terça-feira, 3 de janeiro de 2012

CONVERSA FIADA...


Parece que estava eu a adivinhar chuva. Convidado, fui para a conferência de imprensa dos IpT, ao início da noite de hoje, na antiga biblioteca municipal, com uma fotocópia de parte da página 19 do PÚBLICO também de hoje. Título: "Depois da economia, o Partido Comunista cubano prepara a sua reforma política". Notícia: Três colunas e foto de Raul Castro. Eis o último parágrafo: "Sem mudar de mentalidade, não seremos capazes de levar a cabo as mudanças necessárias...Vamos limpar a cabeça de todo o tipo de conversa fiada. Lembrem-se de que acabamos de concluir a primeira década do século XXI. Já é tempo de o fazermos" avisou Raul Castro em Agosto do ano passado." Castro tem 80 anos.
Cheguei eram 19 horas e estava Pedro Marques a ler um comunicado, naquele jeito tão tomarense de convidar os jornalistas para lhes ler um texto que depois lhes é distribuído. Maneira subtil de instilar a ideia de que é melhor assim, não vão eles ler/entender mal. O ensino português anda tão mal...
Do documento em questão, procurando não ferir susceptibilidades, vou limitar-me a reproduzir três parágrafos: "Não é admissível que os responsáveis por esta crise, o PSD (Câmara e Comissão Política), sacudam a água do capote, ignorem os factos, apregoem o diálogo, que nunca praticaram e que, numa situação de desnorte e desorientação política, tentem responsabilizar a oposição, desviando as atenções da difícil realidade sócio-económica que o concelho atravessa, resultado das políticas e da gestão que levaram a cabo durante catorze anos, dos quais os últimos dois em coligação com o Partido Socialista.
Desde sempre demonstrámos, nas palavras e nos actos, a nossa coerência, a nossa responsabilidade e a nossa disponibilidade para encontrarmos as melhores soluções para o concelho. Sempre apresentámos soluções, alternativas e sugestões de melhoria e sistematicamente fomos ignorados. Por isso não venham agora, quais mártires em hora de desespero, querer chutar para a oposição o ónus da sua incapacidade endémica.
Os Independentes por Tomar estão hoje como ontem cientes das suas responsabilidades e sobretudo cientes e fieis aos compromissos que assumiram com os tomarenses. Não abdicaremos deles e não será o discurso sofrido e de vitimização do PSD que nos irá fazer alterar uma vírgula ao nosso rumo." (As cores são de Tomar a dianteira)
Sobre conversa fiada, não direi mais nada. Quem me ler verá se existe ou não analogia com a situação cubana. Tratando-se, segundo os próprios, de "gente que resolve", dá a ideia que os IpT terão resolvido desta vez jogar ping-pong com a relativa maioria, como forma de tentar resolver a crise, aproveitando para de vez em quando fazer caretas aos socialistas locais, que também integram o mesmo campeonato dos comunicados, embora tenham assumido antes uma atitude corajosa já aqui sublinhada anteriormente.
Até poderá ser boa ideia, essa do ténis de mesa. Nos anos 60 do século passado, foi assim que os Estados Unidos e a China estabeleceram relações diplomáticas. Mas nunca resolveram em conjunto crise nenhuma. Resta portanto aguardar neste cada vez mais triste e pobre Vale do Nabão. Se entretanto alguma leitora ou leitor conseguir apurar qual é rumo dos IpT para sair da crise, ao qual o PSD não vai conseguir alterar nem uma vírgula, por favor esclareçam-me, que eu ainda não alcancei essa graça suprema da verdade revelada. Mea culpa, mea culpa...

NO LABIRINTO NABANTINO PARA TURISTAS E OUTROS VISITANTES

Já lhe aconteceu de certeza, cara ou caro leitor, ter de ir de automóvel a uma cidade que não conhece, mas com determinado objectivo. Pois faça o favor de se imaginar agora na pele de um turista qualquer, que não  sabe falar nem ler português mas, julgando-se na Europa, pensa para consigo que em qualquer localidade do velho continente há indicações padronizadas, de qualidade e conformes com as normas internacionais. A viagem começa em Coimbra e o nosso cidadão-turista decidiu visitar o Convento de Cristo, para conhecer a Janela do Capítulo, que tanto lhe recomendaram como o melhor exemplo da arte manuelina.


