domingo, 5 de junho de 2011

DESCONVERSANDO

Quem por aqui nasceu e cresceu, tendo tido depois a ocasião de viver noutros lados, se para tanto tiver capacidade analítica, não pode deixar de anotar a principal qualidade da generalidade dos tomarenses: alergia total à mudança e à abordagem consequente, como forma de contribuir para que tudo continue na mesma.
Explico por outras palavras. Seja a grave crise em que estamos mergulhados. O normal, porque mais útil, seria debater o assunto de modo a encontrar as suas causas e, posteriormente, a ou as melhores soluções para o ultrapassar. Pois não senhor. Demasiado simples. Os tomarenses vêem preferindo lateralizar a discussão, realçando detalhes menores, ou mesmo sem qualquer relação com o assunto, como meio de evitar discutir o âmago da questão. Exemplos? Uma ainda recente sessão da Assembleia Municipal (cujo custo ascendeu a 5 mil euros) onde muitos eleitos falaram, sem que todavia nenhum tenha abordado frontalmente o que se pretendia -escalpelizar as causas da crise local, debater eventuais soluções e aprovar as necessárias. Ou as múltiplas atitudes dos leitores de Tomar a dianteira, apontando supostos culpados, acusando mesmo sem apresentar provas e repetindo à exaustão raciocínios que nem sequer respeitam a realidade envolvente, tipo "Estamos assim por causa de cicrano, de beltrano e outros privilegiados", "A+B+C foram os coveiros da cidade e do concelho", "Faz falta uma união de esquerda capaz de incentivar actividades produtivas a nível local". Não será afinal por mero acaso que temos na nossa língua comum várias expressões inexistentes alhures: "serrar presunto", "partir pedra", "discutir o sexo dos anjos", ou aquela recentemente popularizada pelo professor Catroga.
Lendo isto, cada leitor procurará logo sacudir a água do capote. Alegará que a nível nacional acontece praticamente o mesmo, o que sendo parcialmente verdade, não constitui justificação cabal. Parcialmente verdade, pois se durante a recente campanha eleitoral não se passou de "uma política patriótica e de esquerda" (seja lá isso o que for), "defender Portugal e o Estado Social" (De quem e com que recursos orçamentais?), "É tempo de mudar" (Para quê?) e "Com o FMI quem paga és tu" (Não somos também accionistas do FMI?), tal parece ter resultado do facto de existir já um programa de governo, imposto pelos nossos credores, chamado "Protocolo de Entendimento".
Não constitui justificação cabal, dado que, havendo no país municípios onde o desenvolvimento económico, social e demográfico é visível a olho nu (Leiria ou Aveiro, por exemplo), e mesmo alguns sem défice orçamental nem dívidas de qualquer espécie, não consta que tal seja conseguido por mero acaso, sem prévia e cuidada elaboração, debate, aprovação e implementação de planos realistas e adequados à envolvência. Mas dá demasiado trabalho, não é? E uma vez que eleitos e funcionários tanto recebem ao fim do mês assim como assado, deixa arder que logo se há-de apagar, quando houver mais vagar...
No fundo, o que os portugueses em geral e os tomarenses em particular não querem admitir de forma alguma, cuidando que assim conseguirão derrotar a inexorável marcha do tempo, é que o paradigma mudou radicalmente. Até tempos recentes, mas já idos, praticava-se muito a conhecida fórmula de Giovanni di Lampedusa, n'O Leopardo= "É preciso ir mudando qualquer coisinha, para que tudo possa continuar na mesma". Agora, quer queiramos quer não, "É indispensável mudar tudo, única via para salvaguardar o essencial." E quanto mais tarde, pior!

13 comentários:

Anónimo disse...

António, mas ouve lá, essa de estares sempre a falar no custo das assembleias municipais é fixação? Ou frustração de não estares lá?
Quanto custa a democracia? Sabes fazer contas? Então faz lá: 37 vogais + 2 vereadores x 69€ = 2700€ + 400€ radio/tv + 2 horas extraordinárias para o Vital (40€)...

Quanto custa a democracia?
Muito menos do que a ditadura decerto.

Voltaste às origens ou já estás com senilidade?

António Rebelo disse...

Para 10:06

1 - É evitado ser grosseiro, porque afinal mais vale senil que mal educado.
2 - A fazer contas dessa maneira, não admira que o país e a autarquia estejam como estão. E com nítida tendência para piorar.
3 - Teríamos então um total de 3.131 euros,não é verdade? Com o Victal a estar lá mais de 3 horas, mas a receber apenas duas?
E o ordenado do Victal? E as convocatórias? E os 3 telemóveis e respectivos custos? E o uso das instalações e respectiva limpeza? E as garrafas de água? E o material de gravação? E as respectivas actas? E o pessoal que transcreve as ditas? E as ajudas de custo para quem não vive em Tomar?
E um bocadinho de bom-senso, boa educação e vergonha nessa cara?

