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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Principais temas da semana


 O grande tema desta semana é naturalmente a contestação à reforma do CHMT, que merece o principal destaque de CIDADE DE TOMAR. Do relato da sessão extraordinária da AM, com a habitual transmissão directa da Hertz e colunas de som na Praça da República, relevo para os ataques a Carlos Carrão, centrados no facto antes aqui denunciado de já saber muito bem o que se passava, mas nada ter transmitido aos restantes membros do executivo. Na resposta, o presidente interino lá foi repetindo que está na autarquia há 14 anos e sempre defendeu os interesses de Tomar. A dado passo acrescentou que, por muito que custe a algumas pessoas, "O PSD vai ganhar em 2013". Ignoro em que elementos se baseou para semelhante previsão. Julgo porém que nova vitória laranja pode vir a ser possível, mediante duas condições sine qua non: que o senhor Carrão não seja o cabeça de lista e que PS e IpT colaborem como habitualmente, roubando votos um ao outro.
Ainda sobre o hospital, o presidente da câmara de Torres Novas  declarou ao CIDADE DE TOMAR que se "devem deixar de lado as polémicas e todos os autarcas devem agir com serenidade, trabalhando em conjunto para reforçar a sustentabilidade do CHMT... ... a unidade de Torres Novas ficou menos rica do que a de Tomar, mas isso para mim não é determinante, nem me passa pela cabeça protestar porque perdi as urgências. Importante para mim é manter os três hospitais e, nesse sentido, devemos trabalhar todos em conjunto."


Além da polémica sobre a reforma hospitalar, O TEMPLÁRIO publica um excelente texto de J.A. Correia Pais sobre a evolução demográfica do distrito de Santarém. Graças à infografia da página 9 ficamos saber que entre 1981 e 2011, três décadas portanto, Abrantes, Alcanena, Alpiarça, Chamusca, Coruche, Ferreira do Zêzere, Golegã, Mação, Santarém, Sardoal, Tomar, Torres Novas e Barquinha perderam população, com destaque para Abrantes (-19,2%) e Tomar (-10,9%), além de outras localidades menos importantes. Em contrapartida, durante o mesmo período aumentou a população residente em Almeirim (10,5%), Benavente (78%), Cartaxo (8,3%), Constância (2,7%), Entroncamento (68,7%), Ourém (11%), Rio Maior (6,5%) e Salvaterra (16,9%).
Outro tema interessante no semanário dirigido por José Gaio vem nas páginas 16 e 17, dando a conhecer a opinião dos estrangeiros que escolheram viver na nossa cidade. Trata-se de conteúdo que devia ser distribuído aos senhores autarcas da relativa maioria (e outros). A ver se abandonavam os gargarismos do costume e se resolviam finalmente, senão a implementar, pelo menos a propor soluções para problemas que nos atormentam há décadas e não parecem incomodá-los minimamente. O realojamento dos ciganos, ou o mercado, por exemplo...


N'O MIRANTE desta semana, além da vistosa capa (Fotos de Bruno Graça e Miguel Relvas),  há as habituais piadas do Cavaleiro Andante e do Mirante cor-de-rosa ("Administração garante que não vão faltar aspirinas nem termómetros nas urgências de Tomar e Torres Novas"), bem como a magnífica crónica susbscrita por JAE, que pode ser lida em http://ultimapaginaomirante.blogspot.com

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Principais temas da semana


Se leu o post anterior, já terá deduzido que os dois principais temas desta semana são a reestruturação do hospital e a crise na autarquia. Os dois estão ligados, como não podia deixar de ser. No caso do hospital, CIDADE DE TOMAR noticia as mudanças impostas e as manifestações da população em defesa do direito à saúde. Entretanto, a situação já se complicou singularmente, nomeadamente por causa da duplicidade do presidente em exercício, que adoptou perante cada auditório a posição mais confortável -a da concordância. Aquilo a que se chama a espargata política, quando se pretende evitar o vocábulo oportunista.
Já em relação à crise municipal, em que também  houve desenvolvimentos recentes (ver post anterior e o site da Hertz), a situação é de tal modo grave que até o usualmente circunspecto jornal dirigido por António Madureira inclui uma nota do director pouco meiga para os autarcas. No mesmo sentido escrevem António Alexandre (antigo vereador do PS) e Emília Silva (PSD).
O ex-autarca socialista advoga eleições antecipadas e vai prevenindo: "Não é em véspera de eleições que este assunto se pode tratar, é desde já. Este modelo de gestão do município, já mostrou não estar à altura das necessidades de Tomar." 
Idêntica opinião tem a militante social-democrata: "Sou PSD assumida, mas tenho vergonha da forma baixa como o PSD tem agido nos últimos anos em Tomar". E a concluir: "Nenhum dos vereadores hoje no activo deve fazer parte de novas listas. Tomar precisa de gente nova, novas caras, novas ideias, pessoas que não estejam viciadas no poder... A resolução dos problemas de Tomar passa por eleições antecipadas. Como diria Sérgio Martins: É hora!"


O TEMPLÁRIO destaca também a problemática do hospital e a crise municipal. Em relação àquela usa até, quer-me parecer, de algum exagero na manchete. Não foi Tomar que saiu à rua. Se tivesse sido, outro galo cantaria agora. O que não invalida a importância das manifestações, que marcam uma mudança importante na usual pasmaceira política nabantina. Nas páginas interiores, vale a pena ler a análise do médico Alexandre Correia Leal, que a dado passo escreve: "A classe política cá do burgo que, salvo honrosas excepções, é responsável pelo lento agonizar do concelho nas últimas três décadas, não perde uma ocasião para exibir o seu garbo de políticos de vão de escada, que apenas conseguem olhar para os seus umbigos e dificilmente enxergam o fim da rua onde moram."
Numa outra página, o nosso habitual leitor Virgílio Alves faz uma boa resenha da situação económica da cidade e do concelho ao longo do tempo, concluindo assim: "Ao fim e ao cabo, se não soubesse que há pessoas que querem mudar o rumo dos acontecimentos, diria que a Câmara Municipal está bem para a participação activa na vida política daqueles que os elegeram. Isto é, está decadente como a cidade."



Nestas alturas em que a actualidade acelera singularmente, O MIRANTE ressente-se do facto de não ser editado em Tomar. Assegura uma boa cobertura noticiosa da cidade e do concelho, faltando-lhe porém a perspectiva, a análise, o comentário, afinal o essencial no jornalismo moderno e arejado, tal como se pratica por essa Europa fora. Nesta edição, destaque para a secção humorística "Cavaleiro Andante", quase exclusivamente dedicada a Tomar e -coisa extraordinária!- sem qualquer referência ao vereador e funcionário da câmara de Alpiarça, o socialista Luís Ferreira. Tarde é o que nunca acontece! Como testemunho de apreço por terem dado o braço a torcer, aqui vai uma fresquinha, a acabar de sair do frigorífico:


O presidente da câmara de Santarém, Francisco Moita Flores,  já se anda a preparar para as próximas autárquicas, conforme se pode ver na foto. Em Tomar, os autarcas que temos não andam de bicicleta. Era o que faltava! Caíam-lhes os parentes na lama! Mesmo assim, tendo em conta os desenvolvimentos mais recentes, será melhor irem já calçando os patins. Depois podem nem sequer ter tempo... que o empurrão não tarda nada!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

PRINCIPAIS TEMAS NA IMPRENSA LOCAL E REGIONAL

Três assuntos merecem referência nesta edição d'O Templário: "Postal do presidente da câmara ao Menino Jesus", na página 16;  "Obras no IC3 destroem casas", em manchete; "Morreu Amândio Murta", páginas 8 e 9. Começo pela saborosa "croniqueta" já citada, subscrita enigmaticamente por SC, que interpreto como "Santo da Casa", mas daqueles que fazem o milagre de escrever em português com correnteza e imenso sumo. Tomo a liberdade de transcrever o primeiro parágrafo, dos oito bem nutridos que compõem a peça: "Remetido o autarca ao silêncio, por alegado motivo de doença, resta-nos a simulação de uma carta de Corvêlo de Sousa ao Menino Jesus. Neste caso é apenas um suponhamos, até porque é mais fácil comunicar com o Menino Jesus de forma oral do que escrita." Já está com água na boca? Então toca a ir comprar o jornal, que o Zé Gaio agradece. Há cada vez mais despesas e menos publicidade.
O tema seguinte, as obras no IC3, tem um título algo aleijado. A crua realidade é que o alargamento da referida via vai obrigar a demolir algumas casas, previamente expropriadas e pagas. Tudo normal e legal, por conseguinte. Como de resto se refere em chamada de título. Não há portanto qualquer destruição violenta, inopinada, provocada por acidente ou cataclismo natural. Apenas a compreensível lamúria de pessoas que nunca se habituam à mudança nem aos imponderáveis da vida. Decerto influência da nossa conhecida ascendência árabe.
O falecimento do antigo delegado de saúde e presidente da câmara pela AD, Amândio Murta, constitui o terceiro assunto a comentar. Apesar de o semanário lhe dedicar duas páginas e uma extensa lista de realizações durante os seus dois mandatos, nada consta sobre a que me parece ter sido de longe a mais importante -o estatuto de Património da Humanidade para o Convento de Cristo, cujo processo de candidatura tive a honra de preparar e que defendeu galhardamente em Friburgo (Suiça). Aqui fica a ressalva.