Já sabedor desde Vilar Formoso que em Portugal as portagens são de nível europeu, o resto é que nem tanto, você resolve vir pela nacional 110, nalguns troços rebaptizada IC 3. Chegado à primeira rotunda urbana, vê a indicação Tomar e, se soubesse ler português, ficaria decerto a cogitar que utilidade tem ali aquela placa "Recrutamento Militar", com a seta a indicar para a esquerda, quando o quartel fica à direita, mesmo ao lado. Mas pronto, entre as seis placas lá viu uma cuja cor (castanho) indica património artístico, pelo que deduziu que o seu caminho era por aí.


Umas centenas de metros mais à frente encontra duas outras indicações. A tal que lhe interessa, a castanha, com o logotipo "centro" e uma azul com o acrónimo PSD, que deduz ser Partido Socialista Português, apesar da cor.


Um pouco mais abaixo, nova rotunda e outras indicações, que o deixam algo baralhado: para a direita Parque de Campismo, para a esquerda Fátima e Lisboa. Então e a tal placa castanha a indicar o centro? Deve ter fugido, assustada com tanta parvoíce. Sendo o nosso visitante de esquerda, deduziu que o caminho era mesmo por aí, uma vez que não podia seguir em frente.


Teve sorte. A tal que ajuda os audazes. Pelo menos no lema latino audaces fortuna juvat. Lá está outra vez a placa castanha com o logotipo "centro". Mas ficou baralhado com a outra placa, a redonda à esquerda. Afinal para o centro é para a direita, mas como, se é proibido virar à direita? (Está lá a indicação "A veículos de peso superior a 5,5 ton., excepto cargas e descargas", o que, para quem não saiba ler português ou pelo menos castelhano, dá cá um jeito!!!).
Na dúvida, resolveu seguir rumo ao centro. Pensando que se houver azar com a polícia, logo se verá.


Chegado a nova bifurcação é que não teve mesmo sorte nenhuma. Ainda conseguiu lobrigar lá ao fundo, à esquerda, a indicação "Turismo", mas não encontrou sítio para estacionar. De forma que seguiu o seu instinto: na dúvida, quando não se pode ir em frente, optar sempre pela esquerda. E cortou para a esquerda.



Alcançado mais um cruzamento com rotunda, começou pior ficar inquieto, pois não viu qualquer indicação no local onde devia estar -do lado direito antes do cruzamento, em conformidade com as normas europeias. Quando já ia a encostar o carro, vislumbrou as almejadas indicações do lado oposto. Ora até que enfim! Cá temos o Convento de Cristo, com o logotipo "Património da Humanidade". Causticado pelo percurso urbano já feito, suspeitou estar numa terra de parolos e labregos, o que lhe deu ganas de aproveitar a indicação Coimbra, para regressar ao ponto de partida, ou Lisboa, que o resto é só paisagem, conforme lhe disseram uns emigrantes portugueses lá na terra dele.
Esteve vai não vai, até que pensou melhor. -Uma vez que estou em Tomar e já consegui chegar até à primeira placa de sinalização Convento de Cristo, o que não foi tarefa fácil, mais vale aproveitar.


Entrou na Rua da Graça, reparou numa outra placa indicando património, percebeu que se tratava de uvas e, se calhar, de vinho, continuando a rodar rumo ao Convento. Mal ele sabia o que ainda o esperava até conseguir entrar no monumento!
E depois os excelentíssimos autarcas que temos, volta e meia, quando convém, mostram-se muito agastados, porque os turistas são cada vez menos e raramente descem à cidade. Pudera! As informações que os que já cá estiveram lhes dão são cá de uma qualidade!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Debate com um leitor


