
Mesmo encardida e sem o indispensável acento agudo em
musicólogo, a placa toponímica lá está. Não muito longe da
outra com "Rua Dr. Lopo Dias de Sousa". Coitado do ilustre
Mestre da Ordem de Cristo! Passar assim de D. a Dr. é
passar da nobreza para os plebeus remediados. Estes
republicanos não respeitam nada nem ninguém!
Redacção de tomaradianteira
QUE BEM PREGA FREI TOMAZ...
"Ideias novas, precisam-se", declarou Alberto Martins, lider parlamentar do PS, aquando da assinatura de um acordo dos deputados socialistas com a Fundação Res Publica, que visa fundamentar o debate de ideias, tendo em vista o próximo ciclo eleitoral. (DN, 19/02, pág.17). Outro parece ser o entendimento do PS/Tomar sobre esta mesma questão, pelo menos de acordo com uma declaração de voto para a acta, feita por Carlos Silva na reunião camarária de 17 do corrente. Disse aquele vereador socialista que "Tem sido esta a prática sectária da maioria PSD, que dá às propostas, opiniões e contributos do PS um tratamento de negação, mas quando "travestidas" por si próprio ou por outros, já passam a ser boas propostas, opiniões ou contributos.
Nesse sentido, deixarei a partir de hoje e até que tal atitude seja alterada, de votar favoravelmente qualquer proposta apresentada pelo PSD ou que conte com o seu voto favorável." (O sublinhado é do sr. vereador).
Noutros termos, de acordo com o citado autarca, os socialistas nabantinos até têm muitas ideias novas e apresentam-nas, mas a maioria PSD reprova-as, vindo mais tarde a apresentá-las e a
aprová-las, depois de lhes "ter dado a volta". Pode até subentender-se, a partir de "...ou por outros" e "...ou que conte com o seu voto favorável", que os IpT são coniventes e mesmo, por vezes, beneficiários desta condenável prática do PSD local, segundo o eleito socialista.
Tem toda razão o sr. vereador Carlos Silva, bem como aqueles militantes que o aconselharam a apresentar o dito protesto, bem como a dar-lhe uma redacção apresentável. Não se admite que, mais de 30 anos após o 25 de Abril, forças políticas responsáveis continuem a saquear as ideias alheias, apresentando-as posteriormente como suas, num claro abuso de liberdade e de fingida ignorância da propriedade moral e intelectual. Tal como o dinheiro e tudo o resto, salvo os elementos naturais, as ideias têm dono e essa propriedade deve ser sempre respeitada. Tanto mais que, quanto às ideias, é muito fácil apropriar-se das alheias. O problema é levá-las à prática de forma adequada...
Infelizmente para os socialistas locais, a realidade parece não ser assim tão contrastada, como se passa a demonstrar. Em 13 de Janeiro p.p., tomaradianteira publicou um trabalho, ilustrado com fotografias, sob o título genérico "Mazelas tomarenses - trapalhadas" e o subtítulo "Favela no Bairro das Flores?". Duas semanas mais tarde, em 25 do mesmo mês, o blogue do PS/Tomar publicou um trabalho intitulado "Centro histórico de Tomar em degradação", igualmente ilustrado com fotografias do Bairro das Flores, mostrando as ruas por pavimentar, em vez de imóveis degradados, como o título parecia indicar. Simples coincidência? Admitamos.
Em 21 de Janeiro, tomaradianteira publicou outro trabalho intitulado "Mazelas tomarenses -Ruas e caminhos - Rua Lopes Graça", ilustrado com fotografias e assinado por Cão Tinhoso, tal como o anterior. Nele se chamava a atenção dos tomarenses e da autarquia para o estado lastimável do prolongamento da citada rua até à Av. Mello e Castro. Justificava-se até o alerta com a transferência da PSP para as suas novas instalações e a necessidade de se deslocarem com frequência ao hospital.
Três semanas mais tarde, na reunião camarária de 17 do corrente, o vereador socialista apresentou uma proposta onde considera que "é do interesse público que sejam terminados os 150 metros da via urbana" que ligam a Rua D.Lopo Dias de Sousa à Av. M. L. Mello e Castro. Que Carlos Silva nem lá foi, é óbvio. Caso contrário saberia que se trata, na verdade, do prolongamento da Rua Fernando Lopes Graça. (Ver foto) Temos portanto mais uma coincidência? É possivel. Mas, além de começarem a ser coincidências excessivas, o mais aconselhável, legal e educado será indicar sempre a fonte, como fazem os outros órgãos de informação, quando nos citam. Até porque não cobramos direitos de autoria e assim se evitará que possamos dizer, com inteira propriedade, como agora, "Que bem prega Frei Tomaz. Façam o que ele diz. Não olhem para o que ele faz."
Em linguagem chã, para não deixar dúvidas eventuais. É bonito criticar o PSD por saquear ideias. Perde muita força, quando se sabe que quem critica faz exactamente o mesmo.