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sexta-feira, 30 de julho de 2010

PARA A PSP TOMAR CONSCIÊNCIA

Esta observação não é de modo algum uma crítica à PSP, cuja missão é dura e ingrata, merecendo por isso o respeito e a consideração de todos os cidadãos. Trata-se apenas de tentar que o senhor comandante local da dita força de segurança possa TOMAR CONSCIÊNCIA (como lá está escrito no paredão) de que, naturalmente sem intenção, a força que comanda está a prejudicar os cidadãos moradores naquela zona, ao privá-los de cada vez mais lugares para estacionar.
É fora de qualquer dúvida que a PSP necessita de um espaço amplo e vigiado para parquear os veículos em situação irregular (apreendidos, acidentados, abandonados). Acontece todavia que, caso não sejam tomadas providências de forma atempada, dentro de algum tempo todos os lugares de estacionamento daquela zona estarão ocupados com viaturas trazidas pela PSP.
Na nossa modesta opinião, bem entendido sujeita a observações melhor fundamentadas, o senhor comandante deveria solicitar quanto antes à Câmara de Tomar a indicação de um parque vedado e vigiado onde possam ser guardadas todas as viaturas trazidas pela PSP. Vai ver, senhor comandante, que a autarquia lhe responderá sem demora. Na melhor das hipóteses, lá para Setembro de 2013, uma vez que as eleições serão logo no mês seguinte, informará V. Exa de que os serviços camarários competentes já estão procurando no concelho um terreno adequado para o efeito pretendido, após o que se irá tentar conseguir verbas para o seu arranjo adequado. Seguir-se-á a elaboração do projecto, a indispensável alteração do PDM e o respectivo licenciamento. Mais um anito ou dois, no mínimo. Entretanto já V. Exa terá sido colocado noutro lugar de comando...e os autarcas até poderão já ser outros. Não percamos a esperança.
Dirá V. Exa, senhor comandante, que sendo assim, nem valerá a pena tentar. Queira desculpar, mas está a encarar menos bem a situação. É evidente que tudo terá infelizmente de continuar na mesma, com os moradores a protestar e cheios de razão, mas a PSP poderá então alegar que a culpa é apenas da Câmara Municipal, que alertada a tempo e a horas, nada fez...
Aceite, senhor comandante, os nossos antecipados agradecimentos e respeitosos cumprimentos, extensivos a todos os seus subordinados, que nem sempre são ajudados pela população nas suas tarefas, por vezes ingratas.

wwwtomaradianteira.blogspot.com/António Rebelo/Sebastião Barros



segunda-feira, 26 de julho de 2010

A PRETENSA JOGADA DO PS

A mais recente e entusiasmante situação política tomarense parece resultar de uma hábil jogada do PS. Há até um excelente comentário, enviado a este blogue, que usa a expressão "política de se lhe tirar o chapéu". Entende-se. Muitos militantes e aderentes, bem como alguns dirigentes do PSD sentem-se traídos, por terem sido confrontados com uma imprevista coligação post-eleitoral, sem que lhes tenham solicitado a opinião. Tratam, portanto, de diabolizar tanto quanto possível o detestado, imprevisto, incómodo e ocasional parceiro. É dos livros.
Dito isto, tenho para mim, que os do PS local são mais vítimas do que autores. Por outras palavras, os socialistas nabantinos não desencadearam deliberadamente qualquer crise, nem sobre o encerramento do mercado, nem sobre os museus da Levada, nem sobre o realojamento dos ciganos. Foram apenas procurando abrir cada vez mais as pernas, de modo a manter um pé na coligação, que lhes assegura muito confortáveis dividendos; outro pé na oposição, que lhes permitirá, eventualmente e se tudo lhes correr de feição, a vitória nas próximas autárquicas. Tanto abriram, tanto abriram, que estão e estamos agora envolvidos numa situação realmente caricata: Não debatemos o problema do mercado, o projecto megalómano da Levada, ou a falta que faz um projecto vertebrado, mas apela-se ao debate alargado de um assunto nado-morto. Se a actual versão do PDM não permite a construção de habitação na Zona Industrial, como é normal, para quê perder tempo com inúteis argumentos, que nos conduziriam fatalmente à mesma conclusão?
Partamos do princípio que a actual e moribunda maioria relativa do PSD local, instigada pelo seu alter ego António Paiva, insiste no realojamento cigano na ZI, contra tudo e contra todos. A única hipótese viável será instalar ali não só as famílias ciganas, mas igualmente outras famílias mais ou menos carenciadas. Caso contrário dirão que é um gueto, que há evidente segregação, que são racistas...
Além da previsível e inevitável debandada dos empresários ali instalados, que famílias aceitariam instalar-se em semelhante local, sem lojas, sem transportes, sem escola, afastadas da cidade e com tal vizinhança? O PSD estará disposto a arcar com as consequências eleitorais de tal despautério? E o PS? Claro que não? Então para que andam a enganar-nos e a tentar ganhar tempo? Tenham coragem. Peguem os bois pelos cornos. Museu da Levada? Como e porquê? Fórum? Com que fundos? Para quem e para quê?
O resto não passa da habitual música ambiente, ao som da qual já quase ninguém dança.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

PÂNTANO POLÍTICO LOCAL CADA VEZ MAIS AGITADO

Foto o jumento

Foto o jumento

Ao contrário do que se previa na pacata paisagem política tomarense, a folgada vitória de PPC em vez de acalmar, contrbuiu para excitar os ânimos no seio do PSD. Com efeito, os laranjas locais votaram maioritariamente no novo líder social-democrata, mas, de modo evidente, estão cada vez menos unidos. Já não é só a fractura entre relvistas e delgadistas; agora há também a animosidade dos militantes para com os independentes. Sobretudo em relação ao presidente da câmara, que vários acusam de falta de pulso, de indecisão e de ter faltado à palavra dada. Ao que nos foi dito, comprometera-se a assumir pelo menos o pelouro do turismo, que depois entregou aos parceiros de coligação, sem qualquer justificação prévia ou posterior.
Foi uma decisão muito mal acolhida, e a situação tem-se agravado, sobretudo devido ao feitio e aos subsequentes métodos de actuação do novo responsável por aquele pelouro. Segundo as nossas fontes, em vez de adoptar o "estilo bébé a dar os primeiros passos e a procurar todos os apoios possíveis", o autarca em questão terá preferido o "estilo "bulldozer", levando, ou querendo levar, tudo e todos à sua frente, no estilo "eu é que sei, quero, posso e mando". Como parece ser evidente, esta maneira nada diplomática de arredar todos os que não gostam de se limitar a dizer amen, tem causado problemas delicados. Cada um de nós tem a sua estrutura psicológica, bastante complexa. Nela o amor-próprio e o orgulho ocupam lugares importantes, pelo que ninguém gosta ou aceita sequer ser bruscamente empurrado da ribalta para os bastidores, ainda por cima sem qualquer justificação, e com visíveis maus modos, a roçar o desdém.
Nestas condições, terá de ocorrer alguma modificação importante a curto prazo, sob pena de graves prejuízos para a indispensável credibilidade da autarquia. Na verdade, o recente consórcio de conveniência tornou possíveis duas actuações totalmente opostas, por parte de filiados no mesmo partido. Enquanto um pretende mudar, alterar, inovar a toda a pressa, mesmo contra tudo e contra todos, o outro tem sido de uma assinalável humildade, grande apego ao trabalho e dedicação à causa pública. Pelo menos por enquanto.
De qualquer forma, pelos lados da Rua Voluntários da República as coisas também não rolarão exactamente sobre esferas. Anda tudo muito calado, como é costume, mas os tomarenses informados não deixaram de notar que, nas recentes eleições internas, nem chegaram a 25 % os filiados que julgaram útil ir votar. Para uma comissão com mais de 30 candidatos, não se pode dizer que tenha sido um êxito. Regra geral, nos países e/ou cidades de longa tradição democrática, quando se apura que mais de metade dos eleitores não exerceu o seu direito, os candidatos votados renunciam aos seus mandatos, por se considerarem não legitimados por uma maioria. Claro que aqui no vale do Nabão, em princípio não irá acontecer nada parecido. É pena. Certas ideias, certas actuações, certos métodos e certos feitios, em vez de facilitarem as indispensáveis e urgentes mudanças, contribuem pelo contrário para criar resistências, agravando ainda mais a nosso já penoso quotidiano.

