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sábado, 12 de junho de 2010

DE ABALADA PARA VER MUNDO E AREJAR IDEIAS

Após o mercado de sexta-feira. Nota-se que há crise. Não se deve vender quase nada. Os papéis, cabides e embalagens deixados pelo chão fora são apenas uma manifestação de protesto contra o facto de a Câmara não poder cobrar taxas por desleixo. Pretende um honrado comerciante cumprir as suas obrigações cívicas e não o deixam! Já viram isto?!

Mais uma vez de abalada; mais uma vez para terras transalpinas, divididas em fatias, para mais fácil digestão cerebral. Após Veneza, Vicenza, Verona e Pádua; Florença, Siena, S. Gimignano, Pisa e Assis. Agora vai ser Roma, Vaticano, Capela Sistina, Et Deo Fiat Lux (Se a Ford, a Mercedes ou a Toyota ainda não conseguiram substituir a FIAT no conhecido dístico) e arredores, seguindo-se Nápoles e outros domínios da Máfia. A original, que há por aí muitas outras. Verificar se sempre é verdade que "Capri c'est fini!" Ou será só música, como por estas paragens do Nabão?
De maneira que, podem os nossos conterrâneos, sobretudo os senhores autarcas, funcionários e dirigentes associativos, começar a respirar fundo, para acalmar. Até ao próximo dia 22 será um descanso para todos, incluindo para quem faz Tomar a dianteira. Se tudo correr bem. SE tudo correr mal, estará resolvido de vez o problema da má-língua, que tem vindo a impedir a tradicional harmonia entre os tomarenses e, sobretudo, o notável progresso local.
Façam o favor de gozar mais esta folga, mas tratem de não abusar. Tomámos a dianteira para evitar a enxurrada de Julho-Agosto, conscientes de que até 2013 ainda há muita escrita para fazer, pelo que importa evitar o mofo, limpar as teias de aranha e caminhar sempre pelo menos meia hora à frente do futuro.

Saudações cordiais para todos,

Tomar a dianteira

sábado, 26 de dezembro de 2009

SEBASTIANISTAS SERÔDIOS

D. Sebastião, rei de Portugal - Fundación Casa de Alba - Sevilha
Os tomarenses e outros habitantes da urbe que continuam pacatamente calados, à espera que o próximo ano venha a ser melhor do que este, bem podem mudar de ideias. Ou de terra, que ainda será melhor. Para que isso fosse possível, seria necessário que os senhores autarcas da circunstancial maioria 3+2 soubessem o que é preciso, o que querem e como lá chegar. Infelizmente tal não parece ser o caso. Factos recentes e convergentes indiciam mesmo o contrário.
Enquanto noutras cidades, com problemas igualmente graves (Santarém, por exemplo, que está à beira da falência), o orçamento para 2010 já foi elaborado, debatido e aprovado no executivo; discutido e votado favoravelmente, na assembleia municipal, aqui em Tomar ainda nem sequer está feito. Os senhores que nos governam parecem aguardar mais dias de nevoeiro, esperançados que talvez D. Sebastião... Como não quero que lhes falte nada, aqui lho deixo, com 18 anitos. Ainda a tempo de ser educado "à tomarense" -instalar-se à mesa do orçamento e esperar que outros vão fornecendo o indispensável.
Entretanto, instigados pelas bem remuneradas agências de comunicação, os edis lá vão fornecendo, aos semanários habituais porta-vozes da maioria, o pouco que há para dizer, e mesmo assim bem espremido. A semana passada foi o pedido de viabilidade de mais uma residencial na Corredoura. Esta semana temos direito à monitorização da qualidade do ar em 2010 e à rede de águas e esgotos na Pedreira. Como são assuntos visivelmente de lana caprina, os coitados dos jornalistas lá foram mais uma vez forçados a puxar pelo bestunto, tentando transformar tordos magros em perús gordos. Assim, enquanto num dos jornais somos informados que as obras da Pedreira já estão concluídas a 36 %, no outro há bastante mais factos dignos de menção. Ei-los: O presidente visitou as obras apesar de estar a chover, as obras estarão prontas no fim do próximo ano e, imaginem os leitores !, as obras incluem a repavimentação das vias e a construção de valetas. Não é mesmo extraordinário ?
Quanto ao facto de, uma vez as obras prontas, os pedreirenses terem de começar a desembolsar no mínimo, a preços actuais, 15 euros por mês (2,5 de água e o restante de taxas várias), o que vem dar 30 e tantos contos anuais, isso pode esperar.
Enquanto isto, os dirigentes das muitas associações culturais e desportivas do concelho foram convocados recentemente para uma reunião, "de trabalho", pois claro ! Diz quem participou que a dita durou duas horas bem medidas, e que nunca ouviu tanta banalidade e tanta palermice junta. Quanto ao senhor vereador da cultura, que presidia, esclareceu logo de início que estava para ouvir. Supõe-se que tendo em vista o tal orçamento para o próximo ano. Foi um balde água fria para alguns dos presentes que, imagine-se, também tinham vindo para ouvir. Infelizmente, segundo relataram mais tarde, não ouviram nada de aproveitável. E da boca do respeitável autarca então, nem uma para a caixa das almas. É o que vos digo: Vamos ter um rico ano novo !

