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sábado, 7 de agosto de 2010

IMAGENS TOMARENSES DE FIM DE SEMANA

Afinal, aquando da última foto aqui publicada, o "trabalho" ainda não estava acabado. Faltava partir os vidros de cima. Agora já estão. Lindo serviço, não haja dúvidas. Feliz terra que tais filhos alberga no seu seio generoso.

Tomar cidade asseada?/ Tomar cidade jardim?/ Cidade tão mal cuidada/ Não haverá outra assim!

Devagar, muito devagarinho, lá vão compondo a tenda-mercado. Agora foi a vez de parte do revestimento plástico do solo. Por este caminho, é muito provável que lá para o Natal já possa funcionar. No próximo, ou no de 2011...

Sábado, oito e meia da manhã, mercado de Tomar. Apesar das evidências, os apóstolos da doutrina paivina continuam a asseverar que, com as grandes superfícies, os mercados tradicionais estão condenados. Estarão mesmo? Ou trata-se simplesmente de mais um caso de cegueira política, provocada pelo uso excessvo de óculos partidários, esses sim, ultrapassados?

Tal programa, tal política, tal coligação, tais desculpas, tal bandeira. Tudo esfarrapado e sem outro remédio que não seja a mudança total. Que já começa a tardar...

Só faltava mais esta. Já tínhamos uma câmara com titulares que nem "coiso" nada de jeito, nem querem sair de cima. Agora temos também uma montra pornográfica, com um manequim capado. Não temos realmente sorte nenhuma!

O que nos vale ainda são as qualidades tradicionais do povo rural: apego ao trabalho, gosto pelas coisas simples, poupança e boa disposição. A foto mostra um belo exemplo de arte popular, algures num quintal tomarense da cidade. É uma casa portuguesa, concerteza...

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

CIGANOS E GACHÓS: OLHAR PARA AMBAS AS PARTES

Este comentário, que nos foi oportunamente enviado, usa uma linguagem polida, escorreita, e bem urdida, respeitando estritamente o contexto. Por isso foi publicado, apesar de não concordarmos com as suas posições subjacentes. Se, porém, fôssemos a publicar unicamente as opiniões com as quais temos afinidades, então mais valia não ter blogue.
O principal óbice desta tomada de posição, parece-nos, é que parte de um apriorismo, que depois procura justificar com alguns factos reais, e outras tantas suposições. O apriorismo, salvo melhor e mais fundamentada opinião é este: "Os ciganos não prestam, são irrecuperáveis porque não se querem integrar, pelo que só nos resta correr com eles quanto antes." Por isso aparece a interrogação final, extremamente perigosa, sobretudo nestes tempos de crise, propícios para designar bodes expiatórios: "Aliás, temos ou não o direito ao repúdio quando há motivo para isso?"
A nossa resposta é categórica e definitiva: Não; não temos. A constituição não reconhece tal direito, o código civil ou penal tão pouco. Acresce que, em conformidade com as normas europeias, somos todos iguais perante a lei e com idênticos direitos e deveres de cidadania nos respectivos países, não estando previsto seja onde for que possa ser privado dos seus direitos quem não cumprir os seus deveres. Porque se fôssemos por aí...
Num espírito aberto e dialogante, tendo em vista o melhor para todos os membros da comunidade tomarense, vamos agora às respostas que o comentário infra merece.

1 - "É um mal endémico de Tomar: falar sem absoluto conhecimento de causa."
Parece-nos que há realmente esse mal endémico, que tem até uma outra faceta -A presunção de que se é capaz de fazer seja o que for, incluindo dominar qualquer assunto ou solucionar qualquer problema, por mais complexo que seja. A nossa câmara tem sido e vai continuar a ser um excelente mostruário, mas não o único, do que se acaba de afirmar. Meteram-se e metem-se amiúde em camisas de onze varas, quando nem para as de metade têm capacidade, como está à vista de todos. Dito isto, "absoluto conhecimento de causa" é um evidente excesso de linguagem, com algo de extremista. Porque não nos parece que exista tal coisa. Tudo é relativo, como disse o outro. Em termos de conhecimento então, nem vale a pena termos ilusões. Quanto mais aprendemos, mais há sempre para aprender.
2 - "Compreendo e desculpo as opiniões do António Rebelo." Fico-lhe muito agradecido, não podendo todavia deixar de lhe retorquir o seguinte: É livre de compreender = perceber + aceitar as opiniões alheias, nos limites da sua capacidade intelectual. Não pode, porém, arrogar-se o direito de desculpar, que implica a ideia implícita de haver culpa prévia. Sucede que não há, de forma alguma. A Constituição e a Lei concedem a cada cidadão liberdade de pensamento e liberdade de expressão, pelo que no seu exercício só pode haver culpa quando se recorra à mentira, com intuito de daí retirar benefício, prejudicando intencionalmente alguém. Não é, manifestamente, o caso, pelo que não tem que me desculpar ou não, nem tão pouco arrogar-se um direito que nada nem ninguém lhe concedeu.
3 - "Será que estamos todos errados na maneira como vemos a comunidade cigana? Ou será que eles não perdem uma oportunidade para se fazerem repudiar?"
Lamento dizer-lho assim de chofre, mas estão errados sim senhor, todos os que eventualmente pensam como você. Do meu ponto de vista claro. Estão errados porque vêem a comunidade cigana como um todo e do ponto de vista da exclusão quanto mais rápida melhor. Desculpar-me-á o exagero, mas parece-me haver alguma parecença com a solução iniciada pelo Hitler, a qual, como deve saber, começou com os judeus, prosseguiu com os homossexuais, avançou para os deficientes e já ia nos comunistas. A experiência ensina-nos que é sempre preciso muito cuidado quando se começa a ouvir o barulho das botas altas... Tanto da extrema-direita, quanto do extremo oposto. Em geral, sabe-se como começa, mas ignora-se como acaba...
Numa outra vertente, é obvio que nas comunidades ciganas há um pouco de tudo, em maior ou menor percentagem, como em qualquer outro grupo humano. Tentar meter todos no mesmo saco, não passa de um raciocínio primitivo, indigno de quem partilha os valores europeus. Quanto a suspeitar que os ciganos procuram fazer-se repudiar pela provocação é uma ideia inaceitável porque absurda. A ser assim, todos os dissidentes, todos os que actualmente não concordam com o governo ou com a autarquia, e manifestam os seus sentimentos, tanto por escrito com em desfiles, procuram também ser repudiados? Francamente...
4 - Quanto às acusações concretas que faz a diferentes comunidades ciganas, a propósito da água, da luz, da iluminação pública ou do alojamento, dê-me licença p.f. para lhe fazer duas perguntas: Em quarenta anos de permanência em Tomar, o que é que a população ou a autarquia já fizeram em prol da melhoria das condições de vida dos ciganos? Se nada lhes ensinam, como esperam que possam aprender?
Naturalmente que qualquer tentativa de solução terá de ser muito corajosa, longa, morosa, complexa, cara e cheia de insucessos. Mas não há outro caminho, porque eles são portugueses como nós perante as leis do país. O que nos obriga a olhar para ambas as partes -os ciganos e os gachós = gajos, que é como eles nos designam em calé ou caló, o seu dialecto. E já perdemos demasiado tempo, na esperança vã de que as coisas se resolvam por si próprias. Estamos em Portugal e em Tomar. Não há quaisquer dúvidas. O D. Sebastião é que não há meio de aparecer. Deve ser por falta de nevoeiro...

