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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

PSD/TOMAR: COMEÇOU A CONTENDA

E não baixam mesmo !!! Informações de boa fonte, chegadas a Tomar a dianteira, permitem-nos adiantar que já começou a "contagem de espingardas" entre os militantes e inscritos no PSD nabantino. Caiu muito mal entre várias camadas de militantes aquilo a que chamam "cedências ao PS". De tal forma que julgam indispensável substituir a actual estrutura dirigente por outra mais nova, mais corajosa, mais rigorosa e mais arejada. Nesse sentido, decidiram começar desde já os contactos tendo em vista a apresentação de uma lista candidata às eleições para dirigentes concelhios, previsas para Decembro. O principal agregador de tal projecto de candidatura poderá vir a ser a imediata denúncia e posterior revisão profunda do acordo acabado de celebrar com o PS, "à revelia de qualquer consulta aos militantes social-democratas".
Um outro grupo de militantes, ao que nos pareceu simpatizantes dos anarquistas, vai dizendo -"Estamos fartos do Partido Social a Diesel ! Queremos a Social-democracia ecológica e electrizante !"
Para começo, não está nada mal. Sobretudo quando se tem em linha de conta que ainda recentemente vários militantes conhecidos abandonaram o PSD antes das autárquicas. Se já nem o poder os une... Haja paciência para seguir o enredo e aguardar o inevitável desfecho. Seja ele qual for, que num partido sem real superestrutura ideológica tudo é possível, como ocorria nos antigos e desaparecido albergues espanhóis: cada cliente só lá encontrava o que consigo levava. Outros tempos. Em termos de hotelaria, que não no âmbito partidário.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

DEMOCRACIA, ELEIÇÕES E ILUSÕES - 3

O actual inquilino de Belém declarou uma vez (e causou espanto) "Nunca me engano e raramente tenho dúvidas". Os tomarenses, tanto os de nascimento como os do coração, conseguem ainda melhor -Nunca se enganam e nunca têm dúvidas. Este texto é, portanto, apenas para aqueles que cá vivem há pouco tempo. Os outros sabem de tudo, da física nuclear à pintura japonesa, passando pela história da Papuásia.
No próximo dia 27, a sua palavra de ordem matinal deverá ser, caso seja um cidadão exemplar, "contra os calões, votar, votar!" Por isso, uma vez despachado das questões de higiene e de alimentação, comece por certificar-se de que leva consigo o bilhete de identidade e o cartão de eleitor. Sem eles, nada feito. Dirija-se ao local de voto e, se for uma freguesia com mais de 1000 eleitores inscritos, verifique nos editais qual a mesa em que deve votar, de acordo com o número do seu cartão de eleitor.
Apresente-se perante o presidente da mesa (é geralmente o que está por detrás da urna preta de voto) e entregue-lhe o BI e o cartão de eleitor. Vai ouvir o secretário da mesa dizer o seu número de eleitor e o seu nome. Imediatamente, o presidente da mesa dar-lhe-á um boletim de voto. Aceite-o e dirija-se para a cabine de voto (aquela espécie de biombo, próxima da mesa eleitoral) lá encontrará uma esferográfica (atada com uma guita, por causa das tentações)...e a sua consciência. No boletim de voto tem uma lista de partidos políticos. À frente de cada um deles está o respectivo emblema. Um pouco mais para a sua direita está um quadrado pequeno. É aí que terá de fazer uma cruz, se assim o entender.
A sós com a sua consciência e o boletim de voto, tem três possibilidades: 1 - A mais frequente, que consiste em colocar uma cruz no quadrado respectivo (à frente do emblema que escolheu) e do mesmo tamanho deste; 2 -Acha que é tudo uma malandragem e que embora boas pessoas, são todos iguais. Só querem é tacho. Se pensa assim, não escreva nada no boletim. 3 - Pensa realmente o que está em 2, mas não vai em cantigas de embalar. Está convencido de que se deixar o boletim em branco, "eles" aproveitam para fazer uma cruz no partido deles. Neste caso, inutilize o boletim, com uma cruz a todo o tamanho, uma frase alusiva (por exemplo "Vão mas é à missa) ou, para ficar de bem com todos, uma cruz à frente de cada emblema.
Depois de qualquer destas hipóteses, dobre o impresso em quatro e entregue-o na mesa. Cumpriu o seu dever de cidadania e ninguém ficará a saber qual a sua escolha. A não ser que resolva dizê-lo. Pelo contrário, no caso de não ter lá ido, ficava-se a saber que é um calaceirão, que não está para chatices, mesmo quando está em causa o futuro da sua comunidade.
Já instalado em frente ao televisor, ouvirá certamente os resultados. Se escolheu um partido e fez a cruz do tamanho do quadradinho, o seu voto estará entre os válidos; se apenas dobrou o papel em quatro, foi contado nos votos brancos; se, enfim, escreveu a tal frase, fez a cruz de todo o tamanho ou uma cruz para cada emblema, o seu voto está incluído nos nulos. Válidos, brancos ou nulos, todos os votos contam para estabelecer as percentagens finais, o que não acontece com a abstenção, que apenas conta para estabelecer a respectiva percentagem.
Boa sorte e coragem! Isto não vai nada bem, mas quando mal nunca pior!

terça-feira, 15 de setembro de 2009

DEMOCRACIA, ELEIÇÕES E ILUSÕES - 2

Vimos anteriormente, em "Democracia, eleições e ilusões", que abster-se de votar é realmente uma atitude confortável mas condenável, uma vez que pode conduzir a resultados inesperados, pois as percentagens são calculadas em relação aos boletins de voto entrados nas urnas, e não ao total de eleitores.
Os portugueses com capacidade eleitoral que geralmente se abstêm, alegam desinteresse, incompreensão, inutilidade, e por aí adiante. Qualquer que seja a sua situação, leitora ou leitor, saiba que não é o único nesse caso, nem lá perto. Em recente artigo de opinião, o Prof. João César das Neves referia que os portugueses "Nas eleições menores, votam com o coração. Europeias e referendos é onde as razões ideológicas e de simpatia prevalecem e a abstenção e pequenos partidos sobem, porque o jogo é a feijões." Foi o que ocorreu recentemente, como já foi dito, mas de acordo com o mesmo analista "Não é provável que isto aconteça nas legislativas, onde a escolha é a sério. Aí todos se deixam de análises e doutrinas e votam com o bolso. É a isto que se chama "voto útil", escolhendo não quem governa melhor ou defende a ideologia preferida, mas o que menos estragos fará ao interesse particular. Por isso é que desta vez as coisas estão tão tensas e incertas: os eleitores acham que qualquer dos governos plausíveis fará bastante estrago."
Como se tal clima social pouco habitual não bastasse, a seguir virão as autárquicas, quaisquer que sejam os resultados das legislativas. César das Neves é peremptório: "Para além destes métodos de voto [com a cabeça, com o nariz, com o coração ou com o bolso], só existe mais um. Nas autárquicas fora dos grandes centros, as pessoas não votam com o nariz, a cabeça, o coração ou o bolso, mas com as tripas. Aí as lutas são renhidas e as paixões intensas, pois todos se conhecem e amam ou odeiam com ardor. Por isso é que as autárquicas são as únicas eleições a sério em Portugal, em que a verdadeira democracia ainda tem hipóteses." (Voto de tripas e coração, João César das Neves, naohaalmocosgratis@fcee.ucp.pt )
Agora só falta o ilustre professor universiário descobrir que aqui nas margens nabantinas há sete candidaturas em liça. E ainda está você, cara leitora, caro leitor, a pensar abster-se?! Vá mas é preparando a cabeça, o bolso, o coração, o nariz e as tripas e faça-se ao encapelado oceano eleitoral português, sem hesitações e sem medo. Afinal até já fomos um povo de grandes navegadores. (Onde isso já vai!)

