sexta-feira, 28 de novembro de 2008

ANÁLISE DA IMPRENSA LOCAL E REGIONAL

Colaboração da PAPELARIA CLIPNETO-TOMAR
A notícia da semana em toda a imprensa local e da região foi, sem qualquer dúvida, a sentença do caso de sadismo julgado no Tribunal de Tomar, com o arguido condenado a 5 anos de prisão efectiva, tendo a sua advogada revelado que vai recorrer. Cidade de Tomar, O Templário e O Mirante deram à notícia o principal destaque na 1ª página, enquanto O Ribatejo se contentou com chamada a uma coluna na mesma página.
Outra notícia difundida pelos quatro jornais analisados é a inauguração do Serviço de Cuidados Paliativos no Hospital de Tomar, o primeiro na região do Médio Tejo. Para quem não saiba bem de que se trata, mas também tenha vergonha de perguntar, segue uma explicação acessível. Cuidados Paliativos é um tipo de medicina que podemos comparar à política. Não resolve nada, mas torna as coisas menos dolorosas. Por outras palavras, não cura as doenças mas permite melhor qualidade de vida para quem delas sofre.
A abertura solene do ano lectivo no Instituto Politécnico, com o discurso de despedida de Pires da Silva, foi também noticiada, com relevo diverso, pelos quatro semanários referidos. No caso dos que ilustram com fotografia, lá aparece Pacheco de Amorim, testemunhando que é difícil renunciar ao passado glorioso.
Cabe assinalar de modo particular, pelo seu interesse para os comerciantes locais, a entrevista do presidente da ACITOFEBA, publicada em duas páginas d'O Templário. Nela, o entrevistado queixa-se da crise, que a todos atinge, mas não parece entender as suas causas particulares, no que a Tomar diz respeito. Afirma que os 150 mil visitantes anuais do Convento de Cristo não descem à cidade e que faz falta um parque de estacionamento para autocarros. Tem razão nos dois casos, mas se calhar seria melhor ir além das repetidas queixas e visitar Alcobaça, Sintra, Mafra, Évora, Guimarães, etc., cujo património monumental se encontra em cada um dos centros históricos, e tirar de cada uma dessas visitas as conclusões adequadas ao caso tomarense.
Outro ângulo de estudo seria partir desta simples pergunta: Qual ou quais as razões que levam anualmente mais de 150 mil pessoas a deslocarem-se a Tomar e a pagarem 5 euros cada, para simplesmente verem coisas antigas, raramente descendo à cidade, onde também há coisas para ver e de graça? A repetir eternamente a mesma cantilena é que não conseguiremos ir a lado nenhum.
A visita do líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, foi noticiada pelos dois órgãos nabantinos. No Cidade de Tomar, pode ler-se que a directora do Convento de Cristo aproveitou a sua presença para se lastimar, tendo focado designadamente a separação entre o Convento, por um lado, e o Castelo, Senhora da Conceição e Aqueduto, por outro, bem como as dificuldades dos autocarros na estrada de acesso ao monumento, quando se cruzam com veículos do mesmo tipo.
Se em relação ao Castelo e ao Aqueduto tem toda a razão, em relação à Senhora da Conceição não se vê qual a argumentação pertinente para justificar a sua junção ao Convento, sendo certo que até aos anos 80 do século passado sempre houve uma chave na então Comissão Municipal de Turismo, chave essa que veio a ser usurpada por um quadro do Convento, em circunstâncias ainda por esclarecer.
No que diz respeito à dificuldade de acesso dos autocarros ao Convento, que é real apenas quando se cruzam com outros autocarros, como referido acima, parece mais consensual arranjar outra saída que não passe pela introdução da circulação de automóveis (os autocarros nem lá cabem) na Mata dos Sete Montes, para bem da sua preservação em termos de calma, silêncio e ar puro.
Ainda com relevo esta semana, uma celebração escolar em Carrazede, que ocupa toda uma página d'O Mirante, as Santas do 14, em Chão das Maias, no Cidade de Tomar, e as obras de reparação dos estragos causados pelas intempéries em 2006, em todos eles.
Além do já referenciado, Cidade de Tomar desta semana tem muito mais para ler e pensar. A tomada de posse da nova Entidade Regional de Turismo mereceu reportagem com fotos e um artigo de opinião, ambos da autoria de António Freitas. O Rancho Folclórico do Cire teve direito a página inteira, enquanto o resultado da sondagem mandada fazer pelo PSD/Tomar vem, disfarçado de "boca", na penúltima página. Ele há coisas!
Cabe destacar igualmente, pelo que revelam da sociedade local, duas reacções. Na primeira, a Misericórdia de Tomar, em texto publicado na 2ª página, "lamenta notícias divulgadas", referindo-se a peças publicadas n'O Templário. Acrescenta que a "Actual gestão deve ser enaltecida, devido à forma como tem evoluído no apoio aos mais carenciados." Para além de não especificar cabalmente em que ponto os pontos diverge da notícia ou notícias que lamenta, o referido texto, que é formalmente uma moção de apoio, foi votado em Assembleia Geral, tendo-se contado 34 votos a favor, 4 contra e 1 branco. Para uma instituição multicentenária, com mais de 1.200 irmãos, temos de concordar que é uma votação insignificante, que parece denotar sobretudo a dificuldade de convivência dos seus actuais dirigentes com a natural pluralidade de opiniões.
A outra reacção é dupla e vem do Conselho Executivo e do Conselho Pedagógico da Escola EB 2-3 Gualdim Pais. Respondem à notícia "Professores de Tomar movimentam-se pela suspensão do modelo de avaliação", publicada em Cidade de Tomar. Escrevem que "As afirmações relativas à posição do Agrupamento... ...são abusivas, carecem de fundamento e não correspondem à realidade...". Todavia, mais adiante, no ponto 5, admitem que "Circulou efectivamente uma moção de repúdio a este modelo de avaliação, tendo sido assinada pela maior parte dos profissionais deste Agrupamento, em mais de dois terços da sua totalidade." Na opinião de Tomar a Dianteira, se isto não é movimentar-se pela suspensão do modelo de avaliação, então é o quê?
Tal como no caso anterior, tudo indica estarmos perante mais um exemplo de patente falta de genuinos hábitos democráticos, designadamente com respeito total pela liberdade alheia, incluindo a dos jornalistas.

A redacção de Tomar a Dianteira

Sem comentários: