domingo, 4 de setembro de 2011

A cidade dos muros e os indiferentes...













Em Tomar, ao princípio não era o verbo. Eram as muralhas do castelo e as da torre de defesa de Santa Maria. Quatro séculos depois foi o muro da Cerca Conventual, hoje Mata dos Sete Montes. E assim se manteve durante séculos. Vieram os dinheiros europeus e foi a desgraça. Os muros de betão brotaram da terra, como cogumelos após as chuvas primaveris. Há-os para todos os gostos. ;Dos mais estrambóticos aos mais inúteis; dos mais feios aos mais inadequados. Todos bem à vista dos tomarenses, que continuam indiferentes. 
Convém por isso contar-lhes, ou recordar-lhes, aos tomarenses, bem entendido, que os muros não percebem os humanos, a clássica história, neste caso adaptada: Primeiro levaram os judeus, que controlavam o dinheiro e a riqueza. Como eu não era judeu, mantive-me indiferente. Depois levaram os ciganos, gente sem eira nem beira, nem profissão conhecida. Como eu não era cigano, mantive-me indiferente.  Mais tarde foram os aleijados, tudo gente incapaz de ganhar a vida. Como eu não era aleijado, mantive-me indiferente.Seguiram-se os homossexuais, gente de duvidosa moralidade. Como eu não era homossexual, mantive-me indiferente. Chegou então a vez dos loucos, pesados encargos para as respectivas famílias e para o estado. Como eu não era louco, mantive-me indiferente. Anarquistas e comunistas foram embarcados a seguir, por não concordarem com a ordem social vigente. Como eu não era anarquista nem comunista, mantive-me indiferente. Chegou finalmente a vez dos indiferentes, cada um deles mais útil transformado em sabão do que como cidadão. Tentei reagir fugindo, mas era demasiado tarde...

sábado, 3 de setembro de 2011

Uma explicação para tanta aselhice?


Peter Villax, vice-presidente e herdeiro da Hovione, uma multinacional com sede em Portugal,  que factura mais de 100 milhões de euros anualmente, não tem papas na língua. Em tempos irritou Sócrates, quando no final de uma conferência em que o então primeiro-ministro acabara de usar da palavra, se levantou e lhe disse: "Tenho um problema essencial consigo. Os seus actos não correspondem às suas palavras."
Agora concedeu uma entrevista ao jornal i, publicada na edição de 02/09/2011, da qual reproduzimos as seguintes passagens, com a devida vénia e os nossos agradecimentos. "Nós, por questões religiosas, não gostamos de trabalho. O trabalho foi o castigo por Adão e Eva terem cometido o pecado original. Hoje, o discurso extremou-se e o castigo tem de ser redimido com direitos e regalias sociais. Mas existe numa grande parte da nossa sociedade a ideia de que trabalhar -o menos possível!"... ... ...
"Temos torpedeado o ensino em Portugal nos últimos vinte anos. O nosso sistema de ensino -o ensino público- é o meio mais importante para enriquecer o país. Mas nós temos dito ao povo e aos seus filhos -"Não se preocupem com os exames, que nós passamo-los por vocês. O resultado está à vista."... ... ...
"Tem seis filhos, com idades entre os 11 e os 26 anos, que lhe permitem comparar o ensino português com o estrangeiro. Que comparação faz?" -"Desfavorável para o ensino português, que privilegia a resposta correcta e não o raciocínio. Não há raciocínio livre; não há desenvolvimento do raciocínio. Os exames portugueses do 12º ano são uma dezena de perguntas, em que cada uma vale X pontos. O exame do baccalauréat francês [que equivale ao nosso 12º ano] consta de uma pergunta, a escolher entre três, com quatro horas para responder. O que é muito mais desafiante para o aluno e para o professor, que vai ter de classificar um trabalho de seis páginas, em que avalia o aluno não pela correcção da resposta, mas pela originalidade, pela capacidade de raciocínio, pela capacidade de citar autores e pela cultura geral..."
"Com o ensino superior é diferente? -Todos os meus filhos foram e irão para as universidades portuguesas. O ensino superior português é de elevadíssima qualidade. As nossas escolas de engenharia são das melhores do mundo. O Instituto Superior Técnico é uma das melhores escolas de engenharia do mundo. E eu sei, porque temos na Hovione engenheiros vindos das melhores escolas do mundo."
De maneira que, na óptica de Villax, somos bons no ensino superior, sobretudo nas escolas de engenheiros, bem como a dar respostas correctas. Mas quanto a raciocínio...esperem aí um bocadinho que já volto. Eis uma eventual explicação pertinente para tanta aselhice, tanta teimosia, tanta incapacidade de adaptação ao mundo novo, tanta falta de políticos com coluna vertebral...e de cidadãos à altura da designação genérica. Pode ser que um dia consigamos começar a mudar. Mas por enquanto...