domingo, 1 de agosto de 2010

IMAGENS TOMARENSES DE FIM DE SEMANA

Fundos europeus, empresas públicas, dinheiro fácil, dão nisto. Nas obras, sem qualquer dúvida muito úteis, do viaduto do Padrão plantaram uma série de árvores nas duas primeiras rotundas. Nesta, houve habitantes da zona que estranharam logo tanta árvore em tão pouco espaço. Afinal não havia motivo para alarme. Quem trouxe o mal, trouxe a cura. Um ano depois, as árvores estão todos secas, ou em vias disso. Causas? Vá-se lá saber!

Facilidades de crédito, aumentos anuais, sociedade de consumo. Muitos convenceram-se que são ricos. Ricos e egoistas. Entregar as roupas usadas às ONG? Só o trabalho! Cada qual trata de si e Deus trata de todos.
Obras do Flecheiro. Tal como aconteceu no ex-estádio, os cálculos foram tão bem feitos que a certa altura acabou-se a verba, e a empreitada aí está por acabar. Nem o prometido muro de vedação chegou a ser feito. Mas ficou bonito. E muito típico!
Mais adiante, um exemplo do condenável vandalismo que por aí grassa. Neste caso, porém, estavam à espera de quê? Sem o acesso automóvel de que antes das obras dispunham, os donos ou inquilinos das instalações foram-se. Está tudo devoluto. Ainda por cima com a protecção da inútil e horrível bancada, era fatal "cmó" destino. E ninguém se poderá queixar. Estamos perante uma situação comparável à daquele cidadão que, com a pinguita, dava caroladas nas paredes, para no dia seguinte se lastimar que tinha a cabeça cheia de galos... E a papeleira?! É só para ornamentar.
Além dos diversos erros já apontados, a começar pela localização, as obras da Ponte do Flecheiro primaram pela qualidade do trabalho. Já houve necessidade de voltar a assentar vários troços do lajedo, que entretanto abatera, e respectiva rede de escoamento. Agora são os degraus da estranha bancada que começam a mostrar alguma tentação para saírem dali quanto antes. Já terão percebido quão inúteis e inestéticos são?
Ligação pedonal Cidade/Castelo, através da Mata. Sem mais nem porquê, deitaram abaixo as casas de banho existentes. Logo a seguir, vá de fazer outras, cinco metros mais abaixo. Os tais fundos europeus... Devagar, muito devagarinho, as obras lá vão prosseguindo. Ainda bem, pois os tomarenses e os visitantes passam a dispor de mais um magnífico urinol, este com vista panorâmica e tudo. Temos os sanitários mesmo ao lado? Pois temos. Mas há lá alguma coisa tão boa como o ar livre? Sobretudo numa Mata Nacional...

sábado, 31 de julho de 2010

PARA A PSP TOMAR CONSCIÊNCIA - 2

Senhor comandante da PSP/Tomar:

