Este não é um texto do primeiro de Abril. Infelizmente as fotos são como o algodão do anúncio -não enganam.
Antes do 25 de Abril, um pouco por todo o país, alguns intelectuais iam insinuando, nos cafés, que tinham rascunhos na gaveta, coisas de grande qualidade, mas que a censura... Meses e anos depois constatou-se que, na esmagadora maioria dos casos, tratava-se apenas de basófia mal arrumada. O mesmo parece ter sucedido com os fundos europeus. Antes, os autarcas e os governantes diziam querer fazer isto e mais aquilo, mas não terem dinheiro. E é verdade que até para concluir a A 1, Lisboa-Porto, foram necessárias verbas de Bruxelas, o que mostra bem a nossa real capacidade governativa. Conseguidos os fundos europeus com abundância, é o que se pode ver por esse país fora e aqui em Tomar. Afinal ninguém tinha planos devidamente articulados e programados no tempo. Na melhor da hipóteses, apenas obras desgarradas, algumas de utilidade muito duvidosa.
Aqui em Tomar, as fotografias são elucidativas: em qualquer dos casos, obras ou arranjos cuja utilidade não é conhecida. O horrivel paredão e respectivo talude, além de já terem provocado acidentes graves, e de causarem graves transtornos a quem por ali mora, trabalha ou se diverte, não servem rigorosamente para nada, senão para "encher o olho" dos papalvos. Essa história de protecção contra as cheias, não passa disso mesmo, uma história. Como se poderá constatar quando ocorrer uma inundação superior à média, as águas entrarão por aquele vão entre a Ponte Nova e a Moagem, como sempre aconteceu, por ser a zona mais baixa em relação à antiga muralha, agora tapada pelo paredão. Ainda que tentem remediar tal mazela, de nada servirá, pois a água entrará pela Levada, como também sempre tem acontecido, e assim sucessivamente...
Acresce que, em mais de 50 anos, o rio galgou as margens na zona urbana 3 vezes. Valerá a pena tanta preocupação, ou trata-se apenas de obras para inglês ver e pouco mais?
Com a nova ponte Mouchão-ex-Estádio acontece o mesmo. Sobre-elevada em relação às margens, esteticamente ficou horrivel, obrigando a instalar rampas e escadas que são de arrepiar. Justificação técnica -trata-se de precaução contra as inundações. Cabe perguntar: quando o rio inundar o Mouchão, o que nunca aconteceu em mais de 50 anos, inundará também o ex-estádio, cujo nível é nitidamente mais baixo; sendo assim para que servirá a ponte estar mais alta? Para abrigar os patos? A velha ponte de madeira prestou mais de 40 anos de bons serviços, e só uma única vez foi parcialmente levada pela cheia. Na ausência de reclamações, resolveram substituí-la porquê? Para esbanjar dinheiro?
Ainda no Mouchão, um pouco mais a norte, ali onde havia as casas de banho, vê-se agora um lajedo e uma estranha construção modernaça, que ninguém sabe para que serve. Solário para namorados? Cabine telefónica avantajada? Redoma para futura estátua em tamanho natural de quem a mandou fazer? Ninguém sabe ao certo. Sabe-se é que resolveram deitar abaixo o muro de protecção com assentos, que por ali havia, substituindo-o por uma grade de fraca qualidade. É assim. Num sítio fazem una ponte bem acima das margens, por causa das cheias. Noutros sítios, como no Mouchão e no ex-Estádio, susbstituem por grades metálicas os antigos muros de protecção contra as mesmas cheias. Se alguém perceber, por favor esclareça-nos.
Há também o mistério do antigo "Banco dos Namorados". Aquando da infeliz remodelação do Mouchão, resolveram acabar com ele, tendo até vedado o respectivo acesso pedonal e impedido assim o desfrute do belo panorama citadino. Porquê? Inveja? Ignorância? Insensibilidade? Ninguém sabe ao certo.
O deputado Miguel Relvas, mentor do PSD local e regional, disse uma vez publicamente que o anterior presidente era um dos melhores autarcas do país. Uma de duas -ou exagerou muito fortemente, ou então coitados dos munícipes por esse país fora.













