segunda-feira, 20 de junho de 2011

É AGORA OU NUNCA!

Qual Santo António falando aos peixes, porque os homens o não queriam escutar, volto à carga. Referi no texto anterior que estamos no meio do rio e na hora da verdade, pelo que nos restam três hipóteses, duas boas e uma péssima. 
As boas consistem em provocar eleições intercalares no concelho, com ou sem a acção prévia, corajosa e determinada das forças políticas locais. A péssima é a mais confortável para todos. Aos instalados permite-lhes continuar a mamar enquanto vão procurando mobilar a evidente inacção, com paleio mais ou menos diplomático. À população em geral, porque quem anda à chuva molha-se, sendo sempre melhor manter-se abrigado enquanto dura a borrasca, saindo só quando o sol brilha. O pior é se não volta a brilhar como já soeu, diria o Camões.
Na sequência desse texto, fizeram-me duas perguntas, ambas muito oportunas e pertinentes: 1- Qual a vantagem de provocar uma eleição intercalar no concelho? 2 - Porquê agora, na hora da verdade, como escreveu?
1 - A primeira e principal vantagem da eleição intercalar é que teria cobertura nacional, o que obrigaria a apresentar finalmente planos tácticos e estratégicos dignos desse nome, em vez dos usuais pastelões incongruentes, plagiados e inoperacionais. A outra vantagem seria a possibilidade de clarificar enfim as águas demasiado pantanosas da política nabantina, onde já ninguém se entende ou sabe para onde vai.
2 - Agora é para a população do concelho a hora da verdade e a ocasião mais conveniente para voltar às urnas porque, pela primeira vez desde os tempos do general Fernando de Oliveira (que trouxe para Tomar o Mercado, o Estádio, o Bairro 1º de Maio, o Plano de Urbanização, o quartel etc. etc., porque tinha acesso directo a Salazar), temos um amigo da cidade no primeiro círculo do poder. Falo de Miguel Relvas, efectivo primeiro-ministro substituto. Tem apenas o mesmo lugar do Jorge Lacão, dirão os habituais pessimistas. Erro profundo, minha gente. Lacão nunca passou de moço de recados de Sócrates, tal como todos os outros ministros, excepto Campos e Cunha, que teve a coragem de bater logo com a porta, e Luís Amado, que nunca ligou ao que o ilusionista lhe dizia...)
Nestas condições, Tomar só não conseguirá ver aprovados os planos que não apresentar, uma vez que o presidente da Assembleia Municipal, por muito boa vontade que tenha, não pode despachar favoravelmente aquilo que não existe. Sendo igualmente indubitável que os instalados nas cadeiras do poder local tudo farão para manter cada qual a sua boca na teta orçamental, e tendo o PSD a certeza de vencer a próxima compita eleitoral sem grande esforço; ou a oposição e/ou a população passam à acção, ou está tudo estragado e espera-nos o habitual marasmo no nosso lento mas inexorável resvalar para a miséria.
Acresce que, como muito bem sentencia o povo, "primeiros chegados, primeiros servidos". Enquanto houver, bem entendido. Se ficarmos, como de costume, à espera da vinda de um salvador, quando e se chegarmos a acordar já outros terão deixado apenas os ossos... 
Aqui fica o alerta, que sem tropas não posso travar batalhas.

