Mostrar mensagens com a etiqueta SMAS. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta SMAS. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

MAIS ÁGUA, QUE ISTO ESTÁ A AQUECER...

Graças à boa vontade do nosso homólogo Joaquim, que oficia no blogue ocidadaoabt.blogspot.com, conseguimos novos elementos sobre os preços da água da rede e respectivas taxas, indexadas ou não. Tal como acontece na justiça, havendo novos dados, reabre-se o processo. Vamos portanto comparar a situação dos consumidores de água da rede em quatro concelhos: Tomar Abrantes, Constância e Loulé. Antes, porém, apelamos aos nossos leitores de boa vontade, residentes em Ourém, Torres Novas, Constância, Região de Lisboa e Região do Porto, no sentido de nos enviarem, em PDF, junto com um mail, cópia do recibo da água de Junho último, que foi pago em Julho. Preferimos os recibos referentes a consumos à roda de 6 metros cúbicos. Pode ser ? Vá lá, um esforçozito, em prol da comunidade tomarense. E fiquem descansados que garantimos o anonimato total. Favor remeter para a.frrebelo@gmail.com Bem hajam!!!
Clicar sobre as ilustrações para as ampliar




Aqui temos, devidamente "descascados", quatro recibos de Junho, conquanto um deles -o de Constância- se refira unicamente às taxas fixas obrigatórias, uma vez que não houve consumo. Tratar-se-á certamente de pessoa que ali tem casa de férias, ou que foi de férias em Junho. Quanto aos restantes, confirma-se mais uma vez tudo aquilo que já aqui tem sido escrito bastas vezes -Comparativamente com outros concelhos de importância equivalente, os consumidores tomarenses estão nitidamente a ser explorados. Repare-se: Enquanto os preços e taxas de Abrantes dão um total mensal semelhante ao de Loulé (há apenas uma diferença para menos de 56 cêntimos, favorável aos abrantinos), os tomarenses levam cá um banho que até arrepia. Pagam mais 4,96 euros do que os louletanos, e mais 5,52 do que os abrantinos. Pouca coisa, não é? Multiplique-se por 12, que sãos os meses do ano e obter-se-á, respectivamente, 59,52 euros anuais = a 11 contos 904 escudos, e 66,24 euros anuais = a 13 contos 248 escudos. Porquê ? Fazemos mais lixo que os outros? Aliviamo-nos mais que os outros? A nossa água é melhor? Tudo perguntas sem resposta.
Certo é que 66 euros correspondem a mais de 30 quilos de pão, ou mais de 30 litros de leite, ou mais de 25 quilos de fruta da época...O que significa que não somos de modo algum competitivos, nem para lá caminhamos. Porque esta maneira de explorar às claras quem não se pode defender, uma vez que não existe alternativa, tem infelizmente o chamado "efeito carambola": quem paga a água mais cara, o IMI mais elevado, as licenças mais gravosas, e assim sucessivamente, é forçado a repercutir o que paga nos preços daquilo que vende. Por isso somos a cidade onde a vida é mais cara em toda a região. Apenas um exemplo: Um paposseco (a que os alfacinhas chamam carcaça) custa em Lisboa 19 cêntimos e em Tomar, nas padarias Rosa, 25 cêntimos...
Como ainda por cima a nossa qualidade de vida anda pelas ruas da amargura, só se houver um concurso europeu para atribuição do óscar da cidade mais porca e desmazelada, onde certamente ficaremos muito bem classificados, é que passaríamos a ter mais visitantes. Há gente para tudo. Ou estarei enganado?! Se calhar é só má-língua... É só ir esperando e ir vendo, conforme recomenda o provérbio bem conhecido: "Dá tempo ao tempo, irmão; o tempo dar-te-á todas as respostas."

PS: Há um lapso de 4 cêntimos na soma das parcelas dos SMAS Tomar, o que em nada afecta as nossas considerações. As nossas desculpas.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

ÁGUA MOLE EM PEDRA DURA, TANTO DÁ ATÉ QUE FURA

Ponto prévio:

Já aqui foi escrito bastas vezes, mas reiteramos de boa vontade. Nada temos contra quem quer que seja, enquanto cidadão. Respeitamos e temos consideração por toda a gente. Nunca esquecemos que todos somos iguais em três casos -ao nascer, perante a lei e ao morrer. Dito isto, também não fazemos parte do rebanho da paróquia tomarense. Quando levamos um estalo (em sentido figurado...) não damos a outra face. Pacíficos, mas nem tanto.
Procuramos honrar os nossos deveres de cidadania, uma vez que somos obrigados a honrar o pagamento de impostos, taxas e outras alcavalas. Assim, respeitando as pessoas todas e considerando sagrada a vida privada de cada um, somos levados a criticar a actuação de autarcas e funcionários, exclusivamente quanto ao modo como exercem as suas funções, uma vez que são pagos com os tais impostos, taxas e outras alcavalas que nos saem do bolso.
É desagradável para os visados? Certamente. Mas também para nós não é nada cómodo, posto que não somos sádicos. Apesar disso, trata-se de agir de forma a dormir descansado, porque em paz com a consciência. E não há nada que pague a paz de espírito. Queiram desculpar, mas é assim.

Ponto 1

Ainda recentemente aqui foi abordada a questão da água que pagamos aos SMAS, conjuntamente com mais de 30% de impostos disfarçados. (Ler "Um doente terminal", de 02/08/10). Na sequência dessa publicação, mãos amigas (a quem mais uma vez agradecemos) fizeram-nos chegar as duas facturas-recibos que ilustram este texto. A de cima refere-se ao consumo de 6 metros cúbicos de água, em Junho 2010, em Loulé - Algarve, a terra da Tia Anica. Como se pode constatar, logo à primeira vista, trata-se de um documento claro, preciso, conciso e respeitador da lei, como todos deveriam ser. Custo do consumo de água = 2,74 euros; Imposto de Recursos Hídricos, regulado pelo Decreto-Lei 97/08 = 11 cêntimos; Recolha de lixo (resíduos sólidos) = 3,73 euros, discriminando a parte fixa e a variável; Saneamento, igualmente discriminado = 5,16 euros; Ambiente 1,15 euros. Todas as parcelas precedidas pelas respectivas taxas de IVA aplicáveis. Temos depois, em baixo, o total de IVA = 0,93 euros e o total a pagar pelo consumidor = 13, 82 euros.
Deste total, 3,67 euros correspondem à água realmente consumida e 10,15 euros a taxas diversas. Tudo é simples, claro, objectivo, a demonstrar que "nada na manga"...

