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segunda-feira, 26 de julho de 2010

A PRETENSA JOGADA DO PS

A mais recente e entusiasmante situação política tomarense parece resultar de uma hábil jogada do PS. Há até um excelente comentário, enviado a este blogue, que usa a expressão "política de se lhe tirar o chapéu". Entende-se. Muitos militantes e aderentes, bem como alguns dirigentes do PSD sentem-se traídos, por terem sido confrontados com uma imprevista coligação post-eleitoral, sem que lhes tenham solicitado a opinião. Tratam, portanto, de diabolizar tanto quanto possível o detestado, imprevisto, incómodo e ocasional parceiro. É dos livros.
Dito isto, tenho para mim, que os do PS local são mais vítimas do que autores. Por outras palavras, os socialistas nabantinos não desencadearam deliberadamente qualquer crise, nem sobre o encerramento do mercado, nem sobre os museus da Levada, nem sobre o realojamento dos ciganos. Foram apenas procurando abrir cada vez mais as pernas, de modo a manter um pé na coligação, que lhes assegura muito confortáveis dividendos; outro pé na oposição, que lhes permitirá, eventualmente e se tudo lhes correr de feição, a vitória nas próximas autárquicas. Tanto abriram, tanto abriram, que estão e estamos agora envolvidos numa situação realmente caricata: Não debatemos o problema do mercado, o projecto megalómano da Levada, ou a falta que faz um projecto vertebrado, mas apela-se ao debate alargado de um assunto nado-morto. Se a actual versão do PDM não permite a construção de habitação na Zona Industrial, como é normal, para quê perder tempo com inúteis argumentos, que nos conduziriam fatalmente à mesma conclusão?
Partamos do princípio que a actual e moribunda maioria relativa do PSD local, instigada pelo seu alter ego António Paiva, insiste no realojamento cigano na ZI, contra tudo e contra todos. A única hipótese viável será instalar ali não só as famílias ciganas, mas igualmente outras famílias mais ou menos carenciadas. Caso contrário dirão que é um gueto, que há evidente segregação, que são racistas...
Além da previsível e inevitável debandada dos empresários ali instalados, que famílias aceitariam instalar-se em semelhante local, sem lojas, sem transportes, sem escola, afastadas da cidade e com tal vizinhança? O PSD estará disposto a arcar com as consequências eleitorais de tal despautério? E o PS? Claro que não? Então para que andam a enganar-nos e a tentar ganhar tempo? Tenham coragem. Peguem os bois pelos cornos. Museu da Levada? Como e porquê? Fórum? Com que fundos? Para quem e para quê?
O resto não passa da habitual música ambiente, ao som da qual já quase ninguém dança.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

QUALQUER COMENTÁRIO NOSSO SÓ AGRAVARIA O CASO

"Seis meses depois de iniciar funções,maioria Municipal (PSD-PS), demonstrou ser possível fazer positivo em prol do povo, dentro da ética."

"Uma verdade para ser aceite passa sempre por 3 fases: começa por ser ridicularizada, depois sofre forte oposição até, finalmente, ser aceite como algo que sempre teria sido evidente." Arthur Scopenhauer

"A actividade do PS em Tomar tem sido assim.
Estamos a trabalhar arduamente há vários anos, procurando demonstrar que há outras soluções, outros caminhos."

Luís Ferreira, vamosporaqui.blogspot.com

quarta-feira, 14 de abril de 2010

CARTAS DE AMOR, QUEM AS NÃO TEM...

Resolvemos destacar este comentário por nos parecer exemplar. Linguagem correcta, análise política finíssima, origem perfeitamente identificável, destinatário(s) idem, idem. Falta apenas apurar o que terá levado a publicá-lo por estas bandas, sabendo nós e os nossos leitores que quem o escreveu não gosta mesmo nada do que por aqui fazemos.
Maneira simpática de nos assinalar que resolveram dar o braço a torcer ? Não nos parece. Reconhecimento implícito de que tomar a dianteira tem uma audiência demasiado importante para ser desperdiçada ? É possível. Crença de que é e vai continuar a ser possível ludibriar os eleitores com lérias de circunstância e /ou lampanas adequadas ? Quiçá.
Em todo o caso, apesar de bem escrita, a peça enferma de algumas mazelas. A primeira é que acusar uma vereadora da oposição de não apresentar as suas ideias na área social, quando se sabe que a parte maioritária da actual coligação nunca ligou peva às ideias alheias, salvo para as surripiar pela calada, revela um cinismo aprendido de longa data e praticado com frequência. Para já não falar dos evidentes contornos de querela de comadres do mesmo ofício, a exercer nos mesmos locais, por conta do mesmo patrão...
Depois, sobressai um exacerbado (e mal disfarçado) endeusamento do vereador Luís Ferreira "a fazer mais como vereador do que os outros todos juntos." Se quiséssemos ser acidamente irónicos, bastaria acrescentar -É natural. Gordo, anafado e eufórico como ele está... Mas recusamo-nos a ir por aí. Haja decência !
Por último, aquela atabalhoada articulação entre o trabalho do vereador, o hipotético projecto do PS, "o nosso camarada Cristóvão" e a marcha serena para o triunfo nas próximas autárquicas, ou é um exemplo acabado de delírio político, ou não passa de um ardiloso empenho para conseguir qualquer objectivo, por enquanto oculto para os profanos. Porque a triste e incómoda verdade é esta: Para a generalidade dos cidadãos da zona, o PS local não tinha nem tem qualquer projecto, para além da ascenção às cadeiras do poder; o vereador Luís Ferreira vai procurando gesticular no pântano autárquico, mas nota-se cada vez mais que não sabe nadar; e nada indica neste momento que os socialistas tomarenses, seriamente queimados com a estranha aliança, venham a ter alguma hipótese de vencer em 2013. Apesar das perspectivas também não serem nada boas para os laranjas. Mas não há pior cego...

segunda-feira, 5 de abril de 2010

PÂNTANO POLÍTICO LOCAL CADA VEZ MAIS AGITADO

Foto o jumento

Foto o jumento

Ao contrário do que se previa na pacata paisagem política tomarense, a folgada vitória de PPC em vez de acalmar, contrbuiu para excitar os ânimos no seio do PSD. Com efeito, os laranjas locais votaram maioritariamente no novo líder social-democrata, mas, de modo evidente, estão cada vez menos unidos. Já não é só a fractura entre relvistas e delgadistas; agora há também a animosidade dos militantes para com os independentes. Sobretudo em relação ao presidente da câmara, que vários acusam de falta de pulso, de indecisão e de ter faltado à palavra dada. Ao que nos foi dito, comprometera-se a assumir pelo menos o pelouro do turismo, que depois entregou aos parceiros de coligação, sem qualquer justificação prévia ou posterior.
Foi uma decisão muito mal acolhida, e a situação tem-se agravado, sobretudo devido ao feitio e aos subsequentes métodos de actuação do novo responsável por aquele pelouro. Segundo as nossas fontes, em vez de adoptar o "estilo bébé a dar os primeiros passos e a procurar todos os apoios possíveis", o autarca em questão terá preferido o "estilo "bulldozer", levando, ou querendo levar, tudo e todos à sua frente, no estilo "eu é que sei, quero, posso e mando". Como parece ser evidente, esta maneira nada diplomática de arredar todos os que não gostam de se limitar a dizer amen, tem causado problemas delicados. Cada um de nós tem a sua estrutura psicológica, bastante complexa. Nela o amor-próprio e o orgulho ocupam lugares importantes, pelo que ninguém gosta ou aceita sequer ser bruscamente empurrado da ribalta para os bastidores, ainda por cima sem qualquer justificação, e com visíveis maus modos, a roçar o desdém.
Nestas condições, terá de ocorrer alguma modificação importante a curto prazo, sob pena de graves prejuízos para a indispensável credibilidade da autarquia. Na verdade, o recente consórcio de conveniência tornou possíveis duas actuações totalmente opostas, por parte de filiados no mesmo partido. Enquanto um pretende mudar, alterar, inovar a toda a pressa, mesmo contra tudo e contra todos, o outro tem sido de uma assinalável humildade, grande apego ao trabalho e dedicação à causa pública. Pelo menos por enquanto.
De qualquer forma, pelos lados da Rua Voluntários da República as coisas também não rolarão exactamente sobre esferas. Anda tudo muito calado, como é costume, mas os tomarenses informados não deixaram de notar que, nas recentes eleições internas, nem chegaram a 25 % os filiados que julgaram útil ir votar. Para uma comissão com mais de 30 candidatos, não se pode dizer que tenha sido um êxito. Regra geral, nos países e/ou cidades de longa tradição democrática, quando se apura que mais de metade dos eleitores não exerceu o seu direito, os candidatos votados renunciam aos seus mandatos, por se considerarem não legitimados por uma maioria. Claro que aqui no vale do Nabão, em princípio não irá acontecer nada parecido. É pena. Certas ideias, certas actuações, certos métodos e certos feitios, em vez de facilitarem as indispensáveis e urgentes mudanças, contribuem pelo contrário para criar resistências, agravando ainda mais a nosso já penoso quotidiano.

