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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

MAIS PATRIMÓNIO AO DEUS DARÁ...

Há quem nos escreva a cuidar que nos insulta, quando na verdade está apenas a insultar a inteligência e, acessoriamente, a maltratar a língua pátria. Por isso, recusamos publicar tais bostas. Quando tiverem a coragem de usar um estilo convivial, teremos todo o gosto em debater. Outros alegam que os Pegões são secundários, que importante mesmo é o Convento de Cristo, Património da Humanidade. Vamos então à imponente ex-Casa da Ordem de Cristo. A foto mostra o estado de limpeza e de conservação em que se encontra a Sala do Capítulo Incompleta, à ilharga do Claustro Principal. Dado que toda a parte da ábside, cujo sector superior se vê na ilustração, está reforçada com uma cinta metálica, colocada há mais de 60 anos, e que agora se encontra gravemente corroída pela ferrugem, não nos admiraria nada que, mais mês menos mês, mais ano menos ano, aconteça uma derrocada, e adeus ábside. É claro que os técnicos da tutela continuam despreocupados. Uns nem sequer conhecem o local. Outros nada sabem sobre a tal cinta metálica de reforço. Um terceiro grupo enfim, que integra elementos dois dois anteriores, só aparece no Convento de oito em oito dias, para ver em que param as modas. E, ao que consta, há até quem só apareça à quinzena ou mensalmente, pois tem compromissos laborais para as bandas da Beira Alta. Nestas condições, quem se surpreende ainda com o estado de evidente desmazelo em que se encontram alguns sectores do monumento ?
É a função pública que vamos tendo, no que concerne a quadros superiores.


Como uma desgraça nunca vem só, ou os cadernos de encargos são mal elaborados, ou não há fiscalização eficaz, ou as empresas contratadas poderão ser ultra competentes mas não são minimamnente eficazes, ou tudo isto, em proporções variáveis. Certo é que zonas do Convento já intervencionadas, e ainda no prazo de garantia, que é de cinco anos, mostram que as obras não foram executadas de forma a resolver os problemas antes existentes. Aqui, num sector que dá para o terraço do Claustro Principal, nota-se que no final da intervenção ficou tudo muito limpinho, muito "clean", muito bem pintadinho, mas as infiltrações continuam. O que significa que, mais ano menos ano, vai ser necessário abrir novo concurso, ou proceder a novo ajuste directo, para reparar a peso de ouro aquilo que já devia ter sido solucionado na primeira empreitada.




Outro tanto acontece na ala sul do Claustro da Micha, na fachada norte da Cozinha Conventual. Também a cantaria foi toda muito bem limpinha, (naturalmente sem recurso a decapantes químicos nem a jacto de areia), reparou-se o terraço, rebocou-se onde se mostrou necessário, e pintou-se ou caiou-se. Recebeu-se a respectiva maquia e o resultado prático está agora à vista de qualquer visitante. As infiltrações que havia, são exactamente as que há. Cabe por isso perguntar: Qual foi afinal a utilidade prática da intervenção ? Unicaente para proporcionar lucros consideráveis à sociedade contratada ?
E não adiantará vir outra vez para aqui com a estafada argumentação de que no blogue é tudo uma cambada de ignorantes em matéria de património, de história, de conservação e restauro, de gestão turística de monumentos, e mais do que quiserem. Já cansa e mostra a inépcia de simpáticos cidadãos, que até se julgam especialistas de alguma coisa. Permite, igualmente, um confronto caricato entre os que só usam o rebéubéu e os que, como nós, fundamentam e ilustram tudo aquilo que vão escrevendo. Para que não haja dúvidas !
Nesta questão das obras de limpeza/lavagem, quando nos lembramos de que aquela desgraça da Ermida da Conceição, em que um telhado verde virou vermelho, as arestas foram à vida e o impermeabilizante está a escorrer pelas paredes abaixo, custou ao orçamento de estado cerca de dois milhões de euros, quando 100 já teriam permitido um bom lucro, de acordo com empreiteiros por nós contactados, até ficamos sem vontade nenhuma de pagar impostos. Porque ninguém gosta de engordar gulosos em excesso...


SÃO CEGOS OU NÃO VIVEM NESTA TERRA ?

Cada vez entendo menos os senhores auto-proclamados especialistas em conservação, restauro, manutenção, recuperação, requalificação e mais o que quiserem. Contra a realidade envolvente e ao arrepio de qualquer lógica, salvo naturalmente melhor opinião, insistem na lavagem/limpeza do exterior da Nave Manuelina, incluindo a Janela, uma operação manifestamente muito dispendiosa, muito perigosa e totalmente desnecessária. Como o teste inicial acaba de demonstrar, a construção manuelina não está degradada e a infestação vegetal não danificou nem prejudica minimamente a pedra. Tudo se resume portanto a uma questão de estética e a uma espécie de luta de galos entre os que gostam do passado com todos os sinais da sua idade, por um lado, e os que, como os americanos, povo sem grande passado, gostam de tudo "clean". Gostos não se discutem, desde que não impliquem o esbanjamento de dezenas e dezenas de milhares de contos dos bolsos dos contribuintes. Que ainda por cima tanta falta fazem noutros sectores do mesmo monumento. Como por exemplo nesta Casa da Água dos Pegões, datada de 1613 e da autoria de Filippo Terzi, o mesmo arquitecto do Claustro Principal. Actualmente o seu aspecto exterior é este. Quanto ao interior, aberto em permanência aos homens e aos ventos, mete nojo e mete dó. Vão lá e vejam...



Quanto ao aqueduto, vítima de tudo e de todos, há anos que aguarda uma intervenção que lhe devolva a sua antiga função de abastecimento de água para o Convento, para a rega do pomar no interior do castelo e para a rega da Mata. O aspecto actual é este. Ervas por todo o lado, cortado em pelo menos um sítio, por um agricultor mais atrevido, que precisava de um caminho para passar com o tractor. Sem água, a estrutura vai-se degradando pouco a pouco, até à ruína final.


Este é o aspecto exterior da Casa da Água da Porta de Ferro, próximo dos Brazões. Trata-se de uma magnífica construção com abóbada, igualmente da autoria do italiano Filippo Terzi, o autor do projecto de todo o aqueduto. Apesar da nutrida e muito antiga vegetação infestante do telhado, a cobertura abobadada continua a resistir, testemunhando a excelência da sua construção. Mas conseguirá resistir muito mais anos, se não lhe acudirem quanto antes ? O que será realmente mais urgente ? Acudir a estas situações-limite ? Ou proceder à supérflua e muito perigosa limpeza da Janela ? Dado que os recursos são cada vez mais limitados, há que escolher quanto antes. Afinal, governar é optar. Haverá coragem, ou a ganância levará a melhor ?



segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

ACTUALIZAR A JANELA DO CAPÍTULO - 2

No texto anterior, Tomar a dianteira apresentou três hipóteses, devidamente ilustradas, para actualizar a Janela do Capítulo, adaptando-a aos tempos que correm e tornando-a assim mais atractiva, e motivo para aumentar o número de visitantes pagantes no Convento de Cristo. Como também foi dito, a nossa iniciativa resultou da recomendação, contida no relatório do LNEC/Processo 052/1/14446, de Janeiro de 2002, página 28, a qual recomenda uma pinturazita após a pretendida limpeza/lavagem "Como forma de dar coerência à envolvente intervencionada." Acrescenta-se até que "A aplicação de uma solução de oxalato de amónio transformará a parte exterior da pedra em oxalato de cálcio, composto bastante menos solúvel do que a calcite, pelo que será de esperar que as superfícies resistam melhor aos agentes agressivos." Enquanto ficamos aguardando que os nossos amigos engenheiros químicos confirmem ou desmintam tal hipótese, não podemos deixar de sublinhar que as superficies em causa, designadamente as da Janela do Capítulo, estão parcialmente cobertas de musgos e outros líquenes, mas não estão degradadas, porque justamente essa cobertura vegetal as tem protegido. Basta observar com rigorosa atenção. Ainda assim, o citado relatório, que já tem mais de 8 anos, recomenda, após a tal estapafúrdia limpeza/lavagem "a utilização de solução de água de cal pigmentada com pigmentos naturais, por forma a ajustar os tons mais dissonantes." E esta, hein? exclamaria o saudoso Fernando Pessa, se ainda vivesse. O leitor sabia que há, ou pode vir a haver, na Janela de todos nós, tons dissonantes ? Já na comunicação social é a mesma coisa. Há tons dissonantes e vá de encontrar solução para o problema. Não é Manuela Moura Guedes ? Heranças mal assimiladas...
Na hipótese estrambótica de haver limpeza/lavagem, seguida da tal "veladura final", ousamos aconselhar que se dê, à Janela e à fachada, um tom resolutamente amarelo (ver foto acima), como forma de incrementar consideravelmente a vinda de turistas chineses. Não só são de raça amarela, conjuntamente com os japoneses, os coreanos, os mongóis e outros, como o amarelo sempre foi a cor preferida dos imperadores do Império do Meio. E até têm o Rio Amarelo, ou Huang He, o sexto maior do mundo.
Há, é certo, o problema das cruzes de Cristo. A da Janela e as do coroamento da nave. No seu Hotel Mandarim Oriental, em Macau, Stanley Ho mandou instalar, ao cimo da escadaria nobre, uma imponente reprodução da nossa Janela, em madeira de teca. Mas ordenou que substituíssem a cruz por um motivo chinês.Não se trata, porém, de nada de inultrapassável, pensamos nós. Pois se até fomos à Índia e à China por mar, quando era realmente difícil... Já que estamos em maré de adaptação, cobrem-se as ditas cruzes com casacos e bonés estilo Maozédong. Até o Garcia Pereira e o Durão Barroso, entre muitos outros, vêm à inauguração de tão importante requalificação. Vai uma aposta ?

Se, apesar de tudo, por muito improvável acaso, a "hipótese chinesa" não agradar, designadamente por se entender que cada coisa a seu tempo, pelo que ainda será quiçá prematuro, há também a hipótese "secret pink", ou "estilo pantera cor de rosa", que é do mais americano que se pode conseguir. Como ainda estamos, na Europa, em época de obamania, se o dito aceitar cá vir presidir à inauguração, será um estrondoso sucesso planetário, com a consequente entrada de milhões e milhões em divisas, que tanta falta cá fazem. Quando a economia americana recuperar, está claro. Só em direitos televisivos vamos conseguir, não uma pipa, mas o tanque da cadeira de el-rei cheio de "massa". E se ele é grande ! (E está a precisar de obras urgentes, diga-se de passagem.)

Também não há coragem para implementar a hipótese americana ? É sempre a mesma história. Muita conversa, muitas promessas, muitas ideias, muita coragem, mas depois quedamo-nos sempre no meio do rio. E nem para trás nem para a frente. Por isso estamos como estamos. Só com gargarejos, nunca mais vamos conseguir sair da cepa torta. Ou sequer limpar finalmente a terra das botas. Mas pronto. Para grandes maleitas, grandes remédios. Que tal deixarem a Janela em paz, limitando-se a assegurar a sua regular manutenção, tal como está ? Não se correm riscos, não haverá controvérsia, e ficará muito mais barato. Basta que quem dirige o IGESPAR tenha a coragem de dizer, aos habituais galifões do orçamento, que afinal o organismo mudou de estratégia. Que prefere abrir concurso, ou celebrar ajustes directos, tendo em vista apenas a quotidiana manutenção do monumento (que bem precisa, tantas são as ervas e arbustos para retirar, as paredes para caiar, as telhas para substituir, etc. etc.) por uma ou mais equipas ligeiras, excluindo nos tempos mais próximos qualquer intervenção pesada. Até porque, como é sabido, estamos na penúria e a situação tende a agravar-se... A modéstia e o realismo sempre têm sido proveitosos para quem os adoptou.
Quem vos avisa, vosso amigo é. Olhem que o Diabo sabe muito, não por ser o Diabo, mas por ser velho e ter consequentemente muita experiência. Cautela e caldos de galinha...

ACTUALIZAR A JANELA DO CAPÍTULO - 1

Afirmam os nossos contraditores (sem nunca mencionar a quem se referem concretamente) que em Tomar a dianteira não sabemos de que estamos a falar, neste caso da salvaguarda da Janela. Acrescentam até que não medimos as consequências daquilo que escrevemos. Ambas as alegações são falsas. Medimos muito bem o alcance do que fazemos e conhecemos menos mal a Janela e o Convento, desde há sessenta anos. Quem estiver nas mesmas condições que faça o favor de levantar a voz. Para provar aquilo que dizemos, tendo em conta que se está a generalizar a moda de exigir o respeito pelo contraditório por tudo e por nada, resolvemos fazer melhor. Assumimos a posição dos defensores da limpeza/lavagem da Janela. Afinal até podem ter razão. Num mundo de modernices, estilo Eurodisney ou Pantera Cor de Rosa, o melhor será actualizar a Janela, pondo-a com aspecto adequado ao mundo moderno, como forma de atraír mais turistas. Afinal aquilo assim até está uma vergonha terceiro-mundista. Tudo sujo, tudo cheio de crostas, tudo com aspecto de velho e desmazelado, tudo repulsivo para os visitantes aurautos da modernidade.

Deve ser por isso que na conclusão do propalado relatório do LNEC, de Janeiro de 2002, se propõe já, com toda a seriedade, que "No final das operações de limpeza...será recomendável dar um acabamento final às superfícies, por forma a dar coerência à apresentação final das áreas intervencionadas..." Acrescenta-se até que "A aplicação de uma pátina artificial reduzirá a reactividade da pedra..." Não se percebe como, referem outros técnicos por nós consultados, mas isso é já outra história. Vamos ter portanto, se vingar a ideia estapafúrdia de adulterar sem necessidade o actual aspecto do monumento, tudo indica que em nome da modernice, mas igualmente da ganância, uma pátina artificial. Assim sendo, Tomar a dianteira antecipa-se, propondo a quem não conhece adequadamente a velha Casa da Ordem, nem a sua célebre Janela, vários modelos possíveis. Não não ! Não têm nada que agradecer ! É a nossa obrigração. Colocamos a cabeça no cepo para os carrascos trabalharem à vontade.