Pronto senhor Virgílio! Aqui temos o seu comentário de ontem, com o tratamento que merece. Vou procurar responder a todos os pontos que focou, de forma tão sucinta quanto possível. Por assim dizer em diálogo directo, posto que cada leitor pode ler em simultâneo o seu escrito e a minha contestação. Entende agora o que me levou a diferir a publicação?
Começo pela questão da cartilha, que o senhor bem sabe existir apenas na sua cabeça. Dado que nunca consenti que me manipulassem, acha que agora, já no último quartel da vida, ia mudar? De resto, ainda que, por mera questão de raciocínio, se considerasse haver algum argumentário oficial, daí não resultaria que todos os "chefões", como o senhor escreve, seriam branqueados. Se me fizer o favor de abandonar por momentos o seu estilo hiperbólico e os seus fantasmas, concordará decerto que nunca tentei desculpar nenhum dos nomes que cita, incluindo Miguel Relvas enquanto governante nacional. Ou estarei a ver mal?
Concordo inteiramente consigo no caso da Gualdim Pais e aproveito para esclarecer que, no caso do executivo camarário e da Assembleia Municipal, ocorre exactamente o mesmo. O presidente da câmara, os vereadores e os deputados municipais não têm qualquer dever de obediência para com o presidente da assembleia, tal como os sócios de qualquer colectividade. Obediência partidária? Mas a relativa maioria não era e é composta por um PSD e dois independentes?
Ultrapassando as suas considerações pessoais a meu respeito, permita-me apenas uma achega: nunca me considerei ou disse "cheio de mundo". Apenas que quando se tem mundo se vêem as coisas de outro modo e com outra mentalidade. Ou acha que ter atravessado dez vezes o muro de Berlim, por exemplo, não marca de forma decisiva um carácter?!?!
Afirma o senhor que não posso ou não devo "ter um discurso fanático que se socorre de tudo para defender o "seu Deus". Tem razão. Não posso, não devo nem tenho semelhante coisa ou algo parecido. O meu posicionamento procura ser apenas o de um cidadão aberto ao mundo, realista quanto possível, sem inimigos na política  ou fora dela e de bem com a vida. Que apenas gosta de analisar e debater as questões económicas e sociais com contraditores de outras tendências, tendo sempre em vista que em política não há posições éticas superiores e inferiores. É tudo equivalente em termos de figurino de governo. Os de esquerda são adversários dos da direita e vice-versa, sem que daí resultem ódios doentios ou questões pessoais. Apesar da tal inveja implícita, que é o grande motor das sociedades cristãs latinas, como bem analisou o filósofo René Girard, designadamente na sua obra "Coisas escondidas desde o início dos tempos". Segundo ele, nas sociedades latinas menos evoluídas, os cidadãos tendem a ser vítimas, por vezes sem disso se darem sequer conta, do "desejo mimético", atitude comportamental em que um cidadão só deseja determinado lugar, cargo ou bem, porque os outros também o querem ou já o têm.
Indo ao caso concreto que coloca, a minha alegada defesa de Miguel Relvas, que o senhor considera "meu Deus", vi ontem na RTP 1 INVICTUS, um filme baseado na vida de Nelson Mandela. Seria bom que o senhor Virgílio o visse quanto antes. Ficaria então decerto ciente de que um homem martirizado na prisão durante 25 anos pelo regime branco da África do Sul, uma vez eleito presidente da república sul-africana, procurou a colaboração dos brancos todos, mesmo dos implicados na feroz repressão anterior, em vez de aproveitar a ocasião para se vingar.
Sempre procurei e procuro ter um comportamento semelhante : os que na política não comungam das minhas ideias, nem por isso deixam de merecer a minha consideração e amizade. Caso tenham prevaricado, há polícias, juizes e tribunais para tratar desses casos, com julgamentos imparciais, penas adequadas e tratamento decente, pois não deixam de ser cidadãos com direitos, só porque delinquiram. Nas restantes situações, senhor Virgílio, quem sou eu para me armar em censor, juíz ou arauto da ética, da moral, ou dos alegados bons costumes?
Resta a sua alusão à carta de Francisco Oliveira Baptista, publicada no semanário EXPRESSO. Se não erro, trata-se de um conterrâneo, residente algures na zona de Lisboa, sócio maioritário da "Empresa Editora Cidade de Tomar". Assim sendo, o que o terá levado a preferir o periódico de Balsemão, em detrimento daquele de que é, por herança, principal accionista? Não terá sido para marcar claramente que se referia ao Relvas governante e não ao Relvas autarca? Que lhe parece, senhor Virgílio? A política tem por vezes destas surpresas.
Escreva sempre, se assim o entender, que a sua escrita tem mais qualidade que a sua análise psicológica e política. Na minha humilde opinião, bem entendido.