PS
Agora não se esqueçam de vir com o habitual argumentário da má-língua, da dor de cotovelo, do mau perder, etc. Ao fim de certo tempo, as pessoas começam a estar fartas de ouvir sempre a mesma música.

PS 2
Deixamos ao cuidado de cada leitor a interpretação das duas fotografias supra, que reproduzimos do nosso confrade ojumento, como a devida vénia.

domingo, 28 de março de 2010

COMEÇA A HAVER LUZ LÁ AO FUNDO ?


Este comentário, enviado para Tomar a dianteira, passou por assim dizer despercebido. No entanto, a ser realmente da autoria de quem o assina -e tudo indica que seja, pois não foi posto em causa por ninguém- podemos muito bem estar perante o mais importante testemunho político dos últimos tempos. Porque, se José Delgado, o recém-eleito lider local dos sociais-democratas, já começa a sacudir a água do capote PSD, não tarda vamos ter festa...de arromba. Carrão a presidente ? Tudo é possível, até porque sempre foi e é delgado, sabendo-se igualmente que acalenta esse sonho, a tudo estando disposto para o alcançar. É humano.
Eleições antecipadas ? É díficil, face à vitória dos coelhistas a nível nacional, que é = a vitória relvista a nível local. Mas não será de descartar em absoluto tal hipótese, sabido como é que os dois eleitos socialistas tendem a exagerar nas suas respectivas actuações. Sobretudo Luís Ferreira, ques se esmera a desencadear conflitos em todos os serviços que tutela. Conflitos que têm envolvido funcionários da estrita confiança dos sociais-democratas. Será pois do domínio do consensual que um tal clima de crispação não possa prolongar-se -ou mesmo agravar-se- até 2013.
A solução mais simples seria, bem entendido, uma mudança comportamental dos dois vereadores do PS. Todavia, cada um deles tem o seu feitio, (de resto como todos nós) e não consta que haja leões herbívoros, ou escorpiões que renunciem ao uso do respectivo ferrão... Está na natureza de cada um.
Adicionando a tudo isto uma informação de fonte fidedigna, de acordo com a qual "o homem (José Delgado) não quer para já ofuscar ninguém, mas no momento oportuno não hesitará em dar a estocada", tudo indica que os próximos tempos vão ser animados na coutada nabantina. Tanto mais que a crise continuará a agravar-se e "em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão". Será o caso ?

sábado, 20 de março de 2010

A TRAGÉDIA GREGA DO UNIÃO DE TOMAR

Dá-se o caso de escrever também, e sobretudo, para memória futura, caso contrário é muito provável que não subscrevesse o que segue. O mesmo aconteceria se fosse eleito, militante partidário ou tivesse ambições políticas. Como não sou uma coisa nem tenho a outra, redijo com total liberdade e sentido de cidadania, que é como quem diz daquilo que julgo ser o bem comum. Como é sabido, o verdadeiro amigo não é aquele que nos diz aquilo que gostamos de ouvir, mas quem nos mostra as coisas como elas são, sobretudo quando desagradáveis.
Após este necessário intróito, os factos.
Em relativamente pouco tempo, o PS (agora parte integrante da circunstancial maioria que devia governar-nos), e os IpT, apresentaram propostas tendentes a solucionar a medonha situação do velho União de Tomar. A proposta dos socialistas foi vencida na Assembleia Municipal, facto que, sendo estranho, uma vez que em princípio os proponentes dispõem de maioria naquele órgão, demonstra que bastantes deputados municipais, forçados pela crise, começam a ser bem mais realistas. Quase de certeza, não por súbita tomada de consciência. Apenas porque já perceberam que, no actual estado de penúria, aquilo que for para o União não irá para eles. E vice-versa. É afinal o velho e insolúvel problema da cama demasiado grande, ou das mantas demasiado pequenas. Há sempre quem fique destapado, ou no mínimo com os pés de fora.
De qualquer forma, a proposta socialista era nitidamente eleitoralista, tal como acontece com a sua irmã mais recente, apresentada pelos IpT. Só que este última se compreende e se aceita melhor, dados os antecedentes desportivos e de gestão municipal de Pedro Marques. Ainda assim, tanto uma como outra mais não eram que cuidados paliativos para um doente terminal, ou se gostam mais de frases agrestes, para um cadáver adiado desde há anos.
Seja o que for que se diga, a verdade é que o desporto em geral, e o futebol em particular, são actividades parasitárias, que só sobrevivem sugando dinheiro aos sócios, aos espectadores, aos patrocinadores e ao orçamento do estado e/ou das autarquias. Têm excesso de apetite para a alimentação que conseguem arranjar. Daí a permanente crise, que afinal grassa por todo o lado. No tempo das vacas gordas, o elevado valor acrescentado produzido em muitas actividades, assim como a subsequente arrecadação de impostos e taxas sempre a aumentar, permitiam todas as benesses. Conjuntamente com os fundos de Bruxelas até tornaram possível essa autêntica desgraça nacional, que dá pelo nome de estádios do euro 2004.
Quanto ao União de Tomar, ao contrário do que por aí se diz, não representa dignamente a cidade e o concelho, nem nos prestigia, nem prestigia a comunidade tomarense, nem se prestigia a si próprio. Uma colectividade constantemente em défice e com graves problemas, que não dispõe de qualquer património negociável, que raramente cumpre a sua palavra, que não se porta bem com a administração fiscal desde há anos, não honra ninguém. E está longe de poder constituir um bom exemplo para os jovens, incluindo os seus próprios atletas, porque as pessoas em geral, e os jovens em particular, têm tendência a imitar aquilo que vêem fazer, sendo que as várias práticas unionistas (até a porfiada tentativa de sacar dinheiro aos cofres da autarquia) não se recomendam de forma alguma. Há, nitidamente, outras prioridades.
Pelo que, digo eu, o União já foi. Mais tarde ou mais cedo, mas já foi. Quanto mais tarde se verificar o óbito oficial, maiores serão as complicações imediatamente anteriores. É o que acontece com todos os organismos -nascem, desenvolvem-se, definham e morrem. De paragem cárdio-respiratória, costumam dizer alguns médicos na TV. No caso do clube tomarense, terá sido por falta de alimentação em quantidade (verbas, verbas, verbas) e em qualidade (dirigentes, dirigentes, dirigentes).
Os tempos estão cada vez mais difíceis e por alguma razão o astuto Marcelo Rebelo de Sousa, que tinha e tem à sua frente uma ampla avenida triunfal rumo à liderança do PSD, recusou peremptoriamente. Uma vez que, regra geral, os inteligentes "vêem" bem mais longe do que os espertos, talvez os tomarenses, incluindio os unionistas, não perdessem nada em meditar na atitude do conhecido comentador político.

António Rebelo

sexta-feira, 5 de março de 2010

ALELUIA ! FINALMENTE BOAS NOTÍCIAS !