A primeira sugestão é sobretudo para visitantes do avental, uma tendência que está agora muito em voga. Até já temos na autarquia pelo menos dois eleitos pelos rosas que ostentam nos seus blogues as insígnias dos grupos respectivos. São geralmente cidadãos que vêem longe. O problema é que usam uns óculos com umas lentes muito peculiares, geralmente anticlericais. Todavia, enquanto há vida há esperança e tarde é aquilo que nunca vem. Daí termos alguma luz no vão da Janela mergulhada nas trevas, todavia bastante luminosas, para realçar as dimensões e a beleza das coisas.
A segunda sugestão resulta da necessária adequação à sociedade envolvente. Como é sabido tudo nela tende para o cinzentismo. Trata-se, por conseguinte e na nossa opinião, de um modelo perfeitamente adequado para conformistas, cinzentões, indiferentes, atentos veneradores e obrigados.
A terceira sugestão, esta aqui mais próxima, destina-se unicamente aos esotéricos obstinados. Daqueles que passam uma vida inteira buscando e acabam poor nunca encontrar a tal explicação final ao fundo do túnel. Entretanto vão vendo tudo negro e sem perspectivas, pedindo a Deus que a Janela e o Convento tenham quanto menos visitantes melhor, para não profanaram aquele santuário nem, sobretudo, desgastarem os pavimentos.
É nesta amálgama que vivemos. Vivemos ?



domingo, 7 de fevereiro de 2010

SALVAR A JANELA DO CAPÍTULO - CONTINUAÇÃO

Vimos ontem como lutaram, (respeitando sempre a legalidade) e conseguiram vencer, os franceses que se manifestaram contra o projectado abastardamento do Hotel Lambert. Unidos, conseguiram recolher oito mil assinaturas, numa petição contra as pretensões do novo proprietário. Dado que Paris intramuros conta quatro milhões de eleitores, enquanto o concelho de Tomar anda pelos 4o mil, as pouco mais de 100 assinaturas aqui recolhidas contra a limpeza/lavagem da Janela do Capítulo, representariam afinal, em Paris e nas mesmas condições contextuais, dez mil signatários. Nada mau, nada mau, sobretudo para alegados ignorantes. Ou será que, tudo devidamente ponderado, no fim de contas, a ignorância não mora onde dizem ?
Consta igualmente da tradução de ontem que "apagar os sinais da história para conseguir um suposto aspecto inicial do edifício" (exactamente o que se pretende fazer na Janela), "vai contra a Carta de Veneza, de 1964." Ora sendo o Convento de Cristo Património da Humanidade, está naturalmente sob a tutela vigilante da UNESCO, que lhe retirará tal estatuto, caso não sejam respeitadas as suas determinações. E quais são essas exigências?
De acordo com o citado documento, adoptado pela UNESCO, "A conservação e o restauro dos monumentos constituem uma disciplina que apela à colaboração de todas as ciências e de todas as técnicas que podem contribuir para o estudo e salvaguarda do património monumental." (Artigo 2º) E lá se vai a ideia, tão querida dos nossos contraditores, de que os especialistas de restauro é que são competentes ! Logo no artigo seguinte (3º), estabelece-se que "A conservação e restauro dos monumentos visam salvaguardar tanto a obra de arte como o testemunho histórico." Se a ideia de limpeza/lavagem da Janela for avante, como é que depois os visitantes poderão ficar a conhecer o comportamento da mesma durante 500 anos de exposição aos elementos ?

Caso ainda restem dúvidas de que a pretendida intervenção é de todo inaceitável, o artigo 4º da referida carta dissipa-as: "A conservação dos monumentos impõe em primeiro lugar uma adequada manutenção permanente dos mesmos." Que o mesmo é dizer, mantê-los em bom estado, com a menor intervenção possível, de forma a salvaguardar o seu aspecto natural. E logo mais adiante, no final do artigo 6º, estipula-se que "qualquer distribuição e qualquer arranjo susceptível de alterar as relações de volume e cor, devem ser prescritos."

A projectada limpeza/lavagem não vai alterar as relações de volume e cor ? Muitos visitantes pensam o contrário: "É a mais fascinante das obras manuelinas de Portugal. Esculpida entre 1510 e 1523, resume e concentra de modo perfeito toda essa arte, ponto culminante do delírio vegetal. Os musgos e líquenes contribuem ainda mais para lhe dar relevo e espessura..." , Le Guide du Routard - Portugal, Hachette, página 342. (O negrito é nosso).

Será preciso acrescentar mais ? "O restauro é uma operação que deve ter um carácter excepcional. Destina-se a conservar e a revelar os valores estéticos do monumento e baseia-se no respeito pelos materiais originais...O restauro pára onde começa a hipótese." (Artigo 9º da carta de Veneza)

Os arautos da limpeza/lavagem já perceberam agora que estão equivocados ? Ou pretendem realmente colocar em perigo não só a Janela no seu aspecto natural, mas igualmente o seu estatuto de Património da Humanidade, conseguido em 1982 ? Rezam as crónicas que a UNESCO não tem manifestado até agora qualquer simpatia pelos aprendizes de feiticeiro...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

MAIS UM EXEMPLO DE COMPETÊNCIA...




Perante nova intervenção dos auto-proclamados defensores do património e adeptos da sua limpeza/lavagem (ver Análise da Imprensa, de ontem), Tomar a dianteira entende que é conveniente ripostar taco a taco. Para evitar quaisquer dúvidas. Dizem eles que temos excelentes especialistas de incontestável competência; que tais especialistas sabem muito bem o que andam a fazer; que somos uns ignorantes de bradar aos céus, com pretensões a saber de tudo, e por aí adiante. Balelas.
Apesar de ser do entendimento geral não haver pior cego do que aquele que não quer ver, nem pior surdo... aqui vai mais um exemplo das barbaridades que por cá vão acontecendo, sem que os cidadãos reajam como conviria. As três fotos acima mostram outros tantos detalhes do portal da Igreja da Atalaia, no vizinho concelho de Vila Nova da Barquinha. Monumento nacional, primeiro templo renascença edificado nosso país, a partir de 1528, certamente obra de João de Castilho, encontrava-se na mesma situação da nossa Ermida da Conceição, sobre a qual já muito se publicou por estas bandas. Sem danos, sem ervas, sem musgos, sem líquenes e sem sujidade. Apenas com a normal patine de quase quinhentos anos de exposição aos elementos. Há porém, ou havia, a aparente abundância de verbas no Orçamento de Estado, com a concomitante ganância e as alcavalas por baixo da mesa. Vai daí, também aquele magnífico templo renascentista "beneficiou" de uma moderna lavagem/limpeza, naturalmente levada a cabo por pessoal competentíssimo e supervisionada por reputados técnicos de incontestável lastro, tanto nacional como internacional. O resultado fala por si e curiosamente nunca ninguém, que saibamos, ousou até agora "levantar a lebre". Nem sequer os alegados especialistas da obra castilhiana. Muito estranho, realmente.
Face a tantas provas indesmentíveis de verdadeiros atentados ao património ao bom senso e à honestidade, os arautos de mais limpezas, entre as quais a da tomarense, portuguesa e universal Janela do Capítulo, insistem em tentar levar a água ao seu moinho, contra ventos e marés. Em mais este desastre, alegarão que as fotos não provam nada, porque afinal aquilo já estava assim, e até muito pior, antes da intervenção. Como no triste caso dos estragos na Ermida da Conceição. Admitamos. Há porém algo que não entendemos. Em cada empreitada de limpeza/lavagem, as propostas apresentadas pelas empresas, para posterior selecção e adjudicação, por ajuste directo, englobam todo um clausulado, no qual figura a obrigação de efectuar adequado levantamento fotográfico imediatamente antes e logo a seguir à conclusão dos trabalhos. Porque será que tais fotos nunca até hoje foram publicadas, ou sequer anunciada a sua existência nos competentes serviços do IGESPAR ? Haverá algo a esconder deliberadamente ? Para proteger quem e/ou o quê ? Afinal, ainda vivemos num Estado de Direito, cujas autoridades e demais servidores públicos respeitam os preceitos constitucionais, entre os quais figura o direito à informação, ou já não ?


sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

HÁ COISAS REALMENTE ESTRANHAS

Este é o magnífico aqueduto dos Pegões, ou Pegões Altos na linguagem popular. Orgulho da freguesia arrabaldina de Carregueiros, sucessora da freguesia de S. Martinho, mais tarde S. Miguel de Porrais, a imponente construção data do chamado período filipino, ou dos reis espanhóis. Foi edificado entre 1596 e 1613, para resolver o problema do abastecimento de água corrente ao Convento de Cristo, naturalmente graças aos rendimentos da opulenta Ordem de Cristo, de longe a mais rica do país. Classificado como Monumento Nacional desde a primeira metade do século passado, é parte integrante do Convento, e infelizmente uma espécie de enteado do IGESPAR, a entidade que administra a antiga casa da ordem. Certamente apenas por desconhecimento, e não por desmazelo ou desprezo, a referida entidade tutelar insiste de forma estranha na ideia de proceder à limpeza/lavagem da Janela do Capítulo, iniciativa cujas vantagens estão por demonstrar, quando no mesmo monumento há situações de bradar aos céus, a necessitar de providências urgentes.