Vejamos agora, de forma mais detalhada, a factura/recibo dos SMAS/Tomar, referente ao mesmo mês e a consumo idêntico ao da anterior. A primeira impressão, desculpem a franqueza, é que se trata de um documento demasiado confuso para ser honesto. É tal a profusão de elementos que tal fartura acaba por redundar em fome. Estamos convencidos de que a esmagadora maioria dos consumidores/pagadores não percebem patavina de tal obra-prima da burocracia. Limitam-se a pagar, porque tem que ser, mas ficam contrariados.
Tanto quanto se percebe de tal salganhada, há 5,47 euros de consumo de água (contra 2,74, em Loulé), e 13,31 euros de taxas diversas (contra 10,15 euros, em Loulé). O consumidor tomarense, em igualdade de circunstâncias e de consumo com o louletano, tem portanto de desembolsar mais 4,96 euros mensais = mil escudos. Por 6 metros cúbicos de água. É uma violência.

Ponto 2

Sabe-se, sabem-no todos os que entendem algo de economia política, que o mais grave problema do nosso país, e uma das principais causas da crise, é a nossa falta de competitividade. No caso do Algarve, a situação é cada vez mais aflitiva, uma vez que a época das vacas gordas foi-se para não mais voltar, e a região não é competitiva nem em termos nacionais nem internaciais. Não é competitiva em termos de preços em relação ao restante território nacional (à excepção de Lisboa), o que se compreende, devido à inflação provocada pelo turismo estrangeiro. Não é competitiva em relação a Marrocos, à Tunísia ou ao Senegal, o que também se compreende. Não é competitiva, enfim, em relação ao sul de Espanha, o que de modo algum se compreende, uma vez que os salários e o nível de vida são mais altos no país vizinho. Coisas.
Agora imagine o leitor a situação de Tomar, uma cidade em nítida decadência, perdida algures no centro de uma pequeno país periférfico, com 6 metros cúbicos de água a custarem globalmente mais 4,96 euros do que em Loulé, animada cidade do Algarve, um conhecido grande cartaz do turismo internacional... Será preciso dizer mais?

Ponto 3

Olhando para a factura tomarense, fica-se sem perceber, além daquilo já apontado mais acima, a que se referem todas aquelas alterações de preços, do primeiro e do segundo períodos. Que se saiba, o novo tarifário dos SMAS só foi aprovado na reunião camarária do passado dia 2 de Agosto. O que significa que, de acordo com a lei, para entrar em vigor, ainda terá de ser debatido e aprovado, modificado ou rejeitado, na Assembleia Municipal, lá para Setembro ou Outubro. Nestas condições, a que alterações de preços se refere a factura? Quem as autorizou? Nunca ninguém os avisou de que as leis não podem ser retroactivas? Os SMAS resolveram proclamar a independência em relação à autarquia e às leis do país? Se é o caso, esqueceram-se de avisar os eleitores, que são bem capazes de não concordar. Vai uma apostazinha?

Ponto 4

Perante as críticas, às quais não estavam nem estão nada acostumados, por falta de adequada educação e vivência democráticas, os senhores autarcas e os senhores funcionários, salvo raras e por isso mesmo honrosas excepções, sentem-se muito ofendidos, como aquelas falsas virgens de antigamente. Neste caso dos SMAS, apressam-se a alegar que, de qualquer modo, há necessidade de manutencionar a rede, de a melhorar, de a ampliar, o que implica ter recursos para o fazer, pelo que consumidores, ou pagam directamente, ou através dos seus impostos, mediante subsídios a fundo perdido da câmara municipal/Estado. Têm razão. É verdade. Mas é insuficiente como justificação.
Se outras autarquias, em zonas com preços mais elevados e menos água disponível, conseguem fornecer mais barato, não constando que estejam a perder dinheiro ou a subsidiar os consumos, só há uma explicação: As despesas de funcionamento da empresa distribuidora são nitidamente mais baixas que as dos SMAS, tendo em conta o volume de negócios.Por outras palavras, bem mais cruas, agrestes e desagradáveis, mas realistas e indispensáveis: Tal como sucede com o governo central, com as empresas públicas e com as autarquias, vai sendo tempo de pensarem em reduzir as despesas, em vez de continuarem a aumentar as receitas. E quanto mais depressa melhor. Ontem já era tarde, que a cadela não pode com tanto cão! Olhem para o que está a acontecer na Grécia, na Irlanda ou em Espanha. Julgam que vamos escapar? O pior ainda está para acontecer. Infelizmente!

sexta-feira, 14 de maio de 2010

É SÓ BOAS NOTÍCIAS

Segundo O RIBATEJO, na sua edição de hoje, páginas 6 e 7, os SMAS de Tomar ocupam um "honroso" 2º lugar a nível nacional, em termos de défice. Mais de meio milhão de euros, exactamente 569.045€ = 113 mil 809 contos. Aí valentes! Causticam os consumidores com preços a escaldar e taxas altamente abrasivas, para depois ainda apresentarem um buraquito orçamental desta envergadura! Vão certamnente alegar que Santarém, que sempre é a capital do distrito, ainda está pior, uma vez que ocupa isolada o primeiro lugar do ranking das nódoas, com um buraco orçamental de 598.787€. Pois! É verdade! Mas Santarém tem mais de 50 mil eleitores/consumidores, e Tomar não chega sequer aos 40 mil. E mesmo assim, acautelando o futuro, o município escalabitano já aderiu a uma outra empersa municipal da especialidade, enquanto que por estas bandas continua tudo na mesma. Até quando?
Estes dados referem-se a 2008, mas é muito pouco provável que as coisas tenham melhorado desde então nas margens do Nabão. Situação a melhorar, em Tomar ?! Era bom era!

Entretanto, os fornecedores e outros credores do município nabantino terão de ir arranjando bancos para esperarem sentados. Apesar dos empréstimos contraídos, justamente para pagar atempadamente aos fornecedores, estes aguardam em média 132 dias, mais de quatro meses, para receberem os seus créditos. Em tempo de crise, é preciso realmente muita coragem para vender ao município tomarense seja o que for. Ou praticar taxas de lucro muito para lá do comum...

terça-feira, 16 de março de 2010

CONTINUA O DIÁLOGO DE SURDOS...