Vai-me perdoar a insistência, mas peço licença para voltar ao problema do parqueamento dos veículos em situação irregular. Dizem os mais velhos (eu, por exemplo) que a noite é boa conselheira. E olhe que é mesmo. Após uma noite bem dormida, consegui logo tomar consciência de que há uma outra solução muito mais fácil, rápida e barata, mesmo se transitória: Solicitar a cooperação da GNR/Tomar que, conforme documentam as fotos, não padece de falta de espaço para o parqueamento de veículos, no amplo terreno junto ao seu quartel, a ex-prisão comarcã de Tomar. Poderá faltar um bocadinho de limpeza (coisa que a rapaziada do RMI poderia resolver num ápice), mas espaço não falta. E boa vontade quero crer que também não.
De forma que, com sua licença, a minha sugestão é esta: Oficiar à autarquia, a solicitar o tal terreno/local para parqueamento, mas entretanto e à cautela solicitar a colaboração/cooperação da GNR/Tomar. Caso seja necessário, o senhor capitão Escudeiro, tomarense à moda antiga e ex-comandante da GNR local, se solicitado, acederá de boa vontade, assim o creio, a mediar os contactos necessários.
Usando um chavão jurídico: É este o meu parecer, salvo melhor e mais fundamenta opinião. V. Exa. porém, como sempre, melhor decidirá.

Cordialmente,

António Rebelo/tomaradianteira.blogspot.com




sexta-feira, 30 de julho de 2010

PARA A PSP TOMAR CONSCIÊNCIA

Esta observação não é de modo algum uma crítica à PSP, cuja missão é dura e ingrata, merecendo por isso o respeito e a consideração de todos os cidadãos. Trata-se apenas de tentar que o senhor comandante local da dita força de segurança possa TOMAR CONSCIÊNCIA (como lá está escrito no paredão) de que, naturalmente sem intenção, a força que comanda está a prejudicar os cidadãos moradores naquela zona, ao privá-los de cada vez mais lugares para estacionar.
É fora de qualquer dúvida que a PSP necessita de um espaço amplo e vigiado para parquear os veículos em situação irregular (apreendidos, acidentados, abandonados). Acontece todavia que, caso não sejam tomadas providências de forma atempada, dentro de algum tempo todos os lugares de estacionamento daquela zona estarão ocupados com viaturas trazidas pela PSP.
Na nossa modesta opinião, bem entendido sujeita a observações melhor fundamentadas, o senhor comandante deveria solicitar quanto antes à Câmara de Tomar a indicação de um parque vedado e vigiado onde possam ser guardadas todas as viaturas trazidas pela PSP. Vai ver, senhor comandante, que a autarquia lhe responderá sem demora. Na melhor das hipóteses, lá para Setembro de 2013, uma vez que as eleições serão logo no mês seguinte, informará V. Exa de que os serviços camarários competentes já estão procurando no concelho um terreno adequado para o efeito pretendido, após o que se irá tentar conseguir verbas para o seu arranjo adequado. Seguir-se-á a elaboração do projecto, a indispensável alteração do PDM e o respectivo licenciamento. Mais um anito ou dois, no mínimo. Entretanto já V. Exa terá sido colocado noutro lugar de comando...e os autarcas até poderão já ser outros. Não percamos a esperança.
Dirá V. Exa, senhor comandante, que sendo assim, nem valerá a pena tentar. Queira desculpar, mas está a encarar menos bem a situação. É evidente que tudo terá infelizmente de continuar na mesma, com os moradores a protestar e cheios de razão, mas a PSP poderá então alegar que a culpa é apenas da Câmara Municipal, que alertada a tempo e a horas, nada fez...
Aceite, senhor comandante, os nossos antecipados agradecimentos e respeitosos cumprimentos, extensivos a todos os seus subordinados, que nem sempre são ajudados pela população nas suas tarefas, por vezes ingratas.

wwwtomaradianteira.blogspot.com/António Rebelo/Sebastião Barros



sexta-feira, 23 de julho de 2010

IMAGENS TOMARENSES DE FIM DE SEMANA

(Clicar sobre a imagem para ampliar)

Tendo em conta que os nossos leitores de fim de semana são, salvo raras excepções, proprietários dos seus suportes informáticos, o que, mesmo na sociedade actual, ainda indicia determinado estatuto, decidimos reproduzir a crónica supra, do semanário RIBATEJO, com a devida vénia e os nossos agradecimentos. Pensamos que se trata de um tema extremamente importante, sobretudo nesta época de vacas entre o magro e o esquelético... É sempre conveniente estar preparado para o que der e vier. No mínimo até que haja vacas.

Se outros méritos não conseguirem vir a alcançar, as bizarras e demoradas obras da rotunda, (Afinal quando é que vêm os arquitectos, para explicar qual a futura serventia do "paredão-mijatório"? Dia de S. Nunca à tarde?), já averbaram um grande sucesso. Após pelo menos duas anteriores tentativas falhadas, desta vez, conforme documenta a fotografia, lá conseguiram finalmente eliminar os esgotos domésticos que ainda corriam para o Nabão, ali junto à Ponte Nova. Registamos tal facto com satisfação, entre outras razões para que ninguém possa afirmar doravante, respeitando a verdade, que só dizemos mal.

Lamentavelmente, são as circunstâncias que regra geral nos obrigam a ser cáusticos, derrotistas, bota-abaixo e inconvenientes. Neste caso, por exemplo, junto ao Edifício dos Cubos, do lado noroeste. O leitor consegue perceber por onde passarão futuramente os peões? Consegue mesmo? Estão faça-nos um grande favor: explique-nos, que nós ainda não percebemos peva. Aguardemos a conclusão do projecto.