É certo que para os menos conhecedores, o aqueduto já há muito deixou de ter qualquer utilidade para o Convento, até porque a água que nele deveria correr é agora desviada pelo caminho. Trata-se, contudo, de uma visão superficial das coisas, conforme pretendemos demonstrar no próximo post.
Para já, fiquemo-nos por este tristérrimo aspecto parcial do interior da primeira "casa da água", a contar da velha Cerca do Convento. Datada no exterior de 1613, com uma excelente porta em ferro forjado e esta magnífica abóbada em meia esfera que se vê na fotografia, encontra-se há décadas de porta escancarada, à mercê de todos os vandalismos. A antiga e bela decoração pintada, de tipo geométrico, cujos indícios ainda são visíveis, é agora praticamente irrecuperável na totalidade. A própria abóbada, vítima do tempo e da incúria dos homens, um dia destes fará a sua derradeira viagem, rumo ao solo. Seguir-se-ão os habituais lamentos, do tipo "ninguém previa uma coisa destas", ou "eu bem avisei, mas ninguém ligou nenhuma..."

Uns quilómetros mais adiante, a grande casa da água e nascente da Porta de Ferro, junto aos Brazões, uma construção de 1610, com abóbada de berço e um engenhoso sistema de repartição das águas, está neste estado miserável. Parece um edifício colonial abandonado, numa qualquer planície africana ou sul-americana. O que aqui vemos são duas paredes exteriores e a respectiva cobertura. Onde devia estar um telhado de telha romana, ou de canudo, há um autêntico bosque do tipo mediterrânico. Deverá ser o resultado do tal desconhecimento do IGESPAR. O que se compreende. Apesar de relativamente perto do Convento, não há qualquer estrada decente que chegue até aqui. Tem de se andar um bocado a pé, depois de perguntar o caminho à reduzida população local. E em tempo de chuva sujam-se os sapatos, situação sempre aborrecida, já que ninguém gosta de passar por borra-botas. Quanto a sinalização para turistas, nem falar ! Se até na cidade há falta dela, estavam à espera de quê, aqui no meio de uma mata rural, onde os turistas nunca chegam ?


É GUERRA, É GUERRA ! Resposta ao cidadão Veloso

Exemplo de uma recente intervenção, por técnicos credenciados de conservação e restauro, neste caso na Ermida da Conceição
Resolveu o respeitável cidadão Veloso lançar, em CIDADE DE TOMAR, página 23, uma disfarçada catilinária contra os signatários do apelo a favor da preservação da Janela do Capítulo, com o seu aspecto actual de obra de arte com 500 anos. Como fui um dos primeiros signatários de tal documento, sinto-me na obrigação de lhe responder. Entre outras razões, porque fiz e faço parte daquelas centenas de milhares de portugueses que não fugiram. Foram treinados para a guerra e fizeram a guerra em África, muitos sem com ela concordarem, e de manta às costas. Outros tempos, que oxalá não voltem !
Tem o cidadão Veloso a coragem de exercer o seu direito de cidadania, expondo publicamente os seus pontos de vista e assinando, neste caso à cabeça. Louvo-lhe tal atitude. Docente do ensino politécnico tomarense, cuja qualidade é geralmente reconhecida a nível nacional; cujos alunos são, como se sabe, de primeiríssima escolha; e cujos métodos de recrutamento do corpo docente têm constituído um verdadeiro paradigma de transparência e da igualdade de todos os cidadãos perante as leis do país, está o citado cidadão naturalmente acima de qualquer suspeita, em termos de declaração de interesses.
É certo que a empresa IN SITU Conservação de bens culturais, Lda, que foi contratada para a primeira fase da limpeza e tratamento da nave manuelina, por ajuste directo, (o que quer dizer sem concurso público), afirma ter colaboração com o Departamento de Arte, Conservação e Restauro, do Instituto Politécnico de Tomar, onde justamente o cidadão Veloso exerce em parte o seu ofício de historiador encartado. É igualmente verdade que uma das técnicas especialistas da referida empresa, que até apresenta no seu currículo aquela desgraça que foi a intervenção no exterior do Corredor do Cruzeiro do Convento de Cristo, foi baptizada como Maria Madalena Pinto Veloso.
Serão apenas meras coincidências, até porque se acaso fossem outra coisa, o respeitável cidadão Veloso não teria deixado de fazer a sua prévia declaração de interesses, de forma a não induzir os seus numerosos e dedicados leitores em erro, não é verdade ? Simples coincidências, portanto, mas ainda assim pouco ou nada oportunas, mormente quando se escreve, designadamente isto -"Vamos já fazer abaixo-assinados a exigir que os técnicos de restauro se limitem...a olhar".
Se pretendesse ser cruel, diria que em muitos casos, na verdade, se os técnicos de restauro se têm limitado a olhar, os monumentos intervencionados estariam agora bem melhor. E posso apresentar exemplos devidamente documentados. Só o não faço agora para poupar espaço e a paciência dos leitores.
Para além da involuntária baralhação raciocinal do cidadão Veloso, pois o património não existe para dar trabalho aos técnicos, estes é que se formaram para servir o património, só onde e quando seja inquestionavelmente necessário, avultam duas outras questões. No meu modesto entendimento, de mero cidadão apenas alfabetizado, o respeitável cidadão Veloso, até pela sua excelsa formação universitária, em vez de lateralizar a questão num texto vagamente sarcástico, andaria muito melhor se completasse a sua frase "Os monumentos degradam-se:" com uma demonstração e exemplos claros e inequívocos de que tal degradação resulta da pretensa sujidade e, sobretudo, que as projectadas limpezas/lavagens os deixaram ou vão deixar menos degradados e mais protegidos. Como diz o povo ao qual pertenço -Isso é que era obra !
Um último tópico. Não nasci em berço de ouro, bem pelo contrário. Vim ao mundo ali no hospital da Rua da Graça e fui baptizado em S. João Baptista. A minha mãe era lavadeira e nunca foi à escola. Como me formei em Paris, acredito que tal situação incomode seriamente a autoproclamada "boa sociedade" tomarense. Ou pelo menos uma parte. Dito isto, sem ponta de orgulho, mas igualmente sem sombra de vergonha, recuso incluir-me no âmbito da quanto a mim infeliz frase do cidadão Veloso: "Porque nós, os legítimos nativos, é que sabemos !"
Ser tomarense de nascimento e de vivência, poderá não ser uma qualidade. Mas também não é, de certeza, um defeito. Tal como acontece com os metecos, desde que não abusem ! Caso contrário, é como exclamou, a dada altura, a filha do "venerando" -Ora essa ! É guerra, é guerra !
António Rebelo

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

DÃO-ME LICENÇA QUE VOS OFENDA ?

