctrica, dos lagares, do ex-Convento de Santa Iria, do ex-Colégio Feminino, da Casa dos Tectos, da Casa Amarela e do Cine-Teatro, que fazem da Câmara o segundo maior proprietário de imóveis do concelho, logo a seguir ao Estado. Uma situação de tipo alentejano, ou de qualquer cidade situada num país antes comunista.
Poder-se-á alegar que em quase todos esses casos, não havia outros interessados. É verdade. Mas em relação à casa amarela, da Rua Joaquim Jacinto, e a este da Nabância, a maioria autárquica resolveu intrometer-se em negócios privados, numa atitude nada agradável para os interessados, que tenderá a repelir cada vez mais investidores. Para quê ? Quais são os projectos camarários para os citados imóveis ?
Nem sendo a bem dizer uma surpresa, e constando na urbe que se trata de um bom negócio, pois só o aluguer pago pelo café dá para suportar os encargos do empréstimo a contrair para honrar a assinatura autárquica, há munícipes que ainda assim se interrogam. Uma entidade encalacrada em dívidas, que segundo fontes credíveis ascendem já a mais de 100 euros por eleitor concelhio, continua a comprar imóveis a crédito. Com que fito? Vir a ganhar dinheiro nessa área de negócio? Ou estaremos como no caso daquelas senhoras que têm nos armários peças de roupa que nunca usaram, e que compraram só porque eram muito baratas?
Já agora, como parece resultar deste caso da Nabância que os senhores autarcas, todos eles, não têm medo das dívidas, aqui lhes avançamos uma sugestão, de grande alcance desportivo e social. Podiam comprar o União de Tomar, por 1 euro simbólico + o pagamento dos 115 mil euros ao fisco. Mudavam o nome, que passaria a ser União Futebolística Camarária dos Indomáveis Templários - UFCIT. Ou mais abreviadamente Os Indomáveios Templários Camarários.
Naturalmente, treinador, director desportivo, jogadores, massagista, etc. etc., passariam a funcionários públicos, pagos pelo orçamento camarário. Um ou dois anos mais tarde, após bastantes treinos intensivos dos locais, a autarquia compraria também o Liverpool e o Paris St. Germain, que por acaso estão à venda. Depois era só organizar jogos triangulares, bem entendido transmitidos em directo pela BBC e pelo Canal+, actual proprietário do clube parisiense. Ia ser um sucesso do caneco, não vos parece? Mais de 5o mil pessoas deslocar-se-iam ao Campo de Treinos António Paiva, para assistir a cada jogo, mesmo transmitido em directo na TV nacional e estrangeira. Estrelas são estrelas! Grandes acontecimentos são coisas fora de série! A não perder!
O campo de treinos não tem bancadas, nem balneários, nem sanitários, nem relva, nem acessos em condições? Pois seria uma excelente ocasião para cravar à União Europeia -que não sabe o que fazer ao dinheiro de que dispõe- um estádio de 50 mil lugares sentados (no mínimo!!!), chaves na mão, que é como quem diz pronto a usar. Quem ousaria recusar semelhante ninharia, para se acolherem jogos entre a camarilha, perdão!, entre os Indomáveis Camarários Tomarenses e o Liverpool, ou o PSG, ambos grandes clubes europeus ? O Durão Barroso ? Teríamos aí o intrépido tomarense Miguel Relvas para o convencer! Os nabantinos perderiam sempre e por muitos? Que importância tem isso? Ganhariam sempre o mesmo ao fim do mês, e o que importa realmente é promover a cidade. (Para quê? Lá estão vocês com perguntas insidiosas! Derrotistas! Metecos! Anti-unionistas!)
Continuam buscando em vão uma saída airosa para a crónica crise unionista? Pois aí a têm! É preciso é muita coragem e fé em Deus. Tal como quando os nossos antepassados foram até à Índia. Depois não nos venham dizer que ninguém tenta ajudar!