Ora até que enfim ! Boas notícias do laranjal da Nabância, que o mesmo é dizer boas notícias para os tomarenses. Finalmente, aparece um dirigente local que, logo na sua primeira grande intervenção pública, consegue catapultar a política nabantina para um patamar bem mais alto. Diz o que lhe vai na alma, mostra ter uma política definida, para já a curto prazo; indica que sabe distinguir a táctica da estratégia; não corta qualquer ponte, mas logra manter as mãos inteiramente livres, colocando os parceiros da circunstancial e infeliz coligação a jogar à defesa, o que não tem acontecido até agora.
Destaque igualmente para a Rádio Hertz, cujo jornalista (que não ignoramos quem seja) soube conduzir a entrevista de forma a obter declarações simultaneamente originais, bem estruturadas e substantivas.
A partir de agora, -dependendo igualmente do desfecho do imbróglio social-democrata a nível nacional-, está tudo em aberto na política nabantina. Repare-se que o novo dirigente máximo concelhio dos laranjas (que não temos o gosto de conhecer pessoalmente), já antes declarara que a sua equipa não apoia nenhum dos candidatos em liça, deixando a cada militante inteira liberdade de escolha.
Para já, José Delgado mostrou arcaboiço político, ao levar os dois eleitos do PS a perceberem que estão às ordens do PSD, partido maioritário a nível local, que por isso deve exercer a liderança efectiva. Sem, todavia, o dizer frontalmente, como convém. Bastou-lhe afirmar que não concordava com a forma como o acordo estava a ser cumprido e, mais tarde, que ele e os da sua equipa nada tiveram a ver com o inesperado casamento de conveniência, pois nem sequer foram consultados, ou dele tiveram conhecimento antecipado. A isto se chama política de alto coturno. Dar a entender muito mais do que aquilo que se diz. Para bom entendedor...
Significa isto que melhores dias se aproximam para os tomarenses ? A ver vamos. Até agora, os primeiros sinais são muito favoráveis, o que já não sucedia há demasiado tempo. Porém, como é sabido, os ciganos nunca gostam de ver bons princípios aos filhos. Optimismo portanto, mas moderado e cauteloso. Os dados estão lançados ! Aguardemos.

Nota final:

Muitos estranharão que finalmente digamos bem de alguma coisa. Acrescentarão até que "os gajos ou já se passaram para os laranjas, ou estão a preparar o terreno para a próxima corrida".
Nada disso, caros conterrâneos ! Sucede simplesmente que -como aliás aqui tem sido repetido com alguma frequência- há já muitos anos que deixámos de usar "óculos partidários" para ver, analisar e explicar o que acontece, tanto na sociedade local, como nacional ou internacional. O que nunca nos impediu, nem impede, de termos uma determinada visão do mundo, a qual nunca implicou que esqueçamos a conhecida frase do saudoso Vítor Cunha Rego: "As coisas são o que são." Para o bem e para o mal. Ou, citando os nossos irmãos brasileiros, "Quem nasceu lagartixa nunca chega a jacaré."

segunda-feira, 1 de março de 2010

EM CHEIO NO CORAÇÃO DA REALIDADE

Vale mais prevenir que remediar, usa dizer-se por aí. Numa terra em que a esmagadora maioria da população é desprovida de qualquer sentido de humor, preferindo arrastar-se pelas ruas com cara de enterro, ou com ar de alguém a quem todos devem e ninguém paga, toda a cautela é pouca. Daí este intróito.
Temos naturalmente estima, consideração e respeito por todos os que, como nós, procuram informar o melhor possível "dentro de lo que cabe", segundo a expressão castelhana. Sabemos muito bem que errar é próprio de quem faz, acontecendo a todos, com maior ou menor frequência. Nem os profissionais das chamadas catedrais da informação escapam, quanto mais agora nós, pobres provincianos tomarenses, longe da Europa, longe de Lisboa, longe da sorte.
O que segue é pois exclusivamente para provocar uns sorrisos saudáveis, não tendo qualquer intuito de agredir ou apoucar os caros colegas da Hertz, cujo trabalho admiramos, conquanto nem sempre estejamos totalmente de acordo.
Pois desta vez, por mero acaso ou intencionalmente, ao primeiro tiro, os hertzianos conseguiram atingir a realidade local em pleno coração. Na verdade, aquilo que temos tido desde antes da campanha eleitoral é um conjunto de dois partidos tipo irmãos siameses. Um não tem programa, o outro tão pouco. Um não tem rumo, o outro também não. Um não tem ideias, o outro igualmente. Ainda por cima, juntando a fome com a vontade de comer, coligaram-se sem acordo devidamente estruturado. Limitaram-se a dividir empregos, vulgo "tachos". É por isso particularmente correcta e incisiva a designação "Partido Socialista Democrático de Tomar", pois é disso que se trata. Quer a coligação se venha a esbandalhar a curto prazo, ou mais tarde; quer venha a durar todo o mandato, é bem certo que os eleitores nabantinos não terão alternativa. Os dois partidos do chamado arco do poder já lá estão, por enquanto não convencem e são, em termos de acção, boné branco e branco boné. Assim uma espécie de Dupont e Dupond
Quanto aos IpT, manda a verdade dizer que o eleitorado já "disse", por duas vezes, que não está interessado em ter novamente Pedro Marques como alcaide de Tomar. E contra factos, os argumentos não colhem, pois nem adiantará debater se os cidadãos terão ou não razão. Os factos são o que são. Em duas consultas genuinamente livres, o antigo independente pelo PS nunca esteve sequer próximo da vitória, apesar de neste último escrutínio ter beneficiado de uma campanha publicitária muito acima do que é usual por estas bandas. Tem o direito de continuar a concorrer ? É claro que tem. Tal como qualquer cidadão tem o direito de sonhar com a lotaria, o totoloto ou o euromilhões. Os tomarenses é que não parece que tenham qualquer esperança vinda dali.
Dado que os outros agrupamentos, por mais necessários, sérios e activos que sejam, não têm qualquer hipótese de vencer, coisa que os eleitores sabem perfeitamente, estamos realmente num beco. A exigir quanto antes uma efectiva recomposição da paisagem política local. Sem o que, qualquer que venha a ser o contexto nacional e internacional, estamos condenados à insignificância.
Parafraseando um conhecido soberano, os tomarenses são um grande povo. Sob a égide dos templários e dos cavaleiros de Cristo, conseguiram reunir os meios de financiamento que possibilitaram a extraordinária aventura dos descobrimentos. Mas depois cansaram-se e nunca mais fizeram nada de jeito. Será desta ? Começa a haver alguns indícios.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

TRIO RELVICAR OUTRA VEZ ENCORNADO !

Pois é verdade, caros leitores. Continuam as intempéries políticas. Há relativamente pouco tempo foi o alentejano Granadeiro a declarar, sem papas na língua, que foi encornado. Depois foi o inefável Jardim, opinando que se não tem mandado cimentar as ribeiras, ainda tinha sido pior. Agora foi em Tomar. Pela quarta vez em quatro meses, o conhecido "TRIO RELVICAR", do badalado casamento autárquico de conveniência 3+2, levou mais uma parelha dos ditos, nas eleições locais dos laranjas. Após ter sido encornado nas autárquicas pelo eleitorado; no Médio Tejo pelos companheiros autarcas; na coligação camarária, pelo impetuoso esposo; esta encornadela interna, a quarta, é demais !
Até o habitualmente circunspecto Hugo Cristóvão, o representante oficial do noivo na assinatura dos esponsais, não conteve o seu alegre júbilo íntimo. "Hoje em Tomar chove e faz muito vento, mas temporal ouvi dizer que foi ontem. Parece que o estrago foi grande na cultura da laranja nabantina, bem capaz de afectar as colheitas dos próximos anos." (Hugo Cristóvão, alguresaqui.blogspot.com. O negrito é nosso.)
Quer isto dizer que, com tantas infidelidades em tão pouco tempo, à média de uma por mês, a estranha coligação tem os dias contados ? Teria sem sombra de dúvida, se os 3 autarcas do casório, a "noiva", fossem filiados no PSD. Mas não são. Para o bem e para o mal, só o vereador Carlos Carrão é do serralho. Nestas condições, decidam os novos dirigentes locais o que decidirem, só haverá queda da actual maioria caso os independentes Côrvelo e Rosário assim o queiram, pois mesmo que Carlos Carrão saísse ou se unisse aos IpT, duas coisas praticamente impensáveis, porque crimes de lesa-magestade, continuaria a haver maioria para governar. Tal como no caso de haver abandono do lar matrimonial pelo PS, a noiva enganada poderá recorrer aos IpT, que ainda não disseram nada em contrário. E em política...
Há pois todas as possibilidades de os tomarenses virem a sofrer de uma governança autárquica errática, caótica e caquéctica até ao fim deste mandato. A não ser que os eleitores se façam ouvir de forma determinante, coisa nunca antes acontecida em Tomar, e totalmente ao arrepio do usual comportamento nabantino, mais para o carneirismo do que para o toirismo.
Se contra todas as previsões, houvesse queda voluntária da actual maioria, seguida de eleições intercalares, nas actuais circunstâncias nem assim os eleitores teriam a certeza de sairem a ganhar. Isto porque, na ainda recente consulta eleitoral, nenhum dos grupos agora no executivo apresentou qualquer programa, qualquer projecto, qualquer linha de rumo, qualquer ideia, susceptíveis de alterar substantivamente a nossa contínua e inexorável caminhada para o abismo. Numa frase curta -Se os que estão não prestam, os outros não são melhores.
Não há então qualquer esperança ? Há. Que os eleitores se decidam, finalmente, a votar em programas, projectos, linhas de rumo e pessoas que dêem garantias de os aplicar, em vez de "botarem" no emblema, na cor, no compadre, ou no candidato que o sr. presidente disse. Só assim !