Outra obra com excelentes acabamentos: a recente cobertura asfáltica de parte do terreiro sul do mercado. Onde vão montar a tal tenda dos 100 mil. Tudo parece indicar que a recém aberta rampa para cadeiras de rodas e carrinhos de compras, deixou de ser praticável. Basta olhar para a fotografia...
O ideal seria trazer ao local a pessoa responsável pelo respectivo pelouro, dizer-lhe para se sentar numa cadeira de rodas, amarrá-la solidamente e dizer-lhe: -Agora tente chegar à nova tenda-mercado.
Pois não senhor! Não se trata nada de gostar de dizer mal. Apenas de alertar a tempo e a horas, para que possam reparar a falha. Sem dar muito nas vistas.

Outro tanto sucede com este caminho pedonal e para cadeiras de rodas. Custa assim tanto mantê-lo limpo e cuidado? Não basta mandar fazer obras mais ou menos úteis, mais ou menos caras, mais ou menos prioritárias, mais ou menos vistosas. É necessário ter depois meios humanos para assegurar a indispensável manutenção, limpeza e conservação. Caso contrário, é dinheiro deitado à rua. O edificado vai-se degradando pouco a pouco, envergonhando os cidadãos que realmente têm uma paixão por esta terra e os pés bem assentes na dita cuja. Há mais de meio século.

terça-feira, 6 de abril de 2010

DA CIDADE, DOS CIDADÃOS E DAS COISAS

É sempre bom para o ego dos apaixonados por Tomar, saber que somos líderes em qualquer domínio, mesmo modesto, apesar da desgraça que agora por aí vai. Dá-nos ânimo para prosseguir, mesmo contra ventos, marés e aves de arribação. Foi por isso que nos invadiu um grande contentamento ao sabermos (ver foto supra) que a Junta de Freguesia de S. João Baptista foi a primeira do País, já lá vão muitos anos, a adotar a nova designação batismal resultante do entretanto assinado acordo ortográfico. É um fato importante ! Diremos até excecional. Merece até um coquetel para comemorar. Quando é, senhor presidente Barros ?
Está assim esclarecido o mistério da origem dos fundos para o ambicionado cemitério nesta margem urbana do rio. Uma parte pelo menos virá das economias conseguidas com a supressão do P de Baptista, e a consequente poupança de tempo e de tinta. Sempre é menos um dígito...

Este aviso, afixado na porta de um edifício da Praça de República, do lado esquerdo dos Paços do Concelho, alcança diversos objectivos, a saber: 1 - Informa os filiados do sindicato sobre as causas da transferência para Torres Novas; 2 - Permite perceber que eram excelentes as relações entre a Santa Casa e este seu rendeiro; 3 - Demonstra o cuidado que a mesma instituição tem para com o seu património, em grande parte proveniente de doações; 4 - Indica que a vizinha cidade torrejana (por acaso berço do actual provedor da nabantina Santa Casa) é mais acolhedora para as delegações sindicais. Só ?

É espantoso como os particulares conseguem, em curto espaço de tempo, adaptar-se às condições contextuais. Repare-se nesta publicidade, estacionada em frente do Modelo. Numa cidade em acelerada decadência, com ruas e estradas esburacadas, obras por acabar e casas a caír, seria pouco adequado exibir uma publicidade de tipo requintado e catita. Mostraria até uma evidente falta de respeito pelos cidadãos, além de inadequação face aos costumes locais. Assim como mostra a foto é que está certo. Um manequim esfrangalhado, tal como a cidade antiga, mas neste caso com uma evidente mensagem política subjacente: a direita está menos mal (o que não admira pois ocupa o poder local há mais de 10 anos); a esquerda é que está toda esfarrapada e a cair aos bocados... Enquanto assim for...

Boas notícias para os nossos leitores. Após várias tentativas debalde, conseguimos finalmente informações sobre alguns temas problemáticos da paisagem política tomarense: Convento de S. Francisco, Sede da Comunidade Urbana, Rendas pagas pela autarquia... Em futuros escritos daremos conta de tudo isso aos que fazem o favor de nos ler.
Para já, um sincero agradecimento ao senhor Presidente da Câmara que, no estrito cumprimento do direito constitucional à informação, providenciou no sentido de nos serem enviadas cópias dos documentos cuja consulta tínhamos solicitado várias vezes oralmente junto dos respectivos serviços, sem qualquer resultado positivo. Em pelo menos um dos casos, chegou ao nosso conhecimento que os elementos solicitados estavam disponíveis, tendo havido expressa oposição da pessoa eleita, responsável por esse sector, que terá dito -"Se requererem informamos; caso contrário não." E assim fomos constrangidos a incomodar por escrito o senhor Presidente da Câmara, e a aguardar quase dois meses, situações realmente lamentáveis, sobretudo numa cidade pequena, onde todos se conhecem e convivem.
Pode ser que com a nova inspecção, prevista para este ano e noticiada pel'O TEMPLÁRIO, no seu site, algo comece a mudar para melhor naquela casa. No estado actual, a faixa central, onde se lê "Exposição 25 artistas contemporâneos", só serve para induzir os eleitores em erro. Se realmente na autarquia nabantina só houvesse 25 artistas, estaríamos certamente muito menos atascados em dívidas, tricas, impasses, cenas, invejas e outros problemas.

sábado, 3 de abril de 2010

IMAGENS TOMARENSES DE FIM DE SEMANA

Se só serve para cobrir varejeiras, ou mesmo para as matar, é demasiado caro. Se for para varejar azeitona, já é outra coisa. Mas mesmo assim, é preciso produzir e vender muito azeite...

