sábado, 1 de junho de 2013

Outra encrenca tomarense


O aspecto exterior da Igreja de S. João Baptista já há muito tempo que não prestigia a cidade nem quem a devia dirigir. Precisa de limpeza, de pintura e de rápida reparação da cumeeira. Sob pena de em breve começar a chover na nave central, com a consequente e rápida degradação do forro.
É uma situação injusta para os autarcas e preocupante para todos nós. Injusta para os eleitos, uma vez que na verdade não lhes cabe assegurar a conservação dos monumentos nacionais, tarefa da exclusiva responsabilidade da actual DGPC. Preocupante para todos nós, visto que a experiência nos ensina que um povo que não cuida dos testemunhos do seu passado, não tem grande futuro.


Às citadas mazelas vieram agora juntar-se estas grades de protecção, que a maior parte dos que por ali passam ignoram para que servem. Trata-se de evitar que algum cidadão possa ser atingido por pedaços de argamassa ou de calcáreo...


 ...provenientes destas duas zonas salitradas, uma por cima do relógio, outra do lado esquerdo da foto. O mostrador do relógio, do reinado de D. João III, tem também evidentes sinais de degradação: o rosto do filho de D. Manuel I, no ângulo superior direito, já desapareceu, enquanto o de sua esposa, Dª Catarina, irmã de Carlos V, também está corroído. Só as respectivas caveiras, nos ângulos inferiores, estão ainda bem conservadas. Não se trata contudo de perdas irremediáveis, pois há no Convento de Cristo um mostrador gémeo e bem conservado.


A reparação das anomalias assinaladas, designadamente das duas zonas salitradas, pode vir a ser assaz demorada, devido à particular situação do património tomarense. A câmara não dispõe de verbas nem de competência administrativa para as efectuar, a antiga DGEMN já foi, o IGESPAR está a ir e a novel DGPC ainda está a fazer-se ao piso. Além disso, tratando-se de obras de pouca importância relativa, não parece plausível que se abra concurso para a sua realização. Talvez um ajuste directo. Dizem porém os especialistas da área que "não dá margem". E quando assim é...
Temos portanto outra encrenca tomarense? Pois temos sim senhor. A não ser que os autarcas se encham de brio, o que não é de excluir por estarmos em ano eleitoral. Oxalá!

2 comentários:

templario disse...

DE: Cantoneiro da Borda da Estrada

Corra-se com o padre! Já uma vez deixei aqui sugestões para arranjar fundos para esses restauros.

E já agora com o sacristão.

António Rebelo disse...

Estás equivocado Fernando! O padre Mário até se tem esforçado no sentido de conseguir ao menos a pintura da fachada. O problema é outro: a câmara nunca reivindicou a administração do património tomarense, pelo que são uns senhores com assento lá para as bandas do Alto da Ajuda, que ninguém elegeu, a decidir estas coisas e outras semelhantes. Com os magníficos resultados que estão à vista. Mas como sempre dava trabalho, os nossos respeitáveis autarcas nunca quiseram assumir tal encargo. Ganham o dinheiro mas não assumem as tarefas.