sábado, 7 de maio de 2011

O FIM DO MALABARISMO VERBAL

Poucos se terão dado conta de que, durante a sua recente e já célebre intervenção televisiva, durante a qual informou os portuguesas sobre tudo aquilo que o acordo com a troika não tem, o primeiro-ministro ainda em funções foi igual a sí próprio -confessou a verdade, que logo maquilhou com uma fantasia. Admitiu a verdade ao referir que a implementação das gravosas medidas contidas no documento assinado vai ser vigiada (o termo usado foi monitorizada, que é de interpretação mais problemática, visto tratar-se de um anglicismo técnico) com rigor a cada três meses. Maquilhou, ao acrescentar "como é habitual", o que não corresponde de todo à verdade. Tratou-se, isso sim, de insinuar que o governo Sócrates foi e é tratado como qualquer outro, o que carece de fundamento.
Cansados de tanta contorsão, de tanta falta de estatura, de tanta desculpa, desta vez os comissários europeus decidiram agir com toda a cautela. E os seus representantes disseram-no de forma clara, ao responder a uma pergunta dos jornalistas presentes. Perguntou um deles -"E se, como até agora, a parte portuguesa for garantindo que faz, que vai fazer, que aguarda melhor oportunidade, que tenciona vir a implementar quando houver condições, como habitualmente?" Respondeu um dos membros alemães da outra parte -"Nesse caso as verbas previstas não poderão ser desbloqueadas, enquanto as contrapartidas portuguesas não estiverem cumpridas de forma integral". E aqui temos o nó da questão.
Acabou-se o malabarismo político de José Sócrates. Outro, dito de outro modo, o ainda primeiro-ministro poderá insistir na sua realidade virtual, mas isso já não terá quaisquer efeitos práticos Aquilo que já aceitou é exactamente o que vai ter de fazer, imperativamente nas datas previstas. Continuará portanto a prometer mundos e maravilhas, vitórias, sucessos e facilidades aos portugueses, que os maus hábitos dificilmente se perdem. Mas não poderá cumprir nem uma das suas promessas, mirobolantes nesta conjuntura, pois não há nem vai haver recursos que permitam prolongar o presente estado de coisas. Quer ganhe quer perca as próximas eleições. Quer venha ou não a formar governo. Maioritário ou minoritário. Com ou sem coligação. Alargada ou não.
Outro tanto vai suceder aqui pelas margens nabantinas. Acentua-se a penúria de dia para dia, não se antevendo qualquer hipótese de melhoria até pelo menos ao final deste mandato. Conforme admitiu esta semana um dos integrantes da maioria relativa "não há dinheiro para nada". Nestas condições, mesmo sem a apertada vigilância da troika, o actual executivo camarário vai ser forçado a adoptar outro "modus operandi", que o actual já deu o que tinha a dar. Corvêlo de Sousa poderá continuar a compor o ramalhete ainda mais algum tempo, que nem os eleitos nem os eleitores acreditam já nas suas promessas.
O ideal seria haver coragem para dar um murro na mesa e proclamar "Tomarenses, vocês ainda não viram nada, nem imaginam o que aí vem, tanto para o mal como para o bem..." Dado que tal não é de todo previsível, tanto por falta de temperamento com de projecto, resta aguardar 2013, que aí cada qual terá de mostrar o que tem, expondo também, sem querer, o que lhe falta.
Claro que vamos perder mais dois anos, na complicada marcha rumo ao futuro. Mas que se lhe há-de fazer?
Habituados de pais para filhos a mamar na porca orçamental, agora vai levar algum tempo até que os tomarenses se convençam de que, no mínimo, terão de se habituar doravante a procurar outras comidas, infelizmente rijas e por mastigar... É a vida! exclamaria o pachola António Guterres, que teve pelo menos a nobreza de carácter de apresentar a sua demissão, ao constatar que o país se enterrava pouco a pouco. Infelizmente os seus actuais sucessores são do tipo pilhas Duracell: " E duram e duram e duram e duram..." Porque será? Estarão preocupados com o recheio dos armários governamentais ou autárquicos, consoante os locais?

4 comentários:

Anónimo disse...

Bom dia, António Rebelo.

O que tenho a dizer não tem a ver com o proposto no título, mas considere um desabafo da minha parte, e se entender passível de publicação...agradeço!

Começa hoje mais um festival dos lambuças, vulgo Congresso da Sopa, uma vez mais ocupando um espaço de jardim, que apesar da machadada dada por Paulino, o Paiva da Trofa, e por isso mesmo arrancado da sua anterior e antiga beleza, deveria ser respeitado, sendo deixando em paz, para fruição de quantos ainda gostam de espaços verdes, e por isso poupado à violência de manifestações tribalistas deste tipo.
A tendência actual de muitos municípios que promovem iniciativas deste género, é a criação de espaços multiusos cuja rentabilidade é assegurada por uma programação cuidada e profissionalmente conseguida.
Óbvio se torna reparar que em Tomar tal é impossível. Não existe ninguém capaz de implementar esse tipo de dinâmica, dada a natureza vernácula das mentalidades instaladas por cá.
Por isso vamos constatando, ano após ano, a existência de mais do mesmo: o ajavardamento dos nossos melhores espaços que ainda vão resistindo à erosão humana, em detrimento da utilização para que foram criados, neste caso, pelo melhor presidente de Câmara que alguma vez existiu em Tomar, e que, pelo que facilmente se adivinha, alguma vez existirá!

Obrigado

Anónimo disse...

O anónimo das 10:48 alem de um distinto fascista é um básico total.

Uma terra que tem os jardins que tem ia enfiar os eventos na FAI?

Ora... Ganhe juízo.

Anónimo disse...

O Zé Sócrates está para lavar e durar. A atender nas sondagens ele irá continuar como PM. E depois, que lhe resta?... regressar a França?...

António Rebelo disse...

Para comentador das 00:42

É a sua opinião, de resto apoiada nas sondagens, mas ainda assim tão respeitável como qualquer outra. Julgo, todavia que nunca é conveniente vender a pele de qualquer animal, antes de o ter abatido ou de a ter obtido por qualquer outro meio (legal, caro está!)
Sobre o meu futuro, não se preocupe. Com Sócrates, Passos Coelho, Portas, Jerónimo ou Louçã a chefiar o governo, a minha principal preocupação continuará a ser, como até aqui, o futuro da comunidade tomarense, à qual pertenço. Com total respeito pelas instituições democráticas, pelos eleitores e pelos eleitos.

Cordialmente,

António Rebelo