domingo, 19 de junho de 2011

NO MEIO DO RIO E NA HORA DA VERDADE

Angústia, desalento, desorientação. Eis os termos que no meu entendimento melhor caracterizam o momento político tomarense. O que se compreende. Numa terra cujos habitantes são maioritariamente conservadores e singularmente alérgicos às novidades, tudo mudou demasiado depressa nos últimos tempos. Demitiu-se e foi depois vencido o genial criador de conteúdos que nos governou durante seis longos anos; pediu-se ajuda externa; Anabela Freitas deixou de ser deputada. Miguel Relvas será, a partir de terça-feira, de facto o primeiro-ministro bis; há um novo governo que é novo em tudo -o mais pequeno, o mais jovem, o com mais independentes, o que foi formado mais rapidamente, o que mais esperança suscita; tendo em conta a receita da troika, vislumbra-se ser muito desagradável para todos o que aí vem.
A isto há que juntar o evidente malogro da coligação local, a desilusão de Vitorino, a baralhação de Luís Ferreira, a confusão dos IpT e a inacção do PSD. Além do mais grave, que é o alheamento duradouro de Miguel Relvas, tradicional seleccionador das equipas locais laranja, doravante totalmente ocupado com as suas novas funções, que fazem dele na prática o número dois do governo, tal como previ aquando da primeira emissão "À Mesa do café".
Outro indício da doentia atmosfera política nabantina, é que aumentam em Tomar a dianteira os comentários da "geração parva", cuja parvoíce é cada vez mais boçal. Lamenta-se, mas é assim. E só se publicam as mensagens mais moderadas... Os seus infelizes autores nem sequer se dão conta de que, com tais textos, apenas confirmam aquilo que aqui tenho dito: muitos tomarenses não passam afinal, em termos políticos, de labregos sul-americanos trajados à europeia.
Nesta envolvência, com Vitorino a queixar-se de que pediu uma fotocopiadora há mais de seis meses, mas que alguém se anda a esquecer (serei eu?), Luís Ferreira a virar bombeiros contra bombeiros e quase todos contra ele, os IpT a proclamarem umas coisas, fazendo logo a seguir o inverso, e o microcosmo laranja local muito preocupado com a eventual demissão de Corvêlo de Sousa, a substituir por Carlos Carrão, como se tal hipótese tivesse qualquer relevância ou viesse resolver o que quer que seja, antevejo apenas três saídas possíveis, uma péssima e duas boas.
Mesmo sabendo que os tomarenses são como são, tendo em conta os recentes movimentos de indignação, tanto na Europa como nos países árabes, bem como o facto de a esperança ser a última coisa a morrer, continuo a considerar a hipótese de um ordeiro mas enérgico e determinado movimento popular, capaz de impor a renúncia dos actuais membros do executivo, provocando assim uma eleição intercalar, como a melhor hipótese para o concelho de Tomar. Estamos com efeito no meio do rio, a meio mandato, sendo agora evidente que PSD, PS e IpT mentiram aos eleitores, pois nunca tiveram nem têm qualquer programa de trabalho digno desse nome. Estão  portanto exaustos politicamente, pelo que uns fingem, outros simulam, outros empatam, quase todos tendo como único objectivo as variadas benesses dos lugares, que por isso e só por isso urge manter.
Sendo pouco provável tal tipo de acção política, outra hipótese será um rápido acordo PS/IpT, pelo menos tácito, comunicando ao presidente que futuramente não aprovarão mais deliberações, tanto no executivo como na AM, pelo que o melhor será renunciarem todos. Também não será fácil, tendo em conta o observado até aqui, mas seria uma via elegante para ultrapassar a presente situação trágico-cómica.
Enfim, na ausência de uma das soluções anteriores, restará ao eleitorado concelhio continuar a assistir ao triste espectáculo em cena desde Janeiro de 2010, até finais de 2013.
Tanto quanto consigo vislumbrar, nessa altura é bem capaz de haver grande escassez de candidatos, tão grave será a calamidade local e a tragédia nacional. E o PSD vencerá mesmo assim, uma vez mais, caso luisferreiristas e pedromarquistas continuem a candidatar-se em listas separadas. É o que temos, mas o nosso futuro é negro!

CONTINUANDO A MALHAR EM FERRO FRIO...







São já muitas as vezes em que aqui temos apelado, no sentido de a autarquia começar finalmente a honrar as funções que lhe cabem. No mínimo, dotando a cidade com uma sinalização coerente e capaz. Para turistas a pé, de bicicleta, de automóvel ou em autocarro. Ou para visitantes com outros objectivos, como o de investir, por exemplo. Até agora, apesar da persistência, o resultado é nulo. Ainda assim, seguindo a proclamação de certa fadista, "Cantarei até que a voz me doa!".
Aqui ficam mais alguns exemplos de sinalização turística, em cidades com património da humanidade, como a nossa: Génova, Ferrara, Ravena, Milão...
Destaque para a eficiência, clareza de objectivos e capacidade de antecipação de Ravena (com uma igreja do século VII muito semelhante à nossa Charola, do século XII). Oito anos antes, já têm a cidade inundada de cartazes, difundindo a sua candidatura a Capital Europeia da Cultura em 2019. Até parece que estamos em Tomar. Onde a programação é de tal modo excelente que, por ocasião da Festa dos Tabuleiros, não haverá acessos pedonais capazes ao principal monumento, nem parques de estacionamento à altura, devido a inoportunas obras... Mais palavras para quê? São artistas portugueses! Uma espécie de rústicos sul-americanos, trajados à europeia...

sábado, 18 de junho de 2011

DINHEIRO MAL GASTO...