Da edição desta semana de "Cidade de Tomar", com a devida vénia ao jornal e ao autor, publicamos parte do texto supra-identificado, naturalmente sem comentários, que não deixarão de vir a seu tempo. Talvez por ocasião do próximo carnaval, por motivos que na altura tencionamos explicitar.
"Tenho que me penitenciar por utilizar aqui uma expressão policial e, ainda por cima, norte-americana, mas inspirei-me no atraso de vida que por aí vai. Vejo a crescer uma preocupação em congelar toda a acção, por medo puro de fazer alguma coisa... Segundo parece, tudo quanto quebre a rotina em que mergulhámos conduzirá a perigos inimagináveis...
Na verdade, folheando a imprensa local ou navegando pela Internet, fico com a impressão de que, suavemente, deslizámos até à borda de um pântano de paralisia. E dou alguns exemplos:
Os monumentos degradam-se: é preciso evitar perigosíssimas intervenções que lhes pretendam limpar as crostas da idade que, afinal, vejam bem, os protegem das chuvas ácidas. Deus velará pela sua conservação, mais ainda se se tratar de monumentos ao Seu serviço... Vamos já fazer abaixo-assinados a exigir que os técnicos de restauro se limitem ... a olhar. Porque nós, os legítimos nativos, é que sabemos !"
Esclarecimento de Tomar a dianteira: O cidadão Veloso, mestre em História, exerce como professor coordenador no Instituto Politécnico de Tomar, há longos anos.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

ORA ATÉ QUE ENFIM !!!

Ora até que enfim que uma leitora teve a coragem de "dar a cara" e escrever-nos o que lhe vai na alma. Com assinatura e tudo. Bem haja, simpática leitora licenciada. Pode crer que não é nada fácil, para quem escreve por gosto, ter por vezes a impressão de que anda a falar aos peixinhos, como o meu homónimo de Lisboa e Pádua.
Dirão as habituais Cassandras que o estilo não é o melhor, nem honra propriamente o estabelecimento que a formou. Haja paciência ! Roma e Pavia não se fizeram num dia. É pela prática do debate sereno que havemos de chegar a uma certa qualidade, mas isso leva tempo, sobretudo numa terra onde o pessoal continua a fazer gala em ostentar aquele ar monacal, que mostra todo um programa de vida. Mas vamos ao essencial, que se faz tarde, e nem todos têm vagar para estas divagações. Sobretudo nas repartições públicas onde, como é sabido, salvo raras excepções, o trabalho aperta e impõe ritmos de vida frenéticos. Adiante, pois !
O outro dizia "Sou ateu graças a Deus". Não irei tão longe, admitindo todavia que desde há muito me considero ignorante. Chego até ao ponto de acreditar que quanto mais aprendo menos sei, já a leitora pode ver ! Então em matéria de restauro nem se fala ! Não pesco mesmo nada do assunto ! Tenho porém olhos na cara, amigos que são também licenciados (um até pelo mesmo estabelecimento de ensino que a simpática leitora), bem como uma cabeça que julgo funcionar menos mal. Nestas condições, cuido não pertencer ao grupo imenso dos menos artilhados para contestar, protestar, explicar, debater questões de cidadania, sejam elas quais forem e doam a quem doerem. Quem anda à chuva molha-se e nas sociedades abertas, como a nossa, a pluviosidade é permanente, por vezes cá com cada bátega !
Nesta questão dos monumentos, da Janela do Capítulo, das limpezas, dos restauros e das lavagens, o que me angustia é aquilo a que a senhora não responde -Se temos assim tantos especialistas credenciados, tantos técnicos de gabarito, tanta gente competente e com larga experiência nessa área, porque é que aconteceram já tantos desastres (Jerónimos, Torre de Belém, Convento de Jesus, Ermida da Conceição, Exterior do Corredor do Cruzeiro, etc.) com estragos irreparáveis ??? Dizer que as coisas correram mal (ou não correram bem) não esclarece peva. E a sua resposta infelizmente também não.
É costume dizer-se em linguagem popular -e portanto não universitária, que horror- "Não há pior cego do que aquele que não quer ver". Na incrível obstinação em relação à limpeza do símbolo maior de Tomar -cuja necessidade ainda está por demonstrar- parece-me haver algum factor que subjuga tudo e todos, que por enquanto ainda não consegui identificar cabalmente. Mas continuarei a envidar todos os esforços para lá chegar. Para obstinados, obstinado e meio.
Aceite os meus agradecimentos pela sua amável resposta ASSINADA, muito mais eloquente do que à partida possa ter pensado (já terá ouvido falar certamente em "carne para canhão", quando nos referimos aos soldados que são mandados para a frente de batalha, mal treinados e mal equipados, só para entreter o inimigo e tentar ganhar tempo...).
Saudações Cordiais e votos de Bom Natal e Feliz ano Novo,

António Rebelo

sábado, 19 de dezembro de 2009

S. JOÃO E A PRAÇA ANTES E DEPOIS

Antes, quando o mercado (chamado praça) era atrás da câmara e ainda não havia o Gualdim, era assim. S. João com duas janelas para iluminar as naves, a praça com bancos e árvores frondosas, para dar sombra.


Depois, as árvores foram-se, (davam muito trabalho aos jardineiros ?) as janelas de S. João também e o mercado emigrou para a margem do rio. Veio o Gualdim e o célebre punho da sua espada que, observado da porta principal dos SMAS, é cá um espectáculo ! Tão famoso que até já há turistas (e guias turisticos !!!) a mostrarem a coisa do lado do Pepe. Não percebem nada, mas que importa ? O que interessa no mundo moderno é poder dizer "Eu estive lá e vi !". Mesmo quando não viram nada...


sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

CONVENTO DE CRISTO: ALELUIA !!!