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

APRESENTADO PROGRAMA ELEITORAL CDU

Quer se goste ou se deteste, os autarcas e candidatos da CDU têm, junto da opinião pública, uma imagem de honestidade, rigor e organização. É pessoal geralmente pouco extrovertido, que por isso mesmo praticamente nunca brinca em serviço. Foi exactamente o que se notou, ontem à noite, durante a apresentação do programa eleitoral para as próximas autárquicas, na sede local do PCP ("não temos dinheiro para alugar salas"), naturalmente designada como "centro de trabalho". Bruno Graça, o independente cabeça de lista, apresentou de forma calma a súmula do que aquela força política entende ser necessário fazer, caso vença a próxima consulta popular autárquica. Em quatro páginas (surpreendentemente sem numeração...) pode ler-se que a autodesignada "alternativa CDU" é constituída por dois eixos estratégicos e quatro tarefas imediatas, tudo para dinamizar a economia do concelho.
O primeiro eixo visa "recriar condições que permitam o desenvolvimento de forças produtivas" no concelho, sendo sectores prioritários a) -Cultura, turismo e educação; b) -Energias alternativas; c) -Fileira florestal e fileira agrícola.
O segundo eixo assenta na definição de uma política de habitação, o qual passa pela recuperação dos prédios antigos do centro histórico e dos principais centros populacionais das freguesias.
Estes dois eixos têm como objectivos, a médio e longo prazo, a) - um concelho com + ou - 50 mil habitantes "com actividade económica própria"; b) -uma cidade de média dimensão; c) -"Uma cidade e um concelho aonde haja vida e se goste de viver". Na prossecução de tais metas, a CDU designou quatro tarefas como prioritárias: 1 - "Reorganizar e modernizar os serviços municipais"; 2 - "Transformar a área cultural do município num eixo estratégico para o desenvolvimento económico do concelho"; 3 - "Remodelar e modernizar o mercado municipal"; 4 - "Restabelecer o equilíbrio económico e financeiro do município".
Tudo claro, sucinto, objectivo e a dispensar grandes justificações. Ou se gosta ou se detesta, mas trata-se da terapêutica preconizada pela CDU para as graves maleitas já diagnosticadas na autarquia, na cidade e no concelho. Outras haverá ainda por detectar. Assinale-se que, no ponto 4, a CDU fala de "Plano de emergência" e de "redução de despesas". Para uma força política tida geralmente como partidária do aumento do peso da administração pública, e logo das despesas, esta implícita tomada de posição ao arrepio do usual mostra bem, de forma indirecta, o presumível estado das finanças autárquicas. Deve ser por isso, entre outros motivos, que se a actual maioria PSD nada informa, a oposição vai-se calando sobre a matéria. E os eleitores continuam praticamente a zero, nessa e em muitas outras coisas.
Em conclusão provisória: Tudo indica que, na próxima consulta autárquica, vamos ter, grosso modo, três tipos de forças políticas - 1 - as que têm programa, mas não têm implantação; 2 - as que têm implantação, mas não têm programa. nem tencionam vir a ter; 3 - as que nem uma coisa nem outra.
Assim vamos. Ou somos levados?

terça-feira, 25 de agosto de 2009

BLOGOSFERA CASEIRA


BLOGUE DESENVOLVE-SE A ALTA VELOCIDADE
Com apenas algumas semanas de existência, o nosso prezado homólogo www.tomaremprimeirolugar.blogspot.com vai cá com um incremento que até faz impressão. Só seguidores devidamente registados já são 10. Entre os quais o Bloco de Esquerda e Carlos Trincão. Para o blogue de um movimento igualmente recente e, ao que dizem por aí, de direita e de cariz conservador, não está nada mal.
Talvez Carlos Trincão, um democrata de sempre, tenha boas razões que a razão por enquanto desconhece...

