domingo, 25 de outubro de 2009

SOCIALISTAS REFÉNS DO PSD LOCAL

Um dos nossos leitores, certamente como muitos outros cidadãos, manifestou a sua estranheza perante a oposição ao recente acordo PSD/PS. No que me diz respeito, essa oposição radica no simples facto de se tratar, sem sombra de dúvida, de um acordo desigual e com objectivos estranhos aos interesses do concelho. Como é bem sabido dos profissionais do direito, são anuláveis e puníveis os chamados "contratos leoninos". Para os mais leigos na matéria, contratos em que uma das partes tem (quase) todas as vantagens, e a outra (quase) todos os inconvenientes. Pois no meu entendimento, que persistirá até que alguém me apresente razões plausíveis para mudar de opinião, além de inteiramente desnecessário para o PS e para os interesses concelhios, o citado convénio político retira de facto aos dois eleitos socialistas no executivo nabantino qualquer veleidade de autonomia. Com efeito, tanto José Vitorino como Luís Ferreira, ao receberem pelouros a tempo inteiro, comprometem-se a viabilizar com o seu voto a política proposta pelo PSD, representado por Miguel Relvas, Corvêlo de Sousa, Rosário Simões e António Paiva. Caso contrário, ficam sem o tempo inteiro e lá se lhes vai o ganha-pão !
Ainda por cima, sendo o acordo subscrito, pelo menos na versão tornada pública, totalmente omisso em matéria de metas a atingir, os estrategas (?) sociais-democratas podem ir impondo aos parceiros aquilo que muito bem entenderem. Ora se isto não é um acordo leonino, então é o quê ? Uma coisa sem importância, só para calar o pagode ?
Na verdade, tudo indica que vamos ter, durante os próximos quatro anos, salvo imprevista catástrofe sempre possível, os dois vereadores do PS atados de pés e mãos, e portanto reféns do PSD. Luís Ferreira bem poderá usar de toda a sua reconhecida capacidade argumentativa que de nada lhe valerá na prática. Fará parte do elo mais fraco, naquelas uniões em que um dos membros assegura as necessidades do outro. E quando assim acontece...
A ganância e o deslumbramento provocam por vezes estes acidentes de percurso, dos quais geralmente nunca se sai incólume. Não basta ser esperto. É preciso saber que o esperto não passa de um inteligente de curto raio de acção, tal como é igualmente necessário contar sempre com a esperteza dos outros. Quando faltam as cautelas mais elementares, há sempre sérios riscos de que quem vai em busca de lã acabe tosquiado.

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