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

FAZER SEMPRE MAL NÃO CANSA ?

Publicou recentemente o sr. vereador Luís Ferreira (ver blogue vamosporaqui.bogspot.com), questionando os seus críticos, entre os quais temos o prazer de nos incluir, um substantivo texto sob o título "Dizer sempre mal não cansa ?" Este pretende ser uma réplica simultaneamente respeitosa para com ele, (dado o cargo que ocupa por escolha popular) e proveitosa também, pois a crítica, quando educada e fundamentada, quanto mais verrinosa melhor. Vamos então à dita.
A ilustração supra mostra a Igreja Matriz dos Templários, em Tomar, em Portugal e em Castela/Leão. A Igreja de Santa Maria dos Olivais apenas foi o Panteão (templo funerário) do Templo e de Cristo, promovida a Matriz e cabeça de todas as igrejas da Ordem de Cristo a partir da criação do bispado do Funchal, cujo primeiro bispo está sepultado, desde 1525, do lado esquerdo do altar-mor.
Nestas condições, senhor vereador, dado que Gualdim Pais fundou o castelo, a Charola e a povoação cá em cima, porquê as comemorações cá em baixo ? Decerto não ignora que tanto a lápide da fundação, como a da biografia de D. Gualdim estão nas paredes mais ao fundo da fotografia.
A Porta da Almedina, também conhecida por Porta do Sangue, o antigo acesso nobre à povoação, que mantém as duas cruzes tutelares templárias (com círculo central), uma no exterior, outra no interior (ver foto), foi entaipada aquando da reforma de 1529, encontrando-se actualmente neste mísero estado. Parece-lhe bem ? Não teria sido melhor redignificá-la, aproveitando o ensejo das comemorações, em vez de esbanjar dinheiro em almoços volantes, centenas de foguetes e dezenas de morteiros, que uma vez rebentados "arderam" ? É do seu conhecimento que Humberto Eco, no "Pêndulo do Focault" descreve a entrada na fortaleza templária por esta porta?

Outra herança de Gualdim Pais é a coeva Calçada de S. Tiago (ou Santiago), que faz parte do Caminho Português com a mesma designação, ou seja a rota outrora percorrida a pé pelos peregrinos a caminho de Compostela, que pernoitavam nas igrejas ao longo do percurso. Actualmente a mais próxima daqui é a de Santiago, na "baixinha" de Coimbra. Pois esta Calçada, senhor vereador, está como os tomarenses: não tem tido sorte nenhuma. Já por volta de 1613, Filipe II de Portugal, prevendo visitar Tomar, (onde o seu antecessor fora proclamado e aclamado como rei de Portugal), ordenou que se procedese ao arranjo da citada artéria. Pelos vistos sem qualquer resultado. Afinal, mesmo com poder absoluto...
As perguntas são estas: Parece-lhe bem que, mais de 300 anos entretanto decorridos, a calçada se apresente neste estado ? Pode explicar aos munícipes porque é que, apesar dos espectaculares avanços técnicos, a autarquia que o senhor integra ainda nem sequer conseguiu resolver, de maneira minimamente satisfatória, o singelo problema do escoamento das águas pluviais, que a cada bátega mais forte continuam a inundar o troço final da Rua do Pé da Costa, as Escadinhas anexas e a parte sul da Praça da República ?

O actual aspecto da outrora Porta da Almedina é este. Entretanto a autarquia, aproveitando fundos europeus do QREN, já adjudicou a requalificação da via pedonal Cidade/Castelo, através da antiga Cerca do Convento (actual Mata dos Sete Montes), com acesso pela Torre da Condessa. A referida via utiliza parte da primitiva estrada para o castelo, passando a menos de 50 metros da porta primitiva (a da foto). Alertados para a oportunidade de restabelecer integralmente o antigo acesso através da Porta do Sangue, os senhores autarcas de então e de agora fizeram orelhas de mercador. O senhor vereador, que se tem apresentado tão eufórico (e ainda bem) com as suas funções de vereador da cultura, o que terá a dizer sobre este assunto ? Que "será resolvido logo que possível", como costuma dizer um colega seu ? E esse "logo que possível" está previsto para quando e com que objectivos ?
Concluindo, respeitável senhor vereador. O senhor garantiu que o PS tinha um programa eficaz para a autarquia, e afinal não tinha. O senhor nunca disse aos eleitores que faria uma coligação com o PSD, e afinal fez. O senhor não tem visivelmente qualquer rumo fecundo para a cidade e o concelho, e afinal continua feliz. Pelo menos aparenta. Donde as perguntas: Fazer sempre mal não cansa ? Quando pensa poder mudar a presente situação deprimente da economia local ? Continua a dormir descansado?
Olhe que não é nada prudente !