terça-feira, 18 de agosto de 2009

CANDIDATURAS NOS BLOCOS DE PARTIDA - 2

PONTO DA SITUAÇÃO
António Rebelo
Escrevi anteriormente que convinha dividar as sete candidaturas em dois grupos, e tentei explicar porquê. No sentido de evitar observações menos agradáveis para ambas as partes, elaborei, de modo artesanal, um pequeno quadro comparativo, cuja principal função é arrefecer os ânimos mais exaltados. Faltam apenas os resultados das europeias de 1999, que não foi possível obter, por indisponibilidade técnica do servidor dgsi.mj/pt.
Indicam normalmente as ofertas aliciantes de produtos bancários de investimento, que "resultados passados não garantem iguais resultados futuros". Pois na política sucede exactamente o mesmo. Reparem com atenção em qualquer série da mesma força política, e compreenderão imediatamente o que quero dizer.
Além dessas evoluções "em dentes de serra", convém igualmente ter em conta que as percentagens se referem sempre aos votos entrados na urna. Isto significa que, quando a abstenção é elevada, como acontece geralmente nas europeias, os pequenos partidos conseguem boas percentagens, mesmo com pouco votos, o que permite deitar foguetes e iludir alguns. Adiante!
Nas quatro forças eventualmente com hipóteses de vencer, a menos bem posicionada à partida parece-nos a dos IpT. Por vários motivos: a saída de Rosa Dias e Fernando Oliveira, o desempenho modesto no mandato que agora termina, alguma indefinição ideológica e programática, bem como a escolha pessoal do elenco, implicitamente posta em causa até por um dos membros mais influentes daquela formação. Sendo provável que a lista liderada por Pedro Marques possa conseguir alguns votos do PSD, devido à inclusão de Graça Costa, está por demonstrar que possam vir a compensar os sufrágios perdidos com o abandono de Rosa Dias. Convindo igualmente ter em conta que muitos eleitores pensam que Pedro Marques já teve a sua época, sendo agora tempo de dar lugar a outros. Tudo devidamente ponderado e tratando-se de força política em princípio não prejudicada nem beneficiada pelos resultados das legislativas, será normal que consiga eleger um vereador. Mais do que isso já será um sucesso.
A força seguinte é o PS, que devido sobretudo à sua implantação a nível nacional, tem uma pequena base eleitoral assegurada. Essa base tem correspondido sensivelmente a metade do resultado obtido nas legislativas.(ver quadro) É meu entendimento que desta vez as coisas não vão ser muito diferentes, devido ao natural desgaste da governação, a nível nacional, e da modesta prestação a nível local. Nestas condições, procurando não entrar em querelas pessoais, se o PS conseguir ganhar as legislativas, sem maioria absoluta, o PS conseguirá um vereador. Caso o PS seja vencido pelo PSD a nível nacional, o PS local tem grandes hipótese de não eleger ninguém, o que aconteceria pela primeira vez. Neste caso, os IpT poderiam conseguir dois veradores, o tal sucesso referido acima. Inversamente, caso os socialistas viessem a vencer com maioria absoluta a nível nacional, e conseguissem fazer uma excelente campanha a nível concelhio, poderiam eleger dois vereadores, em detrimento dos IpT.
A lista do CDS terá sido uma agradável surpresa para muitos eleitores, e uma má notícia para outras candidaturas. Ivo Santos conseguiu, em pouco tempo, atraír cidadãos influentes do CDS (Manuel Machado, por exemplo), do PS (Maria Augusta, em tempos vereadora pelo PS, numa câmara em que Vitoríno era vereador pelo PSD) e do PSD (Luís Pedrosa Graça, militante social-democrata e ex-governador civil de Setúbal, nomeado pelos sociais-democratas), tarefa nada fácil aqui em Tomar. Logrou igualmente apresentar logo à primeira um compromisso simples, humilde, realista e adequado. Tudo perfeito, portanto? De modo nenhum.
A implantação do CDS no concelho deixa muito a desejar, e o facto de Ivo Santos ser, em simultâneo, vereador do PSD e cabeça de lista do CDS, levará muitos eleitores a pensar em vira-casacas = troca-tintas, o que não é nada bom, como se calcula. O cabeça de lista de outra força política até já o apodou de "paraquedista"...
Enquanto isto, o funcionalismo autárquico, a mais poderosa corporação concelhia, com uma minoria convencida de que são os contribuintes que estão ao serviço dos funcionários, terá ficado inquieto com a ideia de que "a primeira tarefa será a de reorganizar a autarquia". Compreende-se. Os tomarenses são conservadores por natureza, (salvo raras excepções), ninguém gosta de mudanças e a crise ainda não atingiu seriamente a função pública, que continua a receber a tempo e a horas. Foi portanto uma atitude corajosa, esta de mencionar a indispensável reforma da autarquia, mas igualmente muito perigosa. Falta agora saber se poderá ser compensada pela nítida simpatia dos meios empresariais, designadamente na área das obras públicas. Mas isso só a 11 de Outubro.
Contas feitas, é bem provável que, assim ou assado, com um, dois ou três vereadores, o CDS venha a ser, mediante contrapartidas adequadas, a muleta do PSD, caso este não consiga a maioria absoluta.
E chegamos ao PSD, que apesar dos erros cometidos e da manifesta falta de capacidade de liderança de Corvêlo de Sousa (não tem carisma quem quer), continua a ser a força em melhor posição para vencer, ainda que, eventualmente, sem maioria absoluta, por evidente falta de opositores à altura. Graças às reconhecidas qualidades do actual presidente (cultura, sensibilidade, honestidade, simplicidade, proximidade) à excelente implantação pessoal de Carlos Carrão, sobretudo na freguesias rurais, à eficácia discreta de Rosário Simões e à boa aquisição de José Perfeito, podem até vir a conseguir eleger quatro vereadores. Dependerá da campanha eleitoral, tanto própria como dos adversários. E do resultado das legislativas. Se Ferreira Leite conseguir ganhar com maioria absoluta, aqui em Tomar é trigo limpo. Teremos mais quatro anos de reinado dos sociais-democratas, essencialmente por culpa da oposição que, pelo menos até agora, não conseguiu apresentar qualquer alternativa programática credível.
Uma última nota: O nosso sistema eleitoral tem dado origem à escolha de candidatos, não em função das suas capacidades de inovação, empreendedorismo, comunicação, antecipação (salvo raras excepções, como Moita Flores, por exemplo), etc. mas tendo em conta exclusivamente a obediência, a fidelidade, a flexibilidade, a conformidade e o mutismo. Trata-se, no meu modesto entendimento, da transposição para a esfera política das qualidades mais apreciadas nos cães. Os resultados estão à vista de todos, por todo o lado. E enquanto não houver alterações substanciais...

CANDIDATURAS NOS BLOCOS DE PARTIDA

PONTO DA SITUAÇÃO
António Rebelo
Nota prévia: Procurando, na medida do possível, evitar eventuais remoques, esclareço que concordo com aqueles amáveis correspondentes para quem ninguém me conhece, nem liga ao que escrevo, o mesmo acontecendo com o Tomar a dianteira. Assim sendo, estou mais livre para escrever coisas que noutras circunstâncias calaria, para não interferir na vida política local. Faço-o porque desde o início considerei estar a produzir textos sobretudo para memória futura, posto que nos tomarenses em geral nunca tive nem tenho grande esperança. Mas gostava muito de estar enganado.
Entregues e aceites formalmente as sete candidaturas, julgo que será útil fazer o ponto da situação nesta altura. Antes, portanto, da campanha eleitoral de cada força política e dos aguardados programas mais ou menos detalhados. Ponto por ponto, eis o que penso, apoiado naquilo que vou vendo, ouvindo, lendo e deduzindo. Por outras palavras, a verdade tal como a vejo. Sem segundas intenções.
1 - A época é de descrença, decepção, desânimo e absoluta falta de esperança. Pela primeira vez após o 25 de Abril, os eleitores constatam que não há ninguém susceptível de lhes resolver os problemas com eficácia, ao contrário do que era usual.
2 - A evolução cada vez mais rápida da sociedade, tende a deixar cada vez mais pessoas com sentimentos de desamparo, de orfandade social e de alguma desorientação, por ausência de refrenciais estáveis.
3 - Fora de cada grupo de indefectíveis, não há nenhuma candidatura que "encha as medidas ao eleitorado". A proliferação de listas indicia isso mesmo. Cada candidato considera-se mais capaz que todos os outros adversários.
4 - Quando em conversa serena com outros cidadãos, não filiados nem candidatos, geralmente os eleitores admitem que, se forem votar, votam "no menos mau" ou "à falta de melhor", havendo igualmente quem diga que votará branco ou nulo, aconteça o que acontecer.
5 - É geral a convicção de que o mais tardar uma semana antes do escrutínio, já tudo estará decidido. A não ser que surja uma por agora improvável "vaga de fundo", tipo Obama. Mas não estamos nos USA, nem numa situação de bipartidarismo, o que torna tudo mais complexo.
6 - Dependendo dos respectivos programas e campanhas, por agora as candidaturas podem ser divididas em dois grupos quase iguais -as que podem ganhar e as outras. É claro que à partida e em teoria, todas as listas se encontram em igualdade de circunstâncias, pelo menos perante a lei, e portanto podem ganhar. Mas uma tal posição não resiste a uma análise um pouco mais profunda. Desde logo porque os meios materiais estão longe de ser semelhantes, o mesmo acontecendo com a implantação concelhia...
7 - TPL, CDU e BE constituem o grupo dos que, em princípio, não devem ganhar, por esta ordem de votação obtida. PSD, CDS, PS, IpT, integram o grupo de hipotéticos vencedores, igualmente por ordem decrescente de votos obtidos.
8 - O BE conseguirá, em princípio e como habitualmente, a votação mais fraca. Composta essencialmente de votos jovens, urbanos e de protesto. Se conseguisse eleger um vereador, seria uma vitória esmagadora e de todo inesperada. Em qualquer caso, os votos conseguidos não terão qualquer influência significativa na vida política local. Paa quem goste de votar útil, serão votos perdidos. Quando muito, os bloquistas poderão tentar animar as sessões da Assembleia Municipal.
9 - A CDU já teve em Tomar alguns militantes de peso, filiados no PCP. E teve igualmente dois excelentes quadros políticos -o Fernando Oliveira e o Fernando Nobre. Infelizmente para o concelho, um está doente e afastado, após a aventura dos IpT; o outro, um bom sindicalista, afastou-se e mais tarde faleceu. Houve também um vereador eleito, Rosa Dias, que apesar dos apoios eficazes do aparelho comunista, nunca conseguiu influenciar de modo decisivo as políticas autárquicas. Tal como até agora nos IpT, ficam as numerosas declarações de voto e propostas, que apenas contribuiram para usar tempo e papel. É certo que Bruno Graça, antigo camarada de Carlos Godinho e Rosário Simões na extrema-esquerda maoista, tem obra feita na Gualdim Pais, mas são coisas diferentes, pelo que o melhor a esperar será a sua eleição como vereador.
10 - A candidatura do TPL evidencia que, pela primeira vez desde o 25 de Abril, a direita conservadora tomarense deixou de se sentir representada na autarquia, situação que os seus simpatizantes consideram um ataque inqualificável a direitos adquiridos desde há muito, e que julgavam definitivos. Infelizmente para José Lebre, o processo decorrido até agora terá sido tudo menos calmo ou transparente. Vários subscritores do manifesto inicial acabaram por se desvincular, indo apoiar ou não outras candidaturas(Teresa Redol avisou que apoiava os IpT, Luis Pedrosa Graça é mandatário do CDS, Maria Augusta Dias Costa integra a lista do CDS, António Lourenço dos Santos e Libério Grilo afastaram-se). É muito sobressalto em tão curta existência. Agravando singularmente a situação, o CDS conseguiu apresentar uma lista que não envergonha ninguém, o que quer dizer que os 1.500 votos geralmente obtidos pelo partido de Paulo Portas no concelho de Tomar, com os quais o TPL contava à partida, pela lógica já se foram para a sua casa de origem. Se a isto tudo juntarmos a natural modéstia de meios materiais e humanos, temos que as hipóteses de José Lebre ser eleito são praticamente iguais às de Bruno Graça.
Sobre os outros quatro agrupamentos concorrentes tecerei os meus comentários na próxima intervenção, em princípio logo à noite.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

E O RESTO ???

Conhecemos já os cabeças de lista dos sete grupos concorrentes às próximas autárquicas. Conhecemos também as intenções de cinco dessas forças na área cultural. Faltam o PSD e o CDS, o que é curioso, visto que os sociais-democratas estão há doze anos com as mãos na massa. Será que têm vergonha de apresentar as suas intenções? Ou têm alguma empresa especializada a congeminar o último grito em matéria de programas prontos a usar?
Seja como for, urge agora passar do espírito para o físico. Noutros termos -a cultura é muito bonito e até poderá vir a solucionar algumas das nossas actuais carências. Mas ninguém come cultura, circula em cima da cultura ou despeja os detritos domésticos em contentores culturais. E nunca ninguém viu a cultura a cortar relva ou a pavimentar ruas... Há portanto muito coisa além da cultura, que se vier a contribuir para o nosso desenvolvimento, será a médio e longo prazo. SE VIER A CONTRIBUIR... E entretanto? Tencionamos continuar à espera das esmolas do estado e de Bruxelas? Deixaremos a autarquia no estado actual, com burócratas a mais e trabalhadores a menos? Vamos prosseguir na senda dos empréstimos para pagar as nossas manias de grandeza?
É tudo isto que os candidatos terão de fazer o favor de explicar aos eleitores. Apesar de não estarem nada habituados a prestar contas. E de ficarem muito enxofrados quando se lhes colocam perguntas inconvenientes.
O mundo mudou. Já ninguém corre a foguetes, e muito menos vai apanhar as canas, nas áreas urbanas. E quem vencer em Santa Maria e S. João tem as eleições ganhas. Convém não olvidar esta realidade. E ter em conta que, pela primeira vez, há sete listas e pelo menos dois blogues, fora do usual controle do bom gosto, dispostos a escrutinar tudo o que seja necessário e de preferência incómodo. Ficamos a aguardar as respostas dos candidatos. Até lá, em homenagem a Solnado, "Façam o favor de ser felizes!" Se puderem, claro!