Aleluia ! Aleluia ! Aleluia ! Pela primeira vez desde a sua criação, 35 anos após o 25 de Abril, o IGESPAR dignou-se descer do pedestal onde julga estar e dar explicações aos contribuintes tomarenses. Só para isto já valeu a pena o apelo "SALVAR A JANELA DO CAPÍTULO". Mário Soares viu bem a seu tempo -os eleitores têm direito à indignação. E devem usá-lo !
Perante tal gesto de boa vontade, ainda que constrangida, respondemos da mesma forma. Assim: Apesar dos vários erros, o IGESPAR também tem feito e mandado fazer muita coisa de forma correcta. Os telhados e o restauro da Charola, por exemplo. Em termos de conservação, o Convento está hoje melhor do que logo a seguir ao 25 de Abril. Agravou-se e subsiste o problema da gestão operacional turística, mas lá chegaremos, que o tempo não pára. Quanto aos fracassos, só não erra quem não ousa fazer. É próprio da espécie humana aprender com os seus erros. Só aparecem problemas, como neste caso da Janela, quando tal não sucede.
Sobre as referidas explicações, tanto directas como por intermédio da senhora directora do monumento, já foi dito ontem não estar em causa a probidade de Iria Caetano. Apenas o nítido atabalhoamento de alguns sectores do organismo que a tutela. Fica para outra ocasião.
Indo ao tutano da questão, parece-nos muito alarmante a diferença de preços entre a consolidação das pequenas abóbadas renascença do r/c da Hospedaria -99.240 euros- e a limpeza do exterior da nave manuelina -76.104 euros. Ou há um lapso e este montante refere-se apenas ao custo dos testes actualmente em curso; ou há fundadas razões para duvidar desde já da qualidade do trabalho a efectuar. Milagres só em Fátima, e é quando é !
Ainda de acordo com o documento do IGESPAR, parcialmente citado no TEMPLÁRIO desta semana, a limpeza da Janela, da Fachada e da Nave deve estar concluída até Fevereiro de 2010. Dado que a limpeza da fachada da Catedral de Nôtre-Dame, em Paris, bastante mais simples que a fachada poente manuelina do nosso Convento, durou cerca de dois anos e meio, os dois meses e meio que faltam para Fevereiro são um período ridículo para tão complexo trabalho. Para mais, informa o IGESPAR que TUDO AQUILO SERÁ LIMPO POR ESCOVAGEM MANUAL, sendo aplicados dois produtos químicos -um para conservar a pedra, outro para matar a vegetação criptogâmica. Um herbicida a que n0 caso chamam um biocida. Naturalmente ignoram-se os efeitos a médio e longo prazo de ambos sobre as pedras, mas já há uma certeza: Pelo menos enquanto o dito biocida estiver activo, adeus pombos e outras aves livres. Os herbicidas não perdoam...
Perante tais dúvidas, vamos requerer ao IGESPAR, ao abrigo do direito à informação, a consulta do caderno de encargos das obras previstas para o coro manuelino e do alegado "relatório técnico-científico do LNEC, aconselhando o recurso ao método utilizado que não põe em causa a resistência da pedra." Mesmo com a aplicação dos dois produtos químicos, cuja composição se desconhece ? É o que tentaremos saber.
Registo igualmente para esta magnífica prosa, convenhamos que com algo de prosápia: "A remoção dos líquenes não retirará a patine das paredes. A imagem será diferente da actual, mas sempre acusando a passagem do tempo." Está bem escrito, não está ? Mas será verdade ?
Face a uma afirmação destas, duas reacções imediatas, uma interrogativa, outra chocarreira. A interrogativa: Quem pode garantir semelhante coisa antes de concluída a obra ? A chocarreira: Teremos então a Janela e as fachadas manuelinas (Portal da Virgem incuído ?!) na mesma situação daquelas senhoras de meia idade já muito avançada, com o rosto alisado por "lifting" (pele esticada) e muito "fond de teint", mas com a mesma data de nascimento no bilhete de identidade. A Janela estilo Lili Caneças, em suma. (Com o devido respeito, naturalmente !).
Uma inocente pergunta final -Porquê tanta fixação, tanta obstinação, tanta obcecação, tanta preocupação com a Janela ? Há no Convento zonas muito mais carenciadas, porcas e vergonhosas. Estas paredes, por exemplo (ver fotos acima), que já deviam ter sido limpas e caiadas há mais de vinte anos. Bem mais !
Haja pachorra !

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

A CHAROLA E O RELÓGIO, ANTES E DEPOIS

Antes de 1937, a Charola do Convento de Cristo tinha este aspecto exterior, aqui numa fotografia de Silva Magalhães, da última década do século XIX.


Em 1937, especialistas alemães que vieram restaurar o castelo, concluíram que a velha igreja-mãe dos Templários estava em perigo. A torre sineira, que é posterior, ameaçava ruína e, se isso viesse a ocorrer, arrastaria na queda grande parte do próprio templo. Foi então decidido consolidar a estrutura da torre, mediante uma nova estrutura em cimento armado, que assim foi usado pela primeira vez em Portugal no restauro de monumentos. A implantação da armação de ferro a cobrir posteriormente com massa de cimento (a que agora chamamos betão), implicou a retirada do relógio (ver mais abaixo). Ficou apenas o respectivo mostrador.
Já depois de 1974, os mesmos especialistas que mandaram retirar o telhado da cúpula de S. Gregório e as capelas laterais de Santa Maria dos Olivais, acharam que o mostrador do relógio estava a mais, visto que já não havia relógio. Era assim uma espécie de nódoa, do mesmo tipo da sujidade da Janela do Capítulo. E o mostrador, que já não era o do século XVI, desapareceu.


Resta-nos agora, devidamente preservado numa das muitas salas do Convento, o maquinismo do dito relógio, idêntico ao que ainda hoje existe e funciona na Igreja de S. João Baptista. Pelo menos até que os habituais especialistas não se dêem conta de que o templo é do reinado de D. Manuel, mas o relógio foi mandado colocar por seu filho D. João III. Quando se derem conta, lá se vai o relógio, uma vez que não é coevo da construção da torre sineira. Lagarto! Lagarto! Lagarto!



segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

SANTA MARIA ANTES E DEPOIS...

Aqui vemos o aspecto actual da Igreja de Santa Maria dos Olivais, ou Santa Maria de Tomar, após a obras integradas nos arranjos da Ponte do Flecheiro.


E aqui a mesma Igreja, numa fotografia de 1927. Nos anos 40 do século passado, adoptou-se o princípio de que tudo o que não era da época da edificação principal, devia ser eliminado. Tivemos sorte nunca terem aplicado tal doutrina ao Convento de Cristo. Caso contrário, teria ido tudo abaixo, menos a Charola e as muralhas do Castelo. Ele há cada uma...


sábado, 12 de dezembro de 2009

AS VONTADES MUDAM COM O TEMPO

Foto A



Foto B



Foto C


As três fotos acima documentam três épocas, três vontades colectivas, três modos de agir sobre a envolvência. A foto A mostra-nos a Ermida da Conceição por volta de 1900. Com os sinais dos séculos. Até a parte superior direita -o exterior da cúpula e o pequeno terraço, concluídos apenas na primeira metade do século XIX, já tinham adquirido praticamente a mesma pátina das restantes paredes em pedra.
A foto B permite-nos constatar que 100 anos após a primeira, o aspecto exterior da capela se mantinha praticamente idêntico. Com os mesmos tons nos mesmos locais. Como que a contrariar os que afirmam que o tempo suja os monumentos. Bem ao contrário. Dá-lhes carácter, personalidade, o aspecto da idade em suma. Algo que até hoje ainda ninguém conseguiu imitar.
Talvez por isso, quiçá contra essa evidente incapacidade, os homens tenham resolvido que, esteticamente, bem lavadinho, e bem caiadinho quando necessário, é que é bonito. Exactamente o aspecto da fotografia. De um ano para o outro, o multicentenário monumento funerário nunca utilizado de D. João III rejuvenesceu alguns séculos. Parece agora uma capela contemporânea, concluída o ano passado e num estilo a imitar os antigos gregos e romanos.
Azar dos azares para os arautos da limpeza/lavagem dos monumentos, agora é que a parte caiada está mesmo suja, e isso nota-se. Façam o favor de a voltar a caiar, que assim está uma vergonha. Afinal querem ou não querem limpeza ? Ou o que pretendem realmente é "limpar" os fundos de Bruxelas ?