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

TEMPOS DIFÍCEIS. TEMPOS DE ANGÚSTIA ?

Este terreno, ali na estrada do Convento, pomposamente baptizada "Avenida do Dr. Vieira Guimarães", é da Câmara. Foi-lhe doado em 1976, pela Família Madureira, conjuntamnente com o do lado oposto, onde agora se lembraram de fazer um parque de estacionamento em terra batida, para 32 automóveis. Desde então ao abandono, o seu aspecto indica que vai finalmente servir para qualquer coisa. A espessa cobertura vegetal parece indicar que vamos ter ali uma reserva natural troglodita. Os linces ibéricos virão de Espanha. Os trogloditas já cá estão.


Instalada no Mouchão desde os tempos do Imperador Paiva, esta casinhota modernaça continua a intrigar os tomarenses. Mini-biblioteca ? Quiosque ? Apoio a uma esplanada que há-de vir ? Mictório para utentes exibicionistas ? Simples expediente para sacar mais uns fundos europeus ? Ninguém sabe ao certo, porque ninguém até agora julgou útil explicar ao rebanho nabantino. Que também não se queixa. O costume.
Certo é que, tal como no caso da onerosa "fonte cibernética", ou dos candeeiros da Rua Infante D. Fernando e travessas adjacentes, uma vez pagas as mercadorias e as respectivas instalações nos locais, agora há que ir pensando em pagar a respectiva remoção e o transporte. Que ricos administradores que nós arranjámos !



Após discussões e mais discussões na executivo e na assembleia municipal, era mesmo o que o mercado necessitava com mais urgência -uma iluminaçãozinha de natal. Como todos sabemos, o local é muito frequentado à noite, sobretudo por turistas, a energia está baratíssima, Portugal produz electricidade a rodos e a baixo custo, a Câmara nem sabe o que há-de fazer a tanta receita. Nestas condições, percebe-se tanto a decisão de iluminar como a escolha de centenas de lâmpadas incandescentes, justamente as que mais consomem. A União Europeia até já proibiu a sua venda, mas esses são não só uma cambada de pobretanas, como ainda por cima uns unhas de fome. No fim de contas, que diferença fazem mais umas centenas ou menos umas centenas de lâmpadas incandescentes acesas toda a noite ? Não são sempre os mesmos a pagar ? Perdido por cem, perdido por mil !
Não terá sido por acaso que o nosso vereador da cultura, senhor Luís Ferreira, cogitou no seu blogue, no passado dia 19, as substantivas frases seguintes: "No jantar de Natal da Câmara. Respira-se bem. Para o ano como será ?"
Aqui há duas décadas, foi exibido no cine-teatro um excelente filme americano intitulado em português "Angústia para o jantar". Querem ver que então como agora...

