Quer se goste ou se deteste, os autarcas e candidatos da CDU têm, junto da opinião pública, uma imagem de honestidade, rigor e organização. É pessoal geralmente pouco extrovertido, que por isso mesmo praticamente nunca brinca em serviço. Foi exactamente o que se notou, ontem à noite, durante a apresentação do programa eleitoral para as próximas autárquicas, na sede local do PCP ("não temos dinheiro para alugar salas"), naturalmente designada como "centro de trabalho". Bruno Graça, o independente cabeça de lista, apresentou de forma calma a súmula do que aquela força política entende ser necessário fazer, caso vença a próxima consulta popular autárquica. Em quatro páginas (surpreendentemente sem numeração...) pode ler-se que a autodesignada "alternativa CDU" é constituída por dois eixos estratégicos e quatro tarefas imediatas, tudo para dinamizar a economia do concelho.O primeiro eixo visa "recriar condições que permitam o desenvolvimento de forças produtivas" no concelho, sendo sectores prioritários a) -Cultura, turismo e educação; b) -Energias alternativas; c) -Fileira florestal e fileira agrícola.
O segundo eixo assenta na definição de uma política de habitação, o qual passa pela recuperação dos prédios antigos do centro histórico e dos principais centros populacionais das freguesias.
Estes dois eixos têm como objectivos, a médio e longo prazo, a) - um concelho com + ou - 50 mil habitantes "com actividade económica própria"; b) -uma cidade de média dimensão; c) -"Uma cidade e um concelho aonde haja vida e se goste de viver". Na prossecução de tais metas, a CDU designou quatro tarefas como prioritárias: 1 - "Reorganizar e modernizar os serviços municipais"; 2 - "Transformar a área cultural do município num eixo estratégico para o desenvolvimento económico do concelho"; 3 - "Remodelar e modernizar o mercado municipal"; 4 - "Restabelecer o equilíbrio económico e financeiro do município".
Tudo claro, sucinto, objectivo e a dispensar grandes justificações. Ou se gosta ou se detesta, mas trata-se da terapêutica preconizada pela CDU para as graves maleitas já diagnosticadas na autarquia, na cidade e no concelho. Outras haverá ainda por detectar. Assinale-se que, no ponto 4, a CDU fala de "Plano de emergência" e de "redução de despesas". Para uma força política tida geralmente como partidária do aumento do peso da administração pública, e logo das despesas, esta implícita tomada de posição ao arrepio do usual mostra bem, de forma indirecta, o presumível estado das finanças autárquicas. Deve ser por isso, entre outros motivos, que se a actual maioria PSD nada informa, a oposição vai-se calando sobre a matéria. E os eleitores continuam praticamente a zero, nessa e em muitas outras coisas.
Em conclusão provisória: Tudo indica que, na próxima consulta autárquica, vamos ter, grosso modo, três tipos de forças políticas - 1 - as que têm programa, mas não têm implantação; 2 - as que têm implantação, mas não têm programa. nem tencionam vir a ter; 3 - as que nem uma coisa nem outra.
Assim vamos. Ou somos levados?