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O PROBLEMA DA JANELA E A CIDADANIA



Neste caso do apelo para tentar preservar a Janela do Capítulo, há um outro grupo social relativamente homogéneo que não está a ficar mesmo nada bem na fotografia de conjunto. Refiro-me aos meus queridos, apreciados e admirados colegas (e, não obstante, amigos e patrícios), professores. Somos à roda de 600 na cidade e no concelho. Tudo cidadãos oficialmente de alto gabarito intelectual. Todos bacharelados ou licenciados, alguns mestrados, um ou outro doutorado. Com vencimentos ao nível da Europa do Sul, como convém, somos a maior concentração de inteligêngia deste concelho e deste País, por assim dizer. Pois mesmo assim, aqui do concelho aceitaram até agora dar a cara, subscrevendo o referido apelo, meia dúzia de aposentados e um colega ainda em exercício. É só verificar no post "Salvar a Janela do Capítulo" (ir ao arquivo, do lado direito do écran, e clicar no título do post), para tirar qualquer dúvida.
Se fosse para um aumento de vencimento, uma redução de horário, a exigência de menos alunos por turma, a simplificação da burocracia, a adopção de medidas disciplinares enérgicas, a suspensão da avaliação, a progressão automática na carreira, a anulação dos quadros de zona pedagógica, etc, etc, etc, tínhamos aí dezenas de milhares de docentes na rua, a barafustar contra o ministério e contra o governo. Até íamos de autocarro até Lisboa e tudo. Agora para defender o património que nos foi legado ? Temos mais que fazer.
Entreajuda, fraternidade, bem comum, solidariedade, deveres de cidadania, reciprocidade ? Que é isso ? Neste mundo em que vivemos é cada um para si e Deus para todos, ou pelo menos para quem quiser.
Podia continuar por esta via cáustica, falando de visitas guiadas ao Convento, por exemplo, mas não irei por aí. Nunca apresentei facturas ou esperei agradecimentos de quem quer que seja. Agora já estou demasiado vivido para mudar no essencial. Prefiro por isso usar fragmentos alheios de que gosto particularmente.
Célestin Freinet, por exemplo, escreveu que um professor não ensina só, nem sobretudo, o que sabe e o que está no programa, mas sim aquilo que é. Já um conhecido padeiro, que era também filósofo espontâneo nas horas vagas, Venceslau Platão Farinha de sua graça, (estas coisas não se inventam), adorava repetir que as mesmas massas, nos mesmos moldes, cozidas nos mesmos fornos, durante os mesmos tempos e às mesmas temperaturas, produzem sempre os mesmos bolos ou pães. E parece-me que tinha toda a razão Não será certamente por mero acaso que os alunos são cada vez piores, dos autarcas é melhor nem falar, os deputados são como se sabe, o governo valha-nos Deus, e o primeiro ministro então...
Na natureza, nada se perde, nada se cria, tudo se transforma. O mesmo sucede em cada micro-sociedade.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

OUTRO BRILHANTE TRABALHO DE RESTAURO

A ideia de restaurar, conservar ou requalificar o património da cidade sem ouvir previamente os tomarenses, ou os seus representantes, já vem de longe. E ninguém parece ter-se dado conta de que o normal em época de ditadura,se torna muito estranho em democracia. Mais ainda quando os habitantes nem piam, apesar de os considerarem parte da paisagem. Assim uma espécie de ciprestes do Castelo, pinheiros da Cerca, plátanos do Mouchão ou tílias da Várzea Pequena.
Nesta foto de 1928, vê-se a capela arrabaldina de S. Gregório, com três portas, uma janela através da qual se podia ver um braço-relíquia em prata de S. Gregório Nazianzeno. No topo, a cúpula coberta a telha de canudo. Mais tarde, nos anos 40, sempre sem informar ou ouvir os tomarenses, levaram a relíquia e acabaram com a janela e a porta do lado esquerdo. Mas deixaram o telhado na cúpula.


Foi, porém, sol de pouca dura. Já depois de 1974, apareceram por aí umas luminárias, certamente bafejadas pela graça do Senhor, e zás! -Decretaram que a capela, da primeira metade do século XVI, com um portal inacabado em manuelino tosco, tinha influência árabe. Vai daí, a cúpula semi-esférica só podia ser estilo "meia-laranja", portanto sem telhas. Exactamente como os túmulos dos "marabouts" marroquinos. Bem dito, bem feito. Vá de mandar retirar as telhas, os barrotes e as ripas, para a seguir se proceder à indispensável impermeabilização. Entretanto, aproveitando a ocasião e para ficar mais típico, mandaram pintar uma faixa amarelo-ocre em forma de coleira. Os turistas devem gostar destas coisas...


O resultado de tais ideias luminosas já se começa a notar na abóbada, e agravar-se-á rapidamente, como não pode deixar de ser, uma vez que ocorre sistematicamente nos casos de infiltração.
Ouvir os eleitos locais ? Os arquitectos tomarenses ? Outros tomarenses ? Para quê ? Quem manda somos nós; isto aqui é só paisagem. E de qualquer modo estes provincianos, mal nós abrimos a boca, põem-se logo de cócoras. Por isso, falar com esta gente seria pura perda de tempo.
Má língua, eu? Ou apenas demasiado frontal e realista, coisa rara por estas bandas ?

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

O SAGRADO E O PROFANO


Fernando Ferreira, o Nini, escreveu algures, e dizia com frequência, que os visitantes gostam sempre muito da Festa dos Tabuleiros, mas os tomarenses vêm-na de outra maneira. O mesmo se poderá dizer do Convento de Cristo, em geral, e da Janela do Capítulo, em particular. Os turistas gostam muito, ou nem tanto assim, mas para os tomarenses a questão de gostar ou não nem sequer se coloca. Convento e Janela são aquilo que nos torna únicos, no País, na Europa e no Mundo. O nosso emblema, o nosso ícone. E os ícones são sagrados, como bem sabem os ortodoxos.

Limpa ou suja, mais clara ou mais escura, os tomarenses querem-na tal como ela está, naturalmente com manutenção adequada, mas sem intervenções pesadas. Apenas as periódicas revisões, com delicadeza, supervisão competente, andaime, balde e vassoura pequena. Nada de intervenções-piloto, tanto na Janela como na fachada. Não faria qualquer sentido uma fachada limpa com a Janela suja, ou o inverso.

O que se pede no nosso apelo que continua a recolher subscritores (ver post SALVAR A JANELA DO CAPÌTULO) é que DEIXEM A JANELA EM PAZ. Para os tomarenses e para muitos portugueses ela é, em certo sentido, sagrada. Alterar, ainda que ligeiramente, o aspecto geral do sagrado, é uma profanação. E ninguém gosta de tais actos. Por outro lado, a obra-prima do manuelino não é uma raínha de beleza, nem uma beldade trintona. Não precisa de limpezas de pele, de liftings, nem de silicones nos sítios convenientes, ou de lipo-aspirações. Os visitantes que prefiram uma janela sem os musgos e outros líquenes, a veneranda roupagem de quinhentos anos de existência, farão o favor de dedicar alguma atenção à irmã mais singela, (ver foto de cima), que dá para o Claustro de D. João III. Já ficarão com uma ideia do que seria a fachada limpa e sujeita a posterior degradação acelerada. Porque a triste realidade é esta -Todas as grandes intervenções de limpeza de fachadas realizadas até agora foram autênticos desastres. Nos Jerónimos correu mal, na Torre de Belém correu mal, em Mafra correu mal, na Senhora da Conceição basta lá ir com olhos de ver, no Convento, designadamente na fachada do Corredor do Cruzeiro virada para o Claustro da Micha, as chagas são evidentes. E depois de tantos desastres, querem convencer-nos que na Janela e no Coro Manuelino as coisas iriam correr melhor ? Sejamos poetas líricos, mas sem exagero. Aprender com os erros é próprio dos homens. Porque será que os sempre presentes e propalados especialistas de elevado gabarito em restauros e limpezas, nunca mais aprendem ? Incapacidade deles ? Ou excessiva ganância dos patrões e dos especialistas em alcavalas por baixo da mesa ?

