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terça-feira, 3 de agosto de 2010

A FALTA QUE FAZ A INFORMAÇÃO !

MATEMÁTICO FRANCÊS DESAPARECIDO HÁ TRÊS ANOS, ENCONTRADO NUM MANICÓMIO ITALIANO

"Após três anos a vaguear pela Europa, aparentemente sem saber quem era e de onde vinha, ou remetendo-se ao silêncio quando alguém o interrogava, um matemático francês, Michel DOUMESCHE, de 61 anos, foi finalmente identificado pela polícia italiana no hospital psiquiátrico de Pescara - Itália, onde se encontrava internado há já algum tempo.
A comparação das impressões digitais, bem como a colaboração da Interpol, da polícia de Roma e da embaixada de França, permitiram à Secretaria de Segurança de Pescara concluir que, afinal, o francês desaparecido em 2007 e o homem de cabelo branco, barba branca e olhos claros, internado no hospital psiquiátrico local, eram a mesma pessoa.
"Pareceu-nos, desde logo, uma pessoa muito culta. Observámos que falava perfeitamente quatro línguas e escrevia com frequência complicadas fórmulas matemáticas", disse à BBC o vice-secretário da segurança de Pescara, Giuseppe Ravenda." (Expresso on line, citado por ojumento).

A falta que faz a informação adequada no momento oportuno! Este matemático francês, agora identificado, se tem sido devida e atempadamente informado, teria vindo sem dúvida para Tomar, onde poderia alojar-se gratuitamente, por exemplo nas retretes municipais junto à Estação da CP. Não teria tantos monumentos como em Pescara, mas também ninguém o iria incomodar. Nem seria internado, por não haver hospital psiquiátrico nas margens nabantinas. Por enquanto?
Basta pensar que o nosso conterrâneo José Carlos Sousa, antigo combatente em Moçambique (Cabo Delgado), "aloja" há mais de três anos nas sentinas de S. Gregório, (ver foto), até já ocupa em permanência uma parte do alpendre da capela do mesmo nome, e mesmo assim, a autarquia nunca tentou sequer tirá-lo de lá. Ofereceram-lhe uma casa na cidade, da qual ele não gostou, pelo que também não voltaram a insistir. É o que se chama respeito pela liberdade de cada cidadão!
Assim sendo, o matemático em questão poderia por aqui ficar uns bons anos, sem que alguém o identificasse. Poderia até dar uma ajudinha aos senhores autarcas, ensinando-lhes umas noções de gestão, com as quais manifestamente não atinam, apesar de um deles ser contabilista de profissão. Dizemos isto, porquanto continuam a atribuir lautos subsídios e a adjudicar dispendiosas empreitadas, como se nada fosse, enquanto a dívida global do município vai inchando a bom ritmo. Segundo o blogue vamosporaqui.blogspot.com, do vereador Luís Ferreira, o calote total era de 29 milhões e picos no final de Maio e de 30 milhões e picos no final de Junho. Com tal ritmo de endividamento, -mais ou menos um milhão de euros por mês- não há dúvida nenhuma: vamos pelo bom caminho. Só falta saber para onde, com quem e para quê. A falta que faz a informação! E quem a perceba a tempo e a horas...

ATÉ O JORNAL DO GRUPO LENA CONSTRUÇÕES...

Para todos quantos persistem na crença de que essas coisas de bases de actuação, programas, planos, projectos, guias de gestão, visões, horizontes temporais, não passam de manias do pessoal de Tomar a dianteira, eis aqui mais um desmentido. Para quem o saiba ler sem óculos partidários.
Garantimos não ter encomendado a peça ao Professor Fernando Gonçalves, que nem sequer temos o prazer de conhecer.

(Clicar sobre a ilustração, para ampliar.)

quinta-feira, 29 de julho de 2010

ANÁLISE DA IMPRENSA REGIONAL DESTA SEMANA

COLABORAÇÃO DA PAPELARIA CLIPNETO LDA

Abrimos com esta notícia d'O MIRANTE, que nos parece muito útil para aferir como se faz informação por estas bandas. Na semana anterior, a comunicação social tomarense noticiou que o Congresso da Sopa tinha dado um prejuízo de 7.685€ = 1.537 contos. Esta semana, O MIRANTE foi mais cauteloso e completo. Acrescentou, logo em chamada de título, que "Nas contas apresentadas não estão incluídas despesas com promoção do evento". Confrontado pelos IpT na reunião camarária, o vereador Luís Ferreira esclareceu que essas despesas correspondem a 21.726€ = 4.345 contos. Dado que a autarquia resolveu atribuir um "subsídio extraordinário" de 5.000€ ao CIRE, para o compensar pela falta de lucro do Congresso, temos Despesas totais = 46.313€; Receita total = 11.913€; Prejuízo = 34.400€ = 6.680 contos. Como, se não estamos enganados, cada congressista pagava 8 euros, contas feitas, só começaria a haver lucro a partir do cliente nº 4.301, além dos que efectivmente pagaram. Conclusão: Mais um evento turístico com largo futuro à sua frente. Enquanto houver dinheiro nos cofres camarários, bem entendido. Os mais pessimistas poderão até dizer, com inteira propriedade, que por este andar, um ano destes ainda vamos ter tomarenses com fome a pagar sopas aos turistas. Seria lindo!
CIDADE DE TOMAR, que sempre foi um jornal moderado, situacionista, mas muito tomarense, parece estar pouco a pouco a retomar antigas tradições. Nesta edição, inclui dois textos de protesto e apelo a merecerem leitura atenta e resposta condigna. Num deles, na página 10, a cidadã Emília Silva escreve uma carta aberta aos tomarenses. A dado passo do seu manifesto pró-Tomar e pró-dignidade, escreve: "Permitam-me recuar 20 anos: era então presidente da câmara o dr. Pedro Marques, resolveram aumentar a água em 100%, a justificação foi que era preciso fazer obras numa estação. Pois era, mas a primeira coisa que fizeram foi comprar um carro no valor de 5 mil contos para o sr. vereador, o que criou uma onda de revolta e muita tinta foi gasta em artigos na comunicação social, manifestando a indignação da população... Curiosamente, era chefe de redacção do CIDADE DE TOMAR, um dos vereadores que agora é contemplado com uma destas viaturas. Qual é a moral? Desculpe sr. Carrão, mas mais uma vez o tenho que atacar..." Apetece citar Camões, com uma ligeira alteração vocabular: Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades/Todo o mundo é feito de mudança, gerando sempre novas enormidades.

