sábado, 28 de maio de 2011

INDICAR UM MANAJEIRO

Muitos portugueses estarão convencidos de que no próximo dia 5 de Junho vão escolher o melhor programa para governar Portugal. Não vai ser o caso. Como bem escreveu há pouco Ferreira Fernandes, no DN, vamos apenas indicar o primeiro-ministro. Mais precisamente um primeiro-ministro com poderes singularmente limitados pelo protocolo entretanto já imposto pela troika. Será assim uma espécie de cozinheiro a quem já impuzeram os pratos prontos a servir aos clientes. Apenas poderá variar no molho e num ou outro acompanhamento, sempre mediante consulta prévia aos supervisores de serviço. Em suma: um manajeiro ou capataz, às ordens dos nossos prestamistas.
Demasiado susceptíveis para os tempos que correm ("quem não se sente não é filho de boa gente"), serão muitos os cidadãos a lastimar-se de semelhante ultraje aos nossos direitos fundamentais. Pena que acordem demasiado tarde, uma vez que ficou claro, desde as primeiras eleições livres, que apenas podemos votar dentro dos limites antes impostos pelos partidos. Não escolhemos candidatos ou programas adequados a cada círculo eleitoral; somos constrangidos a votar em emblemas, numa espécie de referendo de listas previamente impostas.
Mesmo nas eleições autárquicas, a experiência entretanto adquirida demonstra que tem razão o publicitário de uma conhecida marca de pizas: "O segredo está na massa". No duplo sentido do termo. Uma vez cozinhadas as listas, os dados estão lançados. A cada eleitor resta votar ou não; indicar o mal menor, se for o caso. Deve ser por isso que estamos tão bem e caminhamos para cada vez melhor. Haja Deus!
Voltando às próximas legislativas, vamos portanto ter de votar num manajeiro, para manajeirar o pessoal, à maneira de um moderno manager -Digam e façam o que entenderem, desde que obedeçam àquilo que eu digo.
Quer isto dizer que não vale a pena ir votar? Pelo contrário! Devemos ir todos, sem falta. Porque há todo o interesse em colocar lá um capataz obediente, mas leal, fraterno, sincero e cumpridor. Se assim não for, vamos sofrer e de que maneira. Os nossos credores não vão perdoar-nos, como já se vai vendo na Grécia. Por agora estão encantados connosco, segundo a imprensa internacional. Contrariando as expectativas dos mais pessimistas, os três principais partidos subscreveram o protocolo imposto, após uma rápida negociação, o que surpreendeu a própria troika. Agora, porém, vai ser mais complicado.
Enquanto PP Coelho assume claramente o que assinou, e vai avisando que se o PSD ganhar as eleições haverá, por exemplo, no estrito cumprimento do protocolo subscrito, portagens em todas as SCUT, um governo reduzido, supressão dos governos civis e auditorias externas sempre que necessário, José Sócrates mantém-se igual a si próprio. Todos os dias e em todas as acções de campanha vai martelando que PP Coelho é isto e mais aquilo, que o PSD mais fritos e cozidos. Chega até ao cúmulo de acusar o seu principal adversário de não ter experiência governativa. Normal? De modo nenhum! A ser a falta de experiência  um defeito impeditivo, então não valeria a pena organizar eleições, uma vez que os actuais governantes já estão no poder há seis anos, com os resultados de todos conhecidos, fazendo todos os possíveis para lá continuar.
E quanto às opções de um eventual futuro manajeiro do PS? Pois até agora, moita carrasco! O líder socialista deve continuar convencido de que vai ser possível ludibriar os representantes da troika, culpando os adversários, como sempre tem procurado fazer, pelas desgraças resultantes do bloqueio das verbas europeias, prometidas para honrar transitoriamente os nossos compromissos. Porque as dívidas somos nós que vamos ter de as pagar, diga o senhor Sócrates aquilo que disser, esconda aquilo que esconder.
Conclusão: No próximo dia 5 de Junho cada cidadão vai colocar na respectiva urna o voto mais importante para o nosso futuro desde o 25 de Abril. No meu modesto entendimento, Passos Coelho é a opção certa, para uma honesta e serena convivência com todos -cidadãos portugueses e representantes dos credores. Quanto à hipótese Sócrates, os negociadores da troika não foram de meias palavras, qualificaram-no de "Intratável", de acordo com a imprensa internacional. Infelizmente, não no sentido de ser duro a negociar, mas apenas porque nem sabe nem quer conseguir consensos. Como os portugueses já tiveram ocasião de constatar, não é realmente o seu estilo... E "homem de antes quebrar que torcer", foi bom há séculos, enquanto não apareceram os regimes pluralistas.