terça-feira, 20 de abril de 2010

MAZELAS TOMARENSES - MONOS MUNICIPAIS

Foto 1

Foto 2

Foto 3

Foto 4

MONOS MUNICIPAIS

Há-os por todo o lado e em todo o país (e no estrangeiro também). Neste caso, porém, merecem especial destaque porque são demasiados, porque já existem há muitos anos e porque são municipais. Estamos a falar de monos, o mesmo que mercadorias que não encontram compradores e que ninguém quer. Assim tipo ex-Convento de Santa Iria...
A foto 1 mostra aquilo que podemos apelidar de "Mono misterioso". Edificado aquando da empreitada dita de requalificação, mas que afinal acabou por desfigurar gravemente o tradicional Mouchão, tão do agrado dos tomarenses de berço ou de opção e dos visitantes, nunca os senhores autarcas julgaram útil explicar-nos para que serve ou virá a servir. O que significa que votaram um projecto sem terem consciência daquilo que estavam a fazer. Atitude criticável, pois se nenhum autarca é obrigado a saber ler projectos, mandam a decência e a honestidade que tenha a humildade de pedir esclarecimentos, de forma a poder decidir sabendo o que está em causa. Neste caso, resta-nos a pergunta venenosa: Não tiveram coragem para enfrentar e desagradar ao chefe Paiva, não foi ? Então agora aguentem-se !
A ilustração 2 é do "Quiosque Pirilampo": Alguém da autarquia, a dada altura, provavelmente numa noite de insónia, teve uma ideia luminosa, tipo rabiosque de pirilampo. -Um quiosque ali no jardim da Várzea Pequena é que era ! Mostra-se obra feita e os contribuintes pagam e não bufam. Não serve agora para nada ? Paciência ! Deixem-no estar que fica mais mais barato do que removê-lo.
A ideia de ajudar um munícipe deficiente esteve na base do quiosque da foto 3. Já lá vão quase trinta anos. Como o tempo passa ! Também neste caso, deixar estar é mais em conta do que remover. Mas se actual maioria fosse realmente "despachada", entre outras coisas, já teria providenciado no sentido de o alugar à J. C. Decaux, para afixação de cartazes. Ou até a um partido político, para propaganda e esclarecimento permanente...
Finalmente, na foto 4, um exemplo perfeito da actual política camarária, mera continuação da de António Paiva. Junto a prédios valiosos que foram oferecidos à autarquia, e que se degradam irremediavelmente de dia para dia, por evidente falta de manutenção, obras de tipo faraónico, cuja utilidade e prioridade não são nada evidentes.
Gostaram tanto do primeiro paredão que já estão a fazer outro. Quando lhes entrará nas respectivas monas que aquilo é praticamente inútil ? Se as cheias não entrarem por ali, entram pela Levada. Ou pela Várzea Pequena...
Bem andaram os responsáveis da ECOEDIFICA que já aproveitaram o primeiro troço edificado do novo paredão para, à boa maneira portuguesa, improvisarem um refeitório para os trabalhadores. Com vista para o rio e tudo ! Agora só faltam as canas de pesca.

domingo, 11 de abril de 2010

VÃO-SE OS TELHADOS POR FALTA DE TELHÕES

Pois é. Lá ruiu mais um telhado do ex-Convento de Santa Iria. Nitidamente por falta de ideias...e de telhões. Sem uma coisa nem outra, alguns dos nossos autarcas recusam-se obstinadamente a dar o braço a torcer. A render-se às evidências: Ninguém aceitará comprar aquilo por milhão e meio de euros, nem coisa parecida. Porque o sítio é muito problemático em termos de construção. Porque a autarquia tem fama de complicar, em vez de simplificar. Porque a cidade está a definhar a olhos vistos. Porque os autarcas que temos, ou se vão calando (PSD), ou vão falando, falando, mas não lhe acodem... Os tomarenses e os visitantes olham, meditam e ficam com a imagem, de telhões irremediavelmente caídos. Triste sina, nesta época de viagra...

Outra vítima da incúria, do deixa andar, do improviso, do desenrasca, do logo se vê. Cismou-se num museu polinucleado, achou-se muita piada à ideia e vá de a candidatar a fundos europeus. Lá se irão mais alguns milhões de euros, num óbvio elefante branco que apenas proporcionará mais alguns lugares bem remunerados, naturalmente para os afilhados de quem estiver no poleiro na altura da conclusão das obras. Se chegar a haver conclusão, que os tempos já não estão nada para brincadeiras de mau gosto. E não se vislumbram melhoras. Pelo contrário.