No outro apelo aos tomarenses e aos que ocupam o poder local, António Freitas é frontal, corajoso e desempoeirado. Questiona os autarcas no sentido de saber o que já decidiram ou se preparam para decidir, mas receiam dar a conhecer aos eleitores do concelho. Simultaneamente, incita os tomarenses a iniciarem a edificação do seu próprio futuro, participando activamente na vida pública local.
A este propósito, é sabido que continuam, em determinados quadrantes, a sustentar contra toda a evidência qu vai tudo bem e que as críticas que aqui se fazem são apenas má-lingua. A ser assim, a partir desta semana terão de reconhecer que a má-língua se está a ampliar bastante. De tal forma que agora começa a notar-se, para além da evidente desilusão de muitos, que se sentem "corneados" pela estranha e imprevista coligação, uma revolta latente que nos pode levar bem longe, caso as coisas não mudem rapidamente para melhor. Basta atentar no facto de Emília Silva, António Freitas e Manuel Coentro, que não pertencem ao habitual microcosmo da política local, já apelarem implicitamente à manifestação, naturalmente pacífica mas urgente, da indignação popular.
É nesta atmosfera agitada e turva, pelos motivos que todos conhecemos, que O TEMPLÁRIO publica uma reportagem que é simultanemente o perfeito exemplo do autismo da actual coligação. Proprietários de terrenos situados a norte do Convento de Cristo contestam expropriações que a câmara decidiu sem sequer com eles falar. Esses terrenos destinam-se, imagine-se, à construção de um parque de estacionamento para SEIS autocarros SEIS! É o que se chama ter visão a longo prazo. Ou não?
De qualquer modo, tal como noutros casos conhecidos (rotunda, mercado, estádio, ligação ao Castelo pela Mata, ponte do Flecheiro, realojamento dos ciganos, etc. etc.) os enhores autarcas que temos, lá porque foram eleitos, agora consideram que só eles é que sabem e que não devem satisfações a ninguém. Estão enganados e bem enganados, mas até agora os eleitores tudo têm suportado em silêncio. Será que assim vão continuar? Ou já concluíram que tudo o que é demais parece mal, pelo que é cada vez mais urgente passar à acção? Cada qual que dê a sua resposta em consciência e com actos.



quinta-feira, 22 de julho de 2010

ANÁLISE DA IMPRENSA REGIONAL DESTA SEMANA

COLABORAÇÃO DA PAPELARIA CLIPNETO LDA

A grande notícia desta semana vem n'O TEMPLÁRIO. Em linguagem objectiva e maviosa, o jornalista desfere nos autarcas que vamos tendo uma das maiores bofetadas com luva branca deste mandato. Até agora...


Na situação que todos conhecemos e padecemos, uns mais, outros menos; cheia de dívidas, entre as quais 514 mil euros (100.280 contos) de transportes escolares à Rodoviária do Tejo, segundo noticia O MIRANTE (página 24); uma maioria autárquica que resolve comprar mais dois pópós, um para um eleito PSD, outro para um eleito PS, vive fora da realidade e está objectivamente a fazer pouco dos pobres e dos desempregados. Trata-se, na nossa opinião, de uma decisão escabrosa e de evidente revanchismo social -não gostam nós? então aguentem lá com mais esta! Nem sequer se contentaram com meras viaturas de trabalho, utilitárias, das mais baratas e económicas, iguais para todos, tal como somos perante as leis. Quiseram mostrar que estão muito acima dos cidadãos comuns; que têm direito a mordomias de luxo! Cúmulo dos cúmulos, o senhor vereador-contabilista até passa a dispor de um carripano tipo "marcedes", superior ao do senhor vereador-arquitecto, para evitar confusões. Vice-presidente é vice-presidente; vereador é vereador. Nada de enganos.
Tudo isto cheira a novos ricos bacocos e pacóvios, deslumbrados com o poder e com as larguezas consentidas pelo orçamento público. E a eleitores demasiado permissivos e pachorrentos, já agora. Incapazes de reagir, mesmo às maiores afrontas e aos dislates mais evidentes.
Atrás de tempo, tempo vem. Aqui há 15/20 anos, certo vereador também se lastimou que não podia ir para as reuniões fora terra de carroça, pelo que precisava de um carro novo. Nas eleições seguintes, veio a sofrer as consequências. Vamos portanto aguardar com calma o que aí vem...
Igualmente no jornal dirigido por José Gaio, um excelente texto de intervenção, num português requintado e de índole jurídica, subscrito por João Godinho Granada. Vem na página 20 e vale a pena ler. É tão raro podermos deliciar-nos com boa prosa...

Além da já referida notícia sobre as dívidas camarárias à Rodoviária do Tejo, provenientes dos transportes escolares, que já vão, globalmente, em oito milhões de euros = um milhão e seis- centos mil contos, O MIRANTE continua com uma feliz e certeira veia humorística, na sua secção Cavaleiro Andante, como demonstra mais esta "charge" ao nosso adorado vice-presidente Carrão. Há só um ínfimo detalhe que não joga. Realmente, sobretudo tendo em conta os sucessivos passeios de idosos, e agora com esta situação vergonhosa do pópó de luxo, tipo "marcedes", D'Artagnan é assim a modos que um bocado lhã-nhã, nos vos parece? D'artamama fica muito mais catita, mais verdadeiro e mais nacional. E, como reza aquela conhecida publicidade -O que é nacional é bom!

Temos depois, na mesma secção do mesmo semanário, este texto, amalandrado como o arroz, mas incompleto. Faltou referir dois detalhes importantes. Um é que o nosso fundador Gualdim continua ali porque nunca conseguiu emprego em nenhum dos quatro canais televisivos a que se candidatou, por causa de estar sempre de costas viradas para a câmara, o que em televisão não se pode fazer nunca!
O outro escapa a quase toda a gente, apesar de ser fundamental - Gualdim está na posição que todos sabemos, com a arma em posição, mas mesmo assim, tratou de colocar o escudo a proteger-lhe a porta de serviço, porque nunca se sabe!
E qual o papel do Camões nesse tal festival?! -Ora! Está-se mesmo a ver! Trata-se de inculcar, no eleitorado tomarense e nos eventuais visitantes, uma mensagem subliminar de indiscutível utilidade e proveito para os eleitos que deviam governar-nos, mas têm cada vez mais tendência para se governarem -"Se não te portas como deve ser, vão-te ao olho!"