Foto Rádio Hertz (modificada)

Na edição de hoje do programa "À mesa do café", uma iniciativa conjunta Rádio Hertz/Tomar a dianteira, o convidado foi António Rodrigues, presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria dos Olivais. Já no terceiro mandato como autarca  eleito em listas do PSD, quando questionado sobre os principais problemas da maior freguesia do concelho em termos populacionais, referiu a falta das máquinas para a manutenção das vias e o saneamento nalgumas zonas periféricas.  Citou nomeadamente Palhavã, Marmelais e o Alvito. Insuspeito de ser anti-PSD, o autarca confirmou assim aquilo que aqui tem sido referido bastas vezes, na tentativa até agora vã de acabar com a geral indiferença dos eleitores nabantinos: a câmara esbanjou e continua a esbanjar milhões, em obras de discutível utilidade (Rotunda, Mata, ex-estádio, pavilhão, campos de ténis, etc) e agora não dispõe de verbas para acudir à necessidade básica que é o saneamento, designadamente em áreas arrabaldinas da principal freguesia urbana. Como se tais dislates não bastassem, têm-se sucedido nos últimos tempos as deliberações do mesmo tipo -400 mil euros para a segurança dos dois parques de estacionamento, 200 mil euros para o boletim municipal de propaganda, 350 mil euros para os transportes urbanos, onde cada passageiro paga 200 escudos = 1 euro por viagem, mas dá um prejuizo de 260 escudos = 1,29, segundo as contas do vereador Luís Ferreira. Temos assim viagens urbanas de autocarro a 460 escudos cada passageiro = 2,29 euros, só para cobrir os custos. Gente rica é outra coisa!
Ensimesmados, indiferentes, mas alegres, os tomarenses devem estar convencidos de que vai ser possível suportar tal despautério até ao final de 2013. Aguardemos...

Manda a verdade dizer que, em matéria de despesas desconchavadas, o executivo tomarense tinha um excelente exemplo no governo PS, que agora termina -finalmente!- a sua atribulada carreira. O gráfico supra, copiado da revista L'EXPRESS de 1 deste mês, que cita a JANE'S DEFENSE, mostra uma curiosa infografia de barras, até agora nunca reproduzida na imprensa portuguesa: a evolução dos orçamentos de defesa/despesas militares de vários países, até 2015, divididos em dois grupos. Os das barras acima da linha tencionam aumentar essas despesas. Os outros, das barras abaixo da linha, dimuí-las. No grupo das nações que vão reduzir as despesas militares, temos, da esquerda para a direita, em sentido percentual ascendente, Espanha, Japão, França, Itália, Holanda, Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, Grécia e Áustria, com este último país a prever uma redução da ordem dos 30%.
Também em sentido percentual ascendente, mas da direita para a esquerda e em termos de aumentos previstos, aparecem Dinamarca, Canadá, Irão, Austrália, Paquistão, Noruega, Portugal, Egipto, Argélia, Polónia, Israel, Síria, Arábia Saudita, Rússia, Turquia, Qatar, Venezuela, Malásia, Índia, Indonésia, Argentina, Brasil e China.  Portugal aparece assim muito bem acompanhado e com uma previsão de aumento das despesas militares da ordem dos 25%. Agora só falta apurar onde tencionava o governo Sócrates conseguir recursos para tão estranha opção. Ele há coisas do arco da velha! Um país na miséria procurando imitar outros com petróleo. Nunca o diabo vira antes semelhante coisa! E a comunicação social portuguesa a fingir que não sabe de nada...

O CAMINHO QUE ELES JÁ PERCORRERAM...


