sexta-feira, 6 de maio de 2011

O "SEX APPEAL" DO PODER

É para mim algo de extremamente complexo -misterioso até- a paixão pelo poder. Não falo já de casos como o de Berlusconi, Fátima Felgueiras ou Isaltino de Morais. Nem sequer dos de Valentim Loureiro, José Sócrates ou Santana Lopes. Ou ainda, a nível local, do vereador Carlos Carrão e o seu Opel Insígnia, ou daquele autarca nabantino cuja deslocação a Madrid custou 10 mil euros = 2 mil contos aos cofres da autarquia. Refiro-me a casos como Jaime Gama, Cavaco Silva, Francisco Louçã, Jerónimo de Sousa ou Carvalho da Silva. O poder pelo poder. Com paixão, dedicação e honestidade pecuniária a toda a prova.
Dir-se-á que, na prática, vai tudo dar ao mesmo, mas não é verdade. Berlusconi está nitidamente alapado, como tantos outros, enquanto que Sapatero, Campos e Cunha ou Luís Amado já manifestaram total desapego pelos cargos. No caso do espanhol, com enormes vantagens para "nuestros hermanos". Sem a sua célebre frase, em pleno parlamento, "tomarei todas as medidas necessárias para salvar o nosso país, nem que isso me possa custar o lugar", sabe-se lá como estaria hoje a Espanha.
Chegado aqui, já quem me lê estará a cogitar "onde é que este gajo quer chegar com esta música toda?" Simplesmente ao caso do meu amigo pessoal, adversário político e nosso alcaide, o "gentleman" Corvêlo de Sousa. Porque a minha indagação é esta: Sócrates percebe-se, mas porquê o nosso mavioso e aveludado presidente de câmara?
Sócrates percebe-se, por ser alguém forte, dominador, obstinado, intratável, exaltado e obnubilado pelas suas próprias soluções, vivendo por isso (ou fingindo muito bem que vive) numa realidade virtual, que só ele vê e entende. Agora o Fernando Rui, incapaz de usar uma frase mais agreste, de agredir verbalmente, de tentar molestar um adversário ou de reprimir evidentes desmandos, o que o manterá agarrado a uma situação equívoca? O que o levará a manifestamente confundir os seus desejos com a própria realidade, como acontece com Sócrates? Em que se baseia para pensar que determinadas iniciativas vão produzir os efeitos por ele desejados, mas que são de todo improváveis?
Realmente o poder é muito afrodisíaco. Mesmo para quem ainda não usa Viagra ou sucedâneos. E os eleitores é que pagam. Ninguém os manda votar de ouvido!

7 comentários:

Anónimo disse...

Uns estão alapados ao poder, outros estão dominados por ele.

O Fernando Rui como razoável jurista que é, anda com medo que o descalabro financeiro que afoga a autarquia possa ser razão para o criminalizar.
Há quem tenha temores nocturns por menos...

Anónimo disse...

Tomar é aquilo que os tomarenses hoje são: Uns frouxos e fingidos.

Aliás, todos os vereadores em exercício, quer os do poder quer os da oposição, são uns manhosos que não têm nenhum projecto para Tomar, mas apenas querem o poder por outras razões, seja ela a vaidade ou outras mais complexas.

Quanto ao Corvelo, é triste de mais contactarmos que o dito é uma NÓDOA a todos os níveis, e politicamente falando é um EUNUCO.

Só é lamentável que os tomarenses tenham votado em figura tão medíocre quanto desonesta politicamente.

Anónimo disse...

O "sex appeal" do poder tolda os instalados e os obstinados candidatos a instalarem-se.

Uns correm,sobretudo,atrás do dinheiro e das mordomias.

Outros vivem obcecados pelo protagonismo,pelos holofotes,pela massagem permanente ao ego e à vaidade.

Ambos querem,sobretudo,servir-se.

Mas a nossa terra precisa é de gente PARA SERVIR,humilde,honesta,competente,
com visão e coragem para enfrentar (maus,péssimos) hábitos e interesses instalados.

E ONDE É QUE ESTÃO ESSES HOMENS OU MULHERES,DENTRO OU FORA DOS PARTIDOS?

ALGUÉM QUE FAÇA UMA LISTA,QUE OS APONTE!

Anónimo disse...

