Como bem sabem todos os decisores realmente com vocação para a arte, quer sejam militares, quer civis; quer do sector público, quer do privado, só por mero acaso se pode chegar a boas decisões, sem boas informações prévias. Não é certamente por acaso que todos os países têm aquilo a que eufemisticamete designam como "serviços de inteligência". Os USA então, em vez de um serviço de informações, têm mais de uma dúzia. Sem contar os não oficiais.
Aqui em Tomar continuamos a viver numa outra época, na esperança de um hipotético D. Sebastião, que acabará certamente por aparecer. O anterior era engenheiro, corajoso, frontal e autocrata. Chamava-se António Paiva e os resultados estão à vista de todos. Não vale a pena dizer mais.
Pois durante o referido reinado, foi decidido (pelo próprio, pois claro!) que os ciganos do Flecheiro iriam para um bairro a construir na Zona Industrial. De Herodes para Pilatos e deste para aquele, os anos passam e o acampamento cigano mantém-se como anteriormente. Talvez seja o melhor, até que a autarquia não tenha a coragem de ouvir aquela comunidade e os tomarenses. Porque a ideia de edificar um bairro só para ciganos, numa zona não habitacional e bem longe da área urbana, já nem na África do Sul, quanto mais agora em Tomar. Apesar de estarmos situados na periferia da periferia da Europa, que como é bem sabido acaba nos Pirinéus, para quem vem de lá.
Se a autarquia pretende realmente encontrar uma solução para o problema, compatível com os reais interesses de ambas as comunidades -a tomarense e a cigana, que dela faz parte- terá de começar por se informar convenientemente. Afinal, é para isso que existem os departamentos especializados da administração municipal. Feito isso, terá de obedecer a todos os normativos europeus, que condenam severamente qualquer tipo de discriminação. Finalmente terá de decidir rapidamente, passando aos finalmentes logo que possível. Quanto mais tempo o problema se arrastar, mais difícil será a solução. E seja ela qual for, provocará sempre problemas mais ou menos graves. Não há soluções perfeitas. O mais que se deve procurar , é implementar a menos problemática. Tudo devidamente visto e ponderado, como se escreve nas actas camarárias, mas raramente se pratica.
Esta reportagem do PÚBLICO fornece informação actualizada e de qualidade. Merece por isso, no nosso entendimento, leitura cuidada e posterior troca de ideias (vulgo debate), nos locais próprios. Nós, se fôssemos autarcas em funções, ou íamos ou mandávamos alguém a Beja, para ouvir detalhadamente ambas as partes. Porque há muita coisa que não convém escrever. Sobretudo nos jornais de difusão nacional... E deve de haver por esse país fora (e/ou em Espanha), ciganos felizes... Mas dá muito trabalho, não é?
(Clicar sobre a imagem para ampliar. Ou então, apoiar em contínuo a tecla Ctrl e girar a roda do rato.)