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

DIAGNÓSTICO DAS MALEITAS TOMARENSES


TOMAR: UMA SOCIEDADE AMORFA, HABITUADA A QUE TUDO POR ELA DECIDÍSSEM

A realidade tomarense apresenta-se com grandes contrariedades económicas e sociais. Tomar depende do funcionalismo público, mas num tempo de simplificação de serviços, é uma dependência com poucas probabilidades de sucesso. Os grandes empregadores são neste momento a autarquia e os ministérios da defesa, da saúde, da educação e do ensino superior. Todos estes organismos terão como provável tendência a redução de funcionários.
Por outro lado, é muito difícil que nasçam crianças num concelho como o nosso, que os jovens abandonam em busca de melhores paragens. Deverá por isso haver uma redução acentuada do número de alunos e no caso do ensino superior esta situação obrigará porventura a uma contracção de equipamentos. Até que ponto saberá e terá capacidade o "nosso" politécnico para sobreviver ?
É urgente percebermos que Tomar definha todos os dias. Difíceis são os tempos que o concelho atravessa e que pouco têm a ver com a crise que cruza o mundo. Poucas abertas se vislumbram para o nosso futuro, num mundo cada vez menos proteccionista e mais competitivo. Uma sociedade amorfa, habituada a que tudo por ela decidíssem, o concelho de Tomar deu-se mal com a democracia. O amorfismo perdurou e congelou-nos num orgulho vão e bacoco. No mínimo, durante as duas últimas décadas, nunca a autarquia soube ser liderante, aglutinadora e inspiradora. Tem agido sem planos, sem estratégia, sem capacidade de orientar a comunidade. Nunca soube indicar o caminho e agravou as dificuldades com o aumento da despesa e da dívida, pagando obras espúrias e insensatas.
E aqui estamos agora, com uma autarquia pesada, desorganizada, enferrujada, sem filosofia conceptual, e hipotecada, que terá como primeira grande missão corrigir os erros cometidos, sabendo que alguns não têm correcção possível.
A obtenção de fundos comunitários não pode ser um fim em si mesmo, porque obrigam ao comprometimento de verbas próprias e consequentemente do endividamento. A câmara de Tomar terá de arrepiar caminho e definir quanto antes um rumo, claro para todos.
Este é o ponto de partida. Agora há que definir de vez onde, como, porquê e com quê, queremos chegar enquanto comunidade.
Por Tomar e com os tomarenses !
Após a leitura do texto acima, muitos leitores pensarão, como habitualmente, que estou a ser demasiado duro com os nossos autarcas, e que esta dureza resulta de um doentio comportamento de mau perdedor. Alegarão até que as sucessivas maiorias PSD podem ter cometido alguns erros, mas globalmente têm tido actuações positivas. Caso contrário, os socialistas não teriam assinado um acordo de coligação, que os vai comprometer irremediavelmente na presente e futura gestão laranja.
Pois quem assim pensou, pensou mal ! O referido texto é uma condensação do discurso de Hugo Cristóvão, presidente dos socialistas locais, líder da bancada, deputado municipal e signatário do tal acordo de coligação. Foi lido na recente sessão da Assembleia Municipal, perante a indiferença geral, podendo ser consultado no seu blogue algures aqui por quem eventualmente tenha dúvidas.
Como se pode constatar, ainda a procissão não saiu sequer da igreja e já os rosas dizem cobras e lagartos dos seus parceiros, com toda a pertinência, refira-se de passagem. A citada peça parece-nos um excelente diagnóstico, quiça incompleto, das maleitas locais, focando até parte do que não deve ser feito. Com esta corajosa intervenção política, que não teríamos qualquer reserva em subscrever, fica agora a faltar apenas a indicação da indispensável terapêutica. E aí é que a porca torce o rabo. Basta lembrar que, na mesma sessão, os socialistas votaram em bloco com os laranjas contra a moção em defesa da Janela do Capítulo, cuja limpeza foi decidida em Lisboa, como sempre. Para quem tinha, pouco antes, criticado com palavras duras "uma sociedade amorfa, habituada a que tudo por ela decidíssem", não está nada mal, não senhor ! E mostra uma grande coerência política ! Digo eu...

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

ESTRANHO PRESENTE DE NATAL !


Estranho presente de Natal este, que a actual maioria PSD+PS, mais aquele senhor santareno do CDS, acabam de entregar aos tomarenses (mesmo aqueles que cá não nasceram) realmente amigos da sua terra e defensores intransigentes do seu património. A moção-apelo para preservar a Janela do Capítulo, nosso emblema no Mundo, apresentada pelos Independentes por Tomar, foi vencida por 26 votos contra, do PSD+PS+CDS, e 11 a favor (IpT+CDU+BE). Os do temporário quinteto mais o senhor PP devem estar todos contentes. No lugar deles, eu não estaria, porque há males que vêm por bem.
Com a sua sabedoria milenar, o povo costuma dizer que mais vale ter inimigos declarados do que falsos amigos. É exactamente o caso presente. Que é igualmente caricato, pois enquanto em Lisboa, na Assembleia da República, PS, PSD e CDS não se esgadanham mais porque não podem, e pareceria mal não respeitar um mínimo de decência, aqui em Tomar, tão amigos que nós somos ! Por quanto tempo ainda ?
Há derrotas que são vitórias e este resultado, que só pode envergonhar quem ganhou, tanto a curto como a médio ou a longo prazo, tem uma grande vantagem -separou as águas. O que é excelente porque, tanto na vida em geral, como na política em particular, vale mais só que mal acompanhado. Ou, por outras palavras e com outra dimensão, diz-me com quem votas, te direi quem és. Politicamente, claro.
Mesmo derrotada no parlamento tomarense, a campanha "Salvar a Janela do Capítulo" vai continuar, recorrendo a todos os meios legais, e conseguiu até agora três grandes resultados:
1 - Obrigou o IGESPAR, pela primeira vez desde a sua fundação, a explicar por escrito aos tomarenses aquilo que está a ser feito e o que pretende mandar fazer a seguir.
2 - Mostrou na prática que os tomarenses não podem contar com a actual maioria PSD+PS, quando se trata de defender o nosso património. (O que não significa que se possa contar com eles para qualquer outra coisa...) Laranjas e rosas preferem defender os interesses governamentais em detrimento dos locais. Que vos faça muito bom proveito. Mas cuidado com as indisgestões.
3 -Tornou claro que há em Tomar e no concelho toda uma série de capelinhas (IPT, Agrupamentos de Escolas, Juntas de Freguesia, Colectividades) que, salvo raras excepções, nunca arriscam sair da ortodoxia, com medo de perderem uns pratitos de lentilhas. Bom proveito igualmente.
Tudo isto poderá parecer pouco, tanto a quem julga estar instalado no poder por muitos e bons anos, como a alguns signatários e votantes do apelo. Contudo, no meu fraco entendimento, representa a passagem da opinião pública tomarense da "carneirada" para a plena cidadania. E isso, podem crer, já está a incomodar muita gente.
Doravante, laranjas rosas e azuis já não poderão olhar para os tomarenses com ar de quem está a cumprir os seus deveres para com a comunidade. Estão feridos de asa, o que em política raramente perdoa. Mesmo em Tomar, onde, aparentemente, quanto mais isto muda, mais está na mesma.
Feliz Natal e Bom Ano Novo para todos, que a época é de concórdia, mas não implica unanimidade política.