PS
Agora não se esqueçam de vir com o habitual argumentário da má-língua, da dor de cotovelo, do mau perder, etc. Ao fim de certo tempo, as pessoas começam a estar fartas de ouvir sempre a mesma música.

PS 2
Deixamos ao cuidado de cada leitor a interpretação das duas fotografias supra, que reproduzimos do nosso confrade ojumento, como a devida vénia.

domingo, 28 de março de 2010

COMEÇA A HAVER LUZ LÁ AO FUNDO ?


Este comentário, enviado para Tomar a dianteira, passou por assim dizer despercebido. No entanto, a ser realmente da autoria de quem o assina -e tudo indica que seja, pois não foi posto em causa por ninguém- podemos muito bem estar perante o mais importante testemunho político dos últimos tempos. Porque, se José Delgado, o recém-eleito lider local dos sociais-democratas, já começa a sacudir a água do capote PSD, não tarda vamos ter festa...de arromba. Carrão a presidente ? Tudo é possível, até porque sempre foi e é delgado, sabendo-se igualmente que acalenta esse sonho, a tudo estando disposto para o alcançar. É humano.
Eleições antecipadas ? É díficil, face à vitória dos coelhistas a nível nacional, que é = a vitória relvista a nível local. Mas não será de descartar em absoluto tal hipótese, sabido como é que os dois eleitos socialistas tendem a exagerar nas suas respectivas actuações. Sobretudo Luís Ferreira, ques se esmera a desencadear conflitos em todos os serviços que tutela. Conflitos que têm envolvido funcionários da estrita confiança dos sociais-democratas. Será pois do domínio do consensual que um tal clima de crispação não possa prolongar-se -ou mesmo agravar-se- até 2013.
A solução mais simples seria, bem entendido, uma mudança comportamental dos dois vereadores do PS. Todavia, cada um deles tem o seu feitio, (de resto como todos nós) e não consta que haja leões herbívoros, ou escorpiões que renunciem ao uso do respectivo ferrão... Está na natureza de cada um.
Adicionando a tudo isto uma informação de fonte fidedigna, de acordo com a qual "o homem (José Delgado) não quer para já ofuscar ninguém, mas no momento oportuno não hesitará em dar a estocada", tudo indica que os próximos tempos vão ser animados na coutada nabantina. Tanto mais que a crise continuará a agravar-se e "em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão". Será o caso ?

sexta-feira, 5 de março de 2010

ALELUIA ! FINALMENTE BOAS NOTÍCIAS !

Ora até que enfim ! Boas notícias do laranjal da Nabância, que o mesmo é dizer boas notícias para os tomarenses. Finalmente, aparece um dirigente local que, logo na sua primeira grande intervenção pública, consegue catapultar a política nabantina para um patamar bem mais alto. Diz o que lhe vai na alma, mostra ter uma política definida, para já a curto prazo; indica que sabe distinguir a táctica da estratégia; não corta qualquer ponte, mas logra manter as mãos inteiramente livres, colocando os parceiros da circunstancial e infeliz coligação a jogar à defesa, o que não tem acontecido até agora.
Destaque igualmente para a Rádio Hertz, cujo jornalista (que não ignoramos quem seja) soube conduzir a entrevista de forma a obter declarações simultaneamente originais, bem estruturadas e substantivas.
A partir de agora, -dependendo igualmente do desfecho do imbróglio social-democrata a nível nacional-, está tudo em aberto na política nabantina. Repare-se que o novo dirigente máximo concelhio dos laranjas (que não temos o gosto de conhecer pessoalmente), já antes declarara que a sua equipa não apoia nenhum dos candidatos em liça, deixando a cada militante inteira liberdade de escolha.
Para já, José Delgado mostrou arcaboiço político, ao levar os dois eleitos do PS a perceberem que estão às ordens do PSD, partido maioritário a nível local, que por isso deve exercer a liderança efectiva. Sem, todavia, o dizer frontalmente, como convém. Bastou-lhe afirmar que não concordava com a forma como o acordo estava a ser cumprido e, mais tarde, que ele e os da sua equipa nada tiveram a ver com o inesperado casamento de conveniência, pois nem sequer foram consultados, ou dele tiveram conhecimento antecipado. A isto se chama política de alto coturno. Dar a entender muito mais do que aquilo que se diz. Para bom entendedor...
Significa isto que melhores dias se aproximam para os tomarenses ? A ver vamos. Até agora, os primeiros sinais são muito favoráveis, o que já não sucedia há demasiado tempo. Porém, como é sabido, os ciganos nunca gostam de ver bons princípios aos filhos. Optimismo portanto, mas moderado e cauteloso. Os dados estão lançados ! Aguardemos.

Nota final:

Muitos estranharão que finalmente digamos bem de alguma coisa. Acrescentarão até que "os gajos ou já se passaram para os laranjas, ou estão a preparar o terreno para a próxima corrida".
Nada disso, caros conterrâneos ! Sucede simplesmente que -como aliás aqui tem sido repetido com alguma frequência- há já muitos anos que deixámos de usar "óculos partidários" para ver, analisar e explicar o que acontece, tanto na sociedade local, como nacional ou internacional. O que nunca nos impediu, nem impede, de termos uma determinada visão do mundo, a qual nunca implicou que esqueçamos a conhecida frase do saudoso Vítor Cunha Rego: "As coisas são o que são." Para o bem e para o mal. Ou, citando os nossos irmãos brasileiros, "Quem nasceu lagartixa nunca chega a jacaré."