Cidade de Tomar noticia também o desaparecimento de Amândio Murta, a mudança de administração nos hospitais da região e uma série de opiniões de figuras locais sobre a quadra do Natal. Na habitual "distribuição natalícia de livros" do nosso conterrâneo e amigo António Freitas, na página 30, este ano tocou-me "Diz-me quem sou", de Júlia Navarro. Confesso ainda não ter percebido. Julgo porém que as explicações não vão tardar.
Outro tema assaz peculiar é o caso da estação de serviço a construir na A13, à qual a concessionária pretende atribuir a designação de "Área de serviço da Atalaia". Movidos pelo feitio manuelino característico de muitos nabantinos, os senhores autarcas mostram-se indignados com semelhante nome de baptismo. Como se, no actual contexto de globalização, isso tivesse alguma relevância! Além de  em qualquer país minimamente moderno as autarquias nada terem a ver com os nomes escolhidos pelas concessionárias de vias rápidas que atravessem a zona. Mas aqui em Tomar os senhores do executivo ainda parecem continuar convencidos de que são donos e pais do concelho e dos seus habitantes ou equiparados. Mercado, ciganos, Convento de Santa Iria, Museu da Levada, défice dos TUT, Estrada do Convento, Saneamento no Núcleo histórico, mazelas na Sinagoga e na ex-biblioteca, agora sede da Assembleia Municipal?!?! Isso agora não interessa nada. Importante é a futura área de serviço, que não pode chamar-se da Atalaia, porque fica na Asseiceira. Francamente!!!


Não faltam as usuais catilinárias a propósito do vereador Luís Ferreira, nesta edição d'O MIRANTE. O seu proprietário parece não dar-se conta do ridículo da sua campanha, que, entre outras consequências, me leva a defender um tomarense em relação a cuja acção política tenho algumas divergências. Simplesmente, temos de concordar ser bastante insólito e descabido zurzir sempre no mesmo autarca, num conjunto de sete. Os outros seis nunca pecam? Ou será apenas que, não sendo amigos de Joaquim Rosa do Céu, estão a salvo da habitual acidez de JAE?
"Autarcas de Tomar temem que processo de extinção de freguesias seja uma guerra", titula o mesmo semanário. Julgo não haver razões para tanto. Nem lá perto. Trata-se apenas de mais uma manifestação da nossa ascendência árabe já antes invocada. Nos anos 60 do século passado, aquando da independência da Argélia, antes governada pela França, uma das grandes questões surgidas foi a de saber se daí em diante as mulheres deviam ou não usar o niqab, o conhecido véu para cobrir parcialmente o rosto. Quando interrogados pelos sociólogos e pelos jornalistas, todos os argelinos disseram o mesmo: Claro que não! Devem continuar a andar todas com a cara destapada, como até aqui! Menos a minha mulher, que já não tem idade para isso."
Assim parecem estar os presidentes de junta. Redução de freguesias? Força! Quanto antes! Mas poupem a minha, que já tem muitos séculos, faz muita falta e cuja supressão pode provocar a revolta violenta da população. Estes aprendizes políticos são cá uns artistas na arte da linguagem perifrástica!!!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Imprensa regional de hoje

A abrir, O MIRANTE - Edição Médio Tejo, cuja manchete é sobre as eleições antecipadas no CIRE. Igualmente na primeira página, uma curiosa foto de Corvêlo de Sousa, que tanto pode estar a pensar "Oh Cristo! Anda cá abaixo ver isto!", como "Que mal terei eu feito a Deus, para ter de aturar estes tipos?" Mas não foi nenhum destes assuntos que me levou a iniciar a crónica de hoje com o semanário da Chamusca, ou melhor, de JAE. Esse destaque fica a dever-se ao que parece ser uma campanha de demolição psicológica do vereador socialista Luís Ferreira. Reparem, por favor, que não escrevi é. Apenas e só parece ser.
Só nesta edição do semanário chamusquense contei 5 textos diferentes sobre o referido autarca. Eis uma pequena citação de cada um: A - "Eu não sabia mas fiquei a saber que o vereador Luís Ferreira, da Câmara de Tomar, tem um emprego. Não sabia eu e, se calhar, nem ele próprio já se lembrava uma vez que não punha os pés no emprego há mais de meia dúzia de anos..." Pág. 11.  B - "Luís Ferreira regressa à Câmara de Alpiarça onde em sete anos só trabalhou seis meses". Título na página 22.  C - "Vereador socialista da Câmara de Tomar que ficou sem pelouros e regressou ao seu trabalho na Câmara de Alpiarça já sabe cantar o Avante Camarada". Página  38. D - "O polémico vereador da Câmara de Tomar, o socialista Luís Ferreira, a quem foram retirados os pelouros, teve que ir trabalhar para a Câmara de Alpiarça... ...A Câmara de Tomar livrou-se de um problema..." Página 39, texto A.  (A cor é da responsabilidade de TaD).  E - "O vereador socialista Luís Ferreira pôs-se a fazer futurologia na seu blogue...".  Página 39,  texto B.
Se em termos éticos e morais isto não constitui uma perseguição miserável, então é o quê? Jornalismo sério, se calhar ?!?!


O semanário dirigido por António Madureira consagra três páginas ao principal tema da semana -o chumbo pela oposição unida do Orçamento e plano para 2012. Trata-se de um resultado previsível, uma vez que no final de Novembro a oposição, igualmente em bloco, chumbou a revisão orçamental de 2011, tendo ocorrido entretanto também a ruptura da coligação por parte do PS. Nestas condições, a aprovação do orçamento é que teria sido algo de anormal.
O vereador Carlos Carrão, ao que me disseram pouco à vontade, afirmou que "estamos perante um facto político diferente: a oposição está agora unida." Infelizmente para ele e para nós contribuintes, que vamos ter de pagar asneiras que não cometemos, tem o autarca toda a razão, mas dela não parece ter tirado as conclusões que se impunham. O que o conduz a apresentar novamente na Assembleia Municipal, a realizar no próximo dia 27, a revisão orçamental anteriormente chumbada. Por mais voltas que dê à cachimónia não consigo entender semelhante atitude. O que resta da maioria relativa PSD espera conseguir o quê? Que os anteriores opositores dêem o dito por não dito? Por alma de que santo? 
Voltarei a este tema, de forma mais detalhada, no próximo post.

N'O TEMPLÁRIO, para além da política autárquica, três temas merecem destaque: a pilhagem no cemitério de S. Pedro, uma extensa reportagem fotográfica e uma local sobre as obras da Envolvente ao Convento de Cristo.
A triste ocorrência num dos cemitérios do concelho prenuncia, julgo eu, um agravamento da insegurança, sobretudo no que concerne a roubos e assaltos. Tal como nos repetidos casos de subtracção de fios eléctricos e telefónicos, trata-se de roubar objectos em cobre, latão ou bronze, como forma de conseguir algum dinheiro. Com o agravamento da crise e da consequente austeridade, seguir-se-ão assaltos a pessoas e bens, oxalá que sem violência, o que é pouco provável. Que fazer então?!, perguntarão os leitores. Por um lado, atrair investimento para criar emprego. Por outro, incrementar o policiamento e a videovigilância.
A reportagem fotográfica ocupa cinco páginas, tratando das vitrines do centro histórico, do mercado municipal e das já clássicas mazelas nabantinas, célebres na região centro.
Finalmente, a local refere que as obras da envolvente ao Convento de Cristo continuam paradas, devido à insolvência da empresa adjudicatária. Infelizmente, para os tomarenses e para os turistas, o mais grave nem é a bem dizer a falência da empresa, mas a atitude acomodada da autarquia. Que se saiba, ainda nada foi feito no sentido de proceder à alteração do projecto em execução, de forma a preservar e integrar o alambor templário no seu aspecto primitivo, conforme foi prometido por Corvêlo de Sousa, pela directora do Convento, pelo defunto IGESPAR e pelo Secretário de Estado da Cultura. Serão só promessas?

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Recortes da imprensa de hoje

Correio da manhã, 09/12/2011, página 33

Parece-me oportuno publicar esta notícia, no sentido de os senhores autarcas mandarem tapar o punho da espada do Gualdim, ou mesmo todo o fálico conjunto pedestal-estátua, quando houver alguma visita de senhoras de religião muçulmana. Não vá dar-se o caso de não haver nas proximidades qualquer marido ou irmão delas. Nestas coisas, todo o cuidado é pouco.

Correio da Manhã, 09/12/2011, página 33

Ainda no mesmo sector, uma outra notícia que julgo oportuna. Agora que ambas as partes romperam a mancebia, pode ser que alguma delas se sinta traída e pretenda comprar os troféus. Para mais tarde recordar.