domingo, 20 de dezembro de 2009

JANELAS COM VIDROS FOSCOS

Reitero de boa vontade o já aqui escrito anteriormente -tenho por Hugo Cristóvão amizade, admiração e respeito. Julgo-o um jovem político muito bem intencionado, realmente preocupado com a prossecução do bem comum. Considero-o, junto com Luís Ferreira e pouco mais, uma esperança do PS tomarense para os anos mais próximos, caso venham a ter coragem para sair atempadamente do atoleiro em que se atascaram, ao celebrarem um acordo invertebrado, sem objectivos nem rumo, para além das lentilhas, do protagonismo e do imediatismo. Não fora assim e nem escreveria uma frase-resposta, quanto mais um texto.
A ilustração acima mostra a posição de Hugo Cristóvão sobre o caso da limpeza da Janela, no seu blogue "Algures aqui". Se quisesse ser cruel, usaria como título desta peça uma interrogação assassina: O poder cega ?
Não o faço pelo exposto anteriormente, mas parece-me que é disso mesmo que se trata. Vejamos.
Cristóvão louva O Templário por ter apurado os factos referentes ao restauro do Convento e à limpeza da Janela, junto das entidades competentes, "ao fim da terceira semana de notícias". Está no seu direito e na verdade O Templário merece o elogio porque produziu uma bela peça noticiosa. Cumpre, porém, para melhor entendimento dos leitores que sabem realmente ler, formular algumas perguntas. Tem a certeza de que sem as "notícias" anteriores e sem o apelo SALVAR A JANELA DO CAPÍTULO, que José Gaio subscreveu, (mas o Cristóvão não), o assunto teria ocupado duas páginas inteiras do referido semanário ? Conhece algum outro caso em que o IGESPAR tenha facultado, directamente e por intermédio da directora do monumento, explicações públicas sobre obras em curso ou a iniciar ? As "notícias" anteriores a que se refere entre aspas, se outro mérito não tiveram, contribuiram pelo menos para esclarecer os tomarenses em dois aspectos importantes: A - Mostraram que, quando devidamente constrangidas no âmbito da mais estrita legalidade, mesmo as entidades com características autistas e altaneiras condescendem em responder aos eleitores inquietos. Defendem os seus pontos de vista ? Claro que sim. Nem outra coisa era de esperar. B - Mostraram igualmente, e sobretudo, que nos casos melindrosos envolvendo organismos governamentais, os tomarenses não podem contar com a actual maioria autárquica, nem com as várias capelinhas dependentes do Orçamento. É pouco ? Veremos, com o tempo...2013 é já ali adiante e o actual mandato já se encaminha para um enterro de luxo.
Resta a posição do ilustre deputado municipal, que noutras circunstâncias poderia ter vindo a ser presidente do órgão fiscalizador local.
Acha que a Janela precisa de ser limpa. Está no seu pleno direito. Todavia, se fundamentasse devidamente tal ponto de vista, talvez não fosse pior. Trata-se afinal de um dirigente político que ocupa dois cargos para os quais foi eleito, mas igualmente de um docente numa área que tem muito a ver com o património...
E depois, a questão não está em limpar ou não limpar a Janela. Trata-se de definir antes, e de forma detalhada, aquilo que se entende por limpeza. Todos concordarão que devem ser removidos os detritos, as ervas e os excrementos das aves, não só agora mas de forma periódica. O problema aparece quando se fala em remover também, "soit disant" por escovagem, os musgos, os líquenes e por aí fora. Coisa que, tanto quanto se sabe, nunca ninguém ousou fazer nos quinhentos anos que já conta aquela construção manuelina, e que comporta riscos elevadíssimos de vir a causar estragos irremediáveis, na opinião de muitos, incluindo pelo menos um especialista em restauro e manutenção de pedra.
" Mas há muito quem saiba. E sobre questões técnicas deve decidir quem tem obrigação de saber -os técnicos."
A verdade é como o azeite na água; por muito que a tentem diluir, acaba sempre por vir à superfície. Há então, na opinião de Cristóvão, "muito quem saiba". A ser realmente assim, onde estavam e o que fizeram quando por limpeza degradaram gravemente uma série de monumentos, entre os quais os Jerónimos e a nossa Ermida da Conceição, conforme já foi documentado nas tais "notícias" ? As coisas não correram bem ? E porquê ? Quais foram as consequências legais dos estragos causados ? Alguém foi responsabilizado ?
Resta a alusão a "quem tem obrigação de saber -os técnicos". Realmente o Cristóvão, manifestamente sem querer, colocou o dedo na ferida. Eles lá terem obrigação de saber, em virtude dos diplomas e da experiência que detêm ou dizem deter, não há dúvida que têm. O pior é que os factos não mentem -eles realmente não sabem nem se mostram capazes de aprender. Só assim se explica que cometam, ou deixem cometer, de forma sistemática, os mesmos erros. Jerónimos, Torre de Belém, Mafra, Senhora da Conceição, exterior do Corredor do Cruzeiro e parte da fachada sul do Convento de Cristo -a lista dos disparates, das "obras que correram mal", apesar de pagas a peso de ouro, começa a ser demasiado longa.
No caso da Janela do Capítulo, a situação é infinitamente mais delicada. Nunca ninguém a limpou profundamente. Nunca ninguém trabalhou em ornatos tão complexos, tão frágeis e tão desconhecidos em termos de natureza do calcário em que foram lavrados. Nestas circunstâncias, vir com a velha história de que só os técnicos é que sabem e só eles é que são competentes, não passa de relambório de ocasião para tentar intrujar uns e intimidar outros. No fim de contas, o apelo supracitado congregou engenheiros civis, engenheiros químicos, farmacêuticos, técnicos de restauro, gestores, empresários, professores, médicos, etc. etc. Tudo ignorantes ? Tudo palonços ? E os que defendem a aludida limpeza ? Tudo gente tecnicamente competente ? Inteligente ? Empenhada realmente na salvaguarda do património ?
Cá por mim, que não sou técnico nem nunca pretendi ou disse ser, volto a repetir que me parece extremamente suspeita a insistência obstinada na limpeza da Janela e da restante construção manuelina, quando há no Convento coisas muitos mais carecidas de reparação urgente. Mas neste país já nada me admira. Com os problemas económicos e sociais gravíssimos que são cada vez mais numerosos e sem solução à vista, os senhores deputados da Assembleia da República resolveram discutir e votar favoravelmente o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Dado que temos o mais baixo índice de natalidade dos 27, era mesmo o que estava a fazer falta. E depois lastimam-se que os cidadãos se vão progressivamente alheando da política. Com eleitos assim...

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

OIÇAM QUEM TEM EXPERIÊNCIA

Há leitores que me apodam de pessimista profissional. E sobretudo, sobretudo, de especialista de má-língua. Sabedor de que assim é, procurei indagar o que pensam outros cidadãos na minha posição -aposentado, amigo do meu país e apaixonado pela minha terra, sem ambições políticas, sem nada a ganhar ou a perder. Por conseguinte com inteira liberdade para dizer o que penso.
Tive sorte. Na sua habitual crónica semanal "O tempo e a memória", no Diário de Notícias, Mário Soares é frontal, como habitualmente, e expõe numa página inteira aquilo que lhe vai na alma, naturalmente sem qualquer constrangimento. Peço licença para reproduzir, com a devida vénia, a parte que mais nos diz respeito, aconselhando os leitores a substituirem governo por autarquia, primeiro ministro por autarcas, PS por PS/PSD, e assim sucessivamente, quando for caso disso.
"A situação portuguesa está a deteriorar-se, perigosamente acho eu, tanto no plano económico-social como político-institucional e moral. E o pior é que assim vai ser muito difícil vencer a crise global de que -atenção !- estamos longe de ter saído. Tanto a União Europeia como nós. Mas não basta fazer o diagnóstico da situação. É necessário um plano estratégico concertado de ataque à crise e, sobretudo, agir em conformidade com ele.
Todos os meus leitores sabem que, por natureza, não sou pessimista. Antes pelo contrário. Mas procuro ser realista. Sinto junto das pessoas com quem contacto, de todas as condições sociais, do litoral e do interior, que há uma grande incerteza -e mesmo preocupação- quanto ao nosso futuro colectivo. Não estamos ainda perante uma crise de regime, como alguns profetizam, mas para lá caminhamos, se a sociedade civil e, especialmente, os partidos -do governo e da oposição- não forem capazes de criar um mínimo de concertação para podermos mudar as coisas. ... ... ...
Quando me refiro aos partidos políticos estou a pensar, naturalmente, nos que têdm assento na Assembleia da República -da esquerda e da direita- sem excluir o PS, que não deve limitar-se a apoiar o governo -cela va sans dire- , mas ter uma vida própria, autónoma e a debater internamente, e com os outros partidos e associações cívicas, os grandes problemas que nos afligem. Sem um PS mobilizado pela discussão livre e o debate interno, dando voz e ouvindo os militantes, que têm sugestão a dar ou críticas a fazer, o governo, nas condições actuais, dificilmente aguenta até ao fim da legislatura. Mas com o partido activo e mobilizado será diferente". ... ... ...
Aqui em Tomar, digo eu, estamos bem, felizmente. Há debates por todo o lado, sucedem-se as mesas redondas sobre políticas locais e, sobretudo, há carradas e carradas de ideias realmente operacionais. Tantas que ninguém sabe por enquanto qual a ponta por onde lhes pegar. Há até pessimistas -eu, por exemplo- que asseguram estarmos nas margens do Nabão numa situação redonda. Sem ponta por onde se lhe pegue, nem pessoas capazes de lhe pegar. Mas deve ser só má-língua. Vamos esperar, no duplo sentido do termo. Aguardar e ter esperança. Depois não me venham com a velha desculpa de que ninguém vos avisou a tempo e a horas...
(Ler a totalidade da crónica de Mário Soares em wwwdn.pt )

