domingo, 1 de janeiro de 2012

ADEUS FARTURAS

Adeus farturas, adeus facilidades, adeus borlas! Doravante tudo será diferente, quer queiramos quer não. É claro que, como de costume, os tomarenses só vão perceber demasiado tarde. Só vão procurar apanhar o comboio do novo tempo alguns meses ou mesmo anos depois de ele ter passado. Os maus hábitos têm a vida dura.
Nesta altura, dois problemas magnos deviam atormentá-los, pois condicionam o nosso futuro. Infelizmente, assim não acontece, essencialmente porque a maioria nem sequer percebeu ainda com que linhas se cose a situação local, enquanto uma ínfima minoria já se deu conta mas disfarça muito bem, graças a uma vasta experiência no domínio da hipocrisia.
Esses dois problemas magnos são a manifesta inaptidão do actual executivo municipal para lidar com a crise e a presente situação de bloqueio que dela resulta, tendo como causa próxima o imbróglio ParqT. Ambos estão portanto estreitamente ligados, podendo dizer-se que ultrapassar o primeiro é em simultâneo condição essencial e meio caminho andado para solucionar o segundo. Conscientes disso mesmo, os apoiantes do actual elenco camarário vão procurando argumentos tendentes a evitar, ou pelo menos adiar o mais possível, uma eleição intercalar só para o executivo, ao mesmo tempo que procuram disfarçadamente sacar elementos para uma resolução satisfatória do problema ParqT, a parte mais envenenada da crise política local.
Sob um determinado ângulo, estão a ver bem os que já intuiram que resolvido um dos dois problemas, o resto virá praticamente por arrasto. Demasiado tarde contudo. A anterior actuação da relativa maioria mostra que não seria curial indicar-lhes uma solução para o litígio com a sociedade nortenha. Por dois motivos principais. O primeiro é que a tutela efectiva já deixou perceber por diversas vezes ser o pagamento dos 6,5 milhões de euros a única saída que lhe interessa. Resta apurar porquê. O outro assenta na tal inaptidão do executivo actual. De que adiantaria fornecer-lhes uma partitura, se nunca aprenderam solfejo e por isso não sabem ler uma pauta? Não se trata sequer da eventual qualidade da execução, da manifesta diferença de nível entre a Filarmónica de Viena e a de Lisboa, mas de não saberem ao menos o que executar, por manifesto analfabetismo funcional na área.
Acresce que sem uma eleição intercalar para a câmara, o desempenho político local tarde ou nunca vai melhorar. Basta pensar no seguinte. No ensino português em geral, a evidente perda de qualidade tem sido de tal ordem que neste momento já há alunos universitários que não sabem sequer ler nem escrever em português com correnteza. Porquê? Porque em todos os níveis de ensino e desde há muitos anos é do conhecimento de todos que basta frequentar para passar. Tendo ou não adquirido os conteúdos básicos, ninguém chumba. Toda a gente sabe isso.
Da mesma forma, desde o início das eleições democráticas para as autarquias, excepto uma vez em Lisboa, todos os eleitos, por mais manhosos, rançosos ou ranhosos que tenham sido, concluiram nas calmas os seus mandatos. Donde resulta que em todas as eleições aparecem candidatos sem programa, com afigurações, inchados de basófia, armados ao pingarelho, pretensiosos, incapazes de se enxergarem ou armados em carapaus de corrida. Sabem que uma vez intrujados os eleitores e alcandorados nos poleiros respectivos, nada nem ninguém os obriga a apear-se, façam as aselhices que fizerem, digam as bacoradas que entenderem. Sabem que estão protegidos pelos brandos costumes, pelo que fingem não ver, não ouvir nem sentir as preocupações dos que os elegeram. Arda Roma para os Neros se divertirem!
Assim sendo, a única catarse possível e rápida consiste em provocar a tal eleição intercalar, em vez de continuar a desculpar-se, alegando que vai ser mais uma despesa, que vão concorrer os mesmos, que não vão ter tempo para fazer obra de jeito, e outras desculpas de mau pagador. A que os tomarenses já estamos habituados, sabido como é que os maus dançarinos se desculpam sempre com o piso torto... Pudera! Depois nada voltará a ser como antes, porque "o crime deixará de compensar". E uma pessoa tem de ganhar a sua vidinha. De preferência sem sujar as mãos ou vergar a mola.

6 comentários:

Maria disse...

E as Farturas da Feira? Não há Farturas? Não há Feira? Não há sardinhas?
Estou a brincar mas, levei muito a sério, o que escreveu. Aliás, levo-o sempre a sério. Se nem sempre comento, é porque geralmente estamos de acordo.
Bom Ano e continue. Eu gosto.
Maria

Virgílio disse...

"Adeus farturas, adeus facilidades, adeus borlas!"

Para quem ???

Pergunto eu.


Com todo o respeito,

Virgílio Lopes

António Rebelo disse...

Para todos nós, os de baixo, senhor Virgílio. Para os do costume, portanto. Mas igualmente para os senhores eleitos tendência jardinista, que estavam convencidos de que bastavam algumas obras mais ou menos espampanantes para convencer os eleitores e repetir a dose no mandato seguinte. Esse tempo acabou. Ainda bem!

Luis Ferreira disse...

Ainda bem, mas para que tal acontecesse foram necessários dois anos, em que a permanência e gestão diferenciada dos socialistas, colocasse a nú a incapacidade e falta de soluções do PSD para o Concelho.

Ainda bem, mas se não fosse o PS a colocar um ponto final na "farsa" a 25 de Novembro de 2011, ainda hoje os sociais democratas pensariam que podiam continuar a fazer os disparates que lhes aprovessem...

Ainda bem, mas será que aprenderam? Ou só saem de padiola?

Virgílio disse...

Este "COISO" é impagável...

É que o circo sem PALHAÇOS não tinha piada nenhuma...

Viva o circo!
Vivam os palhaços!

Com tôdo o respêto,

Virgílio Lopes

Tomar Tótó disse...

Para Luis Ferreira:
Pois, pois ...