Continua o diálogo de surdos na questão dos preços finais da água fornecida pelos SMAS. Tal como nos outros temas, de resto. Dado que aqui em tomaradianteira não colabora ninguém que faça parte da tribo local dos eleitos, nunca temos direito a qualquer resposta por parte dos ilustres dirigentes locais. Já estamos habituados a esse silêncio de conveniência, que pretendem fazer crer ser produto da indiferença.
Desta vez, porém, como o ex-vereador Ivo Santos também protestou contra os exageros dos SMAS, no seu programa semanal, teve imediatamente direito a uma resposta, pessoalizada e tudo. Consta do blogue da Rádio Hertz e vale a leitura.
Quanto ao âmago da questão, Luís Vicente resolveu servir-se da sua indiscutível tarimba política, que já vem do tempo em que militava activamente na extrema-esquerda ML. Avançou com o refrão habitual: A água é de boa qualidade; os investimentos têm de ser pagos; há concelhos que subsidiam a água; não se podem comparar realidades diferentes; há 900 quilómetros de condutas no concelho... É o que se chama acertar de forma deliberada ao lado do alvo.
Verdade, verdadinha, ninguém se queixou da qualidade da água; ninguém pretendeu que os investimentos não sejam pagos; ninguém falou em subsidiar a água; ninguém colocou em dúvida a extensão e complexidade da rede. Aquilo de que os consumidores concelhios se queixam é da enormidade das diversas taxas fixas, do mau atendimento e da má organização dos SMAS, do excesso de pessoal, havendo por lá gente que ninguém sabe bem o que faz realmente, para além de receber o vencimento e marcar presença, e da recusa em adaptar-se aos tempos que correm, na mesma linha do que acontece, aliás, com os membros do executivo, de certeza não por mera coincidência. E continuamos sem saber como conseguem os concessinários privados praticar tarifas mais acolhedoras para os contribuintes forçados, como acontece designadamente em Ourém ou no Cartaxo, que também devem ter redes de distribuição mais ou menos extensas. Ou inventaram algum sistema de fornecimento de água sem condutas, assim tipo telemóvel ?
No caso do executivo camarário, a circunstancial maioria anda tão entusiasmada com os fins de mês que nem se dá conta de estar a prejudicar gravemente a cidade e o concelho, cada vez mais atolados em dívidas, em desemprego e em acentuada decadência, tudo isto no essencial provocado pela evidente falta de quaisquer ideias fecundas, portadoras de futuro. No caso dos SMAS, pelo menos os seus dirigentes, que ninguém elegeu, fingem não perceber que os preços finais praticados (preço da água+alcavalas diversas), que são os mais elevados do distrito e dos mais altos do país, contituem um forte argumento para afastar potenciais investidores, como também para originar a mudança de residência de cada vez mais habitantes.
Nestas condições, vir outra vez com a balela das evidências, roça o cinismo político e está longe de abonar quem tal diz em termos de credibilidade e de fiabilidade. Porque o problema é este: ou conseguem engravidar a história local, ou o melhor é sairem de cima quanto antes. Se demoram muito, quase de certeza que isto não vai acabar nada bem para a ocasional maioria... Dêem tempo ao tempo e logo terão a resposta.

quinta-feira, 11 de março de 2010

A GUERRA DA ÁGUA - 2 - ACASOS E COINCIDÊNCIAS

Pedimos imensa desculpa, mas varreu-se-nos, pronto ! São coisas que acontecem. Quando ontem anunciámos uma bomba, esquecemo-nos de acrescentar que era daquelas mais evoluídas, que as forças da NATO estão a usar no Afeganistão. Chega ao solo, não rebenta, as pessoas vão ver o que se passa e nessa altura PUM!!!
Então aqui vai. Certamente por mero acaso, simples coincidência, portanto, O RIBATEJO deu enorme destaque ao comparativo das tarifas de fornecimento de água NA REGIÃO (e não no distrito, como erradamente escrevemos) e à situação muito favorável dos consumidores do Cartaxo, porque é o consórcio AQUÁLIA/LENA CONSTRUÇÕES/Câmara do Cartaxo que passa a fornecer os cartaxenses. Não estão a vislumbrar a relação entre uma coisa e a outra ? Está tão à vista de todos que ninguém vê: É que a LENA CONSTRUÇÕES, certamente por mero acaso, simples coincidência, portanto, é também proprietária d'O RIBATEJO.
Estamos assim perante uma situação comparável ao que seria o PÚBLICO, propriedade da SONAE, de Belmiro de Azevedo, fazer uma extensa reportagem, com manchete colorida a dois terços da primeira página, a afirmar que a MODELO/CONTINENTE é a cadeia de distribuição que mais barato vende em todo o país. Dado que, por mero acaso, simples coincidência, portanto, o citado grupo distribuidor também é propriedade da SONAE, haveria logo bronca e das grandes. Os outros grandes grupos queixar-se-iam imediatamente à ERC, e teriam toda a razão.
Outro tanto ocorreria se o EXPRESSO ocupasse dois terços da primeira página, mais duas páginas interiores, a informar os leitores de que a SIC dá as notícias mais verdadeiras e tem a maior audiência do país. Visto que tanto o EXPRESSO como a SIC pertencem à IMPRESA, controlada por Francisco Pinto Balsemão, seria o bom e o bonito.
Claro que Belmiro de Azevedo e Francisco Balsemão são grandes empresários, civilizados e com maneiras, sendo que Balsemão até continua a ser detentor de uma carteira profissional de jornalista. Por isso nunca fariam, ou deixariam fazer aquilo que O RIBATEJO, certamente por mero acaso, simples coincidência, portanto, publicou a semana passada.
Mas os acasos e/ou coincidências não se ficam pelo extenso trabalho jornalístico já referido. Certamente pelos mesmos motivos, as duas câmaras com os tarifários mais exagerados (uma na realidade, outra graças à nítida maquilhagem dos preços tomarenses), Alenquer e Abrantes, são ambas de maioria PS, enquanto Tomar é assim-assim. E o Cartaxo ? Pois, o Cartaxo também é PS, mas teve a coragem de tomar a decisão certa - certamente por mero acaso associou-se à LENA CONSTRUÇÕES, que assim passa a concorrente da VEOLIA no distrito.
Nestas condições, não custa compreender que, após tal condicionamento, Abrantes vai ser o próximo alvo de assédio, no sentido da privatização total ou parcial dos respectivos SMAS, em muito melhores condições do que as existentes em Alenquer. Da mesma forma, começa a fazer todo o sentido a estranha política dos SMAS, que desde há anos vêm sacrificando os consumidores, com tarifas cada vez mais gravosas, tendo em conta as taxas votadas e impostas pelo executivo e pela AM, sob domínio do PSD tal com os SMAS. Mas que, curiosamente, e certamente por mera coincidência, não aplicam as medidas decididas pela autarquia logo que implicam diminuição de receitas. E daí, indagarão os habituais cínicos de serviço ? E daí, certamente por mero acaso, simples coincidência, portanto, estão reunidas todas a condições objectivas para o início das negociações tendo em vista a privatização total ou parcial dos SMAS, igualmente por mero acaso, ou simples coincidência, entre a autarquia e a LENA CONSTRUÇÕES. É que, também por mero acaso, ou simples coincidência, o anterior presidente da câmara e depois gestor do QREN/Centro foi trabalhar para a Sociedade de Construções Aquino & Rodrigues (parece que a designação entretanto foi alterada), a qual também faz agora parte do grupo LENA CONSTRUÇÕES. Perceberam agora, caros leitores ? Ou será preciso fazer um desenho ?
Afirmou Salazar, pouco suspeito de esquerdismo e ainda menos de marxismo, que em política, tudo o que parece é. Nesta autêntica guerra da água, decididamente há demasiados acasos e estranhas coincidências... Se fosse em Lisboa, ou num jornal de âmbito nacional, haveria bronca pela certa. Tratando-se de um modesto semanário publicado "no resto que é paisagem", tudo bem. Ou não ? Afinal só o Sócrates é que é um grande malandro, que procura influenciar a imprensa e a informação em geral ? Ou há mais, muitos mais ?
Ficamos a aguardar os eventuais desmentidos, que serão devidamente guardados, para memória futura. Para 2013, por exemplo...

quarta-feira, 10 de março de 2010

ENQUANTO NOS DOER...