terça-feira, 17 de novembro de 2009

ESTÃO BEM UNS PARA OS OUTROS

Estarei se calhar a ver mal. Se for o caso, os leitores e os visados farão o favor de se manifestar.
Há dois dias, Luís Ferreira escreveu no seu blogue "A partir de 1 de Março de 2010 Tomar tem 850 anos de idade. A velhinha Templária vai estar em Festa 2 anos..." Fiquei naturalmente preocupado, estive para responder, voltei a ponderar, resolvi calar-me.
Ontem ao chegar à biblioteca antiga, para onde fora convidado pelos IpT, soube que no 1º andar daquele edifício decorrera uma reunião de Miguel Relvas com os líderes dos agrupamentos políticos representados na assembleia municipal. Uma sede para a comissão da festa dos tabuleiros, a convocatória, a fazer pelo presidente da câmara, para a escolha do mordomo da próxima festa, a realizar em 2011, bem como a implementação de um museu virtual dos tabuleiros, eis os tópicos debatidos.
Perante isto, sem querer atacar ou sequer beliscar quem quer que seja, não posso deixar de manifestar a minha perplexidade. Então, não há debandada da população ? Desemprego ? Dificuldades de tesouraria muito sérias no município ? Eleitores que têm de dormir com o chapéu aberto quando chove ? Prédios antigos que ameaçam ruína em plena cidade antiga ? Gente que passa mal ? Aumento dos pedidos de ajuda à Caritas local ? Aumento para quase o dobro dos pedidos de rendimento mínimo ? Um cidadão a viver nuns sanitários públicos ? A cidade cada vez mais porca ? A evidente falta de manutenção de alguns espaços verdes de responsabilidade municipal ? A falta de pessoal especializado na mata dos sete montes ? O incrível estado de ruína do mercado municipal ? As dificuldades cada vez mais graves do comércio local ?
E perante tudo isto e muito mais, que se omite para não alongar, PSD, PS, Miguel Relvas, Luís Ferreira e Corvêlo de Sousa, todos mandatados pela população para cuidarem o melhor que souberem da cidade e do concelho, acham que as comemorações dos 850 anos do início da construção do castelo, em Março próximo, e a festa dos tabuleiros de 2o11, são realmente as prioridades do momento ?
Não sou frequentador de missas, não ando a bater com a mão no peito, nem costumo invocar o santo nome em vão. Neste caso porém, não posso deixar de implorar, bem do fundo do coração de tomarense nado e criado aqui, amante da sua terra -Valha-nos Deus !!!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

BEM INFORMADO PARECE ESTAR

Os tomarenses, (uma grande parte deles, para sermos mais justos), são assim. Quando algum deles consegue alcançar, como muito esforço, um lugarzito confortável, desatam logo a dizer cobras e lagartos sobre o novo felizardo. Luís Ferreira não escapa a esta triste sina. Que mais isto, mais aquilo, e depois, ainda por cima, imagine, etc etc. Apesar de tal falatório, temos de concordar que factos são factos.
De acordo com a ilustração acima, feita a partir dos blogues Vamos por Aqui, de Luís Ferreira, e d'O Mirante, uma coisa parece certa -o novo vereador dos bombeiros, da defesa civil, da cultura e do turismo, parece estar bastante bem informado sobre a nomeação do próximo governador civil. Ou é O Mirante que está enganado ? Se não for O Mirante, então para o nosso vereador PS o próximo governador civil pode não ser o Nelson Carvalho. Mas é o Carvalho. Ai é é ! Porque com tais informadores, o futuro não lhe augura nada de bom...

domingo, 8 de novembro de 2009

CONTINUIDADE E DEFINHAMENTO...

Tinha decidido fornecer hoje à noite uma pitada de história local. Para focar/lembrar alguns factos que podem muito bem constituir ensinamentos importantes sobre o nosso futuro a construir. Entretanto li os jornais e encontrei no PÚBLICO este tema que me pareceu importante.
É meu entendimento que a nível nacional o silêncio sobre a crise resulta, sobretudo, de dois factores: 1 - A direita (PSD/CDS) viu desmentidos na prática os pretensos méritos do liberalismo, com a necessidade de importantes intervenções governamentais para evitar falências em série. Mesmo na pátria do capitalismo puro e duro -os Estados Unidos. 2 -A esquerda (PS, PCP, BE) mostra-se cautelosa, dado que, apesar da gravidade e persistência da crise, a direita tem subido e ganho eleições por essa Europa fora, quando afinal o inverso seria mais lógico. E depois parece haver um certo cansaço em relação ao sacerdote Louçã e ao seu manifesto irrealismo nalguns pontos, bem como uma lenta mas contínua erosão do Mosteiro do Jerónimo. Adiante.
No que a Tomar se refere, há também a considerar o relativo "entontecimento transitório" após o choque provocado pelo "juntar dos trapinhos" PSD/PS, que surpreendeu e escandalizou muitos eleitores. Com toda a razão, de resto. Tanta coisa de parte a parte, e afinal para quê ter votado num ou noutro ? Não teria sido mais correcto fazer a coligação e anunciá-la aos eleitores antes das eleições ?
Sentindo-se, em muitos casos, enganados, os eleitores mais adestrados nestas coisas pensam também que estamos perante uma aliança de mútua conveniência dos militantes envolvidos, que infelizmente vai prolongar por mais algum tempo a continuidade do definhamento, em vez de possibilitar a ruptura, encetando um período de transformação e afirmação. E escrevo "prolongar por mais algum tempo" tendo em conta que, segundo Hernâni Lopes, "...A tendência mais provável num cenário onde a continuidade gera definhamento, é que este seja um factor adicional de continuidade, num círculo vicioso que será operante até se chegar a um ponto de ruptura." Entretanto teremos perdido mais uns anitos em vão. Após o que os eleitores, já anteriormente escaldados, saberão que tanto faz votar PSD como PS. Lindo. E muito mobilizador, não é ?
E vamos agora à tal pitada de história local, que tem tudo a ver com o que antecede. Todos os tomarenses sabem que Tomar começou a ser fundada, lá em cima, a partir de 1 de Março de 1160. Sabem igualmente que o período áureo nabantino vai de 1420 a 1557, que é como quem diz da conquista do controlo da Ordem de Cristo pelo Infante D. Henrique ao final do reinado de D. João III. Com uma fase já decadente a partir da reforma de 1529. O que poucos terão reparado é no longo período obscuro que vai de 1168 (concessão do foral velho) até 1420, do qual apenas se sabe, geralmente, que houve a adulteração do dito foral, em data indeterminada com precisão, a extinção dos templários, em 1312, a "fundação" da Ordem de Cristo, a ida para Castro Marim e o regresso a Tomar em 1325.
E o resto ? É costume dizer-se que os povos felizes não têm história, podendo bem ter sido esse o caso dos tomarenses até 1420. Isto porque, de acordo com Marx, autor maldito mas ainda assim analista económico de muito valor, apesar dos seus evidentes erros, qualquer desenvolvimento económico pressupõe um período mais ou menos longo de poupança, designado por "acumulação primitiva". O tal capital inicial, sem o qual, ainda hoje, os projectos, por muito bons que sejam, ou dificilmente avançam, graças à banca e/ou ao estado, ou não avançam mesmo.
Ciente da necessidade de conseguir fundos, o Infante D. Henrique visou ao mais alto nível de riqueza do país, quando pediu ao pai para tentar obter do papa a sua nomeação como governador e administrador da Ordem de Cristo, que acabou por dominar entre 1420 e 1460. Durante esse longo período, diz-nos o seu cronista Zurara, "lançou a empresa das navegações com os seus cabedais e as rendas da Ordem de Cristo." Sabemos igualmente que tal empresa, apesar dos elevados cabedais envolvidos, só muito mais tarde veio a ser rentável. À data do seu falecimento, o Infante deixou dívidas, as quais só vieram a ser pagas no reinado de D. Manuel, entretanto Mestre da Ordem de Cristo, na qualidade de herdeiro do herdeiro do Infante, e rei de Portugal.
As grandes obras do Convento, do Infante D. Henrique, de D. Manuel I e de D. João III/Dona Catarina, não foram por conseguinte nenhum presente do infante ou da coroa portuguesa. No primeiro caso tratou-se apenas de edificar acomodações para o próprio. Nos dois outros, de mera aplicação dos rendimentos dos cabedais anteriormente aplicados.
A partir de 1529, quando passaram de cavaleiros e comendadores a simples frades de cógula (Reforma de Frei António de Lisboa), foi a longa decadência, com duas pequenas interrupções, uma durante o período filipino e outra logo após a restauração. Até que em 1834 acabou tudo e os tomarenses ficaram órfãos de facto. Desde então habituaram-se a viver directa ou indirectamente à custa do orçamento de estado, tendo-se mostrado até ao presente incapazes de definir o seu próprio futuro. Parecem aguardar que apareça um D. Sebastião salvador, numa manhã de nevoeiro, em vez de procurarem conseguir novamente uma razoável "acumulação primitiva", sem a qual...
E aqui reside o nó górdio. A autarquia vive há vários anos acima dos seus recursos, esperando que o governo e/ou a banca lhe vão permitindo continuar a esbanjar. O governo está na mesma delicada situação, pelo que tenderá reduzir e não a aumentar as transferências para o poder local. Quanto à banca, dois aspectos: 1- Quanto mais empréstimos, mais altos os juros; 2- Com o previsível aumento da euribor, o actual serviço anual da dívida autárquica, da ordem dos 2 milhões de euros, upa! upa!
Mas enquanto funcionários e autarcas forem recebendo a tempo e a horas, está tudo bem. Ou não ?

