
Foto 1 - Antigamente, no tempo da mão de obra barata e abundante, era assim. Cada sargeta era devidamente sifonada, com caixa de água à entrada. No verão, todos as semanas passava uma parelha de trabalhadores, munidos com rodo, balde, água, creolina, pá, carro de mão para os detritos...e vontade de trabalhar. Expulsavam com o rodo a água existente, geralmente suja, deitavam um balde de água limpa e um pouco de creolina, como desinfectante e desinfestante. Aina hoje é possivel observar, ao fundo, na direcção da folha mais alta, a pequena cavidade na parte superior, feita pelo cabo do rodo, de tanto bater. Outros tempos! Agora, a imagem fala por si.
Foto 2 - Estas são as novas sargetas, que por acaso até são importadas de Espanha. Aparentemente não precisam de manutenção regular. É pelo menos o que os empreiteiros dizem aos quase sempre esclarecidos autarcas -" Praticamente, nem precisam de mão de obra, depois de instaladas." Resultado: algumas já estão entupidas, apesar de funcionarem há bem pouco tempo. Mais grave ainda -Vá-se lá saber porquê, em muitos casos não foram devidamente sifonadas (é mais rápido e por isso fica mais barato), nem se respeitaram as cotas de escoamento. Daí as cada vez mais frequentes queixas dos visitantes e moradores. Nalguns sítios, sobretudo no Verão, os maus cheiros roçam o pestilencial. Em várias casas, designadamente aquando daquela bátega de água mais forte, os detritos sólidos voltaram para trás, para as banheiras, bases de chuveiro e caixas sifónicas. Com os cheiros que se imaginam.
Pergunta ingénua: Terá havido, durante as obras, fiscalização competente e exigente?
Foto 3 - A dada altura, o presidente Paiva, confortado com a larga maioria absoluta, começou a comportar-se de modo imperial. Assim tipo Napoleão da Trofa. No que concerne às ruas da cidade antiga a remodelar, resolveu que teriam passadeiras centrais em lajes, oficialmente por causa das cidadãs que usam sapatos de salto agulha. Sem mais satisfações, mandou instalar as tais faixas centrais, em granito funerário. Como tudo o que é demais parece mal, o cidadão Lebre muniu-se de coragem e usou, de forma enérgica, o seu direito de reclamação, numa reunião formal da autarquia. Assinalou que o granito é uma aberração estética por estes lados, posto que a região é de calcáreo.
Combalidos e algo atordoados com a inesperada reacção, os autarcas da maioria mandaram suspender as obras, que mais tarde foram retomadas, mas já com lajes de calcáreo "Molianos", em vez das de granito. Foi pior a emenda que o soneto, como infelizmente já vai sendo habitual nesta terra. Como todos os cidadãos informados sabem, o calcáreo "bebe", dizem os profissionais. Querem dizer que absorve qualquer líquido. O resultado é o que está à vista. Antes tínhamos ruas com calçada tradicional, desconfortável sobretudo para as senhoras de salto alto. Agora temos pisos mais confortáveis para todos, sem dúvida alguma, mas ruas sebentas que só envergonham os moradores.

Foto 4 - Esta panorâmica da Travessa do Arco é elucidativa. Agora só resta esperar uma de três coisas, a saber: A -Que com o tempo a acumulação de sujidade seja tanta, que as lajes acabem por ficar todas da mesma cor, em vez do actual desenho com algo de gótico flamejante; B - Que haja coragem para arrancar as lajes, substituindo-as pela tradicional calçada; C - Que tentem lavar as lajes com produtos clorados. Depois o tempo encarregar-se-á do resto.