segunda-feira, 1 de março de 2010

EM CHEIO NO CORAÇÃO DA REALIDADE

Vale mais prevenir que remediar, usa dizer-se por aí. Numa terra em que a esmagadora maioria da população é desprovida de qualquer sentido de humor, preferindo arrastar-se pelas ruas com cara de enterro, ou com ar de alguém a quem todos devem e ninguém paga, toda a cautela é pouca. Daí este intróito.
Temos naturalmente estima, consideração e respeito por todos os que, como nós, procuram informar o melhor possível "dentro de lo que cabe", segundo a expressão castelhana. Sabemos muito bem que errar é próprio de quem faz, acontecendo a todos, com maior ou menor frequência. Nem os profissionais das chamadas catedrais da informação escapam, quanto mais agora nós, pobres provincianos tomarenses, longe da Europa, longe de Lisboa, longe da sorte.
O que segue é pois exclusivamente para provocar uns sorrisos saudáveis, não tendo qualquer intuito de agredir ou apoucar os caros colegas da Hertz, cujo trabalho admiramos, conquanto nem sempre estejamos totalmente de acordo.
Pois desta vez, por mero acaso ou intencionalmente, ao primeiro tiro, os hertzianos conseguiram atingir a realidade local em pleno coração. Na verdade, aquilo que temos tido desde antes da campanha eleitoral é um conjunto de dois partidos tipo irmãos siameses. Um não tem programa, o outro tão pouco. Um não tem rumo, o outro também não. Um não tem ideias, o outro igualmente. Ainda por cima, juntando a fome com a vontade de comer, coligaram-se sem acordo devidamente estruturado. Limitaram-se a dividir empregos, vulgo "tachos". É por isso particularmente correcta e incisiva a designação "Partido Socialista Democrático de Tomar", pois é disso que se trata. Quer a coligação se venha a esbandalhar a curto prazo, ou mais tarde; quer venha a durar todo o mandato, é bem certo que os eleitores nabantinos não terão alternativa. Os dois partidos do chamado arco do poder já lá estão, por enquanto não convencem e são, em termos de acção, boné branco e branco boné. Assim uma espécie de Dupont e Dupond
Quanto aos IpT, manda a verdade dizer que o eleitorado já "disse", por duas vezes, que não está interessado em ter novamente Pedro Marques como alcaide de Tomar. E contra factos, os argumentos não colhem, pois nem adiantará debater se os cidadãos terão ou não razão. Os factos são o que são. Em duas consultas genuinamente livres, o antigo independente pelo PS nunca esteve sequer próximo da vitória, apesar de neste último escrutínio ter beneficiado de uma campanha publicitária muito acima do que é usual por estas bandas. Tem o direito de continuar a concorrer ? É claro que tem. Tal como qualquer cidadão tem o direito de sonhar com a lotaria, o totoloto ou o euromilhões. Os tomarenses é que não parece que tenham qualquer esperança vinda dali.
Dado que os outros agrupamentos, por mais necessários, sérios e activos que sejam, não têm qualquer hipótese de vencer, coisa que os eleitores sabem perfeitamente, estamos realmente num beco. A exigir quanto antes uma efectiva recomposição da paisagem política local. Sem o que, qualquer que venha a ser o contexto nacional e internacional, estamos condenados à insignificância.
Parafraseando um conhecido soberano, os tomarenses são um grande povo. Sob a égide dos templários e dos cavaleiros de Cristo, conseguiram reunir os meios de financiamento que possibilitaram a extraordinária aventura dos descobrimentos. Mas depois cansaram-se e nunca mais fizeram nada de jeito. Será desta ? Começa a haver alguns indícios.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

SERÁ SÓ A FORMA DE GERIR ?

Foto O Templário, a quem agradecemos

Tomou posse o novo presidente concelhio do PSD, José Delgado, a quem desejamos as maiores felicidades e facilidades.
Na sua intervenção inicial foi corajoso. Disse não concordar com a forma como está a ser gerida a coligação 3+2, e que tenciona "marcar a agenda política". Parecendo que não, perante tais palavras, os coligados do PS não devem ter ficado nada serenos. Como diz usualmente o povo soberano, tudo indica que a partir de agora é que a porca vai começar a torcer o rabo. Porque José Delgado não é, de forma alguma, um principiante político. Por conseguinte, aquilo que disse foi concerteza bem pesado e melhor medido. Significará, portanto, em linguagem acessível a toda a gente -"daqui para o futuro, ou somos nós que lideramos activamente a coligação e marcamos a agenda política, ou acaba-se com o casório". Tudo bem, dirão talvez os outros dois coligados, mentido com quantos dentes têm na boca se o fizerem. Porque na verdade, além dos lugares bem pagos e outras mordomias significativas, os coligados minoritários apenas têm a ganhar, em termos políticos, alguma projecção, algum protagonismo. A partir do momento em que a outra parte a isso se opõe, que resta aos recém-casados por conveniência ? O simples ganha-pão ? A gamela, como se diz lá para o norte ? E a previsível reacção dos militantes e eleitores do PS ?
E os eleitos pelo PSD, que todavia não são filiados nas hostes laranjas ? Acatarão pacificamente as orientações da nova liderança local ? Ou, como habitualmente, aceitarão uma coisa por cima da mesa e farão outra por baixo da dita ? Convém não esquecer que, tendo sido eleitos sem qualquer programa político vinculativo, nada os obriga a seguir a agenda que eventualmente venha a ser definida. Poderão sempre alegar que não foram eleitos com base nela, pelo que não se sentem obrigados a implementá-la. Isto sem contar com o presente imbróglio da futura liderança nacional...
Resta apurar, na aborrecida prática quotidiana, a fibra do novo líder concelhio. Para já, tudo indica que temos homem, pois na devida altura soube bater com a porta, sem contudo cortar as amarras. Agora, porém, a música é outra. O que significa que só viremos a ter um bom concerto caso o novo maestro venha realmente a conseguir dirigir a orquestra autárquica, (onde pontifica pelo menos um músico que até sabe bastante solfejo, ou pelo menos tem obrigação disso...), com autoridade e novas partituras. O que implicará, bem entendido, no mínimo, o esqueleto de um programa político com fôlego. A autarquia tomarense não pode continuar às aranhas e à mercê de medidas de ocasião, cujos impactos reais nunca são conhecidos, nem foram minimamente estudados. Nem com declarações do tipo "vai ser feito logo que possível..."
Resumindo. Corremos o risco de uma futura vida política local assaz animada, mas nada é ainda certo. Vamos deixá-los pousar e começar a esgravatar, em conformidade com as novas linhas de força. Enquanto vamos contemplando o triste espectáculo da Assembleia da República, que alguma oposição pretende a todo o custo transformar num tribunal, de preferência capaz de condenar um suspeito, mesmo antes de o ter ouvido. Em vez de debater, procurar e votar soluções para os cada vez mais graves problemas do país, que somos todos nós.
Ó tempo ! Ó costumes ! E são aqueles os nossos representantes ! Tem razão Vasco Pulido Valente. Realmente, isto está cada vez mais perigoso !

sábado, 27 de fevereiro de 2010

TRIO RELVICAR OUTRA VEZ ENCORNADO !

Pois é verdade, caros leitores. Continuam as intempéries políticas. Há relativamente pouco tempo foi o alentejano Granadeiro a declarar, sem papas na língua, que foi encornado. Depois foi o inefável Jardim, opinando que se não tem mandado cimentar as ribeiras, ainda tinha sido pior. Agora foi em Tomar. Pela quarta vez em quatro meses, o conhecido "TRIO RELVICAR", do badalado casamento autárquico de conveniência 3+2, levou mais uma parelha dos ditos, nas eleições locais dos laranjas. Após ter sido encornado nas autárquicas pelo eleitorado; no Médio Tejo pelos companheiros autarcas; na coligação camarária, pelo impetuoso esposo; esta encornadela interna, a quarta, é demais !
Até o habitualmente circunspecto Hugo Cristóvão, o representante oficial do noivo na assinatura dos esponsais, não conteve o seu alegre júbilo íntimo. "Hoje em Tomar chove e faz muito vento, mas temporal ouvi dizer que foi ontem. Parece que o estrago foi grande na cultura da laranja nabantina, bem capaz de afectar as colheitas dos próximos anos." (Hugo Cristóvão, alguresaqui.blogspot.com. O negrito é nosso.)
Quer isto dizer que, com tantas infidelidades em tão pouco tempo, à média de uma por mês, a estranha coligação tem os dias contados ? Teria sem sombra de dúvida, se os 3 autarcas do casório, a "noiva", fossem filiados no PSD. Mas não são. Para o bem e para o mal, só o vereador Carlos Carrão é do serralho. Nestas condições, decidam os novos dirigentes locais o que decidirem, só haverá queda da actual maioria caso os independentes Côrvelo e Rosário assim o queiram, pois mesmo que Carlos Carrão saísse ou se unisse aos IpT, duas coisas praticamente impensáveis, porque crimes de lesa-magestade, continuaria a haver maioria para governar. Tal como no caso de haver abandono do lar matrimonial pelo PS, a noiva enganada poderá recorrer aos IpT, que ainda não disseram nada em contrário. E em política...
Há pois todas as possibilidades de os tomarenses virem a sofrer de uma governança autárquica errática, caótica e caquéctica até ao fim deste mandato. A não ser que os eleitores se façam ouvir de forma determinante, coisa nunca antes acontecida em Tomar, e totalmente ao arrepio do usual comportamento nabantino, mais para o carneirismo do que para o toirismo.
Se contra todas as previsões, houvesse queda voluntária da actual maioria, seguida de eleições intercalares, nas actuais circunstâncias nem assim os eleitores teriam a certeza de sairem a ganhar. Isto porque, na ainda recente consulta eleitoral, nenhum dos grupos agora no executivo apresentou qualquer programa, qualquer projecto, qualquer linha de rumo, qualquer ideia, susceptíveis de alterar substantivamente a nossa contínua e inexorável caminhada para o abismo. Numa frase curta -Se os que estão não prestam, os outros não são melhores.
Não há então qualquer esperança ? Há. Que os eleitores se decidam, finalmente, a votar em programas, projectos, linhas de rumo e pessoas que dêem garantias de os aplicar, em vez de "botarem" no emblema, na cor, no compadre, ou no candidato que o sr. presidente disse. Só assim !