Os leitores farão o favor de desculpar a insistência. Nós aqui no blogue, temos um princípio que procuramos nunca traír: nenhuma das observações, positivas ou negativas, feitas pelos comentaristas, cai em saco roto. Podemos não responder e até perdoar, mas não esquecemos. Por outro lado, ao invés do conhecido fado "Cantarei até que a voz me doa", nós, enquanto nos doer, continuaremos a "cantar".
Partindo de anteriores observações, segundo as quais a comparação aqui feita era demagógica, porque num dos recibos havia acertos, fomos de novo à procura e, como quem procura sempre acha, aqui temos o resultado: Em cada consumo mínimo de 5 metros cúbicos, os consumidores tomarenses pagam mais 6,49 € em relação aos de Ourém e perdem um metro cúbico de água. Os recibos supra são como aquele algodão do anúncio televisivo -não enganam ! 6,49 não é grande coisa ? Pois não ! São 1.298 escudos mensais =15.576 escudos e menos 12 metros cúbicos ao fim de cada ano ! Para quem vive da política, não é nada, realmente. Para os pobres trabalhadores, pensionistas e outros reformados...
O compadre Zé da Bilha e outros apaniguados vieram igualmente com uma história da carochinha, afirmando que a VEOLIA, uma multinacional privada, implantada dos USA à China, está a fornecer água em Ourém a perder dinheiro e que só em 2013 é que os consumidores de Ourém vão ver como elas lhes mordem. Trata-se de uma reles patranha, que envergonha quem a engendrou, se tal pessoa souber realmente o que é vergonha. Consultados os competentes serviços anti-dumping da Comissão Europeia (a internet permite estas coisas com rapidez; basta dar-se ao trabalho) foi-nos dito que tal prática é estritamente proibida e severamente punida em toda a UE, pelo que devemos enviar qualquer prova cabal em nosso poder e imediatamente haverá inquérito, eventualmente seguido de multa e de suspensão da concessão, se for caso disso. Estamos esclarecidos, compadre Zé da Bilha ? Faça o favor de arranjar outra desculpa que a anterior era demasiado tosca.
Aproveitando o ensejo, esclarecemos todos os nossos concidadãos, que mais de 35 anos após Abril ainda não conseguiram habituar-se a viver em democracia, agindo em conformidade, daquilo que nos parece ser básico. Eis portanto, em linguagem metafórica, os princípios dundamentais da cidadania democrática:

A - Cada doente tem o direito e o dever de se queixar quando lhe dói, esclarecendo onde lhe dói.
B - O facto de exercer o direito de se queixar, não significa que tenha sempre razão.
C - Cabe ao médico ouvir os doentes, examiná-los, estudar as queixas, estabelecer o diagnóstico e indicar a terapêutica.
D - O doente tem o dever de comunicar sempre ao médico os efeitos da terapêutica por ele indicada, sem nunca procurar impôr a sua própria medicação.

Os senhores clínicos terão a bondade e a humildade de desculpar esta abusiva intromissão em seara alheia, motivada por alguns sindicalistas e outros trabalhadores, que não concordam com o congelamento de vencimentos e outras medidas de austeridade. Como se coubesse aos doentes indicar a terapêutica para a doença que afecta o país, ou como se uma tuberculose, por exemplo, se pudesse curar com aspirinas. Trata-se, em resumo e afinal, de tentar fugir com o dito à seringa, por parte de quem sabe muito bem que tem de levar as injecções, quer queira, quer não.

terça-feira, 2 de março de 2010

MAIS UM GUARDANAPO PARA OS SMAS SE LIMPAREM


É verdade caros irmãos na desgraça. Estamos a ser explorados até ao tutano. Para financiar a renovação da rede ? Para sustentar os funcionários ? Para pagar os custos da má organização ? Vá-se lá saber. Os nossos autarcas têm pelo menos uma virtude: em relação a qualquer problema colocado pelos munícipes, só quando de todo não podem continuar calados é que se resolvem a debitar uma desculpa mal alinhavada. Do tipo "vamos examinar o problema logo que possível; a questão não é assim tão simples; há várias componentes em jogo..."
O exemplo comparativo que apresentamos acima parece-nos sem qualquer ambiguidade. Em Tomar (SMAS dirigidos pela autarquia), por um consumo de 4 metros cúbicos mensais pagava-se em 2009 15,33 €. Em Fátima (Ourém - Serviço de águas privatizado pelo PSD por concurso público), por um consumo mensal de 19 metros cúbicos, paga-se em 2010 17,67 €.
E depois admiram-se que cada vez mais consumidores resolvam pôr-se na alheta. Até se pode dizer que os SMAS Tomar facturam bem, mas só até que tenham a quem. Que é como quem diz até que os tomarenses vão pagando e calando.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