Quando começarem a ser chamados à responsabilidade, dando contas públicas dos mandatos, perdem depressa o fascínio do poder. Esperemos que esse tempo não demore.
O País precisa de ser informado sobre toda a verdade!
O Primeiro Ministro dizia que não era preciso recorrer ao FMI. Afinal, deveria tê-lo feito mais cedo.
Mas quem foi responsável pela quena do País no buraco sem fundo?

Anónimo disse...

Esta sua sondagem é uma treta, ha´dois dias que tento votar e não consigo. Por cada dia que passa é menos um voto no Ivo Santos.

Anónimo disse...

Economistas da treta
Se estiver a ouvir as intervenções de alguns dos nossos economistas John Stuart Mill deve estar a dar voltas na sepultura, como é possível reduzir tudo o que se passa na economia mundial e na economia portuguesa a uma questão de política orçamental de dois ou três governos? Não admira tamanha falta de honestidade colectiva quando um Presidente que queria ajudar o país consegue fazer no seu discurso de posse um diagnóstico da economia portuguesa como se vivêssemos em autarcia, como se a economia portuguesa estivesse tão à margem da economia mundial quanto estava a Albânia de Henver Hodja.


Como é possível falar de finanças ignorando a maior crise financeira mundial desde o crash de 1929? Como é possível ignorar o maior desarmamento pautal desde que o GATT foi criado? Como é possível falar do euro ignorando os desequilíbrios que foram gerados na zona de uma nova união monetária com a sua dimensão? Como é possível ignorar o maior aumento dos preços do petróleo desde a crise de 1973-74? Como é possível falar de desemprego ignorando o encerramento de centenas de empresas que faliram em consequência da concorrência externa ou se deslocalizaram para outros país? Como é possível falar de despesa pública ignorando o esforço financeiro que a crise exigiu do Estado? Alguns dos nossos ilustres economistas falam como se tudo fosse um erro de um plano quinquenal, como se os governos tivessem planeado gastar muito mais do que previram produzir.

Questões como o desarmamento pautal, a formação profissional, a criação de empresas competitivas à escala internacional, a mudança da educação ou as tensões crescentes do mercado do petróleo são questões de gerações e não de um governo e muito menos de um governo que nem conseguiu governar. Discutir a situação económica portuguesa apenas como se fosse o resultado de quatro ou cinco orçamentos revela não só falta de honestidade como ignorância e incompetência.

Estes ilustres senhores, desde o engenheiro com MBA, ao antigo ministro das Finanças que ficou célebre por penhorar um WC, desde o tal que tem uma pensão de 8.000 euros desde os 49 anos por ter trabalhado seis ao patrão dos telelés, teriam chumbado na cadeira de Política Económica no velho ISEG. Chumbariam por ignorância, falta de rigor e por charlatanice. É como se um ilustre professor de medicina fizesse o diagnósticos em função da cor política, se o governante fosse de direita tinha uma mera constipação, se fosse de esquerda a doença era tuberculose.

Compreendo que tenham aparecido tantos “economistas” engalfinhando-se com cada um a dizer o pior possível do governo, promovendo uma orgia demagógica. É como se se tivessem reunido as condições para o aparecimento de uma praga de gafanhotos, a mudança de um governo depois de um longo ciclo de oposição gera uma imensidão de oportunidades de emprego para compensar o longo período de carência. Administrações da CGD e das suas empresas, administrações de grandes empresas públicas, altos quadros do Estado como os reguladores apetitosos pelo seu poder, lugares na administração no Banco de Portugal, tudo tachos para resolver os problemas económicos de uma família para o resto da vida.

Tal como no passado aos exércitos medievais se juntavam imensos mercenários nos cercos à cidade para partilharem dos saques, as elevadas expectativas eleitorais do PSD levou muita desta gente a um corrida desenfreada contra o governo, com cada um a dizer o pior possível, a tentar aparecer ao lado de Passos Coelho, a querer conquistar o estatuto de conselheiro do líder do PSD. A excitação da proximidade de uma batalha fácil levou-os a comportarem-se como um cardume de piranhas.

Pode ser que se enganem e fiquem mais uns anos a roer os ossos."

O JUMENTO

António Rebelo disse...

Para anónimo em 17:01

Esta aplicação do google só permite um voto de cada URL. Se não consegue votar é porque alguém já o fez a partir da URL que está a usar. Tente a partir de outro computador.