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

DIAGNÓSTICO DAS MALEITAS TOMARENSES


TOMAR: UMA SOCIEDADE AMORFA, HABITUADA A QUE TUDO POR ELA DECIDÍSSEM

A realidade tomarense apresenta-se com grandes contrariedades económicas e sociais. Tomar depende do funcionalismo público, mas num tempo de simplificação de serviços, é uma dependência com poucas probabilidades de sucesso. Os grandes empregadores são neste momento a autarquia e os ministérios da defesa, da saúde, da educação e do ensino superior. Todos estes organismos terão como provável tendência a redução de funcionários.
Por outro lado, é muito difícil que nasçam crianças num concelho como o nosso, que os jovens abandonam em busca de melhores paragens. Deverá por isso haver uma redução acentuada do número de alunos e no caso do ensino superior esta situação obrigará porventura a uma contracção de equipamentos. Até que ponto saberá e terá capacidade o "nosso" politécnico para sobreviver ?
É urgente percebermos que Tomar definha todos os dias. Difíceis são os tempos que o concelho atravessa e que pouco têm a ver com a crise que cruza o mundo. Poucas abertas se vislumbram para o nosso futuro, num mundo cada vez menos proteccionista e mais competitivo. Uma sociedade amorfa, habituada a que tudo por ela decidíssem, o concelho de Tomar deu-se mal com a democracia. O amorfismo perdurou e congelou-nos num orgulho vão e bacoco. No mínimo, durante as duas últimas décadas, nunca a autarquia soube ser liderante, aglutinadora e inspiradora. Tem agido sem planos, sem estratégia, sem capacidade de orientar a comunidade. Nunca soube indicar o caminho e agravou as dificuldades com o aumento da despesa e da dívida, pagando obras espúrias e insensatas.
E aqui estamos agora, com uma autarquia pesada, desorganizada, enferrujada, sem filosofia conceptual, e hipotecada, que terá como primeira grande missão corrigir os erros cometidos, sabendo que alguns não têm correcção possível.
A obtenção de fundos comunitários não pode ser um fim em si mesmo, porque obrigam ao comprometimento de verbas próprias e consequentemente do endividamento. A câmara de Tomar terá de arrepiar caminho e definir quanto antes um rumo, claro para todos.
Este é o ponto de partida. Agora há que definir de vez onde, como, porquê e com quê, queremos chegar enquanto comunidade.
Por Tomar e com os tomarenses !
Após a leitura do texto acima, muitos leitores pensarão, como habitualmente, que estou a ser demasiado duro com os nossos autarcas, e que esta dureza resulta de um doentio comportamento de mau perdedor. Alegarão até que as sucessivas maiorias PSD podem ter cometido alguns erros, mas globalmente têm tido actuações positivas. Caso contrário, os socialistas não teriam assinado um acordo de coligação, que os vai comprometer irremediavelmente na presente e futura gestão laranja.
Pois quem assim pensou, pensou mal ! O referido texto é uma condensação do discurso de Hugo Cristóvão, presidente dos socialistas locais, líder da bancada, deputado municipal e signatário do tal acordo de coligação. Foi lido na recente sessão da Assembleia Municipal, perante a indiferença geral, podendo ser consultado no seu blogue algures aqui por quem eventualmente tenha dúvidas.
Como se pode constatar, ainda a procissão não saiu sequer da igreja e já os rosas dizem cobras e lagartos dos seus parceiros, com toda a pertinência, refira-se de passagem. A citada peça parece-nos um excelente diagnóstico, quiça incompleto, das maleitas locais, focando até parte do que não deve ser feito. Com esta corajosa intervenção política, que não teríamos qualquer reserva em subscrever, fica agora a faltar apenas a indicação da indispensável terapêutica. E aí é que a porca torce o rabo. Basta lembrar que, na mesma sessão, os socialistas votaram em bloco com os laranjas contra a moção em defesa da Janela do Capítulo, cuja limpeza foi decidida em Lisboa, como sempre. Para quem tinha, pouco antes, criticado com palavras duras "uma sociedade amorfa, habituada a que tudo por ela decidíssem", não está nada mal, não senhor ! E mostra uma grande coerência política ! Digo eu...

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

ESTRANHO PRESENTE DE NATAL !


Estranho presente de Natal este, que a actual maioria PSD+PS, mais aquele senhor santareno do CDS, acabam de entregar aos tomarenses (mesmo aqueles que cá não nasceram) realmente amigos da sua terra e defensores intransigentes do seu património. A moção-apelo para preservar a Janela do Capítulo, nosso emblema no Mundo, apresentada pelos Independentes por Tomar, foi vencida por 26 votos contra, do PSD+PS+CDS, e 11 a favor (IpT+CDU+BE). Os do temporário quinteto mais o senhor PP devem estar todos contentes. No lugar deles, eu não estaria, porque há males que vêm por bem.
Com a sua sabedoria milenar, o povo costuma dizer que mais vale ter inimigos declarados do que falsos amigos. É exactamente o caso presente. Que é igualmente caricato, pois enquanto em Lisboa, na Assembleia da República, PS, PSD e CDS não se esgadanham mais porque não podem, e pareceria mal não respeitar um mínimo de decência, aqui em Tomar, tão amigos que nós somos ! Por quanto tempo ainda ?
Há derrotas que são vitórias e este resultado, que só pode envergonhar quem ganhou, tanto a curto como a médio ou a longo prazo, tem uma grande vantagem -separou as águas. O que é excelente porque, tanto na vida em geral, como na política em particular, vale mais só que mal acompanhado. Ou, por outras palavras e com outra dimensão, diz-me com quem votas, te direi quem és. Politicamente, claro.
Mesmo derrotada no parlamento tomarense, a campanha "Salvar a Janela do Capítulo" vai continuar, recorrendo a todos os meios legais, e conseguiu até agora três grandes resultados:
1 - Obrigou o IGESPAR, pela primeira vez desde a sua fundação, a explicar por escrito aos tomarenses aquilo que está a ser feito e o que pretende mandar fazer a seguir.
2 - Mostrou na prática que os tomarenses não podem contar com a actual maioria PSD+PS, quando se trata de defender o nosso património. (O que não significa que se possa contar com eles para qualquer outra coisa...) Laranjas e rosas preferem defender os interesses governamentais em detrimento dos locais. Que vos faça muito bom proveito. Mas cuidado com as indisgestões.
3 -Tornou claro que há em Tomar e no concelho toda uma série de capelinhas (IPT, Agrupamentos de Escolas, Juntas de Freguesia, Colectividades) que, salvo raras excepções, nunca arriscam sair da ortodoxia, com medo de perderem uns pratitos de lentilhas. Bom proveito igualmente.
Tudo isto poderá parecer pouco, tanto a quem julga estar instalado no poder por muitos e bons anos, como a alguns signatários e votantes do apelo. Contudo, no meu fraco entendimento, representa a passagem da opinião pública tomarense da "carneirada" para a plena cidadania. E isso, podem crer, já está a incomodar muita gente.
Doravante, laranjas rosas e azuis já não poderão olhar para os tomarenses com ar de quem está a cumprir os seus deveres para com a comunidade. Estão feridos de asa, o que em política raramente perdoa. Mesmo em Tomar, onde, aparentemente, quanto mais isto muda, mais está na mesma.
Feliz Natal e Bom Ano Novo para todos, que a época é de concórdia, mas não implica unanimidade política.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