Correio da Manhã, 09/12/2011, última página

É o grande problema do nosso ensino. A todos os níveis. Mesmo quando não são gazeteiros, os alunos saem de lá com umas luzes, mas, salvo raras excepções, não percebem nada de instalações eléctricas. E nem sequer se dão conta disso. Como demonstra o exemplo Sócrates, catedrático em realidade virtual e malabarismo político. Agora sem assessores, cada cavadela, cada minhoca...

Despeço-me até amanhã, que logo à noite estarei na Junta de Santa Maria, entre as 21H30 e as 23H30, para assistir ao debate José Delgado/Anabela Freitas/Pedro Marques, organizado e transmitido em directo pela Rádio Hertz. A esperança é pouca, mas nunca se sabe.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Temas da imprensa regional

Geralmente bem informado e bem escrito no que a Tomar se refere, O MIRANTE padece esta semana de uma daquelas maleitas que só não acontecem a quem não escreve em jornais. Certamente assoberbada com trabalho, a correspondente em Tomar equivocou-se sobre o caso da carrinha-quiosque, que realmente já foi retirada há uma mês, ao contrário do que é noticiado na página 9. Repondo a verdade factual, o que a edilidade deliberou foi conceder mais 60 dias de estacionamento na FAI, uma vez que a proprietária não tem onde a aparcar. Quanto ao resto, tudo certo. Os vereadores PS defendem mesmo que seja dada preferência aos proprietários da carrinha, no futuro concurso para exploração da cafetaria em construção. Pelo caminho que as coisas levam e com a empresa adjudicatária  falida, lá para daqui a um ano ou mais. 
Ainda na mesma página, uma boa fotografia do cadáver do Convento de Santa Iria, já em avançado estado de decomposição e sem recuperação ou sepultura à vista.  Conforme referido na notícia, bem andou a vereadora Graça Costa ao lamentar a triste situação daquele monumento, vítima da improvisação e da incapacidade da actual maioria relativa.

N'OTEMPLÁRIO será melhor começar por esclarecer desde já que aquela do "Chichi só com BI na estação de Tomar" é afinal a resposta mais lógica, adequada e eficaz ao galopante abandalhamento da sociedade portuguesa. Infelizmente, cada vez mais habitantes confundem liberdade com libertinagem e protesto com destruição, sem se darem conta de que aos poucos acabarão por não dispor livremente de quaisquer equipamentos, mesmo dos mais indispensáveis, como é o caso. Mais uma ilustração do aforismo "Quem semeia ventos, colhe tempestades".
Noticiando o 80º aniversário do Colégio Nun'Álvares, o semanário dirigido por José Gaio titula "De aluno do colégio a superministro" uma bem documentada biografia de Miguel Relvas, com três fotos a não perder. Igualmente meritória a série de fotos dos diversos locais quando atingidos pelo tornado e como se encontram agora.
Finalmente, a crónica "Sem esperança?", assinada por Sérgio Martins, versando apenas matéria já dada, alerta para a nossa triste situação: quanto mais mudamos mais decaímos; quanto mais escolhemos mais erramos; quanto mais evoluímos mais recuamos. Marcar passo não é andar. Triste sina!

O incêndio na Padaria Combatente faz a manchete de CIDADE DE TOMAR, o que se compreende pelas ligações familiares do repórter Manuel Subtil. Logo abaixo, o desafio de Américo Pereira, presidente da junta da Junceira, IpT,  para que Miguel Relvas venha dizer à população que aquela autarquia vai acabar. Ignoro se o visado aceitará ou não o repto. Se fosse eu, era já, que esta questão da supressão de freguesias está a ilustrar a nossa real natureza, enquanto população sem grandes diversidades regionais. Somos afinal um país, um povo, uma língua, um religião. É esse um dos nossos óbices. Dado não temermos qualquer risco de fragmentação, como em Espanha ou na Bélgica, por exemplo, contestamos tudo, ousamos tudo. De Gaulle dizia ser extremamente difícil governar um país como a França, com mais de 300 variedades de queijo. Pois em Portugal ainda estamos pior, pelo menos a julgar pelo que costuma ocorrer aqui em Tomar. Aquando de cada Festa dos Tabuleiros, os habitantes da cidade antiga nem sequer conseguem manter-se unidos rua a rua, apesar de algumas não serem nada longas. É o caso, por exemplo, da Rua do Camarão, cujos moradores se dividem em dois grupos distintos -Rua do Camarão de Cima e Rua do Camarão de Baixo. O mesmo tem ocorrido em várias outras artérias do Núcleo histórico, apesar de uma sã convivência de dezenas e dezenas de anos. De forma que, cá para mim, deveria proceder-se como referi oportunamente. Apenas duas freguesias. De um lado do Nabão, Santa Maria dos Olivais + restantes sete = Santa Maria de Tomar. Do lado oposto, S. João Baptista + restantes sete = Santa Maria do Castelo. Assim se acabava com as reivindicações de equipamentos, que depois não há dinheiro para assegurar a indispensável manutenção. Novos tempos, novos hábitos, novas exigências. A Europa do norte não está mais para nos sustentar. Apesar de Jardim, Sócrates e muitos outros pensarem o contrário, doravante as dívidas públicas são não só para gerir, mas também para liquidar quanto antes. Sob pena de severas represálias, na sequência do próximo Conselho Europeu. O tempo das farturas já foi!
O maquiavélico Nicolau foi claro e sintético: "Faz o mal todo de uma vez e o bem a pouco e pouco."

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Principais temas da semana




O destaque desta semana vai para O MIRANTE, onde Tomar tem direito a quatro temas de capa, prova do excelente trabalho da sua correspondente local. Dos quatro temas, aquele que me parece mais importante em termos de futuro diz respeito à autarquia. "PSD pressiona Corvêlo de Sousa a deixar presidência da câmara", titula o semanário, assim mostrando que afinal não se tratava apenas de "invenções de gente que não tem mais nada que fazer", conforme foi dito pelo senhor alcaide, em declarações à Rádio Hertz. Para quê? Será que ainda não percebeu que a mentira tem a perna curta? 
Faltando ainda saber se desta vez é mesmo o final da novela "Sai ou fica", ou apenas mais um lamentável episódio, cabe esclarecer que já antes houve reiteradas tentativas da Comissão Política laranja, todas em vão.
De acordo com uma notícia mais recente da Rádio Hertz, pode mesmo haver renúncia desta vez, embora de momento haja apenas indisponibilidade por alegada maleita, pelo que será Carlos Carrão a representar o executivo na Assembleia Municipal de amanhã.
As eleições na Misericórdia e no CIRE são notícia comum aos três semanários. Trata-se de escrutínios que se prevêem animados, porquanto em ambos os casos há forte descontentamento entre os eleitores e por razões similares: erros de gestão e abuso de posição dominante.
Referência especial para dois excelentes textos de Luís Maria Graça, um no Templário, outro no Cidade de Tomar, bem como para a sempre bem escrita e bem disposta crónica de Carlos Carvalheiro, no semanário sediado além-rio.
Ainda n'O Templário, uma lamentável prática, que se julgava de outro tempo. Na página 37, SC subscreve duas curtas irónicas, ambas começando por "Segundo dados divulgados". Onde terão sido divulgados? Durante a missa do meio dia? Na parede da biblioteca velha? Ou estavam numa página de jornal que vinha a embrulhar sardinhas? Semelhante falta de respeito pelo trabalho alheio só pode resultar de evidente grosseria de quem subscreve e de distracção do director do jornal, que em circunstâncias normais não deixaria publicar semelhante exemplo de ausência de boas maneiras. Se a moda pega, um dia destes até eu começo a publicar trabalho de outrem sem indicar a origem, limitando-me ao lacónico "Segundo dados publicados". Era bonito, não era?