CIDADE DE TOMAR faz manchete com os dois grandes assuntos da urbe -O intrincado problema do mercado, cuja solução vai demorar o seu tempo, até porque os senhores autarcas, como já vem sendo habitual, em vez de tentarem simplificar, complicam o mais possível, não se sabe se inadvertidamente, se de propósito.
Segundo o senhor presidente, citado por Cidade de Tomar, "Durante estes trinta dias [após a montagem da tenda e do equipamento], a autarquia terá tempo suficiente para avaliar o custo das obras de intervenção exigidas pela ASAE, e assim tomar uma decisão se avança ou não com essas obras de carácter provisório, ou se inicia de imediato todo o processo para a construção de um novo edifício." Salvo melhor e mais fundamentada opinião, o senhor alcaide-mor está algo baralhado. O que deve ser feito em primeiro lugar é apurar o que quer a maioria da população. Depois é só agir em conformidade.
Que se saiba, os tomarenses desejam ardentemente que se salvaguarde toda a construção actual; que se acrescente outro pavilhão do mesmo estilo no terreiro a sul, e que se proceda à modernização de tudo aquilo. Por conseguinte, as condições exigidas pela ASAE podem perfeitamente ser definitivas e não proivisórias, pelo que não se antevê como fazer o alegado estudo comparativo de custos/benefícios.Na verdade, ainda não se ouviu ninguém fora da autarquia a defender a demolição e posterior edificação de novo mercado. Hipótese que apenas interessa a quem continua a seguir a "doutrina Paiva", que impõe para o local o tal fórum. Não adianta disfarçar, que o pessoal já há muito tempo que não usa barrete. A não ser os da festa grande, e é só uma vez cada quatro anos...
Quanto ao outro grande tema -as futuras 40 habitações a custos controlados no Bairro da Choromela, também é escusado dissimular. Trata-se, entendemos nós, da decisão mais inteligente até agora tomada pela presente maioria. Não sendo a ideal, também com ela não colide, deixando praticamente tudo em aberto, para quando haja visões mais amplas e arejadas. Convém, no entanto, ser claro. As afirmações de Corvêlo de Sousa, na reunião camarária de hoje, indicam bem o que se pretende -ter um plano A e um plano B para o realojamento da comunidade cigana do Flecheiro. Dado que o normativo europeu não permite segregar populações, qualquer que seja a razão, o pretendido conjunto de 40 fogos na Zona industrial será condenado, uma vez que só lá iriam habitar ciganos. Nestas condições, resta a hipótese Choromela... Para quê tentar escamotear, maquilhando-as, as reais intenções do executivo que temos?
Uma última nota, sobre as eleições para a presidência do IPT, às quais todos os semanários se referem. O MIRANTE até publica uma bela foto na primeira página, certamente porque o IPT é um bom cliente em termos publicitários. É a vida!
Quanto ao acto eleitoral em si, não deixa de ser estranho que na Europa e em 2010, em eleições livres para a presidência de um estabelecimento de ensino superior público, haja apenas um candidato. Mas também é verdade que em Nápoles ou Palermo ganham sempre os mesmos...

sexta-feira, 16 de julho de 2010

AONDE ISTO JÁ CHEGOU!!!

DESPERTAR do ZÊZERE é um simpático jornal regional, no qual um dos que fazem Tomar a dianteira manteve, há cerca de 15 anos, a "Crónica tomarense desencantada". Já nessa época ia tudo muito bem, o cronista é que era um "iluminado, apóstolo da desgraça"... Nunca até agora se tinha incluído o Despertar na análise semanal da imprensa regional por três razões: A - Por ser um quinzenário; B - Por raramente sair mesmo de quinze em quinze dias; C -Por só estar disponível por assinatura, ou na Tipografia Comercial, ali na Rua da Costa, ao lado do antigo Parreirinha, agora Cadela. (Podem aproveitar para entrar e molhar a palavra...)
Dito isto, o DZ tem uma tiragem superior a 4 mil exemplares, inclui notícias de Tomar, como veremos mais adiante...e dos três jornais que analisamos todas as semanas, é o único impresso em Tomar. O seu director, Joaquim Ribeiro, é um ex-dirigente do União de Tomar e membro influente do PSD da região, detalhe que permite perceber melhor e dá outra dimensão ao que vem a seguir.

Na sua edição de ontem, o referido órgão de informação ferreirense, foi particularmente certeiro e doloroso para os tomarenses amantes da sua terra. Isto porque, em tempos idos, era habitual comparar-se Tomar com Santarém, com Leiria, com Castelo Branco. Ou mesmo com Coimbra, para alguns bairristas mais assanhados. Ainda esta semana, no CIDADE DE TOMAR, António Freitas compara a nossa cidade com Loulé. Agora é o que se pode ver na manchete do DESPERTAR. Compara-se implicitamente Tomar com Ferreira do Zêzere, no que concerne aos mercados...e ficamos a perder. A perder e envergonhados! Aonde isto já chegou!!!

A agravar ainda mais a nossa triste situação de intrujados há mais de 15 ou 20 anos, (o intrujado é sempre o último a saber...), na última página vem uma outra notícia que só pode entristecer os tomarenses: A câmara ferreirense vai mandar fazer sanitários públicos no centro da vila. Uma necessidade para satisfazer as necessidades dos cidadãos. Joaquim Ribeiro, além de brioso industrial em Tomar, parece ter muito jeito para "dar bofetadas de luva branca", pois para bom entendedor, meia notícia basta. Logo duas na mesma edição, é demais para os corações tomarenses mais sensíveis. Se houver ataques cardíacos, já sabemos quem poderá vir a ser o responsável...

Outra área, mesma situação. Sem qualquer explicação detalhada, este estabelecimento fechou. Até aqui, nada de extraordinário. O insólito é que deixaram avisos a solicitar aos eventuais clientes que se dirijam ao Mundo Rural, na Rua Infantaria 15, mesmo ao lado, OU À OUTRA AGÊNCIA, SITUADA EM OURÉM.

Para tratar de documentação obrigatória com algum conforto, já tínhamos de nos deslocar à Loja do Cidadão, em Ferreira, ou na Barquinha. Em Tomar a autarquia sempre entendeu que não se justificava, nem justifica. (É melhor, e mais compensador em termos eleitorais, financiar umas viagens de recreio, com comezaina incluída.) Agora, os sócios do INATEL que queiram ir de férias, terão de deslocar-se a Ourém...

