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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

POBRE TERRA, POBRE RIO !!!



A nossa leitora Ana Isabel Santos, a quem agradecemos, mandou-nos estas duas fotografias do Nabão, a jusante de Tomar. E disse-nos: "Sou uma simples tomarense, que quando era nova passava os fins de semana, com os tios e restante família, a fazer piqueniques onde era o antigo Moínho Novo (agora Manjar dos Templários). Hoje dá-me tristeza olhar para lá e ver areias, lixos, entulhos e muitas árvores caídas. Não estou a falar de uma só, mas de muitas. Já avisei a Protecção Civil, que até agora nada fez. Não sei de que estão à espera. Só se for que haja um ajuntamento de todas as árvores, para provocar uma inundação. Depois irão a correr acudir às pessoas da Quinta do Falcão ?
A impressão que tenho é que a nossa cidade está abandonada, mas parece que não sou só eu a pensar assim. E não me venham com a história de que não há dinheiro. Um exemplo está aqui na Choromela: quando estavam para fazer o Hospital, fizeram os esgotos todos novos já a contar com ele. Agora votaram a fazer esgotos novos para quê ?

Ana Isabel

Nota de Tomar a dianteira:

Pois é Ana Isabel. Se a limpeza do Nabão, no Moínho Novo, permitisse uma candidatura ao QREN com uma coisa grande, assim tipo ponte e paredão do Flecheiro, por exemplo, certamente já estaria resolvido. Agora assim, tratando-se de uma coisa modesta, mais a mais fora da cidade, nada feito. Quanto ao estado em que está a cidade e está o concelho, é como no Instituto Politécnico -Os professores são excelentes, os cursos são óptimos, os alunos é que são cada vez mais pessimistas crónicos de forma que lá vão calçando os patins e rolando para paragens menos exigentes. O mesmo sucede com o Município tomarense. Os autarcas são excelentes e os funcionários óptimos, os eleitores-contribuintes é que estão cada vez mais pessimistas crónicos, e lá vão votando com os pés, cada vez em maior número. Em Portugal, e portanto em Tomar também, a culpa é sempre dos outros. Ou não será assim ?

domingo, 27 de dezembro de 2009

MUDAM-SE OS TEMPOS, MUDAM AS PAISAGENS

No princípio do século passado era assim. Um rio que se espraiava sem grande entraves, lavadeiras e pescadores. Mais tarde fizeram a ponte do Albano, sensivelmente entre os dois casarões, um em cada margem. Nos anos 5o foi construído o mercado e uma ponte de madeira, porque entretanto a Ponte do Albano tinha sido levada por uma cheia. Fez-se igualmente a popularmente chamada "muralha do matadouro", pois este era onde está agora a entrada do lado poente da nova ponte. No terreno assim conquistado ao leito do rio foram plantados cerca de 20 salgueiros-chorões.



Este, cuja ramagem se vê na foto foi o único que conseguiu resistir ao tempo e às obras, mas estava condenado. Foram feitos esforços para o preservar, mas o resultado conseguido foi medíocre, sobretudo porque lhe descalçaram parcialmente o tronco.




Velho, já com pouca saúde e mal calçado por culpa dos homens, praticamente não ofereceu resistência aquando do recente temporal. Agora certamente virá um substituto, que dentro de alguns anos terá um porte semelhante ao deste. Todo o mundo é feito de mudança/Tomando sempre novas qualidades, escreveu Camões, há mais de quatrocentos anos...



segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

INSÓLITOS TOMARENSES - 15


Fica ali no Padrão, na margem do Nabão, um pouco antes do Acampamento Pascoal, no sentido Lisboa Tomar. É uma magnífica árvore, de grande porte, certamente multicentenária. Julgo que é um carvalho cerquinho, mas não estou 100% seguro. Será melhor perguntar a especialistas. Além da envergadura fora do comum, tem um tronco curioso, primeiro bifurcou e depois os dois voltaram a unir-se, dada a compatibilidade da seiva.
Como se pode ver, é de geração espontânea e nunca foi devidamente cuidado. Não seria agora tempo de cuidar um pouco deste exemplar excepcional ? Afinal quem é que cuida das margens do Nabão ? Ninguém ?

Outro aspecto da vegetação espontânea em Tomar. Neste caso num dos projectores junto à Ermida da Conceição. A mostrar que tudo aquilo é devidamente inspeccionado periodicamente. Salvo erro...