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Principais temas da semana



Tanto O TEMPLÁRIO como CIDADE DE TOMAR publicam esta semana peças que no meu entender virão a constituir marcos importantes na história da urbe e das suas gentes. Recomendo por isso a sua urgente leitura.
No periódico dirigido por José Gaio, refiro-me à excelente peça das páginas 16 e 17, cujo título é já de si algo de excepcional na paisagem informativa nabantina: "2º aniversário do executivo municipal de Tomar em balanço - DOIS ANOS A "ENCANAR A PERNA À RÃ". Leitura que aconselhada com alegria, pois  me liberta enfim do complexo de D. Quixote que começava a assaltar-me o espírito, quanto mais não seja porque até me apelida de "Medina Carreira cá do burgo". Agradeço, naturalmente, mas não mereço. Nunca fui ministro nem isso ambiciono. Procuro apenas lutar pela minha terra e pelas minhas gentes, na medidas das minhas modestas capacidades.
Num estilo solto, limpo, sereno e incisivo, a autora ou o autor elenca as principais misérias do executivo que ocupa os cadeirões dos Paços do Concelho desde Outubro de 2009. Cito apenas um parágrafo, à laia de acepipe. Ou de "mise en bouche", que sempre é muito mais requintado: "Exemplo da estratégia de sucessivos executivos do PSD de se armar ao pingarelho traduziu-se, ainda se traduz, no investimento nas instalações do Núcleo de Arte Contemporânea e exposições de artistas de nomeada nas galerias do edifício da câmara. Caso fosse feita a relação do custo de cada visitante a estas exposições, certamente a troika daria saltos na cadeira."
Alegarão alguns leitores mais cépticos que o facto de estarmos perante um texto praticamente não identificado lhe retira alguma credibilidade. É um ponto de vista. Outro será pensar que, sem autor explícito, estamos face a uma genuína participação cidadã, de alguém que não tenciona participar como candidato nas futuras autárquicas. Atitude que, numa cidade como a nossa, onde reina o penacho, só pode ser realçada como exemplo cívico a seguir. Para que os senhores autarcas não possam continuar impunemente a fingir que acreditam estar a prestar um excelente serviço aos seus conterrâneos pagadores de impostos.
A outra peça, a de CIDADE DE TOMAR, pode ser considerada uma agradável surpresa, excepto para os defensores de pseudo-tradições locais. Está na página 12, com a assinatura de Luís Ribeiro, ilustre parceiro nas lides da blogosfera tomarense. O título, conquanto muito adequado, não dá grandes pistas ao leitor: "Festa dos Tabuleiros - A tradição ainda é o que era?" O conteúdo, porém, pode considerar-se uma "bomba" na pasmaceira tomarense. Indo por partes.
Já o escrevi variadíssimas vezes nos últimos 20 anos e muitos tomarenses me manifestaram já a sua concordância: -O actual modelo organizativo da Festa Grande de Tomar esgotou as suas virtualidades e está agora irremediavelmente ultrapassado, dado que em tempo de crise não passa pela cabeça de ninguém minimamente sensato gastar dinheiros públicos em festividades, quando falta para tarefas essenciais. Posto que qualquer rentabilização da festa implicará a sua realização anual e noutros moldes, é isso que tenho avançado como solução. Sem sucesso até agora, pois os membros das várias entidades que integram a organização dos Tabuleiros avançam dois argumentos de peso: 1 - Temos de respeitar a tradição; 2 - Não é possível organizar a festa todos os anos, nem mesmo ano sim, ano não.
É neste "empate técnico" que aparece o oportuníssimo texto de Luís Ribeiro. Citando a revista OCCIDENTE - Revista ilustrada de Portugal e do Estrangeiro, de 1 de Julho de 1887, lança uma violenta pedrada no charco da tradição tomarense: "Naquela época, todos os anos após o término  da Festa, era nomeada uma comissão para a realização do ano seguinte. Chegado o Domingo de Páscoa, sai esta comissão, com a bandeira do Espírito Santo e três coroas de prata, levadas cada uma por um mordomo, atrás de uma filarmónica percorrendo as ruas da cidade, indo por fim assistir à missa numa das igrejas de Tomar."
Temos assim, de acordo com a fonte citada, cuja fotocópia figura no artigo em questão, que há 124 anos, 124! mesmo sem energia eléctrica nem gambiarras, sem automóveis, sem população alfabetizada, sem subsídios do turismo de Portugal ou da autarquia, sem ajuda dos hipermercados locais, sem o terrado dos vendedores de churros e outros, sem electrónica nem informática, já era possível realizar a festa anualmente. Sem os participantes aplaudindo-se a si próprios durante o cortejo! 
Mais de um século depois, tornou-se impossível. Ainda por cima para respeitar a tradição. Mas qual tradição afinal? A autêntica, porque secular? Ou a de João Simões e Fernando Ferreira, iniciada em 1950?
Mais uma vez se constata que estamos realmente muito bem servidos, tanto de eleitos como de eleitores. Descendentes dos navegadores de antanho, não é?! Ou não será antes dos que por cá ficaram na retranca, cheios de medo da mudança e do futuro, como agora os seus dignos herdeiros? 
Este país e esta terra não são para medrosos!

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Temas quentes na imprensa local



"Câmara de Tomar processada por dívidas", noticia O TEMPLÁRIO, que assim desfere um violento murro no estômago de todos aqueles tomarenses que amam a sua terra ma detestam passar por aquilo que não são. Neste caso por caloteiros. Já se sabia que a autarquia nabantina está virtualmente falida e encravada em dívidas a fornecedores, na ordem dos 12 milhões de euros = 2,4 milhões de contos. O que ninguém esperava, fora dos Paços do Concelho, era que a edilidade da sua terra fosse processada para pagamento de dívidas. Ainda para mais dívidas insignificantes, em relação ao megalómano orçamento de 66 milhões de euros = 13,2 milhões de contos. Num caso 1.200 euros = 240 contos, referentes à compra de secadores de mãos para casas de banho. No outro 11 mil euros = 2.200 contos, de uma tenda para a protecção civil. Ambas as empresas credoras são do norte e desferem assim um golpe mortal na actual executivo. Não pelos montantes reclamados, que naturalmente serão liquidados antes de se chegar à execução judicial, mas por aquilo que denotam e em termos de reputação.
Quando um município de quase 40 mil eleitores é processado por dívidas ridículas, uma de três: 1 - Ou só paga atempadamente aos fornecedores do concelho, porque são os únicos que podem prejudicar em termos de votos; os de longe que se lixem; 2 -´Ou o pelouro de administração financeira funciona de maneira tão caótica que ninguém se deu conta do atraso nos pagamentos agora reclamados; 3 - Ou a situação é de tal forma apertada que a crónica falta de liquidez obriga a desviar verbas, destinadas a pagar a fornecedores, para outros fins mais importantes em termos eleitorais. Pagar a tempo e a horas aos funcionários, por exemplo.
Qualquer que seja o caso, trata-se de um rombo praticamente irreparável na reputação do município. De tal forma grave que os próximos e inevitáveis empréstimos a obter junto da banca custarão de certeza mais de 10% ao ano. 
Numa outra vertente, os fornecedores vão agir de dois modos diferentes. Por um lado, doravante apenas entregarão as encomendas do município contra dinheiro na mão. Por outro lado, os processos para cobrança litigiosa vão multiplicar-se. E Outubro de 2013 ainda tão longe... Mas como os tomarenses parecem conformados, que havemos de fazer? Sem eles nada é possível; com eles também não.
O outro assunto da semana no jornal de José Gaio é a resposta do irmão provedor Fernando Jesus ao irmão contestário Sérgio Martins. Tudo relacionado com a algo conturbada situação que se vive naquela Santa Casa, em que alguns irmãos se revelam cada vez menos fraternos. Para não entrar em politiquices, num caso que é por assim dizer do domínio privado, pois só diz respeito aos membros da irmandade, onde não entra quem quer, limito-me a lamentar que o senhor provedor intitule a sua epístola "O expatriado", modo subtil de alcunhar de meteco Sérgio Martins, quando afinal está na mesmíssima situação, uma vez que também não nasceu nem cresceu nas margens do Nabão. Deselegância por deselegância, mais valia não se ter armado em tomarista para defender os seus pontos de vista.
Esta abençoada terra gualdina -como muito bem diziam Cartaxo da Fonseca e Fernando Ferreira- sempre foi madrasta para os seus filhos e mãe para os de fora. Mas convém não abusar, que dá muito nas vistas.
No CIDADE DE TOMAR, os dois principais temas quentes situam-se na área do Estado-papá de todos nós. Teme-se que a eventual privatização da CP possa vir a prejudicar o Ramal de Tomar e destaca-se a decisão do executivo camarário que "deliberou pela isenção imediata de portagens na A13 para residentes e empresas". Se o actual executivo gozasse de boa reputação, ou os tomarenses fossem gente para reivindicar activamente os seus direitos ou simples pretensões, talvez o governo ouvisse o que agora se pretende. Mas com uma vereação já mais queimada que o carvão e uns eleitores que se mantêm impávidos e serenos face aos piores atropelos, a deliberação do executivo vale tanto como uma eventual bênção que eu  endereçasse por este meio aos meus conterrâneos de boa vontade.
Em qualquer caso, uma coisa é certa: com o inevitável agravamento da crise e mais esta vergonha da cobrança litigiosa de dívidas, os actuais membros do executivo bem podem ir procurando outros pontos de queda, a partir do final dos mandatos actuais. Se por evidente e lamentável erro de casting vierem a apresentar-se nas próximas autárquicas, apenas vão contribuir para aumentar ainda mais a já preocupante percentagem de abstenção. Em política também não há milagres e o povo pode ter muitos defeitos, pode até perdoar, mas não esquece...

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Recortes de imprensa

Jornal de Notícias, 31/10/2011, página 49

Pois é ! Uma pessoa lê o título, a chamada de título, e fica entusiasmada. Finalmente vamos ficar a par da Europa do norte, no que toca a escolha de candidatos. Como acabam de fazer os socialistas francêses para escolher o seu candidato à presidência da república. Infelizmente o entusiasmo dura pouco. Logo umas linhas mais abaixo o secretário nacional João Ribeiro é peremptório: "As primárias entre militantes estão previstas na moção de Seguro, mas a sua abertura à sociedade "é assunto encerrado", após a derrota de Assis em congresso." Tudo perdido, por conseguinte? Talvez não.
"Questionado sobre se aquela alteração está garantida, disse que "a direcção nacional não quer condicionar o debate" e "cabe aos militantes fazer propostas". Caberá mesmo? Afinal, o PS - Tomar fez melhor já em 2009. Não abriu totalmente à sociedade -o que é desejável e mesmo inevitável mais tarde ou mais cedo- mas aceitou independentes como candidatos. Na próxima vez será forçado a andar para trás?
Convinha ficar esclarecido quanto antes, porque às vezes perde-se por um esclarecimento fora de tempo...