Isto devido ao facto de uma agência de viagens pertencente à ADIRN, por sua vez financiada com fundos europeus, que explora igualmente a Galeria do Mundo Rural, na Rua Infantaria 15 e uma Loja de Vinhos no Convento de Cristo, ter resolvido encerrar, sem dar cavaco (salvo seja!) ao pessoal. Os autarcas tomarenses perderam a vergonha?
Como gritava a talentosa Ivone Silva, no século passado -Isto é que vai uma crise!!!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

ANÁLISE DA IMPRENSA REGIONAL DESTA SEMANA

Num ambiente tão sombrio para os tomarenses, começamos com uma peça d'O MIRANTE, secção CAVALEIRO ANDANTE, que merece um sorriso bem disposto. Quer se goste ou não, tem de reconhecer-se que não ofende e que está muito bem apanhado. Parabéns aos seus autores!
Igualmente no semanário regional editado na Chamusca, destaque para uma reportagem sobre "A guardiã do Templo", a senhora Dª Maria da Luz, que guardou e cuidou da Sra. da Piedade durante cinquenta anos.

Na página 3 d'O MIRANTE, com fotografia e texto de Elsa Ribeiro Gonçalves, uma notícia sobre a comemoração do cerco ao castelo templário em 1190. Há também, mais adiante, notícias sobre a questão do encerramento do mercado e àcerca da insolvência da Freitas Lopes. Para um jornal editado longe de Tomar, louve-se o interesse que vem demonstrando pela nossa terra.

CIDADE DE TOMAR abre a primeira página com a dívida do município. 29 milhões, diz um vereador da coligação. 34 milhões mostram as contas da página 4 do semanário dirigido por António Madureira. Afinal em que ficamos? 29 ou 34 milhões? Bem sabemos que numa terra de farturas como a nossa, 5 milhões de euros não são grande coisa, para os nossos autarcas. Mas mesmo assim, convinha apurar a questão. Ou nem vale a pena?

Outra boa peça do decano da imprensa tomarense é a da página 14, assinada por António Freitas. Compara a triste sorte do nosso mercado com o magnífico aproveitamento turístico do mercado de Loulé, aproveitando para citar a opinião de uma guia turística. Sem papas nas língua, como é habitual na profissão, a referida cicerone foi clara: "Nós, em Tomar, na sua cidade, vamos com os grupos ao Convento, mas não fazemos circuito de cidade, porque não há locais para saída dos passageiros dos autocarros junto dos principais jardins, não há casas de banho públicas, e depois as ruas do centro histórico têm um ar de abandono, fachadas, prédios a cair, que é uma pena. Uma cidade bonita e aprazível pela passagem do rio, não nos cativa, nem cativa a quem temos que mostrar o que há de melhor, do ponto de vista turístico, no nosso país."
Nada que não tenha já sido dito e redito em tomaradianteira, o que não admira: o autor destas linhas é titular da carteira profissional de guia turístico nº 158, de Outubro de 1959. Como, porém, santos da casa continuam a não fazer milagres, são muito oportunas e úteis as declarações citadas por António Freitas, que esperamos possam vir a ser tidas em conta nos locais próprios. Nem só de comemorações, festas, viagens e comezainas vivem os eleitores...

Esta semana o habitualmente mavioso TEMPLÁRIO dá-lhe forte. Nem parece que estamos já nas férias estivais. Na última página, com chamada na primeira, noticia o estado comatoso da circunstancial coligação 3+2. Também já tinha sido amplamente analisado neste blogue, mas o semanário de José Gaio foi beber a outras fontes, que cita. E até conseguiu um facto novo: a hipótese de nova coligação com os IpT, que por enquanto ainda não se pronunciaram sobre tal eventualidade. Que se saiba...

Além dos sobressaltos da coligação, O TEMPLÁRIO detalha igualmente um caso curioso: Uma obra municipal, num prédio propriedade da autarquia, (situado na Rua da Saboaria), foi embargada, e o município multado, devido a toda uma série de irregularidades, tanto em relação aos materiais como aos trabalhadores. Refere o semanário que os andaimes montados na citada obra não obedecem às normas legais, apesar de a autarquia possuir andaimes certificados. Que continuam devidamente arrumados na FAI, porque dão muito mais trabalho a montar.
É mais um exemplo flagrante daquilo que todos sabemos: Há eleitos e funcionários muito convencidos de que a autarquia está acima das leis; que estas só se aplicam aos cidadãos menos desenrascados. E como muitos sectores da autarquia funcionam sem rei nem roque... É a terra em que vivemos.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

ANÁLISE DA IMPRENSA DESTA SEMANA

COLABORAÇÃO DA LIVRARIA CLIPNETO LDA.

É sempre de alta qualidade a "Última página" d'O MIRANTE, esta semana com interesse para os tomarenses. Com efeito, nela se critica asperamente a autarquia escalabitana -a mais importante do distrito- sendo que vários aspectos correspondem ponto por ponto ao que se passa com a câmara nabantina. Mau sinal, porque como sabemos a edilidade presidida pelo independente Moita Flores até já foi forçada a celebrar um insólito acordo de futuros com a EDP, como forma de evitar in extremis a cessação de pagamentos. Apesar disso, ao que se diz e a peça em questão deixa subentender, as coisas estão cada vez mais longe da bonança...Excelente leitura, portanto, para os eleitores com interesses nas margens do Nabão. Quando vires as barbas do vizinho a arder...
Igualmente n'O MIRANTE e sobre Tomar, uma peça relatando o assalto que rendeu 300 mil euros de relógios de colecção, assunto difundido em primeira mão pel'O TEMPLÁRIO, no início da semana passada... À falta de melhor, alguma imprensa ainda acha que águas passadas podem voltar a mover moínhos.

Também O TEMPLÁRIO insiste na do supracitado assalto, o que se compreende. Como foi o primeiro a dar a notícia no seu site... Há, no entanto, uma pequena confusão, ou um abuso de linguagem, se preferirmos. Na verdade, o assalto não foi milionário, nem lá perto, porquanto não foram furtados nem milhões de relógios, nem o valor do furto chega sequer a meio milhão de euros. E, contrariamente ao que muitos julgam, milionário refere-se sempre a milhões e nunca a milhares, seja daquilo que for. Cuidado, por conseguinte, que o Camões era zarolho mas não consta que escorregasse assim. De certeza certa, pois o vocábulo em causa ainda não existia em português, se calhar por falta dos ditos...
Mas o grande tema desta semana do semanário dirigido por José Gaio continua a ser o encerramento do Mercado Municipal, ao qual dedica várias páginas ilustradas e com opiniões de todas as partes envolvidas. Infelizmente, muita parra e pouca uva. De soluções definitivas, quase ninguém fala. E sem elas...
Terceiro título da primeira página, a acumulação de lixo na Barragem do Castelo de Bode. É mais um triste exemplo da situação cada vez mais lamentável do concelho de Tomar, em termos de higiene e limpeza. Por este caminho, um dia destes a ASAE ainda se vai sentir obrigada a mandar encerrar toda a cidade e todo o concelho de Tomar, como forma de prevenir o aparecimento de epidemias de doenças contagiosas...E olhem que não é para rir.