OIÇAM QUEM TEM EXPERIÊNCIA

Há leitores que me apodam de pessimista profissional. E sobretudo, sobretudo, de especialista de má-língua. Sabedor de que assim é, procurei indagar o que pensam outros cidadãos na minha posição -aposentado, amigo do meu país e apaixonado pela minha terra, sem ambições políticas, sem nada a ganhar ou a perder. Por conseguinte com inteira liberdade para dizer o que penso.
Tive sorte. Na sua habitual crónica semanal "O tempo e a memória", no Diário de Notícias, Mário Soares é frontal, como habitualmente, e expõe numa página inteira aquilo que lhe vai na alma, naturalmente sem qualquer constrangimento. Peço licença para reproduzir, com a devida vénia, a parte que mais nos diz respeito, aconselhando os leitores a substituirem governo por autarquia, primeiro ministro por autarcas, PS por PS/PSD, e assim sucessivamente, quando for caso disso.
"A situação portuguesa está a deteriorar-se, perigosamente acho eu, tanto no plano económico-social como político-institucional e moral. E o pior é que assim vai ser muito difícil vencer a crise global de que -atenção !- estamos longe de ter saído. Tanto a União Europeia como nós. Mas não basta fazer o diagnóstico da situação. É necessário um plano estratégico concertado de ataque à crise e, sobretudo, agir em conformidade com ele.
Todos os meus leitores sabem que, por natureza, não sou pessimista. Antes pelo contrário. Mas procuro ser realista. Sinto junto das pessoas com quem contacto, de todas as condições sociais, do litoral e do interior, que há uma grande incerteza -e mesmo preocupação- quanto ao nosso futuro colectivo. Não estamos ainda perante uma crise de regime, como alguns profetizam, mas para lá caminhamos, se a sociedade civil e, especialmente, os partidos -do governo e da oposição- não forem capazes de criar um mínimo de concertação para podermos mudar as coisas. ... ... ...
Quando me refiro aos partidos políticos estou a pensar, naturalmente, nos que têdm assento na Assembleia da República -da esquerda e da direita- sem excluir o PS, que não deve limitar-se a apoiar o governo -cela va sans dire- , mas ter uma vida própria, autónoma e a debater internamente, e com os outros partidos e associações cívicas, os grandes problemas que nos afligem. Sem um PS mobilizado pela discussão livre e o debate interno, dando voz e ouvindo os militantes, que têm sugestão a dar ou críticas a fazer, o governo, nas condições actuais, dificilmente aguenta até ao fim da legislatura. Mas com o partido activo e mobilizado será diferente". ... ... ...
Aqui em Tomar, digo eu, estamos bem, felizmente. Há debates por todo o lado, sucedem-se as mesas redondas sobre políticas locais e, sobretudo, há carradas e carradas de ideias realmente operacionais. Tantas que ninguém sabe por enquanto qual a ponta por onde lhes pegar. Há até pessimistas -eu, por exemplo- que asseguram estarmos nas margens do Nabão numa situação redonda. Sem ponta por onde se lhe pegue, nem pessoas capazes de lhe pegar. Mas deve ser só má-língua. Vamos esperar, no duplo sentido do termo. Aguardar e ter esperança. Depois não me venham com a velha desculpa de que ninguém vos avisou a tempo e a horas...
(Ler a totalidade da crónica de Mário Soares em wwwdn.pt )

terça-feira, 17 de novembro de 2009

ESTÃO BEM UNS PARA OS OUTROS

Estarei se calhar a ver mal. Se for o caso, os leitores e os visados farão o favor de se manifestar.
Há dois dias, Luís Ferreira escreveu no seu blogue "A partir de 1 de Março de 2010 Tomar tem 850 anos de idade. A velhinha Templária vai estar em Festa 2 anos..." Fiquei naturalmente preocupado, estive para responder, voltei a ponderar, resolvi calar-me.
Ontem ao chegar à biblioteca antiga, para onde fora convidado pelos IpT, soube que no 1º andar daquele edifício decorrera uma reunião de Miguel Relvas com os líderes dos agrupamentos políticos representados na assembleia municipal. Uma sede para a comissão da festa dos tabuleiros, a convocatória, a fazer pelo presidente da câmara, para a escolha do mordomo da próxima festa, a realizar em 2011, bem como a implementação de um museu virtual dos tabuleiros, eis os tópicos debatidos.
Perante isto, sem querer atacar ou sequer beliscar quem quer que seja, não posso deixar de manifestar a minha perplexidade. Então, não há debandada da população ? Desemprego ? Dificuldades de tesouraria muito sérias no município ? Eleitores que têm de dormir com o chapéu aberto quando chove ? Prédios antigos que ameaçam ruína em plena cidade antiga ? Gente que passa mal ? Aumento dos pedidos de ajuda à Caritas local ? Aumento para quase o dobro dos pedidos de rendimento mínimo ? Um cidadão a viver nuns sanitários públicos ? A cidade cada vez mais porca ? A evidente falta de manutenção de alguns espaços verdes de responsabilidade municipal ? A falta de pessoal especializado na mata dos sete montes ? O incrível estado de ruína do mercado municipal ? As dificuldades cada vez mais graves do comércio local ?
E perante tudo isto e muito mais, que se omite para não alongar, PSD, PS, Miguel Relvas, Luís Ferreira e Corvêlo de Sousa, todos mandatados pela população para cuidarem o melhor que souberem da cidade e do concelho, acham que as comemorações dos 850 anos do início da construção do castelo, em Março próximo, e a festa dos tabuleiros de 2o11, são realmente as prioridades do momento ?
Não sou frequentador de missas, não ando a bater com a mão no peito, nem costumo invocar o santo nome em vão. Neste caso porém, não posso deixar de implorar, bem do fundo do coração de tomarense nado e criado aqui, amante da sua terra -Valha-nos Deus !!!

domingo, 8 de novembro de 2009

CONTINUIDADE E DEFINHAMENTO...