Um acepipe alegre para o jantar

É um dado adquirido que os tomarenses são em geral avessos à mudança e a tudo o que cheire a novidade. Fora daqui há até quem mais objectivamente nos considere quase todos como contumazes empedernidos. Pode ser verdade, mas há excepções brilhantes. A recordar que foi das margens do Nabão que surgiram os descobrimentos e uma grande parte dos recursos materiais e humanos para os impulsionar. Eis o mais recente exemplo de adaptação ao cada vez mais problemático quotidiano de muitos conterrâneos e visitantes:


Aqui fica este hors-d'oeuvre, com os nossos desejos de bom apetite, sobretudo para o nosso usual comentador Virgílio Lopes, que aguarda uma resposta ao seu penúltimo texto aqui recebido. Ao proprietário do Sr. Kilo os nossos parabéns pela sua capacidade de inovação. Assim é que é! Se ficarmos todos parados, à espera do que há-de vir, como é que o país pode avançar? Força!

A ENVIAR QUANTO ANTES PARA A GRANDE IMPRENSA INTERNACIONAL


Pode ser que algum dirigente chinês, algum russo, algum cheique com muito petróleo ou algum fazendeiro brasileiro leiam Tomar a dianteira. Nunca se sabe!

domingo, 1 de janeiro de 2012

Procurando desfazer equívocos

Ao que me constou, alheios às evidentes, aceleradas e funestas mudanças de contexto, muitos tomarenses continuam a usar implicitamente grelhas analíticas que já no século passado nunca valeram grande coisa. Uma delas, já aqui denunciada anteriormente, consiste em olhar para o dedo e caluniar o dono dele, em vez de olharem para onde se aponta. No seguimento de tal postura, inventam intenções, histórias e situações, que apenas existem na imaginação daqueles que as propalam, em geral ao serviço de agremiações partidárias que nunca se distinguiram pela transparência e bondade da sua actuação. Tudo naquele estilo implicitamente condenado pelo grande poeta popular António Aleixo: "Prá mentira ser segura/E atingir profundidade/Deve trazer à mistura/Qualquer coisa de verdade".
Neste caso de Tomar a dianteira, fustigados diariamente por críticas fundamentadas que não eram usuais até 2009, quando iniciei este blogue com a ajuda do Sebastião Barros, alguns ambientes políticos locais resolveram começar a propagar boatos, atribuindo-me posições ou objectivos que nunca tive e por isso nunca me motivaram. O último "achado", ao que parece, consiste em garantir que só estou interessado em eleições intercalares locais, para delas retirar benefícios pessoais. Mas quais, senhores? Digam quais! Emprego na função pública, não preciso nem posso; já ultrapassei o limite de idade. Emprego para a família também não; felizmente estão bem colocados, por mérito próprio e sem cunhas. Casa tão pouco, pois estou bem servido. Honrarias e penachos, nunca apreciei e continuo a não gostar. Lugares políticos bem pagos? Não me adiantariam, uma vez que teria de optar entre os respectivos honorários e a minha pensão actual. Dar nas vistas? Acham que com a idade que tenho e o passado que já vivi, ainda precisaria disso? Para quê?
Nestas condições, é bem capaz de ser mais profícuo debater aquilo que escrevo, em vez de se entreterem a inventar enredos que nem para telenovelo de quinta categoria servem. Incomodo? Ainda bem. É exactamente essa a minha intenção. Com que objectivos? Para memória futura, para mostrar aos tomarenses que em democracia há sempre outra hipótese, para tentar provar que todos os problemas locais têm solução, para procurar evitar que o mundo se entorte ainda mais, após muitos anos em que foram vãos os meus canhestros esforços para o endireitar.
Vou falhar? É possível. Mas pelo menos tentei. Quem, nesta desgraçada terra gualdina, pode dizer o mesmo, respeitando a verdade?