Vários temas em destaque no CIDADE DE TOMAR. Escolhemos três. O primeiro é a notícia da intervenção do deputado municipal António Cruz, agora independente, que numa panorâmica daquilo que vai mal no concelho, tocou num ponto geralmente tabú -o turismo. Referiu uma intervenção do representante do Turismo de Portugal na Comissão de Acompanhamento do PDM, em 2009, na qual considerou um ponto fraco a inexistência de um Plano Estratégico Municipal de Turismo. No nosso modesto entendimento, se tal plano vier a ser elaborado e se revelar de qualidade igual à do PDM, não faz cá falta nenhuma. E não se vê como poderia ultrapassar a mediocridade ambiente, num país como o nosso, onde ainda ontem a Comissão de Avaliação do Ensino Superior lamentava que haja no mercado 63 cursos superiores de turismo, mas não haja doutores nem investigadores nacionais nessa área. Eles devem saber porquê, mas também não ignoram que "o calado foi a Lisboa e veio, e não pagou nada..."
O outro tema é a nota do director, a merecer leitura devidamente esmiuçada. António Madureira escreve raramente. Quando o faz é porque sente que a sua terra, o nosso berço, não vai bem nem para lá caminha. Também porque a colónia nabantina na capital começa a sentir alguma vergonha em proclamar que é de Tomar, coisa que antes fazia com muito gosto e orgulho. Outros tempos, outro contexto, outra economia...

Para finalizar, mais um desenlace triste. Mais 120 trabalhadores tomarenses arrastados para o desemprego pela insolvência da Freitas Lopes, do ramo da serração e exportação de madeiras. Falta saber a causa ou as causas de tal falência, mas segundo a peça de Cidade de Tomar, a administração da empresa não prestou qualquer declaração sobre o assunto. Concorrência desleal? Falta de competitividade? Falta de crédito bancário? Outras consequências da crise? Problemas causados pelo alastramento do nemátodo dos pinheiros? Obsolescência técnica e de gestão?
Em Tomar, muita gente continua a pensar que o segredo é a alma do negócio, pelo que quanto menos se disser ou escrever, melhor é. Os factos demonstram que estão equivocados. Mas que se há-de fazer? A evolução acelera de tal forma que começam a existir em cada cidade diversos tempos, várias épocas em simultâneo... o tão falado caos, em suma.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

A IMPRENSA REGIONAL QUE VAMOS TENDO

COLABORAÇÃO DA PAPELARIA CLIPNETO, LDA

Rezam os bons manuais de manipulação de massas que a melhor de maneira de enganar as pessoas é dizer-lhes a verdade, mas uma verdade devidamente elaborada. A ser assim, a imprensa da nossa região, sem querer, ou de forma deliberada, é o que falta apurar, faz exactamente isso. Basta reparar nos títulos de primeira página. Sabido como é que neste momento os grandes problemas do país e da região residem na área económica (défice, desemprego, desertificação...) que destacam os semanários regionais em primeira página?
O MIRANTE encima com "Oposição política diz que contratação de Nelson Carvalho é eticamente reprovável", "Arquivado processo judicial que envolvia ex-presidente da Câmara de Abrantes", [o mesmo Nelson Carvalho, do PS], "Encerram três escolas e dois jardins de infância em Tomar", "População contesta supressão do túnel no IC9 em Ourém", "Restrições económicas afastamn grandes nomes das festa do Almonda", "Três jovens vítimas de assaltos violentos à mão armada em poucos dias", terminando com "Voz da oposição [da CDU, em Torres Novas] reconhece que o povo gosta de autoritarismo".
Tudo a duas dimensões, plano, como naquelas pinturas antigas, anteriores à descoberta da perspectiva.

"Sacristão [da capela das Curvaceiras] agredido", começa O TEMPLÁRIO, que continua com "Um milhão pela Auto-Acessórios", "No mercado de Tomar carro foi pela encosta abaixo", "Elas querem ser miss Maxmen" e "Hamid Hakim um campeão em Tomar". Política local? Economia? Crise? Ideias? Análises? Nada a assinalar, pelos vistos.

CIDADE DE TOMAR destaca mais uma redução de serviços no nosso hospital. Desta vez são as análises, que emigram para Torres Novas. "Equipa de sapadores iniciou plano de limpeza da encosta do castelo", "Fábrica de Porto de Cavaleiros com portão escancarado e instalações de ninguém ", são outros destaques da primeira página, que fecha com "Munícipe propõe preços simbólicos no parque de estacionamento da zona desportiva".
Tudo simples, tudo transparente, tudo tipo "branco é, galinha o põe." Ou nem tanto?
Nas páginas interiores toma-se conhecimento de que o executivo debateu e aprovou, na sua última reunião, mais um passeio para 800 idosos do concelho, naturalmente gratuito e com almoço seguido de animação. Factura para os contribuintes: 17.500 euros. Comentários durante o referido debate: "A situação financeira da autarquia é não demasiado preocupante" (Corvelo de Sousa); "Não devem ser os idosos a pagar a crise." (José Vitorino); "Em realizações futuras deve ser avaliada a possibilidade de se estender os programas a todos os idosos, que são cerca de 12 mil no concelho, e não apenas aos portadores do cartão do idoso;" (Luís Ferreira) "Os passeios dos idosos, que se realizam desde 2007, são importantes, dado que são um momento aproveitado por muitos idosos para passarem um excepcional dia de convívio" (Carlos Carrão); "Estes passeios enquadram-se nos programas da autarquia referentes aos idosos, como são o Viver em Movimento e a Universidade Sénior" (Rosário Simões); "É importante que se cumpra o critério económico, de forma a que possam beneficiar do passeio os idosos verdadeiramente necessitados desse apoio" (Pedro Marques).
Quem é que falou aí em compra de votos?! Quem foi?! Seus invejosos!!! Como não podem ir passear e comer à custa, vingam-se na má-língua! É por essas e por outras parecidas que nunca mais conseguimos levantar a cabeça. Como autarcas, não temos culpa nenhuma que as verbas disponíveis não cheguem ao mesmo tempo para os passeios, para as comezainas e, por exemplo, para pagar atempadamente aos fornecedores, ou para o arranjo do mercado municipal. Temos que optar. Os fornecedores que esperem. Sem mercado passamos muito bem. Sem passeios e sem almoços já é mais complicado. Sobretudo quando se pensa que as autárquicas serão o mais tardar em 2013, e praticamente não há bons empregos fora da política... Autarca precavido vale por dois.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