Quando alguém ousa dizer que, se calhar, os tomarenses têm-se em alta conta, mas o conteúdo das respectivas cabeças não confirma tal posição, é-se logo apodado de má-língua, de ave agoirenta, e outras considerações que a boa educação nos impede de aqui reproduzir. Vai daí lançam-se em iniciativas mal planeadas e geridas à papo-seco. Como o dinheiro não estica e a crise obriga a ser mais comedido, vá de fechar o estaminé. Mais um drama para os sportinguistas locais. Muito doloroso, pois os lampiões têm uma casa toda janota, ali para os lados da Rua da Fábrica da Sola.

Drama para os sportinguistas locais, mas só para os adeptos do clube de Alvalade. Os outros, os do sporting local, pelo menos aparentemente, vão de vento em popa. O que um cidadão tem de fazer para servir o seu clube. Anos e anos de militância como eleito local. Primeiro como APU; depois como CDU; finalmente como IpT. Mas lá conseguiu, conforme mostra a ilustração supra. Agora só falta a consagração: Uma placa de mármore a identificar uma rua. Só falta saber se em vida, se depois.
Beltrano de tal, esforçado político local, grande servidor das gentes da cidade e do concelho. Se ainda formos cidade e sede de concelho, que pelo caminho que as coisas levam, nunca se sabe o que poderá vir a acontecer. Honra e proveito raramente cabem no mesmo saco.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

PESSIMISTAS MILITANTES

Domingo de manhã. Tanto chove como volta o céu azul. Mas o frio foi-se. Como a época das farturas. Lástima que um volte no próximo Inverno, enquanto que a outra...
Ontem à noite ficou decidido. Doravante os autores de Tomar a dianteira serão pessimistas militantes, em vez de pessimistas encartados. Vale mais pensar o pior e ser surpreendido agradavelmente, do que o inverso. Não é verdade ?
Passeio para ir fotografar os espaços verdes do Flecheiro, finalmente aparados. Já não era sem tempo! Pelo caminho o embirrante paredão, que termina assim de forma abrupta e à bruta. Nunca ninguém nos conseguiu explicar porquê. Para nós, o normal teria sido não fazer aquele monstro. Como decidiram fazê-lo, porque não foi de ponte a ponte ? Falta de dinheiro ? Falta de imaginação ? O costume: falha sempre alguma coisa.

Como aqui. A vegetação realmente foi aparada. Infelizmente, o lixo do mercado de sexta-feira continua a ornamentar este troço da margem do rio. A diferença entre bons autarcas e maus autarcas, entre bons técnicos e maus técnicos, entre bons funcionários e maus funcionários resulta das falhas. Das tais mazelas que depois entram no vasto rol das coisas que "correram mal". E vão concerteza continuar a correr. Pelo menos enquanto forem feitas às três pancadas, à podoa, a martelo ou à trouca-marouca. Com aquela característica desculpa íntima segundo a qual para o que é, bacalhau basta. O pior é que agora até o bacalhau já custa os olhos da cara.
Outra falha nas obras do Flecheiro. O escoamento foi mal calculado e a pista pedonal transforma-se num pequeno charco de cada vez que chove. Devem ter pensado que como de momento a pista desemboca na aldeia cigana, não valia a pena estar com muitas preocupações. Já lá em cima, em frente de Santa Maria dos Olivais, sucedeu o mesmo. Destruiram a sarjeta que ali existia e depois foi um castigo para arranjar uma solução de escoamento. Entretanto o empreiteiro já tinha dado corda aos sapatos...

Andam por aí a dizer e a escrever que o estado de direito está ameaçado, que há asfixia democrática, que mais isto e mais aquilo. São uns exagerados. A prova de que continuamos a viver em democracia e em plena liberdade é-nos dada por este porco (com coleira e tudo), pastando calmamente em plena freguesia urbana de S. João Baptista, que o mesmo é dizer em plena cidade antiga. Agora digam-nos lá, com toda a franqueza -Em que outro país da Europa ocidental ainda é possível ver um porco a pastar numa área urbana ?
Com esta porcina novidade, a partir de agora já nada nos vai conseguir surpreender. Os porcos tomarenses ainda não andam de bicicleta pelas ruas da urbe, (ou andarão ?), mas já pastam com visível satisfação. Ainda é só um ? Pois tem toda a razão, caro leitor. Mas se está convencido que a coisa vai ficar por ali, desengane-se. Quem apalpa e sente mole, vai continuar a apalpar. É trigo limpo !

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

EM DIA DE CARNAVAL...

Em dia de Carnaval, diz-se que nada parece mal. Ainda assim, ocupar praticamente todo o passeio para instalar o seu negócio, não nos parece nada bem. Mas como era só por um dia... Outro aspecto curioso reside no facto de "Farturas e churros à Capítulo" não significar rigorosamente nada. Para além da ignorância de quem escolheu semelhante frase. Que precisa, por isso mesmo, de ser chamado a capítulo quanto antes. Há coisas que não convém tolerar. Mesmo se quem manda agora no IGESPAR também pensa que ainda estamos em época de farturas. Só assim se compreende que pretenda esbanjar centenas de milhares de euros numa empreitada redundante e nefasta. A magnífica Janela de todos nós está tão bonita assim, com a sua inimitável patine de 500 anos de história ? Para quê alterar o que está perfeito ? Afinal preferimos a autenticidade ou a maquilhagem ? A visão portuguesa e europeia das coisas, ou a americana ?