Corrigindo erros intencionais...

Foto 1 -  A escavação, vista no sentido noroeste/sudeste


Foto 2 - A escavação, vista no sentido nordeste/sudoeste. No solo e no primeiro plano, as pequenas estacas indicam a linha de implantação do muro, a mais de um metro do talude escavado. Para quê?

 Foto 3 - Pedra proveniente da escavação e despejada num terreno junto à Estrada do Casal do Láparo, sem qualquer espécie de protecção.
 Foto 4 - O muro de suporte em pedra aparelhada, feito aquando da abertura da estrada nacional, nos anos 30 do século passado.
Foto 5 - Vista da obra no sentido noroeste/sudeste. Do lado direito, a parte do alambor que escapou. Ao meio o enorme e estranho vazio entre a cofragem e o talude, a tornar indispensável o escoramento de tardoz. Para quê? Reparar na estaca-mestra, a indicar que a continuação do muro implicaria a destruição da parte inferior do alambor, a que se seguiria o resto, não fora a inicial denúncia de Tomar a dianteira e, sobretudo, a rápida e generosa ajuda dos portugueses de todos os cantos do país, desencadeada por Margarida Pardal. Bem hajam todos!

Foto 6 - O muro como está neste momento, visto de nascente para poente. Do lado esquerdo, convém notar que afinal o muro em vez de alargar, avançou um pouco em relação ao seu antepassado de 1930.
Foto 7 - A notícia da Hertz, a demonstrar que os jornalistas são involuntariamente influenciados pelas despudoradas tentativas de embuste dos principais responsáveis locais pelo desastre -a Câmara e o IGESPAR

Fotos 8 e 9 - Ampliações do desenho conhecido como da "Viagem de Cosme de Médici a Portugal", de 1619. À direita, a torre homóloga da de Dª Catarina, no extremo oposto. O alambor agora posto à vista será o indicado pela linha vermelha. Copiadas e ampliadas a partir do blogue THOMAR, a quem agradecemos.

O texto que segue foi originado pelo noticiário da Hertz, reproduzido na foto 7, com os nossos agradecimentos. Conheço os jornalistas da casa e sei por isso que procuram sempre ser honestos na medida do possível. Como acontece comigo. Os espanhóis têm uma expressão que me parece mais adequada à circunstância: honestos "hasta lo que cabe". Neste caso, o autor da notícia foi contaminado, sem disso se dar conta, pela vergonhosa campanha de intoxicação desencadeada e mantida por quem, pelo contrário, tinha e tem estrita obrigação de defender o património local e os interesses dos tomarenses.
Escreve o jornalista que "...Uma imagem vale mais que mil palavras...parte da estrutura templária foi...destruída acidentalmente (negrito nosso), fazendo com que algumas pedras (idem) saíssem do local." E o os leitores, embevecidos, ficam a ver as pedras ali colocadas à quase nove séculos, saindo do local pé ante pé, de pantufas para evitar barulho... Adiante.

OS FACTOS, EXPLICADOS POR IMAGENS

Afirmação dos responsáveis autárquicos e outros: Ninguém sabia, nem podia saber que estava ali parte do alambor. Resposta argumentada e ilustrada: É inteiramente falso. Os que realmente conhecem Tomar e o seu património sabiam bem que havia por ali importantes vestígios da fortaleza templária, conforme demonstram as fotos 8 e 9, copiadas do blogue THOMAR, a quem agradecemos.
Afirmação dos mesmos prevaricadores: Foi um simples acidente, involuntário que logo se procurou remediar na medida do possível. É falso. As fotografias demonstram que a princípio terá na verdade havido um simples acaso, por nítida insuficência do projecto, mas depois houve a intenção deliberada de destruir os vestígios da destruição. Não é preciso ser investigador do FBI, Moita Flores ou simples agente da PSP local para concluir perante as fotos 1, 2, 5 e 6, que esse foi o principal móbil daquele buraco agora existente entre o muro e o talude que supostamente visa proteger.
Afirmação do presidente da Câmara Municipal, dona da obra em nome dos tomarenses e do povo português: Foram só 6 ou 7 pedras, meio metro quadrado de alambor. É falso e o autor da afirmação sabe bem que se trata de uma redonda mentira. As tais 6 ou 7 pedras são as que se vêem na foto  3. Por outro lado, as fotos 1, 2 e 5 demonstram, até prova em contrário, que o alambor foi destruído em toda aquela extensão, primeiro por gente que não sabia o que estava a fazer, por não estar no local nenhum arqueólogo e porque o projecto parece ter ido feito em 6ª velocidade, para não deixar fugir os dinheiros europeus, mas depois parece ter havido a nítida intenção de apagar os vestígios do "crime". Se assim não foi, qual a justificação plausível para o intervalo de mais de um metro entre a parte de trás do muro de betão e o talude escavado?

O  QUE REIVINDICA TOMAR A DIANTEIRA

Primeiro a denunciar a tramóia, Tomar a dianteira, sempre tem sido claro desde o início. Aquilo que se pretende é simples, lógico, visceralmente honesto, vertical e fiel à herança templária:
A - Suspensão imediata das obras de construção do muro de betão.
B - Derrube dos muros de betão já existentes naquela zona.
C - Alteração do projecto, de forma a que o pretendido alargamento da via seja feito para norte, no terreno já expropriado, pelo menos em parte.
D - Terraplanagem do terreno expropriado do gaveto norte, que tornará redundante qualquer muro de suporte, mesmo o que acaba de lá ser erguido.
E - Escavação cuidada e acompanhada por arqueólogos competentes de toda a zona do lado sul da via, entre o talude nascente da rampa de acesso ao ex-Hospital Militar e a Portaria Filipina.
F - Reposição do alambor já destruído e requalificação do que vier a ser encontrado durante as escavações.
G - Supressão do previsto parque de estacionamento para autocarros, encostado à parede da fachada norte do monumento, que constitui uma autêntica aberração, tendo em conta o par poluição/protecção, que não está a ser minimamente considerado, pois a tendência europeia e nacional (Alcobaça, Batalha, Évora, por exemplo) é exactamente a oposta: afastar tanto quanto possível o trânsito automóvel e o estacionamento dos monumentos, devido ao CO2 dos escapes, sobretudo dos motores diesel, como os de todos os autocarros.
Só cumpridas todas estas condições e anunciado publicamente o seu acatamento, estarei em condições de aceitar as obras em curso e de aconselhar a todos os que a nível nacional fazem o favor de apoiar generosamente esta nobre causa, que podem cessar o seu civilizado protesto.
Citando  António Barreto: Eis quanto!

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

E insistem! E insistem! E insistem!

Todos já ouvimos na TV aquela publicidade de uma conhecida marca de pilhas -E duram! E duram! E duram! Pois a ilustração supra dá a conhecer mais um caso semelhante. Duas criaturas com responsabilidades locais, uma eleita, outra nomeada interinamente, insistem! insistem! insistem! naquilo que sabem muito bem não corresponder à verdade factual. É tão evidente que até o jornalista de serviço não resistiu e afoitou-se: "Como é óbvio, uma imagem vale mais do que mil palavras. Ou seja, parte da estrutura templária foi de facto destruída acidentalmente..." É assim tão difícil assumir os factos? Para quê tanta tentativa de embuste?
"Foi uma descoberta histórica para Tomar"? Terá sido. Mas só para quem não seja tomarense, bom conhecedor da história local ou historiador competente. Os outros já sabiam que havia ali vestígios do Castelo Templário, como de resto escreve o vereador Luís Ferreira, no seu blogue vamosporaqui.