Mais um exemplo de desmazelo e falta de telhões. Neste antigo lagar/moínho da Ordem de Cristo, jaz o arquivo da Manuel Mendes Godinho e Filhos, Fábricas Mendes Godinho e Casa Bancária Manuel Mendes Godinho. Pelo caminho que as coisas levam, vai acontecer como no caso do ex-Convento de Santa Iria, na oposta margem do Nabão. Quando já não houver grande coisa para salvar, começarão as obras do tal museu milagroso. É mais um caso em que se fica a ver, os telhões caídos...
Último exemplo de incúria, nesta série dos telhados que caem, por nítida falta de telhões. Neste caso trata-se das instalações da antiga moagem "A Portuguesa", uma das primeiras do país, de princípios do século passado. Será, ao que consta, um dos núcleos do dito museu/elefante branco, caso haja telhões suficientes para levar o empreendimento até ao fim.
Tal como as ilustrações anteriores deixam perceber, o grande problema de muitos tomarenses, sobretudo de quase todos os autarcas, é a enorme e evidente desproporção entre o ego demasiado grande e outras coisas demasiado pequenas. Ou mesmo inexistentes. Essa é que é essa ! Contra factos, pouco adianta argumentar.

domingo, 7 de março de 2010

EM FRANÇA: CAMA E MESA NOS MONUMENTOS NACIONAIS

O palácio de Oiron-Deux Sèvres-França, jóia do renascimento, foi revitalizado como museu de arte contemporânea

Com a persistência da crise, é chegada a hora de procurar rentabilidade por todo o lado. Nem os monumentos históricos pertencentes ao Estado escapam. Para aumentar o número de visitantes e, sobretudo, as receitas, o governo francês encara a hipótese de fornecer cama e mesa em palácios multi-seculares, fortalezas ou abadias, à maneira dos Paradores, rede espanhola de hotelaria pública, criada em 1928.
O projecto de reconversão avança desde a assinatura, em 6 de Novembro de 2009, pelo ministro da cultura, Frédéric Mitterrand, e Henri Novelli, secretário de estado do comércio e do turismo, da convenção-quadro "Cultura e turismo", que permite a actividade económica "razoável e respeitadora" das jóias classificadas do património estatal gaulês.
Os vinte monumentos potencialmente escolhidos para hotéis, cujo impacto é mais perigoso do que o dos restaurantes, previstos para treze locais históricos, estão a ser objecto de um estudo específico, encomendado pelo Centro dos Monumentos Nacionais (equivalente ao IGESPAR+Monumentos Nacionais+Direcções Regionais de Cultura) à "Atout France", Agência Nacional de Desenvolvimento Turístico (empresa pública). O Centro dos Monumentos Nacionais tem a seu cargo a manutenção, o restauro e a exploração turística de cem monumentos franceses, visitados em 2008 por 8,5 milhões de pessoas. Pouca coisa, realmente, quando comparado com os 5 milhões de entradas pagas só no Palácio de Versalhes, e ainda por cima conseguido sobretudo graças aos 6 líderes nacionais, que representam 66% das receitas globais: Arco do Triunfo (um milhão e meio de entradas), Mont S. Michel, Basílica de S. Denis, Panteão Nacional, Cintura de Muralhas de Carcassonne e Notre-Dame de Paris.
A maioria dos monumentos geridos pelo Estado consegue menos de 20 mil visitantes anuais. Os menos rentáveis não chegam sequer aos 1o mil, ou mesmo aos 5 mil, como por exemplo Gramont, belo palácio renascença, Assier, um palácio classificado desde 1841, ou Chareil-Cintrat (1.6oo visitantes em 2008), encantador palácio renascença, conhecido pelos seus quadros.
Demasiado frágeis para acolher visitantes, alguns edifícos classificados nunca chegaram sequer a abrir as portas ao público. É o caso de Jossigny, a menos de 300 quilómetros de Paris, jóia arquitectónica do século XVIII, doado ao Estado em 1950, com os terrenos circundantes, e pilhado em sucessivos roubos por arrombamento. Outros monumentso ainda, continuam fechados para obras de restauro, ninguémn sabe até quando.
... ... ...
A estes palácios pouco frequentados, em relação aos quais o Estado nem sabe, muitas vezes, o que há-de fazer, mas que foram seleccionados pelo Centro dos Monumentos Nacionais, e cujos responsáveis não consultados foram informados por correspondência há pouco tempo, há que adicionar as abadias e os antigos quartéis agora devolutos, cujas instalações são mais adequadas para implantações hoteleiras. Ainda assim, está fora de questão dificultar o normal acesso dos visitantes aos espaços com interesse turístico.
É sabido que a protecção do património e as complexas normas da hotelaria nunca emparelham com facilidade. A este óbice, que é dificilmente ultrapassável, devido às próprias servidões dos monumentos, convém juntar as exigências de rentabilidade dos potenciais investimentos. Como sublinha Christian Mantei, director geral adjunto de Atout France, a quem foi confiado o estudo exploratório, "o essencial dos investimentos hoteleiros é agora aplicado nas cidades. As pessoas que estão convencidas de que vão ganhar fortunas à custa do património à guarda do Estado, estão redondamente enganadas."
Efectuar um diagnóstico económico da região, dos seus recursos, do seu potencial turístico, da sua atractividade, dos acessos, da concorrência, eis a primeira étapa do estudo de Atout France. (Exactamente como se faz em Tomar, não é verdade ? - Pergunta do tradutor.) "O mercado evoluiu. Os visitantes procuram os monumentos tal como sempre foram. Não podemos descambar para a ostentação", afirma o senhor Mantei, que pretende privilegiar dinâmicas locais em vez de grupos hoteleiros. Serge Louvau, ex-secretário geral do Museu do Louvre, acrescenta que "um monumento que não corresponde a uma necessidade social nunca terá viabilidade económica."