SERVIR, PUNIR E INTUIR

O amigo Zé da Bilha é cá um magano ! Dirigente dos SMAS, continua a usar o mesmo argumentário de há quase dois anos. Tá máli ! Antão nã foi esse, o Camões que botou algures que "Mudam-se os tempos/Mudam-se as vontades" ? Pois aqui nesta bizarria nã senhore. Mudam-se os tempos/Mantêm-se as asininidades. Istéquetá umaçorda !
Outro aspecto curioso é a tentativa para baralhar os leitores, com referências a nacionalizações, Bloco de Esquerda e tudo. Como se os SMAS não fossem desde sempre um serviço assegurado por funcionários públicos. Coisa que se nota perfeitamente. Embora nem sempre, diga-se...
Quanto ao argumento de que se trata de tentar evitar a acção condenável de alguns consumidores, aos quais a bem dizer nem se devia chamar cidadãos, estamos perante a chamada esperteza saloia. Como decerto sabe, o esperto é um inteligente de curto raio de acção. Não mede bem as distâncias, como dizem os mais velhos. Pois é exactamente o caso, como passamos a tentar demonstrar.
Imagine que, por circunstâncias que não adiantam para o caso, determinado contador está em nome do senhorio. O rendeiro deixa de pagar a renda, põe-se a milhas, não paga a água nem a luz, mas o senhorio só disso vem a tomar conhecimento muito mais tarde, pois o caloteiro não o avisou, como é evidente. Acha justo que para efectuar nova ligação, o senhorio tenha de pagar os calotes do anterior rendeiro, acrescidos da célebre taxa de 55 euros ?
Já sabemos, já sabemos ! Vai retorquir 1) -que deviam pôr o contador em nome do rendeiro; 2) -que a EDP também cobra uma taxa. Quanto a 1), amigo Zé da Bilha, se o contador estivesse em nome do rendeiro, o que é que mudava ? Se o homem deu à sola... Quanto a 2), realmente a EDP também cobra, mas tem o cuidado de vaselinar a questão, para não aleijar tanto: "O fornecimento só poderá ser retomado após o pagamento do valor em débito acrescido das despesas correspondentes...(cujo valor poderá oscilar entre 21,30€ e 115,80€, acrescidos de IVA à taxa legal), consoante os meios utilizados". Além disso, tratando-se de novo consumidor, não tem de pagar quaisquer dívidas ou taxas do anterior, como é lógico e intuitivo. Ou não ?
No fundo, prezado Zé da Bilha, somos de opinião que tudo pode resumir-se a uma questão de mentalidade. Em qualquer país da União Europeia, excepto no nosso, os funcionários públicos, todos os funcionários públicos, são servidores do Estado, da República ou da Coroa. Que o mesmo é dizer: estão ao serviço dos cidadãos, pois é para isso que foram contratados. Nessa qualidade, podem actuar de dois modos diferentes, consoante a sua especialidade profissional - SERVIR ou PUNIR. Os polícias, os magistrados, alguns funcionários do fisco e alguns guardas prisionais PUNEM. Os outros deviam SERVIR, mas nem sempre assim acontece. E então quando se armam em polícias e/ou magistrados e condenam outros cidadãos, sem sequer ouvirem as suas razões, vivem ainda num mundo que entre nós se supunha acabado após o 25 de Abril. Infelizmente, aqui em Tomar parece não ser ainda o caso. O que não se estranha, pois como a democracia nos foi oferecida de bandeja, continua tudo à espera que lhe resolvam os problemas com um mínimo de esforço. Por isso estamos como estamos, e vamos estar cada vez pior. A tal questão das mentalidades...

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

CRÓNICA CORROSIVA DA CRISE

Documento 1

Documento 2

Assoberbados como andam com a elaboração de um projecto em simultâneo viável e fecundo para Tomar (ou estaremos equivocados ?), os senhores autarcas se calhar nem tempo tiveram para ouvir esta semana o Prof. Louçã e o economista-chefe do FMI, Oliver Blanchard. Se assim aconteceu, mais cedo que tarde vão lamentar tal lacuna.
O líder do BE foi directo e claro "Armando Vara ganha no BCP o dobro do vencimento de Obama", presidente da primeira potência económica do Mundo. E no entanto, Vara é apenas um dos vice-presidentes. Agora imaginem quanto ganhará o seu chefe, Santos Ferreira...
Por seu turno, Olivier Blanchard foi lapidar: 1-Demorará pelo menos 20 anos a resolução das consequências da presente crise (desemprego, marasmo económico, subida excessiva do défice, aumento alarmante da dívida pública); 2 -Só será possível resolver tais problemas com sacrifícios e medidas muito dolorosas; 3 - A Itália corre o risco de atingir o ponto de incumprimento, ao não conseguir honrar o serviço da dívida, devido ao excessivo montante desta. Se isso vier a ocorrer teremos um situação de consequências imprevisíveis, pois a UE não terá envergadura económica suficiente para a salvar .
Nestas condições, que mostram bem o mundo louco em vivemos todos, com alguns países desenvolvidos à beira do precipício, e dirigentes menores, de países secundários, a ganharem mais do dobro do presidente da nação mais poderosa deste universo, conviria que pelo menos os autarcas descessem finalmente a este mundo, apesar da atitude de José Sócrates.
Optimista incurável, o nosso primeiro-ministro até afirmou um dia destes que nunca viu um pessimista ganhar uma batalha. É capaz de ser verdade. O pior é que também nunca vimos ganhar qualquer batalha só com optimismo. E aí é que reside o busilis da questão. Contrariado ou não, Sócrates terá de implementar a curto prazo, cumprindo determinações da UE, as tais medidas dolorosas, que poderão ser, por exemplo, uma redução dos vencimentos da função pública, a começar pelo dele, uma redução substancial das despesas públicas, um aumento do IVA, e eventualmente a supressão do 14º mês, o que corresponderia, só por si, a uma redução real de mais ou menos 7% nos salários e vencimentos.
Se entretanto a isso não tiverem já sido forçados pelas circunstâncias, lá para Setembro/Outubro do ano que vem, o mais tardar, os autarcas nabantinos e muitos outros terão de mudar de hábitos. Enquanto que nestes últimos 15 anos o seu esforço tem incidido na busca de projectos para estafar os fundos europeus, doravante, e quanto mais cedo melhor, terão de acostumar-se pouco a pouco a procurar a nível local e/ou regional verbas que possam garantir o funcionamento do município. Caso o não consigam, não está excluído que possam vir a ocorrer falhas de tesouraria, susceptíveis de influir nos próprios vencimentos. Vamos esperar para ver.
Neste contexto de crise, a situação de alguns sectores é já tão problemática que começa a ter alguns contornos caricatos. Seja o leitor o juíz.
Reservámos hoje aqui no blogue dois bilhetes de avião Lisboa/Roma/Lisboa, para o próximo mês de Junho e pela TAP. (Ver documento 1). Qual não foi a nossa surpresa ao constatar que só o transporte custa apenas 36 euros por pessoa e trajecto, ou seja 72 euros no total. O pior é que as taxas somam 91 euros por pessoa, o que vem a dar um total de 163€/passageiro. Perante isto, já estamos a encarar a hipótese de no próximo ano comprarmos só as taxas. Ficar-nos-á mais barato e evitaremos a maçada das viagens.
Outro aspecto relevante do estranho mundo em que somos forçados a viver, é-nos dado pelos SMAS de Tomar (ver documento 2). Conta-se assim: Um infeliz cidadão ficou desempregado há muitos meses. Acabado o subsídio de desemprego a que tinha direito, o senhorio lá foi esperando pelas rendas, situação que se mantém. Entretanto, o homem teve de escolher entre a barriga, a água, a luz, etc. Não pagou 16 euros aos SMAS a tempo e a horas. A resposta foi fulminante, com todo o aspecto de vingança, retaliação, represália. Levaram-lhe o contador e agora pretendem que liquide não a modesta soma em dívida, mas um total de 71€98, que inclui 46 cêntimos de atraso de pagamento, mais 55€38 de despesa de religação. É uma violência e uma decisão nitidamente de outra época. Dado que praticamente todos os contadores dispõem de uma torneira de segurança, que permite cortar o fornecimento e ser selada, para que retiraram o contador ? Mero pretexto para sacar verbas adicionais ? "Despesa de religação", diz o papel. Que despesa ? O funcionário que procede a essas medidas insensatas e desprovidas de qualquer sensibilidade socal, tanto ganha desmontando e montando um contador por mês, como vinte ou trinta ou quarenta. Assim sendo, que despesa ? Quem mandou os SMAS retirarem o contador, havendo outro meio mais prático de cortar o fornecimento, mantendo o contador ?
O ano passado houve alguma polémica por causa do preçário exagerado dos SMAS, quando comparado com municípios vizinhos. Nessa altura a taxa de religação, que era, se não erramos, de 40€, foi fortemente posta em causa. O resultado foi aumentarem-na para 55€ ? Andam a brincar com quem ?
Claro que o presidente do CA dos SMAS, Luís Vicente, vai reagir com a habitual cantilena de que o preçário foi aprovado pela Câmara e pela AM, são normas, são regulamentos, são leis, são determinações superiores, etc.etc. Exactamente a mesma música de qualquer subordinado de Estaline, Hitler, Pol Pot, Fidel, Chavez, e assim sucessivamente. Afinal o pessoal da PIDE também se limitou a cumprir ordens...(Desculpa lá ó Vicente, mas cada qual serve-se das armas que tem; tu usas as religações; nós usamos as comparações; tudo nos limites da boa convivência, uma vez que "quem com ferros mata, com ferros morre".
E não adianta virem com qualquer nova tentativa de justificar o injustificável: Se o cidadão não conseguiu pagar 16 euros, como querem que pague agora quase 72 ? Que mal fez ele aos senhores autarcas ? Caberá na cabeça de alguém que retirar e voltar a colocar um contador de água, numa decrépita cidade de província, de um país assistido pela UE, custe mais caro do que uma viagem de avião Lisboa/Roma, pela TAP ? Pelos jeitos cabe. Nas cabecinhas dos autarcas que temos. E depois admiram-se que tanto investidores como contribuintes se orientem cada vez mais para outras paragens. Estamos realmente num Mundo cada vez mais louco, no qual, como murmura um dos nossos administradores "SMASfazem, pagam-mas !" E é bem capaz de ter razão.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