ANÁLISE DA IMPRENSA DESTA SEMANA

Uma vez não é costume, começamos por destacar dois temas, um apelo e uma conferência de imprensa. O apelo é de Luís Ribeiro, em tomaracidadeblogspot.com e merece leitura atenta...e respostas. A conferência de imprensa teve lugar ontem, no edifício da antiga biblioteca, com Graça Costa, Pedro Marques e João Simões, todos eleitos pelos IpT. Abordaram alguns aspectos da actual situação local, que consideram grave. Uma resposta indirecta para aqueles que, contra todas as evidências, continuam a afirmar que todas as críticas são apenas má língua e sinais de inveja. Pois! Mais detalhes, sobre as declarações referidas, nos sites da Rádio Hertz e d'O Templário.
E passamos ao MIRANTE, com foto de Pires da Silva na primeira página. Satisfeito com os seus cinco anos como presidente do IPT. Problemas? Muito trabalho, mas feito por gosto. Foi tudo uma maravilha e continua a estar tudo muito bem, no melhor dos mundos. Ainda n'O MIRANTE, destaque para a crónica de JAE, esta semana com um título muito ribatejano -"Os palermas do costume".

N'O TEMPLÁRIO temos mais uma vez a habitual preponderância de "faits-divers", pois parece que é o que vende jornais. Destaque para a corajosa tomada de posição do seu director, José Gaio, a propósito do triste caso daquele tomarense que há meses e meses "vive" nas antigas retretes públicas de S. Gregório, mesmo ali à ilharga do Hotel dos Templários. Realmente, trata-se de um drama de tal modo insólito na Europa Ocidental, que a prolongar-se, ainda acabará nalgum programa de grande audiência numa qualquer televisão europeia em busca de casos típicos e patuscos. Depois queixem-se que não têm sorte nenhuma! Se também nada fazem para a ter...

CIDADE DE TOMAR escolheu para manchete um título formalmente correcto, mas que poderá induzir em erro alguns leitores menos advertidos para as subtilezas do português. Na verdade, o presidente Corvêlo de Sousa não assumiu coisa alguma. Limitou-se a dar a entender que o Município tem dificuldades financeiras. Por conseguinte, em boa e límpida verdade, admitiu que, confessou que, mas não assumiu nada, e muito menos sem que...que faz toda a diferença. Traduzido à letra, o título publicado é = a "O presidente responsabilizou-se pelas dificuldades financeiras da câmara", muito longe daquilo que realmente por ele foi dito.
Também na primeira página do semanário decano da imprensa regional, outro título assaz estranho, não pela forma, mas pelo conteúdo: "ADIRN vai abrir loja de produtos regionais em Cabo Verde". Desculparão a ignorância crassa! O acrónimo ADIRN não significa "Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Norte"? Cabo Verde faz parte do Ribatejo Norte? Os produtos regionais a vender na futura loja serão ribatejanos? Caboverdianos? Ambos? A que propósito? Então em Tomar, com mais de 200 mil turistas por ano, há nítida falta de lojas de recordações, e a ADIRN contenta-se com a que já cá tem e resolve emigrar para Cabo Verde? Faz parte da sua missão?
Esta questão da ADIRN e das missões confiadas a cada entidade oficial ou privada, coloca o problema das incongruências portuguesas e tomarenses, que deixariam os europeus de boca aberta, caso delas viessem a ter conhecimento. Por exemplo: O governo acaba de tornar legal o casamento entre pessoas do mesmo sexo, mas recusa-se a legalizar o comércio do sexo, a mais velha profissão do mundo, que entre nós, como em qualquer outro país, movimenta milhões e milhões de euros...que não pagam impostos, porque são ilegais! Será lógico?
A nível local, a autarquia meteu-se a pagar obras na Mata Nacional dos Sete Montes, que não faz parte da sua jurisdição, mas não consegue mandar reparar as coberturas dos edifícios que lhe pertencem -Convento de Santa Iria, Moínhos da Ordem, Central Eléctrica, ex-biblioteca municipal. Da mesma forma, queixa-se de que os turistas vão ao Convento e não descem à cidade, mas vai melhorar e aumentar o número de lugares de estacionamento junto ao Convento de Cristo, que é gerido pelo IGESPAR e cujas receitas vão direitinhas para Lisboa. Em contrapartida o Largo do Pelourinho, que é da sua responsabilidade, continua por acabar. Outro tanto acontece com o infeliz Sousa. Nem lhe esclarecem o problema da casa paterna, da qual se diz expoliado e cuja contribuição continua a pagar, nem o realojam em local digno, pela força se necessário. Em resumo: fazem o que não lhes diz respeito; não cumprem as missões para que foram criados/eleitos. Tristes tempos estes! E ainda têm a lata de dizer que é só má-língua e inveja...

quinta-feira, 27 de maio de 2010

ANÁLISE DA IMPRENSA DESTA SEMANA

COLABORAÇÃO DA PAPELARIA CLIPNETO, LDA

Numa semana de manifesto marasmo político, com o pessoal quase todo na retranca, enquanto não consegue perceber bem o que se está a passar, a imprensa hebdomadária só pode ser algo chocha. A excepção é O TEMPLÁRIO, que conseguiu um furo jornalístico. O arquitecto autor do projecto da Levada e arredores diz não saber de nada em relação ao mijatório monumental. Até agora, tinha havido aquele estranho caso do "Prédio de Vidro", no Porto, que acabou por ser demolido, dado ninguém saber para que servia, apesar de acabado pouco antes. Agora temos o Paredão-mijatório, que antes de concluído já está a ser enjeitado pelo arquitecto da área. Bonito!
Outro tema de interesse no semanário dirigido por José Gaio é a "Miss Facebook: uma tomarense na semi-final". Caso não venha a ser a vencedora é porque terá havido injustiça. Basta atentar na foto, para perceber que se trata de alguém cheio de talento. E ainda por cima é uma finalista de "Turismo Cultural"... Que ricas férias!