Florence Evin - Le Monde

Tradução e adaptação de António Rebelo (Esta versão em português é apenas a parte que pareceu mais importante do texto original.)

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

TUDO TORTO...OU QUASE

A velhinha Rua do Camarão é a que agrupa mais prédios antigos recuperados. Bem recuperados em geral. Mas as autoridades de tutela é que continuam a não ajudar nada. Observe-se esta foto. A mania das caixinhas de plástico é tão evidente quanto a sua inadequação em fachadas antigas. Para mais, um dia destes deixarão de ter qualquer utilidade prática. Falta só o governo decidir quem terá de custear os novos contadores, já equipados para telecontagem, ligação, corte e restabelecimento à distância. Em princípio devem ser os consumidores, como é costume. Mas nunca se sabe.
E a EDP e os seus cabos. Anteriormente era porque ficava muito caro enterrar a rede de distribuição, visto que não havia calhas técnicas. Agora que já há calhas técnicas naquela rua, estão à espera de quê ?
Logo adiante, no Largo do Pelourinho, há meses e meses a aguardar que a autarquia arranje dinheiro para custear a conclusão das obras, outra feliz recuperação. Como bem notou O TEMPLÁRIO, nem o arquitecto Siza Vieira conseguia algo assim. O primeiro prédio antigo e nabantino com rosto humano, acrescentamos nós. Basta reparar na parte superior: dois olhos, o nariz, a boca... O problema é que o lintel (verga, em linguagem popular) da porta foi colocado ao contrário. A parte de dentro foi e está virada para fora. Mas ainda tem remédio. Basta querer. Como está é ridículo.
Outro óbice são as caixinhas de plástico, cujo número vai aumentando. Aqui já são 11. Por este caminho, um dia destes vamos ter igualmente caixinhas para fotocópia do Bilhete de Identidade, do Cartão de Contribuinte, do Cartão de Utente, do Cartão de Eleitor, do nº que cada um calça ou veste, e assim sucessivamente. Já faltou mais ! Bem fazem os ingleses ou os americanos, que nunca tiveram nem têm bilhete de identidade. Nem precisam ! Nós aqui é que gostamos da "República dos papéis".

É claro que com tanta coisa a dar para o torto, até os monumentos antigos decidem tomar o mesmo rumo. O pobre pelourinho que temos, que é bem o símbolo das nossas reais liberdades locais, também entortou. E o mais certo é assim ficar até quando Deus quiser. É mais uma coisa torta na urbe nabantina. Das menos importantes, neste caso. Ou estaremos a ver mal ?