O meu prezado amigo e conterrâneo Hugo Cristóvão, honrado e promissor presidente do PS local, regressou de uma visita à Rússia. De lá trouxe esta foto, publicada no seu blogue alguresaqui, que tomo a liberdade de reproduzir, com a devia vénia e os meus agradecimentos. Não por qualquer opção ideológica, ou para insinuar que o nosso estimado deputado municipal se está a passar pela calada mais para a esquerda. Apenas para assinalar o caminho já percorrido por muitos cidadãos do centro político da ex-União Soviética, onde o partido/estado tudo decidiu, no seio do comité central, durante setenta anos.
Com o advento da glasnost e da perestroika, que devemos ao corajoso Gorbachov -um genuino produto do sistema- os russos cometeram e continuam  a cometer muitos erros, mas têm sabido também adaptar-se rapidamente à vida numa sociedade de livre iniciativa. Em vez de continuarem à espera que seja o partido, o estado ou o poder regional e local a desenvolver a economia, a investir, a criar postos de trabalho (e não empregos!), a gerar riqueza, procuram por todos os meios ao seu alcance cumprir aquele adágio segundo o qual "o caminho faz-se andando". Por toda a parte, há iniciativas particulares tendo em vista ganhar a vida de forma limpa, servindo os turistas, tanto nacionais como estrangeiros, desenvolvendo a economia e gerando valor acrescentado. Além deste recurso aos sósias, sempre vestidos à época e que cobram um preço fixo por cada foto, há também, por exemplo, em todas as igrejas, pequenos conjuntos corais (entre duas e cinco pessoas) que mal vêem entrar os turistas começam a cantar deliciosas melodias tradicionais, sobretudo de índole religiosa, após o que procuram vender os respectivos CD.
Noutros sítios, apesar da evidente falta de experiência, propõem as mais variadas opções. Recordo, como particularmente encantadora, aquela proposta da nossa guia, de um passeio no Volga, naturalmente com os célebres "Barqueiros do Volga" como fundo sonoro. Voltei com entusiasmo aos meus velhos tempos de tour-leader, recolhi as inscrições e o respectivo pagamento, após o que entreguei tudo ao homem do barco. Numa atitude que me desagradou, fez-nos logo passar à frente de mais de 200 outros turistas russos, que pacientemente aguardavam em ordenada fila, trazendo-me à memória os tempos idos, em que os "convidados" do partido eram prioritários por todo o lado. Seguiu-se o passeio de mais de uma hora, que "correu bem", para usar uma corriqueira expressão portuguesa, regra geral usada para mobilar a conversa. Eis senão quando, o tal homem do barco veio dar-me quatro garrafas de espumante da Crimeia (uma região russa), abraçando-me emocionado, "como agradecimento", disse-me a guia russa. O que já antes entendera ao ouvi-lo repetir, com evidente sentimento, spassiva, o obrigado russo... 
Já no autocarro, fiz um sorteio de duas das garrafas, que rendeu mais uns rublos para o par guia+motorista, entregando depois uma garrafa a cada um. "Se não tem sido o senhor, isto não tinha corrido nada bem", disse-me um dos companheiros de viagem, a dada altura líder de um grupo que, perante alguma inabilidade da guia, pretendia que fôssemos à embaixada portuguesa solicitar a imediata viagem de regresso a Portugal.
Perante o insólito caso de um grupo de portugueses a conspirar em plena Praça Vermelha, vi as coisas mal paradas, o que me levou a informá-los sobre a minha experiência turística anterior, propondo assumir as funções de tour-leader a título gracioso, assegurando assim as relações entre o grupo e a guia. Assegurei-lhes que, caso as coisas não melhorassem, iria então com eles, não à embaixada, mas ao consulado português, solicitar o imediato repatriamento. Aceitaram de bom grado a proposta, que propiciou alguns dias mais tarde o comentário acima reproduzido, pelo qual me penitencio, dado tratar-se de um evidente caso de imodéstia e auto-elogio.
Tudo isto, incluindo o referido elogio pro domus, para evidenciar e lamentar que aqui em Tomar ainda estejamos na fase das promoções, das festas, dos festivais, dos desdobráveis e das estátuas vivas, tudo pago com dinheiro dos impostos, que tanto falta faz noutros sectores.
O caminho que ainda nos falta percorrer, apesar de não termos vivido 70 anos num regime de partido único, de esquerda! O nosso só durou 48 anos e era, oficialmente, de extrema-direita! O História tem destas coincidências...

sexta-feira, 17 de junho de 2011

OU É DA MINHA VISTA...