Anónimo disse...

A energia eléctrica, o desgaste dos ares acondicionados, dos computadores, do painel dos tempos, a água gasta pelas sanitas, o papel higiénico para limpar o cú, o sabão das mãos, o papel que faz de toalha, a limpeza e o material de limpeza gastos no wc,
o papel e os dvds das convocatórias para levarem os documentos aos deputados, os registos do correio, as folhas de papel gastas pelos deputados e em cada reunião, enfim, isto esmiuçado até ao pintelho, dava cá uma verba inaudita.

SOLUçÃO: acabe-se com as assembleias municipais! nem mais!

Reduza-se a Cãmara para três elementos do partido mais votado: Presidente, Vice e vereador. Acabam os secretários, assessores, departamento, divisão, telemóveis, senhas de presença, ordenados, pequenos almoços, almoços, lanches e jantares, viagens.

Aplica-se a economia familiar à salazar, só produzir e poupar!

Ó Rebelo assim regressamos aos heróicos tempos rurais do orgulhosamente sós!!!!!

Anónimo disse...

Este TÓ não tem emenda!
Economizando em palavras e sendo redutor nas explicações - quem é o TÓ?

É um fulano que,a expensas ou sob protecção de um dos principais dignatários da ditadura,teve a possibilidade de tirar um curso superior (nem sei de quê).

Considera-se,de longa data,só por essa razão,um iluminado estrangeirado,sem par.

Para ele, os portugueses em geral (que o sustentam princípescamente) e os tomarenses em particular (que aturam a sua vaidade e olímpico desprezo)são quotidianamente insultados e maltratados,como seres ignóbeis,broncos e estúpidos.

BOM,mesmo BOM,ÓPTIMO,EXCELENTE,MAGNÍFICO,INSUPERÁVEL é ele,O MUI DIGNO

ANTÓNIO FRANCISCO REBELO,de seu nome.

HONRA E GLÓRIA AO SUPREMO filho da terra.

Anónimo disse...

Oh amigo, não desconverse; porque não antes conversar? De coisas boas: tempo, mar, sol, banhos, gajas boas e galos bons, enfim, uma quantidade de coisas apetecíveis para um domingo lindo e o amigo aqui continua, na sua agonia patológica, quiçá, quem sabe, carecendo de remendo por quem de ofício!
Divirta-se; não conte as contas dos outros e olhe, se mais não tiver que fazer, em dia de graças que mais vai ainda transformar isto em desgraça, vá à missa! Aí o seu vizinho e agora ainda muito mais foliado (como ele gosta), reverendo padre marocas, vai gostar de o ver pelo templo e, ambos os dois, depois do acto e pela frescura das arcadas, poderiam conclamar a situação e encontrar melhor auspício, melhor resposta, que aquelas que o amigo, ao desbarato, por aqui vai desaferrolhando!
Um rico dia de graças e que obtenhamos a mercê do PCTP-MRPP, ganhar as coisas!

Anónimo disse...

Então meu amigo AR suspende-se a democracia não é?

Ou passas a ser tu o cicerone da democracia, à borliu e nomeado por ti próprio ou pelos teus amigos Corvelo/Relvas.

Por bem menos teorias estivemos 48 anos no fascismo.
Parece que tens saudades.

Aí não havia assembleias, nem o pessoal nas juntas ganhava qualquer dinheiro, nem havia esta despesa toda com eleições.

Quanto custa então a ausência de democracia?

Anónimo disse...

Este blog foi visado pela Comissão de Censura.

António Rebelo disse...

Reza um milenar adágio chinês, citado pelo meu director da tese de doutoramento em economia política/economia do turismo,na Universidade de Paris 8, que "Quando o dedo aponta para a Lua, os palermas olham para o dedo." Autoconsiderados de elevada craveira, alguns tomarenses fazem ainda mais: vão olhando para o dedo e dizendo o pior possível do dono do dedo, por ter a audácia de apontar.
Além disso arvoram-se em juízes de causas que completamente ignoram, misturam alhos com bugalhos e procuram, sem grande resultado de resto, baralhar os outros. Fico-me por aqui, que não adianta gastar mais cera com ruins defuntos.
Quanto ao caramelo que me acusa de censura, um esclarecimento curto: Limitei-me a eliminar ilegais apelos ao voto em dia de reflexão. A burrice é um mal que não tem cura.

António Rebelo disse...