O PODER LOCAL EM 3 ILUSTRAÇÕES...

Aprende-se em todas as escolas de jornalismo que "Os factos são sagrados, as opiniões são livres". O que não quer dizer que todos os alunos fiquem a saber. Para mais, uma outra escola, menos americanizada, sustenta que o ideal é apresentar aos leitores "a verdade tal como nós a vemos", que o mesmo é dizer, a nossa verdade. Complicado, não é ? Em qualquer caso, factos são factos, e contra factos não há argumentos. Ou não devia haver, mas os senhores causídicos também têm o direito de ganhar honradamente a vida deles. O que sem argumentação...
Vamos aos factos. Este recibo dos SMAS tomarenses mostra-nos o ponto a que chegámos, em termos de exploração dos cidadãos/consumidores pelo poder instalado. Um consumidor individual, ou uma família, que consiga ficar-se pelos 5 metros cúbicos mensais, desembolsa no fim de cada mês 2,25 euros pela água que gastou, mas 12, 40 euros pelas alcavalas (quota de serviço, que ninguém sabe explicar a direito de que se trata, taxa de resíduos sólidos=recolha do lixo, tratamento de esgotos), o que corresponde, sem IVA, ao fim de cada ano, a 5 contos e quatrocentos de água consumida, e 29 contos 760 de alcavalas. Estará isto certo ? A palavra aos consumidores.
Quanto aos nossos autarcas executivos, continuam a não perceber porque é que a situação nunca mais melhora e os munícipes continuam a dar à sola... Uma pessoa bem vai procurando ajudar. Sem resultado até agora.


Foto O Templário
Com a situação a agravar-se continuamente e a população a diminuir, o poder vai-se instalando, ocupando cada vez mais espaço, ao mesmo tempo que vai deixando cada vez menos lugar para os eleitores. No caso documentado na fotografia, o executivo autárquico está agora no 3º modelo de mesa desde o século XII. Com efeito, de 1162, data do primeiro foral, até 1420, data em que o Infante D. Henrique se apropriou do governo da Ordem de Cristo, as reuniões municipais faziam-se na Igreja de S. Tomás (A Charola), que naturalmente funcionava como mesa redonda. O mestre e o alcaide eram apenas primus interpares, sem opiniões preferenciais.
Com o advento do governo do senhor Infante, apareceu a mesa rectangular, com ele à cabeceira, e assim se continuou a praticar, mesmo quando toda a população foi escorraçada do interior das muralhas para a parte baixa. Nem o regime autoritário anterior ao 25 de Abril ousou alguma vez alterar a tradição -mesa rectangular e sessões semanais.
35 anos volvidos após Abril, descobriu o minoritário executivo laranja que vamos tendo as vantagens da mesa em U, que para os do PSD são evidentes. Agora não há cá misturas, nem cochichos entre forças de diferentes classes políticas. A cabeceira é ocupada pelos 3 titulares do verdadeiro poder. À sua esquerda têm os circunstanciais criados. À direita têm os malvados, unicamente porque a lei eleitoral a isso obriga, sendo evidente que, para o quinteto 3+2, só lá estão a empatar e a provocar desnecessárias irritações e perdas de tempo. E reuniões, só duas por mês que chega muito bem. Os munícipes que vão esperando...
Julgam os senhores eleitos que não é bem assim ? Pois poderá não ser. Mas é a verdade tal como a vemos. E as opiniões são livres. Por enquanto ?

Fotografia O Templário

Na Assembleia Municipal, o caso da expansão do poder é ainda mais evidente. Como é óbvio, antes de 74 não havia parlamento local para ajudar a apascentar o rebanho. Depois, durante anos, o salão nobre dos Paços do Concelho era dividido praticamente em partes iguais: na metade à esquerda da tradicional porta de acesso, os deputados municipais (como agora se diz, porque na altura eram só vogais), os membros do executivo e um ou outro jornalista. Na outra metade, dezenas de cadeiras para o público, que não tinha qualquer dificuldade de acesso pela porta principal.
Numa altura em que tanto se fala de aproximar os eleitos dos eleitores, em Tomar o panorama é o que está à vista. O salão é o mesmo, com a mesma superfície útil, mas os titulares do provisório poder entretanto alargaram o seu espaço vital (onde é que eu já li isto ?). Agora o público fica em pé, desde que antes tenha conseguido encontrar as dissimuladas entradas do salão, visto que a porta principal -a única que dá para o exterior- está fechada.
Ainda não chegámos à situação dos nossos vizinhos de Ourém, em cujos novos Paços do Concelho, que custaram um ror de dinheiro, não cabem sequer os membros da Assembleia Municipal. Tudo indica, porém, que vamos no bom caminho. Estes políticos domésticos não se enxergam ? E ainda terão lata para vir argumentar que, de qualquer maneira, os cidadãos nunca comparecem nas reuniões da Assembleia ? Com tais condições de acolhimento...
UM BOM NATAL PARA TODOS, APESAR DE TUDO.