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

CDS AO ATAQUE EM TOMAR


O panorama político local, tendo em vista as próximas autárquicas, começa a ficar mais definido. Ivo Santos, actual vereador PSD na autarquia tomarense, acaba de divulgar a lista que vai propor aos eleitores, bem como o seu mandatário e a comissão de honra.
Trata-se, na nossa óptica, de uma lista bastante forte e capaz de vir a provocar surpresas na noite de 11 de Outubro, tendo em conta que Tomar sempre foi uma terra de direita.
O PSD tomarense vê assim as suas hipóteses de nova maioria cada vez mais reduzidas. Com efeito, este elenco do CDS/PP abarca não só Ivo Santos como Alberto do Rosário Pereira, antigo vereador do PSD, como mandatário, bem como Luis Pedrosa Graça, militante do PSD, ex-governador civil de Setúbal pelo PSD e pessoa muito conhecida e estimada na sociedade tomarense, na sua comissão de honra. Outro membro da comissão de honra é Manuel Machado, presidente da Câmara de Tomar antes do 25 de Abril e deputado ao parlamento europeu pelo CDS.
A inclusão do arquitecto Nuno Madureira em segundo lugar vai naturalmente fazer sombra à lista do PS, já que, arquitecto por arquitecto, os tomarenses vão preferir alguém mais jovem e com um nome conhecido na cidade. Além disso ao colocar em terceiro lugar Maria Augusta Dias Costa, antiga vereadora pelo PS ao mesmo tempo que Vitorino era vereador pelo PSD, não vai certamente contribuir para credibilizar a lista socialista.
Entretanto, há duas forças aparentemente em nítida perda de velocidade. O Bloco de Esquerda, ao que consta poderá nem sequer apresentar lista, enquanto que o Movimento Tomar em Primeiro Lugar tem cada vez menos base social de apoio. Os mil e quinhentos votos cativos do CDS, com que contavam, irão agora em grande parte para a lista de Ivo Santos, como é lógico, convindo igualmente ter em conta o facto de já terem perdido para outras listas dois subscritores de peso -Luis Pedrosa Graça e Maria Augusta Dias Costa. Em tão pouco tempo, pode falar-se sem exagero de uma debandada.
Ouve-se igualmente pela cidade que os IpT poderiam estar com dificuldades para conseguir as indispensáveis mil e novecentas assinaturas, em parte porque muitas pessoas começariam a recusar-se a apadrinhar uma lista cujos objectivos carecem de realismo, de acordo com as nossas fontes. O facto de João Simões, um dos membros mais conhecidos e respeitados dos IpT, ter declarado à comunicação social que não foi visto nem achado na escolha do elenco para o executivo, foi uma forte machadada na credibilidade da lista.
Dependendo dos programas e das respectivas campanhas, parece-nos que, caso as eleições fossem hoje, poderia verificar-se um quase empate CDS/PSD, com curtíssima vantagem para estes últimos, bem como uma forte disputa IpT/PS/CDU, com vantagem para Bruno Graça (votos de protesto) e grandes dificuldades para o PS, castigado pela política governamental, pois a maioria dos eleitores não tem capacidade para distinguir entre política governamental e política autárquica, bem como para os IpT, pelas razões anteriormente aduzidas.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

SOBE MUITO A TEMPERATURA POLÍTICA LOCAL

Aquece singularmente a atmosfera política local. Enquanto os Independentes por Tomar continuam a recolher assinaturas, ao que nos informam com crescente dificuldade, os partidos tradicionais mostram-se bastante inquietos. Tomar a dianteira pode adiantar que neste momento circula um manifesto do novo movimento independente, de tendência conservadora, Tomar em primeiro lugar. Trata-se de um documento sucinto mas muito cuidado, bem redigido e assaz generalista para congregar a maior parte dos descontentes com a actual maioria e com a fraca actuação da oposição que temos tido. O documento em questão critica duramente, mas de forma incisiva, a actual política autárquica e propõe algumas medidas genéricas, no sentido de agilizar os procedimentos administrativos, com as quais qualquer cidadão, de qualquer cor política, concordará sem reservas.
Integram neste momento o referido movimento independente, designadamente os seguintres cidadãos: Jorge Ferreira, docente do IPT, arquitecta Helena Redol, arquitecto José Salazar Lebre, Luis Pedrosa Graça, professor na Universidade Católica, ex-governador civil de Setúbal, António Lourenço dos Santos, ex-secretário de estado da cooperação, João Oliveira Baptista, engenheiro químico e Isabel Miliciano, jornalista.
Avultam neste rol os sociais-democratas Luis Graça, António Santos e Isabel Miliciano, bem como a ex-apoiante dos IpT Helena Redol. Quanto ao CDS-PP está representado por Jorge Ferreira e José Lebre.
Dependendo muito do programa/projecto a submeter ao eleitorado, bem como da eficácia da campanha eleitoral, Tomar em primeiro lugar pode muito bem vir a causar enormes estragos nas forças partidárias já instaladas na nossa praça. Sobretudo nos IpT e no PSD.

domingo, 28 de junho de 2009

O CABO DAS TORMENTAS



Por mares nunca dantes navegados, com névoa cerrada, rumo ao Cabo das Tormentas. Tal parece ser a presente situação política em Tomar. Em 2008, apresentei a minha candidatura no PS/Tomar, covencido de que nenhum dos previsíveis candidatos, tanto socialistas como das outras forças, dispunha de qualquer projecto, plano, programa, intenção, ou o que quer que seja, adequado aos novos tempos que corriam e continuam a correr. Disse, na minha apresentação, que tinha um projecto sólido e fora habituado a liderar, designadamente durante a guerra em África, onde aprendi que é muitio mais eficaz dizer "Sigam-me!" do que "Vão lá indo, que já lá vou". Não consegui convencer quase ninguém. Perdi largamente e foi pena. Para eles e para o concelho, que eu não estou nada mal nem cansado de estar bem.
Passaram os meses e continuei a bater nessa tecla do projecto, como condição prévia para qualquer candidatura. Até à data, porém, só o presuntivo candidato da CDU e os dois arautos locais do BE é que me parecem estar a navegar na boa direcção. Pelo menos de acordo com o que já declararam aos jornais. Os outros, incluindo os mais recentes independentes, indiciam estar naquela situação limite de quem não sabe sequer que não dispõe nem de envergadura, nem de armas adequadas ao presente contexto. Vai daí, vivem numa espécie de realidade paralela, continuando a acreditar que podem vir a vencer. Mas porquê senhores?
Nos mais variados locais, cidadãos de ambos os sexos continuam a dizer que nas próximas autárquicas é tudo a mesma gente. Que ou não vão lá, ou se abstêm, ou votam nulo. Há até uns mais cínicos e sofisticados. Proclamam que como os candidatos são todos boas pessoas, tencionam pôr uma cruz em cada um, para ninguém se queixar. Quando se lhes lembra que assim o voto será nulo, contrapõem que não têm culpa nenhuma, pois não foram eles que fizeram a lei. Ora toma!
Um eleitor da urbe, que por necessidade viaja muito em grupo e em taxi, garante que todos os motoristas cantam a mesma música. Não vamos, por agora, dizer qual é, para tentar não beneficiar ninguém. Entretanto, TODAS as forças políticas estão a encontrar dificuldades no recrutamento de candidatos. Os cidadãos abordados fornecem as mais diversas justificações para recusarem, mas a verdade parece ser esta -são cada vez menos os que estão dispostos a abrilhantar o baile, que outros aproveitam para iniciativas bem mais lucrativas.
Pelas bandas da Câmara, a actual maioria também não vai nada bem. Na recente sessão da Assembleia Municipal, até Vítor Gil, fiel entre os fiéis do PSD, julgou necessário lamentar "uma intervenção infeliz do sr. presidente da Câmara" (as palavras são dele). Enquanto isto, os deputados municipais do PS não abriram o bico, vá-se lá saber porquê, e continua a agravar-se uma velha e cada vez mais problemática situação. Enquanto alguns eleitos, a tempo inteiro e não só, se vão lamentado em privado, de que há quadros dirigentes da função pública local com nítida carência de iniciativa e de entreajuda, alguns destes alegam em sua defesa que há muito não recebem missões ou orientações operacionais. E sem isso...
Pode-se até escrever, sem receio de exagerar, que em muitos serviços se vive já num clima de "fim de reinado". Tomar a dianteira está em condições de garantir que nalguns gabinetes já começaram a aparecer processos com a elucidativa indicação "Para despacho só depois das eleições".
Gente prevenida, é o que é!