ADEUS FARTURAS

Adeus farturas, adeus facilidades, adeus borlas! Doravante tudo será diferente, quer queiramos quer não. É claro que, como de costume, os tomarenses só vão perceber demasiado tarde. Só vão procurar apanhar o comboio do novo tempo alguns meses ou mesmo anos depois de ele ter passado. Os maus hábitos têm a vida dura.
Nesta altura, dois problemas magnos deviam atormentá-los, pois condicionam o nosso futuro. Infelizmente, assim não acontece, essencialmente porque a maioria nem sequer percebeu ainda com que linhas se cose a situação local, enquanto uma ínfima minoria já se deu conta mas disfarça muito bem, graças a uma vasta experiência no domínio da hipocrisia.
Esses dois problemas magnos são a manifesta inaptidão do actual executivo municipal para lidar com a crise e a presente situação de bloqueio que dela resulta, tendo como causa próxima o imbróglio ParqT. Ambos estão portanto estreitamente ligados, podendo dizer-se que ultrapassar o primeiro é em simultâneo condição essencial e meio caminho andado para solucionar o segundo. Conscientes disso mesmo, os apoiantes do actual elenco camarário vão procurando argumentos tendentes a evitar, ou pelo menos adiar o mais possível, uma eleição intercalar só para o executivo, ao mesmo tempo que procuram disfarçadamente sacar elementos para uma resolução satisfatória do problema ParqT, a parte mais envenenada da crise política local.
Sob um determinado ângulo, estão a ver bem os que já intuiram que resolvido um dos dois problemas, o resto virá praticamente por arrasto. Demasiado tarde contudo. A anterior actuação da relativa maioria mostra que não seria curial indicar-lhes uma solução para o litígio com a sociedade nortenha. Por dois motivos principais. O primeiro é que a tutela efectiva já deixou perceber por diversas vezes ser o pagamento dos 6,5 milhões de euros a única saída que lhe interessa. Resta apurar porquê. O outro assenta na tal inaptidão do executivo actual. De que adiantaria fornecer-lhes uma partitura, se nunca aprenderam solfejo e por isso não sabem ler uma pauta? Não se trata sequer da eventual qualidade da execução, da manifesta diferença de nível entre a Filarmónica de Viena e a de Lisboa, mas de não saberem ao menos o que executar, por manifesto analfabetismo funcional na área.
Acresce que sem uma eleição intercalar para a câmara, o desempenho político local tarde ou nunca vai melhorar. Basta pensar no seguinte. No ensino português em geral, a evidente perda de qualidade tem sido de tal ordem que neste momento já há alunos universitários que não sabem sequer ler nem escrever em português com correnteza. Porquê? Porque em todos os níveis de ensino e desde há muitos anos é do conhecimento de todos que basta frequentar para passar. Tendo ou não adquirido os conteúdos básicos, ninguém chumba. Toda a gente sabe isso.
Da mesma forma, desde o início das eleições democráticas para as autarquias, excepto uma vez em Lisboa, todos os eleitos, por mais manhosos, rançosos ou ranhosos que tenham sido, concluiram nas calmas os seus mandatos. Donde resulta que em todas as eleições aparecem candidatos sem programa, com afigurações, inchados de basófia, armados ao pingarelho, pretensiosos, incapazes de se enxergarem ou armados em carapaus de corrida. Sabem que uma vez intrujados os eleitores e alcandorados nos poleiros respectivos, nada nem ninguém os obriga a apear-se, façam as aselhices que fizerem, digam as bacoradas que entenderem. Sabem que estão protegidos pelos brandos costumes, pelo que fingem não ver, não ouvir nem sentir as preocupações dos que os elegeram. Arda Roma para os Neros se divertirem!
Assim sendo, a única catarse possível e rápida consiste em provocar a tal eleição intercalar, em vez de continuar a desculpar-se, alegando que vai ser mais uma despesa, que vão concorrer os mesmos, que não vão ter tempo para fazer obra de jeito, e outras desculpas de mau pagador. A que os tomarenses já estamos habituados, sabido como é que os maus dançarinos se desculpam sempre com o piso torto... Pudera! Depois nada voltará a ser como antes, porque "o crime deixará de compensar". E uma pessoa tem de ganhar a sua vidinha. De preferência sem sujar as mãos ou vergar a mola.