terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Eis senão quando...

Ainda pode votar >>>

Eis senão quando, o PSD/Tomar que até parecia ir no bom caminho, com uma Comissão Política a discordar da governação local dos últimos anos e a agir em consequência, viu postos em causa os seus objectivos. A Comissão Política nacional ousou cometer o erro do descarte. Está em vias de descartar a hipótese de vitória em Tomar, ao impor a candidatura de Carlos Carrão, um dos principais actores da nossa dolorosa descida aos infernos.
A coisa pode ser explicada assim: Chegados a Lisboa para apresentar António Lourenço dos Santos como candidato laranja escolhido em Tomar, os membros da delegação nabantina (João Tenreiro, José Delgado, Lourenço dos Santos e Carlos Carrão) foram informados de que, ao abrigo dos estatutos, cabe às instâncias nacionais decidir em definitivo, pelo que o candidato PSD à câmara de Tomar terá de ser Carlos Carrão, o actual presidente e responsável distrital para as próximas autárquicas. Acrescentaram que a CP local poderá indicar o 2º e o 3º da respectiva lista. Foi um balde de água fria, como se calcula. Gelada mesmo. De tal forma que os protagonistas locais recusam falar no assunto em público. Só Carlos Carrão, com as costas quentes após a decisão lisboeta, é que não perdeu tempo: citado pela Rádio Hertz, já afirmou que mesmo o segundo e o terceiro da sua equipa serão escolhidos por ele. Ora toma! De vencido a triunfador! Na secretaria. O pior é o que está para vir.
Que se passou afinal? As informações escasseiam, o que aumenta as interpretações. A mais corrente diz que há muitos esqueletos dissimulados nos diversos armários municipais, pelo que é imperativo não só manter o poder, como sobretudo aqueles protagonistas que até agora tão bem os têm sabido guardar.
Segundo um outro raciocínio, mais elaborado, mas que não invalida, antes engloba o anterior, as instâncias nacionais do PSD encomendaram uma sondagem e os resultados desta mostram que Carlos Carrão é o melhor candidato. Todavia, acrescentam, os resultados da sondagem foram orientados logo à partida, pois nas entrevistas telefónicas era apresentada uma lista de nomes (Carlos Carrão, José Delgado, António Cupertino, Lourenço dos Santos e Pedro Marques), mas apenas se perguntava qual era o mais conhecido, e não em qual votaria. Naturalmente que Carlos Carrão e Pedro Marques venceram, sem qualquer surpresa. Um porque já foi presidente de câmara durante dois mandatos e vereador durante oito anos. O outro porque nos últimos quinze anos não faltou a nenhuma festa, inauguração, passeio, baile ou outra cerimónia. Tipo "não houve festa nem dança onde não estivesse a Constança".
Esqueceram os estrategas (?) lisboetas do PSD que o facto de ser conhecido não garante que se trate de uma candidato ganhador. E o PSD quer ganhar Tomar, quanto mais não seja para minorar a previsível hecatombe de Outubro próximo. Evitando manchetes do tipo "Terra adoptiva de Miguel Relvas rejeitou o PSD que estava no poder há quatro mandatos, com o actual ministro adjunto como presidente da AM".
Vale e Azevedo é muito conhecido, mas seria capaz de voltar a ganhar as eleições do Benfica? Pedro Marques é muito conhecido, mas não conseguiu ganhar as eleições nem em 2005, nem em 2009. Será desta?  Urge portanto voltar a ponderar a questão quanto antes, seguindo o figurino já aqui apontado anteriormente. Ou ir-se preparando para a inevitável derrota.

6 comentários:

templario disse...

DE: Cantoneiro da Borda da Estrada

Pois é, Caro Dr. Rebelo! O PSD escolheu bem, não brinca em serviço.

E vai ser trigo limpo farinha amparo! Tão certo como eu me chamar Fernando. Quaisquer 7 mil votos bondam.

A não ser que a oposição local ganhe juízo, e imponha às direções nacionais uma coligação. E mesmo assim terá que ter cuidados redobradíssimos nos preliminares.

Carlos Carrão gosta de ir às festas populares, às viagens com tintol e comezaina...? Pois fez ele muito bem, é tomarense, mostra que sabe estar com os munícipes e que conhece as curvas todas a dar para ganhar eleições. Ele até sabe o que fazer para ficarem cadeiras vagas em votações cruciais!!!

Na actual conjuntura só podia ser ele o cabeça de lista. Relvas semeou, há anos a esta parte, uma cultura de prática política verdadeiramente arrasadora, que contaminou todos os partidos locais, criando um sem número de apóstatas e ressabiados e outros com afigurações, tipo conversa da treta pequeno-burguesa citadina e... esclarecida... - sometimes pseudo-revolucionária.

É bem feito!