Dado que entretanto, por causa do citado acidente de lesa-património, veio a Tomar o Secretário de Estado da Cultura, José Viegas, justo é que se realce o único benefício que nos ficou da sua visita algo desenquadrada da realidade. Conseguiu-se finalmente uma vedação tosca para a  tosca escadaria de acesso provisório ao Castelo e ao Convento, salvo para quem chegue pelas Calçadas de Santiago ou dos Cavaleiros. Sendo embora alguma coisa, convenhamos que é extremamente pouco, para uma visita que já não acontecia há mais de 5 anos, se não erro.
Ido o SEC e o séquito, eis o muro para o qual tive alguma dificuldade em encontrar designação, uma vez que já temos o da vergonha, na margem do Nabão, e o mijatório, junto à Rotunda. Resta portanto "Muro dos intrujões", cabendo aos leitores determinar quem são: os defensores do património? ou os defensores de "uma descoberta histórica para Tomar"?
Como se constata por estas fotos, caso os defensores do património nada consigam, passaremos a ter em Tomar um monumento Património da Humanidade, com uma falda estilo Le Corbusier, da época da Capela de Ronchamps. Com o devido respeito pelo célebre arquitecto suiço, que certamente teria recusado apadrinhar semelhante salada. Porque o futuro próximo é agora perfeitamente  previsível. Vamos ter  a amostra de alambor enquadrada a betão de ambos os lados, quiçá até por cima, e com uma vitrine em acrílico, a pretexto de a defender dos vândalos. Vai uma aposta? Nesta terra há gente capaz disso e de bem pior. Enquanto a fachada da Sala dos Cavaleiros, como se vê nas fotos, está cada vez mais leprosa, naturalmente por falta de verbas. Situação intrigante esta. Para o betão há. Para pequenas obras de restauro não. Porque será?

Como grande concessão aos arreliadores defensores do património, até já se fazem nas proximidades ensaios de revestimento. À esquerda mais clássico, à direita mais rústico. Digam lá se não vai ficar lindo! Em Las Vegas, Bangcoque ou Macau é assim que se está a fazer...para depois se poderem vender apartamentos "em imóvel de pedra aparelhada". Pois então!

O INFELIZ ALAMBOR E A ASELHICE-MOR

PÚBLICO, 01/09/2011, pág 23
O TEMPLÁRIO, 01/09/2011, pág. 19
O TEMPLÁRIO, 01/09/2011, pág. 19
EL PAIS, 31708/2011, PÁG. 41
CIDADE DE TOMAR, 01/09/2011, primeira página
O TEMPLÁRIO, 01/09/2011,  pág. 20
CIDADE DE TOMAR, 01/09/2011, pág. 3

HISTÓRICO BREVE

Trabalhadores nortenhos, de uma empresa da mesma zona, ao serviço da autarquia tomarense, destruiram inadvertidamente cerca de 25 metros quadrados do alambor do Castelo Templário, do século XII. Agiram assim sobretudo devido a deficiências do projecto e a falta de acompanhamento arqueológico adequado, mas também por notória falta de experiência neste tipo de empreitadas, em zonas patrimonialmente muito sensíveis.
Já depois de consumado o infeliz labor, que só o fim de semana interrompeu, alguém que passou por ali veio alertar Tomar a dianteira para o que se passava. Após ida ao local, imediatamente se denunciou a ocorrência, salientando que se tratava do alambor primitivo e não do prolongamento do muro em pedra aparelhada da primeira metade do século passado, como os trabalhadores julgavam.
Amigos da verdade, do património, dos Templários e de Tomar, a começar por Margarida Pardal (que não tenho o gosto de conhecer), perceberam imediatamente a importância do que estava (e está em jogo), acreditaram no que leram e viram neste blogue, tendo desencadeado logo uma petição pública, (teclar peticaopublicaalambor no Google, e depois enter) que nesta altura já vai nas 574 assinaturas em apenas 5 dias. Paralelamente, Tomar a dianteira apelou a quem lhe pareceu mais eficaz.
Em vez de reconhecerem imediatamente o acidente, ouvirem os reclamantes, solicitando-lhes opiniões sobre eventuais soluções e suspenderem as obras naquele sector, Câmara de Tomar, IGESPAR, directora do Convento e SEC José Viegas, têm procurado por todos os meios confundir a opinião pública, sem qualquer respeito pela verdade factual. Segundo eles (ver ilustrações supra), não houve destruição, mas descoberta importante; não se pode falar de crime e mantém-se total confiança no dono da obra (a autarquia), nos arqueólogos (IGESPAR) e no empreiteiro. Bom proveito a todos. Felizmente, muitos portugueses honrados continuam a subscrever a petição, que quando vier a atingir as 5 mil assinaturas permitirá, se assim for entendido, requerer que seja marcada uma sessão na A.R. para debater o assunto.