Jornal i, 31/10/2011, última página

Os agora já célebres candeeiros a 340 contos (1.700 euros) cada um, instalados numa das salas da Jácome Ratton aquando das recentes obras de requalificação e ampliação, continuam a dar que falar na grande imprensa. Mas esses pelo menos servem para alguma coisa, e servem bem. O director daquela escola já afirmou que espalham muito bem o fluxo luminoso e que nem sabia que eram da autoria de Siza Vieira. O raio do preço é que veio estragar tudo. E não se trata de caso único. Ainda hoje a imprensa volta a falar em despesas sumptuárias, desta vez numa escola dos arredores de Lisboa. O projecto previa lâmpadas fluorescentes com suportes suecos a 200 euros a unidade, mas a direcção da escola resolveu procurar no mercado nacional e encontrou suportes de substituição, fabricados em Portugal, a 40 euros cada...
Além destas utilidades caras, outras há que nem utilidades chegam a ser. Para não sair de Tomar, qual a utilidade da barraquinha do Mouchão? Da casa do guarda da Mata, que não tem guarda a viver lá? Da recepção anexa às novas instalações sanitárias na mesma Mata? Da iluminação, uma vez que a Mata fecha sempre ao sol posto? Dos paredões junto ao rio, na zona do mercado? Do elevador no ParqT? Das instalações para café no ParqT? Da ponte metálica Mouchão/ex-Estádio? Das obras de milhões que destruíram as bancadas e os balneários do então estádio? Dos passeios de mais de dois metros de largura na Ponte do Flecheiro, a menos de 10 metros da ponte para peões? Do sistema de energia solar instalado nos contentores do ex-estádio, cujos painéis tapam o sol uns aos outros? Das exposições temporárias no piso térreo dos Paços do Concelho? 

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Principais temas da actualidade local


Sinto-me agora bem acompanhado. Corajoso, frontal, certeiro e oportuno, o padre Mário disse o que devia ser dito e no local mais adequado, quando nos areópagos políticos praticamente nada de substantivo acontece. Na Igreja de Santa dos Olivais, perante o presidente e o vice-presidente da edilidade. Que agora já não poderão dizer que é só má lingua. No normal exercício do seu múnus, o pároco da cidade foi claro: "Estamos num concelho cada vez mais pobre; caminhamos para a ruína. ... ...Partilhamos pouco, dialogamos pouco, comprometemo-nos pouco, trabalhamos pouco em conjunto..." No essencial, aquilo que aqui tenho vindo a denunciar há mais de dois anos, até agora sem qualquer resultado prático. Bem haja padre Mário!
Eu, se ocupasse alguma função política provida por eleição, numa cidade cujo pároco assim pregasse na minha presença, apresentaria a minha demissão nas 24 horas seguintes. Porque todos sabemos como estamos de governação local e para onde ela nos conduz, sem disso se aperceberem. Ou agindo como se. Mas há feitios e feitios.
Cuidado porém. A situação agrava-se de tal maneira e a tal ritmo que pode bem vir a suceder (oxalá que não!) algo de menos digno e de irremediável. Cidadãos há que perante tanta soberba, tanta sobranceria, tanta auto-suficiência, tanta indiferença fingida, se sintam atraiçoados por aqueles em quem votaram e resolvam passar à agressão justiceira. Seria lamentável, mas depois do mal feito...
Ainda em CIDADE DE TOMAR, destaque para a habitual colaboração de António Freitas, desta vez sobre o video da festa de 1929 e as contas da deste ano (página 2), bem como toda a penúltima página, que tem muito que se lhe diga.

O TEMPLÁRIO destaca a redução da actividade laboral do matadouro da CITAVES, devido à falta de encomendas. É mais um sinal preocupante, num concelho cujos autarcas insistem em não tomar medidas adequadas às circunstâncias, continuando a agir como se tudo fosse pelo melhor, no melhor dos mundos possíveis. Prova disso é a outra notícia sobre a Feira de Santa Iria. No início disse-se que até havia mais feirantes, para agora se concluir que afinal era só fogo de vista.  Sentiram-se os efeitos da crise, tanto na quantidade como na qualidade da clientela.
Outro tema é a imperativa reforma das juntas de freguesia, que naturalmente os seus eleitos não desejam. O semanário dirigido por José Gaio ouviu os dois presidentes de junta das freguesias urbanas, que insistiram na sua utilidade, nem que para isso haja necessidade de as agregar a outras. Um pouco no sentido daquilo que já aqui escrevi anteriormente. Apenas duas freguesias no actual concelho. De um lado do rio, Santa Maria de Tomar, com a actual Santa Maria dos Olivais + sete. Do outro lado do rio, S. João Baptista de Tomar, com S. João + sete. A não ser assim, servindo-se do Nabão como limite administrativo natural, tarde ou nunca se conseguirá um consenso geral.
Há igualmente uma entrevista com o provedor da Misericórdia, Fernando de Jesus, e uma crónica de Sérgio Martins sobre o mesmo tema.
Noutra página, escreve-se sobre o 6º aniversário dos transportes colectivos urbanos, conhecidos por TuT, sem contudo focar o âmago do problema: Durante quanto tempo mais terá a autarquia meios para custear o défice anual superior a 300 mil euros = 60 mil contos? Ao contrário do que julgam os ilustres autarcas que temos, não é escamoteando os problemas, fazendo de conta que não existem, que surgirão soluções milagrosas. Há que conversar, dialogar, debater, saber ouvir, contra-argumentar, fundamentar, sintetizar, ceder. Governar, em suma!

Recortes da imprensa

Recorte 1
Recorte 2
Recorte 3
Recorte 4

A galinha da vizinha é sempre mais gorda que a minha, reza o velho adágio. O que me levou a ler a imprensa vizinha, para ver se sempre é mais gorda que a minha. Até uma dada altura, ainda referi aqui todas as semanas uma publicação mirantina, que é de cá e não é, à boa maneira destas bandas. Aconteceu porém que os seus donos se mostraram incomodados com as minhas citações, lembrando-me que, nos termos da lei, apenas posso referir o título e usar o link. Devem ter pensado que estaria disposto a transformar-me em lacaio deles. De forma que, a partir de então motus! O que me levou a demandar outros títulos, de outra zona mais arejada, entre outros aspectos porque se encontra mais exposta às brisas atlânticas. Falo de Leiria e do seu jornal do mesmo nome. Melhor, igual ou pior, quando comparado com os daqui? Quem se der à maçada de ler estas linhas fará o favor de decidir.
Primeira constatação: No JORNAL DE LEIRIA há muitos cidadãos a escrever. Na edição que tenho aqui ao lado, com data de hoje, contei sete cronistas, entre os quais Moisés Espírito Santo e Henrique Neto. Além do editorial, subscrito pelo seu director, José Ribeiro Vieira.
Segunda constatação: Há noticiário abundante, completo e bem redigido, através do qual é possível seguir os principais aspectos da cidade, do concelho e do distrito. Os recortes 1 e 2, mostram porque é que naquela zona, apesar da crise, continua a haver crescimento económico. Indiciam realismo, adaptação à envolvência e sentido das proporções. Nada de megalomanias, do tipo hotel de charme de quatro estrelas no mínimo e com 60 quartos... O tempo das vacas gordas, que lhes deixou a encomenda do estádio, já passou, pelo que o mesmo até está agora à venda a quem der mais...
Terceira constatação: Ao assinalar um aniversário político, procuram ir, tanto quanto possível, ao fundo da questão. Como no caso dos dois anos da actual vereação autárquica, em relação à qual publicam um balanço sucinto e imparcial (Recorte 3).
Quarta constatação: Sempre que possível, abordam os problemas com que a região se debate numa óptica comparativa, fornecendo quadros estatísticos, de forma a que os leitores possam ajuizar. Assim, o recorte 4 indica que, na proporção habitantes/médico do SNS, os leirienses já protestam mas os tomarenses e ribatejanos estão ainda pior. Só suplantados na penúria pelos alentejanos do distrito de Beja. Feitios...
Quinta e última constatação: Todas a crónicas são bastante interessantes e bem escritas, ainda que, como é normal, com estilos bem diferenciados. Por pensar que rir faz bem à alma, passo a transcrever um excerto de uma delas: "Telescópio Político - Marketing autárquico", da autoria do TOC - Técnico Oficial de Contas, Leonel Pontes (será ele que faz a obrigatória auditoria anual das contas da autarquia?): "...O bom autarca não era aquele que poupava, era aquele que fazia uma gestão de encher o olho aos cidadãos, e dizia em campanha "Caros concidadãos, eu sei bem das vossas necessidades e por isso vou mandar construir uma ponte lá em baixo." Mas eis que um munícipe mais esclarecido gritou: "Mas não passa nesta terra nenhum rio!!!". Ao que o putativo futuro presidente da autarquia respondeu: "Eu bem sei! Até já tenho isso em plano! O rio virá para a próxima campanha eleitoral!"
"E foi assim que as autarquias ancoraram as suas actividades. Na falácia, na obra fácil, no orçamento para inglês ver, no excesso de pessoal. Sem cuidarem de saber se o seu município tem sustentabilidade económica. Agora, no dizer do povo, "burro morto, cevada ao rabo". Mas a besta ainda não está morta. Está agonizante e pode salvar-se...".