Tinha decidido fornecer hoje à noite uma pitada de história local. Para focar/lembrar alguns factos que podem muito bem constituir ensinamentos importantes sobre o nosso futuro a construir. Entretanto li os jornais e encontrei no PÚBLICO este tema que me pareceu importante.
É meu entendimento que a nível nacional o silêncio sobre a crise resulta, sobretudo, de dois factores: 1 - A direita (PSD/CDS) viu desmentidos na prática os pretensos méritos do liberalismo, com a necessidade de importantes intervenções governamentais para evitar falências em série. Mesmo na pátria do capitalismo puro e duro -os Estados Unidos. 2 -A esquerda (PS, PCP, BE) mostra-se cautelosa, dado que, apesar da gravidade e persistência da crise, a direita tem subido e ganho eleições por essa Europa fora, quando afinal o inverso seria mais lógico. E depois parece haver um certo cansaço em relação ao sacerdote Louçã e ao seu manifesto irrealismo nalguns pontos, bem como uma lenta mas contínua erosão do Mosteiro do Jerónimo. Adiante.
No que a Tomar se refere, há também a considerar o relativo "entontecimento transitório" após o choque provocado pelo "juntar dos trapinhos" PSD/PS, que surpreendeu e escandalizou muitos eleitores. Com toda a razão, de resto. Tanta coisa de parte a parte, e afinal para quê ter votado num ou noutro ? Não teria sido mais correcto fazer a coligação e anunciá-la aos eleitores antes das eleições ?
Sentindo-se, em muitos casos, enganados, os eleitores mais adestrados nestas coisas pensam também que estamos perante uma aliança de mútua conveniência dos militantes envolvidos, que infelizmente vai prolongar por mais algum tempo a continuidade do definhamento, em vez de possibilitar a ruptura, encetando um período de transformação e afirmação. E escrevo "prolongar por mais algum tempo" tendo em conta que, segundo Hernâni Lopes, "...A tendência mais provável num cenário onde a continuidade gera definhamento, é que este seja um factor adicional de continuidade, num círculo vicioso que será operante até se chegar a um ponto de ruptura." Entretanto teremos perdido mais uns anitos em vão. Após o que os eleitores, já anteriormente escaldados, saberão que tanto faz votar PSD como PS. Lindo. E muito mobilizador, não é ?
E vamos agora à tal pitada de história local, que tem tudo a ver com o que antecede. Todos os tomarenses sabem que Tomar começou a ser fundada, lá em cima, a partir de 1 de Março de 1160. Sabem igualmente que o período áureo nabantino vai de 1420 a 1557, que é como quem diz da conquista do controlo da Ordem de Cristo pelo Infante D. Henrique ao final do reinado de D. João III. Com uma fase já decadente a partir da reforma de 1529. O que poucos terão reparado é no longo período obscuro que vai de 1168 (concessão do foral velho) até 1420, do qual apenas se sabe, geralmente, que houve a adulteração do dito foral, em data indeterminada com precisão, a extinção dos templários, em 1312, a "fundação" da Ordem de Cristo, a ida para Castro Marim e o regresso a Tomar em 1325.
E o resto ? É costume dizer-se que os povos felizes não têm história, podendo bem ter sido esse o caso dos tomarenses até 1420. Isto porque, de acordo com Marx, autor maldito mas ainda assim analista económico de muito valor, apesar dos seus evidentes erros, qualquer desenvolvimento económico pressupõe um período mais ou menos longo de poupança, designado por "acumulação primitiva". O tal capital inicial, sem o qual, ainda hoje, os projectos, por muito bons que sejam, ou dificilmente avançam, graças à banca e/ou ao estado, ou não avançam mesmo.
Ciente da necessidade de conseguir fundos, o Infante D. Henrique visou ao mais alto nível de riqueza do país, quando pediu ao pai para tentar obter do papa a sua nomeação como governador e administrador da Ordem de Cristo, que acabou por dominar entre 1420 e 1460. Durante esse longo período, diz-nos o seu cronista Zurara, "lançou a empresa das navegações com os seus cabedais e as rendas da Ordem de Cristo." Sabemos igualmente que tal empresa, apesar dos elevados cabedais envolvidos, só muito mais tarde veio a ser rentável. À data do seu falecimento, o Infante deixou dívidas, as quais só vieram a ser pagas no reinado de D. Manuel, entretanto Mestre da Ordem de Cristo, na qualidade de herdeiro do herdeiro do Infante, e rei de Portugal.
As grandes obras do Convento, do Infante D. Henrique, de D. Manuel I e de D. João III/Dona Catarina, não foram por conseguinte nenhum presente do infante ou da coroa portuguesa. No primeiro caso tratou-se apenas de edificar acomodações para o próprio. Nos dois outros, de mera aplicação dos rendimentos dos cabedais anteriormente aplicados.
A partir de 1529, quando passaram de cavaleiros e comendadores a simples frades de cógula (Reforma de Frei António de Lisboa), foi a longa decadência, com duas pequenas interrupções, uma durante o período filipino e outra logo após a restauração. Até que em 1834 acabou tudo e os tomarenses ficaram órfãos de facto. Desde então habituaram-se a viver directa ou indirectamente à custa do orçamento de estado, tendo-se mostrado até ao presente incapazes de definir o seu próprio futuro. Parecem aguardar que apareça um D. Sebastião salvador, numa manhã de nevoeiro, em vez de procurarem conseguir novamente uma razoável "acumulação primitiva", sem a qual...
E aqui reside o nó górdio. A autarquia vive há vários anos acima dos seus recursos, esperando que o governo e/ou a banca lhe vão permitindo continuar a esbanjar. O governo está na mesma delicada situação, pelo que tenderá reduzir e não a aumentar as transferências para o poder local. Quanto à banca, dois aspectos: 1- Quanto mais empréstimos, mais altos os juros; 2- Com o previsível aumento da euribor, o actual serviço anual da dívida autárquica, da ordem dos 2 milhões de euros, upa! upa!
Mas enquanto funcionários e autarcas forem recebendo a tempo e a horas, está tudo bem. Ou não ?

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

OPTIMISMO BALOFO

Os habituais comentadores da nossa praça, mal foi conhecido o acordo PSD/PS, prognosticaram que não duraria muito. Dois anitos no máximo. Os eleitos, por seu lado, nada disseram em público, como é lógico, mas esfregaram as mãos de contentes (salvo excepções, que também as há) em privado. Tenho para mim, com o devido respeito, que se trata de optimismo balofo em ambos os sectores.
Por banda dos analistas amadores e outros entusiastas dos prognósticos, ninguém parece ter tido em conta que a citada coligação, mais do que política é utilitária. Foi a única maneira de garantir aos autarcas de ambas as forças a indispensável estabilidade emocional e profissional durante os próximos quatro anos. Coisa importante, pois nenhum deles conseguiria fora da autarquia as mesmas remunerações e outras vantagens que ali aufere. Nalguns casos, que não adiante esmiuçar, a diferença seria até de monta. Nestas condições, aconteça o que acontecer, chova vente ou faça sol, estabilidade e firmeza são as palavras de ordem entre os recém-casados. Alardeiam por isso um optimismo balofo, porque sem fundamento, aqueles que prognosticam eleições prematuras em Tomar, o que aconteceria pela primeira vez na história.
Mas os nossos autarcas recém-consorciados também não têm grandes motivos para proclamar vitória e/ou embandeirar em arco. O arranjinho entre ambos durará certamente até 2013, salvo improvável trambolhão de grandes dimensões. Contudo, os tempos que aí vêm não vão ser nada fáceis. Para ninguém. Se é que alguma vez foram. Antes de mais, porque em termos económicos os encargos do município aumentam constantemente e as receitas continuam a descer assustadoramente. Será que esta situação é susceptível de persistir durante todo o mandato, sem mudanças fundamentais ?
Depois, porque como bem diz o povo "quem não tem dinheiro, não tem vícios". Os senhores autarcas bem podem ir falando, por exemplo, dos museus da Levada e da terceira fase do Polis XXI. Sem fundos disponíveis, nem folgas para os contratar, sobretudo após o recente "aperto" da IGF, de pouco ou nada lhes valerão as já conseguidas participações do QREN, que só virão quando o município estiver em condições de honrar a sua parte.
Finalmente, sem planos adequados nem coragem para solicitar a sua elaboração, os que agora nos administram chegarão à próxima consulta eleitoral com pouca obra para mostrar e nula margem para explicar a utilidade prática da coligação em relação aos reais interesses do concelho. Preferiram um pássaro na mão, em vez de dois ou mais a voar ? Então agora vão-se preparando para o quem tudo quer, tudo perde.
Entretanto, nos outros municípios circundantes "o mundo pula e avança, como bola colorida entre as mãos de uma criança." Ah Gedeão, Gedeão ! Que falta que tu aqui fazes !