sexta-feira, 19 de junho de 2009

AO CONTERRÂNEO LUIS FERREIRA


UNIÃO OU TRAMBOLHÃO, EIS A OPÇÃO

Meu caro patrício:

Respondo-te por três razões. Antes de mais, porque tenho consideração por ti e pela tua acção política, apesar de, como é sabido, dela discordar em muitos aspectos. Depois, porque decidiste publicar aqui no blogue a tua posição, sinal de que lhe reconheces alguma importância. Finalmente, porque me ensinaram que qualquer mensagem bem intencionada merece resposta.

Começo por te assinalar uma pequena contradição. Dizes, logo a abrir, que "as listas que apresenta são maioritariamente constituídas por pessoas não filiadas". Porém, noutro passo, escreves que "Os partidos e todas as outras organizações fazem-se com os que estão, não com os que não estão." Afinal em ficamos? Apenas e só com os que estão? Ou igualmente com aqueles que se vão procurar para a circunstância, exactamente porque não estavam? Não seria melhor dizer, a ter que dizer algo, que se fazem com todos os cidadãos de boa vontade, o mesmo é dizer com todos os eleitores? Foi por pensar como tu escreveste, sem todavia o dizer, que o teu secretário-geral e nosso legítimo primeiro-ministro sofreu uma queda eleitoral que o deixou algo combalido. Ou estarei a ver mal?

Indo à questão das eventuais alianças locais, creio que a situação era extremamente previsível. Por um lado, os cidadãos mais versados nestas coisas da política, qualquer que seja a sua tendência, já perceberam que, ou se ganha, se governa e se alteram as coisas para melhor; ou não se consegue vencer e tem de se aceitar o papel de simples animador dos debates de circunstância, só para entreter o pagode, pois as decisões já foram tomadas alhures. Por outro lado, basta fazer uma conta de merceeiro para concluir que, segundo os resultados do passado dia 7, PS+BE+CDU valem, em Tomar, uns apetecíveis 44,5%, que o mesmo é dizer a maioria absoluta no executivo. No mínimo. Assim sendo, parece-te estranho ou mal intencionado o desejo de união de esquerda pré-eleitoral, naturalmente na base de um programa consequente?

Convém ter presente que, desta vez, vamos ter pelo menos o BE, a CDU (eventualmente coligados), o PS, os IpT, o PSD e os Independentes Conservadores, ao que acabo de saber com Isabel Miliciano para o executivo e Jorge Ferreira para a Assembleia. É muita lista para tão poucos eleitores.

Bem sei que ficaste escaldado em 2005, e que gato escaldado de água fria tem medo. Mas olha que já a Dª Filipa de Vilhena (lembras-te?) proclamava que "mais vale morrer reinando do que viver servindo!" Que te parece? No teu lugar, convidaria para uma amena conversa de conjunto o Bruno Graça, o Carlos Trincão, o João Simões e mais quem tu entenderes. Fica tranquilo que eles já saberão ao que vão e nenhum deles é filiado na força que, no entanto, representa ou já representou. Não te parece que este aspecto poderá facilitar muita coisa?

Há, como é óbvio, uma situação por ti criada, que prefiro abordar sob a forma alegórica. Supõe que o seleccionador nacional apresentava uma equipa provável com Deco na baliza, Ronaldo a defesa direito e Ricardo Carvalho a ponta de lança. Com é lógico, os adeptos mais ferrenhos começariam a barafustar, a deixar de acreditar e a dizer que era melhor chamar o Figo, apesar de estar velho, e reorganizar tudo aquilo, como forma de evitar pesadas derrotas futuras. Que te parece? Ainda a propósito de 2005, julgo que seria melhor omitir qualquer referência ao ocorrido, pois os resultados conseguidos não prestigiam ninguém, bem pelo contrário.

Cordiais cumprimentos,

António Rebelo

domingo, 7 de junho de 2009

PS/TOMAR - BEM JOGADO!

António Rebelo
Ao divulgar a lista para o executivo na véspera das Eleições Europeias, o PS local (que o mesmo é dizer Luis Ferreira), fez uma excelente jogada. Se os resultados de hoje forem bons para os socialistas a nível nacional, dirão os habituais comentadores nabantinos que em Tomar não se ficaram à espera de eventuais amparos exteriores. Se, pelo contrário, o PS sair um bocado amachucado, dirão os mesmos que os "rosas" nabantinos foram previdentes.
Quanto à lista em si, pode-se constatar desde já que é encorpada e nitidamente mais consistente que as dos adversários já conhecidas. Tudo bem, portanto? Claro que não. Há, como sempre, o problema da táctica e da estratégia, uma vez que o treinador já é conhecido e não mudou de há quatro anos para cá. Os numerosos tomarenses adeptos do futebol e competentes treinadores de bancada e/ou de sofá sabem bem que há excelentes equipas que fazem péssimos jogos e perdem, bem como más equipas que, bem treinadas, contrariam os melhores prognósticos. Foi, designadamente, o caso do União de Leiria, aqui há uns anos, com o treinador Mourinho em início de carreira. Quero com isto indicar que, como já aqui foi referido amiúde, muito depende do projecto e da capacidade para convencer o eleitorado de que a equipa proposta será capaz de o implementar.
Para já, dois nós que não me parecem nada fáceis de desatar. Ambos têm a ver com a maneira de ser de Luis Ferreira. O primeiro radica no facto de ele ser um homem de rancores, de ressentimentos, de ódios de estimação, o que na chamada "política de campanário", como é o caso, só o pode vir a prejudicar e ao PS. O outro apareceu agora quando, provavelmente cedendo em parte às indicações da opinião pública, resolveu assumir-se parcialmente. Resolveu assumir-se porque finalmente desceu ao relvado principal, onde se ganham ou perdem os grandes jogos. Assumiu-se parcialmente, e pode ter cometido um dos erros graves da sua carreira política, ao aparecer em segundo lugar numa lista que todos os actores da piscina política nabantina sabem ter sido feita, liderada e orientada por ele. Ora isso não me parece nada promissor, numa terra cuja mentalidade dominante, por motivos que não vêm agora ao caso, só admite um galo em cada poleiro. Os socialistas tomarenses não esqueceram ainda, sobretudo o próprio Luís Ferreira, as dificuldades que tiveram com a conduta de Pedro Marques durante os seus mandatos, em que o mentor da época, o vereador Alexandre, nunca conseguiu disciplinar de forma aceitável o seu "discípulo independente" Pedro Marques, apesar dos muitos esforços nesse sentido, em conjunto com o falecido Lino Cotralha. Sem pretender de forma alguma fazer processos de intenção, temo que, caso o PS venha a vencer, Luís Ferreira nunca mais consiga implementar os seus pontos de vista junto de Becerra Vitorino, entretanto presidente, com tudo o que isso implica. Para já, parece-me óbvio que os interesses de Becerra Vitorino não são os de Luís Ferreira, e vice-versa. Ouso até acrescentar que alguns são mesmo incompatíveis e até contraditórios. Oxalá esteja enganado, mas recordo que, aquando da primeira vitória de Pedro Marques, afirmei aos microfones da Rádio Hertz que o vencedor era um cidadão se calhar bem intencionado mas seguramente mal acompanhado. Pois foi um pequeno escândalo. Como sempre, houve especialistas em análise política, diplomados pela Universidade da Venda da Gaita e tudo, que afirmaram ter eu dito aquilo apenas porque estava ressabiado. O que se seguiu é conhecido...