Já o dissemos, mas fica aqui escrito uma vez mais: Iremos até onde seja possível, para evitar intervenções que podem provocar desastres irreparáveis, além de profanarem um ícone dos tomarenses. Para já, iremos até ao topo do poder em Portugal e até à UNESCO, em Paris, dado que o Convento é Património Mundial. Posteriormente, se houver mais uma intervenção a correr mal, como tudo leva a supor, iremos até aos tribunais europeus e alguém terá de pagar pelo que entretanto terá feito, apesar de atempadamente avisado. Chega de agendas ocultas, de negócios insólitos e de impunidade !

Não se trata de nada disso ? Então porquê tanto afinco e insistência numa empreitada de limpeza, manifestamente despicienda e desnecessária ? Como dizia o nosso amigo espanhol: Yo no creo en las brújulas, pero que las hay, hay !

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

POLÍTICA DE ENGANOS...

POR FAVOR, CLIQUE EM CIMA DE CADA IMAGEM PARA AMPLIAR
Na nossa resposta anterior já foi abordada uma parte do problema dos restauros. O nosso leitor, certamente pessoa de bem, veio posteriormente esclarecer que não teve a intenção de ofender. Agradecemos, embora nunca nos tenha passado pela cabeça tal coisa. Se assim fora, não teríamos respondido.
Dado que no seu comentário o leitor pergunta qual será a posição do IGESPAR e do presidente da Câmara, aqui fica desde já a resposta. Corvêlo de Sousa contactou a entidade que administra o Convento, tendo-lhe sido garantido que não há ainda nada decidido e que se houver limpeza será à escova.
Dada a complexidade dos andaimes, custa a crer que estejam a fazer testes só por desporto. Ou então andam a fazer experiências para escolher o tipo de escova... Temos uma vaga impressão de que alguém anda a tentar "adormecer" os titulares do poder local, tanto mais que...


Garantiram igualmente ao presidente tomarense que a Senhora da Conceição foi limpa à escova e manifestamente tal não corresponde à verdade. Basta reparar nos estragos provocados (e não reparados) em todos os rebordos, designadamente nas cornijas e nos frontões das janelas, para constatar que resultam de lavagem com areia projectada. Que correu mal, tal como já acontecera antes nos Jerónimos.

Afirmar que os trabalhos serão feitos e acompanhados por técnicos especialistas devidamente credenciados, é estar a tentar abusar da credulidade dos cidadãos comuns. Com efeito, tal como o algodão do célebre anúncio televisivo, as fotografias não enganam. A requalificação da Capela da Conceição, pretensamente feita à escova, naturalmente sob a égide do IGESPAR e dos tais especialistas de elevado gabarito, terá custado uma fortuna, mas valeu a pena. Ficou uma pequena maravilha. Tudo esbordicado, para parecer mais antigo e até o isolante, colocado na parte de cima dos frontões, já começa a dar sinais de que foi uma excelente escolha. Parece mesmo que está a chorar lágrimas pretas. Será já em sinal de luto pela progressiva e irremediável degradação, provocada pelo pretenso restauro? E depois, olhando com atenção para as pedras lisas... Se na verdade foram limpas à escova, os operários tinham cá uma força...
Permitam-nos apenas uma pergunta inocente: Depois disto ainda querem que o pessoal não fique preocupado com o futuro da Janela do Capítulo ? Quem não se sente, não é filho de boa gente.


AS COISAS COMO ELAS SÃO...

Recebemos este comentário, que reproduzimos e destacamos com todo o gosto. Afinal a liberdade, tal como geralmente a entendemos na União Europeia, é isto mesmo. Cada qual expõe a sua opinião sem entraves nem subsequentes represálias. E tem direito a resposta.
Com os nossos leitores bem sabem, aqui em Tomar a dianteira trabalhamos "sem nada na manga". Por outras palavras, não temos agenda oculta. Quando ganhamos, ganham todos, quando perdemos, perde a comunidade tomarense.
Indo à questão da eventual lavagem da Janela e à nosssa resposta ao comentário, linha a linha. É claro que, à partida, ninguém quer limpar a Janela "de forma a deteriorá-la". Era o que faltava ! Contudo, também é óbvio que, à partida, nenhum cirurgião quer matar o paciente durante ou depois da intervenção. E todavia há muitos que morrem... Correu mal, é o que dizem como justificação. Uma vez que vão ser ou estão a ser realizados testes de avaliação, conforme é referido, parte-se do princípio que os mesmos sejam levados a cabo por técnicos credenciados. O que falta saber é a real credibilidade dos referidos técnicos: que formação têm, onde a adquiriram, qual a sua experiência... O nossso sistema de ensino está de tal forma, de há uns bons anos a esta parte, que todo o cuidado é pouco. Acresce que, se estão a fazer testes, já haverá a intenção de que sirvam para alguma coisa. Ou seja, a tal limpeza/lavagem já terá sido decidida, faltando agora determinar apenas quando e como. Caso contrário os testes não fariam qualquer sentido.
Toda a construção manuelina do Convento de Cristo está portanto na mesma posição daquele condenado, a quem perguntaram se queria ser enforcado, fuzilado, garrotado ou envenenado. Quando retorquiu que não queria morrer, ouviu um sonoro "Não está a responder à pergunta !". Além de que, seguindo Lavoisier, "As mesmas causas, nas mesmas circunstâncias exteriores, produzem sempre os mesmos efeitos." Há alguma garantia de que os testes feitos na fachada norte, onde nunca bate o sol, sejam válidos para a fachada sul, na qual dá o sol todo o ano ? As tais condições exteriores são exactamente as mesmas ? Nestas coisas, nunca fiando...
A alternativa imbecis/carro à frente dos bois carece inteiramente de coerência. Desde logo porque entre técnicos imbecis e técnicos geniais há para aí mais de 30 variedades. Ou mais ! E não sabemos, pois nunca fomos informados, como vem sendo habitual, a que categoria pertencem os que vão ou já estão a fazer os testes. Que neste país a qualidade não é muito abundante, lá isso é verdade. Quanto ao resto, pois que venham as informações. Quanto ao carro à frente dos bois, se não nos preocuparmos e agirmos agora, que ainda não ocorreu nada de irremediável, vamos fazê-lo quando ? Quando já não houver remédio ou, como diz o povo, "o mal já tiver sido feito e o dinheiro embolsado"? Temos, aqui em Tomar, um excelente exemplo: A Capela de Nossa Senhora da Conceição foi lavada a jacto de areia. O respectivo telhado, que era em telha vidrada verde garrafa, passou a ser em telha comum vermelha. Até hoje, ninguém disse nada aos tomarenses. Como aliás está a acontecer neste momento no Convento. Há quatro frentes de trabalho, a saber: 1 - Cablagens subterrâneas no claustro da Micha; 2 - Requalificação das casas de banho do jardim de entrada, com a instalação de um espécie de mini-ETAR, quando o futuro colector, a assentar antes do fim do ano, vai passar a cerca de 50 metros; 3 - Obras para abrir uma comunicação entre o ex-hospital militar e as ruínas do Paço do Infante; 4 - Testes na fachada norte do Coro Manuelino. Alguém informou a população local sobre tais iniciativas ? Os tomarenses não são propriamente criancinhas. Pagam os seus impostos e têm exactamente os mesmos direitos que quaisquer outros habitantes do país. Designadamente o direito à informação.
Sobre a parte final do comentário, manda a boa educação (ou aquilo que entendemos ser a boa educação) que fiquemos por aqui. Até mais ver...