10 comentários:

simon disse...

Bom dia. No que toca ao programa À Mesa do Café quem foi o convidado da emissão nº 18? Na emissão 17 foi Luís Ferreira e na emissão 19 foi António Sousa. É que não parece estar disponível a emissão 18 para ouvir? Muito obrigado.

simon disse...

Bom dia. Por favor diga-me quem foi o convidado da emissão 18 do programa À Mesa do Café. Na emissão 17 tinha sido Luís Ferreira e na 19 foi António Sousa. Muito obrigado.

Anónimo disse...

Está visto que até âs legislativas o blogue será "A Folha PSD".
1-Populismo da redução de ministérios. Até o dr. Cavaco não concorda.
2-Experiência governativa A. O ex Presidente da CIP, Van Zeller, acha-a importante e diz que se deve contar com Sócrates numa coligação dada a experiência governativa e conhecimentos pessoais.
3- Experiência governativa B. Sendo Relvas o possível nº 2 do Governo(!), o seu papel e influência de décadas no estado a que chegou Tomar, fala por si. Não esquecer os "movimentos" no caso Portucale.
4- Os "gestores" do PSI20 e do "Compromisso", verdadeiros orientadores económicos de Passos, querem é mais negócios com o Estado e para não lhes faltar verba, precisam de reduzir ainda mais os vencimentos da f. pública.
5-O nº de ricos em Portugal aumentou e a distribuição de riqueza concentrou-se. Culpa de Sócrates? Talvez. Mas Passos & Relvas querem mais.

Anónimo disse...

Rebelo no seu melhor,igual a si próprio,finalmente assumido como homem de direita.

Finalmente coerente!

Se for verdade que,no segredo da câmara de voto,alguma vez votou PS.

E interrogo-me por,de repente,deixar de ser um "ferveroso" e "incondicional" socialista e,por artes mágicas,passar a ser um indfectível RELVISTA.

Mas...desde que vi um macaco a andar de bicicleta...

António Rebelo disse...

Para comentador das 13:35

Deve dirigir-se à Rádio Hertz, através do site respectivo, uma vez que são eles que detêm o arquivo do programa.

António Rebelo disse...

Para comentário das 15:06

Para quê tanto ódio recalcado?

Anónimo disse...

Costumo ver o noticiário da TVI. No horário nobre, acabou de fazer a sua crónica o dr. Santana Lopes (ex primeiro ministro PSD). Amanhã ouviremos Marcelo (ex presidente do PSD). Teremos que esperar só até quarta feira para poder ouvir Marques Mendes (ex presidente do PSD). Mas entretanto teremos, na segunda feira, Carrilho (o francófono que ficou sem belo-lugar pago pelo contribuinte em Paris, defensor do Cõa que custou e custa milhões ao cidadão pogante, crente na salvação pelo turismo kultural e inimigo fidagal de Sócrates). Semana apóss semana,
todas estas individualidades opinam.
A máquina de propaganda do PARTIDO SOCIALISTA é mesmo AQUELA MÁQUINA.

Anónimo disse...

Não confunda a indignação pelo comportamento de um "troca tintas" com sentimentos espúrios e mesquinhos como ódio.
Não faça dos outros parvos.
Não perca o seu tempo a fazer de polvo,turvando as águas.
Há muita gente que o conhece bem,há muitos anos.
E a esses você não engana,nem nunca enganou,por mais que se fosse travestindo ao longo dos anos.
Quando o desmascaram,remete-se para uma rídicula auto-vitimização e/ou refugia-se na CENSURA dos que não lhe dizem "Ámen".

António Rebelo disse...

Para 22:02
Ainda não entendeu que os seus "textos" o qualificam melhor do que qualquer contraditor?

António Rebelo disse...

Para 13:52
Está visto que não gosta de franqueza devidamente identificada. Falta saber o que o impede de ir lastimar-se para outros blogues, de preferência fundamentado as bojardas que ejacula coberto do anonimato, como se isto fosse uma vulgar casa de passe.