quinta-feira, 4 de junho de 2009

DA PASMACEIRA À NERVOSEIRA

"NERVOSEIRA", o comentário político publicado no nosso colega nabantia, além de escrito em linguagem adequada, o que é raro por estes lados, apareceu na altura mais oportuna. Não nos parec por isso nada estranho que esteja a provocar movimentos diversos na piscina política tomarense. O seu autor não indica as suas fontes, nem tinha de o fazer, tratando-se de simples comentário político. Mas o facto de ter incomodado tanto e tantos demonstra que conseguiu acertar no nervo mais sensível -a questão do futuro político de uns tantos, de todos conhecidos.
Um dos grandes problemas dos países, das regiões e das cidades, particularmente de Tomar, é terem líderes políticos intimamente convencidos de que a inevitável caminhada para o futuro se faz por uma sucessão de rampas e patamares. Assim, após conseguirem alcandorar-se, por escolha político/partidária e/ou por eleição, a um lugarzito bem remunerado, repousam-se, pois cuidam estar numa das tais plataformas. A realidade é, porém, bem diferente. A nossa marcha inexorável rumo ao amanhã é uma caminhada sem tréguas, numa rampa sem patamares e cada vez mais íngreme.Daí a nossa actual situação de acentuada decadêndia. Enquanto os nossos políticos se foram repousando na tal plataforma que só existiu na cabeça deles, os outros foram continuando a subir a rampa do futuro, com determinação e entusiasmo.
Cumpre acrescentar que os políticos que temos não são os únicos responsáveis pela nossa triste situação actual. Manda a franqueza dizer que todos nós temos culpas nesse cartório, embora alguns tenham mais do que outros. Não se trata agora de apurar a percentagem de culpa de cada um, mas sim de reconhecer que, nos últimos 20 anos, vivemos aqui numa verdadeira pasmaceira. Que nem os eleitos da oposição nem a comunicação social cumpriram cabalmente as missões que são as suas -informar, formar, questionar, agitar. Nos limites da Lei, bem entendido.
O povo, com milénios de experiência duramente adquirida, costuma ter ditados para tudo. Neste caso será "Não há bem que sempre dure, nem mal que não se acabe". Uma sucessão de erros políticos, a deserção do líder carismático, atraído pelo vil metal, a revolta cordata de alguns cidadãos mais influentes, a expansão da informação e do debate sem censura prévia através da blogosfera, eis alguns dos ingredientes que terão provocado a tal presente situação de nervoseira. Finalmente, o eleitorado tomarense parece estar a conseguir dar a entender que, se ainda não sabe aquilo que quer, porque não há propostas apresentadas para discussão e votação, já sabe muito bem o que não quer. Não quer ser mais uma vez enganado, razão porque desta vez não irá "votar às cegas". Ouve-se dizer por aí, já com alguma insistência "ou há programa ou não há voto". É afinal a tradução prática de uma citação atribuída a Abraam Lincoln, o célebre presidente dos Estados Unidos: "Pode-se enganar uma pessoa durante toda a vida; pode-se enganar toda a gente durante um certo tempo; mas é impossível enganar toda a gente durante toda a vida."
Face à referida nervoseira, quando ainda faltam 4 meses para as autárquicas, alguns mais esquerdinos dirão como o Lenine -"Que fazer?"; outros, mais prosaicamente, ficar-se-ão pelo clássico lusismo "E agora?".
Na nossa modesta opinião, o "Que fazer?" é muito mais urgente para todos aqueles que dependem sobretudo da política. Eles é que têm de tentar desatar os nós em que se foram atando ao longo dos mandatos. Conforme aqui tem sido dito desde o ano passado, ainda não é tarde para mudar a espingarda de ombro, que o mesmo é dizer remediar os erros cometidos. Haverá coragem para isso? Ou vão preferir continuar a viver num mundo de fantasia, com poucas ou nenhumas ligações ao mundo real?
Pelo lado dos comentadores e dos eleitores, que somos nós todos, a resposta ao "E agora?" é bem menos complicada, embora não menos exigente. E agora vamos continuar a esperar para ver, reagindo em função da actuação daqueles que (teoricamente?) nos representam. Da parte de Tomar a dianteira podem os nossos leitores ficar com uma certeza -Sejam quais forem as circunstâncias, não nos calaremos. A não ser que nos calem pela violência física, coisa que não faz parte das tradições tomarenses. Mas como tudo está a mudar tão rapidamente...