Por falar em turismo cultural, CIDADE DE TOMAR faz manchete com uma acção militante do Bloco de Esquerda, durante a qual os bloquistas locais denunciaram aquilo que em Tomar a dianteira tem sido dito e redito: falta de sinalização, falta de informação, falta de qualidade, falta de manutenção, falta de respeito pelos locais e por quem ainda vai tendo a coragem de nos visitar, ou vem ao engano.
A novidade é que o BE local propõe esplanadas e um projecto cultural para a Levada, supõe-se que em vez do projectado Museu Polinucleado, o nosso próximo elefante branco, que teremos de alimentar, quer queiramos quer não, por causa da protecção das espécies em vias de extinção e dos autarcas com afigurações.
Quem porventura ainda tenha dúvidas em relação ao pantanoso marasmo nabantino, fará o favor de ler a habitual Crónica de Campanha, na página 26 do semanário de António Madureira. Aí se fica a saber, assim pela calada, que se calhar a ocasional coligação 3+2 não vai sobreviver até ao Natal de 2011...

Esta edição de O MIRANTE é um perfeito retrato da zona. De Tomar só inclui duas notícias -A nova Escola Nun'Álvares Pereira estará pronta para funcionar no próximo ano lectivo, e ainda a bronca das taxas. O resto é mais do tipo jornalismo patusco: PSP louva mulher da limpeza por 32 anos de serviço, noivos vãso para o casamento de autocarro, GNR apresenta duas versões do mesmo acidente, Jornalistas têm um sindicato para "facilitar descontos em camionetas" e "Os políticos servem-se da justiça para a luta política". Ainda ninguém tinha dado por nada...

Fonte: Banco Mundial, citado pelo Prof. Nogueira Leite, copiado de O jumento

Só para esclarecer um bocadinho mais o pessoal nabantino, que insiste em andar distraído, publica-se este gráfico, copiado do blogue O jumento, a quem agradecemos. Trata-se da dívida externa grega, a azul, comparada com a portuguesa, a vermelho, ambas em percentagem do PIB (Produto Interno Bruto = tudo o que se produz no país em questão durante um ano).
Começando pela esquerda, as duas primeiras colunas comparam a dívida pública, ou dívida soberana. A do Estado, para resumir. Com o equivalente de 76,1% do PIB, os gregos estão um bocado pior do que nós, que devemos "apenas" 60%. Por enquanto. Nas colunas seguintes, a dívida do Banco da Grécia em relação à do Banco de Portugal, também temos uma pequena vantagem de 3,4%. O desatre está mesmo nas duas colunas seguintes, que retratam a banca privada. Os bancos gregos ficam-se pelo equivalente a 40% do PIB, enquanto que os portugueses já vão em 114%. É o resultado da ganância. A chamada intermediação. Pede-se emprestado no estrangeiro a 3/4 % e empresta-se em Portugal a mais do dobro. Uma verdadeira mina. De tal forma que até outros privados não banqueiros já vão em 34% do PIB. No total, neste momento devemos ao estrangeiro o equivalente a mais de 233% do PIB, contra apenas 143,2% dos gregos.
E depois ainda há quem se venha queixar dos especuladores internacionais, garantindo a pés juntos que a nossa situação é muito melhor do que a grega. Só se for para emigar...por causa do alfabeto!

quinta-feira, 13 de maio de 2010

ANÁLISE ALARGADA DO QUE SE VAI ESCREVENDO

COLABORAÇÃO DA PAPELARIA CLIPNETO LDA.

Desta vez, resolvemos alargar o nosso usual horizonte analítico/informativo semanal, dada a gravidade da situação, tanto a nível uropeu como nacional e local. Este "cartoon" foi copiado do PÚBLICO, a quem agradecemos. Embora sem legenda, todos percebemos muito bem do que se trata. E convirá pensar que o cidadão atrapalhado pode muito bem ser o Sócrates. Ou até o "nosso" Corvêlo de Sousa, depois de ter ouvido o primeiro-ministro a anunciar que vai reduzir em 5% os vencimentos dos eleitos, e em 100 milhões de euros as transferências para as autarquias, o que dá uma média de 300 mil euros a cada uma. Mais coisa, menos coisa. É obra ! E é só o começo, que a partir de agora Sócrates vai limitar-se a cumprir estritamente as orientações económicas de Bruxelas=Ângela Merkel. Que, como os outros alemães, nunca brinca em serviço.

Quem viu o abismo a tempo foi o ex-líder laranja Marques Mendes. Chamavam-lhe Marques Pentes, mas afinal ele é que tinha razão. Aqui deixamos a capa do seu livro "Mudar de Vida", que é o que terão de fazer, e quanto antes, os senhores da coligação das gamelas. Sob pena de a dada altura não haver mais gamelas para ninguém. As dificuldades para os políticos, gestores e funcionários públicos, estão apenas a começar. Estão, por assim dizer, ainda à entrada do túnel...
O analista Gideon Rachmann, do Financial Times, citado por Almeida Fernandes, no PÚBLICO, é extremamente claro: "Infelizmente, os eleitores e os políticos europeus não estão preparados para a era de austeridade que têm pela frente." Dos eleitores e políticos nabantinos, nem vale a pena falar!, acrescentamos nós.

Do MIRANTE desta semana destacamos apenas este cliché particularmente enternecedor. Nele podemos ver Corvêlo de Sousa, ao mesmo tempo elegante, distinto e bonacheirão. À esquerda, como convém, o vereador Luís Ferreira, com óculos de agente secreto e ar embevecido. Ainda não devia saber que passa a receber menos 5% ao fim do mês, não poderá contratar mais camaradas e vai sofrer uma amputação nas verbas inicialmente previstas.
Diz o mesmo semanário, na página 43, que este ano o distinto vereador emborcou 18 sopas. Se assim foi, percebe-se o seu ar de manifesta felicidade... Resta saber por quanto tempo mais, que os ares estão cada vez mais pesados. E Miguel Relvas está atento aos detalhes, como se poderá ler mais abaixo.

O TEMPLÁRIO continua fiel ao seu estilo, que é o que actualmente mais vende no país -desporto (sobretudo futebol) e frivolidades. No fundo, trata-se do figurino anglo-americano, que se pode resumir no clássico "o quê? quando? onde?", o qual, como qualquer outro, tem vantagens e inconvenientes. As duas principais vantagens residem no facto de permitir evitar qualquer tomada de posição, o que faculta uma situação cómoda. A de poder estar, em simultâneo, de bem com Deus e com o Diabo. De agradar tanto a gregos como a troianos, para usar outro chavão.
Quanto aos inconvenientes, um deles será o que resulta da verdadeira avalanche quotidiana de informações, que leva o cidadão comum, animal social por excelência, a sentir necessidade de confrontar ideias, opiniões, análises, verdades alheias, tendendo por isso a recorrer a suportes que lhe facultem, no mínimo, o "como? e o porquê?", que o semanário dirigido por José Gaio quase nunca aborda. O mundo muda aceleradamente. Os leitores idem, idem. Quem não acompanhar, ficará irremediavelmente para trás...