quarta-feira, 1 de julho de 2009

INÉRCIA IDEIAS, VALORES E CRÍTICA

Numa cidade como a nossa, onde tudo indica que continua a imperar o improviso, o desengomanço, o desenrascanço, o logo se vê, ou o dá-se-lhe um jeito, esta pequena notícia do PÚBLICO permite perceber que até os nossos patrícios brasileiros já concluíram que, sem ideias, não se consegue ir a a lado algum. Excepto para o abismo, para a decadência, ou para a miséria... Vai daí, gente humilde, prática e desprovida de ridículas arrogâncias, vão buscar as competências onde elas estão. Neste caso, na Universidade de Harvard, USA. Se até o presidente Lula da Silva, antigo operário metalúrgico, já entendeu, que levará os portugueses em geral, e os tomarenses em particular, a continuarem a aguardar que a realidade se adapte à sua visão do mundo, o que, naturalmente, nunca vai ocorrer? Se de cada vez que saíram de casa às nove, para apanhar o comboio das oito, ficaram sempre em terra, aguardam o quê para mudar de hábitos?
Sem planos, sem projectos, sem guiões, sem folhas de estrada, sem programas, chamam-lhes como quiserem, não é fácil realizar o que seja, pois nem sequer se sabe para onde se caminha. Sucede que, para elaborar qualquer um dos documentos acabados de citar, há necessidade prévia de definir e escolher objectivos, bem como de encontrar ideias novas, realistas e fecundas. A dificuldade maior reside na raridade de pessoas com capacidade criadora, inovadora. Afinal, a inteligência pode-se educar e tentar desenvolver. Mas é impossível aprender a ser inteligente. Ou se é ou não.
Ideias novas, fecundas e realistas, só se conseguem com alguma inspiração e muita "transpiração". Implicam, necessariamente, o conhecimento prévio e actualizado das opiniões e valores largamente partilhados pelos portugueses. Esta ilustração, retirada do PÚBLICO, mostra que apenas dois desses valores são comuns a mais de metade dos cidadãos -a paz e a liberdade. Seguem-se a Justiça, o respeito pelo vida, a honra/honestidade. Curiosamente, a harmonia social aparece em último lugar (em cima, no gráfico), o que parece indicar uma cada vez maior disponibilidade para reivindicar. Sinal dos tempos.

"Mas há mais: a comunicação social portuguesa tem pouca qualidade. Há excepções e delas falaremos, mas a regra é outra. E como há pouca crítica, pouca controvérsia, demasiados silêncios, não se separam as águas." Quem escreve assim ? Algum perigoso esquerdista? Um daqueles ideólogos do Bloco de Esquerda, anterior maoista ou trotsquista? Um anarquista?
Simplesmente o conhecido escritor e comentador social-democrata José Pacheco Pereira (blogue Abrupto, 29/06/09). "A loira do PSD", segundo o presidente Menezes da câmara de Gaia. Se tivesse um jornal, uma estação de rádio, ou uma televisão, começaria a tentar tomar providências, no sentido de melhorar substancialmente o produto oferecido ao público. Porque quando até o centro-direita começa a lastimar-se, as situação não é nada confortável para quem vive da informação...