quinta-feira, 5 de março de 2009

AUTARQUIA FORNECE E METE ÁGUA - 2


Redacção de Tomar a dianteira

No primeiro texto desta série vimos que, em todos os seis municípios escrutinados, a água é facturada por escalões, mas estes variam, tanto em preço por metro cúbico, como nos limites de cada escalão. Assim, em Tomar o primeiro escalão vai até seis metros cúbicos, em Lisboa até cinco e em Abrantes apenas até três. Outro tanto sucede com a tarifa por metro cúbico, que vai de 16 cêntimos em Lisboa até 60 cêntimos em Constância. Concluimos, escrevendo que algo está mal quando os tomarenses pagam quase três vezes mais do que os lisboetas, pela a água que a EPAL vem captar e tratar no concelho de Tomar.
Um leitor mais informado não se conteve e escreveu que realmente a situação dos consumidores tomarenses é bem mais gravosa do que aquilo que aqui escrevemos. Pois tem toda a razão. Porém, se tem tido um pouco mais de paciência para nos aturar, logo veria que já era nossa intenção denunciar uma situação que nos parece ter tanto de arbitrária como de escandalosa. Estamos a falar da frase sibilina, aprovada no executivo e na Assembleia Municipal, que permite punir os consumidores, sem qualquer justificação plausível. Ei-la: "Uma vez definido o escalão de consumo, este será todo processado ao mesmo preço." Ou seja, em linguagem corrente, "Uma vez determinado o escalão máximo atingido pelo consumidor, todo o consumo será facturado por esse mesmo escalão." Portanto, o preço de 45 cêntimos/metro cúbico no primeiro escalão, 68 cêntimos no segundo escalão, ou 79 no terceiro, passará a ser de um euro e oito cêntimos/metro cúbico, caso o consumidor gaste mais de 16 metros cúbicos, limite do terceiro escalão. Se, por exemplo, o munícipe consumiu 17 metros cúbicos (o que nem é assim muito difícil), em vez de pagar 6x45+5x68+5x79+1x1,08 = 11,13 € mais a taxa de serviço, mais o saneamento, mais os esgotos, mais 5% de IVA, será obrigado a desembolsar 1,08x17 = 18,36€, mais taxa de serviço, mais esgotos, mais saneamento, mais 5% de IVA. Basta multiplicar por milhares de consumidores x 12 meses x vinte e tal anos, para ter uma ideia dos milhões arrecadados com esta prática, que só o Município de Tomar tem tido o arrojo, o descaramento e a falta de sensibilidade para impôr aos seus eleitores. E depois ainda aparecem com medidas cosméticas pretensamente contra a crise...
Outro aspecto a sublinhar é o das tarifas para comércio, indústria, autarquia, estado, colectividades. Também aqui é um fartote de incongruências e de arbitrariedades, consentidas por todos aqueles que votaram favoravelmente o tarifário em vigor.
Em Lisboa todos os mencionados tipos de consumidores pagam 1,35€/metro cúbico, sem qualquer limite, pagando as entidades privadas de interesse público 1,o2€, também sem qualquer limite. Em Tomar a situação é outra, bem menos favorável para os consumidores. Comércio e indústria pagam 1,08€/metro cúbico até 15 metros cúbicos, 1,71€ a partir daí, enquanto a autarquia paga apenas 0,52 cêntimos, sem qualquer limite de consumo. Dir-se-á que é de interesse geral, blábláblá, blábláblá, blábláblá. Seja! Mas então porque é que o Estado (Hospital, Quartel, Tribunal, Finanças, Escolas, Polícia, GNR, Centros de Saúde, etc. etc.), é obrigado a pagar tudo a 1,94€/metro cúbico? Não são estabelecimentos de interesse público, custeados pelos contribuintes, através do Orçamento de Estado, tal como a autarquia? Que se pretende afinal? Sacar o mais possível ao poder central? Estarão convencidos de que o governo dispõe de máquinas para fazer dinheiro?
Como se tais enormidades não bastassem, temos ainda a chamada "quota de serviço", uma designação manhosa para substituir o ilegal aluguer do contador. Pois também aqui se registam variações consideráveis, que vão de Constância, onde não se cobra tal coisa, até Tomar, onde se entra logo a matar, com 5,70€/mês até 15mm, contra 3,29 em Ourém, 2,81 em Abrantes e 2,50 em Torres Novas.
A seguir aparece a taxa de ligação do contador à rede (1ª vez): Constância 4,65€, Ourém 7,12€, Torres Novas 9,84€, Tomar 22,80€. Lisboa e Abrantes nem sequer mencionam tal serviço.
Para concluir, uma amostra dos exageros a que pode conduzir a ganância, quando não devidamente controlada pelos eleitores. Ouve-se agora muito na TV que há cada vez mais cidadãos que nem sequer conseguem pagar as suas facturas de água e/ou luz. Quando tal acontece, as entidades concessionárias cortam os fornecimentos. Depois, naturalmente, quando se verifica o pagamento das somas em dívida, têm de restabelecer as ligações antes cortadas. Pois também aqui Tomar exagera fortemente. Lisboa e Abrantes nem sequer mencionam essa hipótese, Ourém (PSD, concessionária privada) cobra 8,54€, Constância (CDU), 14,00€, Torres Novas (PS) 20,50€ e Tomar (PSD) 46,15€. Ah valentes! Assim é que é! Quem não puder pagar que vá viver para outro lado, não é assim? E depois nós é que somos más línguas...
Apóstolos do poder instalado vão, se calhar, contra-argumentar que tais práticas já vêm do tempo de Pedro Marques. Pois vêm! E daí? O PSD alguma vez fez alguma coisa para as alterar? Em mais de dez anos seguidos de poder, ainda não tiveram ocasião para isso? Ou sempre lhes tem faltado a vontade?