quinta-feira, 14 de maio de 2009

UM ÊXITO METEÓRICO PARA PEDRO MARQUES

A pré-lista dos IpT, que acaba de ser noticiada pela Templário, constitui sem qualquer dúvida um êxito para Pedro Marques, pivô e mentor daquela formação. Ao conseguir, após laboriosas manobras de bastidores, tirar em simultâneo dois coelhos da Cartola (Graça Costa e Jorge Neves), comprometer apesar de tudo Rosa Dias, verdadeira garantia moral do agrupamento, embora doravante num lugar apenas simbólico, ao conseguir enfim a fidelidade sem falha de João Simões, o antigo presidente da edilidade terá surpreendido muita gente, se não mesmo tudo e todos. Criou igualmente uma situação nova, ao conseguir criar condições para atrair eleitores habituais do PSD, tal como fez com os do PS em 2005. Tudo em aberto, portanto, o que significa, nas condições actuais, que qualquer das três formações pode ganhar tangencialmente. O que nos daria, sempre nas condições actuais, uma câmara do tipo 3-2-2, ou mesmo 3-2-1-1, caso Bruno Graça resolva avançar pela CDU.
Mas este êxito indubitável de Pedro Marques, que vem complicar deveras a tarefa de cada um dos outros intervenientes, uma vez que, pelo menos no PS e no PSD, se contava abertamente com o desmantelamento dos IpT devido à saída de Fernando Oliveira e ao abandono de Rosa Dias, pode não passar de um pequeno meteoro, de um mero fogacho, que apenas poderá impressionar os menos advertidos destas situações. Na verdade, num país e numa terra tão virados para o futebol, todos já viram equipas com excelentes jogadores perderem jogos, bem como o inverso -equipas fracas, com jogadores fracos, obterem vitórias inesperadas. Tudo costuma depender, no futebol como na política ou nos negócios, do treinador, da táctica e da estratégia. Isso de que a melhor defesa é um bom ataque serve apenas para entreter os jornalistas mais sornas, sempre atidos a frases feitas.
No caso dos IpT, o elemento mais rodado e com mais ronha, decidiu arrumar as botas. Ter-se-á finalmente cansado de ser, primeiro e durante largos anos, a voz do dono; mais tarde um simples animador de pista, que é o usual papel dos vereadores da oposição nos executivos de maioria absoluta. Dada a indisponibilidade de Fernando de Oliveira, com algum traquejo e capacidade de elaboração teórica por escrito só resta João Simões, embora Graça Costa e Jorge Neves possam vir a revelar-se excelentes tribunos, sobretudo a dissidente do PSD, cujas intervenções na AM foram bastas vezes objecto de rasgados elogios. Aguardemos.
Pelas bandas do PSD, se a situação já não era mesmo nada favorável, devido a erros anteriores mas também a sinais evidentes de inabilidade e de falta de pulso, agora com este "golpe" de Pedro Marques uma de duas: ou arranjam rapidamente reforços substanciais para a futura lista, ou podem ir procurando outros poisos mais acolhedores e remuneradores, que a autarquia já lhes terá dado o que tinha a dar.
No PS, por seu turno, embora não resistam, quase pela certa, a acusar-nos mais uma vez de haver aqui no blogue um administrador ressabiado, etc. etc. etc., a verdade é que a situação se apresenta como ainda muito mais trágica. Enquanto ao PSD ainda resta alguma margem de manobra, bastando-lhe procurar reforços credíveis, dado que raramente os detentores do poder perdem eleições, aos socialistas só resta fazer hara-quiri, caso queiram realmente algo mais que um ou dois lugares de animador de pista, num fraco elenco circense que já não entusiasma quase ninguém.
Se há quatro anos as coisas não correram nada bem ao PS/Tomar, devido a um evidente erro de "casting", a subsequente actuação autárquica e o natural desgaste provocado pela crise e pela acção governamental, podem muito bem vir a estar na origem de um resultado negativamente histórico. A menos que haja coragem suficiente para o tal hara-quiri. Mudar de candidatos enquanto é tempo. Porque não faz sentido nenhum avançar com quem já demonstrou não estar à altura da função, e muito menos nas actuais circunstâncias, tal como ninguém comprende que o governador civil avance em Ourém, como cabeça de lista para a Câmara, e o seu adjunto não tenha a coragem de fazer outro tanto em Tomar. Resta-nos aguardar o que aí virá, que Outubro é já ali adiante... Mas a coisa promete!

domingo, 26 de abril de 2009

E A COLIGAÇÃO?!?! - 2

Na intervenção anterior considerou-se que é praticamente impossível uma ampla coligação de esquerda, pelo que o PSD dispõe de considerável vantagem à partida, visto não ter concorrentes no lado direito do leque político. Disse-se igualmente que, no actual contexto e salvo ocorrência de factos extraordinários, os resultados de Outubro próximo poderão beneficiar a actual maioria autárquica e os seguidores de Pedro Marques.
Trata-se apenas de uma previsão intuitiva, sendo todavia certo que não se antevê, neste momento, qualquer força política local capaz de vir a conseguir uma maioria absoluta. O PSD porque sem Paiva e desgastado por múltiplas trapalhadas e obras onerosas, sem utilidade evidente. Os IpT porque, quase em final de mandato, ainda ninguém percebeu ao que vieram, muito menos o que teriam feito se, por bambúrrio, tivessam ganho as eleições anteriores. O PS porque teima em não aprender com a experiência acumulada, designadamente por ter apresentado a lista que apresentou no escrutínio anterior. E mais não se escreve para não ofender ninguém. A CDU porque, mesmo com Rosa Dias e uma intensa acção de propaganda porta a porta, tasca a tasca, café a café, oficina a oficina, escritório a escritório, nunca conseguiu mais que um vereador -o próprio Rosa Dias, que depois desertou, em condições ainda por esclarecer. O BE, finalmente, porque por estas paragens, tirando os esquerdistas de estimação, nunca virá a conseguir, pelo menos tempos mais próximos, votos suficientes para eleger sequer um vereador.
Nestas condições, afinal pouco importa saber quem conseguirá eleger dois vereadores, sendo certo que a compita terá lugar apenas entre o PSD, os IpT e o PS, dependendo antes de mais de quem conseguir eleger três. O importante é procurar saber antes, ainda durante a pré-campanha ou no mínimo antes da votação, quem fará acordos com quem e sobre quê, pois para poder governar a autarquia tomarense será indispensável essa convergência. E aqui reside o nó da questão. Quer queira quer não, a próxima maioria autárquica vai ter de implementar políticas fortemente impopulares, que poderemos designar genericamente como de aumentro das receitas e compressão das despesas. Aumento das receitas significa aumento de impostos, taxas, preços, licenças, etc. Compressão de despesas é igual a redução de pessoal, de regalias, de horas extraordinárias, de consumíveis, etc. Alguma das formações vencidas aceitará partilhar o carácter odioso de tais medidas, a troco de um ou dois "pratos de lentilhas"? Eis a questão, que aqui fica para meditação, enquanto ainda não é tarde.
Os tradicionais inconscientes, também conhecidos como fantasistas pelos adversários, e por optimistas pelos correlegionários, argumentarão que não será inevitável a tal acção tendente a obter mais receitas e diminuição das despesas. Esperam pelo que aí vem. De acordo com as melhores previsões, só lá para o segundo semestre de 2010 a situação económica começará a melhorar na Europa, sendo Portugal dos últimos países a sair da crise. Nessa altura, o desemprego rondará, no mínimo, os 12% (neste momento é de menos de 8%) e o défice estará en tre os 6 e os 8% do PIB. Com a autarquia atascada em dívidas, com a arrecadação de impostos a diminuir, com menos transferências do poder central, quem ousa sustentar que tudo deve continuar sem grandes e substanciais alterações? Só quem realmente nem sequer perceba o b-a-bá da economia. O mau tempo vem aí. Preparem-se!