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

O PS/TOMAR E AS IDEIAS NOVAS

Mesmo encardida e sem o indispensável acento agudo em
musicólogo, a placa toponímica lá está. Não muito longe da
outra com "Rua Dr. Lopo Dias de Sousa". Coitado do ilustre
Mestre da Ordem de Cristo! Passar assim de D. a Dr. é
passar da nobreza para os plebeus remediados. Estes
republicanos não respeitam nada nem ninguém!
Redacção de tomaradianteira
QUE BEM PREGA FREI TOMAZ...
"Ideias novas, precisam-se", declarou Alberto Martins, lider parlamentar do PS, aquando da assinatura de um acordo dos deputados socialistas com a Fundação Res Publica, que visa fundamentar o debate de ideias, tendo em vista o próximo ciclo eleitoral. (DN, 19/02, pág.17). Outro parece ser o entendimento do PS/Tomar sobre esta mesma questão, pelo menos de acordo com uma declaração de voto para a acta, feita por Carlos Silva na reunião camarária de 17 do corrente. Disse aquele vereador socialista que "Tem sido esta a prática sectária da maioria PSD, que dá às propostas, opiniões e contributos do PS um tratamento de negação, mas quando "travestidas" por si próprio ou por outros, já passam a ser boas propostas, opiniões ou contributos.
Nesse sentido, deixarei a partir de hoje e até que tal atitude seja alterada, de votar favoravelmente qualquer proposta apresentada pelo PSD ou que conte com o seu voto favorável." (O sublinhado é do sr. vereador).
Noutros termos, de acordo com o citado autarca, os socialistas nabantinos até têm muitas ideias novas e apresentam-nas, mas a maioria PSD reprova-as, vindo mais tarde a apresentá-las e a
aprová-las, depois de lhes "ter dado a volta". Pode até subentender-se, a partir de "...ou por outros" e "...ou que conte com o seu voto favorável", que os IpT são coniventes e mesmo, por vezes, beneficiários desta condenável prática do PSD local, segundo o eleito socialista.
Tem toda razão o sr. vereador Carlos Silva, bem como aqueles militantes que o aconselharam a apresentar o dito protesto, bem como a dar-lhe uma redacção apresentável. Não se admite que, mais de 30 anos após o 25 de Abril, forças políticas responsáveis continuem a saquear as ideias alheias, apresentando-as posteriormente como suas, num claro abuso de liberdade e de fingida ignorância da propriedade moral e intelectual. Tal como o dinheiro e tudo o resto, salvo os elementos naturais, as ideias têm dono e essa propriedade deve ser sempre respeitada. Tanto mais que, quanto às ideias, é muito fácil apropriar-se das alheias. O problema é levá-las à prática de forma adequada...
Infelizmente para os socialistas locais, a realidade parece não ser assim tão contrastada, como se passa a demonstrar. Em 13 de Janeiro p.p., tomaradianteira publicou um trabalho, ilustrado com fotografias, sob o título genérico "Mazelas tomarenses - trapalhadas" e o subtítulo "Favela no Bairro das Flores?". Duas semanas mais tarde, em 25 do mesmo mês, o blogue do PS/Tomar publicou um trabalho intitulado "Centro histórico de Tomar em degradação", igualmente ilustrado com fotografias do Bairro das Flores, mostrando as ruas por pavimentar, em vez de imóveis degradados, como o título parecia indicar. Simples coincidência? Admitamos.
Em 21 de Janeiro, tomaradianteira publicou outro trabalho intitulado "Mazelas tomarenses -Ruas e caminhos - Rua Lopes Graça", ilustrado com fotografias e assinado por Cão Tinhoso, tal como o anterior. Nele se chamava a atenção dos tomarenses e da autarquia para o estado lastimável do prolongamento da citada rua até à Av. Mello e Castro. Justificava-se até o alerta com a transferência da PSP para as suas novas instalações e a necessidade de se deslocarem com frequência ao hospital.
Três semanas mais tarde, na reunião camarária de 17 do corrente, o vereador socialista apresentou uma proposta onde considera que "é do interesse público que sejam terminados os 150 metros da via urbana" que ligam a Rua D.Lopo Dias de Sousa à Av. M. L. Mello e Castro. Que Carlos Silva nem lá foi, é óbvio. Caso contrário saberia que se trata, na verdade, do prolongamento da Rua Fernando Lopes Graça. (Ver foto) Temos portanto mais uma coincidência? É possivel. Mas, além de começarem a ser coincidências excessivas, o mais aconselhável, legal e educado será indicar sempre a fonte, como fazem os outros órgãos de informação, quando nos citam. Até porque não cobramos direitos de autoria e assim se evitará que possamos dizer, com inteira propriedade, como agora, "Que bem prega Frei Tomaz. Façam o que ele diz. Não olhem para o que ele faz."
Em linguagem chã, para não deixar dúvidas eventuais. É bonito criticar o PSD por saquear ideias. Perde muita força, quando se sabe que quem critica faz exactamente o mesmo.