Só o nosso fundador é que não embarca em modas ou outras modernices. Homem que é homem mantém-se igual ao que sempre foi. Progresso ? Ideias novas ? Outros hábitos ? Outras maneiras de ser ? Era o que faltava !
De forma que aí o temos, como sempre foi -hirto e firme, como uma barra de ferro. De bronze, para ser mais preciso. Mudam-se os tempos. Mantêm-se as tradições. Mesmo (sobretudo ?) as más. Ali pelas bandas da antiga Praça de D. Manuel I continua a ser assim. Até quando ? A resposta só os eleitores a poderão dar, quando assim o entenderem...

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

MAIS PATRIMÓNIO AO DEUS DARÁ...

Há quem nos escreva a cuidar que nos insulta, quando na verdade está apenas a insultar a inteligência e, acessoriamente, a maltratar a língua pátria. Por isso, recusamos publicar tais bostas. Quando tiverem a coragem de usar um estilo convivial, teremos todo o gosto em debater. Outros alegam que os Pegões são secundários, que importante mesmo é o Convento de Cristo, Património da Humanidade. Vamos então à imponente ex-Casa da Ordem de Cristo. A foto mostra o estado de limpeza e de conservação em que se encontra a Sala do Capítulo Incompleta, à ilharga do Claustro Principal. Dado que toda a parte da ábside, cujo sector superior se vê na ilustração, está reforçada com uma cinta metálica, colocada há mais de 60 anos, e que agora se encontra gravemente corroída pela ferrugem, não nos admiraria nada que, mais mês menos mês, mais ano menos ano, aconteça uma derrocada, e adeus ábside. É claro que os técnicos da tutela continuam despreocupados. Uns nem sequer conhecem o local. Outros nada sabem sobre a tal cinta metálica de reforço. Um terceiro grupo enfim, que integra elementos dois dois anteriores, só aparece no Convento de oito em oito dias, para ver em que param as modas. E, ao que consta, há até quem só apareça à quinzena ou mensalmente, pois tem compromissos laborais para as bandas da Beira Alta. Nestas condições, quem se surpreende ainda com o estado de evidente desmazelo em que se encontram alguns sectores do monumento ?
É a função pública que vamos tendo, no que concerne a quadros superiores.


Como uma desgraça nunca vem só, ou os cadernos de encargos são mal elaborados, ou não há fiscalização eficaz, ou as empresas contratadas poderão ser ultra competentes mas não são minimamnente eficazes, ou tudo isto, em proporções variáveis. Certo é que zonas do Convento já intervencionadas, e ainda no prazo de garantia, que é de cinco anos, mostram que as obras não foram executadas de forma a resolver os problemas antes existentes. Aqui, num sector que dá para o terraço do Claustro Principal, nota-se que no final da intervenção ficou tudo muito limpinho, muito "clean", muito bem pintadinho, mas as infiltrações continuam. O que significa que, mais ano menos ano, vai ser necessário abrir novo concurso, ou proceder a novo ajuste directo, para reparar a peso de ouro aquilo que já devia ter sido solucionado na primeira empreitada.




Outro tanto acontece na ala sul do Claustro da Micha, na fachada norte da Cozinha Conventual. Também a cantaria foi toda muito bem limpinha, (naturalmente sem recurso a decapantes químicos nem a jacto de areia), reparou-se o terraço, rebocou-se onde se mostrou necessário, e pintou-se ou caiou-se. Recebeu-se a respectiva maquia e o resultado prático está agora à vista de qualquer visitante. As infiltrações que havia, são exactamente as que há. Cabe por isso perguntar: Qual foi afinal a utilidade prática da intervenção ? Unicaente para proporcionar lucros consideráveis à sociedade contratada ?
E não adiantará vir outra vez para aqui com a estafada argumentação de que no blogue é tudo uma cambada de ignorantes em matéria de património, de história, de conservação e restauro, de gestão turística de monumentos, e mais do que quiserem. Já cansa e mostra a inépcia de simpáticos cidadãos, que até se julgam especialistas de alguma coisa. Permite, igualmente, um confronto caricato entre os que só usam o rebéubéu e os que, como nós, fundamentam e ilustram tudo aquilo que vão escrevendo. Para que não haja dúvidas !
Nesta questão das obras de limpeza/lavagem, quando nos lembramos de que aquela desgraça da Ermida da Conceição, em que um telhado verde virou vermelho, as arestas foram à vida e o impermeabilizante está a escorrer pelas paredes abaixo, custou ao orçamento de estado cerca de dois milhões de euros, quando 100 já teriam permitido um bom lucro, de acordo com empreiteiros por nós contactados, até ficamos sem vontade nenhuma de pagar impostos. Porque ninguém gosta de engordar gulosos em excesso...