quinta-feira, 12 de novembro de 2009

DESVENDADO O MISTÉRIO DO AÇUDE




Suponho que poucos saberão, (estas coisas da história já não interessam a ninguém), mas os nossos antepassados (nossos, dos tomarenses, bem entendido) foram sucessivamente foreiros dos Templários, até 1312, e da Ordem de Cristo até à aceitação do foral novo dado por D. Manuel I (1509). Significa isto que beneficiaram de um estatuto próprio durante séculos, após o que passaram a ser regidos pela lei geral do reino.
Sendo foreiros, a entidade que lhes concedera os foros garantia-lhes alguns direitos, mas igualmente muitas obrigações. Entre aqueles figuravam o direito de habitação, o direito de amanhar uma courela mediante renda anual (o foro) e/ou de exercer um ofício. Das obrigações, as principais eram a participação nas campanhas militares, o cumprimento dos direitos de aposentadoria e de comedoria dos nobres e, sobretudo, o pagamento de impostos.
Naqueles tempos, a circulação de moeda era muito reduzida, e a troca directa muito frequente, pelo que os impostos e as rendas dos foros eram pagos em géneros. Na região de Tomar, além dos tradicionais animais domésticos (galinhas, patos, perús, cabritos, cordeiros, vitelos), o usual era pagar com a azeitona e os cereais. Além das filhas casadoiras, no âmbito do direito de pernada, mas isso é já outro assunto mais sensível.
Procurando evitar a falcatrua e/ou a fuga ao pagamento mais ou menos justo, os administradores da Ordem muniram-se desde o início, em 1162, de todas as garantias. Assim, só a Ordem e os por ela designados tinham o direito de fazer açudes fixos no rio, bem como de moer azeitona ou cereais. Maneira ardilosa de forçar os agricultores a entregarem toda a sua produção nos lagares/moínhos existentes (os da Levada), onde lhes retiravam logo a parte referente aos impostos. Além de mais qualquer coisinha para o lagareiro/moleiro...
Os outros foreiros apenas podiam fazer anualmente açudes provisórios, exclusivamente para rega, que deviam obrigatoriamente ser desmontados até meados de Outubro. Por casa das cheias, mas sobretudo para evitar tentações e subsequentes vigarices...
Com a extinção das ordens religiosas em 1834, houve confusões com fartura na questão dos foros, acabando muitos foreiros por se assenhorearem dos terrenos que até então exploravam e pelos quais pagavam os foros anuais. Quanto aos lagares/moínhos e açudes, foram sucessivamente arrematados por vários cidadãos à fazenda nacional. Os últimos foram João Torres Pinheiro e Manuel Mendes Godinho, por compra àquele. Nos nossos dias, como é sabido, resta um açude de madeira e uma roda a funcionar (quando funciona !), ambos propriedade da autarquia, que comprou o conjunto conhecido por Mouchão dos Frades nos anos 40 do século passado.
Toda esta lenga-lenga para tentar enquadrar o mistério do açude do Mouchão, que este ano ainda lá continua em meados de Novembro, contrariando o que sempre se praticou até agora -a sua desmontagem o mais tardar até 15 de Outubro, por causa das cheias. Isto apesar da roda ter dado o berro e deixado de funcionar em Agosto passado.
Finalmente, em mais uma demorada visita ao local, foi fácil desvendar o mistério. A exemplo do que vem fazendo em vários pontos da cidade, preservando a vegetação mais ou menos rasteira que vai nascendo nas ruas e nos espaços verdes, a autarquia está apenas a procurar defender o ambiente. Neste caso a assegurar o poiso e o comedouro da garça. E está certo, pois de acordo com a tradição popular, Tomar sempre foi madrasta para os seus filhos, mas extremamente hospitaleira para as aves de arribação. O pior é que até um rural disse ao meu lado -Mau sinal ! Gaivotas em terra é sinal de tempestade!
Ainda não percebi onde ele queria chegar.


terça-feira, 28 de abril de 2009

E O ACESSO AO AÇUDE DE PEDRA???






O nosso ministro Mário Lino, um antigo comunista reconvertido, também conhecido por "jamais! jamais!" (deve ler-se jamé!jamé!), inquirido por deputados do Bloco de Esquerda, fez saber que uma empresa que vedou os acessos às arribas da praia de S. Rafael, em Albufeira, colocando blocos de pedra, já foi notificada da ilegalidade de tal acção, e vai ter de pagar a respectiva coima. Muito bem, dizemos nós, em simultâneo com o nosso aplauso. E o tradicional acesso público ao Choupal do Açude de Pedra? Que tenciona fazer a Câmara? E o governo central? O proprietário dos terrenos à ilharga também tentou, por diversas vezes, impedir o acesso, mediante a colocação de blocos de calcáreo, alguns dos quais ainda são visíveis na fotografia. Intimado a retirá-los após protestos de alguns cidadãos, adoptou um outro estratagema. Colocou barras metálicas em aresta no solo, para danificar as suspensões e instalou uma cancela. Tudo com o pretexto de que tal vedação é indispensável por causa de um aparcameto de 100 ovelhas. Tomar a dianteira foi lá diversas vezes e podemos testemunhar que nunca lá vimos uma única ovelha, ou qualquer outro animal de criação. Pelo que parece impôr-se a conhecida exclamação "O que tu queres sei eu!". No caso presente, trata-se visivelmente de agir de modo a que o caminho deixe de ser público, como sempre foi até agora, para depois, mediante testemunhas de circunstância, alegar que adquiriu tudo aquilo, incluindo o choupal que também é público, por usucapião, contando com o silêncio e a ignorância tanto da autarquia como da Fazenda Público. Aqui fica registado o nosso protesto, para o caso de... (Que essa do golfe, do hotel de charme e do "resort", ainda nos parece carecer de muito esclarecimento... A usual operação de lançamento de areia para os olhos não nos atinge porque usamos sempre óculos, daqueles de soldador)