Outra imagem deste dia de carnaval em Tomar. Várias autocaravanas estacionadas no largo do mercado. Todas de cor branca (a mais fresca, na canícula). Todas, excepto uma, de matrícula portuguesa. Ou o parque de campismo estava esgotado, o que não é nada provável, ou encerrado, o que não constou, ou então a crise é mesmo muito grave. Se muitos autocaravanistas já preferem poupar, em vez de beneficiarem dos recursos disponíveis, a situação começa a ser realmente preocupante. Porque o pior ainda está para vir. E quanto mais tarde os nossos autarcas decidirem abandonar o faz de conta e agir de acordo com a conjuntura, mais difícil será a retoma. Provavelmente, a partir de certo ponto já nem haverá qualquer hipótese de recuperação. É só esperar para ver. Desculpar-se sistematicamente com a lengalenga do pessimismo crónico só contribui para tornar a inevitável mudança de atitude ainda mais difícil e serôdia.


domingo, 14 de fevereiro de 2010

SALVAR A JANELA DO CAPÍTULO - NOVOS DADOS


Terminou há pouco tempo a primeira fase da lavagem/limpeza das fachadas do Coro Manuelino do Convento de Cristo. Esta primeira fase incidiu no sector que figura na foto supra porque, segundo o IGESPAR, que tutela o monumento, "esta zona, apesar de não ser aquela que apresenta uma maior densidade de colonização biológica, é contudo a mais simples e a menos decorada do ponto de vista arquitectónico, razão que esteve na base da sua eleição como "tramo-piloto". Terá pesado igualmente, quanto a nós, o facto de ser simultaneamente a menos acessível ao público e a menos visível, detalhes importantes se e quando as coisas corressem /correrem mal. Mas isso, compreensivelmente de resto, o IGESPAR não diz.

Terminada a intervenção, naturalmente desapareceu a harmonia do conjunto. Antes tínhamos antigo+antigo, patine+patine. Agora temos lavado+mais sujo, moderno+patine. O que leva a supor que, caso avance a limpeza/lavagem de toda a nave manuelina, a seguir irá o exterior da Charola, depois o Claustro Principal, e assim sucessivamente. Como exclamou um dia, algures entre estas paredes, a raínha Dª Maria II para Costa Cabral: -Ena tanto dinheiro !!!
Manda a verdade dizer que, pela primeira vez em Tomar e arredores, uma intervenção de lavagem/limpeza num monumento parece ter sido feita de acordo com as melhores regras da arte, não tendo por isso danificado as cantarias. Para já ! Agora teremos de aguardar alguns anos, para então observar as consequências da remoção da cobertura biológica, a qual, como sempre aqui dissemos, não só não degrada a pedra (como agora está à vista de todos), mas até a protege de eventuais elementos naturais mais agressivos (chuvas ácidas, por exemplo). Por agora, portanto, tudo bem. Está de parabéns a empresa que efectuou os trabalhos, bem como os subscritores do apelo "Salvar a Janela do Capítulo", que a obrigaram a agir com todas as cautelas. Como sempre deveria ser, mas não é. Infelizmente !



E quando a opinião pública está menos atenta e não mostra preocupação, as coisas são feitas de modo mais expedito, que fica muito mais barato e é mais rápido, mas provoca estes desastres. A foto mostra uma das vergas do Claustro da Hospedaria, ali coloca por volta de 1545. Submetida recentemente à operação de lavagem/limpeza, visivelmente com jacto de água e produtos decapantes dissolvidos, para ser mais rápido, decorridos poucos anos está agora a "descascar-se" pouco a pouco, num processo irreversível...

Oxalá e Deus permita que não venha a acontecer o mesmo no sector da Nave Manuelina, agora acabado de intervencionar. Afinal, as cantarias são praticamente da mesma época. A da foto é de 1545, como já foi referido, as da construção manuelina são de 1515. Trinta anos mais velhas, por conseguinte, mas da mesma pedreira calcárea.

Um último detalhe, que tem a sua importância, sobretudo numa altura de penúria orçamental como a que atravessamos, e cujo fim se não vislumbra: menos de 20 metros quadrados limpos, no sector com menos ornatos de toda a nave, segundo o próprio IGESPAR, custaram aos contribuintes, que somos todos nós, a módica quantia de 76.104 euros (IVA incluído) = a quinze mil duzentos e vinte contos ! Quanto custará a limpeza lavagem de tudo aquilo, se chegar a realizar-se ?

E o Convento com tantos sectores a necessitarem de urgente manutenção. E os Pegões então nem se fala. E a Igreja de S. João Baptista, a precisar de urgente raspagem seguida de pintura da fachada... Oh tempo ! Oh costumes !