Ou é da minha vista, ou há cada vez mais "gatos" na política local. A Festa Grande, que me merece todo o respeito e cujo debate sereno fica lá mais para diante (conforme prometido), vai realizar-se numa altura péssima para Tomar. Os acessos pedonais ao Convento estão praticamente inutilizáveis, transformando cada visitante apeado num potencial descontente; escasseia o estacionamento próximo  do monumento; continua a não existir adequada sinalização para turistas. Nestas condições, os mais de 100 mil euros já investidos ou  prometidos pela autarquia, serão praticamente dinheiro sem retorno.
Enquanto isto, soube-se através do blogue do vereador Luís Ferreira que os Transportes Urbanos de Tomar custaram aos contribuintes a bagatela de  312.785 euros em 2010 = 63 mil contos, para que 241 mil passageiros tenham podido percorrer a cidade de cu tremido. O que dá um prejuízo médio de 1 euro e 29 por pessoa. E este ano a folia continua. Só nos primeiros quatro meses já lá vão mais 106.788 euros  = 22 mil contos. Embora falte ainda apurar se nestas contas a autarquia incluiu todos os custos, desde já se pode perguntar onde tencionam conseguir recursos para honrar a cada vez mais volumosa dívida municipal.? Fica para os nossos filhos e netos pagarem ? E se não estiverem pelos ajustes? Não seria melhor debater quanto antes o assunto, tentando apurar se os utentes dos TuT estão dispostos a cobrir do seu bolso a totalidade dos custos, ou seja nesta altura 2 euros e 30 por cada pessoa e percurso? 
Como se não bastassem estas duas situações lamentáveis, na reunião de ontem tratou-se da questão do boletim municipal de propaganda, que também inclui uma "agenda cultural". Segundo noticia o site da Rádio Hertz,  o vereador Victorino, apesar de membro da coligação, bem alertou para a necessidade de reduzir custos. Defendeu até a ideia de suprimir a dita publicação, passando o seu conteúdo a ser difundido pela imprensa local, pelo menos até que se consiga ultrapassar a presente situação de crise. Foi "falar para o boneco", pois os IpT logo se manifestaram a favor da proposta da relativa maioria PSD: 183.600 euros = 36 mil 720 contos por 36 publicações durante os próximos 36 meses. Apesar de Pedro Marques ter referido que "O Boletim até já serviu quase de campanha eleitoral". Apesar de Corvêlo de Sousa confessar logo a seguir -"Custa-me desperdiçar este dinheiro, sem qualquer dúvida." Temos portanto que, em princípio e em virtude da deliberação agora aprovada, haverá boletim até Junho de 2013, ou seja meio ano além do final do actual mandato. Estará o PSD já a contar com o ovo no oviduto da galinha eleitoral? Temos também que o próprio presidente, apesar de reconhecer tratar-se de um desperdício, avançou galhardamente, tudo indica que pensando como de costume que alguém há-de pagar. Temos finalmente, que os IpT continuam a falhar nos momentos críticos, substituindo o PS na ingrata tarefa de engolir sapos, cobras e outra bicharada. Há algum tempo, num dos programas "À mesa do café", Pedro Marques afiançou que os IpT não serão bengala de ninguém. Vê-se! Tal como já se viu no caso ParqT.

TENTAR SACUDIR A ÁGUA DO CAPOTE

Alastram por essa Europa fora as manifestações de protesto da população mais jovem, todas sem enquadramento de qualquer organização partidária ou sindical. Sinal de que as estruturas tradicionais já fizeram o seu tempo. Reivindicações comuns -emprego com direitos, maior proximidade eleitores/eleitos, regalias sociais, combate à corrupção. Problema central: o que está não serve e por isso não se pode tolerar mais. Omissão em todos os casos: desaparecidas as condições internas e externas que tornaram possível a implementação do modelo social europeu, urge procurar e implementar algo que o possa substituir, de preferência vantajosamente; no mínimo sem desencadear incontroláveis convulsões sociais.
Por outras palavras, regra geral, cada qual procura conseguir, manter ou aumentar os direitos sociais, omitindo deliberadamente que, desaparecidas as suas fontes de sustentação, é exactamente o contrário que está em curso. Ao invés de ampliar regalias, todos os governos europeus envidam esforços no sentido de as reduzir tanto quanto possível. Mesmo no quadro das contribuições e impostos, já se fala no nosso país em reduzir a TSU, actualmente nos 25%, quando ainda há poucos meses a Comissão Europeia insistia com o governo irlandês no sentido de  aumentar consideravelmente a sua, que é de 12%, constituindo um dos principais incentivos para atrair empresas estrangeiras.
Outro tanto ocorre com as taxas de IRS, com cada vez mais especialistas a propor no mínimo uma maior aproximação ao "modelo plano" (taxa igual para todos), o que faz todo o sentido. Com a informatização a tornar quase impossível a fraude, torna-se difícil justificar que quem mais ganha deva pagar duplamente mais, uma vez que, se já com a "taxa igual para todos" isso sucederia, com as taxas progressivamente mais altas, a discriminação é ainda mais evidente, já que as chamadas regalias sociais são iguais para todos. Gozadas por todos, são pagas por cada vez menos. E como agora até já se fala em obrigar os agregados familiares de maiores rendimentos  a pagar a assistência médica e hospitalar, por exemplo, faz cada vez mais sentido perguntar: IRS a taxas crescentes, consoante o escalão de rendimento familiar? Com regalias iguais para todos os cidadãos, mesmo para os que nunca pagaram nem pagam, porquê e para quê? Onde está a justiça fiscal e social quando muitos não pagam, alguns pagam 20%, outros 32% e outros ainda mais de 40% do seu rendimento anual ilíquido? Para beneficiar de quê, uns em relação aos outros? Havendo o sacrossanto princípio "A trabalho igual, salário igual", porque não a direitos sociais iguais, taxas de IRS iguais?