Pela última vez, repito o conselho:

Anabela Freitas, Pedro Marques e Bruno Graça reúnam três vezes na próxima semana e tomem decisões; e mais outras três vezes, se necessário for.

And persevere until getting a common-ground.

Isto hoje vai com inglês e tudo à mistura. Para se perceber melhor.








tomarense d disse...

-Não menosprezar o facto de que existe muito boa gente a votar no partido independentemente das pessoas, e aí, seja qual for o candidato ele será sempre um potencial vencedor.
-Claro que as próximas eleições serão "especiais" por motivos óbvios, e tudo pode acontecer. Sendo previsivel uma grande derrota do PSD a nivel nacional, tal como aconteceu com o PS no tempo de António Guterres, que precipitou a queda do governo.
-Os IPT e o Dr Pedro Marques terão agora a sua oportunidade de ouro para vencer as eleições, desde que apresentem uma equipa credivel e um projecto sério e exequivel. Caso contrário será a decadência certa e inevitavel daquilo que alguns teimam em chamar de cidade...

António Rebelo disse...

Para Templário:
Ainda não consegui perceber em que te apoias para declarar Carrão um bom candidato. Não estando em causa o cidadão-conterrâneo, que obviamente respeito, mas o político, que predicados lhe encontras? Porque está em todas? Isso foi chão que já deu uvas. Agora anseia-se por realismo e espírito prático. Estás convencido de que os responsáveis pelo nosso atascanço serão futuramente capazes de nos desatascar? Até o Lavoisier, há mais de dois séculos, já sabia que as mesmas causas produzem sempre os mesmos efeitos, nas mesmas condições exteriores.
Também não entendo o teu apelo. O Bruno já esteve comigo na AM, na bancada do PS, no tempo da AD; e também já foi cabeça de lista CDU, tendo obtido cerca de 1.800 votos. Estás a vê-lo agora como congregador de votos, numa altura em que a extrema-esquerda está a ir por água abaixo em toda a Europa? Desce à terra, Fernando! Deixa-te de atitudes poéticas e românticas. Estamos em pleno século XXI, embora por estas bandas nem sempre pareça.

Leão_da_Estrela disse...

"numa altura em que a extrema-esquerda está a ir por água abaixo em toda a Europa?"

Oh professor, e Portugal é lá comparável com alguma coisa na Europa? aqui a malta leva porrada, mas insiste nos mesmos...
Olhe, até em Itália, que se diz ser um país de mafiosos, os vigaristas estão a ir dentro! olhe cá, se eles não estão aí prás curvas...

Eu cá estou com o Cantoneiro: partir pedra, partir pedra, até sair alguma obra de jeito, porque conhecendo o eleitor de ginjeira, doutra forma o Carrão é capaz de ganhar a coisa.

Cordialmente

António Rebelo disse...

Prezado Leão da Estrela:

Obrigado pelo comentário, que veio mesmo a propósito para eu poder despejar uma mercadoria que tinha em reserva.
Seria realmente bom para todos que as diferentes oposições nabantinas conseguissem finalmente unir-se. Contudo, alguém está a ver Pedro Marques em segundo lugar na lista PS/IpT? Anabela Freitas a ceder-lhe a primazia? Luís Ferreira a aceitá-lo? Neste país e sobretudo nesta terra onde muita gente gosta de armar ao pingarelho, estou convencido que nenhum político aceitará jamais andar de cavalo para burro. Na mesma linha, que razões poderia ter o PS actual para incluir o Bruno na lista para o executivo ou para a AM? Os lugares que conseguir já serão poucos para os pretendentes filiados, quanto mais agora para outsiders.
Convém não esquecer que estamos numa cidadezinha em que praticamente todos os cidadãos se consideram capacitados para qualquer lugar. Desde que seja bem remunerado, isso então nem é bom falar!
Um último tópico. Nos USA, o democrata Obama acaba de nomear um republicano, ex-sargento que serviu no Vietname, para ministro da defesa. Alguém em Portugal aceitaria um tipo da oposição,com o posto de sargento que tivesse servido na guerra em África, como ministro da defesa? Por estas bandas, em certos aspectos ainda estamos no tempo do clero,da nobreza e do povo. Não vale a pena tentar disfarçar.
Acidamente a tentar corroer,

Leão_da_Estrela disse...

Caro professor,

Estou de acordo consigo quanto à dificuldade de união das oposições e da enormidade dos egos dos políticos tomarenses, mas se houver vontade das bases...

Já o Obama, bom... terá alguma coisa a ver com a aprovação da recente legislação sobre impostos? "uma mão lava a outra"? de qualquer forma, do PS ou do PSD ou doutro qualquer, nunca um sargento seria ministro da defesa em Portugal! então e os senhores generais?...

Já completamente Troikado,

Cumprimentos