SÃO CEGOS OU NÃO VIVEM NESTA TERRA ?

Cada vez entendo menos os senhores auto-proclamados especialistas em conservação, restauro, manutenção, recuperação, requalificação e mais o que quiserem. Contra a realidade envolvente e ao arrepio de qualquer lógica, salvo naturalmente melhor opinião, insistem na lavagem/limpeza do exterior da Nave Manuelina, incluindo a Janela, uma operação manifestamente muito dispendiosa, muito perigosa e totalmente desnecessária. Como o teste inicial acaba de demonstrar, a construção manuelina não está degradada e a infestação vegetal não danificou nem prejudica minimamente a pedra. Tudo se resume portanto a uma questão de estética e a uma espécie de luta de galos entre os que gostam do passado com todos os sinais da sua idade, por um lado, e os que, como os americanos, povo sem grande passado, gostam de tudo "clean". Gostos não se discutem, desde que não impliquem o esbanjamento de dezenas e dezenas de milhares de contos dos bolsos dos contribuintes. Que ainda por cima tanta falta fazem noutros sectores do mesmo monumento. Como por exemplo nesta Casa da Água dos Pegões, datada de 1613 e da autoria de Filippo Terzi, o mesmo arquitecto do Claustro Principal. Actualmente o seu aspecto exterior é este. Quanto ao interior, aberto em permanência aos homens e aos ventos, mete nojo e mete dó. Vão lá e vejam...



Quanto ao aqueduto, vítima de tudo e de todos, há anos que aguarda uma intervenção que lhe devolva a sua antiga função de abastecimento de água para o Convento, para a rega do pomar no interior do castelo e para a rega da Mata. O aspecto actual é este. Ervas por todo o lado, cortado em pelo menos um sítio, por um agricultor mais atrevido, que precisava de um caminho para passar com o tractor. Sem água, a estrutura vai-se degradando pouco a pouco, até à ruína final.


Este é o aspecto exterior da Casa da Água da Porta de Ferro, próximo dos Brazões. Trata-se de uma magnífica construção com abóbada, igualmente da autoria do italiano Filippo Terzi, o autor do projecto de todo o aqueduto. Apesar da nutrida e muito antiga vegetação infestante do telhado, a cobertura abobadada continua a resistir, testemunhando a excelência da sua construção. Mas conseguirá resistir muito mais anos, se não lhe acudirem quanto antes ? O que será realmente mais urgente ? Acudir a estas situações-limite ? Ou proceder à supérflua e muito perigosa limpeza da Janela ? Dado que os recursos são cada vez mais limitados, há que escolher quanto antes. Afinal, governar é optar. Haverá coragem, ou a ganância levará a melhor ?



domingo, 14 de fevereiro de 2010

SALVAR A JANELA DO CAPÍTULO - NOVOS DADOS


Terminou há pouco tempo a primeira fase da lavagem/limpeza das fachadas do Coro Manuelino do Convento de Cristo. Esta primeira fase incidiu no sector que figura na foto supra porque, segundo o IGESPAR, que tutela o monumento, "esta zona, apesar de não ser aquela que apresenta uma maior densidade de colonização biológica, é contudo a mais simples e a menos decorada do ponto de vista arquitectónico, razão que esteve na base da sua eleição como "tramo-piloto". Terá pesado igualmente, quanto a nós, o facto de ser simultaneamente a menos acessível ao público e a menos visível, detalhes importantes se e quando as coisas corressem /correrem mal. Mas isso, compreensivelmente de resto, o IGESPAR não diz.