CIDADE DE TOMAR continua a confirmar pela positiva que "É de onde não se espera que as coisas surgem". Nesta edição, temos as opiniões de António Serraventoso e de Ricardo Lopes, "Comparações com Tomar", um esboço de reportagem, na página 12, sem assinatura, mas facilmente identificável, a habitual e desta vez deliciosa "Crónica de Campanha", de Mário Cobra, e uma entrevista a Miguel Relvas.
De forma mais detalhada, digamos que Serraventoso continua corrosivo como sempre, enquanto que Ricardo Lopes, dirigente laranja local, filho do presidente da Junta de Casais, ataca o PS e mostra já ter aprendido umas coisas na política social-democrata. Falando do paredão/Muro das Lamentações, tem esta tirada, de acordo com as melhores regras da arte: "Dou o benefício da dúvida mas fico atento, porque também não acho muito jeito ao muro para já." Os socialistas que estão convencidos de que a transitória aliança 3+2 é para durar, terão todo o interesse em tomar nota, porque quem assim escreve é o segundo do actual líder concelhio laranja.
Sobre as declarações de Miguel Relvas, os jornalistas locais farão o favor de nos perdoar, e vão certamente chamar-nos nomes, mas a nossa verdade é esta, dirigida ao ilustre presidente da Assembleia Municipal de Tomar, agora também Secretário-Geral e Porta-voz oficial do PSD, bem como principal amigo e conselheiro de PP COELHO: Chega de bater em mortos! Miguel Relvas sabe muito bem que os profissionais locais não têm arcaboiço cultural, nem real liberdade de acção, que lhes permita fazer as perguntas inconvenientes, nos momentos inoportunos. E isso nota-se. Raramente as entrevistas contêm algo de imprevisto, e ainda menos declarações involuntárias dos entrevistados.
Neste caso, apenas aproveitamos o que nos pareceu trazer água no bico, em relação ao nabantino casamento rosa/laranja: "Não se trata de uma coligação formal, mas de um acordo de governação, que obriga a um esforço de entendimento muito grande entre os dois partidos, e que apela diariamente ao exercício de coordenação e bom senso. Espero que ao fim de um ano de acordo, a avaliação demonstre que valeu a pena este esforço de entendimento." Por outras palavras, a circunstancial coligação não vai nada bem; há cada vez mais divergências; dentro de alguns meses logo veremos; estamos preparados para tudo. Quando nos parecer conveniente, rompemos, assumindo naturalmente as inerentes vantagens e os óbvios inconvenientes.
A política, para quem saiba usar a cabeça e acumular experiência, é na verdade uma excelente escola!

quarta-feira, 24 de março de 2010

NA IMPRENSA PUBLICADA HOJE

Já se desconfiava há muito tempo (48 anos de regime autoritário, 12 anos de guerra em África). No mínimo, desde aquela piada segundo a qual, após a fuga de 40 doentes de um hospital psiquiátrico de Lisboa, já tinham apanhado mais de 500 e ainda não era nenhum dos fugitivos.
Mesmo assim, fica-se muito mais calmo, menos ansioso e menos deprimido, ao constatar-se que estamos muitíssimo bem acompanhados...por doentes que se ignoram. Aqui em Tomar, então...
Bem diz o povo, na sua milenar sabedoria -"De médico e de louco, todos temos um pouco."
Parafraseando Alexandre Herculano, "Isto está de tal maneira que até dá vontade de chorar."

Aleluia ! Até que enfim ! Após "O triunfo da bandalheira" e "O esplendor do regabofe", vamos ter finalmente "O ocaso do oportunismo" ? É o que falta apurar. A apresentação do filme não parece muito má, ainda que..."anúncio público" seja da família do bem conhecido e erudito "arrecuar pra trás". Emboscadas da língua portuguesa, a qual, como nos disse o outro, é realmente muito ambígua. E quando não se domina minimamente...
De qualquer forma, para já parece que vamos estar todos de parabéns. Lá diz o povo -"Não há mal que sempre dure, nem bem que não se acabe". Ou vice-versa. Depende do posicionamento do observador. Do lado da bigorna, ou do lado do martelo...

sábado, 20 de março de 2010

ALIMENTAR O ESPÍRITO E O CORPO



Neste sábado, chegaram a tomaradianteira vários comentários discordando do post intitulado A tragédia grega do União de Tomar. Alguns mostram autores singularmente irritados, não se percebe porquê, já que todas as opiniões, até as mais abstrusas, têm à priori igual valor. Há até alguns casos curiosos -reivindicam que aceitemos a sua opinião, notando-se bem que não aceitam as nossas. É a velha sentença: façam o que eu digo, não olhem para o que eu faço. Com cidadãos assim, não vamos a lado nenhum. A realidade é o que é. Não aquilo que cada um gostaria que fosse.
Em simultâneo com mais este salutar e pacífico debate, um dos nossos administradores foi convidado para o almoço comemorativo dos 75 anos de Cidade de Tomar, e aceitou com muito gosto. (Ver ementa supra) Não tanto por causa da comida. Sobretudo para honrar este exemplo da nova maneira de estar tomarense: respeitam-se as pessoas, mantêm-se e reforçam-se as amizades, o que não impede a útil contestação, quando honesta, das ideias e/ou actuações dos eleitos, dos jornais, das rádios, ou de qualquer outra instituição que esteja para servir lealmente os cidadãos.
Comeu-se bem, à mesma hora em que milhares de cidadãos participavam na utilíssima iniciativa "Vamos limpar Portugal". Certamente por mero acaso, aqui pela Nabância houve quem resolvesse conspurcar a velha Praça de D. Manuel I (Ver foto acima), iniciativa que deve merecer o perdão dos tomarenses. Os seus autores, que todos sabemos quem são, limitaram-se a repetir o que faziam em geral os portugueses excursionistas dos anos 50/60 do século passado. As então famosas excursões de farnel e garrafão, com muitos americanos de chapéu preto. Pois a malta das tunas desta vez acertou. Mandou montar a barraca da cerveja, o que evitou os ultrapassados (?) garrafões, mas distribuiram à volta da secular praça comida com fartura, as conhecidas "sandes de três arames". Com tanta fartura, não espanta que tenha havido sobras de monta. Um verdadeiro regalo para as pombinhas e os pombinhos da urbe...