terça-feira, 3 de novembro de 2009

EM S. JOÃO OS EXTREMOS TOCAM-SE



O texto do "Acordo de partilha da gestão municipal em Tomar", assinado pelo PSD e pelo PS, não contempla o caso das freguesias. Houve uma versão inicial que incluía a expressão "extensivo às freguesias", que contudo não consta da versão efectivamente subscrita. Causa por isso algum espanto aquilo que aconteceu ontem na sede da Junta de Freguesia de S. João Baptista. Na freguesia com a torre mais alta do concelho, alguns resolveram enveredar pela política mais rasteira que conseguiram encontrar.

Os factos. Nesta freguesia, os IpT foram a formação mais votada, nas recentes eleições para a junta, com 5 eleitos. O PSD, que anteriormente dirigia a junta, obteve igualmente 5 eleitos. Os socialistas conseguiram dois, e a CDU um. Na primeira reunião formal da Assembleia de Freguesia, realizada ontem à noite, por força da lei, o cabeça de lista dos IpT tomou posse como presidente daquele órgão autárquico. Todavia, quando se tratou de escolher os restantes lugares, a lista apresentada pelos IpT, sem qualquer elemento dos minoritários, foi rejeitada com 5 votos a favor e 8 contra.
Tornou-se assim evidente estar-se perante uma situação de política videirinha. Apesar daquilo que se pode ler no acima referido acordo de coligação, salvo a representante da CDU, ninguém mais na oposição deu mostras de se preocupar minimamente com as reais aspirações dos tomarenses. Após vários e prolongados conciliábulos, não foi possível conseguir qualquer entendimento prévio, tendo sido marcada uma nova reunião da assembleia, para o próximo sábado. Agastados com tal estado de coisas, há quem já fale abertamente de renúncia colectiva, a qual a verificar-se teria de ser imediatamente seguida de nova eleição. Outros, mais ponderados, julgam ainda poder conseguir um entendimento na próxima ocasião. tanto mais que os IpT estão de acordo para viabilizar uma lista PS noutra freguesia.
Entretanto, não se vê bem com que intuito, para além da vingança mesquinha, o estrénuo defensor da legalidade republicana, Luís Ferreira, mentor e motor do PS/Tomar, resolveu escrever no "twitter" e publicar no seu blogue "vamos por aqui" "Pedro Marques de vitória em vitória até à derrota final." É uma frase indigna da parte de um vereador em exercício a tempo inteiro, que não atingindo o visado, envergonha os eleitores e não credibiliza de modo algum o seu autor. Os eleitos livremente pelo povo tem todos igual dignidade, que deve sempre ser respeitada, para além das naturais divergências políticas. Além disso, a época dos jogos de berlinde começa só o mês que vem. Ou pelo menos começava, quando eu andei na escola da Várzea Grande. Mas como o Mundo evolui cada vez mais rapidamente...

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

PSD/TOMAR: COMEÇOU A CONTENDA

E não baixam mesmo !!! Informações de boa fonte, chegadas a Tomar a dianteira, permitem-nos adiantar que já começou a "contagem de espingardas" entre os militantes e inscritos no PSD nabantino. Caiu muito mal entre várias camadas de militantes aquilo a que chamam "cedências ao PS". De tal forma que julgam indispensável substituir a actual estrutura dirigente por outra mais nova, mais corajosa, mais rigorosa e mais arejada. Nesse sentido, decidiram começar desde já os contactos tendo em vista a apresentação de uma lista candidata às eleições para dirigentes concelhios, previsas para Decembro. O principal agregador de tal projecto de candidatura poderá vir a ser a imediata denúncia e posterior revisão profunda do acordo acabado de celebrar com o PS, "à revelia de qualquer consulta aos militantes social-democratas".
Um outro grupo de militantes, ao que nos pareceu simpatizantes dos anarquistas, vai dizendo -"Estamos fartos do Partido Social a Diesel ! Queremos a Social-democracia ecológica e electrizante !"
Para começo, não está nada mal. Sobretudo quando se tem em linha de conta que ainda recentemente vários militantes conhecidos abandonaram o PSD antes das autárquicas. Se já nem o poder os une... Haja paciência para seguir o enredo e aguardar o inevitável desfecho. Seja ele qual for, que num partido sem real superestrutura ideológica tudo é possível, como ocorria nos antigos e desaparecido albergues espanhóis: cada cliente só lá encontrava o que consigo levava. Outros tempos. Em termos de hotelaria, que não no âmbito partidário.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

O PROBLEMA DAS COLIGAÇÕES

Segundo noticia O TEMPLÁRIO, Paulo Fonseca, novo presidente socialista da câmara de Ourém, eleito com maioria absoluta, declarou que vai dedterminar uma auditoria às finanças do município. É assim mesmo !
Entretanto em Tomar, o novo vereador Luís Ferreira resolveu recomeçar a escrita no seu blogue Vamos por aqui, desta vez reproduzindo o que vai comunicando no Twitter. Boa ! É um excelente meio para os eleitores mais inseridos nestas coisas irem acompanhando a actividade diária de pelo menos um dos seus eleitos. Com a devida vénia, reproduzimos três das suas frases: "Melhorar a eficácia dos serviços, repondo a autoridade. Em análise às condições de governação de Tomar. Isto está bonito está !"
Vamos ter igualmente auditoria às finanças municipais ? Ou a coligação não permite devaneios esquerdistas ?