Terminada a intervenção, naturalmente desapareceu a harmonia do conjunto. Antes tínhamos antigo+antigo, patine+patine. Agora temos lavado+mais sujo, moderno+patine. O que leva a supor que, caso avance a limpeza/lavagem de toda a nave manuelina, a seguir irá o exterior da Charola, depois o Claustro Principal, e assim sucessivamente. Como exclamou um dia, algures entre estas paredes, a raínha Dª Maria II para Costa Cabral: -Ena tanto dinheiro !!!
Manda a verdade dizer que, pela primeira vez em Tomar e arredores, uma intervenção de lavagem/limpeza num monumento parece ter sido feita de acordo com as melhores regras da arte, não tendo por isso danificado as cantarias. Para já ! Agora teremos de aguardar alguns anos, para então observar as consequências da remoção da cobertura biológica, a qual, como sempre aqui dissemos, não só não degrada a pedra (como agora está à vista de todos), mas até a protege de eventuais elementos naturais mais agressivos (chuvas ácidas, por exemplo). Por agora, portanto, tudo bem. Está de parabéns a empresa que efectuou os trabalhos, bem como os subscritores do apelo "Salvar a Janela do Capítulo", que a obrigaram a agir com todas as cautelas. Como sempre deveria ser, mas não é. Infelizmente !



E quando a opinião pública está menos atenta e não mostra preocupação, as coisas são feitas de modo mais expedito, que fica muito mais barato e é mais rápido, mas provoca estes desastres. A foto mostra uma das vergas do Claustro da Hospedaria, ali coloca por volta de 1545. Submetida recentemente à operação de lavagem/limpeza, visivelmente com jacto de água e produtos decapantes dissolvidos, para ser mais rápido, decorridos poucos anos está agora a "descascar-se" pouco a pouco, num processo irreversível...

Oxalá e Deus permita que não venha a acontecer o mesmo no sector da Nave Manuelina, agora acabado de intervencionar. Afinal, as cantarias são praticamente da mesma época. A da foto é de 1545, como já foi referido, as da construção manuelina são de 1515. Trinta anos mais velhas, por conseguinte, mas da mesma pedreira calcárea.

Um último detalhe, que tem a sua importância, sobretudo numa altura de penúria orçamental como a que atravessamos, e cujo fim se não vislumbra: menos de 20 metros quadrados limpos, no sector com menos ornatos de toda a nave, segundo o próprio IGESPAR, custaram aos contribuintes, que somos todos nós, a módica quantia de 76.104 euros (IVA incluído) = a quinze mil duzentos e vinte contos ! Quanto custará a limpeza lavagem de tudo aquilo, se chegar a realizar-se ?

E o Convento com tantos sectores a necessitarem de urgente manutenção. E os Pegões então nem se fala. E a Igreja de S. João Baptista, a precisar de urgente raspagem seguida de pintura da fachada... Oh tempo ! Oh costumes !