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

A PULGA E OS ELEFANTES

As posições de Michel Rocard, antigo primeiro-ministro francês, que constam dos dois posts anteriores, mostram que é abusivo comparar a crise portuguesa, e sobretudo a tomarense, com a crise internacional. Há, no entanto, pelo menos três aspectos comuns: todas resultam da falta de coragem para mudar de modo de pensar e da evidente falta de ideias fecundas; todas implicam necessariamente mudanças drásticas, sob pena de dramáticas consequências.
A nível internacional, a sucessão de desastres com origem próxima em bolhas especulativas. A nível nacional, as inevitáveis repercussões desses desastres. A nível local, a inexorável caminhada para o abismo da falência e do desaparecimento como comunidade relativamente autónoma. Com é óbvio, preocupa-nos sobremaneira a crise local. Conforme já aqui foi referido anteriormente, designadamente na série "Para tentar perceber a crise", do ano passado, a decadência tomarenses conheceu até agora duas fases: o lento definhamento económico entre o 25 de Abril e a primeira presidência de António Paiva; o vendaval Paiva e as suas consequências.
O lento mas constante definhamento da cidade e do concelho entre 1974 e Paiva resultou sobretudo da conjugação de dois factores primordiais -a drástica redução da componente militar e o costumeiro imobilismo/acomodamento/conformismo local. Terá sido esta irritante situação de facto que parece ter impelido António Paiva a desencadear o seu vendaval. Homem de acção, não conseguiu suportar sem agir a pasmaceira tomarense. Algo eufórico com os primeiros fundos europeus, mas não dispondo de projectos locais consistentes e articulados, remediou a situação à portuguesa -procurou desenrascar-se. "Fez" assim muitas obras, conseguindo convencer a maioria dos eleitores concelhios de que era um salvador, assim ganhando largamente as eleições e acabando por obter alhures um lugar de prestígio e bem remunerado.
Infelizmente para os tomarenses, Paiva errou em toda a linha, conquanto tenha agido convencido de que estava a proceder da forma mais favorável para as populações. E se caiu nas graças dos seu pares, terá sido unicamente porque a cultura política, económica e mesmo tout court, nunca foi nem é o forte dos nossos autarcas, salvo algumas excepções. Os que habitamos na cidade e nas freguesias rurais, percebemos agora que a maior parte da obras do período Paiva e posteriores apenas serviram para sacar fundos europeus e elevar a dívida camarária para níveis preocupantes.
Para mal dos nossos pecados, a actual maioria circunstancial 3+2 não dá mostras de ter planos ou sequer de almejar tê-los. É mais uma maioria de acomodados, que fará sempre o necessário para que nada mude, ou mude apenas o menos possível, não vá dar-se o caso de virem a perder as confortáveis posições que agora ocupam. Os três laranjas seguem as orientações do duo Relvas/Paiva, agora acossados pelo preocupante défice e pelo fim do maná de Bruxelas. Os dois rosas limitam-se a cumprir o acordo que assinaram, não para benefício das populações, mas apenas para obter vantagens pessoais. Não vemos assim, salvo imprevisto trambolhão, qualquer luz ao fundo do túnel para os próximos quatro anos. Até porque, pensando bem, nas últimas autárquicas, o único candidato que apresentou um programa minimamente adequado à actual envolvência política, foi Bruno Graça, pela CDU. Todos os outros alinharam pela clássica chapa 2 -o povo quer é comida, obras e festas. Que não haja dinheiro para custear tudo isso, não parece ter qualquer importância para a generalidade dos nossos políticos. Só a candidato da CDU teve a coragem de admitir implicitamente o b a bá da economia: para poder distribuir riqueza, primeiro há que produzi-la.
Enquanto os nossos concidadãos persistirem em não aceitar a realidade tal como ela é, teremos de continuar a afirmar que é impossível salvar o concelho sem os tomarenses, mas infelizmente também não se pode contar com os tomarenses para essa tarefa. Por enquanto ? Quase sempre o que tem de ser tem muita força.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

FINALMENTE UMA BOA NOTÍCIA !

A imagem não deixa dúvidas. O buraco da Rua Aurora Macedo foi tapado, antes das quatro da tarde de hoje. Fizeram-no no primeiro dia de trabalho após o interregno do Ano Novo. Como se impunha. Justo é, por conseguinte, noticiar o facto. É uma boa notícia.
Limitaram-se a encher o buraco de serrisca, como da outra vez ? É verdade. Se vierem mais umas boas bátegas, voltará tudo ao mesmo ? É provável. Mas isso já são outros contos. Os funcionários terão feito aquilo que os seus chefes lhes mandaram, tal como estes terão agido de acordo com as orientações dos eleitos. Ou estamos enganados ?

Quem se portou igualmente à altura das circunstâncias foram alguns moradores aqui da rua. Até dá gosto ter vizinhos assim. Conscientes dos seus deveres de cidadania e civicamente activos. Repare-se que, respeitadores dos direitos alheios, até cumpriram, na improvisada sinalização, todas as boas maneiras da política. O laranja mais alto, porque = a 3 eleitos; o rosa mais baixo mas mais fino, como convém. PSD mais à direita, PS mais à esquerda... para quem sobe a rua. Tomar a dianteira não tem culpa nenhuma de estar instalado mais acima, o que o leva frequentemente a ver as coisas do outro lado...