Se por mero acaso, alguém em Leiria tiver a pachorra de ler estas linhas, faça-me um favor, que é ao mesmo tempo uma obra humanitária: Avise quanto antes o autor da crónica -o cidadão Leonel Pontes- para não vir a Tomar indagar da situação local. Caso contrário será decerto vítima de inevitável e fulminante AVC.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Principais temas da semana


"Ilegalidades" na Misericórdia, refere O TEMPLÁRIO, em chamada de primeira página. Trata-se da algo agitada assembleia da irmandade da Santa Casa da Misericórdia, onde ocorreram coisas de pasmar. Por exemplo: Que quase 40 anos após o 25 de Abril, um advogado ainda ignore que, em democracia de tipo ocidental, como aquela em que vivemos, quando algum dos presentes pede, antes do escrutínio, que o voto seja secreto, o seu pedido deve ser aceite sem hesitações, deixa-me pasmado. Foi porém o que sucedeu na dita reunião, com uma interrupção dos trabalhos para decidir. 
Há depois o triste espectáculo de uma santa colectividade de solidariedade social a ter de se pronunciar sobre a possibilidade do seu irmão-provedor se poder candidatar a um sexto mandato, quando o compromisso é claro. Cada irmão apenas pode desempenhar dois mandatos. Se, como até há uns anos atrás, o desempenho do cargo não fosse remunerado, dir-se-ia tratar-se de um caso de devoção cidadã. Agora assim, com honorários mensais de 1.500 euros + alcavalas...
É afinal o corolário lógico da lenta transformação da solidariedade cristã em indústria assistencial, no seio de sociedades com o denominado modelo social europeu. O qual, infelizmente, está a dar as últimas, por falta de "pulmão".
O outro assunto importante vem na página 15, assinado por Guilherme Duarte. Aborda de forma crítica a problemática do pretenso fórum romano, que agora os eleitos socialistas pretendem novamente vedar. O autor cita e reproduz um outro texto seu, de Janeiro de 2006, no qual focava o que lhe acontecera 25 anos anos antes. Ou seja, em termos actuais, há 30 anos. Só mesmo em Tomar é que três décadas passadas a questão continua em ponto morto.
Custa-me repetir evidências, mas isso sou forçado. Consultei, li, estudei, ouvi, indaguei, sem conseguir qualquer prova de que aqueles toscos alicerces possam ter sido outrora parte de um fórum romano. A única pessoa que o afirma desde há mais de 30 anos é Salette da Ponte, que infelizmente não apresenta dados substantivos, para além da sua própria opinião, baseada não se percebe bem em que documentos escritos ou achados arqueológicos verificáveis por todos.
Li várias vezes tudo aquilo que escreveu sobre o assunto nos sucessivos boletins culturais da Câmara de Tomar, tendo detectado um caso evidente de "pescada de rabo na boca". Quando a senhora refere textos de outros autores, ou publicações nacionais e internacionais, em apoio da sua tese, lendo as obras e  os autores citados, constatei que lhe devolvem a citação, apresentando-a como única fonte da escavação e da identificação do achado. Será preciso dizer mais?
Quanto aos ditos alicerces, na minha humilde opinião de simples aprendiz de história (tenho apenas as unidades de crédito necessárias para um bacharelato que nunca solicitei), só merecem um destino -dar lugar a qualquer construção tida por conveniente pelo proprietário do terreno, bem entendido sem ligação alguma aos romanos. Quase 40 anos de palhaçada, chega e sobra para envergonhar quem ainda saiba o que isso é.


                                   

Não me parece que o caso dos bancos frente ao quartel dos bombeiros, agora deslocados por ordem do vereador respectivo, seja tema para primeira página. Contudo, reconheço que cada órgão de informação tem inteira liberdade de alinhamento editorial. Tanto mais que, logo a seguir, se pode ler "Quim Barreiros em dia de aniversário da Rádio Cidade de Tomar". Mais palavras para quê? É um jornal tomarense e um artista português típico.
Na última página, o director António Madureira escreve em defesa da Santa Casa, cuja irmandade integra, e da sua actual mesa, sem todavia justificar os 5 mandatos já cumpridos por Fernando de Jesus, que pretende obter condições para nova candidatura.
Antes, na página 12, Nelson Santos critica forte e feio os membros da Assembleia Municipal, naquela questão do estacionamento gratuito no ex-ParqueT. A atitude é assaz rara por estas bandas, o que me leva a dar-lhe destaque. Pode ser que a moda pegue, e Tomar possa começar a sonhar outra vez...
Infelizmente, logo a seguir, na página 14, a propósito do fórum "Cidades de futuro, turismo e história com energia", que teve lugar no Convento de Cristo, tendo sido patrocinado pela EDP, Corvêlo de Sousa não perdeu a ocasião para brindar os participantes com mais umas considerações assaz curiosas. Destaco uma, reportada por Manuel Subtil: "Corvêlo de Sousa mostrou-se disponível para aceitar o desafio para que se tente perceber de forma científica porque é que a grande maioria dos visitantes do Convento de Cristo não visita a cidade." Nem mais, nem menos! O presidente que adjudicou a empreitada para construção de parques gratuitos para ligeiros e autocarros lá em cima, coisa rara ou até inexistente junto às atracções citadinas, preocupado com as consequências daquilo que está a tentar facilitar ainda mais. É fazer o mal e promover a caramunha.
Abstenho-me por ora de outros comentários, limitando-me a referir que nem sequer estou seguro de que a maioria dos visitantes conventuais não venham cá abaixo. Apesar da gritante falta de condições!

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Principais temas da actualidade local


 N'O TEMPLÁRIO, para além dos incidentes, três assuntos merecem algum desenvolvimento. A crónica de Carlos Carvalheiro, o estacionamento à borliu para os ilustres senhores deputados municipais e as admissões rejeitadas na Irmandade da Misericórdia de Tomar.
Naquele seu estilo dificilmente imitável, Carlos Carvalheiro usa na sua crónica desta semana (página 12) uma frase de abertura muito bem conseguida: "O que eu gostava de concordar com os amigos do alambor..." Dado que o Carlos é um cidadão íntegro e acima de qualquer suspeita, não acredito que esta sua posição tenha algo a ver com o facto de o Fatias de Cá explorar a cafetaria do Convento, aí organizar vários espectáculos com refeições e ter instalações no ex-Hospital Militar. Ou estarei equivocado a respeito do tomarense canhoto Carlos Carvalheiro?
Numa outra página, o semanário dirigido por José Gaio publica várias criticas de outros tantos tomarenses acerca do chupismo da generalidade dos membros da Assembleia Municipal. Porque afinal é disso mesmo que se trata. De um grupinho de Sacaduras, que por terem sido eleitos, se passaram a considerar como membros de uma tribo acima dos comuns mortais. 
Claro que o custo da benesse é insignificante. Até porque o parque está sempre praticamente vazio. Mas não é isso que está em causa. O que irritou  os tomarenses foi a atitude, a postura, o exemplo. Em vez de se comportarem como devotados servidores da causa pública, ainda por cima numa época particularmente difícil para todos; não senhor. Toca a sacar enquanto houver. Ou, como disse o outro; "Eu bem que tinha a intenção de ser honesto; mas se não roubasse, roubavam os outros!"
As admissões e recusas na Irmandade da Misericórdia de Tomar são o terceiro tema templarino que decidi cronicar. Cada instituições tem os seus princípios e as suas práticas que só comprometem os seus membros. Contudo, nem por isso deixa de ser algo estranho o que nestes últimos tempos vem ocorrendo naquela santa casa. Luís Graça, um ilustre tomarense membro de pelo menos outra Misericórdia, só à segunda tentativa conseguiu convencer os seus agora irmãos. Outros não tiveram essa sorte, tendo sofrido escusadas humilhações, que muito ofenderam os irmãos propositores.
Tudo isto numa Santa Irmandade onde visivelmente o Provedor, já fora dos prazos legais e tendo excedido o total de mandatos permitido pelo compromisso, agiu agora de modo a manter-se mais um mandato num lugar que entretanto se tornou assaz rendoso. Submeteu à votação dos irmãos uma proposta no sentido de ser declarado que não há qualquer inconveniente em que possa concorrer a mais um mandato. E ganhou, por 43 votos contra 14. Mas os vencidos vão impugnar a votação e recorrer a todos os meios legais ao seu alcance, no sentido de repor a normalidade de funcionamento daquela casa.