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

ACTUALIZAR A JANELA DO CAPÍTULO - 2

No texto anterior, Tomar a dianteira apresentou três hipóteses, devidamente ilustradas, para actualizar a Janela do Capítulo, adaptando-a aos tempos que correm e tornando-a assim mais atractiva, e motivo para aumentar o número de visitantes pagantes no Convento de Cristo. Como também foi dito, a nossa iniciativa resultou da recomendação, contida no relatório do LNEC/Processo 052/1/14446, de Janeiro de 2002, página 28, a qual recomenda uma pinturazita após a pretendida limpeza/lavagem "Como forma de dar coerência à envolvente intervencionada." Acrescenta-se até que "A aplicação de uma solução de oxalato de amónio transformará a parte exterior da pedra em oxalato de cálcio, composto bastante menos solúvel do que a calcite, pelo que será de esperar que as superfícies resistam melhor aos agentes agressivos." Enquanto ficamos aguardando que os nossos amigos engenheiros químicos confirmem ou desmintam tal hipótese, não podemos deixar de sublinhar que as superficies em causa, designadamente as da Janela do Capítulo, estão parcialmente cobertas de musgos e outros líquenes, mas não estão degradadas, porque justamente essa cobertura vegetal as tem protegido. Basta observar com rigorosa atenção. Ainda assim, o citado relatório, que já tem mais de 8 anos, recomenda, após a tal estapafúrdia limpeza/lavagem "a utilização de solução de água de cal pigmentada com pigmentos naturais, por forma a ajustar os tons mais dissonantes." E esta, hein? exclamaria o saudoso Fernando Pessa, se ainda vivesse. O leitor sabia que há, ou pode vir a haver, na Janela de todos nós, tons dissonantes ? Já na comunicação social é a mesma coisa. Há tons dissonantes e vá de encontrar solução para o problema. Não é Manuela Moura Guedes ? Heranças mal assimiladas...
Na hipótese estrambótica de haver limpeza/lavagem, seguida da tal "veladura final", ousamos aconselhar que se dê, à Janela e à fachada, um tom resolutamente amarelo (ver foto acima), como forma de incrementar consideravelmente a vinda de turistas chineses. Não só são de raça amarela, conjuntamente com os japoneses, os coreanos, os mongóis e outros, como o amarelo sempre foi a cor preferida dos imperadores do Império do Meio. E até têm o Rio Amarelo, ou Huang He, o sexto maior do mundo.
Há, é certo, o problema das cruzes de Cristo. A da Janela e as do coroamento da nave. No seu Hotel Mandarim Oriental, em Macau, Stanley Ho mandou instalar, ao cimo da escadaria nobre, uma imponente reprodução da nossa Janela, em madeira de teca. Mas ordenou que substituíssem a cruz por um motivo chinês.Não se trata, porém, de nada de inultrapassável, pensamos nós. Pois se até fomos à Índia e à China por mar, quando era realmente difícil... Já que estamos em maré de adaptação, cobrem-se as ditas cruzes com casacos e bonés estilo Maozédong. Até o Garcia Pereira e o Durão Barroso, entre muitos outros, vêm à inauguração de tão importante requalificação. Vai uma aposta ?

Se, apesar de tudo, por muito improvável acaso, a "hipótese chinesa" não agradar, designadamente por se entender que cada coisa a seu tempo, pelo que ainda será quiçá prematuro, há também a hipótese "secret pink", ou "estilo pantera cor de rosa", que é do mais americano que se pode conseguir. Como ainda estamos, na Europa, em época de obamania, se o dito aceitar cá vir presidir à inauguração, será um estrondoso sucesso planetário, com a consequente entrada de milhões e milhões em divisas, que tanta falta cá fazem. Quando a economia americana recuperar, está claro. Só em direitos televisivos vamos conseguir, não uma pipa, mas o tanque da cadeira de el-rei cheio de "massa". E se ele é grande ! (E está a precisar de obras urgentes, diga-se de passagem.)

Também não há coragem para implementar a hipótese americana ? É sempre a mesma história. Muita conversa, muitas promessas, muitas ideias, muita coragem, mas depois quedamo-nos sempre no meio do rio. E nem para trás nem para a frente. Por isso estamos como estamos. Só com gargarejos, nunca mais vamos conseguir sair da cepa torta. Ou sequer limpar finalmente a terra das botas. Mas pronto. Para grandes maleitas, grandes remédios. Que tal deixarem a Janela em paz, limitando-se a assegurar a sua regular manutenção, tal como está ? Não se correm riscos, não haverá controvérsia, e ficará muito mais barato. Basta que quem dirige o IGESPAR tenha a coragem de dizer, aos habituais galifões do orçamento, que afinal o organismo mudou de estratégia. Que prefere abrir concurso, ou celebrar ajustes directos, tendo em vista apenas a quotidiana manutenção do monumento (que bem precisa, tantas são as ervas e arbustos para retirar, as paredes para caiar, as telhas para substituir, etc. etc.) por uma ou mais equipas ligeiras, excluindo nos tempos mais próximos qualquer intervenção pesada. Até porque, como é sabido, estamos na penúria e a situação tende a agravar-se... A modéstia e o realismo sempre têm sido proveitosos para quem os adoptou.
Quem vos avisa, vosso amigo é. Olhem que o Diabo sabe muito, não por ser o Diabo, mas por ser velho e ter consequentemente muita experiência. Cautela e caldos de galinha...