Deixei para o fim a questão da Assembleia Municipal, que no usual e tosco manuelino tomarense, alguns tranformaram, ou pelo menos tentaram transformar, em ataque à democracia. O costume, afinal. O português é muito usado, mas poucos o falam como deve ser. Com correnteza, como se dizia no século passado. E depois sou eu é que trato mal os tomarenses, todos inteligências fora do comum, como se tem visto, nomeadamente na área política.
O que eu lamentei foi que um órgão do qual cada sessão custa 5 mil euros, tenha reunido para nada, situação tão triste que até o seu presidente, Miguel Relvas, se confessou surpreendido e desiludido. Não adianta por isso tentar agora, uma vez mais, desviar a atenção do essencial (a nossa triste situação) para o acessório (aquilo que escrevi). É inútil, porque já não ilude ninguém. É prejudicial, porque implica perda de tempo.

Anónimo disse...

Meu caro Rebelo.
Escrevi há dias que Relvas é inseguro, e que quem diz que ele demonstra segurança é também inseguro.
Rebelo perdeu a compostura.
Estive ausente, lá longe noutro modo de vida mais desenvolvido. Regressei hoje para votar.
Sobre a minha formação e experiência é muito acima da média dos portugueses, logo, muito superior à sua. Quanto a guerras... você nem sonha.
Sobre a influência do Relvas no relativo ao IC3 e ao IC9 a sua posição é de lamentar. Os IC, bem como os IP, são consequência dos Planos Rodoviários criados muito antes do Relvas estar na Assembleia da República.
Seria bom que o Rebelo e os tomarenses investigassem por que é que eles foram alterados de forma a beneficiar outros concelhos e a prejudicar Tomar. Rebelo nunca o investigará porque teria de falar de grandes tomarenses (?), seus amigos...
Os IC3 e IC9 não valem nada, e vão desviar a vida económica de Tomar. Você que viveu em França e circulou por essas estradas deve saber que estradas tipo IC3 estão ultrapassadas, foram útéis depois da 2ªa Guerra Mundial mas hoje não servem.
A exaltação que os tomarenses fazem do IC3 e 9, e a fé que eles colocam neles demontra bem do atraso tomarense. Se Relvas não é o Messias que você espera, muito menos serão os IC.
Meu caro Rebelo, nas minhas andanças por esse mundo, maiores que as suas, porque você anda em turismo e eu ando por motivos profissionais, ninguém aprecia os portugueses. Veja a Eslováquia: menos desenvolvida que Portugal, mas onde o seu Presidente da República disse ao nosso - "Vejam lá se crescem e têm juízo, porque estão a prejudicar a Europa".
Como disse a "troika", os portugueses vão ter de andar de carroça. O resto é conversa. Meu caro, neste momento de crise em aprofundamento o melhor é o Relvas e o Passos Coelho irem para o Governo, então é que Portugal teria interesse, porque o carnaval seria constante.
Registe: Portugal e Tomar nunca serão desenvolvidos.

Anónimo disse...

Tonito, Tonito, meu malandrote, então não é que me estás quase a convencer (e eu que até contigo privo, dos tempos ainda da outra), que se estivesses lá, no Órgão que tanto criticas, vir-te-ias embora!...
Com aqueles “caramelos” - adjectivação tua para os eleitos filhos da terra -, todos a planar, e tu, na suprema intelectualidade do teu conhecimento, não resistirias à consumição do excessivo e, naturalmente, farias entrar o montês seguinte! – isso…? o tanas, atira-me o nosso comum amigo manelzito dos bilhetes (é que aproveitámos a ameaça da trovoada e depois de voto botado e Roda espreitada, viemos os dois trovoar aqui para a quietude da estalagem: aparece), ajuntando ainda o manelzito, esse marmanjo oh, oh, esse mariola mais parece uma cadela com cainço, fazendo que foge do cão mais se quer acolar nele!... – o cão, traduz o nosso desbragado manel, são os gajos do poder ou, melhor ainda, pretensamente a caminho dele: ad ex: essa par(v)da iminência de nome MiRel! (O que se diz, o que se inventa; são só invejosos… )!
Um abraço; desculparás a brejeirada da linguagem, mas, amigo, em ti me instiguei: aquela dos “caramelos”… acho-a, na minha imodéstia pouco letrada, de cabo de esquadra! (e prontos, assim deve ser: em tomar sê tomarista! Ou, mais a agrado, na terra do bom viver, vive como vês viver)!
(E, qualquer dia se não te importares, ainda havemos de tentar perceber melhor essa do teu doutoramento ignorado e mal aproveitado em ciências da política e do turismo! Válê?!
É que começo a ficar preocupado que, de tanto apontar, possas ficar sem dedo; e homem sem dedo, a mais a mais o que aponta...!)

Anónimo disse...

É verdade que os tomarenses são avessos à mudança. Se assim não fosse teriam corrido com PSD, Paiva & Relvas logo após o 1º mandato autárquico. E o dr. Rebelo não "teria a lata" de enaltecer o sr. Relvas.

Anónimo disse...

É melhor pores a cortiça,porque essa carcassa velha já não aguenta VERDADES...