A eventual renúncia de Corvêlo de Sousa e um convívio nos Casais, eis os dois temas de CIDADE DE TOMAR a merecer algum desenvolvimento.
"Perante rumores de renúncia ao mandato nos próximos dias Corvêlo de Sousa diz que é tudo folclore", titula o jornal da Praça da República. No entanto, na página 3, a conversa já é algo diferente: "Cidade de Tomar apurou que nesta quinta-feira, ao final da tarde, vai ter lugar uma reunião do presidente da câmara...com a Comissão Política do PSD, com o objectivo de debater assuntos do concelho e ainda a eventual renúncia ao mandato por parte do actual presidente." Donde parece ser legítimo deduzir que no fim de contas, tudo devidamente ponderado, não é tudo folclore, nem coisa parecida.
Como é do conhecimento geral, na questão do alambor templário, o nosso alcaide afundou-se de tal modo que o que restava da sua já muito debilitada credibilidade bateu a bota. Tomar a dianteira tem por isso todas a razões para asseverar que havia um compromisso assumido, prevendo a transferência do poder no dia 15 de Outubro. O problema é que já anteriormente houve outros acordos que não foram honrados pelas partes, pelo que os membros da CP laranja continuavam na incerteza: sai, não sai, sai, não sai. O que se compreende. À hora a que estas linhas são escritas ainda nem se sabe se terá ou não havido reunião. Ontem à noite ainda o senhor presidente não tinha sequer confirmado a sua presença...
Entretanto, no convívio dos Casais, um repasto bem regado, para comemorar a participação da freguesia na Festa dos Tabuleiros, com 28 ditos cujos, estiveram presentes o presidente da junta, o mordomo da festa, o vereador Carrão e o padre Mário Duarte. A reportagem de Manuel Subtil merece leitura atenta e reflectida, pois trata-se de um extraordinário documento sociológico, ainda melhor quando se sabe que não era essa a intenção do autor.
Abreviando, o mordomo João Victal afirmou lamentar que alguns justifiquem a falta de apoio monetário do Turismo de Portugal, com o argumento da periodicidade quadrienal da festa. Noutro passo, disse que o actual figurino deve ser mantido e que "fazer a festa todos os anos ou de dois em dois anos nos actuais moldes, ou nas actuais condições, é impossível."
Usando da palavra, o vereador Carlos Carrão foi directo ao assunto Disse que a festa "não pode acabar nem em 2015 nem em 2019; esta envolvência das pessoas e os seus custos, obriga a que a festa se realize sempre de quatro em quatro anos; é importante manter o actual figurino." E logo adiante: "em 2015 devemos ter João Victal como mordomo da Festa dos Tabuleiros."
Mesmo não havendo a menor intenção de polemicar com o vice-presidente laranja, é impossível não assinalar a estranha situação de um autarca que não encontra solução para problemas prementes como o Mercado Municipal, o Parque de Campismo, o ex-estádio, a 3ª fase do Flecheiro, que implica o realojamento dos ciganos, ou as crescentes dívidas da autarquia, cujo passivo acumulado deve ultrapassar os 70 milhões de euros no final do ano, mas estipula desde já -e pela segunda vez em poucos meses- que haverá festa dos tabuleiros em 2015 e em 2019, que serão realizadas de acordo com o figurino tradicional e que em 2015 o mordomo será João Victal. 
Agora, tendo em conta as próximas autárquicas, só falta aguardar até 2013, para verificar se estará ou não a limpar o respectivo antes de ter obrado. Na política acontece aos melhores!

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Os grandes temas da semana

Já aqui o lamentei várias vezes, mas apesar disso não me consigo conformar, conquanto compreenda o porquê da situação. A imprensa local, visando evitar choques e tensões desnecessárias, raramente noticia problemas. Prefere relatar acontecimentos. De preferência insólitos. Dispenso-me de exemplificar, pois basta olhar para as duas ilustrações de outras tantas capas. No CIDADE DE TOMAR desta semana, praticamente apenas duas excepções: a penúltima página, com a assinatura do sempre percutante António Freitas e, na página 14, uma opinião de Luís Ferreira sobre o desenvolvimento turístico de Tomar.
Mérito para o vereador socialista, que ousa abordar uma problemática assaz complexa, embora não consiga ultrapassar o nível das generosas generalidades, numa altura em que, mais do nunca, é imperativo que apareçam ideias novas e operativas, substituindo as tradicionais, obsoletas e por isso inadequadas aos novos tempos. Mas de ideias mesmo novas, quem sabia era o Steve Jobs, que infelizmente se finou ainda novo, após ter demonstrado várias vezes a nível mundial que os problemas não residem na técnica. Resultam da nossa incapacidade para definir novos objectos, novos usos e novas direcções do progresso.


Além dos tais acontecimentos insólitos, e outros que nem tanto, como o bruxedo aquático ou o casamento VIP, O TEMPLÁRIO inclui uma excelente peça sobre o Festival de estátuas vivas, com declarações interessantes e reveladoras do seu dinamizador, o professor Eduardo Mendes. Após duas edições, considera que há agora necessidade de reequacionar o evento e, contrariamente ao que indica o título "Festival de Estátuas paga-se a si mesmo", limitou-se a afirmar que "tem potencial para se pagar a si mesmo", o que é bem diferente. Sobretudo quando se tenha em conta que a recente 2ª edição custou quase 90 mil euros (financiados em 80% pelo QREN, é verdade, mas mesmo assim) e um número indeterminado de entradas no Convento, que deixaram de ser cobradas. 
Sabendo que os fundos europeus não tardam a acabar, Eduardo Mendes já encara a hipótese de recorrer a patrocinadores em 2012, passando a cobrar entradas a "preço simbólico, popular", em 2013. Sinal evidente de que se começa finalmente a perceber que por exemplo as gratuitas excursões/tintol/comezaina/bailarico, são antes e depois pagas por todos na factura da água, nos preços elevados do comércio local, no IRS, no IRC, no IMI...bem como na falta de limpeza, no péssimo mercado e na crónica carência de instalações sanitárias. Contudo, bem vistas as coisas, com a informação semanal que temos, há problemas cuja resolução  não é mesmo nada urgente. Basta ir animando a malta, para depois sacar dividendos de quatro em quatro anos...

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Principais temas da actualidade local



A compra da falida Freitas Lopes pela Madeca é notícia de primeira página no TEMPLÁRIO, constituindo uma excelente ilustração da inversão de tendência que está a ocorrer de forma bastante acelerada na economia regional. Na segundo metade do século passado, enquanto em Tomar se vivia bem, sobretudo graças à considerável população militar, Vila Nova de Ourém era pouco mais que o  far west. Ainda havia gente a dormir no meio da palha, junto com os animais, almoçando-se muitas vezes pão de milho com cheiro a toucinho.
A extrema miséria forçou milhares a procurar na emigração dias mais felizes. A maior parte para França e a salto, que é como quem diz sem passaporte e passando a fronteira clandestinamente. 60 anos mais tarde, as diferenças são gritantes. Tomar definha a olhos vistos, idos que foram os militares de antanho. Ourém, pelo contrário, cresce a olhos vistos, sendo já em termos populacionais o 2º concelho do distrito, enquanto que na área económica, apesar da crise, em Caxarias, por exemplo, não há desemprego. A França facultou aos emigrantes todos, mesmo aos que regressaram, uma outra visão da vida. Ensinou-lhes que cada qual deve cuidar de si, em vez de aguardar o empregozinho na função pública ou a ajuda do Estado. Por isso foi a Madeca a comprar a Freitas Lopes falida, e não o inverso.
Na sua habitual e percutante colaboração em CIDADE DE TOMAR, António Freitas aponta desta vez os "bate-palmas" da Festa dos Tabuleiros, os turistas à brocha para chegar ao Convento, a pedra pintada pelas Estradas de Portugal na ponte de Alviobeira, as obras do IC3 e...as ervas no alambor do Castelo dos Templários, porque parece só haver dinheiro para limpar a Janela do Capítulo, uma parvoíce que nos cobre de ridículo por essa Europa fora.
Destaque também para as crónicas de Jorge Franco e António Alexandre, ambos de regresso à política activa a nível local. O antigo vereador confessa-se céptico em relação às hipóteses dos socialistas tomarenses, nomeadamente devido à evidente dificuldade para abandonar velhas práticas que já há muito mostraram os seus limites. Sendo certo que o próximo executivo -qualquer que ele seja- terá forçosamente de olhar de outro modo para as freguesias; de estar genuinamente ao serviço dos eleitores e dos potenciais investidores e deixar-se de megalomanias, há que reconhecer desde já que tal não é suficiente para atrair pessoas e actividades. Para isso é indispensável reduzir taxas e preços, simplificar burocracias e descer à terra, deixando de considerar os outros como uns pobres labregos ignorantes, quando afinal... É  evidente que a arrogância  nos vai matando pouco a pouco, porque já ninguém está para aturar as nossas pancadas, de ex-ricos à custa do Estado, que entretanto está com extrema falta de ar. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades...o Camões era zarolho mas via bem longe!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Principais temas da semana