segunda-feira, 2 de março de 2009

A AUTARQUIA METE ÁGUA E METE A MÃO


Redacção de Tomaradianteira

Decidimos abrir com um esclarecimento. Já foi dito e redito, mas insistimos. Numa terra onde a intolerância só tem paralelo no analfabetismo económico ou na iliteracia política, mais vale prevenir que remediar. Aqui vai: Não somos contra ninguém, sejam pessoas ou entidades. Procuramos respeitar todos por igual. Limitamo-nos a questionar actuações, desempenhos, tanto de eleitos como de funcionários públicos. O nosso objectivo limita-se a querermos proceder de modo a que as coisas melhorem para o conjunto da comunidade tomarense. Se conseguimos ou não, só os nossos leitores podem dizer. E passamos ao tema central deste escrito.
O recente aumento das tarifas da água e concomitantes taxas daí resultantes, foi desta vez alvo de alguma contestação, designadamente da parte do grupo ambientralista AQUA. É uma atitude nova nosso concelho, cujos eleitores estão, na sua esmagadora maioria, mais habituado ao "comer e calar". Ciente desta novidade, Tomaradianteira resolveu dar corda ao assunto e foi fazer o que em Portugal é tão raro quanto difícil -jornalismo de investigação. Recolhemos material oriundo de seis autarquias: Abrantes, Constância, Lisboa, Ourém, Tomar e Torres Novas. De Abrantes e Torres Novas, por se tratar de autarquias comparáveis com Tomar, mas com maioria PS; de Ourém (PSD desde 74), porque os serviços de águas e saneamento foram concessionados a uma multinacional; de Constância, dado ser a única autarquia da zona com maioria CDU: de Lisboa, finalmente, por ser o mais alto nível de vida do país, e consumir sobretudo água captada no Castelo do Bode, depois tratada na Asseiceira.
As nossas conclusões são, nalguns casos, curiosas e inesperadas, embora confirmem, no essencial, a nossa ideia inicial -os autarcas tomarenses têm abusado da boa vontade ou passividade dos consumidores/eleitores. Há até duas ou três situações na verdade tão revoltantes que pedem uma imediata anulação. Já lá iremos. Para já esta surpresa: Globalmente, a água mais cara da zona não é a de Tomar, mas a de Constância, governada pela CDU. Quanto à globalmente mais barata...é a de Lisboa, como mostram estas tarifas - Consumos do 1º Escalão, por M3, ou seja até 3 M3, em Tomar, até 6 M3 em Abrantes. Lisboa 0,16, Ourém, 0,43, Tomar, 0,45, Abrantes, 0,46, T.Novas, 0,47, Constância, 0,65 . Logo aqui uma primeira constatação. Algo não está bem, quando a EPAL vende em Lisboa a água captada em Tomar a um preço quase três vezes inferior ao que os tomarenses pagam. E depois ainda nos vêm com o argumento/balela de que temos de pagar as despesas de captação, tratamento, distribuição, etc. Dado que a EPAL também tem, sem margem para dúvidas, essas mesmas despesas, acrescendo que deve ficar bem mais caro o transporte da água para Lisboa, os autarcas tomarenses têm de rever quanto antes a matéria. Vão, se calhar, responder que em Constância ainda é pior. Pois é, mas nós não residimos à beira-Tejo, e com o mal dos outros...
É óbvio que estamos perante comparações limitadas, não só porque os escalões englobam totais diferentes, mas igualmente porque as variações podem ser diferentes nos outros escalões. Conquanto não seja tanto assim, convém esmiuçar antes esta questão dos escalões, bem como a situação na realidade escandalosa daí resultante, que se verifica só aqui em Tomar. É o que tencionamos fazer no próximo texto, que este já vai longo e não convém cansar os leitores.

sábado, 17 de janeiro de 2009

MAZELAS TOMARENSES - Sinais do tempo






Cão Tinhoso
Política esotérica?
Começo com um assunto que me tem apoquentado, e para o qual gostaria de obter esclarecimentos. No blogue de Luis Ferreira, vamosporaqui.blogspot.com, actualizado quase todas as semanas, aparecem ultimamente duas fotografias estranhas. Uma mostra uma nora árabe, também conhecida por engenho aqui na nossa zona. A outra mostra um candelabro judaico, com os clássicos sete braços terminados em castiçais, para colocar as sete velas alusivas às sete tribos de Israel. Tudo claro, portanto? Pois não senhor. Antes pelo contrário.
Porquê a nora? Quem é que anda ou devia andar à nora? Haverá alguma relação entre o candelabro e a cabala? Pretende-se o apoio dos judeus? A foto foi tirada onde? Mistério, mistério, mistério...
A tradição já não é o que era...
Corajosamente, um munícipe com estabelecimento na Rua da Graça continua a usar uma das suas montras para publicitar a sua campanha contra o aumento da água. Já obteve uma primeira vitória: a DECO, Associação de Defesa do Consumidor comunicou-lhe que a recusa do livro de reclamações par parte dos SMAS é ilegal, sejam quais forem os argumentos usados, pelo que deve chamar a PSP quem desejar reclamar e lhe for negado o livro. Tomar a dianteira apoia a acção do citado munícipe e do seu grupo AQUA. Que nunca lhe falte ânimo, para demonstrar que em Tomar, a tradição já não é o que era. Nem lá perto!
Os tempos estão a mudar...
Houve tempo em que neste país, quando um burro falava, os outros baixavam as orelhas e acatavam respeitosamente. Pois foi chão que já deu uvas. Devido às obras na Rua Direita, a Câmara comunicou aos munícipes, num pequeno impresso afixado no local, que os contentores da Rua D.ª Aurora de Macedo passam a estar na Rua da Graça. Podia ter dito que os moradores sem possibilidades, por qualquer motivo, de se deslocarem com os detritos ao novo local, deviam deixar os sacos no sítio antigo, que os serviços viriam recolhê-los. Não o fez, mas nada lucrou com isso, a não ser acusações de desdém, arrogância e deixa andar. Os moradores fazem de conta que não leram nada e escoram-se nas elevadas taxas mensais que pagam, as quais devem dar direito a algumas regalias. Têm toda a razão! Realmente, os tempos estão a mudar, e de que maneira! Até os tomarenses já protestam, tanto de forma activa como passiva.
País de brandos costumes, terra de brandos costumes...
Finalmente a PSP lá conseguiu uma nova casa, com a dignidade, o conforto e o equipamento que constituem o mínimo a conceder a uma corporação de defesa dos cidadãos. Por isso aqui ficam as nossas felicitações aos polícias e o nosso agradecimento ao governo. O seu a seu dono.
Como sempre acontece em termos de obras, os projectos e o planeamento dos trabalhos enfermam de alguns erros, quase sempre reparáveis, desde que haja humildade para reconhecer o que não está bem e proceder à respectiva correcção.
No caso das novas instalações da PSP, acabadinhas de inaugurar, após grandes obras de adaptação às novas funções, há qualquer coisa que não bate certo. Basta olhar com atenção para a fotografia acima. Enquanto à direita se pode ver um pequeno portão para acesso pedonal, que está fechado e é dotado de trinco eléctrico; do lado esquerdo, a entrada para viaturas não tem qualquer portão. Qualquer pessoa, com qualquer intenção, pode entrar de noite ou de dia, tanto baixando-se um pouco, como passando entre o suporte metálico e a parede, à esquerda ou à direita. Teria ficado muito mais caro instalar um portão automático, pelo menos da mesma altura da vedação (que me parece de masiado baixa, mas enfim...)?
Não ignoro que, como afirma João César das Neves, conhecido economista/sociólogo/cronista conservador, em Portugal, felizmente para todos nós, até os extremistas são boas pessoas. Mesmo assim, continuo a pensar que os agentes e responsáveis da PSP de Tomar merecem lá um portão automático. Quanto mais não seja para poderem descansar melhor, designadamente durante a noite.