Entretanto, como uma desgraça nunca vem só, diz o povo, caiu mais um eucalipto junto ao mercado. Não por causa do vento; simplesmente porque estava desde há muito inclinado, e agora com o terreno amolecido pela chuva, deu-se o irreparável. Se quando cortaram os irmãos deste tivessem ido até ao fim, teria sido mais simples. Optaram por deixar nove exemplares para amostra. Restam oito. Até quando ?
Os habituais defensores do poder instalado já estarão a murmurar "Lá está o gajo a tentar encravar os autarcas ! Tem cá uma língua..."
Estão redondamente enganados, estimados conterrâneos. Aqui no blogue não procuramos encravar ninguém. Tentamos, isso sim !, inculcar em quem nos lê a ideia de que é necessário e urgente desencravar a cidade e o concelho. Com a maior urgência possível. Quanto mais tarde, pior maré.
Cuidam que estamos a faltar à verdade ? Pois tenham a coragem de cair na realidade. Para que precisaríamos nós de encravar os membros da actual maioria e companhia ? Desde há muito que os eleitos locais, aqui em Tomar, são simultaneamente tão boas pessoas e tão fraquitos politicamente, que poupam à oposição e aos (raros) analistas esse trabalho. Encravam-se sozinhos, como está à vista de todos aqueles que já ousaram deixar de utilizar os embaciados óculos partidários.
Porque, afinal, é ou não verdade que praticamente toda a gente diz, em conversas privadas, que "esta câmara não vale nada" ? Não têm, pelo menos por enquanto, é a coragem de levar o raciocínio até ao fim: "mas os eleitores ainda são piores."
Duvidam ? Então digam-nos lá que outros habitantes, com as respectivas cabeças já cheias de "galos", continuariam a dar cabeçadas nas paredes, por ignorarem que os "galos" resultam das cabeçadas ?
Não foi o que aconteceu nas recentes eleições autárquicas aqui em Tomar ? Mas o PSD ganhou, apesar de anos e anos de asneiras crassas...
A vida tem destas coisas !

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

QUEBRA-CABEÇAS DE ANO NOVO




Sabe-se que os tomarenses, salvo raras excepções, são cidadãos "bons de boca"; "comem de tudo" e sem dificuldade. Vivem cá, andam por aí, mas não reparam na maior parte das coisas. Então em termos políticos nem se fala. Passa-lhes quase tudo ao lado. Ou despercebido, que dá o mesmo resultado prático. Como contrariamente ao que tem acontecido em anos anteriores, agora quanto menos se repara mais se é prejudicado, vai ser praticamente obrigatório mudar de comportamento. Em 2010 e além, os cidadãos ou abrem os olhos, ou abrem olho e põem-se e jeito. A escolha cabe a cada um.
Tentando ajudar, aqui ficam, com os nossos votos de BOM ANO NOVO, três aspectos da cidade antiga, à vista de toda a gente. Veja se consegue identificá-los e diga-nos.
O primeiro é um telhado ecológico, muito verdejante, mas se calhar menos conveniente em caso de chuva forte. O seguinte é uma chaminé modelo clássico tomarense, devidamente caiada, mas florida; sinal de que nem o inverno obrigou ainda à sua utilização. A terceira é uma fonte muito curiosa, do tipo "máquina multibanco" (depois lhe diremos porquê), que já conheceu melhores dias, visto que agora já não deita água.


INSÓLITOS TOMARENSES - 18

Já aqui se falou daquela casinhota do Mouchão, cuja utilidade ninguém conhece. É por assim dizer uma coisa sem passado nem futuro. Uma simples borbulha provocada pela febre dos fundos europeus.
Hoje apresentamos mais três exemplares, mas estas são de outra estirpe. São muito tomarenses. Tal como a cidade, têm um passado, por vezes brilhante. Não têm é futuro nenhum.
Esta primeira, situada na Mata dos Sete Montes, foi durante muitos anos apoio para o único parque infantil então existente em Tomar. Ao lado havia até um armário metálico com umas boas dezenas de livros para empréstimo, a cargo de uma funcionária municipal, que também vendia refrigerantes. Foi durante o período áureo de Tomar. Vinham as senhoras dos senhores oficiais e outras damas da boa sociedade nabantina passear a descendência, fazer malha e conversar, sempre acompanhadas pelas respectivas criadas de servir, ou sopeiras, devidamente ataviadas com aventais de peitilho...
Foram-se os militares, foram-se esses tempos, foram-se os livros, foi-se a funcionária, foi-se o parque infantil. Já não há sopeiras nem boa sociedade. Apenas alguns tomarenses que ainda julgam que sim. Ficou a chafariz e acrescentaram um contentor, por despejar desde a última festa dos tabuleiros...
Entretanto os adolescentes de ambos os sexos, apesar da liberdade de costumes, continuam a macular espaços com juras de amor que não têm coragem de dizer directamente aos interessados. Os portugueses sempre foram muito desinibidos, e quem sai aos seus...
Outra casinhota municipal, sem futuro mas com passado. Fica na estrada do Convento, do lado direito de quem sobe. Foi em tempos uma mini-estação elevatória. Puxava a então "água da Mendacha" da reduzida rede local até ao Convento, onde era consumida pelo Hospital Militar, pelo Seminário das Missões, pelo Posto Rádio Militar e pela GNR. Tinha até um vigilante permanente, avô de uma funcionária superior da autarquia. Já não há no Convento qualquer daquelas estranhas ocupações (e ainda bem) e o abastecimento de água utiliza agora outras canalizações.


Esta é a benjamim das casinhotas locais. Pertence ao IGESPAR e fica na via de acesso à Ermida da Conceição. A dada altura, um daqueles quadros superiores do organismo lisboeta que tutela o Convento e mais meia dúzia de monumentos, cuidou ser capaz de mudar o mundo. Assim como aquele outro que descobriu o método para fabricar pregos com a cabeça do outro lado...
Pois a pessoa em causa, certamente com vasta experiência em gestão turística, convenceu-se que colocando ali um funcionário do Convento a vender bilhetes a um euro para visitar a capela, iria ser um sucesso. Está claro que não foi. Pois se a maior parte dos visitantes nem à borla lá querem ir...
Ficou a casinhota, a aguardar transporte e melhores dias.