Abro com uma nota prévia: Para mim, temas principais são aqueles que ainda vale a pena agitar, de forma a poder encontrar-se uma solução vantajosa para Tomar. Nesta conformidade, os factos consumados não me merecem referência, pelo simples facto de já não adiantar epilogar sobre tais assuntos. Nunca gostei de violas atrás de enterros.
O que me traz ao caso do alambor. Ambos os semanários locais referem a concentração com muito pouca gente. CIDADE DE TOMAR chega até a explicar essa circunstância com a tradição nabantina, referindo "uma terra de gente acomodada... ...que não se mexe para nada." Ainda assim, a adesão à petição nacional sobre o mesmo assunto não pára de aumentar, ultrapassando já as 1.250 assinaturas. Nestas condições, meus caros conterrâneos, se não querem vir a sentir-se ainda mais envergonhados, deixem-se quanto antes de atitudes mesquinhas. Abram-se ao mundo e à modernidade. Subscrevam quanto antes a petição para a protecção e requalificação do alambor templário, começando por clicar aqui.
Ainda na área do património local, ambos os semanários noticiam a visita guiada por Corvêlo de Sousa às obras do futuro complexo museológico da Levada, que segundo afirmou estarão concluídas antes do verão de 2012. Na reportagem d'O TEMPLÁRIO, uma magnífica foto mostra o mais recente achado, no local entre o ex-refeitório de FMG e a Central eléctrica, conforme já aqui foi referido ontem.
Tendo entretanto lido as declarações do presidente da câmara, o socialista Hugo Cristóvão mostra-se uma vez mais alarmado e inconformado com tanta falta de atempada fundamentação operacional e organização técnica, num texto cortante que pode ser lido aqui.
Dois outros temas, que ainda vão dar muito que escrever, são noticiados de forma discreta e só em CIDADE DE TOMAR. Trata-se da cedência de um espaço municipal para sede provisória do União de Tomar e das taxas de juro exorbitantes exigidas pela banca para emprestar à autarquia montantes destinados a pagar o remanescente das empreitadas financiadas a 80% pela União Europeia.
Em relação ao primeiro, parece-me extremamente preocupante que eleitos da área forense se deixem arrastar por paixões desportivas, acabando por debitar enormidades jurídicas, do tipo "As colectividades são todas importantes, não se põe isso em causa. Mas a história do U. de Tomar, do Sp. Tomar, da Gualdim Pais e da Nabantina...são completamente diferentes." (Cidade de Tomar-Centro Desportivo, página 2) Afinal, em que ficamos? São todas importantes? Ou, parafraseando Orwell,  no Triunfo dos porcos, são todas importantes, mas há umas mais importantes que outras?
Ainda sobre a mesma questão, incomoda constatar que uma mesma formação política por um lado "alerta para a gravidade da situação financeira do município" (página 20 de CT), mas por outro os seus eleitos não hesitam em pressionar a autarquia para que venha a ter de suportar mais despesas, nomeadamente de electricidade, água, limpeza e manutenção, ao ceder um espaço municipal para sede de uma colectividade, por muito venerável que esta seja. Tanto mais que o município cede gratuitamente espaços que lhe pertencem, enquanto paralelamente paga avultadas somas a título de aluguer, por outros espaços para instalar os seus próprios serviços. Fará isto algo sentido? É gastando mais que se economiza?
O outro tema tem algo de irónico e vem também na página 20 de CT. Numa declaração de voto, os eleitos socialistas mostram-se agastados com "os spreads pedidos pelas entidades bancárias que responderam, entre 7% e 7,5% [+ a taxa básica], que são quase usurárias", pelo que recomendam ao executivo que contacte o órgão governamental competente, no sentido de se conseguirem condições mais vantajosas para os empréstimos municipais destinados a completar ajudas europeias. Lê-se e tem-se alguma dificuldade em acreditar. Esta gente vive em que mundo? Então numa altura em que a banca portuguesa se não  consegue sequer refinanciar no mercado, ao mesmo tempo que o governo procura cortar o mais possível nas despesas das autarquias, os dois vereadores socialistas acham ser boa oportunidade para solicitar bonificações? Nunca ninguém lhes ensinou que jamais se deve falar de cordas em casa de enforcados? É assim que pretendem ajudar a relativa maioria com a qual estão coligados? Ou trata-se apenas de uma tentativa de rasteira?

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Análise da imprensa regional desta semana


Muita e excelente leitura no Cidade de Tomar hoje publicado.  Além do  inacreditável  texto subscrito pelo vice-presidente Carrão, também difundido no TEMPLÁRIO e já comentado no post anterior, destaque para as duas peças subscritas por António Freitas, nas páginas 8 e 20, ambas sobre problemas graves ocorridos aquando da festa dos tabuleiros. Na página 12, Hugo Cristóvão publica um comovedor adeus à presidência do PS local, admitindo a dado passo que "Os políticos tomarenses com responsabilidades públicas nos últimos anos, escolhidos pelos tomarenses, têm sido globalmente maus, muito maus é certo, e eu sinto algum desconforto em poder ser confundido com eles e essa é uma das razões do meu actual cansaço com a política." Perante tão franca e singela confissão, resta-me agradecer ao Hugo a sua excelente ajuda. Doravante ninguém poderá afirmar, respeitando a verdade, que sou o má-língua de serviço. Pois se até o subscritor do acordo da transitória mancebia PSD/PS já admite publicamente sentir-se algo agoniado...a situação parece complicar-se singularmente. A dois anos da próxima consulta eleitoral e num contexto de acentuado agravamento da crise nacional e local.
Outro texto a ler sem falta é a declaração de regresso em força à política activa do ex-vereador socialista António Alexandre. Está na página 16 e pode bem prenunciar reclassificações várias no tabuleiro político nabantino. Finalmente, nas páginas 18 e 19, António Freitas aborda, respectivamente, o excesso de emplastros integrados no cortejo dos rapazes e a participação da freguesia de Alviobeira na festa dos tabuleiros.

O TEMPLÁRIO publica de novo um suplemento ilustrado sobre os tabuleiros, a última entrevista de Luis Santos e três peças de notável prosa. Fernanda Leitão comenta, na página 15, a sua visita sentimental às margens nabantinas, mais de 30 anos após a sua ida precipitada para o Canadá. E comete um erro creio que involuntário: Não foi o "Manel Bento o autor e fundador  do Congresso da Sopa", mas sim o já falecido Manuel da Silva Guimarães, como é do conhecimento geral na urbe. Bento Baptista foi sim o continuador do evento, de resto com muito brio e sucesso. E sem procurar obter dividendos pessoais.
Segue-se, na usual prosa burilada e percutante, a semanal crónica de J. A. Godinho Granada, desta vez sobre a Festa Grande de Tomar. Atente o leitor neste belo naco: "Espantosa a actuação de um ser assexuado que dá pelo epíteto de Castelo Branco, transmitida pela TVI, perante o gozo de uma assistência meio divertida, meio incrédula. Há gostos para tudo..." Boa malha, Dr. Granada!Vale também a pena ler, como sempre, o comentário mais político-económico de Sérgio Martins, intitulado visões e que vem na página 22.A concluir, a velhinha "À esquina da Praça" sobre "Bolas brancas e pretas", numa escrita rica e rara, proporcionada pelos mais de 50 anos de tarimba jornalística do tomarense de adopção o amigo Appio Sottomayor.

N'O MIRANTE, destaque para a pose nitidamente evangélica de Corvêlo de Sousa,  a declarar-se acima das guerras partidárias e disposto a levar o mandato até ao fim. Conseguirá? É que sempre são 6,5 milhões de euros a liquidar só à ParqT, com um juro de 4% enquanto tal não ocorrer. Dado que a banca já fala em spreads de 5% e o BCE não empresta a menos de 2,5%... é só fazer as contas, como disse o Guterres certa ocasião. Pessoalmente, inclino-me mais para o boletim metereológico: Céu permanentemente muito nublado; chuva intensa e ventos fortes no vale nabantino, susceptíveis de arrastar autarcas mesmo que muito bem alapados. É a crise...
Na sua habitual colaboração "E-mails do outro mundo", o ultra-astuto Serafim das Neves vai directo ao assunto: "Tal como não ponho as mãos no fogo pelas caldeiradas políticas, mais instáveis que nitroglicerina, que coabitam nos executivos das câmaras de Tomar e de Vila Franca de Xira.  PS e PSD juntos a remar para o mesmo lado é quase tão contra-natura como ver Pinto da Costa a aplaudir o voo da águia Vitória. Mas mais bonito será se essas alianças interesseiras chegarem até ao final do mandato autárquico. Estou curioso para ver a argumentação na campanha eleitoral, com o PS em Tomar a dizer mal da maioria PSD de que fez parte... ...Jogar em dois tabuleiros sempre foi um exercício arriscado e muitas vezes acaba mal." Exactamente o que tem vindo a ser dito e redito, aqui em Tomar a dianteira, com o estatuto de mera maledicência, já se vê!
Apenas duas locais sobre Tomar, nesta edição d'O RIBATEJO. Uma sobre a comemoração dos 90 anos da Sinagoga como monumento, outra referindo a "Recuperação do Museu João de Castilho", que arranca em Agosto. É pouco mas não se conseguiu mais, que a época não vai para excessos, um correspondente local tem os seus custos e o Grupo Lena não está propriamente a nadar em dinheiro. Ao que se ouve dizer por aí...