 O FUTURO PRÓXIMO

Por ora, mantém-se bem viva essa esperança de que Portugal ainda não estará totalmente entregue aos bichos, mas também alguma angústia e preocupação perante a doentia obstinação da autarquia tomarense, sobretudo do seu presidente, ao insistir A - que não houve crime; B -que o alambor vai ser recuperado. Quanto ao primeiro ponto, leia-se e compare-se o caso do alambor com o descrito no EL PAÍS.
Em Portugal - Tomar - Património da Humanidade - Cidade Templária - segundo a autarquia, gente boçal ao serviço da edilidade destruiu uma parte importante de um alambor do século XII, mas segundo a própria Câmara, a directora do monumento, o IGESPAR e até o Secretário de Estado da Cultura, de visita ao local, não houve qualquer destruição nem se pode falar de crime contra o património.
Em Espanha - Granada - Cidade Andaluza - Património da Humanidade, um oficial da força aérea jordana, convidado do governo espanhol, foi apanhado a grafitar na Alhambra, a jóia da arquitectura árabe na península. Imediatamente detido pelas autoridades, foi posto à disposição da justiça, considerado arguido , aguardando agora julgamento. Pode incorrer numa pena de um a três anos de prisão efectiva, acrescida de uma multa entre os 12 e os 24 meses remíveis a dinheiro. Terá igualmente de pagar os trabalhos para restabelecer o aspecto anterior da área danificada, no Palácio de Carlos V, integrado na Alhambra.
Quanto ao segundo ponto, (ver ilustração supra, pág. 19 d'OTEMPLÁRIO)  o alcaide tomarense parece-me estar redondamente enganado se pensa mesmo que o assunto se resolve deixando à vista um pequeno troço do alambor agora danificado, enquadrado por dois modernaços muros de betão. O que se pretende, pelo menos no meu entendimento, é que se suspendam quanto antes as obras naquela zona, se reformule o projecto, se suprimam os muros de betão, bem como o nefasto parque de estacionamento para autocarros, encostado à fachada norte do Convento, e se proceda a cuidadas escavações arqueológicas para pôr à vista TODO o alambor ainda soterrado, que depois deverá ser consolidado.
Cada qual tirará as conclusões que julgar mais pertinentes. Em qualquer caso, permitam-me estas singelas interrogações, para as quais agradeço desde já respostas francas. Somos mesmo europeus? Ou apenas habitantes por mero acidente de um espaço geográfico num extremo da Europa? Vivemos mesmo no século XXI? Ou continuamos mentalmente na Idade Média? Comportamo-nos como cidadãos responsáveis? Ou como encapotados saudosistas do Tribunal do Santo Ofício?
Podendo parecer que não a alguns, são dúvidas fundamentais, tanto para o que já está, como para  o  que aí vem. Sobretudo para o que aí vem, quer queiramos, quer não.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Grandes temas da semana




Numa altura em que a petição nacional, em  peticaopublicaalambor, já atingiu as 534 assinaturas (esta manhã eram 425), é agradável constatar que o grande tema dos dois semanários nabantinos é mesmo esse: a destruição de parte do alambor templário do século XII. Sobre o assunto, o prato forte será publicado amanhã de manhã, designadamente por causa das eventuais indisposições gástricas que possa vir a provocar. Veremos.
Por agora, permitam-me que recomende a leitura urgente de duas crónicas, uma em cada semanário, para evitar interpretações abusivas. No TEMPLÁRIO, a saborosa estória "Era uma vez... um Alambor", subscrita pelo historiador e investigador Ernesto Jana. Excelente no conteúdo e na forma, só destoa no formato. Como é sabido, os tomarenses são em geral algo distraídos em termos culturais, pelo que para eles um texto de mais de 50 linhas é um verdadeiro martírio. Nestas condições...
A outra peça vem na página 10 do  CIDADE DE TOMAR. Assina-a Hugo Cristóvão, membro da bancada PS na Assembleia Municipal de Tomar e ex-presidente da comissão política socialista local. Tem por título "Pedras e pedregulhos".
Ambos os autores assinaram já a petição pró-alambor, onde os nomes de tomarenses, não sendo poucos, também não dão assim grande ideia da alma templária local. Até parece que o problema só diz respeito aos que não habitam no Vale do Nabão. Seja como for, este atentado contra o património está a provocar uma nítida divisão  em dois grupos desiguais. Num,  no qual me incluo, todos os defensores do património, que acreditaram desde o início na denúncia feita em primeiro lugar neste blogue, fundamentada com factos e fotografias. São os que com verticalidade aceitaram dar a cara em prol de uma causa comum, que está para além das contingências e dos partidos -o património templário português. A nossa herança.
No outro, menos numeroso, composto por cidadãos sentados à mesa do orçamento, vai-se insistindo na tentativa de ludibriar os eleitores pagadores de impostos. O que faculta resultados curiosos, muito para além do ensaiado argumentário. Eis alguns exemplos, que serão alargados na próxima crónica: "Não houve destruição, mas uma importante descoberta..." Directora do Convento de Cristo no CIDADE DE TOMAR da passada semana.  "Apenas uma parte com cerca de meio metro quadrado foi tocada." Presidente da Câmara em O TEMPLÁRIO de 01/09/2011. "Secretário de Estado nega crime contra o património"  Público, 01/09/2011, página 23. "Ninguém previa ou poderia prever a sua existência." Presidente da Câmara, TEMPLÁRIO, 01/09/2011, página 20. "O espaço estava previamente identificado como "podendo conter vestígios de construções pré-existentes", o que obrigou a um acompanhamento constante da arqueologia nos trabalhos efectuados." Luís Ferreira, vereador PS, coligado com o PSD a nível local, blogue vamosporaqui.blogspot.com, post "O clamor do alambor templário".
Necessidade, a quanto obrigas!