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

VITORINO JÁ DESENCANTADO ?


"Vou tentar melhorar o desempenho dos serviços. Trata-se de um pelouro em que o desempenho pode ser positivo, sem que isso implique um agravamento no orçamento da câmara. O problema que temos, nesta altura, é de restrição orçamental (negrito nosso); é uma questão que afecta todo o país e todos os serviços, pelo que não me desagrada estar numa área que pode melhorar, sem precisar de grandes investimentos por parte da autarquia. Tenho quatro anos para colocar todo este processo a funcionar melhor." Assim falou ontem José Vitorino à Rádio Hertz. Os serviços em questão são os do DAU -Departamento de Administração Urbanística, que foram chefiados por Paula Marques até à sua saída para outras paragens mais hospitaleiras.
Muito realista, diria até terra-a-terra, esta declaração do vereador socialista denota algum desencanto, se calhar proveniente da passagem das altas camadas para a problemática realidade. Por outras palavras, a troca do manto diáfano da fantasia pela nudez chocante da verdade.
A tarefa que diz ter escolhido parece-nos em simultâneo ingrata e inglória. Ingrata, visto que cada burocracia tem a sua lógica, as suas rotinas, a sua própria estrutura à margem da oficial cadeia hierárquica. Tentar alterar, mesmo ligeiramente, algum destes elementos é considerado de facto um ataque infame e injustificado. Pois se sempre assim foi, para quê mudar agora ? Assim sendo, se alguma pequena mudança for conseguida, logo que o vereador virar costas tudo voltará ao que era. É bem conhecido o anexim "Expulse os hábitos nefastos e eles regressarão a galope."
Além de ingrata, a tarefa é igualmente inglória, dado que o mencionado departamento é apenas um dos muitos serviços do município tomarense, que os eleitores mais ao facto destas coisas foram criticando ao longo dos anos. Acontece até que o principal problema nessa área, tanto para os munícipes como para o município, não é presentemente o seu bom ou mau funcionamento. Tem antes a ver com os custos exorbitantes das taxas e licenças, bem como com absurdas exigências legais, que levaram à muito nítida queda nos pedidos de viabilização e/ou de loteamento e licenciamento, ninguém estando disposto a suportar condições sem qualquer nexo com a realidade presente. Daqui tem resultado a cada vez mais importante diminuição das receitas, tendência que se vai manter inevitavelmente, até que o actual executivo decida ter coragem para propor e adoptar as medidas que se impõem.
Profissional do sector, Vitorino já intuiu que, visivelmente com a corda na garganta em termos orçamentais, Corvêlo de Sousa não vai decerto ousar bulir nas taxas e licenças. Só se for para as aumentar ainda mais. Por isso, avisadamente, o vereador socialista decidiu virar-se para aquilo que tem alguma hipótese de levar a bom porto. Com parcas chances de sucesso, como já vimos. Ainda por cima, a sua linguagem realista e de algum desalento, denota já ter percebido que se tratará apenas, para ele, de ir tentando envernizar um dos pés de uma grande mesa, cujo tampo está condenado pelo caruncho, sem que, apesar disso, haja coragem ou meios para o substituir ou restaurar convenientemente. E enquanto isso não for feito...
Dirão os leitores que na fotografia acima Vitorino está sorridente. É verdade. Mas isso foi antes de perceber o "buraco" onde se foi meter. Ou o meteram.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

SE NÃO FOSSE TRISTE E PREOCUPANTE...


A ilustração é do blogue do senhor vereador a tempo inteiro Luís Ferreira, que teve a excelente ideia, (já aqui louvada anteriormente), de ir escrevendo sobre a sua labuta e as suas preocupações diárias. O pior é que realmente cada árvore só pode dar o fruto que lhe é próprio, mesmo quando habilmente enxertada. Neste caso, temos um autarca a tempo inteiro, remunerado portanto com os nossos impostos, que confude questões pessoais com posições políticas, e se entretém a tentar insultar quem dele discorda, no uso do seu legal direito de crítica e de opinião. Só nesta fase inicial já vamos em "adversários do PS", "maldicência" (sic), "inveja", "retórica balofa", "dor de cotovelo", "políticos velhos da cidade" e "excitados do costume". Por este andar, não tarda que os dissidentes locais sejam alcunhados de "loucos" e internados compulsivamente num qualquer hospital psiquiátrico, como acontecia dantes para os lados de Moscovo. E pode até vir a suceder um regresso aos autos da fé, grandes produções locais do século XVI.
Tudo isto daria para sonoras gargalhadas, se não fosse triste e preocupante. Triste, porque quando constatamos o que vai passando pela cabeça do nosso novo vereador da cultura e do turismo, somos invadidos por uma indomável vontade de rumar para outras paragens. Preocupante, porque geralmente os aprendizes de ditador começam sempre assim. Depois atacam os comunistas, os judeus, os homossexuais, os velhos, os aleijados.
Triste terra, tristes tempos, tristes costumes. Triste sina a nossa. Ou como dizia amiúde o falecido Luís Pintor -Não tenho sorte nenhuma !!!

OPTIMISMO BALOFO

Os habituais comentadores da nossa praça, mal foi conhecido o acordo PSD/PS, prognosticaram que não duraria muito. Dois anitos no máximo. Os eleitos, por seu lado, nada disseram em público, como é lógico, mas esfregaram as mãos de contentes (salvo excepções, que também as há) em privado. Tenho para mim, com o devido respeito, que se trata de optimismo balofo em ambos os sectores.
Por banda dos analistas amadores e outros entusiastas dos prognósticos, ninguém parece ter tido em conta que a citada coligação, mais do que política é utilitária. Foi a única maneira de garantir aos autarcas de ambas as forças a indispensável estabilidade emocional e profissional durante os próximos quatro anos. Coisa importante, pois nenhum deles conseguiria fora da autarquia as mesmas remunerações e outras vantagens que ali aufere. Nalguns casos, que não adiante esmiuçar, a diferença seria até de monta. Nestas condições, aconteça o que acontecer, chova vente ou faça sol, estabilidade e firmeza são as palavras de ordem entre os recém-casados. Alardeiam por isso um optimismo balofo, porque sem fundamento, aqueles que prognosticam eleições prematuras em Tomar, o que aconteceria pela primeira vez na história.
Mas os nossos autarcas recém-consorciados também não têm grandes motivos para proclamar vitória e/ou embandeirar em arco. O arranjinho entre ambos durará certamente até 2013, salvo improvável trambolhão de grandes dimensões. Contudo, os tempos que aí vêm não vão ser nada fáceis. Para ninguém. Se é que alguma vez foram. Antes de mais, porque em termos económicos os encargos do município aumentam constantemente e as receitas continuam a descer assustadoramente. Será que esta situação é susceptível de persistir durante todo o mandato, sem mudanças fundamentais ?
Depois, porque como bem diz o povo "quem não tem dinheiro, não tem vícios". Os senhores autarcas bem podem ir falando, por exemplo, dos museus da Levada e da terceira fase do Polis XXI. Sem fundos disponíveis, nem folgas para os contratar, sobretudo após o recente "aperto" da IGF, de pouco ou nada lhes valerão as já conseguidas participações do QREN, que só virão quando o município estiver em condições de honrar a sua parte.
Finalmente, sem planos adequados nem coragem para solicitar a sua elaboração, os que agora nos administram chegarão à próxima consulta eleitoral com pouca obra para mostrar e nula margem para explicar a utilidade prática da coligação em relação aos reais interesses do concelho. Preferiram um pássaro na mão, em vez de dois ou mais a voar ? Então agora vão-se preparando para o quem tudo quer, tudo perde.
Entretanto, nos outros municípios circundantes "o mundo pula e avança, como bola colorida entre as mãos de uma criança." Ah Gedeão, Gedeão ! Que falta que tu aqui fazes !