quinta-feira, 4 de julho de 2013

Quer ser suicidado?

Amigos têm-me reprovado a minha atitude em relação às autárquicas de Setembro. Dizem-me que em democracia se deve votar sempre, mesmo quando se é forçado a escolher os menos maus e não os melhores, que esses já antes foram arredados pelas camarilhas partidárias. E insistem na sua posição, apesar de lhes explicar que, no caso de Tomar, tanto faz dar-lhe na cabeça como na cabeça lhe dar. Os dois candidatos com algum arejamento mental -o Bruno e o Ivo- um  pró-sector público, o outro pró-sector privado, não têm quanto a mim qualquer hipótese razoável de eleição, quanto mais de vencer. Custa a dizer, mas é assim.
Sobre os outros três, já estamos sobejamente conversados. São farinha do mesmo saco, sopa da mesma panela, frutos da mesma árvore. E contrariamente ao que alguns pensarão, esta minha posição pode muito bem não ser assim tão minoritária, ou sequer iconoclasta. Henrique Neto, um conhecido e respeitado empresário de Leiria, ex-deputado PS na Constituinte, ex-membro da Comissão Nacional socialista, não vai por portas travessas. Corta a direito: "Especialistas da retórica, demagogos por natureza, vazios de ideias por formação, ou por falta dela, os políticos portugueses dos últimos vinte anos... ...lançaram Portugal no descrédito e os portugueses na pobreza. Continuar a votar nesta gente é condenar Portugal ao suicídio colectivo." (Henrique Neto, Jornal de Leiria, 04/07/2013, página 2).
Substituindo portugueses por tomarenses e Portugal por Tomar, será necessário acrescentar mais alguma coisa? Quer ser suicidado? Então vai votar para quê?

6 comentários:

HC disse...

Fica-lhe mal prof. Rebelo, esse apelo ao boicote às urnas, ainda mais quando notoriamente deseja ser candidato.
Nenhum democrata pode concordar com isso. Votar é um direito e... um dever!
Os números habituais dos abstencionistas são normalmente suficientes para dar a vitória só por si a qualquer das listas concorrentes (lembre-se que são listas e não o candidato x ou y - o tempo dos presidentes "rei sol" já passou e nenhum conseguirá vingar se for por esse caminho).

Por isso, se tem candidatos preferidos, pois apele ao voto nesses, é legítimo. Ou ao voto nulo.
O apelo à abstenção não é próprio da democracia, e um atentado à memória dos que lutaram para termos esse direito que muitos no mundo ainda não têm.
Além do mais, não votar não iliba ninguém das escolhas. Comunidade somos todos.

cumprimentos.

http://www.alguresaqui.blogspot.pt/2013/06/comunidade-somos-todos.html

António Rebelo disse...

Respeito o seu ponto de vista mas mantenho a minha posição. Onde escreve "notoriamente deseja ser candidato", o tempo verbal deve ser alterado para "em tempos desejou ser candidato". Agora nem pensar, por via do conhecido aforismo "Diz-me com quem andas, te direi quem és". Mais vale só que mal acompanhado, até na política.

Cordialmente,

tomarense d disse...

"Votar é um direito e... um dever!"

Concordo, mas nos tempos que correm votar seja em que partido for, não é mais do que satisfazer clientelas partidarias e permitir a ocupação de lugares sem o minimo criterio, excepto o partidário.
Para além claro da forma irresponsavel e leviana como gerem os fundos que pertencem a todos nós e não a uma elite de imcompetentes que se julga dona e senhora de tudo...

templario disse...

DE: Cantoneiro da Borda da Estrada

O direito de votar (e vetar!) é uma das mais antigas lutas dos povos.

Nas primeiras eleições da República (depois de 1910) só tiveram direito de voto cerca de 450.000 portugueses.

Em 850 anos da nossa história, só há cerca de 40 anos podemos votar todos.

Pregar a não ida às urnas é uma manifestação de desvinculação do nosso coletivo - para além dos graves perigos que encerra tal pregação...

António Rebelo disse...

Perante o actual estado das coisas, não consigo vislumbrar os alegados perígos, nem a vantagem de ir votar num do alfobre já conhecido...

templario disse...

DE: Cantoneiro da Borda da Estrada

Há uma incorreção no meu comentário anterior. Quando afirmo que "só tiveram direito de voto cerca de 450.000 portugueses", isso não é verdade. Votaram cerca de 450.000, mas mais teriam esse direito, que sinceramente desconheço.