domingo, 25 de outubro de 2009

SOCIALISTAS REFÉNS DO PSD LOCAL

Um dos nossos leitores, certamente como muitos outros cidadãos, manifestou a sua estranheza perante a oposição ao recente acordo PSD/PS. No que me diz respeito, essa oposição radica no simples facto de se tratar, sem sombra de dúvida, de um acordo desigual e com objectivos estranhos aos interesses do concelho. Como é bem sabido dos profissionais do direito, são anuláveis e puníveis os chamados "contratos leoninos". Para os mais leigos na matéria, contratos em que uma das partes tem (quase) todas as vantagens, e a outra (quase) todos os inconvenientes. Pois no meu entendimento, que persistirá até que alguém me apresente razões plausíveis para mudar de opinião, além de inteiramente desnecessário para o PS e para os interesses concelhios, o citado convénio político retira de facto aos dois eleitos socialistas no executivo nabantino qualquer veleidade de autonomia. Com efeito, tanto José Vitorino como Luís Ferreira, ao receberem pelouros a tempo inteiro, comprometem-se a viabilizar com o seu voto a política proposta pelo PSD, representado por Miguel Relvas, Corvêlo de Sousa, Rosário Simões e António Paiva. Caso contrário, ficam sem o tempo inteiro e lá se lhes vai o ganha-pão !
Ainda por cima, sendo o acordo subscrito, pelo menos na versão tornada pública, totalmente omisso em matéria de metas a atingir, os estrategas (?) sociais-democratas podem ir impondo aos parceiros aquilo que muito bem entenderem. Ora se isto não é um acordo leonino, então é o quê ? Uma coisa sem importância, só para calar o pagode ?
Na verdade, tudo indica que vamos ter, durante os próximos quatro anos, salvo imprevista catástrofe sempre possível, os dois vereadores do PS atados de pés e mãos, e portanto reféns do PSD. Luís Ferreira bem poderá usar de toda a sua reconhecida capacidade argumentativa que de nada lhe valerá na prática. Fará parte do elo mais fraco, naquelas uniões em que um dos membros assegura as necessidades do outro. E quando assim acontece...
A ganância e o deslumbramento provocam por vezes estes acidentes de percurso, dos quais geralmente nunca se sai incólume. Não basta ser esperto. É preciso saber que o esperto não passa de um inteligente de curto raio de acção, tal como é igualmente necessário contar sempre com a esperteza dos outros. Quando faltam as cautelas mais elementares, há sempre sérios riscos de que quem vai em busca de lã acabe tosquiado.

AS DECLARAÇÕES E OS FACTOS

Do recente acordo local PSD/PS consta, a dado passo, este trecho: "Esta partilha de responsabilidades, frontal e anti-dogmática, inicia uma nova página na gestão do município nabantino, levando ambos os partidos a uma contínua discussão e harmonização dos seus programas, atenuando divergências, tendo em conta prioridades ... ...na prossecução dos interesses colectivos."
Anti-dogmático, talvez; frontal o acordo não foi. Na realidade foi negociado, logo a seguir ao acto eleitoral, por Miguel Relvas e Luís Ferreira, caudilhos cada um do seu partido. A provar que assim foi, Luís Ferreira publicou no seu blogue, logo a 15 de Outubro, que ia iniciar mais um ciclo, durante o qual imperaria a "Lei do silêncio". Na altura tal mensagem pareceu algo enigmática. Agora é límpida como água de rocha. Se ainda não havia acordo, como é que ele já sabia que ia entrar num novo ciclo, durante o qual se remeteria ao silêncio ?Nestas condições, as actuações de Luís Vicente e de Hugo Cristóvão não passaram de meras fantochadas, tendo como objectivo principal tentar ludibriar o eleitorado. É triste, mas é assim.
Há mesmo, no excerto acima, a confirmação implícita de uma mera "operação gamelas". Na verdade, se é questão de "uma contínua discussão e harmonização dos seus programas, atenuando divergências, tendo em conta prioridades", qual é realmente a utilidade do acordo subscrito ? Nada abstava, antes tudo apontava para isso mesmo -o debate caso a caso, a negociação permanente e o voto subsequente, sem necessidade de qualquer compromisso prévio. Tanto mais que Pedro Marques, por parte dos IpT, já garantira anteriormente estar fora de causa o derrube do executivo, salvo em caso de situação realmente caótica. Assim sendo, a coligação PSD/PS representa apenas uma garantia para o PSD de que pode continuar a contar com uma maioria no excutivo e na assembleia municipal, ambos dirigidos de facto por Miguel Relvas e António Paiva. Vamos ter, portanto, a continuação da agora cada vez mais evidente caminhada tomarense rumo ao abismo. Para o PS, as vantagens são igualmente de índole exclusivamente pessoal. José Vitorino e Luís Ferreira instalam-se à mesa do orçamento municipal, o mesmo acontecendo, a nível bem mais modesto, com Zeca Pereira (em representação da velha guarda ?) e mais dois ainda não revelados. Além do que poderá vir a seguir...
Puro entre os puros, ingénuo quanto baste, Hugo Cristóvão optou por ficar de fora, tendo até já desabafado, em privado, que começa a estar cansado. A ver vamos se vai para director do Centro de Formação Profissional, do Centro de Emprego, ou se continua pacatamente no ensino.
Pelas bandas dos IpT, Pedro Marques, ouvido por Tomar a dianteira, lá foi ironizando com os interesses pessoais -"Diziam que defendíamos interesses pessoais, e afinal..." Confirmou ter sido contactado por Corvelo de Sousa, (mas com ar de mero pró-forma), a quem declarou não estar interessado em coligações ou outro tipo de compromissos, por entender que "quem ganha deve governar e quem perde deve ser oposição". Esclareceu também que os IpT não iriam de modo algum para dentro do poço, junto com o PSD. Para o futuro tenciona manter o movimento activo, tendo em vista os próximos actos eleitorais, "com ou sem Pedro Marques".
E teremos amanhã, a partir das 17 horas, nos Paços do Concelho, a cerimónia de investidura dos recém-eleitos. Lá estaremos, que uma boa comédia nunca se deve perder, sobretudo quando os actores julgam estar a representar uma epopeia.

sábado, 24 de outubro de 2009

EUFORIA NAS HOSTES DO PSD E DO PS

Reina a euforia nas hostes sociais-democráticas e socialistas nabantinas. Uns porque, no fim de contas, a aliança foi menos difícil e dolorosa do que aquilo que temiam. Outros, porque não só conseguiram, (finalmente !), ultrapassar Pedro Marques, como até obtiveram o que Sócrates não conseguiu a nível nacional. E no entanto... No nosso modesto entendimento, ambas as formações deviam ter meditado pausadamente em dois ditos populares. Um afirma que "Quando a esmola é grande, o santo desconfia", o que não parece ter sucedido. Segundo o outro, "Os ciganos nunca gostaram de ver bons princípios aos filhos." No caso dos socialistas, a situação é ainda mais enigmática, visto que vozes usualmente discordantes no seio da comissão política, desta vez até concordaram logo com o compromisso agora assinado. Porque terá sido ?
De qualquer modo, está feito, está feito. Aliás já estava feito há uma semana. E só ontem foi comemorado com pompa e circunstância em local selecto. Resta aguardar, para constatar na prática quotidiana se havia ou não motivos para a euforia, a pompa, a circunstância e o local selecto. O que é bem capaz de ocorrer muito antes do esperado pelas duas formações.
Entretanto, contrariando em parte aquilo que aqui foi escrito ontem à noite, parece que será Zeca Pereira e não Hugo Cristóvão, a ocupar o lugar da mesa da assembleia municipal previsto para o PS, nos termos do acordo firmado. Da mesma forma, ambos os eleitos socialistas no execuivo terão lugares a tempo inteiro, (devidamente remunerados e a contar para as respectivas aposentações, como é óbvio). Segundo se conseguiu apurar, Vitorino deverá ficar com o urbanismo, o turismo, os parques e jardins e o acompanhamento da revisão do PDM, enquanto Luís Ferreira se ocupará dos bombeiros, da defesa civil, da saúde e dos cemitérios. Tudo isto salvo modificações de última hora, pois Corvêlo de Sousa ainda não firmou, nem poderia ter firmado, as indispensáveis nomeações e delegações de competências.
Uma nota final de alerta aos interessados, para aquilo que poderá muito bem ser o primeiro sinal da tempestade já a aproximar-se. O nosso colega NABANTIA, habitualmente mais macio e algo condescendente em relação aos socialistas locais, acaba de publicar, sob o título "Negócio Fechado", uma crítica violenta a ambos os partidos signatários do acordo. E ainda a procissão nem sequer começou a sair da igreja...