REDUNDÂNCIAS, SOBREPOSIÇÕES, GORDURAS, INUTILIDADES, DESPESAS SUPÉRFLUAS...

Foto 1 - A Corredoura e os dois organismos de informação, um de cada lado, aos pares como os frades e os GNR
Foto 2 - Onde se fica a saber que Lisboa também integra as terras templárias
Foto 3 -  O turismo municipal. Tão pouco "legível" como a própria autarquia

Numa altura em que -FINALMENTE!!!- o cada vez mais sobrecarregado e incrédulo telespectador vai tendo direito a sucessivas intervenções governamentais, sobretudo gasparinas e pereirinas, como se comprende, sobre cortes, cortes e mais cortes; redundâncias, gorduras, excessos e outras desgraças do nosso pobre reino, que outrora até descobriu novos mundos, mas agora apenas vai descobrindo novos buracos, nomeadamente na Madeira. Numa altura, escrevia eu, em que urge cada vez mais poupar onde for possível, os turistas que demandam Tomar não podem deixar de ficar surpreendidos com aquilo que vêem ao fundo da Corredoura, a ex-rua principal, agora uma reles sombra daquilo que já foi. Do lado esquerdo de quem olha para o castelo, a delegação tomarense do "Turismo de Lisboa e Vale do Tejo", cujas funções são informar os turistas e distribuir documentação dessa área, designadamente plantas da cidade. Do lado direito, olhando na mesma direcção, o "Turismo Câmara Municipal de Tomar", cujas funções são exactamente as mesmas da delegação do lado oposto da rua.
Mesmo considerando que o turismo ainda há-de vir a ser importante no desenvolvimento da economia local, dois organismos públicos, pagos com o dinheiro de todos nós, exactamente com as mesmas funções,  um em frente do outro, temos de reconhecer que não faz sentido. Nem aqui, nem em Berlim, em Tegucigalpa ou no Bhutão. Algo está mal e terá de ser remediado quanto antes, naturalmente sem prejudicar quem lá trabalha e não tem culpa nenhuma das asneiras alheias, cometidas em tempo de vacas gordas, alimentadas a ração bruxelense.
Mais a mais quando, aprofundando um pouco, se constata que, consoante as circunstâncias, as entidades públicas portuguesas têm uma singular tendência para a ganhança e o desenrascanço. Assim, para efeitos de ajudas europeias para obras, Tomar integra a Região Centro. Mas para efeitos de turismo já faz parte, como se constata, do Turismo de Lisboa e Vale do Tejo...cuja sede é em Santarém, que por sua vez, também para efeitos de "massa de Bruxelas", se juntou aos municípios da Região do Alentejo...
Com tal tipo de manigâncias, depois ainda se admiram que em Bruxelas nos considerem oportunistas, troca-tintas e adoradores de pilim e de betão? Afinal estamos a falar de massa em ambos os casos. Coisas da língua portuguesa...